AS PRÁTICAS INTEGRATIVAS E COMPLEMENTARES (PICS) NA ATENÇÃO BÁSICA


REGISTRO DOI: 10.5281/zenodo.10699206


Carlos Eliezer Cerdeira Moluloa
Maria José Silva Possidôniob
Rosilene Soares Valença De Limac
Claudia Maria Messiasd


RESUMO
Introdução: As Práticas Integrativas e Complementares (PICs) foram inseridas no SUS como um novo tipo de estratégia de abordagem ao usuário, com uma escuta diferenciada, criando e fortalecendo vínculos terapêuticos, com a finalidade de prevenir agravos e atender aos pacientes de forma integral. Objetivo: Descrever e analisar a oferta das Práticas Integrativas e Complementares (PICs) nos serviços de Atenção Básica. Método: Trata-se de uma pesquisa de revisão integrativa, com cunho descritivo, e abordagem qualitativa. O estudo foi realizado através das seguintes bases de dados: Biblioteca Virtual de Saúde (BVS), Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), Medical Literature Analysis and Retrieval System Online (MEDLINE), Base de Dados da Enfermagem (BDENF). Os descritores utilizados para realização da busca foram: “medicina alternativa/ atenção básica/ práticas integrativas”. Resultados: Foi realizada a pesquisa nas bases de dados sinalizadas, e aplicados os critérios de filtragem definidos, e foram escolhidos 10 artigos. Os resultados da análise dos dados contemplam três unidades temáticas: A realidade dos profissionais mediante as Práticas Integrativas e Complementares (PICs): acesso, oferta e utilização; Práticas Integrativas e Complementares (PICs): desafios vivenciados pelos profissionais; As Práticas Integrativas e Complementares na Atenção Básica: sua importância e contribuição. Conclusão: Podemos concluir que as Práticas Integrativas e Complementares (PICs) é um grande ganho para Atenção Básica, de maneira que pode influenciar beneficamente a vida dos profissionais e de seus usuários.
Palavras-chave: Atenção Básica; Medicina alternativa; Saúde

INTRODUÇÃO

As Práticas Integrativas e Complementares (PICs) foram inseridas no SUS como um novo tipo de estratégia de abordagem ao usuário, com uma escuta diferenciada, criando e fortalecendo vínculos terapêuticos, com a finalidade de prevenir agravos e atender aos pacientes de forma integral.1.2

As PICs proporcionam acesso ao usuário do SUS, além do direito de usufruir de uma política pública que pode garantir a promoção e prevenção da saúde e a melhoria da perspectiva e qualidade de vida, transformando sua participação na sociedade e meio ambiente.1

É necessário despertar a busca integral do potencial transformador compreendido na PNPIC, demonstrando seus benefícios transformadores antes desconhecidos.3

No decorrer desses 11 anos, uma série de desafios se impuseram à implantação e ampliação da oferta das PICs, além da dificuldade de acessibilidade devido a pouca divulgação e oferta de tais práticas, pouca oferta de ensino e formação especializada dos profissionais.3

Verificando a conveniência de sobrepujar a visão biomédica, devido ao interesse da evolução da saúde. Na perspectiva de promoção da Saúde esta prática vem produzindo os seguintes benefícios: redução na utilização dos medicamentos (voltados para depressão, dor e indução do sono), além disso, reduz também a busca pelo acolhimento nas Unidades de saúde, melhorando as relações sociais e qualidade de vida. 4

Este estudo de revisão integrativa buscou, então, responder ao seguinte questionamento: Como tem ocorrido a oferta e a divulgação das Práticas Integrativas e Complementares (PICs) no cotidiano dos profissionais de saúde nos serviços de Atenção Básica?

Entende-se a relevância da temática, em estudar e divulgar os benefícios das terapias que compõem as PICs.

Assim o referido artigo tende a contribuir para o fomento de conhecimento na área e tem por objetivo descrever e analisar a oferta das Práticas Integrativas e Complementares (PICs) prestadas nos serviços de Atenção Básica.

METODOLOGIA

Trata-se de uma pesquisa de revisão integrativa5, com cunho descritivo, e abordagem qualitativa, sendo utilizados os seguintes descritores: “medicina complementar” e “atenção básica” e “práticas integrativas”.

O estudo foi realizado através das seguintes bases: Biblioteca Virtual de Saúde (BVS), Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), Medical Literature Analysis and Retrieval System Online (MEDLINE), Base de Dados da Enfermagem (BDENF).

Esta revisão integrativa buscou, então, responder ao seguinte questionamento: Como tem ocorrido a oferta e a divulgação das Práticas Integrativas e Complementares (PICs) no cotidiano dos profissionais de saúde nos serviços de Atenção Básica?

A coleta de dados ocorreu no mês de agosto de 2017, e utilizou os critérios de inclusão elencados a seguir: Artigos publicados nos períodos de 2012 a 2017; Idioma português; Textos na íntegra disponíveis; Limite para estudos em humanos (excluindo animais); Tipo de documento artigo.

Foram, então, excluídos todos os artigos que tiveram suas publicações anteriores a 2012, com língua estrangeira, para além destes critérios, foram retirados os artigos duplicados. Do total de 345 textos detectados na busca inicial, restaram 14 após a inserção dos filtros informados acima e da leitura integral do conteúdo. E após a leitura foram excluídos 04 eram duplicados, sendo aproveitados da pesquisa apenas 10 artigos. Verificar na Tabela 01.

Tabela 1 - NÚMERO DE ARTIGOS PARA ANÁLISE

Bases

Nº artigos encontrados

Nº artigos selecionados

Nº artigos excluídos por duplicidade

Nº artigos inclusos

MEDLINE

300

3

-

3

LILACS

22

8

4

4

CUMED

8

-

-

-

HomeoIndex-Homeopatia

5

-

-

-

IBECS

5

-

-

-

BDENF- Enfermagem

3

3

-

3

CidSaúde- Cidades Saudáveis

1

-

-

-

Total de artigos

345

14

4

10

Com a finalidade de sistematizar a busca e os critérios de seleção/exclusão dos artigos utilizados para este estudo, foi elaborada a tabela de prisma a seguir. No Quadro 02 encontram-se os resultados de cada busca e filtro inseridos nas bases de dados. Apresentando as seguintes informações: título do artigo, autores, ano de publicação, tipo documento, assunto, metodologia e o enfoque. Retratando o resultado quantitativo dos artigos selecionados de acordo com os critérios de inclusão.

QUADRO 02 - QUADRO SINÓPTICO DOS ARTIGOS SELECIONADOS

ARTIGO

AUTORES

ANO

REVISTA/ PERIÓDICO

ASSUNTO

METODOLOGIA

ENFOQUE

Fitoterapia na atenção básica: estudo com profissionais enfermei rosCosta, I. C. P. ; ANDRADE, C. G. de; SANTOS, K. F. O. dos; ANÍZIO, B. K. F. ; BRITO, F. M. de2017Revista de pesquisa (Online): cuidado é fundamen talFitoterapia na atenção básicaPesquisa exploratória, com abordagem qualitativa, realizada com 10 enfermeiros nas unidades de Saúde da Família do Distrito IV, na cidade de João Pessoa, Paraíba.Investigar a compreensão de enfermeiros sobre a Fitoterapia e averiguar as estratégias necessárias para a consolidação desta prática na Atenção Básica.
Medicina Tradicional e Comple mentar no Brasil: inserção no Sistema Único de Saúde e integração com a atenção primáriaTESSER, C. D. ; SOUSA, I. M. C. de2017Caderno Saúde PublicaMedicina Tradicio nal e Complementar no BrasilRealizou-se pesquisa qualitativa baseada em dados institucionais, artigos indexados e estudos de casos em municípios brasileiros selecionados.Analisar a inserção da Medicina Tradicional e Complementar no SUS e sua integração com a atenção primária à saúde.
Práticas populares em saúde: autocuidado com feridas de usuários de plantas medicinaisSILVA, R. S. ; MATOS, L. S. L.; ARAÚJO, E. C. de ; PAIXÃO, G. P. N. ; COSTA, L. E. L.; PEREIRA, A.2014Revista Enferma gem UERJPráticas populares em saúdeRealizou-se uma pesquisa descritiva e prospectiva, numa unidade de saúde da família do município de Senhor do Bonfim, Bahia, Nordeste do Brasil, com nove clientes cadastrados.Com o objetivo de conhecer as práticas populares de cuidado com feridas contraídas por usuários de uma unidade de saúde da família.
Práticas integrativas e comple mentares e relação com promoção da saúde: experiência de um serviço municipal de saúdeLIMA, K. M. S. V. ; SILVA, K. L. ; TESSER, C. D.2014Interface: Comunica ção,Saúde, EducaçãoPráticas integrativas e comple mentaresTrata-se de um estudo descritivo e exploratório, com aporte na abordagem qualitativa cujo referencial é a dialética.Tomam-se como objeto as práticas integrativas e complementares (PIC) desenvolvidas em um serviço de referência na região metropolitana de Belo Horizonte/MG.
Um método para a implanta ção e promoção de acesso às Práticas Integrativas e Complemen tares na Atenção Primária à SaúdeSANTOS, M. C. ; TESSER, C. D.2012Práticas integrativas e comple mentaresCuja metodologia foi a pesquisa-ação, em que há estreita relação entre pesquisadores e pessoas da situação investigada do tipo participativo. Nosso objetivo é apresentar um método de implantação das PIC na Atenção Primária à Saúde, derivado da análise de experiências municipais, resultado parcial de estudo de mestrado.
Práticas integrativas e comple mentares: oferta e produção de atendimen tos no SUS e em municípios seleciona dosSOUSA, I. M. C. de; BODSTEIN, R. C. de A. ; TESSER, C. D. ; SANTOS, F. de A. da S. ; HORTALE, V. A.2012Caderno Saúde PublicaPráticas integrativas e comple mentares Buscou-se identificar a oferta dos serviços e de práticas integrativas e complementares no SUS e a produção de atendimentos entre os anos 2000 e 2011, analisando as informações disponíveis nos bancos de dados nacionais vis-à-vis os dados da atenção primária nos municípios de Campinas (São Paulo), Florianópolis (Santa Catarina) e Recife (Pernambuco).
Práticas Integrativas e Comple mentares na Atenção Primária em Saúde: em busca da humaniza ção do cuidadoSCHVEITZER, M. C. ; ESPER, M. V. ; SILVA, M. J. P. da.2012Mundo saúde (Impr.)Práticas Integrativas e Complementares na Atenção Primária em SaúdeFoi realizada uma Revisão Sistemática de Literatura
que utilizou os descritores ‘Atenção Primária em Saúde’ (Primary Health Care) e ‘Práticas Integrativas e Complementares’
(Complementary Therapies), por meio do conector AND, nas seguintes bases de dados: PubMed e EMBASE, para buscar
artigos publicados até 2011.
Esta pesquisa objetivou identificar como a incorporação de práticas integrativas e complementares na Atenção Primária
em Saúde tem auxiliado a promover a humanização do cuidado.
Contribuições para a construção da Nutrição Comple mentar IntegradaNAVOLAR, T. S. ; TESSER,C. D. ; E. de.2012Interface: Comunica ção, Saúde, EducaçãoNUTRIÇÃOCom base em revisão não sistemática e dirigida da literatura atual, é realizada, inicialmente, uma discussão sucinta que revisita alguns aspectos críticos do modelo biomédico hegemônico na área da saúde e, mais especificamente, na NutriçãoO objetivo é contextualizar a aproximação dessas ideias e práticas e apresentar um primeiro desenvolvimento de tal hipótese.
Atenção primária, atenção psicossocial, práticas integrativas e complementares e suas afinidades eletivasTESSER, C. D. ; SOUSA, I. M. C. de.2012 Saúde e SociedadeAtenção primária, atenção psicosso cial, práticas integrativas e comple mentaresDiscutem-se afinidades eletivas entre três fenômenos na área da saúde: a atenção primária à saúde (APS), a abordagem psicossocial no cuidado à Saúde Mental e uso crescente das práticas integrativas e complementares (PIC).O objetivo deste artigo é reconhecer e discutir afinidades eletivas entre a APS, a atenção psicossocial e as PIC. 
O conheci mento dos profissio nais de saúde acerca do uso de terapias comple mentares no contexto da atenção básica

NEVES, R G; Pinho, L B de; 

CARDOZO GONZALES, RI; HARTER,J; SCHNEIDER, JF; LACCHINI,AJB

2012Revista de pesquisa (Online): cuidado é fundamentalTerapias comple mentaresPesquisa qualitativa, de caráter descritivo, que foi realizada em uma Unidade Básica de Saúde (UBS), de um município da Região Sul do Brasil. Descrever o conhecimento dos profissionais de saúde acerca do uso de terapias complementares (TCs) no contexto da atenção básica.

RESULTADOS:

De acordo com a análise realizada, e após várias leituras, foi proporcionado o agrupamento das informações, de forma a reconhecer as categorias temáticas. Nas quais emergiram estas 03 unidades temáticas: 1) A realidade dos profissionais mediante as Práticas Integrativas e Complementares (PICs): acesso, oferta e utilização; 2) Práticas Integrativas e Complementares (PICs): desafios vivenciados pelos profissionais; 3) As Práticas Integrativas e Complementares na Atenção Básica: sua importância e contribuição

DISCUSSÃO:

A realidade dos profissionais mediante as Práticas Integrativas e Complementares (PICs): acesso, oferta e utilização

A utilização das PICs na Atenção Básica tem por finalidade à prevenção de agravos, além de recuperar e promover saúde. Porém tais práticas devem ser utilizadas em todos os níveis de atenção. Além disso, a sua inserção na Atenção Básica ocorre através da: Equipe de Saúde da Família, Profissional de exercício exclusivo, Núcleo de Apoio à Família (NASF).6,7

Os profissionais possuem algum tipo de especialização e expertises por conta própria em algumas das PICs. As expertises decorrem do interesse próprio do profissional ou por via institucional, observando que no primeiro ocorre um protagonismo por quem pratica enquanto no segunda é de maneira restrita e mínima. O acesso se dá através de atendimento individual e/ou grupo. A oferta ocorre por encaminhamento médico, referência de outros profissionais e por demanda espontânea. Além disso, é por iniciativa acordada tanto do usuário quanto do profissional.7,8,9,10,11

Nota-se um conflito entre as demandas espontâneas em busca das PICs e o quantitativo reduzido de profissionais que as realizam. Demonstrando a necessidade de um planejamento em sua organização, para que haja ampliação da oferta das PICs contribuindo para expansão e qualificação dessas práticas.7,9

Alguns profissionais de saúde somente ofertam e/ou utilizam as PICs mediante a existência de evidência científica. Enquanto outros demonstraram a falta de conhecimento, insegurança e fragilidade, de maneira que comprometem e limitam o seu fazer profissional diante de imensa busca da população, uma vez que desconhecem as políticas (PNPIC e PNPMF) que as viabilizem, não compreendendo as orientações e sua utilização. Também como os gestores que não demonstram sensibilidade nem promove estímulo.6,8,12

Após a legitimação institucional e profissional, cria- se a regulamentação para organização do sistema como forma de a atender as necessidades sinalizada pelos profissionais, além da análise dos dados obtidos.13

É imprescindível para que ocorra de forma sustentável a expansão das PICs na Atenção Básica, a fase de implantação. De forma descentralizada, atendendo as necessidades, e mediante a gestão participativa por meio disso, percebe-se o fortalecimento, melhorando e qualificando a oferta das PICs para que ocorra de forma cíclica e constante. Evitando assim a erradicação da oferta das práticas quando houver a transição dos governantes. Promovendo o aumento de acesso, visando à integralidade para a população da respectiva atenção a saúde, além da qualificação dos serviços prestados.13

Podendo haver a necessidade da criação de um núcleo onde terá multiprofissionais dotados de expertises em várias PICs de forma a não fragilizar, centralizar e/ou limitar o ensino de tais práticas e políticas. Promovendo o diálogo, a gestão participativa, a reflexão, de forma permanente e ocorrendo periodicamente reuniões, compartilhamento de experiência e conhecimentos, elaboração de planos com intuito de solidificar o núcleo.13

Concomitante, é preciso que seja feito um mapeamento dos profissionais para que saibam quais e quantos são capacitados nas PICs e competências específicas, para viabilizar seminários e estruturar organizacionalmente como se dará a inserção das práticas das PICs. Pois na ausência de tais profissionais deverá ser buscado quem tem interesse nas práticas.13

Práticas Integrativas e Complementares (PICs): desafios vivenciados pelos profissionais

Imprescindível o investimento e estímulo em educação continuada para estes profissionais, com a finalidade de promover a qualidade de vida para a população assistida, não só isso, capacitações para melhor abordagem. Além de garantir a continuidade e bom uso racional das práticas.6,8,14

Faz-se necessário, aqui no Brasil, que ocorra avaliação da utilização das PICs por parte dos profissionais e usuários na utilização. Pois em outros países os profissionais sinalizam que houve uma ganho substancial.7

Espera-se que haja aumento e/ou estímulo para que os cursos superiores incluam as PICs como disciplina obrigatória em sua grade curricular. E na realização de pesquisas que possam considerar a particularidade das práticas, considerando que a concepção holística do cuidado ligado as PICs auxiliem em sua prática profissional.6,10,12

A obtenção do conhecimento das PICs deve ser de forma acadêmica, e através de discussões possa viabilizar a troca de informação eficazmente.6

Muitos estudos destacam a utilização das PICs pela população, e minimamente produções sobre a oferta por meio dos sistemas de saúde.10

Observou-se também o aprendizado empírico, atrelada ao convívio social com as práticas geracionais populares, fazendo com que a cultura local tenha representatividade bem forte, demonstrando a origem da manifestação de cuidado, de forma que as tradições familiares interferem nas crenças no cuidado popular. Salienta-se que tais práticas foram mais eficazes do que os medicamentos. Pois tem transformado o sentido de adoecimento através da visão holística, promovido a autocura, além de ter feito com que o usuário tenha uma participação mais ativa. Que por outro lado, as PICs têm sido procuradas por sua característica desmedicalizante, e de maneira reduzida. E que os profissionais possam perceber apreender, valorizar tais práticas, e não ignorá-las. Valorizando as diferentes situações alternativas.8,9,11,14

A credibilidade das PICs vai de encontro ao “imediatismo” dos alopáticos, efeitos mais rápidos, porém com efeitos colaterais indesejáveis. Ocorrendo a utilização das PICs juntamente com os medicamentos alopáticos, quando é necessário. Assim, aliam-se as duas formas de cuidado, obtendo o resultado mais favorável terapeuticamente.11,14

Seguros em sua atuação para atenderem sem riscos a população, distinguindo dentre as PICs, as que são mais adequadas para cada indivíduo. Despertando o interesse em conhecerem melhor suas técnicas, obtendo o domínio, dissolvendo suas inseguranças. De maneira que os profissionais sejam mais comprometidos com a população, atuando de maneira mais consciente realizando a oferta de forma apropriada e naturalmente.14

Desafiando a muitos profissionais a terem uma visão ampliada de tratamento, construindo novas modalidades de abordagem ao indivíduo diante da visão holística, já que a alimentação está direta ou indiretamente envolvida na prevenção das doenças crônicas de alta morbimortalidade. Havendo a necessidade de avanço de diferentes perspectivas para o cuidado nutricional proporcionando ferramentas para uma reflexão quanto à participação da nutrição dentro das PICs.15

As Práticas Integrativas e Complementares na Atenção Básica: sua importância e contribuição

Houve aumento da qualidade de vida, estimulou o autocuidado, o empoderamento, a corresponsabilização, melhora da autoestima devido à concepção holística que é fundamental nas PICs. Lembrando que não só o praticante usufrui dos benefícios, mas também aqueles que lhes são próximos como a sua família.8,9

Além de promover humanização no cuidado de maneira integral, quando o sujeito perceber-se refletindo sobre seu modo de viver e de sua saúde. O engajamento do gestor na mobilização da equipe de saúde sobre as PICs, não ficando dependente dos resultados positivos e diminuição dos custos para influenciar a decisão dos gestores sobre o financiamento das PICs. Inserção das PICs irá contribuir para que haja criação de vínculos emocional entre a população assistida e os profissionais, na lógica da particularidade do sujeito e do coletivo.8,12

Incentiva a participação popular, o autocuidado, permitindo também ser uma nova abordagem terapêutica utilizada pela população com baixo poder aquisitivo. Pois a Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos (PNPMF), justifica-se por ser de baixo custo, pois resgata e valoriza o saber popular, o fácil acesso às plantas medicinais, possuindo menos efeitos colaterais, além de garantir e dar a oportunidade de escolha ao usuário do seu tratamento. O que difere da representação cultural e as formas que difere dos tratamentos habituais (cirúrgico, racionalidades médicas e medicamentosas).6,8,9,11,14

Os profissionais acreditam que as PICs possam contribuir na prevenção, reabilitação de doenças, junto com a alopatia. Tornando-se uma opção a mais, pois tem o poder de cura tanto quanto a medicação. Sendo esta que também vem da natureza, sendo assim complementar, e não dissociada entre si.14

A nutrição é de suma importância na vida dos indivíduos e já que esta vem contribuindo para a prevenção e promoção de saúde, intervindo diretamente na saúde quando integrada as PICs. Por exemplo, o benefício relativo ao aproveitamento alimentar, que de fato promove melhoria na qualidade do cardápio nutricional além de diminuir gastos. E o fortalecimento da ESF devido o NASF que favorece a presença da nutricionista na atenção básica porém, precisando definir sua atuação de forma a superar as perspectiva intervencionista de mudanças de hábitos alimentares da população.15

Destaca-se a realização do registro corretamente para que possa garantia o monitoramento e viabilize fidedignamente os dados retratando as atividades realizadas por todos os profissionais, proporcionando e favorecendo avaliações de qualidade relativa às PICs.10

Uma forma de agregar o potencial e os predicados das PICs no viés de atendimento do cuidado coletivo e individual, e também de promover a saúde será quando houver a valorização e qualificação das expertises locais além da constante educação permanente oferecida aos profissionais da equipe de saúde derivada da implantação das PICs de modo generalizado.7,8

Além de outros benefícios como: diminuição dos encaminhamentos destinados as especialidade de reumatologia e fisioterapia, redução de danos e na condução demasiada da biomedicalização.7

Diante das múltiplas formas terapêuticas vivenciadas no cotidiano do nosso país, devido à miscigenação ocorre a valorização por parte das PICs que em sua ampliação proporciona o aumento do cuidado.8

CONCLUSÃO:

Podemos concluir que Práticas Integrativas e Complementares (PICs) é um grande ganho para Atenção Básica, de maneira que pode influenciar beneficamente a vida dos profissionais e de seus usuários como foi dito anteriormente.

Para isso, terá que haver sensibilidade e interesse em valorizar as expertises que alguns profissionais já possuem nas PICs, investimento na educação permanente para fortalecer e legitimar a atuação desses profissionais de maneira que tenham habilitação, consciência e segurança naquilo que estão executando. Além disso, percepção de oportunizar aos usuários o poder de escolha de qual tratamento almeja ter.

Com as PICs a profissionais terão a oportunidade através da concepção holística, de oferecer novas formas de tratamento não visando à doença, mais sim a particularidade de cada usuário.

Além disso, é imprescindível que haja comunicação dos profissionais e equipamentos de saúde, para que seja garantindo aos usuários seu cuidado integral e não setorizado.

Que haja resolubilidade quanto ao registro que minimize ao máximo o descompasso entre o que está sendo realizado e registrado. De forma a aperfeiçoar a leitura dos dados proporcionando o monitoramento e avaliação, tornando- a muito mais efetiva. De modo a mensurar de fato a expansão das PICs e o quantitativo de profissionais habilitados, além disso, capacitar a outros que tenham interesse.

Também, que os cursos superiores possam de fato incluir em sua grade curricular as PICs, para que o profissional já saia habilitado e adquira uma expertise. De maneira que seja muito mais eficaz o seu trabalho conciliado com biomedicina.

Esperamos que com este artigo, desperte algum interesse às novas pesquisas, estudos e debates sobre as PICs.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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a Pós-Graduando em Estratégia em Saúde da Família (Vigência: Maio/2016 a Dezembro/2017) da Universidade Castelo Branco. UCB. Campus Realengo Rio de Janeiro, RJ, Brasil. Graduado com Bacharelado em Serviço Social, na Universidade Cândido Mendes – UCAM. Email: [email protected]

b Pós-Graduanda em Estratégia em Saúde da Família (Vigência: Maio/2016 a Dezembro/2017) da Universidade Castelo Branco. UCB. Campus Realengo Rio de Janeiro, RJ, Brasil. Graduado em Pedagogia na Faculdade Integrada Simonsen. Email: [email protected]

c Pós-Graduanda em Estratégia em Saúde da Família (Vigência: Maio/2016 a Dezembro/2017) da Universidade Castelo Branco. UCB. Campus Realengo Rio de Janeiro, RJ, Brasil. Graduada com Bacharelado em Serviço Social, na Universidade Cândido Mendes – UCAM. Email: [email protected]

d Doutora em Enfermagem da Escola de Enfermagem Anna Nery- UFRJ e Docente da Pós-Graduação em Estratégia em Saúde da Família da Universidade Castelo Branco. UCB. Campus Realengo Rio de Janeiro, RJ, Brasil. Email: [email protected]