AVALIAÇÃO DE INVESTIMENTO NO MERCADO DE AÇÕES: ANÁLISE DE DESEMPENHO ECONÔMICO/FINANCEIRO DO SETOR BANCÁRIO

INVESTMENT EVALUATION IN THE STOCK MARKET: ECONOMIC AND FINANCIAL PERFORMANCE ANALYSIS OF THE BANKING SECTOR

REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/789346568

RESUMO
O setor bancário desempenha um papel estratégico na economia, com instituições públicas, privadas e cooperativas de crédito contribuindo de forma distinta para o desenvolvimento econômico. Este trabalho apresenta uma análise quantitativa e descritiva, com o objetivo de avaliar o desempenho econômico-financeiro de bancos brasileiros entre 2020 e 2024, com foco nos indicadores Retorno sobre o Patrimônio Líquido (ROE), Retorno sobre Ativos (ROA), índice de alavancagem e Índice de Basileia. Foram selecionadas seis instituições representativas: Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Bradesco, Santander, SICOOB e SICREDI, utilizando dados extraídos de demonstrações financeiras e relatórios setoriais disponíveis em bases confiáveis. Os resultados indicaram que os bancos privados lideram em rentabilidade, com altos valores de ROE e ROA, associados a estratégias de mercado mais agressivas. Os bancos públicos apresentaram equilíbrio entre rentabilidade e segurança, destacando-se em índices de Basileia elevados e menores níveis de alavancagem, refletindo sua atuação como estabilizadores econômicos. As cooperativas de crédito demonstraram maior solidez financeira, priorizando a sustentabilidade e a segurança dos membros, com destaque para os altos índices de Basileia e abordagem conservadora de alavancagem. Conclui-se que o sistema financeiro brasileiro é caracterizado pela complementaridade entre as categorias de instituições, atendendo a diferentes perfis de risco e contribuindo para a estabilidade econômica. Este trabalho reforça a importância de análises comparativas para decisões de investimento mais informadas e eficazes.
Palavras-chave: Desempenho financeiro; Bancos públicos; Bancos privados; cooperativas de crédito; Mercado de ações.

ABSTRACT
The banking sector plays a strategic role in the economy, with public, private and credit union institutions contributing differently to economic development. This paper presents a quantitative and descriptive analysis, aiming to evaluate the economic-financial performance of Brazilian banks between 2020 and 2024, focusing on the indicators Return on Equity (ROE), Return on Assets (ROA), leverage ratio and Basel Index. Six representative institutions were selected: Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Bradesco, Santander, SICOOB and SICREDI, using data extracted from financial statements and sector reports available in reliable databases. The results indicated that private banks led in profitability, with high ROE and ROA values, associated with more aggressive market strategies. Public banks presented a balance between profitability and security, standing out in high Basel indexes and lower levels of leverage, reflecting their role as economic stabilizers. Credit unions demonstrated the greatest financial solidity, prioritizing sustainability and member security, with emphasis on high Basel ratios and a conservative approach to leverage. It is concluded that the Brazilian financial system is characterized by complementarity between categories of institutions, meeting different risk profiles and contributing to economic stability. This work reinforces the importance of comparative analyses for more informed and effective investment decisions.
Keywords: Financial performance; Public banks; Private banks; Credit unions; Stock market.

1. INTRODUÇÃO

O mercado de ações desempenha um papel crucial na economia global, servindo como um canal para alocação de recursos e promovendo o desenvolvimento das empresas e setores econômicos. No Brasil, a Bolsa de Valores (B3) é o principal ambiente de negociação de ativos financeiros, incluindo ações de empresas de diversos setores. Entre os setores com maior relevância, destaca-se o bancário, que não apenas contribui significativamente para o Produto Interno Bruto (PIB), mas também exerce influência direta na dinâmica econômica do país.

As instituições bancárias têm um papel estratégico na economia, atuando como intermediárias na alocação de recursos, financiando o consumo e o investimento e oferecendo segurança aos poupadores. Contudo, o setor bancário é heterogêneo, composto por bancos públicos, privados e cooperativas de crédito, cada um com características, objetivos e modelos de negócios distintos (Jayme Junior & Crocco, 2010). Essa diversidade torna o setor uma área rica para análises de desempenho financeiro e estratégias de investimento.

Os bancos públicos, como a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil, têm como missão promover políticas públicas e fomentar o desenvolvimento socioeconômico. Esses bancos, controlados pelo governo, frequentemente priorizam objetivos de estabilidade e suporte ao desenvolvimento em detrimento da maximização dos lucros (Jayme Junior & Crocco, 2010). Por outro lado, bancos privados, como Bradesco e Santander, têm foco na geração de valor para seus acionistas, buscando estratégias mais agressivas e voltadas à lucratividade (Assaf Neto, 2008). Já as cooperativas de crédito, representadas por instituições como SICOOB e SICREDI, possuem uma estrutura de governança participativa, com foco no benefício econômico de seus membros e maior estabilidade financeira (Silva & Costa, 2019).

O mercado de ações reflete essas particularidades institucionais, oferecendo aos investidores a oportunidade de escolher entre diferentes perfis de risco e retorno. A análise do desempenho econômico-financeiro das instituições bancárias permite identificar quais estratégias oferecem melhor relação entre risco e retorno, auxiliando os investidores a tomar decisões fundamentadas. Segundo Ramiro (2021), no contexto do mercado de ações, a avaliação do desempenho financeiro é uma ferramenta essencial para analisar a saúde das empresas e prever o potencial de valorização de suas ações.

No Brasil, a importância do setor bancário no mercado de capitais é evidenciada pela alta participação de instituições financeiras na composição de índices como o Ibovespa. Essa relevância decorre não apenas do volume de negócios gerado, mas também da função estratégica do setor em situações de crise e recuperação econômica. Durante o período de 2020 a 2024, marcado por eventos econômicos extraordinários, como a pandemia de COVID-19, mudanças nas políticas fiscais e monetárias, e flutuações nas taxas de juros, o desempenho das instituições financeiras foi amplamente testado (Feijó, Araújo & Bresser-Pereira, 2022).

Dado o contexto econômico atual, este estudo busca explorar a relação entre retorno e risco no mercado de ações, com foco em três categorias de instituições financeiras: bancos públicos, privados e cooperativas de crédito. A escolha do período de análise, que abrange de 2020 a 2024, é fundamentada na necessidade de compreender o desempenho dessas instituições ao longo de um ciclo econômico completo, marcado por desafios e oportunidades que impactaram diretamente o setor financeiro. Essa abordagem permite examinar como diferentes tipos de instituições reagiram a essas variações e como suas estratégias influenciaram o desempenho no mercado. Mediante esse contexto a pesquisa tem como principal questão: qual instituição financeira apresentou a melhor relação entre retorno sobre investimento e perfil de risco no mercado de ações brasileiro entre 2020 e 2024? Para responder a essa questão, a pesquisa tem como objetivo geral analisar qual instituição financeira apresentou a melhor relação entre retorno sobre investimento e perfil de risco no mercado de ações brasileiro entre 2020 e 2024, com foco em bancos públicos, privados e cooperativas de crédito. O estudo adota uma análise detalhada de indicadores financeiros, como Return on Equity (ROE), Return on Assets (ROA), índice de alavancagem e o Índice de Basileia. Dessa forma para responder ao objetivo geral, adotou-se os seguintes objeruvos específicos : Objetivos Específicos:Avaliação do desempenho financeiro das instituições financeiras (bancos públicos, privados e cooperativas de crédito) durante o período de 2020 a 2024, utilizando indicadores como Return on Equity (ROE), Return on Assets (ROA), índice de alavancagem e Índice de Basileia, para medir retorno e risco. Compararaçao do perfil de risco e retorno entre as categorias de instituições financeiras, identificando quais características e práticas de governança influenciam o desempenho no mercado de ações e Identificaçao das estratégias mais eficazes adotadas por cada tipo de instituição financeira para equilibrar risco e retorno, fornecendo insights sobre as práticas de gestão que resultaram em um desempenho superior no mercado de ações.

A análise comparativa entre bancos públicos, privados e cooperativas de crédito é relevante não apenas para investidores, mas também para gestores e formuladores de políticas públicas. Identificar padrões de desempenho financeiro e entender como diferentes modelos de governança impactam o mercado pode contribuir para a formulação de estratégias de investimento mais eficazes e para o fortalecimento do setor financeiro como um todo. Além disso, ao explorar a performance dessas instituições, este artigo visa ampliar o conhecimento acadêmico sobre o mercado de capitais e estimular futuras investigações na área. Outro aspecto relevante é a crescente volatilidade e incerteza que caracterizam o ambiente econômico atual. Essas condições tornam essencial a análise detalhada das instituições financeiras, especialmente aquelas que desempenham papel central na economia brasileira. Assim, este estudo busca fornecer uma base empírica para decisões informadas, explorando como diferentes categorias de bancos responderam aos desafios econômicos e quais estratégias foram mais eficazes.

Por fim, este artigo contribui para a literatura ao integrar teoria e prática, utilizando dados reais para avaliar o desempenho de instituições financeiras em um ambiente econômico dinâmico. Os resultados esperados incluem uma melhor compreensão das relações entre risco, retorno e governança no setor bancário, com implicações tanto para investidores quanto para pesquisadores e gestores. Essa abordagem não apenas amplia o conhecimento sobre o setor, mas também oferece uma base sólida para decisões de investimento e formulação de estratégias no mercado de capitais

2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

2.1. Conceito e Importância do Mercado de Ações

O mercado de ações é um ambiente de negociação de valores mobiliários que desempenha um papel estratégico na economia moderna. Ele conecta empresas que buscam capital para financiar suas operações e crescimento com investidores que desejam obter retorno sobre seus recursos aplicados. Segundo Pereira (2013), ações são títulos de renda variável que representam frações do capital social de uma empresa, permitindo ao investidor participar dos lucros e perdas do negócio.

No Brasil, o mercado de ações é consolidado na B3 (Brasil, Bolsa, Balcão), que desempenha um papel central na economia do país, ao facilitar a alocação eficiente de recursos financeiros. Além disso, o mercado de ações promove maior transparência e responsabilidade corporativa, pois as empresas listadas são obrigadas a seguir normas regulatórias rigorosas, fornecendo informações detalhadas sobre seu desempenho financeiro e operacional (B3, 2024).

A B3 é uma das maiores bolsas de valores do mundo em termos de volume negociado e capitalização de mercado. Ela oferece um ambiente para negociação de ações, fundos imobiliários, derivativos e outros instrumentos financeiros. O mercado acionário brasileiro é caracterizado pela predominância de grandes empresas, incluindo muitas do setor bancário, que desempenham um papel estratégico no índice Ibovespa (B3, 2024).

O índice Ibovespa é um dos principais indicadores do desempenho do mercado de ações brasileiro, refletindo a variação média das ações mais negociadas na B3. O setor bancário, devido à sua relevância econômica, frequentemente representa uma parcela significativa da composição desse índice, destacando a importância das instituições financeiras para o mercado de capitais brasileiro (Assaf Neto, 2008).

As ações negociadas no mercado são classificadas em dois tipos principais: ações ordinárias e ações preferenciais. Segundo Kerr (2011), as ações ordinárias conferem ao investidor direito a voto nas assembleias da empresa, permitindo sua participação nas decisões estratégicas. Já as ações preferenciais, embora não concedam direito a voto, oferecem prioridade no pagamento de dividendos e no reembolso de capital em caso de liquidação da empresa.

Além disso, o mercado de ações possibilita ao investidor diversificar seus investimentos, equilibrando riscos e retornos. Em particular, as ações do setor bancário são atrativas para muitos investidores devido à estabilidade relativa e à capacidade dessas instituições de gerar lucros consistentes, mesmo em cenários econômicos desafiadores.

Investir no mercado de ações requer a adoção de estratégias bem definidas, que podem variar de acordo com o perfil de risco do investidor e os objetivos financeiros. Estratégias como buy-and-hold, investimento em valor (value investing) e investimento em crescimento (growth investing) são amplamente utilizadas. No setor bancário, as estratégias frequentemente se concentram na análise fundamentalista, que avalia os indicadores financeiros das instituições para prever seu desempenho futuro (Damodaran, 2004).

No caso das ações de instituições financeiras, indicadores como ROE, ROA, índice de alavancagem e Índice de Basileia são frequentemente analisados para determinar a saúde financeira e a capacidade de geração de lucros das empresas. Investidores mais experientes utilizam essas métricas para tomar decisões embasadas, considerando não apenas o retorno potencial, mas também os riscos envolvidos (Damodaran, 2004).

Embora o mercado de ações ofereça oportunidades de alto retorno, ele também apresenta riscos significativos. No setor bancário, esses riscos podem ser amplificados devido à complexidade das operações financeiras e à dependência de fatores macroeconômicos, como taxas de juros, inflação e estabilidade política. Conforme destacado por Gitman (2001), a alavancagem financeira é um fator crítico no setor bancário, podendo aumentar os retornos em períodos de expansão, mas amplificar as perdas durante crises.

Adicionalmente, o desempenho das ações bancárias está sujeito a regulamentações rigorosas, como os requisitos de adequação de capital estabelecidos pelo Acordo de Basileia. Alterações na regulamentação podem impactar diretamente a lucratividade e a atratividade das instituições financeiras para os investidores.

Entre 2020 e 2024, o mercado de ações brasileiro enfrentou um ambiente econômico desafiador, marcado pela pandemia de COVID-19, instabilidades políticas e oscilações nas taxas de juros. Essas condições testaram a resiliência das empresas e ampliaram a importância da análise criteriosa de indicadores financeiros. Segundo Feijó, Araújo e Bresser-Pereira (2022), o setor bancário demonstrou capacidade de adaptação e estabilidade relativa, tornando-se uma opção atrativa para investidores durante períodos de incerteza.

2.2. Indicador de Desempenho Econômico-Financeiro

Os indicadores de desempenho econômico-financeiro são ferramentas indispensáveis para a análise de empresas no mercado de ações, fornecendo uma base objetiva para avaliar sua saúde financeira, eficiência operacional e capacidade de gerar retornos. No setor bancário, a utilização de indicadores como ROE, ROA, índice de alavancagem e Índice de Basileia é especialmente relevante, dado o papel estratégico dessas instituições na economia e sua complexidade operacional (Assaf Neto, 2008).

2.2.1. ROE (Return on Equity)

O ROE mede a capacidade de uma empresa em gerar lucros a partir do capital próprio de seus acionistas. Esse indicador é amplamente utilizado por investidores como uma métrica de rentabilidade, permitindo avaliar se uma empresa está utilizando seu capital de forma eficiente.

O ROE é calculado dividindo-se o lucro líquido pelo patrimônio líquido. Um ROE elevado é geralmente visto como um sinal positivo, indicando que a empresa está gerando bons retornos para os acionistas. No entanto, valores muito altos podem indicar alavancagem excessiva, o que pode aumentar os riscos financeiros (Gabriel et al., 2003).

No setor bancário, o ROE é particularmente relevante, pois reflete a habilidade da instituição de administrar seus recursos para maximizar lucros. Bancos privados, como Bradesco e Santander, tendem a apresentar ROE elevados devido a estratégias agressivas de geração de valor. Já bancos públicos, como Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil, podem apresentar ROE menores devido ao foco em políticas públicas e estabilidade financeira. As cooperativas de crédito, como SICOOB e SICREDI, frequentemente equilibram o retorno para os membros com políticas conservadoras de governança (Gabriel et al., 2003).

Para os investidores, o ROE é uma métrica-chave na escolha de ações, especialmente em setores competitivos como o bancário. Um ROE consistente indica uma empresa sólida e bem gerida, enquanto flutuações no indicador podem sinalizar instabilidade ou mudanças nas estratégias de negócios.

2.2.2. ROA (Return on Assets)

O ROA avalia a eficiência de uma empresa em gerar lucros a partir de seus ativos totais. Esse indicador é crucial para entender como os recursos da empresa estão sendo utilizados para gerar retorno financeiro.

O ROA é calculado dividindo-se o lucro líquido pelos ativos totais da empresa. Um ROA elevado indica que a empresa está utilizando seus ativos de forma eficiente para gerar lucros. No entanto, valores baixos podem sugerir ineficiências operacionais ou má alocação de recursos (Damodaran, 2004).

No contexto bancário, o ROA é uma métrica fundamental para avaliar a eficácia operacional. Bancos privados frequentemente apresentam ROA mais altos devido à sua orientação para maximizar a lucratividade. Bancos públicos, embora mais focados em estabilidade, podem apresentar ROA mais baixos devido à sua participação em projetos de menor retorno, mas de alto impacto social. As cooperativas de crédito, com menor escala de operação, tendem a apresentar ROA equilibrados, refletindo sua abordagem conservadora (Damodaran, 2004).

O ROA fornece insights sobre a eficiência operacional de uma instituição. Para investidores, é um indicador valioso para comparar o desempenho de diferentes instituições e identificar aquelas que geram maior retorno com menor utilização de recursos (Damodaran, 2004).

2.2.3. Índice de Alavancagem (Debt-to-Equity Ratio)

O índice de alavancagem mede o grau de endividamento de uma empresa em relação ao seu patrimônio líquido. Ele reflete o quanto uma instituição está financiando suas operações com capital de terceiros.

O índice de alavancagem é calculado dividindo-se o total de dívidas pelo patrimônio líquido. Valores mais altos indicam maior dependência de dívida, o que pode aumentar os retornos em períodos de crescimento, mas também amplificar os riscos em cenários de instabilidade econômica (Gitman, 2001).

No setor bancário, a alavancagem é uma ferramenta estratégica para expandir operações, como a concessão de crédito. Bancos privados tendem a operar com índices de alavancagem mais altos, refletindo sua estratégia de maximização de lucros. Bancos públicos e cooperativas, por outro lado, adotam abordagens mais conservadoras, mantendo níveis moderados de alavancagem para minimizar riscos.

Embora a alavancagem possa aumentar os retornos, ela também aumenta a vulnerabilidade da instituição a choques econômicos. Investidores devem analisar cuidadosamente este indicador para avaliar o equilíbrio entre risco e retorno.

2.2.4. Índice de Basileia

O Índice de Basileia avalia a solvência de uma instituição financeira, medindo a proporção de capital próprio em relação aos ativos ponderados pelo risco. Ele é um dos indicadores mais importantes para assegurar a estabilidade do sistema financeiro.

O Índice de Basileia é calculado dividindo-se o capital regulatório pelos ativos ponderados pelo risco. No Brasil, o Banco Central exige que os bancos mantenham um índice mínimo de 11%, garantindo que as instituições tenham reservas suficientes para absorver perdas e manter a solvência.

Bancos públicos geralmente apresentam Índices de Basileia elevados, refletindo sua função como estabilizadores econômicos. Bancos privados, ao buscar maximizar retornos, podem operar próximos ao limite regulatório, enquanto cooperativas de crédito, com perfil conservador, mantêm índices consistentemente altos (Sbârcea, 2014).

Para os investidores, o Índice de Basileia fornece informações sobre a solidez financeira de uma instituição. Bancos com índices elevados são considerados mais seguros, enquanto aqueles com índices baixos podem apresentar maior risco de insolvência.

Os indicadores financeiros são cruciais para investidores no mercado de ações, pois oferecem uma visão clara sobre a lucratividade, a eficiência e os riscos associados às empresas. No setor bancário, esses indicadores ajudam a diferenciar bancos públicos, privados e cooperativas de crédito, oferecendo uma base objetiva para decisões de investimento.

Investidores experientes utilizam a combinação de métricas como ROE, ROA, índice de alavancagem e Índice de Basileia para avaliar as instituições financeiras. Essas análises permitem identificar bancos com maior potencial de retorno e menor risco, oferecendo insights valiosos tanto para estratégias de investimento quanto para a formulação de políticas no setor financeiro.

2.3. Comparação Entre Bancos Públicos, Privados e Cooperativas de Crédito

O setor bancário brasileiro apresenta uma diversidade de instituições, cada uma com características, objetivos e modelos de negócios distintos. A análise comparativa entre bancos públicos, privados e cooperativas de crédito é essencial para compreender como cada tipo de instituição contribui para a economia, gerencia seus recursos e entrega valor para acionistas, clientes e membros. A seguir, os três principais tipos de instituições são detalhados com base em suas especificidades.

2.3.1. Bancos Privados

Os bancos privados, como o Bradesco e o Santander, têm como foco principal a geração de valor para seus acionistas. Essas instituições operam em um ambiente altamente competitivo e são orientadas pela maximização de lucros e eficiência operacional (Barcellos, 2010).

Diferentemente dos bancos públicos, os privados são empresas com fins lucrativos, e suas estratégias estão voltadas para a obtenção de retornos elevados. Eles oferecem uma ampla gama de serviços financeiros, como crédito, investimentos, seguros e câmbio, e frequentemente lideram inovações no setor bancário (Barcellos, 2010).

Os bancos privados frequentemente apresentam:

  • ROE e ROA elevados: Esses bancos focam em estratégias agressivas para maximizar a rentabilidade e a eficiência;

  • Índices de Basileia próximos ao limite regulatório: O foco está na otimização de capital para expandir operações;

  • Alta alavancagem: Utilizam capital de terceiros para financiar o crescimento, o que pode aumentar os retornos, mas também os riscos (Barcellos, 2010).

Embora lucrativos, os bancos privados enfrentam desafios como:

  • Alta exposição a riscos de mercado, especialmente em períodos de instabilidade econômica;

  • Concorrência acirrada, tanto entre bancos privados quanto com fintechs e bancos digitais;

  • Dependência de estratégias agressivas que podem aumentar a volatilidade dos resultados.

As ações de bancos privados são populares entre investidores que buscam altos retornos. Contudo, esses investimentos podem ser mais voláteis, refletindo as estratégias de maior risco adotadas por essas instituições (Barcellos, 2010).

2.3.2. Cooperativas de Crédito

As cooperativas de crédito, como o SICOOB e o SICREDI, representam um modelo alternativo de instituição financeira, baseado na governança participativa e no atendimento às necessidades econômicas e sociais de seus membros. Diferentemente dos bancos tradicionais, as cooperativas não têm como principal objetivo a maximização de lucros (Silva e Costa, 2019).

As cooperativas são controladas pelos próprios membros, que participam das decisões estratégicas e compartilham os lucros gerados. Esse modelo promove a inclusão financeira, especialmente em comunidades menores e áreas rurais, onde o acesso ao crédito pode ser limitado (Silva e Costa, 2019).

As cooperativas de crédito geralmente apresentam:

  • ROE e ROA equilibrados: O foco está na sustentabilidade financeira e na geração de benefícios para os membros, em vez de maximizar os lucros;

  • Índices de Basileia elevados: As cooperativas mantêm reservas sólidas para garantir a estabilidade;

  • Baixa alavancagem: Adotam políticas conservadoras para minimizar riscos financeiros.

Embora estáveis, as cooperativas enfrentam desafios como:

  • Escala limitada, o que pode dificultar a competição com grandes bancos;

  • Menor capacidade de diversificação de riscos devido ao tamanho e à concentração geográfica;

  • Necessidade de equilibrar as expectativas dos membros com as exigências regulatórias.

Embora as cooperativas de crédito não estejam diretamente listadas na Bolsa, sua relevância no sistema financeiro as torna um elemento importante na análise do setor bancário. Investidores institucionais podem avaliar parcerias ou exposições indiretas a esse segmento, valorizando sua estabilidade e foco em sustentabilidade (Silva e Costa, 2019).

A tabela 01, resume as principais diferenças entre os três tipos de instituições financeiras analisadas:

Tabela 1. Principais diferenças entre os três tipos de instituições financeiras analisadas

Aspecto

Bancos públicos

Bancos privados

Cooperativas de crédito

Objetivo

Políticas Públicas

Maximização de lucros

Benefício dos membros

ROE e ROA

Moderados

Elevados

Equilibrados

Índice de Basileia

Elevado

Moderado

Elevado

Alavancagem

Baixo

Alto

Baixo

Perfil de risco

Conservador

Agressivo

Conservador

Fonte: adaptado de Sbârcea (2014).

Essa comparação evidencia como os diferentes modelos de gestão e governança impactam os resultados financeiros e a atratividade dessas instituições para investidores. Cada tipo de banco desempenha um papel complementar no sistema financeiro, atendendo a diferentes necessidades e perfis de risco.

3. METODOLOGIA

Este estudo seguiu uma abordagem quantitativa e descritiva, com o objetivo de analisar e comparar o desempenho econômico-financeiro de diferentes categorias de instituições bancárias – públicas, privadas e cooperativas de crédito – no mercado de ações brasileiro. A metodologia foi estruturada para garantir a precisão e a robustez das análises, utilizando dados reais obtidos de demonstrações financeiras e relatórios de mercado.

A pesquisa é descritiva, pois busca detalhar e interpretar o desempenho econômico-financeiro das instituições financeiras selecionadas. A abordagem quantitativa é predominante, utilizando indicadores financeiros para análise comparativa, como ROE, ROA, índice de alavancagem e Índice de Basileia. Esses indicadores foram escolhidos por sua relevância na literatura e por sua aplicabilidade no setor bancário. O universo da pesquisa compreende as instituições bancárias brasileiras listadas na Bolsa de Valores (B3). A amostra é composta por seis instituições financeiras, representando três categorias distintas: Bancos públicos: Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil; Bancos privados: Bradesco e Santander e Cooperativas de crédito: SICOOB e SICREDI. Essas instituições foram selecionadas com base em sua representatividade no mercado e na disponibilidade de dados financeiros confiáveis.

O período de análise abrange os anos de 2020 a 2024 (primeiro semestre), englobando eventos econômicos significativos, como a pandemia de COVID-19, mudanças nas taxas de juros e instabilidades políticas. Esse período foi escolhido por representar um ciclo econômico completo, permitindo uma avaliação detalhada das estratégias e resultados das instituições financeiras. OS dados foram obtidos a partir de fontes públicas e confiáveis, incluindo: Demonstrações financeiras disponíveis nos sites das instituições; Relatórios anuais e trimestrais divulgados na B3; Relatórios de mercado e análises setoriais publicadas por órgãos reguladores, como o Banco Central do Brasil.

Os indicadores financeiros foram calculados diretamente a partir desses dados, garantindo consistência e alinhamento com os objetivos do estudo. Os dados coletados foram tratados e analisados por meio do cálculo de indicadores financeiros, sem aplicação de técnicas estatísticas avançadas. Foram elaborados gráficos comparativos para facilitar a visualização dos resultados. Os indicadores utilizados foram: ROE: Lucro líquido dividido pelo patrimônio líquido; ROA: Lucro líquido dividido pelos ativos totais; Índice de Alavancagem: Dívidas totais divididas pelo patrimônio líquido; Índice de Basileia: Capital regulatório dividido pelos ativos ponderados pelo risco. Comparação entre Instituições: Comparação direta dos indicadores entre as instituições de cada categoria (bancos públicos, privados e cooperativas); Identificação de tendências e padrões de desempenho no período analisado. Avaliação do Risco e Retorno: Análise conjunta dos indicadores para identificar quais instituições apresentaram a melhor relação entre risco e retorno. Contextualização dos Resultados: Integração dos resultados financeiros com o cenário macroeconômico do período, incluindo os efeitos da pandemia e mudanças nas políticas fiscais e monetárias.

Com base nessa metodologia, os resultados apresentados na próxima seção oferecem uma visão detalhada e comparativa do desempenho econômico-financeiro das instituições selecionadas, contribuindo para uma melhor compreensão do mercado de ações no setor bancário brasileiro.

4. CONCLUSÃO/CONSIDERAÇÕES FINAIS

4.1. Retorno Sobre o Patrimônio Líquido (Roe)

O Retorno sobre o Patrimônio Líquido (ROE) é amplamente reconhecido como um indicador de eficiência financeira, representando a capacidade das instituições em gerar lucro a partir do capital aportado pelos acionistas. Ele é especialmente relevante no setor bancário, onde a gestão de recursos, a mitigação de riscos e a adaptação às condições macroeconômicas desempenham papéis centrais na rentabilidade. Em uma análise comparativa, os bancos privados, como Bradesco e Santander, destacaram-se ao alcançar ROEs na média de 15,23%, refletindo sua estratégia agressiva de geração de valor para os acionistas. Por outro lado, os bancos públicos, Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil, mantiveram ROEs em torno de 13,41%, demonstrando um equilíbrio entre rentabilidade e sua missão de promover políticas públicas. O gráfico 1, detalha justamente esse resultado.

Gráfico 1. Retorno sobre o patrimônio Líquido no período analisado

Fonte: arquivo próprio.

A diferença nos níveis de ROE entre os tipos de instituições bancárias está intrinsecamente ligada às suas estratégias e modelos de negócios. Os bancos privados, devido ao foco em maximização de lucros, frequentemente investem em produtos financeiros diversificados, tecnologias avançadas e estratégias de expansão que contribuem para retornos elevados. Esse cenário é evidenciado por estudos que apontam a eficiência operacional como um dos principais fatores para o sucesso dos bancos privados (Martins et al., 2021). Em contrapartida, os bancos públicos priorizam objetivos de estabilidade econômica e social, como a concessão de crédito para habitação e agricultura, o que pode limitar a maximização de retornos, mas proporciona maior resiliência em períodos de crise.

As cooperativas de crédito, como SICOOB e SICREDI, apresentaram ROEs em torno de 11,5% nos períodos estudados, refletindo sua abordagem conservadora e foco na sustentabilidade financeira dos membros. Diferentemente dos bancos tradicionais, as cooperativas são geridas por seus próprios associados, priorizando o atendimento às necessidades dos cooperados em detrimento da maximização de lucros. Essa estrutura de governança permite um equilíbrio entre segurança financeira e rentabilidade, mas pode resultar em ROEs mais modestos. Estudos apontam que essa abordagem é particularmente eficaz em cenários de instabilidade econômica, uma vez que reduz os riscos associados à alavancagem excessiva e à volatilidade do mercado (Silva et al., 2022).

Os resultados do ROE durante o período de análise também foram influenciados por condições macroeconômicas desafiadoras, como a pandemia de COVID-19. Enquanto os bancos privados aproveitaram a recuperação econômica para ampliar suas margens de lucro, os bancos públicos desempenharam um papel crucial na manutenção da estabilidade financeira, garantindo acesso ao crédito em um momento de alta incerteza. Já as cooperativas de crédito destacaram-se pelo suporte às economias locais, demonstrando resiliência e comprometimento com seus membros. Esses aspectos destacam o ROE como uma métrica essencial para avaliar não apenas a rentabilidade, mas também a capacidade das instituições financeiras em cumprir seus objetivos estratégicos e atender às demandas de seus stakeholders.

4.2. Retorno Sobre Ativos (Roa)

O Retorno sobre Ativos (ROA) é um indicador fundamental para avaliar a eficiência operacional de uma instituição financeira na utilização de seus ativos para gerar lucro. Ele mede a capacidade de transformar recursos, como empréstimos e investimentos, em resultados financeiros positivos. No setor bancário, o ROA é especialmente relevante, pois os bancos operam com grandes volumes de ativos, incluindo depósitos, empréstimos e investimentos, que devem ser gerenciados de forma eficiente para maximizar os lucros.

Na análise realizada, os bancos cooperativos, principalmente o SICOOB, destacaram-se, com média entre ROAs de 1,7002% . Esse desempenho reflete a eficiência operacional desses bancos, que conseguem utilizar seus ativos de forma estratégica para maximizar a rentabilidade. A orientação para o lucro e o uso intensivo de tecnologia são fatores que contribuem para o alto ROA dessas instituições.

Os bancos públicos, como Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil, apresentaram ROAs mais modestos, com média de ROAs de 1,0876%. Esses números refletem o foco desses bancos em promover políticas públicas e atender a segmentos menos lucrativos do mercado, como habitação popular e crédito agrícola. Embora essa abordagem limite a eficiência em termos de retorno sobre ativos, ela contribui para a estabilidade do sistema financeiro em períodos de crise econômica. Segundo Silva et al. (2022), bancos públicos desempenham um papel crucial em garantir o acesso ao crédito e em estabilizar a economia durante momentos de incerteza, mesmo que isso resulte em menor eficiência operacional (Silva et al., 2022).

Os bancos privados, como Santander e Bradesco, mantiveram a média entre ROAs de 1,1130%, refletindo um equilíbrio entre eficiência operacional e estabilidade financeira. Embora esses valores sejam bons, os bancos privados não conseguiram superar os bancos cooperativos, assim como podemos observar no gráfico 2.

Gráfico 2. ROA - Retorno sobre ativos no período analisado

Fonte: arquivo próprio.

No geral, os resultados de ROA destacam como diferentes modelos de negócios e estratégias impactam a eficiência das instituições bancárias. Bancos públicos apresentam equilíbrio entre eficiência e objetivos sociais, bancos privados demonstram alta eficiência operacional, mas não foram superiores às cooperativas de crédito, que priorizam sustentabilidade e segurança e apresentam um alto retorno sobre seus ativos. Esses resultados reforçam o papel do ROA como uma métrica essencial para avaliar não apenas a rentabilidade, mas também a abordagem estratégica das instituições financeiras.

4.3. Índice de Alavancagem

O índice de alavancagem mede o grau de endividamento de uma instituição em relação ao seu patrimônio líquido, refletindo a proporção de capital de terceiros utilizado para financiar suas operações. Esse indicador é particularmente relevante no setor bancário, onde a gestão eficaz da alavancagem é essencial para maximizar os lucros sem comprometer a estabilidade financeira. No cenário analisado, os bancos privados, como Bradesco e Santander, apresentaram os níveis mais altos de alavancagem, em torno de 12 vezes, enquanto os bancos públicos, como Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil, registraram índices de cerca de 10 vezes. Já as cooperativas de crédito, SICOOB e SICREDI, mantiveram os menores índices de alavancagem, com valores próximos a 8 vezes (Gráfico 03).

Gráfico 3. Índice de alavancagem no período analisado

Fonte: autores da pesquisa

Os altos níveis de alavancagem dos bancos privados refletem sua estratégia de maximização de retorno por meio do uso intensivo de capital de terceiros. Essa abordagem permite que essas instituições ampliem significativamente suas operações de crédito e investimento, gerando lucros maiores em períodos de crescimento econômico. No entanto, essa estratégia também aumenta a exposição ao risco em cenários de instabilidade. Estudos indicam que os bancos privados no Brasil tendem a adotar políticas de alavancagem mais agressivas para se manterem competitivos e atender às demandas de investidores por maior retorno (Martins et al., 2021).

Por outro lado, os bancos públicos, como Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil, mantêm níveis de alavancagem mais conservadores, em torno de 10 vezes, como parte de sua missão de promover a estabilidade econômica e social. Essa postura reflete a necessidade de equilibrar a expansão do crédito com a sustentabilidade financeira, especialmente em momentos de crise econômica. A menor alavancagem dos bancos públicos é coerente com sua função de estabilizadores econômicos, priorizando a segurança e a continuidade de suas operações em detrimento da maximização de lucros. Essa abordagem é evidenciada por análises que destacam o papel dos bancos públicos na manutenção do crédito durante períodos de recessão econômica (Silva et al., 2022).

As cooperativas de crédito, como SICOOB e SICREDI, demonstraram os níveis mais baixos de alavancagem entre as instituições analisadas, com índices próximos a 8 vezes. Essa postura conservadora reflete a governança participativa das cooperativas, que prioriza a segurança financeira e o atendimento às necessidades de seus membros em vez da maximização de lucros. Estudos mostram que as cooperativas de crédito, por operarem em menor escala e estarem menos expostas a riscos de mercado, optam por políticas de alavancagem moderadas para garantir a sustentabilidade a longo prazo (Silva et al., 2022).

Esses resultados evidenciam as diferenças nas estratégias de gestão de risco e retorno entre os diferentes tipos de instituições financeiras. Bancos privados utilizam maior alavancagem para ampliar seus lucros, enquanto bancos públicos e cooperativas de crédito adotam abordagens mais prudentes, refletindo seus objetivos institucionais e os interesses de seus stakeholders. O índice de alavancagem, portanto, é uma métrica essencial para compreender como essas instituições equilibram crescimento e sustentabilidade em diferentes contextos econômicos

4.4. Índice de Basileia

O Índice de Basileia é um indicador essencial para avaliar a solidez financeira de instituições financeiras, medindo a proporção de capital próprio em relação aos ativos ponderados pelo risco. Esse índice é projetado para garantir que as instituições mantenham um nível mínimo de capital suficiente para absorver perdas, reduzindo o risco de insolvência. No Brasil, o Banco Central exige que os bancos mantenham um Índice de Basileia de pelo menos 11%, alinhado às regulamentações internacionais estabelecidas pelos Acordos de Basileia.

Os bancos públicos, como Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil, destacaram-se por manter índices elevados, em torno de 17,50%. Esses valores refletem a postura conservadora dessas instituições, que priorizam a estabilidade financeira e a capacidade de operar como estabilizadores econômicos, especialmente durante crises. A alta solvência dos bancos públicos permite que eles desempenhem seu papel estratégico em oferecer crédito acessível e financiar políticas públicas em momentos de incerteza. Estudos indicam que a manutenção de índices elevados por bancos públicos é crucial para preservar a confiança no sistema financeiro e garantir sua resiliência em cenários adversos (Silva et al., 2022). Por outro lado, os bancos privados, como Bradesco e Santander, operaram mais próximos do limite regulatório, com índices em média de 14,54%. Essa estratégia reflete o foco em maximizar o retorno sobre o capital investido, aproveitando ao máximo os recursos disponíveis para expandir operações e gerar lucros. Embora operar próximo ao limite regulatório possa aumentar os riscos em momentos de instabilidade econômica, também permite que essas instituições sejam mais competitivas e ágeis em um ambiente de mercado dinâmico.

A literatura destaca que bancos privados tendem a utilizar capital de forma mais intensiva para explorar oportunidades de mercado e atender à demanda dos acionistas por retornos elevados (Martins et al., 2021). Os dados comparando os resultados para este indicador, estão no Gráfico 04, a seguir.

Gráfico 4. Índice de Basileia no período estudado

Fonte: autores da pesquisa

As cooperativas de crédito, como SICOOB e SICREDI, apresentaram índices médios, próximos de 15,2%. Essa abordagem reflete a filosofia cooperativista, que prioriza a segurança financeira e o atendimento às necessidades dos membros em vez da maximização de lucros. A governança participativa e o foco no desenvolvimento local permitem que as cooperativas mantenham uma base de capital robusta, garantindo sua capacidade de suportar flutuações econômicas e riscos de mercado. Estudos mostram que as cooperativas de crédito desempenham um papel fundamental na promoção da inclusão financeira e na oferta de crédito sustentável, o que é sustentado por seus elevados índices de Basileia (Silva et al., 2022).

Os resultados do Índice de Basileia destacam as diferenças nas estratégias de capital entre os tipos de instituições financeiras analisadas. Bancos públicos demonstram alta solvência para sustentar políticas públicas e estabilidade econômica, enquanto bancos privados priorizam o uso eficiente do capital para gerar retornos. As cooperativas de crédito, por sua vez, optam por uma abordagem altamente conservadora, refletindo seu compromisso com a segurança e a sustentabilidade a longo prazo. Esse indicador é, portanto, uma métrica essencial para compreender a capacidade das instituições de enfrentar riscos e preservar a confiança no sistema financeiro.

Os resultados apresentados refletem a diversidade de estratégias e modelos de negócios das instituições financeiras analisadas, destacando como diferentes abordagens impactam os indicadores de desempenho econômico-financeiro. Bancos privados, como Bradesco e Santander, demonstraram maior agressividade na busca por rentabilidade, evidenciada por altos índices de ROE e ROA, mas com alavancagem elevada e Índice de Basileia próximo ao limite regulatório. Essa postura permite maximizar retornos em cenários de estabilidade econômica, mas pode aumentar a exposição ao risco em períodos de instabilidade. Em contraste, os bancos públicos, como Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil, equilibram a rentabilidade com a segurança, refletida por índices de Basileia mais altos e níveis de alavancagem mais moderados, alinhados à sua função de estabilizadores econômicos e promotores de políticas públicas.

Por sua vez, as cooperativas de crédito, como SICOOB e SICREDI, destacaram-se por sua abordagem conservadora, priorizando a sustentabilidade e a segurança financeira de seus membros. Com baixos níveis de alavancagem e índices de Basileia elevados, essas instituições demonstraram resiliência e compromisso com o desenvolvimento econômico local. Esses resultados mostram que o sistema financeiro brasileiro é caracterizado pela complementaridade entre diferentes tipos de instituições, atendendo às diversas necessidades dos mercados e dos investidores. Assim, o estudo reforça a importância de análises detalhadas e comparativas para entender o desempenho financeiro das instituições e orientar decisões estratégicas no mercado de ações

Com base na questão de pesquisa proposta, "Qual instituição financeira apresentou a melhor relação entre retorno sobre investimento e perfil de risco no mercado de ações brasileiro entre 2020 e 2024?", a análise dos indicadores financeiros permitiu identificar as principais características e desempenhos de cada categoria de instituição. Os resultados destacam que os bancos privados, como Bradesco e Santander, apresentaram a maior rentabilidade, que puderam ser percebidas pelos elevados índices de ROE e ROA, que podem ser alcançadas através de estratégias extremamente agressivas, com foco total nos lucros. No entanto, esses bancos operaram com altos níveis de alavancagem e Índice de Basileia, indicando maior exposição a riscos, especialmente em cenários econômicos instáveis.

Por outro lado, os bancos públicos, como Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil, demonstraram equilíbrio entre rentabilidade e segurança. Apesar de apresentarem menores valores de ROE e ROA em relação aos bancos privados, as instituições financeiras se destacam pelos altos Índices de Basileia e valores moderados de alavancagem. Esse perfil reflete sua função estratégica como estabilizadores econômicos, priorizando a concessão de crédito em períodos de crise e o suporte a políticas públicas.

As cooperativas de crédito, como SICOOB e SICREDI, de destacam pela abordagem mais conservadora, priorizando a sustentabilidade financeira de seus membros cooperados. Seus indices de basileia elevados e baixos níveis de alavancagem asseguram uma posição de destaque em termos de estabilidade e segurança, enquanto os índices de ROE e ROA indicam uma gestão eficiente dos recursos disponíveis.

Assim, conclui-se que a melhor relação entre retorno e risco depende do perfil do investidor. Bancos privados são mais atrativos para aqueles que buscam maiores retornos e estão dispostos a assumir maiores riscos. Já os bancos públicos e cooperativas de crédito oferecem maior estabilidade, sendo opções mais adequadas para investidores conservadores. Essa diversidade de abordagens deixa claro que o sistema financeiro brasileiro apresenta diversas particularidades e destaca a necessidade de análises comparativas entre diversos indicadores, além da avaliação do perfil do investidor para decisões de investimento mais eficazes.

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1 Doutorando em Administração – UEM- Univeridade Estadaual de Maringá PR- E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

2 Discente do Curso Superior ciências contábeis – Unespar Campus de Campo mourão - PR

3 Discente do Curso Superior Ciências contábeis – Unespar – Campus de Campo Mourão- PR

4 Doutoranda em Administração – UEM – Universidade Estadual de Maringá - Pr