BILINGUISMO - O IMPACTO DE UMA SEGUNDA LÍNGUA NA VIDA DO BRASILEIRO

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REGISTRO DOI: 10.5281/zenodo.10359960


Sabrina Santos Saldanha Soares¹
Caio Luciano Gomes Luiz²
Bruna Heloisa da Silva Cruz³
Orientador: Ricardo Nascimento Ferreira⁴


RESUMO
O interesse pelo tema se deu pela observância da sociedade em relação ao bilinguismo e o confronto nas duas visões que se tem sobre a palavra. Ao verificar a questão histórica, gerou-se uma reflexão sobre os conflitos que existem na questão do bilinguismo voltado para inclusão de pessoas deficientes auditivas nas organizações (escolas, sociedade, empresas, cargos de liderança, entre outros) versus a exigência das organizações de determinar o domínio do uso de outro idioma, em que as pessoas devem ser bilíngues para conseguirem concorrerem a vagas de emprego.
Palavras-chave: Bilinguismo; Deficientes auditivos; Organizações; Bilíngue
 
ABSTRACT
The interest in the theme was due to society's observance of bilingualism and the confrontation between the two views of the word. Exposing historical analysis, reflection and conflicts that exist in the issue of bilingualism aimed at the inclusion of hearing impaired people in organizations (schools, society, companies, leadership positions, among others) versus the requirement of organizations to determine the mastery of the use of another language, in which people must be bilingual in order to be seen.
Keywords: Bilingualism; Hearing impaired; Organizations; Bilingual
 
1. INTRODUÇÃO

O interesse e a curiosidade sobre o tema Bilinguismo se deu a partir das exigências do mercado de trabalho sobre vagas de nível hierárquico operacional, visto que as empresas têm colocado como exigências de perfil profissional o uso e entendimento de algum idioma, principalmente, a língua inglesa em cargos de baixa complexibilidade. E ao pesquisarmos mais sobre o assunto, observamos o conflito entre o verdadeiro significado da palavra, visto que ainda não foi completamente definido seu conceito. Enquanto alguns estudiosos são bem rígidos quanto a ele, outros são menos específicos.

O Bilinguismo, no caso dos Surdos, é gerido por conceitos específicos, relativos à deficiência auditiva, à língua e à cultura dos surdos. Pode ser definido como o uso, cotidianamente, da Língua de Sinais e de uma segunda língua, não sendo obrigatório o domínio igualitário de todas as modalidades e habilidades dessas línguas para que o indivíduo seja considerado bilíngue. Já na outra versão, de acordo com o dicionário da língua portuguesa, bilinguismo é: coexistência de dois sistemas linguísticos (língua, dialeto, etc.) numa comunidade; É a utilização simultânea de duas línguas por uma pessoa ou por um grupo, com idêntica fluência ou com proeminência de uma delas.

Após obter esses dois conceitos sobre o bilinguismo, observamos um conflito entre a temática, mesmo que ambos os significados sejam voltados para o uso da língua. A partir disso, desenvolvemos uma análise e reflexão sobre o tema abordado e investigamos as causas debatendo e pondo em pauta não só para o lado de mercado de trabalho, carreiras e afins, mas, também, no quesito de dar importância e reportar maior valor ao significado e origem do termo bilinguismo na prática voltada para a comunidade surda. 

Este trabalho divide-se em quatro partes. Na primeira, discutiremos conceitos como definição de bilinguismo e suas características de modo geral, sempre comparando ou adaptando para a realidade do contexto brasileiro. Na segunda parte, abordaremos a discussão do estatuto de “ser bilíngue” em um país como o Brasil, e suas consequências. Na terceira parte, faremos considerações sobre o quadro exposto até então à luz de uma visão aquisicionista. A última parte compreenderá as considerações  finais deste trabalho.

1.1 Linha do tempo: como surgiu o termo Bilinguismo

O bilinguismo é um fenômeno que acompanha a história humana desde tempos remotos. No Brasil, esse movimento ganhou força durante a colonização, quando os portugueses chegaram e passaram a ensinar o português aos indígenas. A intensificação desse relacionamento levou a documentos oficiais que integravam mais de uma língua, como contratos comerciais e casamentos mistos. Essa miscigenação afetou nossa cultura e a nossa língua que até então era dos nativos passou a ser alterada com o tempo. Sabe-se que não foram apenas os Portugueses que influenciaram essa mudança, mas também, os Alemães, Franceses, Italianos, Espanhóis, Africanos etc.

Em 1960, o termo bilinguismo surgiu nos Estados Unidos como proposta educacional para ensinar as pessoas surdas a se comunicarem através de gestos. Após uma década, em 1970, na Suécia surgiu o modelo bilíngue que foi a língua de sinais junto com a língua oral para auxiliar a comunidade deficiente auditiva a se encaixarem na sociedade. E na década de 90 chega o modelo bilíngue no Brasil.

A Lei de Diretrizes e Bases foi criada em 1996 e é a lei que rege a educação brasileira até hoje. Com isso, ficou estabelecido a necessidade de implantar a língua estrangeira no país a partir do ensino fundamental. Não é atoa que até hoje temos que aprender junto das disciplinas obrigatórias a língua estrangeira. Mas, por que não foi inserido como disciplina a Língua Brasileira de Sinais nas escolas ? Mesmo ela sendo nosso outro idioma oficial do Brasil. Esse fato é algo preocupante e importante de ser analisado, já que por causa dessa carência a maior parte da população não sabe se comunicar com gestos de sinais e muito menos entender. Por consequência, fica maior a dificuldade de se formar e incluir pessoas deficientes auditivas na sociedade, devido essa falta de atenção por parte do governo e além disso, a escassez de profissionais capacitados para trabalhar conjuntamente nessa esfera.

1.1.1 Bilinguismo - desmistificando o tema

O termo bilinguismo, por si só, já gera confusão. Hoje em dia, o termo é utilizado para se referir a dois conceitos, seja um indivíduo que fala dois idiomas ou, no caso dos surdos, o bilinguismo baseia-se no reconhecimento do fato de que as pessoas surdas são interlocutoras naturais de uma língua adaptada à sua capacidade de expressão. Assim sendo, a comunidade surda propõe que a língua gestual oficial do seu país de origem lhes seja ensinada, desde a infância, como primeira língua.

O conceito de bilinguismo é complexo e não possui uma definição concreta, mas, de forma geral, em outra perspectiva, refere-se à capacidade de se comunicar com clareza em duas línguas. Isso inclui habilidades de fala, leitura, escrita e compreensão. A maioria dos bilíngues é mais fluente na língua nativa, mas exceções ocorrem quando uma criança é exposta a duas línguas desde os primeiros anos de vida, adquirindo igual proficiência em ambas.

No século XX, o bilinguismo foi adotado nas salas de aula. Atualmente, o Brasil possui duas línguas oficiais: o português e a Língua Brasileira de Sinais (Libras). Além disso, o inglês e o espanhol são idiomas amplamente estudados devido aos efeitos da globalização. Porém, nota-se no currículo pedagógico das escolas brasileiras que a língua estrangeira é mais importante do que a Língua Brasileira de Sinais, visto que mesmo após vários anos de história essa língua é colocada como último plano já que ainda não é disciplina obrigatória nas escolas regulares de ensino fundamental e médio.

Em resumo, o bilinguismo é um tema relevante nos dias atuais devido à internacionalização do mundo, impulsionada pela globalização, migrações voluntárias e revitalização de línguas minoritárias. Ademais, o bilinguismo põe em pauta a falta de importância do sistema brasileiro em consonância com a língua de sinais e por isso medidas são necessárias para solucionar o impasse

2.  APRESENTAÇÃO DOS COMPONENTES LEGAIS EM CONTRASTE COM A EDUCAÇÃO SURDA

A modalidade de educação bilíngue de surdos no ensino brasileiro é lei. De acordo com o Projeto de lei 4909/2020 que foi sancionado em 2022 pelo ex presidente Jair Bolsonaro: “Dispõe sobre a educação bilíngue de surdos, modalidade de educação escolar oferecida em Libras, como primeira língua, e em português escrito, como segunda língua, para educandos com deficiências auditivas. Determina à União a prestação de apoio técnico e financeiro aos sistemas de ensino para o provimento da educação bilíngue.” A iniciativa prevê que a oferta de educação bilíngue deve ser iniciada na educação infantil e se estender ao longo da vida escolar do estudante. A modalidade será aplicada em escolas bilíngues de surdos, classes bilíngues de surdos, escolas comuns ou em polos de educação bilíngue de surdos. Serão atendidos os estudantes surdos, surdo cegos, com deficiência auditiva, sinalizantes, surdos com altas habilidades ou superdotação ou com deficiências associadas, ou ainda que tenham optado pela modalidade bilíngue e o português escrito como segunda língua.

De acordo com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira - INEP (2020): atualmente, há 64 escolas bilíngues de surdos com 63.106 alunos surdos, surdo-cegos e com deficiência auditiva. Mas, será que é o suficiente ? A inércia do problema começa quando há escolas específicas somente para a comunidade surda e não possui muita inclusão de pessoas deficientes, até de modo geral, nas escolas regulares comuns. Essa deficiência de ensino levanta uma bandeira importante: a educação é mesmo para todos? Há uma disseminação das escolas inclusivas, mas por que não todas as instituições são preparadas para receber todos os alunos e para integrar as crianças e adolescentes entre si. Com base no Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a comunidade surda brasileira equivale a, aproximadamente, 5% da população do país, o que em números descreveria a realidade de mais ou menos 10 milhões de pessoas. No entanto, mesmo com esse número expressivo, o ensino de Libras não é obrigatório, o que faz com que os surdos se fechem e que as trocas entre eles e os ouvintes não sejam facilitadas.

A educação bilíngue de surdos, que se caracteriza pela adoção da Língua de Sinais como a primeira língua, e pela configuração do letramento em Língua Portuguesa, tem encontrado dificuldades para sua implementação nas instituições de ensino regulares como falta de preparação dos professores e de recursos na escola específicos para alunos surdos (ANDRE-WITKOSKI, 2012) depreende-se, da problemática exposta, que as novas gerações suscitam a inserção de práticas inovadoras ao sistema de ensino, mais alinhadas às necessidades comportamentais e específicas desses estudantes. Trata-se de uma reconfiguração do posicionamento do aluno e também do professor, que precisa estar à altura do seu tempo (FREIRE, 1993). Mais que isso, a revisão metodológica é vital para o processo de aprendizado no âmbito de qualquer escola (SALLES, 2004). Afinal, a reestruturação de metodologias é umas das alternativas preconizadas para despertar o interesse pelo currículo escolar de um modo geral, especialmente da comunidade surda inserida no ensino regular.

Em vista de toda essa discussão acerca da temática, é importante ressaltar os desafios da educação em Libras no contexto educacional.

3. DESAFIOS NA IMPLEMENTAÇÃO DA EDUCAÇÃO BILÍNGUE NO BRASIL: LIBRAS X LÍNGUAS ESTRANGEIRAS

A elaboração do currículo pedagógico representa um desafio central na implementação da educação bilíngue. A integração da língua materna com o segundo idioma exige cuidado, considerando que o ensino não se limita apenas à linguagem, mas se estende à interdisciplinaridade. A metodologia Content and Language Integrated Learning (CLIL) tem se destacado, permitindo que disciplinas como matemática sejam ensinadas em inglês.

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC), é um documento de caráter normativo que define o conjunto orgânico e progressivo de aprendizagens essenciais que todos os alunos devem desenvolver ao longo das etapas e modalidades da Educação Básica. A partir desse documento é exposto as quatro áreas de disciplinas obrigatórias nas escolas regulares que são aquelas que todos conhecem e que ensinam desde o fundamental - linguagens, matemática, ciências da natureza e ciências humanas. Na área de linguagens é ensinado a língua materna portuguesa e a língua inglesa. E a partir desse viés, nota-se a ausência das LIBRAS que também é nosso idioma oficial, o que acaba gerando um duelo entre o termo bilinguismo no que tange um conflito na abordagem da implementação da Língua Brasileira de Sinais nas instituições em face das disciplinas de língua estrangeira.

Desde muitos anos a Língua inglesa se tornou um idioma universal, em que qualquer indivíduo que saia do berço do seu país e visite outra nação, mesmo que o idioma seja diferente do seu e você não saiba se comunicar conforme a língua daquele país, poderá utilizar o inglês como chave para solução dos seus problemas. Após a Segunda Guerra Mundial (1939-19445), a questão de aprender inglês passou além de uma vontade, mas sim de uma necessidade estratégica. Ainda mais por causa da dependência econômica do nosso país perante aos Estados Unidos. A língua inglesa é o idioma usado em todo canto do mundo, até nas regiões mais afastadas do nosso planeta.
 
3.1  Exigência de inglês na contratação de candidatos reflete na necessidade urgente de superar a barreira do idioma

O Brasil enfrenta um desafio significativo em relação à proficiência em inglês, com apenas 1% da população sendo considerada fluente e 5% capaz de se comunicar no idioma, de acordo com dados do British Council. Esses números posicionam o país com uma das taxas mais baixas globalmente. A baixa fluência impacta não apenas em oportunidades profissionais, destacadas por salários  mais altos para profissionais fluentes, mas também aspectos cognitivos, como demonstrado em estudos que associam o bilinguismo à redução do risco de demência.

Além disso, o Brasil figura abaixo de diversos países em rankings de proficiência em inglês, revelando uma lacuna que precisa ser endereçada. A importância de se tornar bilíngue é ressaltada não apenas no contexto profissional, mas também pelos benefícios cerebrais, como o aprimoramento de habilidades multitarefas e uma tomada de decisão mais rápida. Segunda a pesquisa salarial da Catho, cerca de 60% das vagas ofertadas atualmente pedem fluência no inglês. Ademais, a remuneração de um funcionário fluente em inglês, em cargo de gerência, é até 70% maior em relação a um profissional do mesmo nível hierárquico, mas sem a fluência na língua.

No artigo da revista Exame, com o aumento da exigência do inglês para contratação, é uma tendência que as entrevistas sejam conduzidas nessa língua, em especial nas empresas multinacionais. De acordo com a matéria, 91% das empresas no Brasil demandam o conhecimento em inglês. Esta discrepância entre demanda e oferta justifica o dado de que 41% dos brasileiros mentem no currículo no que se refere ao conhecimento do inglês, de acordo com dado levantado pela DNA Outplacement divulgado na mesma revista. Dessa forma, conduzir ao menos uma parte da entrevista em inglês é uma das formas para certificar-se de que o conhecimento em inglês do candidato é, de fato, real.

O inglês é, hoje, a língua da internet, da música, do cinema, dos esportes, das pesquisas e encontros científicos, das relações diplomáticas e também do comércio mundial. Estima-se que 85% das publicações científicas mundiais são feitas em inglês, 90% do conteúdo da internet é em inglês. Isso significa que para estar conectado a esse mundo tecnológico e se comunicar com o mundo, o inglês é obrigatório.

Hoje, somos cercados de produtos e serviços fornecidos por empresas estrangeiras, mas o caminho inverso também acontece. O Brasil está cada vez mais conectado com o resto do mundo, através de empresas de diversos setores, alimentício, energético, de aviação, de bebidas, entre outros. E para isso, é necessário que os funcionários dessas empresas tenham um bom conhecimento no inglês, para poder se comunicar no mesmo nível com fornecedores, colegas e parceiros comerciais de outros países. O investimento em programas educacionais e estratégias de aprendizado de idiomas se torna muito importante diante dessa realidade, não apenas para capacitar profissionais, mas também para enriquecer as habilidades cognitivas da população. O cenário atual destaca a urgência de promover uma mudança significativa no acesso e na abordagem ao ensino de inglês no Brasil. É mais do que apenas uma língua, ele se tornou a porta de entrada para um mundo de conhecimento e crescimento pessoal nunca antes visto. Não falar ou entender inglês hoje, é como estar à deriva do mundo globalizado que vivemos.

3.2 Desafios na Implementação da Educação Bilíngue no Brasil: Estratégias e Benefícios

A fluência em um novo idioma é cada vez mais crucial em um mundo globalizado e tecnológico, mas a implementação da educação bilíngue no Brasil enfrenta desafios significativos. Mesmo com o aumento na demanda por esse tipo de ensino, questões como a elaboração do currículo pedagógico, a falta de professores qualificados e o processo de implementação nas escolas são desafios a serem superados. A escassez de professores capacitados é uma barreira significativa. A complexidade do ensino bilíngue demanda não apenas profissionais educacionais, mas também fluência no segundo idioma. O desafio é evidenciado por dados que apontam que uma parcela significativa dos alunos na Educação Básica tem aulas de inglês com professores que podem não possuir a formação adequada para o ensino bilíngue. O cumprimento dos requisitos estabelecidos pelo MEC para a educação bilíngue é fundamental para garantir a qualidade do ensino.

● Estratégias para Superar Desafios na Educação Bilíngue

1. Currículo Pedagógico Inovador

A adoção da metodologia CLIL pode enriquecer o currículo pedagógico, proporcionando uma imersão natural e imersiva na língua estrangeira. Essa abordagem, alinhada à Base Nacional Comum Curricular (BNCC), desenvolve habilidades acadêmicas, linguísticas e cognitivas nos alunos.

2. Capacitação Contínua de Professores

Investir na capacitação contínua de professores é crucial. Programas como o High Five, da Conexia Educação, oferece formação para professores, gestores e mantenedores, garantindo a qualidade do ensino bilíngue.

3. Parceria com Especialistas

Escolas que enfrentam desafios na implementação podem buscar parcerias com especialistas em educação bilíngue. Colaborações externas, como o suporte do High Five, podem incluir auxílio na elaboração do currículo, contratação de professores e desenvolvimento de estratégias pedagógicas.

● Benefícios da Educação Bilíngue: Preparando Alunos para o Futuro Global

A respeito dos desafios, a educação bilíngue oferece uma série de benefícios, preparando os alunos para um futuro global. Além de melhores oportunidades no mercado de trabalho, o domínio de um segundo idioma facilita o acesso ao conhecimento, amplia a criatividade e possibilita o intercâmbio estudantil. Em resumo, apesar dos obstáculos, a procura por instituições de ensino que oferecem educação bilíngue no Brasil continua a crescer. Os benefícios a longo prazo, tanto em termos de oportunidades profissionais quanto de desenvolvimento pessoal, tornam esse desafio educacional promissor para alunos e escolas.

3.3  Escolas bilíngues

O Brasil conta com aproximadamente 40 mil escolas particulares, segundo dados do Ministério da Educação (MEC). Entre essas, cerca de 1,2 mil instituições oferecem programas de educação bilíngue, de acordo com estimativas da Associação Brasileira do Ensino Bilíngue (Abebi), quando se fala em escolas públicas a dificuldade de encontrar educação bilíngue é grande, porém, é possível encontrar.

Desde 2013, o Rio de Janeiro por exemplo se destaca trilhado um caminho inovador ao introduzir escolas públicas bilíngues por meio do projeto Multirio, até 2018, o município abrigava 25 escolas públicas bilíngues, distribuídas da seguinte forma: 9 para inglês, 12 para espanhol, 3 para alemão e 1 para francês. Esse esforço educacional tem aberto portas para um número crescente de crianças, proporcionando a elas a oportunidade de aprender em duas línguas simultaneamente.

O programa não se limita apenas ao Inglês; nas salas de aula da Escola Municipal Professora Didia Machado Fortes, por exemplo, os alunos se dedicam ao estudo de uma língua singular, como o Francês. Essa abordagem única não visa apenas ensinar uma língua estrangeira, mas busca alfabetizar as crianças em duas línguas, enriquecendo seu repertório linguístico.

Outras escolas, como CIEPs Professor Darcy Ribeiro, Oswald de Andrade, e a Escola Municipal Epitácio Pessoa, oferecem o Alemão em um projeto piloto que abrange diferentes segmentos. O compromisso com a diversidade linguística se estende ainda à Escola Municipal Holanda, que traz o Espanhol para a experiência educacional.

O destaque dessas iniciativas é o esforço para ir além do ensino tradicional, promovendo não apenas o aprendizado de línguas estrangeiras, mas também fortalecendo a compreensão cultural e linguística dos alunos. Essa evolução na educação pública evidencia que a abordagem bilíngue está se consolidando como uma realidade em diversas regiões do Brasil.

3.4 Bilinguismo e o mercado de trabalho

Um dos argumentos que explica a importância do bilinguismo no país, em especial a fluência em inglês, é o direto impacto na empregabilidade no futuro dos estudantes, uma vez que existe um gap entre a demanda do mercado brasileiro e a oferta de mão-de-obra com esse conhecimento. Uma pesquisa salarial feita pela Catho - plataforma de classificados de empregos - em 2021, constatou que um profissional com inglês fluente pode receber em média 83% a mais, considerando o seu nível hierárquico. A mesma pesquisa, feita em 2017, apontava um aumento salarial de 38%, o que mostra a importância que o idioma vem ganhando nos últimos anos.

Na avaliação da equipe de Teacher Development da Cel.Lep, Nancy Lake e Inara Couto, a educação bilíngue, em especial de idiomas de ampla penetração mundial, como o inglês e o espanhol, tem papel fundamental e insubstituível para que indivíduos e comunidades possam estar integrados ao novo desenho das relações internacionais. Elas apontam que é urgente que o Brasil redobre os esforços e recursos para capacitar seus cidadãos nas duas frentes, com o ensino do espanhol,  porque estamos inseridos na cultura da América Latina, e do inglês, porque é o maior instrumento de comunicação entre os povos da contemporaneidade.

O diretor de Operações e Pedagógico da Simple Education, Fernando Rodrigues, destaca que a relação da proficiência em inglês sempre teve relevância direta com a empregabilidade e os brasileiros precisam alcançar um maior protagonismo nas relações comerciais internacionais e em negócios, como uma economia global.

Portanto, podemos concluir que o bilinguismo, especialmente a fluência em inglês, é cada vez mais crucial para a empregabilidade no Brasil. O argumento central destaca o impacto direto dessa habilidade no futuro profissional dos estudantes, evidenciado por um significativo aumento salarial para aqueles com proficiência no idioma.

4.  RESULTADOS E DISCUSSÕES

Participaram da pesquisa de campo 128 respondentes. Na TAB. 1, seguinte, podem ser observados os percentuais das variáveis que compõem o perfil dos respondentes. No que se refere à idade, a maioria, 75%, tem idade entre 18 e 25 anos; 12,5% têm até 18 anos; 7,8% possui acima de 35 anos e 4,7% possui idade entre 26 a 34 anos. Em relação ao gênero, o maior número dos respondentes, 60,2%, é constituído por mulheres, e 39,8%, por homens. Não foi apontado outro gênero entre os respondentes. Quanto à escolaridade, o percentual predominantemente mais alto, está os respondentes que possuem Ensino Superior incompleto, 63,3%, seguido por Ensino Médio completo 17,2%, logo após com 10,2% Ensino Fundamental, e Ensino Superior completo com 9,4%.

 

Tabela 1 Perfil dos respondentes.
Fonte: Elaborado pelos autores.

 

Como se observa, a maior parte dos respondentes tem entre 18 e 25 anos, são mulheres, e possuem Ensino Superior incompleto e Ensino Médio completo. Indagados sobre a quantidade de línguas possuem domínio, conforme mostra o Gráfico 1, a seguir, os percentuais mais altos, quase empatados, estão entre os respondentes que possuem  ter domínio de 1 língua 46,1%, e domínio de 2 línguas 43,8%; apenas 8,6% alegam ter domínio de 3 línguas; e 1,6% declararam ter domínio de 4 ou mais línguas.

Gráfico 1 - quantidade de línguas dominadas.
Fonte: elaborado pelos autores.

O Gráfico 1 revela que a maior parte dos respondentes (46,1%) possui domínio de somente uma língua. O menor percentual de respostas (1,6) ficou com a opção de domínio de 4 ou mais línguas. A maior parte dos respondentes, de 18 até 25 anos, participou de 4 a 6 processos seletivos. A participação em mais de 7 processos foi a que obteve o menor índice entre esses respondentes de 18 até 21 anos. Em relação à escolaridade, 45% dos respondentes disseram ter participado de 1 a 3 processos seletivos, e as opções 4 a 6 e mais de 7 obtiveram 28% e 27% das respostas respectivamente. As demais estratificações dos respondentes compatibilizam-se com os percentuais apresentados no Gráfico 1.

O resultado da pergunta ter tido uma oportunidade de fazer algum curso de língua estrangeira, conforme demonstra o Gráfico 2, apresentado a seguir, é o seguinte: a maioria, 78,1%, tiveram essa oportunidade; enquanto 21,9%,não possuíam essa oportunidade.

Gráfico 2 - Oportunidade de fazer um curso de outra língua..
Fonte: elaborado pelos autores.

Esse nos mostra como mesmo tendo oportunidade de fazer um curso de língua estrangeira, a maior parte da população ainda não possui o domínio de outra língua , e quando questionados em relação aos motivos para ainda não terem dominado outra língua, a maior parte respondeu que a dificuldade de conseguir conciliar a sua rotina com o curso os fez desistir de continuar a aprender.

Perguntados se já perderam, ou ganharam, alguma oportunidade de emprego por falar, ou não, uma outra língua 60% afirmou que sim, ter uma segunda língua foi um diferencial para ganhar ou perder uma vaga de emprego, enquanto 39,7% informou que saber uma segunda língua, ou não, nunca fez diferença para conquistar ou perder uma vaga de emprego.

Gráfico 3 - Diferença de uma segunda língua para oportunidades de trabalho.
Fonte: elaborado pelos autores.

O Gráfico 4 apresenta a distribuição das respostas dadas pelos respondentes sobre acreditarem que dominar mais de uma língua oferece vantagens competitivas no mercado de trabalho. Como se constata, 95,3% disseram que acreditam que saber mais de uma língua oferece vantagens competitivas; enquanto a minoria de 4,7% respondeu não acreditar que essa vantagem exista. Todas as estratificações realizadas com as variáveis harmonizam-se com os percentuais do Gráfico 4

Gráfico 4 - Diferença de uma segunda língua para oportunidades de trabalho.
Fonte: elaborado pelos autores.

Quando questionados a respeito da infraestrutura de escolas brasileiras impactar na implementação da educação bilíngue, 93% dos entrevistados revelaram acreditar que a infraestrutura impacta diretamente na implementação de escolas bilíngues. Segundo o Ministério da Educação (MEC), qualquer escola pode se tornar bilíngue desde que siga as legislações e regulamentações necessárias. Logo em seguida foram indagados sobre como avaliam o apoio institucional para a implementação do bilinguismo nas escolas, onde a maioria de 64,6% dos entrevistados avaliaram o apoio como fraco, seguido por 21,3% dos entrevistados avaliaram como apoio moderado; e a minoria de 14,2% avaliarem esse apoio como forte.

Gráfico 5 -Infraestrutura impacta na implementação do bilinguismo.
Fonte: elaborado pelos autores.
 
Gráfico 6 - Avaliação do apoio institucional para implementação da educação bilingue.
Fonte: elaborado pelos autores.
 

Acerca do conhecimento sobre a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) ser o segundo idioma oficial brasileiro, apenas 34,4% dos entrevistados não haviam ciência dessa informação. No entanto, ao serem questionados sobre a percepção de que uma pessoa se torna bilíngue ao aprender LIBRAS, mais da metade dos entrevistados (52,8%) revelaram não possuir tal conhecimento. Isso evidencia também o quão pouco divulgado e incentivado é o ensino de LIBRAS.

Gráfico 7 - Conhecimento de LIBRAS como o segundo idioma oficial do Brasil.
Fonte: elaborado pelos autores.
 

5. CONCLUSÕES

O bilinguismo no Brasil apresenta desafios significativos, refletindo um conflito latente entre a implementação efetiva e a demanda crescente no mercado de trabalho. A diversidade linguística no país, marcada pela coexistência de múltiplos idiomas, destaca a necessidade de uma abordagem abrangente. As políticas educacionais enfrentam obstáculos na promoção eficaz do bilinguismo, enquanto as expectativas do mercado de trabalho intensificam a pressão para profissionais fluentes em diferentes línguas. Nesse contexto, a sociedade brasileira busca encontrar um equilíbrio delicado entre preservar suas raízes linguísticas e adaptar-se às exigências globais. O caminho a seguir implica uma colaboração entre instituições educacionais, setor privado e governo para criar políticas que promovam a educação bilíngue de maneira inclusiva e atendam às demandas dinâmicas do mercado de trabalho.

O debate em torno do bilinguismo no Brasil se aprofunda ao considerar não apenas as barreiras linguísticas, mas também os desafios socioeconômicos associados à sua implementação. A disparidade de acesso à educação bilíngue entre diferentes regiões e grupos sociais amplia as lacunas já existentes. Além disso, a necessidade crescente de proficiência em idiomas estrangeiros no mercado de trabalho destaca a importância de desenvolver habilidades linguísticas desde a infância. A busca por soluções eficazes exige uma revisão crítica das políticas educacionais, investimentos significativos em programas de ensino de idiomas e a promoção da diversidade linguística como um ativo nacional. Encontrar um equilíbrio entre a preservação da riqueza cultural e a preparação para um cenário globalizado é essencial para garantir um futuro sustentável e inclusivo no contexto linguístico brasileiro.

Em última análise, a questão do bilinguismo no Brasil transcende as fronteiras da sala de aula, influenciando diretamente a competitividade nacional e a coesão social. A pluralidade linguística do país, longe de ser uma barreira, pode ser encarada como um recurso valioso que contribui para a diversidade cultural. Para enfrentar os desafios do século XXI, é imperativo que as políticas educacionais se adaptem para proporcionar uma educação bilíngue mais acessível e eficaz. Simultaneamente, as empresas devem reconhecer a deficiência que o país tem em relação ao aprendizado de outro idioma, visto que de acordo com os dados apresentados, a maior parte da população não tem proficiência em outra língua.

Com isso, se as empresas colocarem sempre como exigência a fluência do inglês ou outros idiomas, principalmente, em cargos de baixa hierarquia, isso irá acabar dificultando a entrada de novos talentos promissores em suas companhias e irá dificultar a imersão de muitas pessoas no mercado de trabalho. Muitas vezes o candidato é super competente, com uma bagagem de alta experiência positiva, mas por causa de não possuir o requisito de ser bilíngue é excluído dos processos seletivos. Por fim, se for unido esforços entre governos, instituições educacionais e setor privado, o Brasil pode construir uma base sólida para o bilinguismo, integrando-o de maneira orgânica ao tecido social. Este desafio oferece não apenas a oportunidade de fortalecer as habilidades linguísticas, mas também de celebrar a riqueza cultural que permeia o país. Em última instância, a abordagem cuidadosa e colaborativa ao bilinguismo pode não apenas superar desafios imediatos, mas também moldar um futuro onde a diversidade linguística é um trunfo nacional e uma fonte de vantagem competitiva no cenário global.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Você sabe qual a porcentagem da população brasileira que fala ingles fluente?. UnicaFM, 2023. Disponivel em <https://unicafm.com.br/2023/07/04/6620/#:~:text=Em%202021%2C%20somente%201%25%20da,nas%20quais%20precisa%20se%20virar.> Acesso em: 29 de Novembro de 2023
 
Entenda quais são os principais desafios da educação bilingue no brasil. HighFive, 2023. Disponivel em <https://blog.highfivebilingual.com.br/educacao-bilingue-no-brasil/#:~:text=Uma%20das%20maiores%20dificuldades%20para,que%20a%20escola%20quer%20ensinar>.Acesso em: 29 de Novembro de 2023
 
4 principais desafios da educação bilíngue no Brasil. Nova Imprensa, 2023. Disponivel em <https://novaimprensa.com/2023/08/4-principais-desafios-da-educacao-bilingue-no-brasil.html> Acesso em: 29 de Novembro de 2023
 
Abreu, Nicolle. Os desafios do ensino bilingue na escola. Englishstars, 2021.Disponivel em <https://www.englishstars.com.br/desafios-ensino-bilingue-na-escola/> Acesso em: 29 de Novembro de 2023
 
Abreu, Nicolle. Mitos e verdades sobre a educação bilíngue no Brasil. Englishstars, 2020. Disponivel em <https://www.englishstars.com.br/mitos-e-verdades-educacao-bilingue-no-brasil/> Acesso em: 29 de Novembro de 2023
 
CRESCE O NÚMERO DE ESCOLAS COM PROGRAMAS BILÍNGUE NO BRASIL. HOUVE UMA ALTA ENTRE 6% E 10% NESSA MODALIDADE. Ibee, 2021. Disponivel em <https://ibee.com.br/materia/cresce-o-numero-de-escolas-com-programas-bilingue-no-brasil-houve-uma-alta-entre-6-e-10-nessa-modalidade/> Acesso em: 29 de Novembro de 2023
 
Escolas públicas bilíngues se expandem pelo Brasil: conheça as do Rio de Janeiro. educacaobilingue, 2021. Disponivel em <https://educacaobilingue.com/2021/07/23/escolas-publicas-bilingues-se-expandem-pelo-brasil-conheca-as-do-rio-de-janeiro/> Acesso em: 29 de Novembro de 2023
 
Guimarães, Ueudison Alves. Os desafios zda inclusão de libras no contexto educacional. Nucleo do Conhecimento, 2021.  Disponivel em <https://www.nucleodoconhecimento.com.br/educacao/inclusao-de-libras> Acesso em: 27 de Novembro de 2023
 
Bragança, Mayra. Como anda o ensino de libras no Brasil?. Instituto Kailua, 2022. Disponivel em <https://www.institutokailua.com/blog/como-anda-o-ensino-de-libras-no-brasil/> Acesso em: 28 de Novembro de 2023
 
Educação bilíngue de surdos se torna modalidade de ensino independente. Gov, 2022. Disponivel em <https://www.gov.br/planalto/pt-br/acompanhe-o-planalto/noticias/2021/08/educacao-bilingue-de-surdos-se-torna-modalidade-de-ensino-independenteAcesso em: 29 de Novembro de 2023


Educação é a Base. Base nacional comum, 2023. Disponivel em <http://basenacionalcomum.mec.gov.br/> Acesso em: 27 de Novembro de 2023

Estrutura da BNCC. Base nacional comum, 2017. Disponivel em <http://basenacionalcomum.mec.gov.br/abase/#estrutura> Acesso em: 29 de Novembro de 2023


Exigência do inglês na contratação demanda preparação dos candidatos. Terra, 2021. Disponivel em <https://www.terra.com.br/noticias/exigencia-de-ingles-na-contratacao-demanda-preparacao-dos-candidatos,777fd7df5fdf7a49375d209f14dfd407k8o5whsa.html> Acesso em: 24 de Novembro de 2023

A exigência do inglês no mercado de trabalho. Ccbeu, 2016. Disponivel em <http://www.ccbeuc.com.br/blog/a-exigencia-do-ingles-no-mercado-de-trabalho/> Acesso em: 29 de Novembro de 2023

¹ Sabrina Santos Saldanha Soares – CEFET-RJ – Campus Maracanã. [email protected]
² Caio Luciano Gomes Luiz – CEFET-RJ – Campus Maracanã. [email protected]
³ Bruna Heloisa da Silva Cruz – CEFET-RJ – Campus Maracanã. [email protected]
⁴ Ricardo Nascimento Ferreira – CEFET-RJ – Campus Maracanã. DEPEA. [email protected]