ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM AO PACIENTE COM INFARTO AGUDO DO MIOCÁRDIO: PREVENÇÃO, TRATAMENTO E CUIDADOS NA ATENÇÃO À SAÚDE

NURSING CARE FOR PATIENTS WITH ACUTE MYOCARDIAL INFARCTION: PREVENTION, TREATMENT AND HEALTHCARE

REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/792014921

RESUMO
Objetivo: Analisar a atuação da enfermagem frente ao paciente com Infarto Agudo do Miocárdio (IAM), com ênfase nas medidas de prevenção, no reconhecimento precoce, no tratamento, na assistência durante a emergência e na continuidade do cuidado em saúde. Métodos: Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, realizada a partir de 14 estudos publicados entre 2020 e 2026, sendo selecionados dois estudos para cada ano do período estabelecido. A busca e seleção dos estudos priorizou as bases Scientific Electronic Library Online (SciELO), Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) e Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), considerando publicações relacionadas ao IAM e à assistência à saúde e de enfermagem. Resultados: Os estudos analisados demonstraram que a assistência ao paciente com IAM envolve desde a identificação precoce dos sinais e sintomas e avaliação clínica até a implementação de medidas terapêuticas, monitorização, prevenção de complicações e acompanhamento após o evento cardiovascular. Evidenciaram-se ainda a importância da atuação do enfermeiro no atendimento de emergência, do processo de enfermagem, da identificação de fatores associados a complicações e da organização da linha de cuidado. Estudos sobre reperfusão demonstraram diferenças na utilização das terapias entre regiões brasileiras, enquanto pesquisas voltadas à enfermagem destacaram a necessidade de raciocínio clínico e identificação dos riscos durante a assistência. Conclusão: A atuação da enfermagem constitui elemento fundamental no cuidado ao paciente com IAM, desde o reconhecimento inicial e atendimento emergencial até a prevenção de complicações e continuidade do cuidado. A integração entre assistência qualificada, tratamento baseado em evidências, prevenção dos fatores de risco e acompanhamento longitudinal pode contribuir para uma assistência mais segura e sistematizada ao paciente acometido pelo IAM.
Palavras-chave: Infarto do Miocárdio; Enfermagem; Cuidados de Enfermagem; Emergência; Prevenção.

ABSTRACT
Objective: To analyze nursing care for patients with Acute Myocardial Infarction (AMI), emphasizing prevention measures, early recognition, treatment, emergency care, and continuity of healthcare. Methods: This is an integrative literature review based on 14 studies published between 2020 and 2026, with two studies selected for each year of the established period. The search and selection of studies prioritized the Scientific Electronic Library Online (SciELO), Virtual Health Library (BVS), and Latin American and Caribbean Literature in Health Sciences (LILACS) databases, considering publications related to AMI and nursing and healthcare assistance. Results: The analyzed studies demonstrated that care for patients with AMI involves the early identification of signs and symptoms, clinical assessment, implementation of therapeutic measures, monitoring, prevention of complications, and continuity of care after the cardiovascular event. The importance of nurses’ performance in emergency care, the nursing process, identification of factors associated with complications, and organization of the healthcare pathway was also highlighted. Studies on reperfusion demonstrated differences in the use of therapies among Brazilian regions, while nursing-focused research emphasized the need for clinical reasoning and identification of risks during care. Conclusion: Nursing care is a fundamental component in the management of patients with AMI, from early recognition and emergency care to complication prevention and continuity of care. The integration of qualified care, evidence-based treatment, risk-factor prevention, and longitudinal follow-up may contribute to safer and more systematic care for patients affected by AMI.
Keywords: Myocardial Infarction; Nursing; Nursing Care; Emergency; Prevention.

1. INTRODUÇÃO

O Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) constitui uma importante condição cardiovascular de caráter agudo, associada à interrupção ou redução significativa do fluxo sanguíneo coronariano e à consequente lesão do músculo cardíaco. Por sua gravidade e pela possibilidade de evolução para complicações cardiovasculares, o IAM exige reconhecimento rápido dos sinais e sintomas, avaliação clínica sistematizada e instituição precoce das medidas terapêuticas. Nesse contexto, o tempo entre o início das manifestações clínicas e o estabelecimento do atendimento adequado apresenta relevância fundamental para o prognóstico do indivíduo acometido.

A assistência ao paciente com IAM inicia-se, muitas vezes, antes da chegada ao ambiente hospitalar, sendo o reconhecimento dos sinais de alerta um elemento essencial para reduzir atrasos na procura por atendimento. Estratégias educativas e ferramentas de apoio podem contribuir para que indivíduos reconheçam manifestações sugestivas de IAM e busquem assistência em menor tempo. Souza et al. (2020) destacaram a utilização de tecnologia móvel como estratégia de assistência e prevenção, ressaltando a importância do conhecimento dos sinais e sintomas para favorecer a procura rápida por atendimento e aumentar as possibilidades de melhores desfechos.

No âmbito dos serviços de saúde, a enfermagem possui participação fundamental na identificação inicial do paciente com suspeita de síndrome coronariana aguda. A avaliação da dor torácica, a obtenção de informações clínicas, a monitorização dos sinais vitais e a realização ou encaminhamento para eletrocardiografia constituem elementos importantes da assistência inicial. Silva e Passos (2020), ao analisarem a assistência de enfermagem a pacientes vítimas de IAM, evidenciaram a necessidade de uma atuação sistematizada e qualificada diante da gravidade do quadro. Nesse sentido, a atuação do enfermeiro não se restringe à execução de procedimentos, mas envolve avaliação clínica, tomada de decisões dentro de suas competências e organização do cuidado.

A atuação da enfermagem também está relacionada à organização dos fluxos de atendimento ao paciente com dor torácica e à identificação daqueles que apresentam maior risco. Diretrizes brasileiras destacam que a triagem realizada por enfermeiros capacitados pode favorecer o reconhecimento precoce dos pacientes de maior risco e reduzir o tempo até a realização do eletrocardiograma.

Além do reconhecimento inicial, o cuidado ao paciente com IAM envolve a adoção de medidas terapêuticas destinadas à restauração do fluxo sanguíneo coronariano, quando indicadas, bem como a utilização de terapias farmacológicas baseadas em evidências e o monitoramento contínuo do paciente. Bianco et al. (2022), ao analisarem a estratégia fármaco-invasiva no infarto do miocárdio, demonstraram a relevância das estratégias terapêuticas empregadas diante do evento isquêmico. Da mesma forma, Ritt et al. (2024), em análise do Registro ACCEPT, identificaram diferenças na utilização das terapias de reperfusão entre as regiões brasileiras, evidenciando a importância da organização dos serviços e do acesso oportuno às estratégias terapêuticas.

A assistência de enfermagem durante a fase aguda também requer atenção para a identificação precoce de complicações e alterações clínicas. Nesse sentido, Dantas et al. (2025) desenvolveram uma teoria de médio alcance relacionada ao risco de choque em pessoas com IAM, destacando a necessidade de raciocínio clínico e identificação de fatores relacionados à deterioração do quadro. Essa perspectiva reforça a importância da avaliação contínua e da capacidade da equipe de enfermagem de reconhecer alterações que possam indicar agravamento clínico.

A atuação profissional deve ainda considerar que o cuidado não se encerra após a estabilização clínica ou a alta hospitalar. A ocorrência de complicações, reinternações e novos eventos cardiovasculares pode estar relacionada à continuidade inadequada do acompanhamento e à dificuldade de manutenção das medidas de prevenção secundária. Martins et al. (2026), ao investigarem fatores relacionados à readmissão hospitalar precoce após IAM, evidenciaram a necessidade de compreender os elementos associados ao retorno do paciente ao ambiente hospitalar, reforçando a importância de estratégias de acompanhamento e continuidade do cuidado.

A prevenção secundária constitui outra dimensão importante da assistência ao indivíduo que sofreu IAM. Mudanças nos hábitos de vida, controle dos fatores de risco cardiovasculares, adesão ao tratamento medicamentoso, acompanhamento profissional e reabilitação cardiovascular fazem parte das estratégias destinadas à redução de novos eventos. Diretrizes brasileiras destacam que a prevenção secundária deve incluir educação sobre fatores de risco, mudanças no estilo de vida, reabilitação e promoção da adesão ao tratamento. Nesse cenário, a enfermagem apresenta papel relevante na educação em saúde e no acompanhamento do indivíduo após o evento agudo.

A organização da assistência também depende da existência de uma linha de cuidado capaz de integrar os diferentes níveis de atenção. Brant e Passaglia (2022) discutiram a elevada mortalidade relacionada ao IAM na América Latina e no Caribe e defenderam a implementação de uma linha de cuidado no Brasil, chamando atenção para a necessidade de articulação dos serviços e de acesso adequado às estratégias de tratamento. Dessa forma, o cuidado ao paciente com IAM deve ser compreendido como um processo contínuo, envolvendo prevenção, reconhecimento dos sinais e sintomas, atendimento pré-hospitalar, assistência de emergência, tratamento hospitalar, alta e acompanhamento posterior.

No contexto da enfermagem, a sistematização do cuidado possibilita organizar as ações profissionais de acordo com as necessidades apresentadas pelo paciente. Barros e Oliveira (2023), em revisão integrativa sobre os cuidados de enfermagem ao paciente vítima de IAM, ressaltaram a importância de uma assistência qualificada para minimizar agravamentos, contribuir para a redução do tempo de internação e favorecer melhores condições de recuperação. Cardoso et al. (2025) também discutiram a atuação do enfermeiro no atendimento de emergência ao paciente acometido pelo IAM, reforçando a importância da atuação profissional diante de uma condição que demanda respostas rápidas e organizadas.

A assistência de enfermagem deve, portanto, integrar avaliação, monitorização, implementação de cuidados, identificação de riscos, educação em saúde e continuidade do acompanhamento. Almeida et al. (2026) destacaram a atuação da enfermagem no atendimento de emergência ao paciente com IAM, enquanto Evangelista, Figueredo e Rodrigues (2026) abordaram a assistência de enfermagem diante desse evento cardiovascular, reforçando a necessidade de atuação profissional sistematizada e fundamentada no conhecimento científico. Essas contribuições demonstram que o enfermeiro participa de diferentes momentos do cuidado, desde o reconhecimento inicial até as ações destinadas à recuperação e prevenção de complicações.

Diante desse cenário, torna-se relevante reunir e analisar as evidências disponíveis sobre a assistência ao paciente com IAM, considerando não apenas o atendimento durante a emergência, mas também as estratégias de prevenção, tratamento, identificação de complicações e continuidade do cuidado. A análise da produção científica recente pode contribuir para compreender os principais aspectos relacionados à atuação da enfermagem e às estratégias assistenciais empregadas no cuidado ao indivíduo acometido pelo IAM.

Assim, este estudo apresenta como questão norteadora: quais são as principais estratégias de assistência de enfermagem, prevenção e tratamento descritas na literatura recente para o cuidado ao paciente com Infarto Agudo do Miocárdio?

Dessa forma, o presente estudo tem como objetivo analisar a produção científica publicada entre 2020 e 2026 acerca da assistência ao paciente com Infarto Agudo do Miocárdio, com ênfase na atuação da enfermagem, nas estratégias de prevenção, no tratamento, no reconhecimento precoce de complicações e na continuidade do cuidado.

2. MÉTODOLOGIA

Trata-se de uma pesquisa de abordagem qualitativa, do tipo revisão integrativa da literatura, realizada com o objetivo de analisar a atuação do enfermeiro na assistência ao paciente com infarto agudo do miocárdio: prevenção, tratamento, destacando os principais cuidados de enfermagem, manejo clínico, prevenção de complicações. A revisão integrativa foi escolhida por possibilitar a reunião, análise e síntese de diferentes evidências científicas relacionadas à temática investigada. A busca dos estudos foi realizada nas bases de dados Scientific Electronic Library Online (SciELO), Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), Sendo a pesquisa realizada no período de 10 de Setembro de 2026 à 4 de Outubro de 2026. Com resultados usando as terminologias cadastradas nos Descritores ciência a Saúde (DeCS) relacionados diretamente à temática, sendo: “Infarto do Miocárdio”, “Enfermagem”, “Cuidados de Enfermagem”, “Emergências” e “Prevenção”. Os descritores foram combinados por meio dos operadores booleanos AND e OR, buscando ampliar e, posteriormente, direcionar os resultados encontrados nas bases de dados.

Foram utilizados os seguintes cruzamentos de descritores: “Infarto do Miocárdio” AND “Enfermagem”; “Infarto do Miocárdio” AND “Cuidados de Enfermagem” “Infarto do Miocárdio” AND “Emergências”;“Infarto do Miocárdio” AND “Prevenção”; “Infarto do Miocárdio” AND “Enfermagem” AND “Emergências”; “Infarto do Miocárdio” AND “Enfermagem” AND “Prevenção”; “Infarto do Miocárdio” AND “Cuidados de Enfermagem” AND “Prevenção”;“Infarto do Miocárdio” AND (“Enfermagem” OR “Cuidados de Enfermagem”); “Infarto do Miocárdio” AND (“Tratamento” OR “Reperfusão”) AND “Enfermagem”. Após aplicação dos descritores nas bases selecionadas foram encontrados 160 artigos para leitura. Os cruzamentos foram utilizados de acordo com as possibilidades de pesquisa disponibilizadas por cada base de dados, considerando a necessidade de ampliar a recuperação de estudos inicialmente e, posteriormente, restringir os resultados àqueles que apresentassem maior relação com o objetivo da pesquisa.

Foram estabelecidos como critérios de inclusão,: artigos disponíveis na íntegra, em idioma português, publicados no período de 2020 a 2026, que abordassem diretamente a temática proposta, incluindo aspectos relacionados diretamente ao Infarto Agudo do Miocárdio; estudos que abordassem aspectos relacionados à assistência de enfermagem, prevenção, reconhecimento precoce, atendimento de emergência, tratamento, reperfusão, identificação de complicações, cuidados hospitalares ou continuidade da assistência.

Como critérios de exclusão foram adotados: artigos publicados anteriormente ao ano de 2020; artigos duplicados entre as bases de dados; publicações que não apresentassem o texto completo disponível; estudos publicados em idiomas diferentes do português; trabalhos que não abordassem diretamente o Infarto Agudo do Miocárdio; estudos cujo conteúdo estivesse direcionado exclusivamente a outras doenças cardiovasculares sem relação específica com o IAM; trabalhos que não apresentassem relação com os objetivos da pesquisa; editoriais, cartas ao editor, resumos simples, notícias, protocolos sem resultados de pesquisa e trabalhos acadêmicos que não correspondessem a artigos científicos.

Após a aplicação dos descritores nas bases de dados, foram identificados 160 estudos para leitura inicial. Após a leitura de títulos e resumos, foram selecionados 110 artigos para triagem inicial. Em seguida, 60 estudos foram excluídos por não atenderem ao recorte temporal estabelecido (2020–2026). Posteriormente, 25 artigos foram excluídos por duplicidade ou por não apresentarem relação direta com a temática. Outros 11 estudos foram excluídos por não estarem disponíveis em acesso gratuito ou por não apresentarem aprofundamento suficiente sobre a atuação da enfermagem no contexto estudado. Aos final do processo de seleção e análise crítica dos estudos, foram incluídos 14 artigos científicos, que compuseram a amostra final desta revisão integrativa. A análise dos estudos possibilitou a identificação e a síntese das principais evidências relacionadas à atuação da enfermagem no reconhecimento do IAM, atendimento inicial e emergencial, utilização de estratégias terapêuticas, monitorização do paciente, prevenção de complicações, educação em saúde e continuidade do cuidado após o evento cardiovascular.

O total de documentos encontrados com os descritores citados foram apresentados nos quadros 1, 2 e 3, das fases da seleção dos artigos nas bases pesquisadas. Segue no quadro 1 o total de artigos selecionados seguindo descritor principal a terminologia associada e os critérios de inclusão conforme salto temporal do estudo.

Quadro 1. Total de artigos selecionados seguindo descritor principal a terminologia associada e os critérios de inclusão conforme salto temporal do estudo.

Descritor Principal

Termos Associados

Critério de Inclusão

Ano de Publicação

Total de Artigos

Enfermagem

Profissional enfermeiro; prática clínica

Pesquisas sobre atuação e desafios profissionais

2020–2026

45

Infarto do miocárdio

Acidentes , agravos tratamentos

Artigos sobre causas e tratamentos do IM

2015–2025

33

Cuidados de Enfermagem

Tratamento, promoção e prevenção

Estudos que abordam estratégias de autocuidado dos profissionais de Enfermagem

2015–2025

27

Fonte: Autores do estudo, (2026).

No quadro 2 segue o total de artigos selecionados nas bases.

Quadro 2. Cruzamento dos descritores nas bases e a seleção dos artigos.

DESCRITORES

SCIELO

LILACS

BVS

TOTAL DE ARTIGOS

And Infarto agudo do miocárdio

12

10

07

29

And Enfermagem

15

8

08

31

And Cuidados de enfermagem

15

9

06

30

And Emergência

15

14

07

36

And Prevenção

12

10

12

34

Total de artigos nas bases

69

51

40

160

Total de artigos selecionados em cada base

06

04

04

14

Fonte: Dados da Pesquisa (2026)

Fonte: PRISMA 2020 flow diagram for new systematic reviews which included searches of databases and registers only, adaptado pelos autores (2026).

Após a escolha dos artigos seguindo os critérios de inclusão e exclusão,, constituiu-se a amostra para o estudo de 14 artigos para produção deste trabalho, estes estão em ordem cronológica de publicação no quadro 3 assim como suas características quanto aos títulos, autores, ano e revista de publicação e a metodologia e o objetivo e principais achados de cada artigo selecionado.

Quadro 3. Características das publicações utilizadas neste estudo quanto: títulos, autores, ano, revista e a metodologia e o objetivo de principais achados de cada usada nos estudos selecionados.

TITULO

AUTORES

ANO / REVISTA

TIPO DE ESTUDO

OBJETIVO

Principais achados

Condutas de enfermagem aplicadas ao paciente com infarto agudo do miocárdio no pré-hospitalar

SOARES et al.

2020 Revista Enfermagem Atual In Derme

Artigo de reflexão com revisão da literatura

Abordar as condutas de enfermagem aplicadas ao paciente com IAM no atendimento pré-hospitalar.

Evidencia a importância da atuação do enfermeiro na identificação precoce, avaliação e assistência inicial ao paciente com IAM, contribuindo para um atendimento seguro e qualificado.

Assistência de enfermagem à pacientes vítimas de infarto agudo do miocárdio: uma revisão integrativa

SILVA; PASSOS

2020 — Revista JRG de Estudos Acadêmicos

Revisão integrativa

Analisar a assistência de enfermagem aos pacientes vítimas de IAM.

Ressalta a importância da identificação precoce dos sinais e sintomas, assistência sistematizada e atuação do enfermeiro na prevenção de complicações.

Prevenção de infarto agudo na atenção básica à saúde: revisão integrativa

FRAZÃO; DEININGER

2021 — Brazilian Journal of Development

Revisão integrativa

Analisar as ações de prevenção do IAM desenvolvidas na atenção básica.

Destaca o controle dos fatores de risco cardiovasculares, educação em saúde, mudanças no estilo de vida e acompanhamento dos usuários.

Diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia sobre Angina Instável e Infarto Agudo do Miocárdio sem Supradesnível do Segmento ST – 2021

NICOLAU et al.

2021 — Arquivos Brasileiros de Cardiologia

Diretriz clínica

Atualizar recomendações para diagnóstico, estratificação de risco e tratamento da angina instável e do IAM sem supradesnivelamento de ST.

Apresenta recomendações baseadas em evidências para diagnóstico, estratificação, tratamento farmacológico e estratégias invasivas.

Estratégia fármaco-invasiva no infarto do miocárdio: análise descritiva, apresentação de sintomas isquêmicos e preditores de mortalidade

BIANCO et al.

2022 — Arquivos Brasileiros de Cardiologia

Estudo observacional

Analisar a estratégia fármaco-invasiva, apresentação dos sintomas e fatores associados à mortalidade em pacientes com IAM.

Identificou características clínicas e fatores relacionados ao prognóstico e mortalidade, reforçando a importância da abordagem rápida e adequada.

Avaliação do perfil demográfico, socioeconômico, hábitos de vida e dos níveis plasmáticos, estado inflamatório e imunológico de uma subamostra de pacientes sobreviventes de Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) e Acidente Vascular Encefálico (AVE)

PEREIRA et al.

2022 — Revista da Associação Brasileira de Nutrição

Estudo observacional

Avaliar características demográficas, socioeconômicas, hábitos de vida e parâmetros plasmáticos, inflamatórios e imunológicos de sobreviventes de IAM e AVE.

Permitiu caracterizar aspectos sociodemográficos, hábitos de vida e características clínico-laboratoriais dos sobreviventes.

Cuidados de enfermagem ao paciente vítima de infarto agudo do miocárdio: uma revisão integrativa

BARROS; OLIVEIRA

2023 — Revista Eletrônica Multidisciplinar de Investigação Científica

Revisão integrativa

Descrever a assistência do enfermeiro ao paciente diagnosticado com IAM.

Evidencia a necessidade de atualização profissional e assistência qualificada, destacando cuidados capazes de minimizar complicações, reduzir internação e melhorar a qualidade de vida.

Alterações hematológicas durante um período de sete dias de internação em pacientes com infarto agudo do miocárdio

MARTINS et al.

2023 — Arquivos Brasileiros de Cardiologia

Estudo observacional

Avaliar o papel do índice de anisocitose em pacientes com IAM como preditor de gravidade.

Em 349 pacientes, RDW esteve associado à mortalidade. Houve redução de eritrócitos e hemoglobina durante a internação dos pacientes graves.

Interpretando o Infarto Agudo do Miocárdio 40 Anos Depois. Evolução do Conhecimento: Qual a Melhor Explicação?

ANDRADE et al.

2024 — Arquivos Brasileiros de Cardiologia

Artigo de atualização/revisão

Discutir a evolução do conhecimento científico sobre o IAM ao longo de quatro décadas.

Demonstra a evolução das explicações fisiopatológicas do IAM e do conhecimento sobre a doença coronariana.

Infarto Agudo do Miocárdio com Supradesnível de ST e Terapia de Reperfusão no Brasil: Dados do Registro ACCEPT

RITT et al.

2024 — Arquivos Brasileiros de Cardiologia

Estudo de registro multicêntrico

Avaliar terapias baseadas em evidências, utilização de reperfusão e ocorrência de eventos cardiovasculares em pacientes com IAM com supradesnivelamento de ST.

Foram analisados 1.553 pacientes; a reperfusão ocorreu em 76,8% e eventos cardiovasculares maiores em 12,5% em um ano.

Risk for shock in people with acute myocardial infarction: a middle-range theory

DANTAS et al.

2025 — Revista Brasileira de Enfermagem

Teoria de médio alcance

Desenvolver uma teoria de médio alcance relacionada ao risco de choque em pessoas com IAM.

Estrutura fatores relacionados ao risco de choque e elementos que podem subsidiar o raciocínio clínico e a assistência de enfermagem.

Atuação do enfermeiro no atendimento de emergência ao paciente acometido pelo infarto agudo do miocárdio no Brasil

CARDOSO et al.

2025 — Revista Foco

Revisão integrativa

Analisar a atuação do enfermeiro no atendimento de emergência ao paciente acometido pelo IAM.

Destaca a importância da identificação rápida, avaliação, manejo inicial, tomada de decisão e organização da assistência de enfermagem.

Fatores relacionados à readmissão hospitalar precoce após Infarto Agudo do Miocárdio: revisão de escopo

MARTINS et al.

2026 — Cogitare Enfermagem

Revisão de escopo

Mapear fatores relacionados à readmissão hospitalar precoce após IAM.

Identificou fatores como idade avançada, sexo feminino, baixa escolaridade, tabagismo, apneia do sono, maior permanência hospitalar e comorbidades.

Assistência de enfermagem na emergência ao paciente com infarto agudo do miocárdio

ALMEIDA et al.

2026 — Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação (REASE)

Revisão integrativa

Analisar as intervenções de enfermagem realizadas na emergência ao paciente com IAM.

Destaca identificação precoce, avaliação clínica, tomada de decisão, assistência emergencial e atuação qualificada da enfermagem.

Fonte: autores do trabalho (2026).

3. RESULTADOS

Foram analisados 14 artigos científicos publicados entre 2020 e 2026, sendo dois estudos selecionados para cada ano do período estabelecido. Os estudos abordaram diferentes aspectos relacionados ao Infarto Agudo do Miocárdio (IAM), contemplando principalmente a assistência de enfermagem, atendimento de emergência, prevenção, fatores prognósticos, complicações e continuidade do cuidado.

Quanto ao delineamento dos estudos, observou-se predominância de pesquisas de revisão da literatura, especialmente revisões integrativas, além de estudos observacionais, estudo de registro multicêntrico, revisão de escopo, diretriz clínica, artigo de atualização e produção fundamentada em teoria de médio alcance. Essa variedade permitiu reunir evidências relacionadas tanto à prática assistencial da enfermagem quanto aos aspectos clínicos que interferem na evolução dos pacientes com IAM.

Entre os estudos publicados em 2020, foram identificadas abordagens direcionadas principalmente às condutas de enfermagem e à assistência ao paciente com IAM, com destaque para o atendimento pré-hospitalar, reconhecimento dos sinais e sintomas, assistência sistematizada e prevenção de complicações. Os achados evidenciaram a importância da atuação do enfermeiro na identificação inicial do quadro e na organização da assistência.

Em 2021, os estudos analisados ampliaram a abordagem para a prevenção e o manejo clínico do IAM. Os resultados destacaram a importância do controle dos fatores de risco cardiovasculares, das ações de educação em saúde e do acompanhamento na atenção básica. Também foram apresentadas recomendações para diagnóstico, estratificação de risco e tratamento dos pacientes com síndromes coronarianas agudas.

Nos estudos de 2022, foram observados trabalhos relacionados às estratégias terapêuticas, características clínicas e condições dos pacientes após o evento cardiovascular. A estratégia fármaco-invasiva e os fatores relacionados ao prognóstico e à mortalidade foram abordados, enquanto outro estudo avaliou características demográficas, socioeconômicas, hábitos de vida e parâmetros clínico-laboratoriais de indivíduos sobreviventes de IAM e acidente vascular encefálico.

Em 2023, os estudos apresentaram resultados diretamente relacionados à assistência e aos aspectos clínicos do IAM. A revisão sobre cuidados de enfermagem evidenciou a necessidade de qualificação profissional, atualização dos conhecimentos e implementação de uma assistência capaz de minimizar complicações. Paralelamente, o estudo sobre alterações hematológicas identificou associação entre o índice de anisocitose (RDW) e mortalidade, além de redução dos níveis de eritrócitos e hemoglobina durante a internação de pacientes graves.

No ano de 2024, os estudos analisados apresentaram perspectivas relacionadas à evolução do conhecimento sobre o IAM e à reperfusão miocárdica. Um dos trabalhos discutiu a evolução da compreensão fisiopatológica do infarto ao longo de quatro décadas. O estudo do Registro ACCEPT, por sua vez, analisou 1.553 pacientes com IAM com supradesnivelamento do segmento ST, identificando taxa de reperfusão de 76,8% e ocorrência de eventos cardiovasculares maiores em 12,5% dos pacientes durante um ano de acompanhamento. Também foram identificadas diferenças regionais na utilização das terapias de reperfusão.

Em 2025, os resultados concentraram-se novamente na atuação da enfermagem e no reconhecimento de situações de gravidade. O estudo fundamentado em teoria de médio alcance abordou o risco de choque em pessoas com IAM, oferecendo elementos para o raciocínio clínico e identificação de fatores associados à deterioração do paciente. O segundo estudo analisou a atuação do enfermeiro no atendimento de emergência, destacando a identificação rápida do quadro, avaliação clínica, manejo inicial, tomada de decisão e organização da assistência.

Nos estudos de 2026, observou-se ampliação da abordagem para a continuidade do cuidado e assistência na emergência. A revisão de escopo sobre readmissão hospitalar precoce identificou diferentes fatores relacionados ao retorno não planejado ao hospital após o IAM, incluindo características sociodemográficas, hábitos de vida, comorbidades e aspectos relacionados à hospitalização. O segundo estudo concentrou-se na assistência de enfermagem na emergência, reforçando a importância da identificação precoce, avaliação clínica, intervenções imediatas e atuação qualificada da equipe.

De forma geral, os resultados dos 14 estudos demonstraram que o cuidado ao paciente com IAM envolve diferentes etapas da assistência, desde a prevenção e identificação dos fatores de risco até o atendimento pré-hospitalar, emergência, tratamento hospitalar, monitorização, prevenção de complicações e acompanhamento após a alta. A atuação da enfermagem esteve presente de maneira direta ou indireta em grande parte dos estudos, especialmente nos trabalhos relacionados ao reconhecimento precoce, assistência emergencial, monitorização e prevenção de complicações.

Os resultados também evidenciaram que fatores clínicos e sociodemográficos podem interferir na evolução dos pacientes, estando relacionados a maior gravidade, mortalidade ou readmissão hospitalar. Dessa maneira, a identificação precoce dos sinais de deterioração, o acompanhamento contínuo e a sistematização da assistência constituem elementos relevantes para a qualidade do cuidado ao paciente com IAM.

A análise conjunta dos estudos permitiu identificar cinco eixos principais para a discussão dos resultados: assistência e condutas de enfermagem; atendimento de emergência e identificação precoce; prevenção e controle dos fatores de risco; complicações, gravidade e prognóstico; e continuidade do cuidado e prevenção de readmissões hospitalares.

4. DISCUSSÃO

Para contextualizar as propostas, o trabalho foi organizado em 04 (quatro) categorias, que se seguem: 4.1 Assistência de enfermagem e condutas no atendimento ao paciente com Infarto Agudo do Miocárdio; 4.2 Atuação da enfermagem nos diferentes níveis de atenção à saúde e integralidade do cuidado; 4.3 Ações de prevenção, controle dos fatores de risco e continuidade da assistência; 4.4 Complicações clínicas, fatores prognósticos e desfechos do Infarto Agudo do Miocárdio

4.1. Assistência de Enfermagem e Condutas no Atendimento Ao Paciente com Infarto Agudo do Miocárdio

A atuação da enfermagem diante do Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) constitui um dos principais eixos identificados nos estudos analisados, especialmente no atendimento pré-hospitalar e de emergência. Os trabalhos selecionados demonstram que a assistência de enfermagem está relacionada à identificação precoce das manifestações clínicas, avaliação inicial, monitorização, implementação de cuidados e reconhecimento de alterações que possam indicar agravamento do quadro. Nesse contexto, a atuação rápida e organizada do enfermeiro apresenta relevância para a condução segura do paciente com suspeita ou confirmação de IAM.

Soares et al. (2020) abordam as condutas de enfermagem aplicadas ao paciente com IAM no atendimento pré-hospitalar, destacando a necessidade de uma assistência preparada para reconhecer o quadro e atuar de maneira rápida diante de uma condição tempo-dependente. Na mesma perspectiva, Silva e Passos (2020) enfatizam a assistência de enfermagem ao paciente vítima de IAM, reforçando a importância da identificação dos sinais e sintomas e da assistência sistematizada.

A assistência de enfermagem também aparece de maneira direta no estudo de Barros e Oliveira (2023), que teve como objetivo descrever a assistência do enfermeiro ao paciente diagnosticado com IAM. Os autores ressaltam a necessidade de atualização profissional diante das mudanças relacionadas ao atendimento desses pacientes, relacionando a qualificação da assistência à redução de agravamentos, do período de internação e à melhoria da qualidade de vida.

Esse resultado é complementado por Cardoso et al. (2025), que analisaram especificamente a atuação do enfermeiro no atendimento de emergência ao paciente com IAM no Brasil. O estudo reforça a importância da identificação rápida, avaliação clínica, manejo inicial e tomada de decisão no contexto emergencial. Dessa maneira, observa-se uma continuidade entre os estudos de 2020, 2023 e 2025, nos quais a enfermagem é apresentada como componente fundamental do atendimento inicial e da organização do cuidado.

Outro aspecto relevante identificado na produção analisada é que a assistência de enfermagem não deve estar limitada à execução de procedimentos. O reconhecimento de alterações clínicas e de fatores associados à deterioração do paciente também integra o cuidado. Dantas et al. (2025), ao desenvolverem uma teoria de médio alcance relacionada ao risco de choque em pessoas com IAM, fornecem elementos para o raciocínio clínico e para a identificação de situações que podem representar maior risco ao paciente.

Os achados de Martins et al. (2023) também contribuem para essa perspectiva. O estudo demonstrou que alterações hematológicas, especialmente o índice de anisocitose (RDW), apresentaram associação com a mortalidade em pacientes com IAM. O artigo identificou o RDW como fator preditivo de mortalidade e potencial indicador prognóstico, mostrando a importância do acompanhamento dos dados clínicos e laboratoriais durante a hospitalização.

A organização dos achados em duas tabelas foi adotada para sistematizar as evidências encontradas nos estudos selecionados e facilitar a compreensão da atuação da enfermagem diante do Infarto Agudo do Miocárdio. A primeira tabela reúne especificamente os estudos que abordam a atuação e as condutas de enfermagem, incluindo aspectos relacionados ao reconhecimento do quadro, assistência inicial, atendimento emergencial, avaliação clínica e acompanhamento do paciente. Essa organização é sustentada pelos estudos de Soares et al. (2020), Silva e Passos (2020), Barros e Oliveira (2023), Cardoso et al. (2025) e Almeida et al. (2026), que apresentam diferentes perspectivas sobre a assistência de enfermagem ao paciente com IAM.

A segunda tabela foi estruturada para ampliar a análise e demonstrar como a atuação da enfermagem se distribui nos diferentes momentos e cenários do cuidado, desde a prevenção e acompanhamento na atenção básica até o atendimento pré-hospitalar, emergência, hospitalização e continuidade do cuidado após a alta. Essa organização encontra respaldo nos estudos de Frazão e Deininger (2021), Pereira et al. (2022), Martins et al. (2023), Dantas et al. (2025) e Martins et al. (2026), que abordam prevenção, características dos pacientes, alterações associadas à gravidade, risco de choque e fatores relacionados à readmissão hospitalar. Dessa forma, a utilização de duas tabelas não representa repetição dos resultados, mas uma estratégia para apresentar, de maneira complementar, a atuação da enfermagem e os diferentes contextos em que esse cuidado é desenvolvido.

Assim, os estudos analisados permitem compreender que a assistência de enfermagem ao paciente com IAM envolve reconhecimento precoce, avaliação sistematizada, monitorização clínica, identificação de sinais de agravamento e implementação de cuidados conforme a evolução do paciente. A atuação profissional deve acompanhar todo o processo assistencial, desde o primeiro contato até a hospitalização e o acompanhamento posterior.

Quadro 4. Papel da enfermagem nos diferentes níveis de atenção e principais cuidados

Local de atuação

Papel da enfermagem

Cuidados/ações relacionados ao IAM

Estudos que sustentam

UBS / Atenção Básica

Atuação preventiva e acompanhamento dos usuários com fatores de risco cardiovascular.

Educação em saúde; orientação sobre hábitos de vida; acompanhamento dos fatores de risco; identificação de sinais de alerta; encaminhamento quando necessário.

Frazão e Deininger (2021); Pereira et al. (2022).

Atendimento pré-hospitalar

Reconhecimento inicial e organização da assistência diante da suspeita de IAM.

Identificação de sinais e sintomas; avaliação inicial; assistência imediata; encaminhamento adequado.

Soares et al. (2020).

Emergência hospitalar

Identificação rápida, avaliação clínica e manejo inicial.

Avaliação do paciente; monitorização; reconhecimento de alterações; implementação dos cuidados; tomada de decisão e organização da assistência.

Silva e Passos (2020); Barros e Oliveira (2023); Cardoso et al. (2025); Almeida et al. (2026).

Internação hospitalar

Acompanhamento contínuo da evolução clínica.

Monitorização; avaliação de alterações clínicas e laboratoriais; identificação de sinais de agravamento; acompanhamento da resposta ao tratamento.

Martins et al. (2023); Dantas et al. (2025).

Paciente com risco de complicações

Vigilância e reconhecimento precoce da deterioração clínica.

Identificação de sinais associados à gravidade; acompanhamento contínuo; comunicação da alteração à equipe; implementação das medidas assistenciais indicadas.

Dantas et al. (2025); Martins et al. (2023).

Pós-alta / Atenção Básica

Continuidade do cuidado e prevenção de novos eventos e readmissões.

Educação em saúde; acompanhamento das condições clínicas; orientação sobre hábitos de vida; identificação de fatores associados à readmissão.

Pereira et al. (2022); Martins et al. (2026).

Fonte: Elaborado pelo autor (2026), com base em Soares et al. (2020), Silva e Passos (2020), Frazão e Deininger (2021), Pereira et al. (2022), Barros e Oliveira (2023), Martins et al. (2023), Dantas et al. (2025), Cardoso et al. (2025), Almeida et al. (2026) e Martins et al. (2026).

Segue no quadro 5 os estudos relacionados a atuação e condutas de enfermagem para pacientes com infarto agudo do miocárdio e quais autores as citam.

Quadro 5. Estudos relacionados à atuação e às condutas de enfermagem

Autor/Ano

Enfoque do estudo

Principais achados relacionados à enfermagem

SOARES et al. (2020)

Condutas de enfermagem no atendimento pré-hospitalar

Evidencia a importância da atuação da enfermagem diante do IAM, especialmente no reconhecimento e atendimento inicial.

SILVA; PASSOS (2020)

Assistência de enfermagem ao paciente vítima de IAM

Destaca a identificação dos sinais e sintomas e a necessidade de assistência sistematizada.

BARROS; OLIVEIRA (2023)

Cuidados de enfermagem ao paciente com IAM

Reforça a necessidade de atualização profissional e assistência qualificada para minimizar agravamentos e melhorar a evolução do paciente.

DANTAS et al. (2025)

Risco de choque em pessoas com IAM

Oferece elementos para o raciocínio clínico e identificação do risco de choque, contribuindo para o planejamento da assistência.

CARDOSO et al. (2025)

Atuação do enfermeiro na emergência

Destaca identificação rápida, avaliação clínica, manejo inicial e tomada de decisão no atendimento emergencial.

ALMEIDA et al. (2026)

Assistência de enfermagem na emergência

Enfatiza identificação precoce, avaliação clínica, intervenções emergenciais e atuação qualificada da equipe.

Fonte: Elaborado pelo autor (2026), com base em Soares et al. (2020), Silva e Passos (2020), Barros e Oliveira (2023), Dantas et al. (2025), Cardoso et al. (2025) e Almeida et al. (2026).

4.2. Atuação da Enfermagem nos Diferentes Níveis de Atenção à Saúde e Integralidade do Cuidado

Os estudos analisados demonstram que o atendimento inicial possui relação direta com a evolução do paciente com IAM. A identificação precoce e o encaminhamento adequado são elementos recorrentes nos trabalhos que abordam a assistência emergencial, enquanto os estudos clínicos acrescentam a importância da rapidez no estabelecimento das estratégias terapêuticas.

Nesse sentido, os achados de Ritt et al. (2024) são particularmente relevantes. No Registro ACCEPT, foram avaliados 1.553 pacientes com IAM com supradesnivelamento do segmento ST, sendo identificada uma taxa de reperfusão de 76,8% e ocorrência de eventos cardiovasculares maiores em 12,5% dos pacientes durante um ano de acompanhamento. O estudo também identificou diferenças importantes entre as regiões brasileiras quanto à utilização da reperfusão.

Esses resultados demonstram que o cuidado ao paciente com IAM ultrapassa a identificação do evento, envolvendo a necessidade de garantir acesso oportuno às estratégias terapêuticas indicadas. Para a enfermagem, esse cenário reforça a importância da avaliação inicial, monitorização e organização do atendimento, contribuindo para que o paciente seja encaminhado rapidamente às etapas subsequentes do tratamento.

As diretrizes analisadas por Nicolau et al. (2021) também constituem importante referência dentro dos estudos selecionados, por reunirem recomendações para diagnóstico, estratificação de risco e tratamento das síndromes coronarianas agudas. Dessa forma, os estudos assistenciais e os estudos clínicos convergem para a necessidade de uma abordagem rápida e organizada diante do IAM.

Bianco et al. (2022), ao analisarem a estratégia fármaco-invasiva no IAM, acrescentam à discussão a importância da estratégia terapêutica e dos fatores relacionados ao prognóstico. Assim, a identificação inicial do quadro deve ser acompanhada pela avaliação das condições clínicas e pelo encaminhamento adequado para as estratégias de reperfusão e tratamento.

Além disso, Martins et al. (2026) identificaram, na revisão de escopo sobre readmissões, que o atraso no atendimento pré-hospitalar e o tempo até procedimentos destinados à liberação do fluxo sanguíneo arterial podem influenciar a evolução clínica dos pacientes. No quadro 6 é possível analisar o atendimento e identificação precoce ao paciente com infarto agudo do miocárdio.

Quadro 6. Atendimento de emergência e identificação precoce

Autor/Ano

Enfoque

Principais achados

NICOLAU et al. (2021)

Diagnóstico, estratificação e tratamento

Reúne recomendações para condução das síndromes coronarianas agudas.

BIANCO et al. (2022)

Estratégia fármaco-invasiva

Aborda características clínicas, apresentação dos sintomas e fatores relacionados ao prognóstico.

RITT et al. (2024)

Reperfusão no IAM com supradesnivelamento de ST

Identificou 76,8% de reperfusão entre os 1.553 pacientes avaliados e diferenças regionais na utilização da terapia.

CARDOSO et al. (2025)

Atendimento emergencial de enfermagem

Destaca identificação rápida, avaliação e manejo inicial.

ALMEIDA et al. (2026)

Assistência de enfermagem na emergência

Reforça identificação precoce e intervenções imediatas.

MARTINS et al. (2026)

Readmissão e fatores relacionados

Aponta atraso no atendimento pré-hospitalar e tempo até procedimentos de reperfusão como fatores relacionados à evolução clínica.

Fonte: Elaborado pelo autor (2026), com base em Nicolau et al. (2021), Bianco et al. (2022), Ritt et al. (2024), Cardoso et al. (2025), Almeida et al. (2026) e Martins et al. (2026).

4.3. Ações de Prevenção, Controle dos Fatores de Risco e Continuidade da Assistência

A análise dos estudos evidencia que o prognóstico após o IAM está relacionado a diferentes fatores clínicos e laboratoriais. Martins et al. (2023) demonstraram associação entre o RDW e mortalidade durante a hospitalização, destacando seu potencial como marcador prognóstico. O estudo também observou redução do número total de eritrócitos e da hemoglobina durante a internação de pacientes graves.

Essa perspectiva é complementada por Dantas et al. (2025), cujo estudo aborda especificamente o risco de choque em pessoas com IAM. A identificação de condições associadas à deterioração clínica reforça a necessidade de acompanhamento contínuo e reconhecimento precoce de alterações que possam indicar piora do estado do paciente.

Bianco et al. (2022) também contribuem para essa discussão ao investigarem fatores relacionados à mortalidade e características clínicas dos pacientes submetidos à estratégia fármaco-invasiva. Já Ritt et al. (2024) demonstraram ocorrência de eventos cardiovasculares maiores durante o acompanhamento de um ano, evidenciando que o risco não se encerra após o atendimento inicial.

Portanto, os estudos apontam para a necessidade de uma assistência baseada em avaliação contínua, considerando não apenas os sinais e sintomas iniciais, mas também alterações laboratoriais, fatores de risco, comorbidades e sinais de deterioração clínica. No quadro 7 podemos analisar os autores que referenciam quais os indicadores usados para identificação de risco ou acidente com infarto do miocárdio agudo e oque os autores conseguem tirar de proveito do trabalho.

Quadro-7- Autores e anos com indicadores analisados é o principal achados sobre os pacientes com infarto agudo do miocárdio ou predisposição.

Autor/Ano

Indicador analisado

Principal achado

BIANCO et al. (2022)

Sintomas, estratégia terapêutica e mortalidade

Identificou características clínicas e fatores associados ao prognóstico.

MARTINS et al. (2023)

RDW, eritrócitos e hemoglobina

RDW associado à mortalidade e potencialmente útil como indicador prognóstico.

RITT et al. (2024)

Eventos cardiovasculares e reperfusão

Eventos cardiovasculares maiores ocorreram em 12,5% durante um ano de acompanhamento.

DANTAS et al. (2025)

Risco de choque

Estrutura elementos relacionados à identificação do risco de choque em pessoas com IAM.

Fonte: Elaborado pelo autor (2026), com base em Bianco et al. (2022), Martins et al. (2023), Ritt et al. (2024) e Dantas et al. (2025).

4.4. Complicações Clínicas, Fatores Prognósticos e Desfechos do Infarto Agudo do Miocárdio

Os estudos também demonstram que o cuidado ao paciente com IAM não deve terminar após a estabilização do evento agudo. A prevenção dos fatores de risco e o acompanhamento após a alta são componentes importantes para reduzir novos eventos e readmissões.

Os trabalhos de Frazão e Deininger (2021) direcionam a atenção para a prevenção na atenção básica, destacando o controle dos fatores de risco, educação em saúde, mudanças no estilo de vida e acompanhamento dos usuários. Essa perspectiva preventiva complementa os estudos direcionados à emergência, demonstrando que a assistência ao IAM deve ocorrer de maneira contínua.

Martins et al. (2026) identificaram múltiplos fatores associados à readmissão hospitalar precoce. Entre os fatores clínicos destacaram-se doenças renais, doenças cardiovasculares, diabetes mellitus e doença pulmonar obstrutiva crônica. Também foram observados maior risco entre pessoas do sexo feminino, indivíduos com idade avançada e pessoas com escolaridade inferior a oito anos. 

O estudo também identificou baixa qualidade de vida, tabagismo e apneia do sono como fatores relacionados à readmissão. Os autores ressaltam a importância de intervenções direcionadas às mudanças no estilo de vida, cessação do tabagismo, reabilitação e cuidados após a alta. 

Dessa forma, a educação em saúde realizada pela enfermagem assume importância no processo de continuidade do cuidado, especialmente diante de fatores como baixa escolaridade, presença de múltiplas comorbidades e dificuldades relacionadas ao estilo de vida.

4.5. Síntese dos Achados da Discussão

A análise conjunta dos 14 estudos selecionados demonstra que a assistência ao paciente com Infarto Agudo do Miocárdio deve ser compreendida como um processo contínuo, que se inicia na prevenção dos fatores de risco e se estende ao reconhecimento precoce, atendimento emergencial, acompanhamento hospitalar e continuidade do cuidado após a alta. Os estudos voltados diretamente à enfermagem destacam a importância do reconhecimento rápido dos sinais e sintomas, da avaliação clínica e da organização da assistência, enquanto os estudos clínicos ampliam essa compreensão ao evidenciar fatores relacionados à gravidade, mortalidade, reperfusão e readmissão hospitalar (Soares et al., 2020; Silva; Passos, 2020; Barros; Oliveira, 2023; Cardoso et al., 2025; Almeida et al., 2026).

Na atenção básica, a enfermagem apresenta importante função preventiva e educativa, especialmente no acompanhamento dos fatores de risco cardiovasculares e na orientação quanto aos hábitos de vida. Essa atuação é complementada pelo acompanhamento dos indivíduos que já apresentaram eventos cardiovasculares, considerando suas características clínicas, socioeconômicas e comportamentais (Frazão; Deininger, 2021; Pereira et al., 2022). No ambiente hospitalar, a atuação profissional assume caráter mais intensivo, envolvendo avaliação e monitorização contínuas, identificação de alterações clínicas e laboratoriais e reconhecimento de situações que possam indicar deterioração do quadro (Martins et al., 2023; Dantas et al., 2025).

Os estudos também demonstram que a evolução do paciente com IAM está relacionada a diferentes fatores. A utilização de estratégias de reperfusão, as características clínicas, as alterações hematológicas e os fatores associados à mortalidade constituem elementos importantes para a avaliação do prognóstico (Bianco et al., 2022; Martins et al., 2023; Ritt et al., 2024). Nesse contexto, a enfermagem possui papel relevante na vigilância clínica e na identificação de alterações que necessitem de intervenção ou comunicação imediata à equipe multiprofissional.

Por fim, os estudos mais recentes reforçam que a assistência não deve ser encerrada com a estabilização clínica ou a alta hospitalar. A presença de comorbidades, características sociodemográficas e hábitos de vida pode estar relacionada à ocorrência de readmissões, tornando necessário o acompanhamento individualizado e a articulação entre os diferentes níveis de atenção (Martins et al., 2026). Dessa forma, os achados dos 14 estudos convergem para a necessidade de uma assistência de enfermagem integral, sistematizada, contínua e fundamentada na identificação precoce dos riscos, abrangendo prevenção, atendimento emergencial, cuidado hospitalar e acompanhamento após a alta.

De maneira geral, os estudos selecionados demonstram que a enfermagem ocupa posição estratégica em todas as etapas do cuidado ao paciente com IAM. A atuação profissional não se restringe aos procedimentos realizados durante a emergência, mas envolve prevenção, educação em saúde, reconhecimento de sinais de alerta, monitorização, identificação de complicações, acompanhamento da evolução clínica e continuidade do cuidado. A integração desses diferentes momentos da assistência contribui para uma abordagem mais abrangente do paciente e para a qualificação do cuidado ofertado nos diferentes níveis de atenção.

Quadro 8. Prevenção, continuidade do cuidado e readmissão

Autor/Ano

Enfoque

Principais achados

FRAZÃO; DEININGER (2021)

Prevenção na atenção básica

Destaca controle de fatores de risco, educação em saúde e mudanças no estilo de vida.

PEREIRA et al. (2022)

Perfil e hábitos de vida de sobreviventes

Avalia características sociodemográficas, socioeconômicas, hábitos de vida e aspectos clínico-laboratoriais.

MARTINS et al. (2026)

Readmissão hospitalar precoce

Identifica comorbidades, fatores sociodemográficos, hábitos de vida e aspectos da hospitalização relacionados à readmissão.

Fonte: Elaborado pelo autor (2026), com base em Frazão e Deininger (2021), Pereira et al. (2022) e Martins et al. (2026).

5. CONCLUSÃO

A presente revisão integrativa, composta por 14 estudos, permitiu responder à pergunta norteadora e demonstrar que a enfermagem exerce papel fundamental na assistência ao paciente com Infarto Agudo do Miocárdio (IAM). A atuação profissional envolve prevenção, identificação precoce, avaliação clínica, monitorização, assistência emergencial, reconhecimento de complicações e continuidade do cuidado após a alta.

Os objetivos propostos foram alcançados ao identificar os principais cuidados de enfermagem e compreender a atuação profissional nos diferentes níveis de atenção. Na atenção básica, destacam-se prevenção, educação em saúde e acompanhamento dos fatores de risco; nos serviços de emergência e hospitalares, sobressaem a avaliação, monitorização e reconhecimento de alterações clínicas; e no período pós-alta, destaca-se a continuidade do cuidado e a prevenção de novos eventos e readmissões.

O diferencial desta produção está na integração dos diferentes momentos da assistência de enfermagem, reunindo os achados dos 14 estudos em uma perspectiva de linha de cuidado que contempla UBS, atendimento pré-hospitalar, emergência, hospitalização e acompanhamento após a alta. Dessa forma, evidencia-se que a qualidade da assistência ao paciente com IAM depende de uma atuação rápida, sistematizada, contínua e articulada entre os diferentes níveis de atenção.

Conclui-se, portanto, que o fortalecimento da capacitação profissional, da sistematização da assistência e da integração da rede de atenção é fundamental para qualificar o cuidado e favorecer uma assistência integral ao paciente com Infarto Agudo do Miocárdio.

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1 Discente do Curso Superior de Enfermagem da Faculdade do Futuro e mentor acadêmico. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail.

2 Discente do Curso Superior de Enfermagem da Faculdade do Futuro. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. Lattes: http://lattes.cnpq.br/5004166047865451. ORCID: https://orcid.org/0009-0000-7138-8995.

3 Discente do Curso Superior de Enfermagem da Faculdade do Futuro. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail.

4 Discente do Curso Superior de Enfermagem da Faculdade do Futuro. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail.

5 Discente do Curso Superior de Enfermagem da Faculdade do Futuro. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. Lattes: https://lattes.cnpq.br/5398248471700426. ORCID: https://orcid.org/0009-0003-5439-3989.

6 Discente do Curso Superior de Enfermagem da Faculdade do Futuro. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. Lattes: https://lattes.cnpq.br/6783781082113601. ORCID: https://orcid.org/0009-0009-4841-4927.

7 Discente do Curso Superior de Enfermagem da Faculdade do Futuro. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail.

8 Discente do Curso Superior de Enfermagem da Faculdade do Futuro. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail.

9 Discente do Curso Superior de Enfermagem da Faculdade do Futuro. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail.

10 Discente do Curso Superior de Enfermagem da Faculdade do Futuro. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail.