COMPARAÇÃO DOS FATORES MOTIVACIONAIS ASSOCIADOS À PRÁTICA DO VOLEIBOL ENTRE ATLETAS DE CLUBES E ESCOLARES

COMPARISON OF MOTIVATIONAL FACTORS ASSOCIATED WITH VOLLEYBALL PARTICIPATION AMONG CLUB AND SCHOOL ATHLETES

REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/779601849

RESUMO
O esporte é reconhecido como um importante fenômeno sociocultural, especialmente entre crianças e adolescentes, sendo o voleibol uma das modalidades mais populares nesse contexto. A motivação desempenha papel central na prática esportiva, podendo ser influenciada por fatores intrínsecos, como prazer e bem-estar, e extrínsecos, como aspectos sociais. Nesse sentido, o estudo teve como objetivo comparar os fatores motivacionais associados à prática do voleibol entre atletas de clubes e escolares. Trata-se de um estudo quantitativo de corte transversal, realizado com 58 participantes, com idades entre 12 e 19 anos. Foi utilizada a Escala de Motivação à Prática de Atividades Físicas (MPAM-R), composta por cinco dimensões: Diversão/Interesse, Saúde/Fitness, Competência, Aparência e Social. Os dados foram analisados por meio de estatística descritiva e inferencial e foi adotado nível de significância de p<0,05. Os achados indicaram que os fatores motivacionais são, de modo geral, semelhantes entre atletas de clubes e escolares, com exceção da dimensão Social, que foi mais valorizada por atletas de clubes. A dimensão Saúde/Fitness apresentou-se como o principal motivo para a prática em ambos os grupos, seguida pela dimensão Diversão/Interesse. Por outro lado, a dimensão Aparência foi a menos relevante. Conclui-se que tanto aspectos relacionados à saúde quanto ao prazer e às interações sociais são determinantes importantes para a prática do voleibol por atletas de clubes e escolares.
Palavras-chave: Voleibol; Motivação; Atletas; Clube; Escola.

ABSTRACT
Sport is widely recognised as an important sociocultural phenomenon, particularly among children and adolescents, with volleyball being one of the most popular modalities in this context. Motivation plays a central role in sports participation and may be influenced by intrinsic factors, such as enjoyment and well-being, as well as extrinsic factors, including social aspects. In this regard, the present study aimed to compare the motivational factors associated with volleyball participation among club and school athletes. This was a quantitative cross-sectional study conducted with 58 participants aged between 12 and 19 years. The Motivation for Physical Activity Measure – Revised (MPAM-R) was used, comprising five dimensions: Enjoyment/Interest, Health/Fitness, Competence, Appearance, and Social. Data were analysed using descriptive and inferential statistics, with a significance level set at p<0.05. The findings indicated that motivational factors were generally similar between club and school athletes, with the exception of the social dimension, which was more highly valued by club athletes. The Health/Fitness dimension emerged as the primary motive for participation in both groups, followed by the Enjoyment/Interest dimension. In contrast, the Appearance dimension was the least relevant. It can be concluded that factors related to health, enjoyment, and social interactions are important determinants for volleyball participation among both club and school athletes.
Keywords: Volleyball; Motivation; Athletes; Club; School.

1. INTRODUÇÃO

O esporte é amplamente reconhecido como um dos fenômenos socioculturais mais relevantes da atualidade, e o interesse por sua prática tem sido crescente em diversas partes do mundo (Tubino, 2017). Esse interesse tende a ser ainda mais evidente durante a infância e a juventude, fase em que a influência da mídia contribui para a valorização do esporte e para a expansão do mercado esportivo. Além disso, destaca-se o papel do esporte na educação e no desenvolvimento físico, psicológico e social dos indivíduos (Bengtsson et al., 2025). Nessa busca pela prática de esportes, o voleibol se destaca como um dos esportes mais populares e praticados do mundo (Silva et al., 2023). No Brasil, o número de praticantes em várias regiões, vem aumentando devido ao desempenho da seleção brasileira feminina, masculina e dos clubes em competições internacionais (Dell’Antonio et al., 2024).

Além de ser um esporte muito popular em diferentes contextos sociais, o voleibol também favorece o desenvolvimento de habilidades físicas e cognitivas em crianças e adolescentes. Por ser uma modalidade coletiva que exige decisões rápidas, cooperação entre os jogadores e constante adaptação durante o jogo, o voleibol contribui para o desenvolvimento da comunicação, disciplina, autonomia e do trabalho em equipe. Por isso, é bastante utilizado tanto no ambiente escolar quanto em contextos de formação esportiva mais competitivos, como clubes (Wang et al., 2025). Segundo Wade et al. (2026), a prática esportiva entre crianças e adolescentes de cinco a 17 anos é associada a melhor saúde mental, incluindo maior autoestima, satisfação com a vida e redução dos sintomas de ansiedade e depressão, e a melhores resultados sociais, como habilidades interpessoais e senso de pertencimento.

Nesse contexto, compreender os fatores que influenciam a prática de crianças e adolescentes no esporte é importante, principalmente diante do aumento do comportamento sedentário nos últimos anos (Chaput et al., 2020). Estudos mostram que a motivação tem papel fundamental não apenas para o início da prática esportiva, mas também para que os jovens continuem praticando o esporte ao longo do tempo (Deng et al., 2023; Rodrigues et al., 2024). Quando os adolescentes vivenciam experiências positivas nos treinos e competições, as chances de continuarem no esporte são maiores. Em contrapartida, ambientes com excesso de cobranças e foco exagerado em resultados podem diminuir o prazer pela prática e favorecer o abandono precoce do esporte.

Desta forma, segundo Ryan & Deci (2020), a motivação pode ser entendida como uma dimensão que direciona o comportamento, indicando os objetivos que orientam as ações das pessoas. De acordo com esses autores, a motivação se divide em duas categorias: motivação intrínseca, relacionada à realização de uma atividade pelo prazer e satisfação que ela proporciona, e a motivação extrínseca, que ocorre quando o indivíduo se engaja em uma atividade visando alcançar resultados, metas ou prêmios. No contexto esportivo, ambos os tipos de motivação podem influenciar diretamente o envolvimento dos jovens na prática esportiva. Além disso, atletas que apresentam maiores níveis de motivação tendem a demonstrar maior dedicação aos treinos e melhor participação nas atividades.

A motivação tem sido alvo de muitas investigações científicas, pois desde muito tempo a literatura busca compreender quais estímulos estão presentes para a realização de tarefas em vários domínios, como na atuação de professores e estudantes (Saeedi et al., 2021). De modo geral, esses estudos indicam que pessoas com níveis mais elevados de motivação tendem a apresentar maior disposição e envolvimento com as tarefas propostas, além de manterem a atenção e o foco. No contexto esportivo, isso se reflete em uma dedicação mais intensa e em maior tempo investido nos treinos (Hodge et al., 2023).

Nesse contexto, a Teoria da Autodeterminação, proposta por Ryan & Deci (2020), é uma das principais teorias utilizadas para entender a motivação na prática esportiva. De acordo com essa teoria, as pessoas tendem a se envolver mais e permanecer por mais tempo em uma atividade quando se sentem capazes de realizá-la, têm certa autonomia nas decisões e mantêm boas relações com outras pessoas. No esporte, atletas que se sentem confiantes, participam ativamente do processo e possuem boa relação com colegas e treinadores costumam apresentar maior motivação. Assim, ambientes esportivos com apoio social, incentivo positivo e experiências agradáveis podem favorecer o engajamento e a permanência de jovens atletas no esporte.

Além disso, os fatores que motivam a prática esportiva podem mudar conforme o contexto em que o esporte é realizado. Atletas de clubes, por exemplo, geralmente estão em ambientes mais competitivos, com maior cobrança por desempenho e resultados. Já os atletas escolares costumam participar mais pela diversão, convivência com os colegas e pelas experiências recreativas (Vogt & Vogt, 2026). Essas diferenças podem influenciar a forma como os jovens enxergam o esporte e os motivos que os fazem continuar na modalidade. Por isso, investigar possíveis diferenças motivacionais entre atletas de clubes e escolares pode trazer informações importantes para professores, treinadores e outros profissionais envolvidos no desenvolvimento esportivo de crianças e adolescentes (Saarinen et al., 2025).

Em relação a motivação no voleibol, destaca-se que um dos principais fatores está relacionado à própria dinâmica da modalidade, na qual o caráter coletivo se sobrepõe ao individual, já que não é permitido reter a bola (Gil-Arias et al., 2021). Por isso, existe uma relação de dependência entre os jogadores, em que cada um, passa a valorizar e torcer pelo sucesso das ações dos colegas, o que favorece um processo de socialização natural. Além disso, o estudo destaca a afiliação como o segundo principal fator de motivação no voleibol, entendida como o comportamento de se vincular a grupos. Dessa forma, pela necessidade de pertencimento a um círculo de amizades e de evitar a solidão, muitos indivíduos buscam a prática de esportes coletivos.

Adicionalmente, Gomes et al. (2012) observaram que em atletas de voleibol, a motivação para a prática do esporte está relacionada ao fluxo de desempenho caracterizado por momentos em que o atleta permanece altamente focado e concentrado em um único objetivo, voltado à melhoria da performance, o que torna a experiência mais positiva e prazerosa. Por outro lado, os autores observaram resultados negativos em relação a motivação extrínseca e o fluxo de desempenho. Os resultados indicam que, quando o atleta tem sua motivação voltada para as recompensas e resultados, dificilmente atingirá um estado de prazer na atividade, ou seja, a ocorrência do fluxo. Dessa forma, principalmente na fase escolar, é essencial manter os atletas estimulados por meio de experiências positivas, como alegria e satisfação na prática do voleibol, uma vez que esses elementos são inerentes à modalidade (Mclaren; Shanmugaratnam & Bruner 2024).

Portanto, de acordo com a literatura, é necessário manter os praticantes de voleibol motivados a vivenciarem experiências positivas e satisfatórias durante a prática esportiva. Com a crescente disseminação da modalidade, muitas escolas têm investido na formação de equipes para competições amadoras, o que, consequentemente, amplia as oportunidades de inserção desses atletas em clubes e pode representar o início de um processo de profissionalização (Vignadelli et al., 2018).

O ambiente social também tem grande influência na motivação dos atletas. O apoio da família, dos colegas de equipe e dos treinadores pode aumentar o envolvimento dos jovens com o esporte, principalmente na adolescência, fase marcada por diversas mudanças físicas, emocionais e sociais. Neste sentido, Gao et al. (2024) realizaram revisão sistemática com 29 estudos, incluindo 9.185 jovens atletas e 2.191 pais, e observaram que os pais desempenham papéis multidimensionais na motivação de jovens atletas. Metas e valores positivos dos pais, estilos parentais que apoiam a autonomia, relacionamentos positivos entre pais e filhos e um clima de tarefas iniciadas pelos pais são identificados como estratégias parentais ideais. Dessa forma, compreender os fatores motivacionais relacionados ao voleibol pode ajudar na criação de ambientes esportivos mais acolhedores e favoráveis ao desenvolvimento dos jovens atletas.

Nesse contexto, surge o questionamento sobre quais fatores motivam a prática dos atletas de voleibol, tanto no ambiente escolar quanto em clubes. A partir dessa investigação, torna-se possível compreender os principais motivos que influenciam o engajamento dos atletas na modalidade, permitindo a aplicação dessas informações na melhoria do ambiente de treinamento. Assim, o objetivo deste estudo foi comparar os fatores motivacionais associados à prática do voleibol entre atletas de clubes e escolares.

2. METODOLOGIA

O presente estudo caracteriza-se como quantitativo de corte transversal.

Amostra

A amostra foi composta por atletas de voleibol vinculados a clubes e a equipes escolares, com nível de escolaridade variando do ensino fundamental incompleto ao ensino médio completo. Participaram do estudo atletas de ambos os sexos, com faixa etária entre a adolescência inicial e final. Os participantes praticavam regularmente a modalidade e realizavam os treinos nos locais em que a pesquisa foi conduzida.

Instrumentos

Utilizou-se a Escala de Motivação à Prática de Atividades Físicas Revisada (MPAM-R), adaptada e validada para o contexto brasileiro. A escala é composta por 26 itens que medem cinco motivos para a prática de atividade física, sendo eles: Diversão/Interesse, Saúde/Fitness, Competência, Aparência e Social. Os participantes responderam às questões, como “Pratico atividade física...” por meio dos itens da escala, os quais foram avaliados em formato Likert de sete pontos, variando de 1 (discordo totalmente) a 7 (concordo totalmente). Além disso, foram coletadas informações sociodemográficas, incluindo sexo, idade, massa corporal, estatura, índice de massa corporal e escolaridade.

Procedimentos de coleta de dados

A pesquisa foi realizada na cidade de Maceió/Alagoas em dois clubes de voleibol e em uma escola. Inicialmente, os responsáveis pelas equipes de voleibol dos clubes e da escola foram contatados, e foi solicitada autorização para realização do estudo. A autorização foi obtida por meio da assinatura da carta de solicitação pelos responsáveis. Para os participantes que concordaram em participar, após esclarecimento sobre os objetivos e procedimentos do estudo, os pais ou responsáveis assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, e os atletas e alunos assinaram o Termo de Assentimento. A pesquisa foi realizada segundo a Resolução nº 466/12 do Conselho Nacional de Saúde, que regulamenta pesquisas envolvendo seres humanos. O estudo foi conduzido de acordo com os princípios éticos estabelecidos na Declaração de Helsinque. A participação no estudo aconteceu de forma voluntária, e as informações dos participantes foram mantidas em sigilo, sem identificação dos envolvidos. Foram agendados dias de treino para aplicar o questionário, que foi respondido no próprio local de treino dos participantes. Antes de começar, foi feita uma explicação para todos sobre a escala e como responder. Após o esclarecimento das dúvidas, os participantes iniciaram o preenchimento ao mesmo tempo, e os questionários foram recolhidos à medida que eram finalizados.

Análise dos dados

Para caracterização da amostra foi utilizada a estatística descritiva (média e desvio padrão) para as variáveis da escala. Para verificar a distribuição dos dados foi utilizado o teste de Kolmogorov-Smirnov. Para a comparação entre os grupos, utilizou-se o teste t independente e a análise de variância (ANOVA one-way). Para todos os testes foi adotado nível de significância de p<0,05. As análises foram realizadas no software Statistical Package for the Social Sciences (SPSS) para Windows®, versão 20.0.

3. RESULTADOS

A amostra foi composta por 58 participantes, sendo atletas de voleibol vinculados a clubes e a equipes escolares, com nível de escolaridade variando do ensino fundamental incompleto ao ensino médio completo. Do total, 25 eram do sexo feminino e 33 do sexo masculino, com idades entre 12 e 19 anos.

Em relação à Escala de Motivação à Prática de Atividades Físicas (MPAM-R), os resultados mostram que os atletas deram mais importância para fatores ligados à saúde e ao fitness, tanto nos clubes quanto na escola. Em ambos os grupos, a dimensão Saúde/Fitness apresentou as maiores médias, mostrando que muitos atletas relacionam a prática do voleibol com melhora da saúde e do preparo físico.

Também foi possível observar que as dimensões Diversão/Interesse e Social tiveram valores relativamente altos nos dois grupos. Isso mostra que o prazer em praticar voleibol e a convivência com outras pessoas também são motivos importantes para os atletas continuarem na modalidade. Já a dimensão Aparência apresentou os menores valores, indicando que a estética e a aparência física tiveram menos influência na motivação dos participantes. Assim, a tabela 1 apresenta a comparação entre os motivos para prática do voleibol de atletas de clubes e escolares.

Tabela 1. Média e desvio-padrão da comparação entre os motivos para prática do voleibol de atletas de clubes e escolares.

 

Diversão/Interesse

Saúde e Fitness

Aparência

Competência

Social

F

p

Clube

4,61±0,48

5,77±0,71

2,71±0,85

3,54±0,8

4,31±0,81

83,352

<0,001

Escola

4,58±0,64

5,45±1,01

2,76±0,78

3,39±0,96

3,75±1,26

27,973

<0,001

A tabela 2 apresenta que o principal motivo para prática do voleibol por atletas de clubes e escolares é a Saúde/Fitness e que o motivo menos significativo foi a Aparência. Além disso, para os atletas de clubes, os resultados do post hoc de Tukey indicam que, a dimensão Diversão/Interesse foi mais significativa do que a Aparência e Competência. Por sua vez, a Competência foi mais significativa em relação à dimensão Aparência e a dimensão Social foi mais significativa do que às dimensões Aparência e Competência. Em relação aos escolares, a dimensão Diversão/Interesse foi mais significativa em relação às dimensões Aparência, Competência e Social. Já a dimensão Social foi mais significativa em relação à dimensão Aparência.

Tabela 2. Média e desvio-padrão da comparação dos motivos para prática de voleibol de atletas de clubes e escolares.

 

Clube

Escola

t

p

Diversão/Interesse

4,61±0,48

4,58±0,64

0,196

0,845

Saúde e Fitness

5,77±0,71

5,45±1,01

1,410

0,164

Aparência

2,71±0,85

2,76±0,78

-0,209

0,835

Competência

3,54±0,8

3,39±0,96

0,649

0,519

Social

4,31±0,81

3,75±1,26

2,235

0,029

De forma geral, os resultados mostram que fatores relacionados à saúde, ao prazer pela prática e às relações sociais parecem ter maior influência na prática do voleibol do que fatores ligados à aparência física. Esses achados reforçam a importância do voleibol não apenas para o condicionamento físico, mas também para a diversão e socialização entre os adolescentes.

4. DISCUSSÃO

O objetivo deste estudo foi comparar os fatores motivacionais associados à prática do voleibol entre atletas de clubes e escolares. Os resultados indicaram que, de modo geral, os motivos para a prática são semelhantes entre os grupos, com exceção do fator social, no qual atletas de clubes apresentaram maior interesse. O fator social pode ser mais valorizado pelos atletas dos clubes por proporcionar a interação com indivíduos fora do círculo familiar e escolar, estimulando o sentimento de pertencimento a um grupo social e auxiliando nas tomadas de decisão, desafios e novas oportunidades (Worley & Smith, 2026). Nesse sentido, Kwon (2024) destaca que, em esportes coletivos, o sucesso no jogo depende mais do que apenas excelência individual, ele requer trabalho em equipe eficaz, uma vez que o desempenho está relacionado à colaboração entre os membros da equipe.

Os resultados encontrados podem ser explicados pela Teoria da Autodeterminação, que afirma que as pessoas tendem a permanecer mais envolvidas em uma atividade quando suas necessidades psicológicas básicas são atendidas, principalmente autonomia, competência e relacionamento social (Ryan & Deci, 2020). Nesse contexto, o fato de os atletas de clubes apresentarem maior valorização da dimensão social pode indicar que o ambiente competitivo favorece a criação de vínculos mais fortes entre os integrantes da equipe. A convivência frequente nos treinamentos, viagens e competições pode aumentar o sentimento de pertencimento ao grupo e fortalecer a identidade coletiva, fatores que contribuem para um maior envolvimento com o esporte.

Além disso, o voleibol possui características que favorecem bastante a interação social entre os atletas. Diferente dos esportes individuais, o desempenho da equipe depende da cooperação entre os jogadores, da comunicação constante e do trabalho coletivo durante o jogo. Assim, a modalidade contribui para o desenvolvimento das relações interpessoais e da união do grupo, aspectos que estão relacionados à maior motivação e permanência no esporte (Cevahircioğlu; Şenel & Karakuş, 2024). Esses fatores podem ajudar a explicar os maiores valores encontrados no fator social entre os atletas de clubes no presente estudo.

Em relação à comparação dos fatores motivacionais para a prática do voleibol entre os atletas, a dimensão Saúde/Fitness foi a mais significativa para ambos os grupos. Isso pode ser explicado, em parte, pela influência de informações na mídia que reforçam a ideia de que a prática esportiva contribui para melhora da saúde e para redução do comportamento sedentário (Fernandes & Moreno, 2025). Além disso, fatores intrínsecos, como a busca por saúde e bem-estar, quanto fatores extrínsecos, como o suporte social de familiares e amigos, exercem influência significativa na motivação para a prática esportiva (Prieto-González; Rivera-Villafuerte & Canli, 2025). Por exemplo, Interdonato et al. (2008), observaram que a dimensão saúde foi um dos principais motivadores para a prática de diversas modalidades, como o voleibol. Dessa forma, os achados do presente estudo estão de acordo com a literatura ao indicarem que a saúde se mantém como o principal fator associado à prática do voleibol entre atletas de clubes e escolares.

Outro aspecto importante é que a valorização da dimensão Saúde/Fitness pode estar relacionada ao aumento da conscientização sobre os benefícios da prática regular de atividade física para a saúde física e mental. Atualmente, os adolescentes têm mais acesso a informações sobre prevenção de doenças, qualidade de vida e bem-estar, seja na escola, nas redes sociais ou em campanhas de saúde pública (Ferretti; Hubbs & Vayena, 2023). Nesse cenário, o esporte deixa de ser visto apenas como uma atividade recreativa ou competitiva e passa a ser entendido também como uma forma importante de cuidar da saúde e melhorar o condicionamento físico.

Além disso, a prática regular de esportes durante a adolescência está relacionada à melhora da composição corporal, capacidade física, saúde mental e redução do risco de doenças cardiovasculares no futuro (Rocliffe et al., 2024). Assim, é possível que os participantes reconheçam esses benefícios e associem a prática do voleibol à melhora da saúde e do condicionamento físico. Dessa forma, os resultados deste estudo reforçam a importância de incentivar estratégias que valorizem a relação entre esporte e saúde, principalmente em ambientes escolares e de iniciação esportiva.

Da mesma forma, Campos; Vigário & Lürdof (2011) observaram que os fatores saúde e status foram os únicos que motivaram de forma semelhante os atletas, independentemente do sexo dos praticantes. De acordo com os autores, nos outros cinco fatores, condicionamento físico, liberação de energia, contexto, aperfeiçoamento técnico e afiliação, houve diferença significativa entre homens e mulheres. Esses achados sugerem que, embora existam diferenças entre homens e mulheres em diversos fatores motivacionais, a busca por saúde se mantém como um elemento comum entre os praticantes, reforçando seu papel como um dos principais determinantes para a prática no esporte.

Por outro lado, a dimensão Diversão/Interesse mostrou-se mais relevante quando comparada às dimensões Aparência, Competência e Social. Assim como observado no estudo de Paim & Pereira (2004), essa dimensão aparece como a segunda principal motivação tanto para atletas de clubes quanto para escolares. A categoria Diversão/Interesse se destaca em relação às demais por valorizar o prazer na prática esportiva. Da mesma forma, Joung; Jeon & Kwon (2024), também observaram que a diversão é um dos principais fatores que influenciam a prática de adolescentes no esporte. Quanto maior o prazer e o interesse pela atividade, maior a intenção de continuar praticando. Assim, os autores relataram que o prazer percebido pelos alunos do ensino fundamental ao participarem de clubes esportivos escolares foi um fator positivo que levou a um maior envolvimento em atividades esportivas.

A importância da dimensão Diversão/Interesse também merece destaque, já que o prazer durante a prática esportiva é um dos principais fatores relacionados à prática de crianças e adolescentes. Quando os atletas compreendem os treinamentos como experiências agradáveis e satisfatórias, as chances de continuarem na modalidade e manterem hábitos fisicamente ativos ao longo da vida são maiores. Por outro lado, experiências negativas, excesso de cobranças e muita pressão por resultados podem diminuir a motivação e favorecer o abandono precoce do esporte (Zhang; Wang & Shao., 2022).

Nesse contexto, os resultados encontrados sugerem que o voleibol pode proporcionar experiências positivas tanto para atletas escolares quanto para atletas de clubes, independentemente do ambiente de prática. Isso tem importante aplicação prática, pois professores e treinadores podem utilizar estratégias que incentivem o prazer pela prática, a participação ativa e a cooperação entre os atletas. A literatura aponta que ambientes esportivos com apoio social, feedback positivo e valorização do esforço individual contribuem para maiores níveis de satisfação e comprometimento esportivo entre adolescentes (Hodge et al., 2023).

Embora o presente estudo tenha encontrado semelhanças nos fatores motivacionais entre atletas de clubes e escolares, é importante destacar que a motivação esportiva é um fenômeno complexo e pode mudar de acordo com diferentes fatores. Aspectos como idade, sexo, tempo de prática, experiências anteriores no esporte e nível competitivo podem influenciar os motivos que levam os jovens a praticarem esporte. Além disso, fatores do ambiente, como a forma de treinamento e a relação com os treinadores, também podem afetar o comportamento e envolvimento dos atletas. Por isso, futuros estudos devem considerar essas variáveis para ampliar a compreensão sobre a motivação no voleibol.

Outra possibilidade para pesquisas futuras é a realização de estudos longitudinais, acompanhando os atletas ao longo do tempo para observar possíveis mudanças nos fatores motivacionais durante o desenvolvimento esportivo. Esse tipo de estudo pode ajudar a entender como os motivos para a prática esportiva mudam conforme aumentam a idade, a experiência competitiva e as exigências dos treinos. Além disso, pesquisas qualitativas também podem contribuir para uma compreensão mais profunda das experiências e percepções dos atletas em diferentes contextos do voleibol.

Este estudo apresenta algumas limitações que devem ser consideradas na interpretação dos resultados. O delineamento transversal impede o estabelecimento de relações de causa e efeito sobre os fatores motivacionais e a prática do voleibol. Além disso, a amostra foi específica de atletas de uma única cidade, isso pode limitar a generalização dos achados para outras populações e contextos esportivos. Apesar dessas limitações, o estudo apresenta importantes aplicações práticas, uma vez que os resultados podem auxiliar treinadores, professores e profissionais da área a direcionarem estratégias de intervenção mais eficazes, valorizando aspectos como saúde e diversão para auxiliar na prática de jovens no voleibol. Além disso, compreender que o fator social é mais relevante em determinados contextos, como clubes, pode contribuir para a criação de ambientes que favoreçam a interação, o trabalho em equipe e o sentimento de pertencimento, potencializando o engajamento dos praticantes.

5. CONCLUSÃO

Os fatores motivacionais para a prática do voleibol são, de modo geral, semelhantes entre atletas de clubes e escolares, destacando a dimensão Saúde/Fitness como principal motivo em ambos os grupos. Além disso, a dimensão Diversão/Interesse também apresentou papel relevante, reforçando a importância do prazer na prática esportiva. Observou-se ainda que o fator social foi mais valorizado por atletas de clubes, sugerindo a influência do ambiente esportivo na motivação. Dessa forma, conclui-se que tanto aspectos relacionados à saúde quanto ao prazer e às interações sociais são determinantes importantes para a prática do voleibol por atletas de clubes e escolares.

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1 Graduada em Educação Física, Universidade Federal de Alagoas (UFAL), Maceió, Alagoas, Brasil. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

2 Doutoranda em Educação Física, Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Juiz de Fora, Minas Gerais, Brasil. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

3 Doutoranda em Educação Física, Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Juiz de Fora, Minas Gerais, Brasil. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

4 Doutoranda em Educação Física, Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Juiz de Fora, Minas Gerais, Brasil. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

5 Mestrando em Educação Física, Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Juiz de Fora, Minas Gerais, Brasil. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

6 Doutor em Serviço Social, Universidade Federal de Alagoas (UFAL), Maceió, Alagoas, Brasil. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

7 Doutor em Ciências do Exercício e do Esporte, Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail