REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/785286408
RESUMO
A investigação é uma proposta de melhoria do currículo, como forma de apoiar os futuros educadores de infância e professores na leccionação da Unidade Curricular de Educação Manual e Plástica. A pesquisa em questão, tem como objectivo aperfeiçoar o currículo de Educação ou Expressão Manual e Plástica do Instituto Superior Politécnico de Angola4, tendo como linha de análise metodológica a pesquisa bibliográfica, onde limitou-se no levantamento e análise de referências teóricas já publicadas com objectivo de recolher um conjunto de conhecimentos e informações a partir do currículo de modo a dar resposta ao problema, enfatizando assim o papel do currículo na formação de professores. A pesquisa possibilitou aferir que a UC Educação Musical e Plástica, no Instituto Superior Politécnico de Angola, aglutinam as áreas de Música e Plástica. Nesta conformidade, apesar de as duas áreas de conhecimento fazerem parte das expressões artísticas, defende-se a separação das duas UCs por terem objectos de estudos diferentes. Logo, sugeri-se a sua reestruturação ou separação da Unidade Curricular em duas UC, uma vez que a Educação Manual e Plástica foca-se no ensino das técnicas de desenho, pintura e escultura e a Educação Musical, articula-se em volta de cinco eixos elementares: o escutar, o cantar, o dançar, o tocar e o criar.
Palavras-chave: Dobragem; Recorte; Colagem e Currículo.
ABSTRACT
This research proposes an improvement to the curriculum, aiming to support future early childhood educators and teachers in teaching the Manual and Plastic Arts Education course. The research in question aims to improve the Manual and Plastic Arts Education curriculum at the Higher Polytechnic Institute of Angola4, using bibliographic research as its methodological approach. This research focused on gathering and analyzing previously published theoretical references to collect knowledge and information from the curriculum in order to address the problem, thus emphasizing the role of the curriculum in teacher training. The research revealed that the Musical and Plastic Arts Education course at the Higher Polytechnic Institute of Angola combines the areas of Music and Plastic Arts. Accordingly, although both areas of knowledge are part of artistic expression, the separation of the two curricular units is advocated because they have different objects of study. Therefore, its restructuring or separation into two curricular units is suggested, since Manual and Plastic Arts Education focuses on teaching drawing, painting and sculpture techniques, and Music Education is structured around five elementary axes: listening, singing, dancing, playing and creating.
Keywords: Folding; Cutting; Collage and Curriculum.
1. INTRODUÇÃO
A presente investigação surge na sequência do estágio supervisionado realizado no Instituto Superior Politécnico de Angola4, na Unidade Curricular Estágio Supervisionado, leccionada no 2° ano, no curso de Mestrado em Metodologia de Educação de Infância no Instituto Superior de Ciências da Educação da Huíla (ISCED-Huíla), curso este, criado à luz do Decreto Presidencial nº 45/19, de 20 de Dezembro. A investigação é uma proposta de melhoria curricular, como forma de apoiar os futuros educadores de infância e professores na leccionação da Unidade Curricular de Educação Manual e Plástica.
O estágio profissional foi realizado aos estudantes do curso de Licenciatura em Educação de Infância do Instituto Superior Politécnico de Angola4. Este curso surgiu à luz do Decreto Executivo nº 07/2021 de 10 de Setembro, que extinguiu o curso de Licenciatura em Ensino da Pedagogia nos cursos de formação de professores, no Ensino Superior em Angola.
Os objectivos do curso, a qual a unidade temática procura dar resposta são os seguintes: Formar profissionais capazes de compreenderem o processo histórico e social, desenvolvendo trabalho pedagógico nos âmbitos da docência, investigação, extensão e gestão educativa; Formar o profissional com percepção crítica da realidade e com a capacidade para actuar no Ensino de Infância; Dotar os estudantes de métodos e de técnicas de investigação e intervenção no Ensino de Infância; Actuar em equipas multidisciplinares; Estimular a reflexão sobre a prática pedagógica; Desenvolver o domínio do processo de ensino-aprendizagem em suas múltiplas dimensões interdisciplinares e Avaliar o processo de ensino-aprendizagem.
2. METODOLOGIA
A pesquisa em questão, tem como objectivo aperfeiçoar o Currículo de Educação ou Expressão Manual e Plástica do Instituto Superior Politécnico de Angola3, tendo como linha de análise metodológica a pesquisa bibliográfica que assenta na consulta de obras de referências, teses, dissertações, artigos científicos, crónicas de encontros científicos e periódicos pertinentes, (Gil, 2008). Este tipo de pesquisa possibilita aos investigadores terem acesso a informações relevantes e atualizadas, aprofundar seus conhecimentos sobre o tema em estudo assim como fortalecer a sua argumentação, (Guerra & Moura, 2021). A investigação limitou-se essencialmente no levantamento e análise de referências teóricas já publicadas com objectivo de recolher um conjunto de conhecimentos e informações no sentido de desenvolver ferramentas de apoio aos futuros professores e educadores, para o aumento das suas competências profissionais, quer a nível de conhecimentos, capacidades e habilidades, quer a nível das atitudes e valores.
3. REFERENCIAL TEÓRICO
O Plano Nacional de Formação de Quadros 2013-2020 (PNFQ) de Angola, tem como uma das suas principais prioridades a melhoria da qualidade, competências e desempenho de professores e formadores. Face aos novos desafios, é necessário que o Sistema de Educação e Ensino em Angola se ajuste às novas exigências sociais e profissionais, essencialmente no que diz respeito ao perfil de saída e ao processo formativo, com realce nas práticas pedagógicas e no estágio, visando formar profissionais competentes, criativos, críticos e reflexivos, capazes de responder as novas exigências do exercício profissional num mundo complexo e competitivo.
Para materialização dos objectivos do Plano Nacional de Formação de Quadros, criou-se o Decreto Presidencial n° 273/20, de 21 de Outubro, onde no seu art. 1º define as regras a seguir para sua criação, organização, funcionamento e avaliação de todos os Cursos de Formação Inicial Educadores de Infância, de professores do Ensino Primário e de professores do Ensino Secundário, para que sejam reconhecidos assim como habilitados para o exercício da profissão docente no Ensino Primário, Secundário e principalmente no Ensino Pré-Escolar, visto que o Pré-escolar constituí a base da educação, isto é, aquela que cuida da primeira infância, numa fase da vida em que se realiza as acções de condicionamento e de desenvolvimento psico-motor (Angola, 2016).
De acordo com Pinheiro (2015), o conceito de currículo escolar é marcado por diferentes influências e transformações pelas quais as sociedades foram passando, quer do ponto de vista filosófico, étnico, cultural, quer do ponto de vista político. Ribeiro (1992), concebe o currículo como um plano organizado de ensino-aprendizagem contendo as sugestões metodológicas, os objectivos, os conteúdos e os materiais de ensino. Por sua vez, Pacheco (2001), realça que o currículo é uma prática pedagógica que advém da interação e convergência de múltiplas estruturas, isto é, políticas administrativas, económicas, sociais e escolares.
Importa destacar que o currículo, para Diogo (2015), pode ser visto de várias formas: formal, percebido, real e oculto. O currículo formal, também conhecido como currículo oficial ou prescrito, é aquele que congrega um conjunto de saberes e orientações devidamente elaboradas pelo Ministério da Educação, como meio de orientação a ser seguida pelas escolas, relativamente às metas a alcançar, bem como o tipo de estudantes a formar pelas escolas. Já o currículo percebido é o entendimento que os professores fazem do currículo formal. O currículo real, também denomidado de currículo actual, está relacionado com as aprendizagens que são trabalhadas na sala de aula, desde os objectivos, conteúdos, metodologias, assim como as estratégias a serem usadas. Por outro lado, o currículo oculto é um conjunto de aprendizagens que não são trabalhadas na escola, mas sim à medida que o estudante as vai adquirindo na própria cultura e sociedade.
3.1. Importância do Currículo na Formação de Professores
Para o pegagogo Perene (2015), a formação de professores é uma etapa da formação profissional, onde o objectivo é oferecer aos formando um conjunto de métodos, técnicas, atitudes e valores científico-pedagógicos necessários à prática da profissão de professor. Segundo Folque et al. (2016), a formação de professores é um processo que visa preparar profissionais autónomos, críticos, reflexivos, actualizados e comprometidos com a investigação e inovação da sua actividade. Alarcão (2020), corrobora com essa ideia, afirmando que, é possivel perceber a formação de professores, enquanto um meio profissionalizante, permitindo que haja uma relação de cooperação entre instituições de formação e escolas de aplicação, visando o desenvolvimento de uma cultura de educação interinstitucional.
O currículo na formação de professores é de extrema importância, uma vez que, para Maria-Gonçalves (2014), enquanto um plano de estudo devidamente estruturado e organizado segundo os objectivos, conteúdos e actividades a serem desenvolvidas, permite aos futuros professores fazerem uma reflexão acerca dos conteúdos programados a serem trabalhados ao longo da actividade docente, bem como a selecção das estratégias a empregar.
Zabalza (2002, citado por Ana-Gonçalves, 2014, p.35), salienta que o currículo agrega um conjunto de conteúdos a ensinar, visto que é um plano de acção educativo, isto é, um documento legal prescrito, alicerçado e realizado num sistema que pode apresentar-se como um guia orientador, através do qual os professores poderão apoiar-se ao longo do seu trabalho.
De acordo com o Decreto Presidencial, Lei n.º 273/20, de 21 de Outubro de 2020, Regime Jurídico da Formação Inicial de Educadores de Infância, de Professores do Ensino Primário e de Professores do Ensino Secundário, no seu art.º 4º alínea h, destaca que o currículo na formação de professores é importante, uma vez que o currículo constitui um dos elementos principais a ter em conta na organização de um curso, visando oferecer oportunidades de obtenção de competências exigidas pelo desempenho profissional docente.
Desta feita, o tema proposto na presente investigação é: as técnicas de dobragem, recorte e colagem no currículo de Formação de Educadores ou Professores, para o Desenvolvimento da Criança ou Aluno do Pré-escolar. Este tema foi selecionado a partir das unidades temáticas que constam da Unidade Curricular Metodologia de Educação Musical e Plástica, com enfoque na área da Plástica, de modo a possibilitar a “partilha de ideias e sugestões. Contribuindo assim para o desenvolvimento do sentido da estética, imaginação, criatividade e destreza manual nas crianças e nos educadores, tornando as suas práticas reflexivas, criadoras e inovadoras” (Raposo, 2013, p.65), abrindo um campo de investigação e prática em articulação com outras disciplinas (Morais, 2016).
Nesse seguimento, Raquel-Sousa (2014) esclarece que, o manuseio e a experiência com materiais possibilitam que os estudantes desenvolvam formas pessoais de manifestar o seu mundo interior e de mostrar a sua realidade. Desta feita, a abordagem deste tema facilitará à criança expressar-se de um modo particular e de forma satisfatória por meio de vários materiais que poderá explorar, trabalhar e modificar, com vista a tomar conhecimento de si próprio. Garcia (2015, p.58), reforça esta ideia, afirmando que ao “permitir que as crianças explorem livremente técnicas e materiais, é ajudá-las no seu processo de auto-afirmação.”
Ao entrar em contacto com o programa da UC, disponibilizado pela instituição de Ensino Superior Politécnico de Angola, verifica-se que a UC Educação Musical e Plástica, tal como o nome indica, aglutina as áreas de Música e Plástica. Por isso, apesar de as duas áreas de conhecimento fazerem parte das expressões artísticas, defende-se a separação das UCs por terem objectos de estudos diferentes. De acordo com Reis (2003), a Educação Musical, na Educação Pré-escolar, articula-se em volta de cinco eixos elementares: o escutar, o cantar, o dançar, o tocar e o criar. Já a Expressão Plástica, igualmente ligada com a expressão e a criação, manifesta-se através da manipulação e modificação de materiais plásticos com ajuda de materiais como o barro, o gesso, a pedra, a madeira e os metais (Sousa, 2003). Por isso, defende-se a reestruturação ou separação da Unidade Curricular em duas UCs, uma vez que a Educação Musical foca-se no ensino musical (Reis, 2003) e a Educação Manual e Plástica foca-se no ensino das técnicas de desenho, pintura, escultura, entre outras (Sousa, 2003), sugerindo-se, por isso, a necessidade de professores com formação específica em cada área.
3.2. Objectivos Gerais do Currículo
O Currículo Proposto Tem os Seguintes Objectivos Gerais:
Compreender os princípios orientadores sobre a organização do ambiente educativo como forma de estimular a realização de actividades práticas no Pré-escolar;
Compreender os princípios orientadores na selecção de materiais para realização de actividades práticas no Pré-escolar;
Compreender a importância de diferentes técnicas de Expressão Plástica para o desenvolvimento da criança em idade Pré-escolar;
Desenvolver as aprendizagens em diferentes domínios através das técnicas de dobragem, recorte e colagem para o desenvolvimento da criatividade e da autonomia;
Promover as técnicas de dobragem, recorte e colagem para o desenvolvimento das habilidades no Pré-escolar;
Compreender a importância da construção de brinquedos para o desenvolvimento da criatividade.
3.3. Resultados de Aprendizagem
Com a abordagem dos temas, espera-se que os estudantes sejam capazes de:
Organizar um ambiente educativo seguro e estimulante para a realização de actividades práticas no Pré-escolar;
Identificar e utilizar materiais adequados para crianças em idade pré-escolar, quer sejam pela sua aquisição, reaproveitamento ou reciclagem, para a realização de actividades práticas;
Identificar diferentes técnicas de Expressão Plástica que contribuam para o desenvolvimento das crianças no Pré-Escolar;
Realizar actividade de dobragens, recortes e colagens;
Compreender e exemplificar as técnicas de dobragem, recorte e colagem para o desenvolvimento de habilidades no Pré-escolar.
3.4. Conteúdos Propostos
Tabela 1. Síntese dos conteúdos propostos para o currículo do curso de Formadores de Educadores de Infância
Temas | Conteúdos |
Tema I – As técnicas de dobragem, recorte e colagem no desenvolvimento da criança em idade pré-escolar |
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As técnicas de dobragem, recorte e colagem no desenvolvimento da criança em idade Pré-Escolar
A utilização de várias técnicas no Pré-Escolar é fundamental, por contribuírem para o desenvolvimento não só da criatividade, autonomia, interação social e a imaginação da criança, mas também da motricidade fina, um dos componentes essenciais para a escrita (MED, 2021).
De acordo com Portelada (2023), a utilização das técnicas de dobragem, recorte e colagem, contribuem significativamente para o desenvolvimento de um conjunto de competências “primárias nas crianças, que serão úteis no futuro, tais como a autonomia, pensamento crítico, responsabilidade, imaginação, criatividade, expressividade, espontaneidade, confiança, sensibilidade, a socialização entre outras” (p.16). Reforça Costa (2022), que estas técnicas oferecem experiências às crianças, bem como permitem o desenvolvimento de capacidades cognitivas, físicas, motoras e, fundamentalmente, reforça a motricidade, assim como as capacidades sócio-afectivas, que serão desenvolvidas por meio de descobertas e experiências que a criança realizará. Já para o MED (2021), as técnicas de dobragens, recortes e colagem, para além do desenvolvimento da motricidade fina, promovem as capacidades expressivas, por meio da utilização de distintos materiais alargando, deste modo, as experiências das crianças.
Segundo Sousa (2003), a dobragem é a técnica que consiste em dobrar o papel, utilizando os dedos das mãos com auxílio das unhas para vincar adequadamente as dobras do papel. Diz ainda o autor, que é uma técnica muito diversa, em que a mais conhecida é o Origami. Esta técnica visa, fundamentalmente, que a criança invente, crie novas formas de dobrar o papel.
Para Santos (2010), por intermédio das dobragens, é possível demonstrar conteúdos científicos de matemática e desenvolver as capacidades transversais, através da manipulação, da experimentação, do questionamento, da troca de ideias e da mobilidade em sala de aula. Com base neste pressuposto, Barbosa e Vale (2018), afirmam que as dobragens poderão ser uma estratégia dinâmica, criativa e apelativa na compreensão de vários conceitos e resolução de problemas, uma vez que uma folha de papel pode ser transformada em diferentes formas, sejam elas bidimensionais ou tridimensionais. As mesmas autoras salientam o facto de que as dobragens envolvem as crianças fisicamente, exigindo capacidades manipulativas, estímulos visuais e são uma das formas de aprendizagem activa.
Os recortes são “técnicas extremamente simples e de muito agrado da criança, que dá livre vazão às suas capacidades criativas, usando diferentes tipos de papel, de diferentes cores” (Sousa, 2003, p. 283). O recorte é uma técnica que pode ser facilmente realizada usando as mãos para rasgar papel ou mesmo uma tesoura para cortá-lo (Rodrigues, 2016). De acordo com Morris (2011), o recorte, por ser uma técnica em que é necessário o uso de uma tesoura, deve ser aprendido desde os 2 anos de idade: começando por cortar as pontas de uma folha A4 até ao ponto de, aos 5 anos de idade, ser capaz de fazer o recorte de um quadrado ou mesmo de um círculo desenhado no papel.
Nesta mesma linha de pensamento Rodrigues (2016), afirma que a criança, ao utilizar uma tesoura, deverá começar por fazer o recorte de materiais mais grossos até conseguir agilidade para fazer recortes de materiais mais finos, como o papel. Segundo Morris (2011), a utilização da tesoura facilita o fortalecimento dos músculos da palma da mão e a coordenação motora quando estiver a abrir e a fechar a tesoura, bem como fomenta o desenvolvimento do sistema visual e manual do cérebro, em simultâneo. Também Correia (2014), refere que, por meio do recorte, as crianças desenvolverão a concentração, a imaginação e a destreza manual, assim como a possibilidade de elaborar diversas formas em papel.
Para Seco (2021, p. 243), a colagem é uma
“execução “pictórica” que surge do agrupamento de diferentes elementos recortados que, à partida, nada tem em comum, onde a associação de partes constitui um modo de criação de uma nova imagem por meio da união e do acréscimo de elementos diferentes que se misturam”.
Já Gonçalves (1991, citado por Costa, 2022, p. 28), concebe a colagem como sendo “a livre associação de imagens que poderão ser recortadas em jornais, revistas e em outros suportes que permitem conceber colagens, que poderão explorar o humor e o insólito”. A colagem é, também uma técnica de muito agrado para a criança e pode ser facilmente realizada com as mãos (Rodrigues, 2016).
De acordo com Feiteira (2014), a técnica de colagem pode ser realizada com diversos materiais de diferentes texturas como massinhas, algodão, ou outros elementos da natureza, que podem ser adicionados ou colocados lado a lado, a depender da imaginação de cada criança.
Na perspetiva de Sousa (2003),
As técnicas e o material utilizado estão estreitamente associados ao desenvolvimento emocional, sentimental e cognitivo da criança. À medida que as suas experiências se enriquecem, ela vai tendo uma cada vez maior necessidade de variedade de técnicas e de materiais para se expressar convenientemente (p. 183).
De acordo com Costa (2022), a exploração de diferentes técnicas e materiais promovem a livre expressão, a criação ou a transformação de vários objectos, contribuindo para o desenvolvimento de inúmeras habilidades e competências nas crianças, tendo o educador um papel essencial na sua orientação.
Faria et al. (2022), afirmam, ainda, que o educador de infância, ou professor, deve criar condições para a realização de actividades práticas, através da utilização de materiais recicláveis, de forma a despertar o interesse da criança ou estudante, usando as técnicas de dobragem, recorte e colagem de modo a contribuir para o seu real desenvolvimento.
Tabela 2. Planeamento temático
Tema I | Conteúdos | Resultados de aprendizagens | Actividades | Recursos | Avaliação |
As técnicas de dobragem, recorte e colagem no desenvolvimento da criança em idade pré-escolar | Dobragem Recorte Colagem O espaço e os materiais nas actividades práticas de dobragem, recorte e colagem | Promover a realização de actividades de dobragens Descrever as técnicas de dobragem, recorte e colagem no Pré-escolar Descrever as técnicas de dobragem, recorte e colagem no desenvolvimento de habilidades no Pré-escolar Identificar e utilizar materiais adequados para crianças em idade pré-escolar, quer sejam pela sua aquisição, reaproveitamento ou reciclagem, para a realização de actividades práticas | Dobragem individual, pares e/ou em grupos Actividades práticas de recorte individual, em pares e/ou em grupos Oficina de realização de colagem individual e/ou em grupos. Exposição oral sobre os temas dobragem, recorte e colagem. | Computador, projector, artigos científicos, cola de papel, tiras de papel, livros. Computador; projector; papel; cartolina; cartão; tesoura, X-acto. Computador; projector; papel; cartolina; cartão; tesouras, jornais e revistas, colas, tecidos, embalagens, materiais naturais Computador; projector; papel A4; cartolina, x-acto, tesoura, cola de papel, cartolinas, jornais, revistas | Formativa; Participação; Interação; Execução da actividade; Comunicação; sumativa. Formativa; Participação; Interação; Execução da actividade; Comunicação; sumativa. Formativa, Participação; comunicação; interação; execução da actividade; sumativa. Formativa; Participação; comunicação; interação; execução; da actividade; sumativa; organização. |
4. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Após uma reflexão, foi possível verificar que o currículo proposto é de extrema importância na formação de professores, uma vez que, visa o aperfeiçoamento do plano curricular da Unidade Curricular de Educação ou Expressão Manual e Plástica, na temática: As técnicas de dobragem, recorte e colagem no currículo de Formação de Educadores ou Professores, para o Desenvolvimento da Criança ou Aluno do Pré-escolar. A pesquisa constatou que o currículo na formação inicial de educadores ou professores é fundamental na medida em que, agrega um conjunto de conteúdos a ensinar e por ser um plano de acção educativo, isto é, um documento legal prescrito, alicerçado e realizado num sistema que pode apresentar-se como um guia orientador, através do qual os professores poderão apoiar-se ao longo do seu trabalho.
A pesquisa possibilitou aferir que a UC Educação Musical e Plástica, no Instituto Superior Politécnico de Angola, aglutinam as áreas de música e plástica. Nesta conformidade, apesar de as duas áreas de conhecimento fazerem parte das expressões artísticas, defende-se a separação das UCs por terem objectos de estudos diferentes. Isto é, a Educação Musical, articula-se em volta de cinco eixos elementares: o escutar, o cantar, o dançar, o tocar e o criar. Já a Expressão ou Educação Manual e Plástica, igualmente ligada com a expressão e a criação, manifesta-se através da manipulação e modificação de materiais plásticos com ajuda de materiais como o barro, o gesso, a pedra, a madeira e os metais.
Desta feita, a reestruturação ou separação da Unidade Curricular em duas UC, constititui um dos elementos essenciais na formação de educadores ou professores uma vez que a Educação Manual e Plástica foca-se no ensino das técnicas de desenho, pintura e escultura.
A pesquisa concluí que o Currículo de Expressão ou Educação Manual e Plástica, na formação de professores possibilita a partilha de ideias e sugestões contribuindo para o desenvolvimento do sentido de estética e ainda possibilitam desenvolver a imaginação, criatividade e destreza manual nas crianças ou alunos, bem como nos educadores ou professores tornando assim as suas práticas educativas mais reflexivas, criadoras e inovadoras.
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1 Mestre em Metodologia em Educação de Infância, Professora do Ministério da Educação. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail
2 Mestre em Metodologia em Educação de Infância, Professor do Ministério da Educação e Docente do Instituto Superior Politécnico Independente, Lubango. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail
3 Mestre em Metodologia em Educação de Infância, Professor do Ministério da Educação. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail
4 Designação atribuída à Instituição de Ensino Superior onde se realizou o Estágio Profissional