AS PRÁTICAS RACISTAS NO AMBIENTE ESCOLAR: UM ESTUDO QUANTITATIVO EM UMA ESCOLA PÚBLICA DE PASTOS BONS-MA

RACIST PRACTICES IN THE SCHOOL ENVIRONMENT: A QUANTITATIVE STUDY IN A PUBLIC SCHOOL IN PASTOS BONS-MA

REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/785883028

RESUMO
O ambiente escolar é um espaço fundamental para a formação social e emocional dos estudantes, porém ainda apresenta situações de racismo e preconceito que afetam principalmente alunos negros. Diante dessa problemática, o presente estudo teve como objetivo investigar as práticas racistas no ambiente escolar e analisar sua influência na saúde mental dos estudantes, além de promover a conscientização sobre a importância do combate ao racismo. A pesquisa caracterizou-se como qualitativa, realizada em uma escola pública do município de Pastos Bons-MA, tendo como público-alvo alunos da 1ª série do ensino médio. Para a coleta de dados, aplicou-se um questionário fechado contendo cinco questões relacionadas às experiências e percepções dos estudantes acerca do racismo e preconceito no ambiente escolar. Após a coleta dos dados, foi realizada uma palestra educativa e distribuído um flyer de sensibilização como forma de conscientização. Os resultados demonstraram que a maioria dos alunos já presenciou situações de racismo ou preconceito, além de reconhecer que essas práticas ainda representam um grave problema social. Também foi identificado que muitos estudantes nunca participaram de ações de combate ao racismo, embora todos considerem a educação uma importante ferramenta para enfrentar essa problemática. Conclui-se que o racismo permanece presente no ambiente escolar, impactando negativamente a saúde mental, a autoestima e o desenvolvimento dos estudantes, tornando necessária a realização de ações educativas que promovam o respeito à diversidade e contribuam para a construção de um ambiente escolar mais inclusivo e igualitário.
Palavras-chave: Racismo escolar; Preconceito racial; Educação antirracista; Saúde mental e Ambiente escolar.

ABSTRACT
The school environment is a fundamental space for the social and emotional development of students; however, it still presents situations of racism and prejudice that mainly affect Black students. Given this issue, the present study aimed to investigate racist practices in the school environment and analyze their influence on students’ mental health, as well as to promote awareness about the importance of combating racism. The research was characterized as qualitative and was conducted in a public school in the municipality of Pastos Bons, Maranhão, Brazil, with first-year high school students as the target audience. For data collection, a closed questionnaire containing five questions related to students’ experiences and perceptions regarding racism and prejudice in the school environment was applied. After data collection, an educational lecture was held, and an awareness flyer was distributed as a way of promoting reflection and awareness. The results showed that most students had already witnessed situations of racism or prejudice and recognized that these practices still represent a serious social problem. It was also identified that many students had never participated in actions to combat racism, although all of them considered education an important tool to address this issue. It is concluded that racism remains present in the school environment, negatively affecting students’ mental health, self-esteem, and development, making educational actions that promote respect for diversity and contribute to the construction of a more inclusive and egalitarian school environment necessary.
Keywords: Racism in schools; racial prejudice; Anti-racist education; mental health; School environment.

1. INTRODUÇÃO

O ambiente escolar é um espaço crucial na formação de indivíduos e na concepção da igualdade. Segundo Scholz, Silveira e Silveira (2014), o ambiente escolar pode reproduzir práticas discriminatórias que afetam diretamente a saúde mental e o desenvolvimento social de crianças negras.

As práticas racistas persistem em muitas instituições de ensino, afetando diretamente a saúde mental dos estudantes de diversas origens raciais, em especial negros e indígenas. “As políticas e programas desconsideram o sofrimento psíquico produzido pelas práticas racistas” (Scholz; Silveira; Silveira, 2014, p. 63).

As manifestações de racismo no contexto escolar podem ocorrer de várias formas desde comentários ou brincadeiras aparentemente “inocentes” até atitudes mais explícitas, como a desvalorização cultural, estereotípicos raciais e preconceito contra características físicas, como o cabelo crespo ou a cor da pele. A conscientização de toda a comunidade escolar e fundamental para criar um ambiente mais inclusivo e equitativo, onde todos os estudantes possam se sentir valorizados e respeitados, independentemente de sua raça.

As formas de manifestação de racismo da sociedade brasileira se dão das mais variadas formas, desde olhar de superioridade ou desconfiança sobre o negro, até a discriminação aberta de evitar o contato com pessoas de pele escura.

Um dos ambientes propícios para manifestação do racismo desde as fases iniciais é a escola, por ser um local onde diferentes segmentos da sociedade se encontram e convivem de forma sistemática, além de ser muitas vezes, o primeiro contato das crianças com o diverso e o múltiplo.

Este estudo tem como objetivo analisar a influência das práticas racistas no ambiente escolar e na saúde mental dos estudantes. Compreender esses impactos é essencial para promover um ambiente educacional inclusivo e saudável para todos.

2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

Silvio Almeida é uma referência central para entender como o racismo está enraizado nas instituições e práticas sociais, incluindo o ambiente escolar. No livro Racismo Estrutural (2019), Almeida explica que o racismo não é apenas uma questão de atos isolados, mas de uma estrutura que perpetua desigualdades. (Almeida, 2019).

No Brasil, uma série de fatos mostram que o Estado excluiu homens e mulheres negros, sistematicamente, ao longo da história, desvalorizando sua contribuição na construção e formação da sociedade brasileira. Esse fato é percebido quando paramos para pensar por exemplo, que a escravidão no Brasil se perpetuou até o final do século XIX, ou quando visualizamos que políticas públicas de inserção do negro na sociedade pós abolição foram totalmente desconsideradas, ou ainda, quando observamos a negação de direitos aos negros durante a proclamação da república e descobrimos que o governo investiu no chamado branqueamento da população brasileira ao incentivar a imigração europeia no início do século XX (Carreira, 2013).

Pode-se constatar que as violências manifestadas através da subestimação do negro, na negação de oportunidades, nas humilhações veladas, nos distanciamentos sutis presentes em todos os espaços e no cotidiano da vida em sociedade, são exemplos de que o racismo no Brasil sempre foi camuflado e mascarado.

A educação também contribuiu de forma significativa para que essa “igualdade racial”, apoiada em um mito de democracia racial, se perpetuasse. Podemos citar como exemplo desse apoio, a adoção de um currículo eurocêntrico (extremamente rígido e engessado), a invisibilidade do aluno negro na escola, a desconsideração da história dos negros na sociedade. Todos esses fatos, influenciaram até mesmo no reconhecimento por parte do negro de sua identidade, autoestima e rendimento cognitivo (Carreira, 2013).

Scholz, Silveira e Silveira (2014) “destacam que o racismo no espaço escolar interfere na inclusão social e emocional dos estudantes negros, contribuindo para desigualdades dentro do ambiente educacional.”

De acordo com Nilma Lino Gomes (2003), a valorização da identidade negra no ambiente escolar é fundamental para combater o racismo e fortalecer a autoestima dos estudantes negros. A autora destaca que a escola deve reconhecer e valorizar a diversidade cultural presente na sociedade brasileira, promovendo práticas pedagógicas antirracistas.

A própria construção curricular das escolas favorece a manutenção da desigualdade. Ao longo da construção do sistema educacional brasileiro, a seleção e estruturação dos conteúdos escolares foi organizada por uma perspectiva eurocentrada, na qual a visão da população branca foi priorizada em detrimento das outras etnias e culturas. Assim, os negros, mais da metade da nossa população, não se veem representados nos conteúdos lecionados.

“Quando uma cultura se impõe sobre a outra – como aconteceu no Brasil – é ela que fala. Há, portanto, um lugar de poder. Você forma crianças (brancas, negras, indígenas) para pensar o branco, o negro e o indígena de uma determinada forma. Você cria um imaginário, criado em crianças brancas, negras e indígenas que irão ocupar diferentes lugares sociais. A hierarquização irá acontecer, e ao final você tem violência e conflitos raciais. A escola tem um lugar determinante na construção do imaginário” explica a pesquisadora Cida Bento, do Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdade.”

Munanga (2005) afirma que a escola historicamente contribuiu para a reprodução do preconceito racial ao priorizar uma visão eurocêntrica da história e da cultura. Para o autor, o combate ao racismo no ambiente escolar exige mudanças no currículo e na formação dos professores, visando uma educação baseada no respeito às diferenças étnico-raciais.

As relações que se estabelecem no ambiente escolar são um espelho da sociedade em que esses alunos e corpo docente estão inseridos, sendo assim, a escola reproduz o preconceito e a discriminação racial que assolam a sociedade brasileira.

O racismo é estrutural no Brasil e anos após a escravidão os negros continuam a sofrer severas consequências desse fato histórico. Ainda que a grande maioria da população não se admita racista, e negue a existência do racismo e seus impactos na vida dos negros da sociedade contemporânea, ele está entranhado na construção histórica de nossa nação.

De acordo com o MEC, 1997:

Historicamente, registra-se dificuldade para se lidar com a temática do preconceito e da discriminação racial/étnica. O país evitou o tema por muito tempo, sendo marcado por “mitos” que veicularam uma imagem de um Brasil homogêneo, sem diferenças, ou, em outra hipótese, promotor de uma suposta “democracia racial” (BRASIL MEC, 1997, p.20).

Nesse contexto, Scholz, Silveira e Silveira (2014) afirmam que o ambiente escolar também reproduz práticas discriminatórias presentes na sociedade, muitas vezes de maneira velada. Segundo os autores, “existem práticas que reproduzem o racismo, mesmo que de forma velada, e que agem como instrumento de discriminação racial” (Scholz; Silveira; Silveira, 2014, p. 63). Essas práticas afetam diretamente a saúde mental e o desenvolvimento emocional dos estudantes negros, contribuindo para sentimentos de exclusão, insegurança e sofrimento psíquico.

Nesse sentido, torna-se fundamental que a escola desenvolva ações pedagógicas voltadas para o combate ao racismo e valorização da cultura afro-brasileira. A educação possui papel essencial na construção de uma sociedade mais justa e igualitária, contribuindo para desconstrução de preconceitos historicamente presentes no contexto escolar.

3. METODOLOGIA

3.1. Levantamento Bibliográfico

O levantamento bibliográfico foi realizado através de pesquisas nas principais plataformas de pesquisas acadêmicas da internet.

Para Pizzani et al. (2012, p. 54), a pesquisa bibliográfica pode ser entendida como “[...] a revisão de literatura sobre as principais teorias que norteiam o trabalho científico” e o levantamento bibliográfico pode ser realizado “[...] em livros, periódicos, artigo de jornais, sites da Internet entre outras fontes”.

A pesquisa bibliográfica, de acordo como o pensamento de Prodanov e Freitas (2013, p. 54), coloca o pesquisador em contato direto com toda a produção escrita sobre a temática que está sendo estudada. As palavras-chaves para as pesquisas foram: “Racismo escolar; Preconceito racial; Educação antirracista; Saúde mental e Ambiente escolar.”.

3.2. Público-Alvo

O público-alvo desta pesquisa foram alunos da 1° série, do Centro de Ensino Dr. José Neiva, no município de Pastos Bons- MA, Situada no bairro São José, próximo à Praça São José.

3.3. Elaboração de Questionário

Entre as diversas técnicas de coletas de dados, usou-se o questionário para coletar os dados dessa pesquisa.

O questionário, segundo Gil (1999, p.128), pode ser definido “como a técnica de investigação composta por um número mais ou menos elevado de questões apresentadas por escrito às pessoas, tendo por objetivo o conhecimento de opiniões, crenças, sentimentos, interesses, expectativas, situações vivenciadas etc.”.

Elaborou-se um questionário fechado, com 5 questões, como observado no Quadro 1, que se aplicou aos participantes da pesquisa, os alunos da 1ª série do ensino médio, a fim de levantar dados e analisar a perspectiva desses estudantes em relação do racismo no ambiente escolar. A aplicação dele realizou-se de forma presencial.

Quadro 1. Questionário aplicado aos alunos

QUESTIONÁRIO

  1. Você já presenciou alguma situação de racismo ou preconceito?
  2. Você acredita que o racismo e o preconceito ainda são problemas graves na sociedade?
  3. Você já se envolveu em alguma ação para combater o racismo e o preconceito?
  4. Você acredita que as leis brasileiras são eficazes para punir casos de racismo e preconceito?
  5. Você acredita que a educação é uma ferramenta importante na luta contra o racismo e o preconceito?

Fonte: Autoria própria, 2026

3.4. Termo de Consentimento Livre Esclarecido (TCLE)

O Termo de Consentimento Livre e Esclarecido é um documento que visa proteger a autonomia dos participantes. O TCLE, (Quadro 2), foi elaborado para esclarecer aos alunos os objetivos da pesquisa. Os questionários foram respondidos de forma anônima para os participantes ficaram à vontade para respondê-lo.

Quadro 2. Texto do TCLE contido nos questionários aplicados

TCLE

Olá! Somos acadêmicos do curso química licenciatura – UEMA, do polo de Pastos Bons- MA.
Este questionário tem como objetivo investigar as práticas racistas no ambiente escolar. As informações serão usadas unicamente para fins de pesquisa e os dados serão tratados com sigilo recomendado pelo código de ética em pesquisa. Caso aceite colaborar com o nosso projeto, pedimos gentilmente que respondam as questões a seguir. Caso tenham alguma dúvida, entrem em contato através do e-mail [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

Fonte: Autoria própria, 2026

3.5. Elaboração da Palestra

Após a coleta de dados com o questionário, foi realizada uma palestra, com intenção de conscientizar alunos e professores contra a prática do racismo. Onde abordamos os seguintes tópicos, que estão demonstrados no Quadro 3.

Quadro 3. Roteiro da palestra ministrada

ROTEIRO DA PALETRA MINISTRADA

1. Introdução ao Racismo:

  1.1 Conceitos

  1.2 Origem

  1.3 Como se manifesta

2. Racismo no Ambiente Escolar:

  2.1 Comentários e piadas racistas

  2.2 Bullying e discriminação racial entre alunos

  2.3 Desigualdade no tratamento entre professores e funcionários

3. Conclusão e Chamada para Ação:

  3.1 Reforçar a importância de um ambiente escolar livre de racismo

  3.2 Incentivar o compromisso de todos os envolvidos na comunidade escolar

4.Espaço para Debate e Reflexão:

  4.1 Abrir espaço perguntas e relatos pessoais

  4.2 Ouvir alunos e professores sobre o assunto

Fonte: Autoria própria, 2026

3.6. Elaboração do Flyer de Sensibilização

Foi desenvolvido um flyer (Figura 6) para ser entregue aos alunos, com a intenção de conscientizar, a fim de evitar práticas racistas. A realização do flyer foi planejada com a finalidade de ser um recurso metodológico complementar à palestra. O desenvolvimento do material obteve uma linguagem direta, simples e com elementos visuais impactantes, para favorecer a reflexão dos alunos sobre a discriminação dessas práticas. Sendo entregue ao final da palestra, como estratégia de reforço, após serem abordados os problemas que as práticas podem trazer para a vida dos alunos que sofrem com isso, o quanto pode impactar sua vida social, emocional e acadêmica dos colegas.

3.7. Tratamento de Dados

Para as discussões e interpretações dos dados do estudo, realizou-se uma pesquisa bibliográfica. Este estudo realizou análise sobre o racismo e o preconceito vivenciado no ambiente escolar.

A coleta de dados foi realizada a partir do questionário semiestruturado aplicado aos alunos selecionados, cujas questões visaram identificar a percepção dos sujeitos envolvidos, buscando dados relacionados ao racismo e o preconceito.

Realizou-se uma análise preliminar dos dados a partir da tabulação das respostas obtidas. Essas categorias possibilitaram a estruturação de um conjunto de conceitos articulados entre si, constituindo assim um instrumento válido para o desenvolvimento do tema da pesquisa.

A coleta dos dados permitiu ainda uma análise qualitativa complementar que evidenciou se o entrevistado enfrenta algumas dificuldades, precauções que se deve tomar. Se houve contribuição para melhorar os rendimentos no ensino aprendizagem.

4. RESULTADOS E DISCUSSÕES OU ANÁLISE DOS DADOS

Após a coleta dos dados procedeu-se à análise dos mesmos. De acordo com Minayo (1992), nesta etapa pode-se estabelecer uma compreensão dos dados coletados para confirmar ou não os pressupostos da pesquisa.

O trabalho de campo consiste em levar para a prática empírica, a construção da teórica elaborada na primeira etapa. Essa fase de combinação de instrumentos de observação, entrevistas ou outras modalidades de comunicação e interlocução com os pesquisados, levantamento de material documental e outros. Ela realiza um momento relacional e prático de fundamental importância exploratória, de confirmação e refutação de hipóteses e de construção de teoria (MINAYO, 1992, p. 26).

Cabe considerar que o fato de se optar por utilizar o questionário nessa pesquisa foi por, de acordo com Lakatos e Marconi (1993), proporcionar maior liberdade e segurança nas respostas em razão do anonimato além de preservar o sigilo das informações sobre os sujeitos envolvidos na pesquisa.

4.1. Dados Referentes Ao Questionário Aplicado com os Alunos

Dentre os questionamentos elaborados, iniciou-se verificando se os alunos já presenciaram alguma situação de racismo ou preconceito. Referente a primeira indagação, quando foram perguntados, “Você já presenciou alguma situação de racismo ou preconceito?”, obteve-se os seguintes resultados: 51% dos pesquisados, responderam positivamente, ou seja, que já presenciaram alguma dessas situações e, 43% disseram que não presenciaram alguma dessas situações mencionadas, conforme pode-se observar na Figura 1, apresentado a seguir.

Figura 1. Gráfico referente a pergunta 1, “Você já presenciou alguma situação de racismo ou preconceito?”

Fonte: Elaborada pelos próprios autores (2026)

Com base nos percentuais coletados, pode-se inferir que a maioria dos estudantes já presenciaram uma situação de racismo ou preconceito.

Ao serem questionados, sobre a pergunta, “Você acredita que o racismo e o preconceito ainda são problemas graves na sociedade?” acredita-se que o racismo e o preconceito ainda são problemas graves na sociedade, obteve-se os seguintes dados: 94% dos investigados responderam que ainda são problemas na sociedade e, 6% relataram que o preconceito e o racismo não são problemas graves na sociedade, como pode ser observado na Figura 2.

Figura 2. Você acredita que o racismo e o preconceito ainda são problemas graves na sociedade?

Fonte: Elaborada pelos próprios autores (2026)

Nesse contexto, percebe-se que a maioria dos alunos pesquisados acreditam que o racismo e o preconceito ainda são problemas graves na sociedade. Silva (2012), descreve que o racismo, perante a sociedade, ainda é um tabu, pois o preconceito contra as pessoas negras continua, mesmo nos momentos atuais.

Ao serem questionados se já se envolveram em alguma ação para combater o racismo e o preconceito, 71% dos participantes da pesquisa responderam que nunca se envolveram em alguma ação, enquanto 29% disseram que já se envolveram em ações para combater esses problemas, como pode-se observar na Figura 3.

Figura 3. Você já se envolveu em alguma ação para o combater ao racismo e preconceito?

Fonte: Elaborada pelos próprios autores (2026)

Os resultados obtidos nesta questão, leva-se a inferir que grande parte dos alunos participantes da pesquisa nunca se envolveram em ações para combater esses problemas. Haja vista que, somente 29% dos alunos entrevistados afirmaram que já participaram desse tipo de ação.

Diante do que foi exposto, é importante ressaltar que o combate ao racismo no ambiente escolar deveria estar presente diariamente, começando primeiramente pelos livros didáticos, tanto que é fundamental, conforme Silva (2012) e Pereira (2008), por parte de professores/as, revisarem seus currículos e criarem estratégias para desconstruir o preconceito racial em sala de aula.

Em relação a pergunta acerca, do que eles acreditam sobre se as leis brasileiras são eficazes para punir casos de racismo e preconceito, 86% dos entrevistados responderam que as leis não são eficazes e, 14% responderam que as leis brasileiras são eficazes, como observa-se na Figura 4.

Figura 4. Você acredita que as leis brasileiras são eficazes para punir casos de racismo e preconceito?

Fonte: Elaborada pelos próprios autores (2026)

Destaca-se que a grande maioria dos alunos pesquisados acreditam que as leis brasileiras não cumprem o papel de punir aqueles que praticam o racismo e preconceito.

No Brasil foi criada a Lei nº 10.639, de 9 de janeiro de 2003, que é fruto de grandes lutas travadas pelos movimentos sociais negros trazendo constante significado para que eles tivessem igualdade perante a sociedade (Gomes; Pedro; Prado, 2018).

Deste modo, com a aprovação dessa lei, ficam claras as demandas existentes nela, que contribuem no combate ao racimo e preconceito no meio social mostrando que todas as pessoas possuem os mesmos direitos, além da cobrança frente ao papel de pessoas negras na história do Brasil.

Ao perguntar se eles acreditam que a educação é uma ferramenta importante na luta contra o racismo e o preconceito, 100% dos entrevistados acreditam que a educação é uma ferramenta muito importante para combater esse problema, como ilustrado no gráfico 5.

Figura 5. Você acredita que a educação é uma ferramenta importante na luta contra o racismo e preconceito?

Fonte: Elaborada pelos próprios autores (2026)

Nesse contexto, a educação é uma das ferramentas mais importantes na luta ao combate contra o racismo e o preconceito. Nesta percepção, as escolas possuem um papel importante no reconhecimento do indivíduo que frequentam esses espaços. Contudo, podem inverter tal problemática do racismo em constantes debates na área da educação podendo discorrer na formulação das políticas públicas, programas e ações governamentais com foco no combate às desigualdades raciais.

Sendo assim, é importante:

refletir sobre o acompanhamento do indivíduo no convívio social, em suas relações multiétnicas, prestando atenção ao processo de como a criança pensa e elabora tais conceitos. De fato, é no espaço escolar que podemos abordar pedagogicamente a valorização do ser negro, em uma vertente contrária à discriminação racial. Com efeito, este trabalho pode se transformar em espaços de representatividade e reconhecimento dos alunos. Além disso, dialogar sobre as diferenças socioculturais implica num trabalho que permeia a interculturalidade (BULZONI; CARNEIRO; LEÃO, 2020, p. 8).

4.2. Palestra Ministrada na Escola e Produtos Elaborados

A palestra foi realizada na Escola Centro de Ensino Dr. José Neiva, no município de Pastos Bons-MA, com os alunos da 1° série do ensino médio. A atividade teve como objetivo promover a conscientização sobre as práticas racistas e seus impactos no desenvolvimento escolar, social os impactos na saúde mental dos estudantes.

“A educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo.” (MANDELA, Nelson).

Durante a palestra, foram abordados temas relacionados ao conceito e origem do racismo, como ele se manifesta de forma indireta e direta, sobre preconceitos raciais, discriminações e suas práticas no ambiente escolar, descritas no Quadro 3. Também foram discutidas situações comuns, como piadas ofensivas e piadas ofensivas disfarçadas de brincadeiras, apelidos pejorativos, exclusão social e desigualdade no tratamento entre os estudantes.

Buscando incentivar a maior participação dos alunos por meio de perguntas, relatos de experiências vivenciadas, realizou-se a apresentação de maneira dialogada, com linguagem simples e clara.

Ao longo de toda a palestra, foi aberto momentos de interações com os participantes, permitindo que os estudantes e pudessem falar e expressar suas opiniões. Nesses momentos alguns alunos contaram relatos de preconceitos que já presenciaram ou viveram.

No final, foi entregue o flyer educativo (Figura 6), para que eles refletissem sobre a importância e necessidade de combate a essas práticas. Contendo mensagens simples, mas de conscientização, reflexão e incentivo ao respeito à diversidade.

Para Scholz, Silveira e Silveira (2014), a escola possui papel importante no enfrentamento do racismo, devendo promover ações educativas voltadas para transformação social e valorização da população negra.

Figura 6. Flyer de conscientização

Tela de celular com texto preto sobre fundo branco

O conteúdo gerado por IA pode estar incorreto.
Fonte: Autoria própria, 2026

Figura 7. Momentos durante a palestra

5. CONCLUSÃO

Durante a elaboração desta pesquisa, teve-se a oportunidade de ver por outra perspectiva o ambiente escolar, percebendo no dia a dia que práticas antes naturalizadas até mesmo por nós, são violações de direitos. E o que traz violação traz sofrimento e dor, o que não condiz com um ambiente que deva promover uma cultura de paz, principalmente na escola. “Existem práticas que reproduzem o racismo, mesmo que de forma velada, e que agem como instrumento de discriminação racial” (Scholz; Silveira; Silveira, 2014, P. 63).

Para Scholz, Silveira e Silveira (2014), a escola possui papel importante no enfrentamento do racismo, devendo promover ações educativas voltadas para transformação social e valorização da população negra.

Portanto, conclui-se que as práticas racistas persistem muito no ambiente escolar, afetando diretamente a saúde mental dos estudantes, por ser um local onde diferentes segmentos da sociedade se encontram e convivem.

Este trabalho fez-nos perceber para além de nossa atuação como acadêmicos do curso de Química Licenciatura, que como futuros profissionais da educação podemos contribuir para tornar o ambiente escolar cada vez melhor. “A escola pode tanto reproduzir desigualdades quanto contribuir para sua superação.” (Gomes, 2003).

De modo geral, espera-se que este trabalho sirva para a reflexão e uma visão crítica diante do que vivenciamos na nossa sociedade, levando-nos a ter uma postura crítica diante das relações raciais e sociais, sob os pontos de vista da sociedade brasileira, sobre o racismo e a desigualdade social no país que tende a ofuscar a percepção da realidade étnica do povo brasileiro

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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CARREIRA, Denise. Vídeo Educação e relações raciais: diálogos Brasil e África do Sul/ Denise Carreira, Ana Lúcia Silva Souza. São Paulo: Ação Educativa, 2013.

GIL, Antônio Carlos. Métodos e técnicas de pesquisa social. 5. ed. São Paulo: Atlas, 1999.

GOMES, Marineide; PEDRO, Rachel. C; O; PRADO, Beatriz. M. S. Um olhar sobre a Lei Federal 11645/2008: Antecedentes, concepções e evolução. Leopoldianum. Santos, SP, vol. 44 n° 122, 2018, p. 1-34.

GOMES, Nilma Lino. Educação, identidade negra e formação de professores. Brasília: MEC,2003. https://observatoriodeeducacao.institutounibanco.org.br/emdebate/desigualdaderacialnaeducacao. Acesso em 05 de out. de 2023.

LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. Fundamentos de metodologia científica. 3. ed. São Paulo: Atlas, 1993.

MINAYO. Maria Cecília S. O desafio da pesquisa social. In MINAYO, Maria Cecília S. (Org). Pesquisa Social: Teoria, método e criatividade. Petrópolis: Ed. Vozes, 2001.

MUNANGA, Kabengele. Superando o racismo na escola. Brasília: MEC, 2005.

PEREIRA, Júnia Sales. Reconhecendo ou construindo uma polaridade étnicoidentitária? Desafios do ensino de história no imediato contexto pós Lei n° 10.639/03. Estudos Históricos, Rio de Janeiro, vol. 21, n° 41, janeiro-junho, 2008, p. 21-43.

PIZZANI, L. et al. A arte da pesquisa bibliográfica na busca do conhecimento. RDBCI:

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1 Graduandos de Química do Programa Ensinar da Universidade Estadual do Maranhão Campus Pastos Bons - Maranhão. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

2 Graduandos de Química do Programa Ensinar da Universidade Estadual do Maranhão Campus Pastos Bons - Maranhão. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

3 Graduandos de Química do Programa Ensinar da Universidade Estadual do Maranhão Campus Pastos Bons – Maranhão. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

4 Especialista Em Supervisão, Gestão E Planejamento Educacional Da Universidade Estadual Do Maranhão, Polo Zé Doca- MA-Brasil. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

5 Graduanda em Química Licenciatura da Universidade Estadual do maranhão Campus Paulo IV- São Luís- Maranhão. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

6 Doutora em Ciências pela Universidade Estadual do Maranhão, Campus Paulo IV-São Luís- MA-Brasil, E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

7 Mestre em Química Analítica da Universidade Estadual do Maranhão, Polo Balsas-MA-Brasil. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

8 Mestre em Química Analítica da Universidade Estadual do Maranhão, Polo Balsas-MA-Brasil. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail