AS METODOLOGIAS ATIVAS COMO ESTRATÉGIA PARA UM ENSINO MAIS ACOLHEDOR E CENTRADO NO ESTUDANTE

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REGISTRO DOI: 10.5281/zenodo.18357615


Giseli Felisberto Manique Barreto Martins1


RESUMO
Historicamente, os métodos tradicionais de ensino posicionavam o docente como figura central no processo educativo. No entanto, as transformações sociais e o impacto das novas gerações têm alterado essa dinâmica. Atualmente, o professor precisa adaptar-se às novas exigências para atrair a atenção dos alunos, uma vez que as metodologias tradicionais não conseguem competir com as tecnologias acessíveis aos estudantes. Nesse cenário, surge a necessidade de adotar metodologias ativas de aprendizagem, que promovem a participação ativa dos alunos e o desenvolvimento de habilidades críticas. Para isso, é fundamental que o professor esteja em constante formação, adaptando suas práticas pedagógicas e integrando novas abordagens. Neste sentido, o gestor pode contribuir, incentivando a capacitação contínua dos docentes e garantindo condições para a implementação eficaz dessas práticas. O presente estudo teve como objetivo realizar uma pesquisa qualitativa com os professores de uma escola de Educação Básica, a qual atende Educação Infantil e Anos Iniciais. Por meio de um formulário eletrônico, investigou o uso das metodologias ativas como ferramenta para aprimorar a prática pedagógica, a frequência e as formas de utilização das metodologias ativas por professores, bem como, os desafios encontrados ao longo do percurso. Os resultados revelaram que a maioria dos professores não tem conhecimentos aprofundados, mas demonstraram interesse e curiosidade por formação continuada acerca do tema. Além disso, a maioria reconheceu que, quando os alunos se envolvem de forma mais ativa nas aulas, sua aprendizagem melhora significativamente. Esses dados evidenciam a necessidade de investir em programas de capacitação, promovendo a qualificação dos docentes para o uso das metodologias ativas. 
Palavras-chave: Metodologias Ativas. Aprendizagem. Professor. Aluno.

ABSTRACT
Historically, traditional teaching methods have positioned teachers as the central figure in the educational process. However, social transformations and the impact of new generations have changed this dynamic. Nowadays, teachers need to adapt to new demands in order to attract students' attention, since traditional methodologies cannot compete with the technologies accessible to students. In this scenario, there is a need to adopt active learning methodologies that promote active student participation and the development of critical skills. To this end, it is essential that teachers undergo ongoing training, adapting their pedagogical practices and integrating new approaches. In this sense, managers can contribute by encouraging ongoing training of teachers and ensuring conditions for the effective implementation of these practices. The present study aimed to conduct qualitative research with teachers at a Basic Education school that serves Early Childhood Education and the Early Years. Using an electronic form, the study investigated the use of active methodologies as a tool to improve pedagogical practice, the frequency and ways in which active methodologies were used by teachers, as well as the challenges encountered along the way. The results revealed that most teachers do not have indepth knowledge, but they demonstrated interest and curiosity in continuing education on the subject. In addition, most teachers recognized that when students are more actively involved in class, their learning improves significantly. These data highlight the need to invest in training programs, promoting the qualification of teachers for the use of active methodologies. 
Keywords: Active Methodologies. Learning. Teacher. Student.

INTRODUÇÃO

No contexto educacional contemporâneo, a busca por práticas pedagógicas inovadoras tem se intensificado, especialmente no que se refere à promoção de um ensino mais significativo e centrado no estudante.

As metodologias ativas de aprendizagem têm se destacado como estratégias capazes de transformar o processo de ensino, tornando os alunos protagonistas da própria aprendizagem. Essas metodologias favorecem o desenvolvimento de competências e habilidades, promovendo o engajamento, a autonomia e o pensamento crítico. Na prática escolar, observa-se uma crescente demanda por abordagens que despertem o interesse dos estudantes e que favoreçam a construção do conhecimento de forma dinâmica e contextualizada.

Em instituições de educação básica, a gestão pedagógica tem um papel fundamental no acompanhamento e na formação continuada dos docentes, sendo responsável por orientar a implementação de práticas que contribuam para a melhoria da qualidade do ensino.

A utilização de metodologias ativas, associada ao uso de tecnologias digitais, amplia as possibilidades de acesso à informação e à comunicação, permitindo experiências de aprendizagem mais ricas e interativas. No entanto, mesmo diante das inúmeras possibilidades que essas metodologias oferecem, ainda é necessário compreender em que medida elas estão sendo utilizadas no cotidiano das salas de aula e como têm contribuído para a transformação das práticas pedagógicas.

Aborda-se então as vantagens de inovar na sala de aula com metodologias diferenciadas que tornem as aulas mais prazerosas e participativas, pois no mundo tecnológico e globalizado que estamos vivendo atualmente os modelos tradicionais de ensinar onde o aluno era passivo não conseguem mais dar conta desta nova geração que tem a informação na palma da sua mão, por isso a urgência em inovar e buscar por novas estratégias metodológicas de ensinar e envolver os estudantes.

A educação contemporânea exige práticas pedagógicas que promovam a autonomia, o pensamento crítico e o protagonismo estudantil. Nesse cenário, as metodologias ativas surgem como alternativas eficazes para transformar o processo de ensino-aprendizagem, tornando-o mais significativo e alinhado às demandas do século XXI. No entanto, mesmo com sua crescente difusão nos discursos pedagógicos, ainda é perceptível uma lacuna entre teoria e prática no ambiente escolar.

A escolha de uma escola pública de ensino fundamental como campo de investigação justifica-se pela necessidade de compreender como as metodologias ativas têm sido apropriadas pelos docentes no contexto da educação básica.

A partir dessa compreensão, será possível refletir sobre os desafios enfrentados pelos profissionais da educação na implementação dessas estratégias, bem como propor ações que contribuam para sua efetiva aplicação.

Esta pesquisa justifica-se, ainda, pela relevância de promover uma reflexão crítica acerca do papel do professor como mediador do conhecimento, e de ampliar o repertório metodológico disponível para a prática docente. Os resultados poderão subsidiar formações continuadas e práticas pedagógicas mais inovadoras, beneficiando diretamente a comunidade escolar. As metodologias ativas têm ganhado destaque no cenário educacional por promoverem a centralidade do aluno no processo de aprendizagem. Ao contrário das abordagens tradicionais, essas metodologias propõem que o estudante participe ativamente da construção do conhecimento, desenvolvendo competências cognitivas, socioemocionais e práticas essenciais para o seu desenvolvimento integral.

Segundo Soares (2021), as metodologias ativas consistem em estratégias que incentivam o aluno a pesquisar, resolver problemas, interagir com colegas e refletir sobre sua própria aprendizagem. Esse movimento pedagógico busca romper com a lógica transmissiva e favorecer uma aprendizagem mais significativa, baseada na experimentação, colaboração e autonomia.

Entre as principais abordagens associadas às metodologias ativas, destacam-se a Aprendizagem Baseada em Projetos (ABP), a Aprendizagem Baseada em Problemas (PBL), a Sala de Aula Invertida (Flipped Classroom), os estudos de caso, o ensino híbrido e o uso de jogos educacionais. Todas essas metodologias compartilham o objetivo de tornar o aluno protagonista e engajado em sua trajetória formativa.

Soares (2021) enfatiza que, para que essas práticas sejam efetivas, é necessário um planejamento pedagógico consistente, formação continuada dos docentes e uma cultura escolar que valorize a inovação e a experimentação. Além disso, a integração das tecnologias digitais à prática pedagógica pode potencializar os efeitos das metodologias ativas, desde que utilizadas de forma crítica e intencional.

Nesse sentido, compreender como essas estratégias têm sido aplicadas na educação básica e em que medida são conhecidas e utilizadas pelos professores da escola em questão é fundamental para o fortalecimento de práticas pedagógicas mais alinhadas às demandas atuais.

FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

Ensinar de modo ativo e significativo sempre foi e ainda continua sendo um grande desafio. As metodologias ativas têm suas raízes em teorias educacionais que enfatizam a participação ativa do aluno no processo de aprendizagem, contrastando com abordagens tradicionais centradas na transmissão passiva de conhecimento.

Essas metodologias emergiram como resposta à necessidade de tornar a educação mais dinâmica, significativa e alinhada às demandas sociais e culturais de cada época. O conceito de envolvimento ativo do aluno remonta a pensadores como Jean-Jacques Rousseau, que, no século XVIII, defendia uma educação que respeitasse a natureza e os interesses da criança. No final do século XIX, o movimento da Educação Nova, impulsionado por educadores como Ovide Decroly, Célestin Freinet, Maria Montessori e Jean Piaget, consolidou práticas pedagógicas que colocavam o aluno no centro do processo educativo. Essas práticas incluíam o trabalho em grupo, a aprendizagem por descoberta e o estudo do meio.

Rousseau, em sua obra Emílio ou Da Educação (1762), argumenta que a educação deve estar alinhada com as necessidades e a natureza da criança, e que os métodos de ensino devem partir de suas próprias experiências e interesses, em vez de serem impostos externamente. Rousseau enfatiza a aprendizagem ativa e o respeito pelas etapas naturais de desenvolvimento da criança, o que é um marco importante para o conceito de envolvimento ativo.

No início do século XX, John Dewey, nos Estados Unidos, propôs uma educação centrada na criança e na atividade, com base em suas necessidades e interesses. Ele enfatizava a aprendizagem pela experiência própria, destacando metodologias como a solução de problemas e o trabalho em grupo.

Segundo Soares (2021, p.25) “com o passar dos anos, outros teóricos e pesquisadores da Educação apresentam estudos e pesquisas sobre o desenvolvimento humano e pedagógico ressaltando os alunos no centro do processo e concedendo aos educadores um embasamento de práticas inovadoras”. É fundamental revisitar as contribuições dos autores mencionados, pois foram eles os pioneiros no desenvolvimento das metodologias ativas.

Movidos por sua inquietação e insatisfação com os modelos tradicionais de ensino, eles romperam com a concepção de educação como um processo unidirecional (em que o professor apenas “depositava” o conhecimento nos alunos) e abriram caminhos para práticas pedagógicas mais participativas, nas quais os estudantes se tornam protagonistas da própria aprendizagem. Frente a essas mudanças, muitas escolas conseguiram transformar suas realidades educacionais. As produções dos autores citados anteriormente apresentam em comum o foco no estudante; evidenciado no processo de aprendizagem, em que se preconiza a autonomia, o protagonismo e a autoria dos educandos.

Há uma intensa crítica ao ensino tradicional, massificando e descontextualizando. (Soares, 2021, p. 27). Portanto, estudos em neurociência aplicadas ao ensino vêm ao encontro de uma visão personalizada no processo de elaboração do conhecimento, ressaltando a importância da aprendizagem significativa para que sejam registradas memórias.

Ao considerar que o cérebro aprende de forma mais eficaz quando o conteúdo é relevante e emocionalmente envolvente, torna-se essencial repensar as práticas pedagógicas, priorizando metodologias que valorizem a construção ativa do saber. Nesse contexto, o papel do educador transforma-se em mediador, promovendo ambientes de aprendizagem que estimulem a curiosidade, a autonomia e o engajamento dos alunos. Assim, o ensino deixa de ser um processo de mera transmissão de informações para tornar-se uma experiência rica em significado, favorecendo não apenas a retenção do conhecimento, mas também o desenvolvimento integral do estudante.

Atualmente, ser professor é um grande desafio, pois os alunos têm acesso, cada vez mais cedo as novas tecnologias e as ferramentas digitais, as quais transformam a maneira como aprendem e interagem com o conhecimento. Essas inovações, ao mesmo tempo que ampliam as possibilidades de ensino, exigem que o educador esteja em constante atualização, buscando estratégias que integrem os recursos digitais ao processo pedagógico de maneira significativa.

Diante deste cenário, o professor precisa não apenas dominar o conteúdo, mas também compreender as dinâmicas do mundo digital para tornar suas aulas mais atrativas, interativas e alinhadas a realidade dos estudantes.

A partir de meados do século XXI, os estudantes passaram a apresentar maiores exigências, em grande parte em decorrência do avanço das tecnologias digitais de informação e comunicação. Os discentes pertencentes à Geração Alpha — definida por Soares (2021) como composta por crianças nascidas entre os anos de 2010 a 2025 — já nascem inseridos em um contexto amplamente conectado, estabelecendo vínculos e interações com o ambiente digital desde os primeiros anos de vida.

Nos primeiros anos de vida, a geração Alpha já demonstra um perfil altamente híbrido, sendo considerada a mais transformadora de todas as gerações. Possuem características singulares, moldadas pelo contexto no qual estão inseridos e pela grande quantidade de estímulos a que são constantemente expostos desde muito cedo.

De acordo com Soares (2021, p.45), “são autodidatas e extremamente curiosas, essas crianças se tornam mais questionadoras. Refutam tudo o que lhes foi apresentado, pois têm acesso à informação, conhecem o caminho para aprofundar e ampliar os conhecimentos”

Nesse sentido, é imprescindível que o professor não adote uma postura acomodada; ao contrário, deve manter-se em constante processo de formação continuada. O educador que demonstra disposição para inovar suas práticas pedagógicas por meio da implementação de metodologias ativas possui elevada probabilidade de se surpreender positivamente com os resultados obtidos em sala de aula, uma vez que os discentes tendem a apresentar maior participação e engajamento na resolução de problemas. Esta reflexão enfatiza o caráter transformador das metodologias ativas no âmbito da prática pedagógica, evidenciando de que maneira essas abordagens podem contribuir para a formação de docentes aptos a promover um ambiente educacional simultaneamente desafiador e acolhedor.

As mídias digitais surgiram com as novas tecnologias, são elas: computadores, telefones, celulares, smartphones, CDs, etc. Elas podem ser definidas como o um conjunto de veículos que levam a informação ao seu destino de forma bilateral, ou seja é possível que o receptor interaja com algumas destas mídias, dando feedbacks e se comunicando em tempo real.

Segundo Martino, (2021, p. 44, como citado em Caetano, 2022), “a internet e as mídias digitais abriram espaços de interação em comunidades até então desconhecidos, aumentando as possibilidades de estabelecimento de laços entre seres humanos”. Atualmente vivemos em uma era digital, o que pode contribuir para comunicação, pois através da internet podemos falar e ver pessoas do outro lado do mundo. Podemos adentrar em ambientes virtuais e explorar diversos recursos e interagir com outras pessoas apenas com um clique. Com a internet, vimos desaparecer os limites físicos, espaciais e temporais. Segundo Caetano (2022, p.10) “Assistimos ao surgimento das comunidades virtuais, que promovem a integração de pessoas com interesses comuns por meio de intercâmbio de informações e experiências”.

Com as novas tecnologias tudo ficou mais rápido e dinâmico, desta forma as informação são compartilhada instantaneamente e com muita rapidez. Por isso o professor deve estar em constante formação para que possa acompanhar a evolução das metodologias e assim proporcionar aulas prazerosas e significativas.

A escola pública por sua vez, vinculada ao Estado, carece de políticas públicas de formações continuadas, aperfeiçoamento, geração de aprendizagens sobre novas mídias e tecnologias. Mas aqui cabe destacar que não se trata de capacitação para o uso das ferramentas físicas, por exemplo: como utilizar da melhor maneira a câmera de um celular. Trata-se do uso de recursos tecnológicos, representado na aplicação de uma pedagogia que conscientize, problematize, que crie saberes, contribua na formação de caráter, comportamentos adequados a uma sociedade que está em constante mudança de hábitos e valores.

Refletir sobre a gestão escolar no contexto de uma pesquisa sobre metodologias ativas nos leva a considerar o papel estratégico que a gestão exerce no incentivo e sustentação de práticas pedagógicas inovadoras. A aplicação de um questionário que investiga o uso dessas metodologias por professores revela, implicitamente, um cenário em que a gestão deve estar atenta a três dimensões principais: apoio pedagógico, cultura institucional e liderança transformadora.

Buscou-se, assim, verificar o nível de conhecimento dos docentes sobre o tema, identificar se já participaram de formações relacionadas e com que frequência aplicam essas metodologias em sala de aula. Entende-se que a prática pedagógica não ocorre de forma isolada, mas é influenciada por múltiplas dimensões que envolvem tanto o contexto institucional quanto as condições sociais mais amplas, pois conhecer o fazer docente é essencial para transformar a prática pedagógica; não se muda o ensino sem escutar quem ensina. Como destaca Gil (2008), a prática escolar consiste na concretização das condições que asseguram a realização do trabalho docente. Tais condições não se reduzem ao estritamente 'pedagógico', revelando que compreender o fazer docente exige considerar os fatores estruturais e formativos que permeiam o cotidiano escolar.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

As metodologias ativas configuram-se como um conjunto de estratégias pedagógicas que deslocam o estudante do papel passivo para uma posição central no processo de ensino-aprendizagem. Conforme Silva et al. (2020), essas metodologias valorizam a participação ativa, a autonomia e a construção significativa do conhecimento. Ao promover o protagonismo discente, o ensino torna-se mais acolhedor, pois respeita os ritmos, experiências e necessidades individuais dos aprendizes.

Cunha et al. (2002) destacam que as metodologias ativas não constituem uma técnica isolada, mas uma mudança paradigmática no modo de compreender o ensinar e o aprender. Essa abordagem rompe com modelos tradicionais centrados na transmissão de conteúdos e favorece práticas pedagógicas mais dialógicas. Tal mudança contribui para a criação de ambientes educacionais mais humanos e inclusivos.

Moran (2012) afirma que o ensino centrado no estudante pressupõe a valorização da curiosidade, da investigação e da resolução de problemas reais. Nesse contexto, as metodologias ativas aproximam o processo educativo da vida cotidiana do aluno. Essa aproximação fortalece o vínculo entre estudante e escola, tornando o ensino mais acolhedor e significativo.

Kenski (2012) ressalta que as transformações tecnológicas exigem novas formas de ensinar e aprender. As metodologias ativas dialogam diretamente com a cultura digital, pois estimulam a interação, a colaboração e o uso crítico das mídias digitais. Dessa forma, o estudante sente-se mais integrado ao processo educativo, reconhecendo sentido nas práticas propostas.

Caetano (2022) enfatiza que as mídias digitais ampliam as possibilidades de aplicação das metodologias ativas. Ambientes virtuais, plataformas colaborativas e recursos multimodais favorecem aprendizagens mais dinâmicas. Quando bem articuladas, essas ferramentas contribuem para um ensino centrado no estudante e atento às suas formas contemporâneas de aprender.

Do ponto de vista metodológico, Bardin (2011) contribui ao destacar a importância da análise crítica e reflexiva dos processos educativos. As metodologias ativas exigem constante avaliação das práticas pedagógicas, permitindo ao professor reorganizar suas ações. Esse movimento reflexivo fortalece um ensino mais sensível às demandas dos estudantes.

Tardif (2002) argumenta que os saberes docentes são construídos na articulação entre teoria, prática e experiência. As metodologias ativas valorizam essa articulação ao permitir que o professor atue como mediador da aprendizagem. Essa postura docente favorece relações pedagógicas mais horizontais e acolhedoras.

Soares (2021) destaca que as metodologias ativas promovem experiências de aprendizagem mais envolventes. Ao participar ativamente das atividades, o estudante desenvolve senso de pertencimento e responsabilidade. Esses elementos são fundamentais para a construção de um ambiente educacional acolhedor e motivador.

Rousseau (2004), ao discutir a educação centrada no desenvolvimento natural do indivíduo, antecipa princípios que hoje fundamentam as metodologias ativas. O respeito às fases de desenvolvimento e às necessidades do educando reforça a importância de práticas pedagógicas personalizadas. Assim, o ensino torna-se mais humano e centrado no estudante.

Creswell (2010) contribui ao evidenciar a relevância de abordagens qualitativas para compreender as experiências educacionais. As metodologias ativas favorecem esse olhar, pois consideram o estudante como sujeito ativo do processo. Essa perspectiva amplia a compreensão sobre aprendizagem e acolhimento no contexto escolar.

Narciso, Valente e Reis (2024) ressaltam que a formação docente precisa incorporar as metodologias ativas de forma consistente. Professores preparados para utilizar essas estratégias tendem a criar práticas mais inclusivas. A formação continuada torna-se, portanto, elemento essencial para consolidar um ensino centrado no estudante.

Silva et al. (2020) apontam que as metodologias ativas estimulam o pensamento crítico e a autonomia intelectual. Essas competências fortalecem a autoestima do estudante, que passa a se reconhecer como agente do próprio aprendizado. Esse reconhecimento contribui para um ambiente educacional mais acolhedor.

Moran (2012) destaca que o papel do professor, nesse contexto, é orientar, provocar e apoiar o estudante. Essa relação pedagógica baseada no diálogo favorece a construção de vínculos afetivos no processo educativo. O acolhimento passa a ser entendido como dimensão pedagógica fundamental.

Kenski (2012) observa que o uso consciente das tecnologias potencializa as metodologias ativas. Ao integrar recursos digitais às práticas pedagógicas, amplia-se o acesso à informação e à colaboração. Esse movimento contribui para reduzir distâncias entre professor e aluno.

Caetano (2022) reforça que a dinâmica conceitual das mídias digitais exige metodologias que valorizem a interação. As metodologias ativas respondem a essa exigência ao promover aprendizagens participativas. Assim, o ensino torna-se mais alinhado às expectativas dos estudantes contemporâneos.

Cunha et al. (2002) afirmam que a caracterização das metodologias ativas envolve a centralidade do estudante e a problematização do conhecimento. Essas características favorecem aprendizagens contextualizadas e significativas. O estudante passa a perceber sentido no que aprende.

Tardif (2002) destaca que o saber docente é também relacional. As metodologias ativas fortalecem essa dimensão ao incentivar a escuta e a participação discente. Dessa forma, o ensino se configura como prática dialógica e acolhedora.

Soares (2021) aponta que experiências baseadas em metodologias ativas favorecem o engajamento e a permanência dos estudantes. Ao sentir-se parte do processo, o aluno desenvolve maior compromisso com a aprendizagem. Isso contribui para reduzir evasão e desmotivação.

Rousseau (2004) defende que a educação deve respeitar a liberdade e a individualidade do educando. As metodologias ativas incorporam esse princípio ao permitir escolhas e percursos diferenciados. O ensino torna-se mais flexível e centrado no estudante.

Creswell (2010) ressalta que compreender o contexto educacional é essencial para o sucesso das práticas pedagógicas. As metodologias ativas permitem essa compreensão ao valorizar a experiência do estudante. Assim, o acolhimento emerge como resultado de práticas contextualizadas.

Narciso, Valente e Reis (2024) indicam que a aplicação das metodologias ativas na formação docente amplia a consciência pedagógica. Professores formados nessa perspectiva tendem a adotar práticas mais empáticas. Isso impacta diretamente a qualidade das relações em sala de aula.

Kenski (2012) afirma que aprender em rede exige colaboração e diálogo. As metodologias ativas favorecem esse modelo ao incentivar trabalhos em grupo e aprendizagem coletiva. O ambiente educacional torna-se mais solidário e acolhedor.

Moran (2012) destaca que o ensino centrado no estudante reconhece o erro como parte do processo de aprendizagem. Essa visão reduz a ansiedade e promove segurança emocional. O acolhimento, nesse sentido, fortalece o desenvolvimento integral do aluno.

Silva et al. (2020) apontam que metodologias ativas estimulam a aprendizagem significativa ao relacionar teoria e prática. Essa relação fortalece a compreensão dos conteúdos. O estudante passa a se sentir mais confiante em seu processo formativo.

Caetano (2022) reforça que a integração entre mídias digitais e metodologias ativas exige planejamento pedagógico. Quando bem estruturadas, essas práticas ampliam a participação discente. O ensino torna-se mais dinâmico e inclusivo.

Cunha et al. (2002) destacam que a definição de metodologias ativas está relacionada à transformação do papel do estudante. Essa transformação impacta positivamente o clima escolar. Relações mais horizontais favorecem o acolhimento.

Tardif (2002) enfatiza que o professor aprende ao ensinar. As metodologias ativas potencializam esse processo ao promover trocas constantes. O ensino torna-se espaço de aprendizagem mútua.

Soares (2021) afirma que a experiência de aprendizagem ativa contribui para o desenvolvimento da autonomia. Estudantes autônomos tendem a se envolver mais profundamente com o conhecimento. Isso fortalece o sentido de pertencimento.

Rousseau (2004) inspira uma educação que respeita o tempo do aprendiz. As metodologias ativas incorporam esse respeito ao permitir percursos diferenciados. O ensino acolhedor reconhece a diversidade dos estudantes.

As metodologias ativas constituem uma estratégia potente para promover um ensino mais acolhedor e centrado no estudante. Fundamentadas na participação, na autonomia e na interação, essas práticas fortalecem vínculos pedagógicos e favorecem aprendizagens significativas. Conforme os autores analisados, sua efetivação depende da formação docente, do planejamento pedagógico e de uma concepção de educação comprometida com o desenvolvimento integral do estudante.

CONCLUSÃO

O uso de metodologias ativas de aprendizagem tem se mostrado fundamental para a melhoria da qualidade educacional. Essas metodologias estimulam a participação ativa dos alunos no processo de aprendizagem, promovendo o desenvolvimento de habilidades críticas, colaborativas e de resolução de problemas. Ao substituir práticas passivas, nas quais o aluno é um espectador, por abordagens mais dinâmicas, é possível envolver o estudante de maneira mais profunda, contribuindo para o seu aprendizado significativo e duradouro.

Além disso, a pesquisa revelou que os professores reconhecem a importância do envolvimento ativo dos alunos para o aprimoramento do processo de aprendizagem. O envolvimento direto dos estudantes nas atividades escolares é considerado um fator determinante para o aumento da eficácia do ensino, o que reforça a necessidade de implementar metodologias que estimulem essa participação o de forma mais intensiva e estruturada.

Portanto, é imprescindível que a escola invista em programas de capacitação contínua para seus docentes, promovendo um ambiente de aprendizagem mais colaborativo e atualizado com as necessidades contemporâneas.

O papel do gestor educacional é essencial nesse processo, oferecendo o suporte necessário para que os professores possam incorporar as metodologias ativas de maneira eficaz. Com isso, será possível criar um espaço educacional mais envolvente, capaz de atender às expectativas dos alunos e melhorar a qualidade do ensino oferecido.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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1 Graduada em pedagogia. Especializada em interdisciplinaridade, Neuropsicopedagogia Clínica e Gestão escolar. Mestrando em Tecnologias Emergentes em Educação pela Must University. E-mail: [email protected]