REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/793746818
RESUMO
O envelhecimento populacional e o processo de institucionalização podem produzir mudanças nas relações sociais, na autonomia e na vida emocional da pessoa idosa, evidenciando a necessidade de estratégias que favoreçam seu bem-estar e qualidade de vida. Nesse contexto, a arteterapia apresenta-se como um recurso terapêutico que pode favorecer a expressão emocional e a elaboração subjetiva de idosos institucionalizados. Considerando a relevância da temática, o presente estudo abordou as contribuições da arteterapia para a promoção da saúde emocional de idosos institucionalizados e teve como objetivo analisar, por meio de revisão bibliográfica, suas contribuições nesse contexto. Para alcançá-lo, buscou-se contextualizar a atuação do psicólogo no uso da arteterapia como recurso complementar em Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPI), identificar as principais atividades de arteterapia utilizadas com essa população e analisar suas contribuições para a promoção da saúde emocional. Realizou-se uma pesquisa de revisão bibliográfica, de abordagem qualitativa e caráter exploratório, fundamentada na análise de livros, artigos científicos e documentos relacionados à temática. Os resultados evidenciaram contribuições da arteterapia para a expressão de sentimentos e conteúdos difíceis de verbalizar, o fortalecimento da autoestima e da identidade e a ampliação da interação social, favorecendo vínculos e sentimento de pertencimento. Também foram identificadas contribuições relacionadas à estimulação cognitiva e motora, à autonomia e ao bem-estar emocional. Quanto à atuação do psicólogo, a literatura analisada destacou seu papel como facilitador das intervenções, especialmente na criação de espaços de acolhimento, expressão e elaboração subjetiva. Concluiu-se que a arteterapia constitui um recurso complementar relevante para a promoção da saúde emocional de idosos institucionalizados, embora a ausência de protocolos padronizados limite a comparação entre estudos e evidencie a necessidade de novas pesquisas.
Palavras-chave: Arteterapia; Idosos institucionalizados; Psicologia; Saúde emocional.
ABSTRACT
Population aging and the institutionalization process may produce changes in social relationships, autonomy, and the emotional life of older adults, highlighting the need for strategies that promote their well-being and quality of life. In this context, art therapy is presented as a therapeutic resource that may foster emotional expression and subjective elaboration among institutionalized older adults. Considering the relevance of this topic, the present study addressed the contributions of art therapy to the promotion of emotional health among institutionalized older adults and aimed to analyze its contributions in this context through a literature review. To achieve this objective, the study sought to contextualize the psychologist’s role in the use of art therapy as a complementary resource in Long-Term Care Institutions for Older Adults (ILPI), identify the main art therapy activities used with this population, and analyze their contributions to the promotion of emotional health. A qualitative, exploratory literature review was conducted based on the analysis of books, scientific articles, and documents related to the topic. The results demonstrated that art therapy contributes to the expression of feelings and content that is difficult to verbalize, strengthens self-esteem and identity, and expands social interaction, fostering bonds and a sense of belonging. Contributions related to cognitive and motor stimulation, autonomy, and emotional well-being were also identified. Regarding the psychologist’s role, the analyzed literature highlighted their role as a facilitator of interventions, particularly in creating spaces for welcoming, expression, and subjective elaboration. It was concluded that art therapy constitutes a relevant complementary resource for promoting the emotional health of institutionalized older adults, although the absence of standardized protocols limits comparisons among studies and highlights the need for further research.
Keywords: Art Therapy; Emocional Health; Institutionalized Older Adults; Psychology.
1. INTRODUÇÃO
O envelhecimento populacional tem se intensificado nas últimas décadas, tornando-se um fenômeno social relevante em diversos países, inclusive no Brasil. Com o aumento da expectativa de vida, cresce também o número de idosos que necessitam de cuidados contínuos, o que muitas vezes leva à institucionalização em Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPI). Com base nos dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), até 2022 o número de idosos vivendo em instituições de longa permanência ultrapassava 160 mil.
Nesse contexto, embora essas instituições desempenhem um papel importante na assistência e no cuidado, a mudança de ambiente pode gerar impactos significativos na vida emocional dos idosos. As leituras cientificas apontam que a institucionalização frequentemente envolve sentimentos de isolamento, perda de vínculos sociais, dificuldades na expressão de emoções e a necessidade de adaptação a regras e rotinas completamente novas. Diante desse cenário, torna-se fundamental refletir sobre estratégias que promovam o bem-estar emocional dessa população.
Nesse contexto, a saúde emocional pode ser compreendida como a capacidade do indivíduo de reconhecer, expressar e lidar com suas emoções, mantendo relações sociais e condições que favoreçam seu bem-estar e sua qualidade de vida. Para os idosos institucionalizados, essa dimensão assume particular importância diante das mudanças decorrentes do processo de institucionalização. Nesse sentido, a arteterapia destaca-se como uma prática que utiliza diferentes formas de expressão artística como instrumento terapêutico.
De acordo com perspectiva da psicologia analítica de Carl Gustav Jung (1971), a expressão simbólica por meio da arte possibilita o acesso a conteúdo do inconsciente, contribuindo para processos de elaboração psíquica e para o autoconhecimento. No contexto brasileiro, o trabalho desenvolvido por Nise da Silveira (1905-1999) reforça a importância da arte como meio de expressão e cuidado em saúde mental. A psiquiatra evidenciou, por meio de suas experiências clínicas, que a produção artística pode favorecer a expressão de afetos, a organização psíquica e o fortalecimento da subjetividade, contribuindo para processos terapêuticos mais humanizados.
Os estudos analisados têm apontado que a arteterapia, quando aplicada a idosos institucionalizados, possibilita a expressão de sentimentos, estimula a cognição e a coordenação motora, além de promover a autoestima e o convívio social. Nesse sentido, evidências internacionais apontam associações entre intervenções artísticas realizadas em grupo e redução de sintomas depressivos e ansiosos em idosos.
Dessa forma, a presente pesquisa justifica-se pela relevância social e científica de ampliar a compreensão acerca das contribuições da arteterapia para o bem-estar emocional de idosos institucionalizados. Ao reunir e analisar as evidências disponíveis na literatura, o estudo busca contribuir para o fortalecimento do conhecimento sobre a utilização da arteterapia nesse contexto e fomentar reflexões acerca de estratégias voltadas à promoção da saúde emocional e da qualidade de vida dessa população.
A pergunta que norteia este estudo é: de que forma a arteterapia pode contribuir para a saúde emocional de idosos institucionalizados? Para responder a essa questão, o objetivo geral visa analisar, por meio de revisão bibliográfica, as contribuições da arteterapia para a promoção da saúde emocional de pessoa idosa residente em ILPI. Os objetivos específicos incluem: contextualizar, com base na literatura, a atuação do psicólogo no uso da arteterapia como recurso complementar no contexto das ILPI; identificar as principais atividades de arteterapia utilizadas nesse contexto, conforme descrito na literatura; e analisar os benefícios da arteterapia para a promoção da saúde emocional de idosos institucionalizados, com base nas evidências disponíveis.
Metodologicamente, esta pesquisa caracteriza-se como uma revisão bibliográfica, de abordagem qualitativa e caráter exploratório. fundamentada na análise de livros, artigos científicos e documentos oficiais relacionados à temática. A busca bibliográfica será realizada em bases e plataformas acadêmicas, incluindo SciELO, PePSIC, Google Acadêmico, PubMed e Portal de Periódicos CAPES, utilizando descritores relacionados à arteterapia, idosos institucionalizados, saúde emocional, psicologia e ILPI, nos idiomas português e inglês.
Sendo considerados artigos científicos completos publicados nos últimos seis anos que abordem a utilização da arteterapia com idosos institucionalizados ou em contextos de cuidado semelhantes. Sendo excluídos resumos, editoriais, cartas ao editor e estudos que não apresentem relação direta com os objetivos da pesquisa. Após a seleção, os materiais foram submetidos a leitura e análises, com organização dos achados conforme os objetivos da pesquisa.
Dessa forma, a pesquisa busca, reunir as evidências disponíveis na literatura e ampliar a compreensão sobre a arteterapia como recursos complementar no cuidado à saúde emocional dessa população.
2. ARTETERAPIA E IDOSOS INSTITUCIONALIZADOS
2.1. Atuação do Psicólogo na Arteterapia com Idosos Institucionalizados
O envelhecimento se destaca como uma fase natural do desenvolvimento humano, caracterizada por mudanças biológicas, psicológicas e sociais que ocorrem progressivamente ao longo da vida. Nas últimas décadas, esse processo tem se tornado cada vez mais visível em escala mundial, sobretudo em função do crescimento significativo da população idosa. No Brasil, essa transição demográfica acontece de maneira acelerada, o que representa um importante desafio para a estruturação e adaptação dos serviços de saúde (IBGE, 2022).
Em concordância com o exposto acima, Papalia e Feldman (2013) destacam que o envelhecimento envolve mudanças significativas em diversas áreas da vida do indivíduo, como declínio funcional, alterações cognitivas e diminuição das interações sociais, aspectos que podem comprometer a autonomia e a independência do idoso. Em decorrência dessas transformações, muitos idosos passam a demandar cuidados contínuos, o que, em determinadas situações, pode resultar na institucionalização em Instituições de Longa Permanência para Idosos.
Nesse contexto, é importante destacar que a institucionalização muitas vezes intensifica as alterações de humor, sensação de invalidez, de tristeza, abandono, favorecendo assim os pensamentos negativos de forma excessiva, fatores que contribuem significativamente para a existência de até mesmo sintomas físicos. Dessa forma, a ruptura com o ambiente familiar, rotina, vínculos afetivos e sociais é fator que influencia de forma significativa o emocional do indivíduo (Silva; Aléssio, 2023).
Nesse contexto, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (2020, s.p.) destaca que, as “ILPIs são instituições governamentais ou não governamentais, de caráter residencial, destinadas ao domicílio coletivo de pessoas com idade igual ou superior a 60 anos, com ou sem suporte familiar e em condições de liberdade, dignidade e cidadania”. Nesse sentido, as Instituições de Longa Permanência para Idosos devem proporcionar ambientes que promovam o bem-estar integral do indivíduo, uma vez que a ruptura com seu contexto de vida anterior pode gerar impactos significativos de natureza emocional, social e psicológica (Silva; Aléssio, 2023).
Diante disso, a atuação do psicólogo nas Instituições de Longa Permanência para Idosos é de suma importância, uma vez que esse profissional contribui para a promoção de um envelhecimento com dignidade, autonomia e qualidade de vida. É importante destacar que, as psicologias dispõem de diferentes recursos respaldados cientificamente, que contribuem efetivamente para o enfrentamento das questões emocionais, cognitivas e sociais que surgem do processo de envelhecimento (CFP, 2025).
Para Erikson (1998), o envelhecimento faz parte de um processo contínuo de desenvolvimento humano, dividido em estágios ao longo da vida. Na velhice, o indivíduo vivencia o último estágio marcado por conflito entre aceitação e desesperança. Sob essa ótica, o psicólogo exerce um papel essencial ao oferecer suporte para que o idoso elabore suas experiências, fortaleça a autoestima e identidade, ressignifique vivências e utilize técnicas para estimular a cognição e a coordenação motora.
Em concordância a isso, a arteterapia apresenta-se como uma importante estratégia de cuidado voltada à promoção da saúde da pessoa idosa, considerando que seu potencial de estimulação favorece o fortalecimento das interações sociais e o desenvolvimento da autoestima nessa população. Conforme visto acima, Brasil (2022, s.p.) destaca que:
A arteterapia é prática expressiva artística, visual, que atua como elemento terapêutico na análise do consciente e do inconsciente e busca interligar os universos interno e externo do indivíduo, por meio da sua simbologia, favorecendo a saúde física e mental. Arte livre conectada a um processo terapêutico, transformando-se numa técnica especial, não meramente artística, que pode ser explorada com fim em si mesma (foco no processo criativo, no fazer) ou na análise/investigação de sua simbologia, arte como recurso terapêutico.
Alinhando-se a essa concepção, Jardim et al (2020) afirma que a arteterapia vai além de uma prática meramente lúdica ou espontânea, constituindo-se como um procedimento terapêutico organizado, fundamentado em técnica e em uma escuta especializada. Nesse contexto, é empregado métodos artísticos como ferramenta de atuação profissional voltada à melhoria da saúde e da qualidade de vida.
Jardim et al (2020) destacam que a arteterapia, quando utilizada com a população idosa, pode contribuir para a ressignificação de vivências, favorecendo a autonomia e a autoestima, além de estimular aspectos motores e cognitivos por meio de atividades como recorte, traçado, desenho e pintura. Essa perspetiva se aproxima da compreensão apresentada por Reis (2014), para quem a atividade artística constitui uma possibilidade de expressão da subjetividade, permitindo ao sujeito manifestar não apenas aquilo que vivencia no presente, mas também suas possibilidades de transformação.
Desse modo, os autores convergem ao reconhecer a atividade artística como um recurso que ultrapassa a dimensão meramente ocupacional, podendo favorecer processos de expressão, ressignificação e fortalecimento da subjetividade. Ao se envolver em práticas artísticas, o sujeito pode expressar e elaborar sentimentos, experiências e aspectos de sua própria trajetória, ao mesmo tempo em que amplia possibilidades de criatividade, autoconhecimento e desenvolvimento de novas formas de se relacionar consigo e com o meio.
Nessa perspectiva, o envelhecimento pode ser compreendido como um processo contínuo, no qual permanecem possibilidades de transformação, construção de sentidos e expressão da subjetividade. Assim, a arte destaca que o envelhecimento não é um ponto final, mas um processo contínuo de transformação, mesmo na velhice, o sujeito ainda está em construção e a expressão artística é um recurso relevante para favorecer as experiências dessa população (Jardim et al.,2020).
2.2. Atividade de Arteterapia em Instituições de Longa Permanência
A arteterapia é reconhecida como uma prática terapêutica que utiliza diferentes linguagens artísticas como meio de expressão e elaboração de experiências internas. Jung (1971) destacava a arte como a demonstração pura do inconsciente e através desse instrumento trilhavam-se caminhos para a liberdade de expressão, sensibilidade e criatividade, pois através da arte livre, espontânea e sem julgamento pontes são criadas e conexões são realizadas.
Em concordância com seus escritos e métodos, no Brasil a Arteterapia foi introduzida através da médica psiquiatra junguiana, Nise da Silveira (1905-1999), que revolucionou o método psiquiátrico agressivo para com uma perspectiva mais humanizada e acolhedora, através de oficinas de arte que destacam a subjetividade do indivíduo e sua autonomia, transformando assim, o diagnóstico em um processo passivo de liberdade de expressão, pertencimento e reconexão.
Com isso, nos anos 60, surgem os primeiros cursos de arteterapia, com uma perspectiva voltada para além da Psiquiátrica. E, em 2017, arteterapia passa a fazer parte das Práticas Integrativas Complementares (PICS) no Sistema Único de Saúde (SUS) por meio da portaria N° 849/2017 do Diário Oficial da União. Visto isso, a arteterapia começou a ganhar espaços no âmbito da saúde em geral e estudos científicos destacam a eficácia da sua aplicabilidade em diversos contextos e faixas etárias.
Nos últimos anos, a arteterapia vem se consolidando como um importante recurso terapêutico que estimula a qualidade de vida, passando a ser aplicada com diversas faixas etárias, especialmente entre idosos. Com isso, revisões sistemáticas destacam que a sua aplicabilidade com idosos tem demonstrado impactos significativos e exploração da arteterapia por profissionais da psicologia inseridos nesse contexto é de grande importância (Souza et al., 2022).
Ainda sob esse ponto de vista, a arteterapia promove um espaço de escuta e valorização da subjetividade, permitindo que o idoso ressignifique suas histórias e elabore suas emoções. Esse processo é de suma importância em contextos de institucionalização, nos quais podem ocorrer sentimentos de solidão e perda de identidade e isolamento, fatores que contribuem para possíveis transtornos como depressão e ansiedade (Muniz; Morais, 2023).
Em congruência com as autoras, as arteterapeutas Barreira e Brasil (2020, p. 8) destacam que:
Dentre todas as linguagens uma faz-se especial: a linguagem da arte. Feita para o homem mergulhar dentro de si mesmo trazendo para fora e para dentro dos outros homens as emoções do próprio homem. Sabe o homem que as emoções é que são o sal da vida. Por isso é que quando o homem quer falar ao coração dos outros homens ele o faz pela linguagem da arte. Quando isso acontece, naquele homem sente e age o artista.
Dessa forma, a arteterapia possibilita ao indivíduo expressar as emoções e os conteúdos não elaborados, contribuindo de forma efetiva nos aspectos cognitivos, emocionais e sociais. Nesse sentido, é de grande importância investir na promoção da qualidade de vida do idoso institucionalizado, considerando que o bem-estar é fundamental para a prevenção da saúde integral do indivíduo, utilizando atividades artísticas para contribuir para essa mudança (Souza et al., 2022).
Dessa forma, a arteterapia possibilita ao indivíduo expressar emoções e conteúdo não elaborados, contribuindo de forma efetiva nos aspectos cognitivos, emocionais e sociais. Para Philippini (2018, p. 5), "em contextos arteterapêuticos, pequenos personagens são poderosos aliados para trazer à tona significativas mensagens, de forma lúdica, despretensiosa e amena”. Em concordância com a afirmativa do autor a utilização da relação indivíduo-personagem é, portanto, importante para estimular a externalização de sentimentos reprimidos e a criação de novos cenários por meio da criatividade, uma vez que criar, imaginar e dar novos sentidos às coisas favorecem a elaboração saudável e sem danos.
Com isso, ao incentivar a criatividade e a expressão dos sentimentos, respeitando o ritmo e as limitações de cada indivíduo, o profissional atribui significado ao momento, contribuindo para que o idoso reconheça suas próprias capacidades e potencialidades. Esse reconhecimento favorece o aumento da autoestima, da confiança e da sensação de utilidade, dessa forma, o idoso se envolve, interage com os outros e percebe a experiência como algo positivo e benéfico para seu bem-estar emocional e social (Nogueira; Magalhaes, 2025).
Os estudos de Rocha e Mercado (2021), realizados com 28 idosos institucionalizados com idade igual ou superior a 60 anos, indicam que os participantes das oficinas terapêuticas, obtiveram avanços nas dimensões cognitivas, motoras, sociais e psicológicas. Em concordância com essas evidências, de acordo com Castelan (2020), os idosos que participam de oficinas terapêuticas desenvolvem habilidade de confiança em grupo que contribui de forma efetiva para a autoestima individual que consequentemente possui efeitos positivos em relação ao emocional desse indivíduo.
Dessa forma, considerando os parágrafos pontuados acima, que destacam as questões psicológicas que envolvem os idosos institucionalizados, urge a necessidade de psicólogos inseridos nesses contextos para contribuir de forma efetiva com as diretrizes do Estatuto da Pessoa Idosa (Lei nº 10.741/2003) que assegura a dignidade, autonomia e protege contra violência e negligência.
2.3. Benefícios da Arteterapia na Promoção da Saúde Emocional de Idosos Institucionalizados
Diante das vulnerabilidades emocionais frequentemente presentes no processo de institucionalização do idoso, torna-se fundamental buscar práticas terapêuticas que promovam acolhimento, autonomia e bem-estar. Nesse sentido, a arteterapia apresenta-se como uma ferramenta integrativa capaz de auxiliar na expressão de emoções, na socialização, no fortalecimento da autoestima e no desenvolvimento das habilidades motoras.
Nesse cenário, aspectos como isolamento social, sentimentos de incapacidade e dificuldades relacionadas ao bem-estar emocional podem estar presentes na vivência da pessoa idosa institucionalizada. Nesse sentido, a arteterapia apresenta-se como uma ferramenta terapêutica capaz de contribuir para aspectos psicológicos e sociais, favorecendo a expressão de sentimentos e emoções, a redução do isolamento e o fortalecimento do senso de pertencimento. Dessa forma, sua inserção no contexto institucional pode ampliar as possibilidades de cuidado e promover experiências que contribuam para a saúde e a qualidade de vida da população idosa (Augusto et al., 2025).
Estudos recentes destacam a arteterapia como uma ferramenta capaz de estimular o desenvolvimento integral do indivíduo, visto que utiliza diversas modalidades expressivas que contribuem de forma efetiva para a estimulação cognitiva, motora e emocional. Nesse contexto, é importante destacar que atividades artísticas contribuem para a ativação de diferentes áreas do cérebro, favorecendo a comunicação entre os neurônios e fortalecendo as conexões neurais (Donato, 2024).
Nesse contexto, a arteterapia atua como um recurso capaz de estimular funções cognitivas essenciais, como memória, atenção, concentração e raciocínio. Com isso, durante a realização das atividades artísticas, o idoso é incentivado a recordar experiências, organizar pensamentos, reconhecer cores, formas, textura e movimentos, aspectos que contribuem para o estímulo da coordenação motora fina, além de favorecer a expressão do sentimento e a criatividade (Donato, 2024).
Em concordância com a autora, Honoro et al (2025) pintura, recorte, colagem, desenho, modelagem, trabalhos manuais e outras formas de atividades artísticas, contribuem para a expressão emocional, visto que, a arte permite que o idoso exteriorize sentimentos, emoções e vivências muitas vezes difíceis de serem verbalizadas, favorecendo assim, o equilíbrio emocional e melhora da qualidade de vida dos idosos institucionalizados.
Na perspectiva de idosos que são comedidos com demência e Alzheimer, os estudos realizados por Pongan et al. (2020) em pacientes com mais de 65 anos com essas condições, utilizaram especificamente a intervenção musical com os indivíduos e foi possível observar mudanças significativas na memória, interação e diminuição de sintomas ansiosos e depressivos. Contribuindo assim, para a saúde emocional e melhor qualidade de vida dos idosos.
Autores como Papalia e Feldman (2013) destacam essa fase da vida como repleta de desafios e mudanças significativas, quando destacamos esse processo no contexto da institucionalização, surgem mais aspectos que contribuem para o isolamento social, sentimento de invalidez e perda da identidade. Nesse contexto, é possível utilizar o ambiente para dar um novo significado para essa fase, visto que, Donato (2024, p. 34) destaca que:
As vivências em Arteterapia, realizadas em grupo, proporcionaram: um espaço de diálogo e troca de experiências, expressão de conflitos e emoções internas, contribuindo para a diminuição do sentimento de exclusão; um estímulo à criatividade, promovendo flexibilidade cognitiva, a autonomia, a autoestima e aceitação de limitações referentes a esta fase de vida; reflexão e consciência sobre si.
Dentro dessa perspectiva, as atividades realizadas em grupo, possibilitam aos participantes a oportunidade de compartilhar experiências, sentimentos e vivências, fortalecendo os vínculos afetivos, a identidade e contribuindo para a redução do isolamento social, visto que, ambiente grupal favorece a interação, a comunicação e o sentimento de pertencimento, aspectos essenciais para o bem-estar emocional na terceira idade (Donato, 2024).
Em concordância com a autora, Dal’vesco et al (2022, p.85) afirma que “as participantes, aos poucos, vão adquirindo confiança no grupo, estabelecendo vínculos afetivos e de confiança, tendo condições de transcender seus conflitos”, essas vivencias possibilita para o sujeito um novo olhar de si e do ambiente em que está inserido, contribuindo efetivamente para a diminuição do isolamento e aumento do pertencimento, elementos que são fundamentais para ao bem-estar integral do sujeito.
Outro aspecto válido de ressaltar, é a contribuição da arteterapia no contexto em que o indivíduo possui baixa adesão pela psicoterapia realizada somente através da fala. Visto que, para Jung (1971), a manifestação artística é o diálogo entre o consciente e o inconsciente e através dessa manifestação, é possível transformar emoções reprimidas em imagens repletas de significado que consequentemente contribuem para o bem-estar emocional e a expressão do conteúdo reprimido.
Dessa forma, a utilização da arte com conceitos e técnicas da psicologia, possibilita ao indivíduo acessar o seu conteúdo simbólico e imaginário, através da expressão artística livre, espontânea e sem julgamento. Visto que, essa ferramenta destaca a subjetividade do sujeito, para favorecer a elaboração das emoções e sentimentos reprimidos, ressignificação dos acontecimentos, que contribuem de forma efetiva para criar possibilidade (Dal’vesco et al, 2022).
Dessa forma, a arteterapia contribui para um novo olhar sobre o processo de envelhecimento, muitas vezes associado a momentos de perdas e limitações. Com isso, através do processo criativo, a arteterapia destaca que o indivíduo é capaz de sentir, criar, aprender e reinventar, destacando um novo olhar para essa fase da vida, e colaborando para o bem-estar integral do indivíduo e a percepção mais positiva de si mesmo.
3. CONSIDERAÇÕES E RESULTADOS
Os estudos analisados evidenciaram que a arteterapia aplicada a idosos institucionalizados, produz efeitos nas dimensões cognitiva, emocional e social, conforme os objetivos deste trabalho. Quanto à atuação do psicólogo em ILPI, a literatura mostra que o profissional não é simples aplicador de técnicas, mas quem cria e sustenta um espaço psicoterapêutico seguro e sem julgamentos.
Sob esse ponto de vista, as atividades artísticas identificadas na literatura, como bordado, pintura, desenho, colagem, recorte, escrita, canto e teatro, quando articuladas a técnicas psicológicas, ampliam as possibilidades de expressão emocional, estimulação cognitiva e interação social. Entre essas atividades, a música também apresentou contribuições relacionadas à memória, à socialização e à redução de sintomas ansiosos e depressivos em idosos com demência e Alzheimer.
No especto da expressão emocional, os resultados evidenciaram que as atividades artísticas podem proporcionar aos idosos acolhimento e conforto, contribuindo para a redução de tensões e favorecendo a expressão de sentimentos reprimidos. Dessa forma, a arte possibilita a exteriorização de emoções que apresentam dificuldade de ser verbalizadas, especto relevante para idosos com baixa adesão à psicoterapia baseada apenas na fala.
Quanto à autoestima e à identidade, os resultados demonstraram que as atividades artísticas podem estimular a criatividade, a autonomia e a aceitação das limitações próprias do envelhecimento. Além disso, a confiança estabelecida no grupo contribui para o fortalecimento da autoestima, dos vínculos, do sentimento de pertencimento e da identidade.
Tendo em vista o cenário de ILPI e os aspetos que afetam a saúde emocional dessa população, a literatura analisada também evidência possibilidades da contribuição da Psicologia na condução de intervenções que utilizam recursos artísticos, especialmente na criação de espaços de expressão emocional, acolhimento e elaboração subjetiva
Dessa forma, diante dos estudos analisados, considera-se que o objetivo proposto foi alcançado, uma vez que a literatura consultada permitiu identificar diversas contribuições da arteterapia para a saúde emocional de idosos institucionalizados, especialmente relacionados á expressão emocional, à autoestima, à identidade e à interação social. Entretanto, as limitações encontradas no tocante a ausência de protocolos padronizados limita a comparação entre estudos, reforçam a necessidade de novos estudos e pesquisas futuras, essencialmente no contexto brasileiro, que investiguem, de maneira sistematizada, essas práticas em ILPI.
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1 Acadêmica do Curso de Psicologia da Faculdade de Educação Santa Terezinha – FEST, Imperatriz-MA. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail
2 Professora Especialista do Curso de Psicologia da Faculdade de Educação Santa Terezinha – FEST, Imperatriz MA. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail