APRENDIZAGEM COLABORATIVA MEDIADA POR TECNOLOGIAS DIGITAIS: DESAFIOS E POSSIBILIDADES NA EDUCAÇÃO CONTEMPORÂNEA

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REGISTRO DOI: 10.5281/zenodo.18341743


Carla Gomes Sales da Silva1


RESUMO
O presente artigo aborda a aprendizagem colaborativa como um modelo pedagógico potencializado pelas Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação - TDIC. O objetivo principal foi analisar a contribuição das ferramentas digitais na promoção da colaboração no contexto educacional contemporâneo, identificando seus benefícios, aplicações práticas e desafios. Metodologicamente, realizou-se uma pesquisa bibliográfica de cunho qualitativo e exploratório, fundamentada em teóricos como Vygotsky (2000; 2005), Lévy (1999), Kenski (2012) e Moran (2007). A análise dos dados indicou que a mediação tecnológica expande as possibilidades de interação para além dos limites físicos da sala de aula, favorecendo a construção coletiva do conhecimento, a autonomia discente e o desenvolvimento de competências socioemocionais. As ferramentas digitais, como ambientes virtuais e plataformas de escrita compartilhada, demonstraram ser eficazes para estimular a inteligência coletiva. Entretanto, foram identificados obstáculos significativos à sua plena implementação, notadamente a desigualdade de acesso aos recursos tecnológicos e a carência de formação docente adequada para o uso pedagógico dessas tecnologias. Conclui-se que a integração entre colaboração e tecnologia é essencial para uma educação mais dinâmica e inclusiva, desde que sustentada por uma intencionalidade pedagógica clara e pela mediação ativa do professor.
Palavras-chave: Aprendizagem colaborativa. Tecnologias digitais. Interação social. Educação. Formação docente.

ABSTRACT
This paper addresses collaborative learning as a pedagogical model enhanced by Digital Information and Communication Technologies (DICT). The main objective was to analyze the contribution of digital tools in promoting collaboration within the contemporary educational context, identifying their benefits, practical applications, and challenges. Methodologically, a qualitative and exploratory bibliographic research was conducted, based on theorists such as Vygotsky (2000; 2005), Lévy (1999), Kenski (2012) and Moran (2007). Data analysis indicated that technological mediation expands interaction possibilities beyond the physical limits of the classroom, favoring the collective construction of knowledge, student autonomy, and the development of socio-emotional skills. Digital tools, such as virtual environments and shared writing platforms, proved effective in stimulating collective intelligence. However, significant obstacles to its full implementation were identified, notably the inequality of access to technological resources and the lack of adequate teacher training for the pedagogical use of these technologies. It is concluded that the integration of collaboration and technology is essential for a more dynamic and inclusive education, provided it is supported by clear pedagogical intentionality and active teacher mediation.
Keywords: Collaborative learning. Digital technologies. Social interaction. Education. Teacher training.

1. INTRODUÇÃO

A aprendizagem colaborativa tem se consolidado como um modelo pedagógico de grande relevância na educação contemporânea, cenário caracterizado pela crescente ubiquidade das tecnologias digitais e pela implementação de metodologias ativas. Essa abordagem valoriza a interação entre os discentes, promovendo o aprendizado coletivo por meio de atividades em grupo que fomentam a troca de experiências e a construção conjunta do conhecimento.

Seja em contextos presenciais ou virtuais, a aprendizagem colaborativa demonstra ser uma estratégia eficaz para o desenvolvimento de habilidades cognitivas e socioemocionais, favorecendo um processo educativo dinâmico, participativo e significativo. Com o avanço das Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação - TDIC emergem novas possibilidades para potencializar essa prática em diversas modalidades de ensino.

Ao incorporar práticas interativas e recursos digitais, esse modelo apresenta-se como uma alternativa viável para atender às demandas educacionais atuais e promover ambientes mais inclusivos. A motivação para este estudo surge da inquietude diante do crescente descompasso entre o dinamismo da cultura digital, vivenciada pelos estudantes fora da escola, e a passividade frequentemente observada nas salas de aula tradicionais. Diante desse cenário, o presente artigo tem como objetivo analisar de que forma a tecnologia digital pode atuar como aliada na promoção da aprendizagem colaborativa, discutindo seus benefícios, aplicações e desafios no contexto educacional contemporâneo. A relevância desta temática reside na necessidade premente de metodologias que aprimorem os resultados educacionais e preparem os estudantes para o século XXI, demandando competências como colaboração, trabalho em equipe, resolução de problemas e adaptabilidade.

Metodologicamente, este trabalho caracteriza-se como uma pesquisa bibliográfica, de natureza qualitativa e cunho exploratório, fundamentada na análise de literatura especializada e nas contribuições teóricas de autores como Almeida e Valente (2011), Kenski (2012), Lévy (1999), Moran (2007), Vygotsky (2000; 2005), Freire (1996), Bacich e Moran (2018), Santaella (2020) e Behar (2020).

O trabalho está estruturado em três seções. A primeira compreende esta introdução, que situa o tema e os objetivos da pesquisa. A segunda seção apresenta a fundamentação teórica sobre a aprendizagem colaborativa, abordando seus conceitos, benefícios, aplicações práticas e desafios. A terceira apresenta a metodologia utilizada. A quarta seção traz os resultados e análises da pesquisa. Por fim, apresentam-se as considerações finais, reforçando a importância e os impactos do uso das tecnologias digitais na aprendizagem colaborativa.

2. APRENDIZAGEM COLABORATIVA MEDIADA PELAS TECNOLOGIAS DIGITAIS

O conceito de colaboração transcende a simples realização de atividades em grupo ou a interação superficial entre indivíduos. Colaborar implica atuar em equipe de forma integrada, com objetivos comuns, aproveitando a diversidade de habilidades e conhecimentos dos integrantes. A colaboração pressupõe corresponsabilização, respeito mútuo, autonomia na execução das tarefas e a compreensão de que as ações individuais impactam diretamente os resultados coletivos.

Nesse contexto, a perspectiva sociointeracionista oferece o alicerce para compreender esse fenômeno. Vygotsky (2000) destaca que o desenvolvimento cognitivo humano é intrinsecamente social. Para o autor, a natureza do aprendizado humano é fundamentalmente social. É por meio da convivência que a criança acessa e internaliza as estruturas intelectuais das pessoas que a cercam.

Dessa forma, a aprendizagem colaborativa não é apenas uma técnica de ensino, mas um reflexo de como a mente humana se desenvolve: na relação com o outro. Diferente da cooperação, onde pode haver divisão estanque de tarefas, a colaboração exige um engajamento mútuo na resolução de problemas. É importante distinguir a aprendizagem colaborativa da cooperativa. Trabalhar de forma colaborativa significa que todos participam juntos da resolução de problemas. Em vez de separar estritamente o que cada um faz, o grupo constrói as soluções unido. Mais do que comunicar, interagir significa negociar significados e desenvolver competências colaborativas fundamentais tanto no contexto escolar quanto nas dinâmicas sociais.

Enquanto modelo pedagógico, a aprendizagem colaborativa destaca-se por valorizar o trabalho coletivo na construção do conhecimento (CARVALHÊDO; PORTELA, 2020). Nessa abordagem, o estudante não aprende de forma isolada, mas por meio da interação entre pares, o que incentiva o compartilhamento de ideias, a discussão de conceitos e a resolução conjunta de problemas. Essa dinâmica favorece uma aprendizagem mais profunda, na medida em que os participantes contribuem mutuamente para a compreensão e aplicação dos conteúdos, tornando o processo educativo mais dinâmico e relevante.

Com base em Vygotsky (2000; 2005), compreende-se que o conhecimento é construído socialmente através da interação. A colaboração entre os alunos favorece o desenvolvimento de estratégias e habilidades de resolução de problemas, estimuladas pelo processo cognitivo inerente à interação e à comunicação.

Com o advento das TDIC, a aprendizagem colaborativa torna-se mais acessível e diversificada. A tecnologia digital atua como mediadora entre os sujeitos e o conhecimento, pois o seu uso amplia o ambiente de aprendizagem e estimula a autoria dos estudantes, permitindo que compartilhem ideias e produzam com maior autonomia e engajamento.

Autores recentes atualizam essa visão para o contexto da cibercultura. Santaella (2020), ao discutir a educação na era digital, argumenta que não estamos apenas "usando" computadores, mas vivendo uma aprendizagem onipresente (ubíqua). A colaboração, portanto, deixa de ser um evento de sala de aula e passa a ser contínua, mediada por dispositivos móveis e redes sociais.

Nessa direção, Moran (2021) defende que a sala de aula presencial não deve morrer com a tecnologia, mas sim mudar sua função para ser um espaço de colaboração humana, enquanto a tecnologia cuida da parte conteudista.

A educação formal está num impasse e precisa se reinventar. [...] A ênfase está em aprender ativamente, com problemas reais, desafios, jogos, atividades e projetos, combinando tempos individuais e tempos coletivos, presenciais e digitais. A sala de aula deixa de ser o lugar da transmissão para ser o espaço privilegiado da colaboração e da cocriação. (MORAN, 2021, p. 3).

Essa reflexão de Moran (2021) aponta para uma necessária ressignificação dos espaços físicos e digitais. Ao deslocar a transmissão de conteúdo para os momentos individuais, muitas vezes mediados por vídeo-aulas ou leituras em ambientes virtuais, o tempo presencial é liberado para o que é insubstituível: a interação humana qualificada. Dessa forma, a tecnologia não substitui a escola, mas potencializa o encontro, transformando a sala de aula em um laboratório ativo de troca de saberes.

Ao integrarmos as TDIC ao processo de ensino e aprendizagem, o potencial de interação e protagonismo dos estudantes se expandem. As tecnologias deixam de ser meros suportes para se tornarem estruturantes do pensamento. Lévy (1999), ao cunhar o conceito de inteligência coletiva, oferece uma visão clara sobre o potencial das redes digitais:

É uma inteligência distribuída por toda parte, incessantemente valorizada, coordenada em tempo real, que resulta em uma mobilização efetiva das competências. [...] O fundamento e o objetivo da inteligência coletiva são o reconhecimento e o enriquecimento mútuo das pessoas. (LÉVY, 1999, p. 28-29).

Nessa perspectiva, as plataformas digitais, como fóruns, ambientes virtuais, wikis, funcionam como espaços onde essa inteligência distribuída se materializa. Para Kenski (2012), o uso das tecnologias digitais altera a própria ecologia da sala de aula, exigindo uma nova postura do estudante e do docente. A autora afirma que "as tecnologias invadem as nossas vidas, ampliam a nossa memória, garantem novas possibilidades de intercâmbio e de comunicação" (KENSKI, 2012, p. 23).

Corroborando com essa ideia, Moore e Kearsley (2013) afirmam que os ambientes online permitem interações dinâmicas entre educadores e educandos, favorecendo habilidades interpessoais como comunicação e empatia. A interação é um pilar central em todo processo de ensino. É por meio dela que se trocam saberes, criam-se vínculos e se concretiza a aprendizagem colaborativa. Assim, o uso de fóruns, chats, videoconferências e outras plataformas facilita a construção coletiva do conhecimento, permitindo maior interação e possibilidade de os alunos exercerem responsabilidade e autonomia educacional.

A mediação tecnológica traz diversos benefícios, destacando-se o acesso à informação em tempo real via ferramentas como Google Drive, Padlet, Microsoft Teams e Ambientes Virtuais de Aprendizagem - AVA (KENSKI, 2012). Ademais, Lévy (1999) aponta que a aprendizagem em rede estimula a inteligência coletiva através do intercâmbio constante de saberes. Outro ponto relevante é o desenvolvimento de habilidades socioemocionais, como a escuta ativa e a cooperação. O uso dessas tecnologias pode, ainda, favorecer a inclusão digital, reduzindo barreiras geográficas e culturais (PRETTO, 2011).

Dentre as práticas pedagógicas eficazes, citam-se: projetos interdisciplinares via Google Docs (escrita em coautoria); uso do Padlet para painéis colaborativos; fóruns online (Moodle) e grupos de mensagens instantâneas para debates (PRETTO, 2011); e a gamificação com aplicativos como Kahoot ou Quizizz, que promovem interação ativa (ALMEIDA; VALENTE, 2011).

No panorama atual, a colaboração ganha força através das Metodologias Ativas. Bacich e Holanda (2020) explicam que estratégias como a Sala de Aula Invertida e a Aprendizagem Baseada em Projetos dependem essencialmente da troca entre pares. “A personalização do ensino, quando combinada com a aprendizagem colaborativa, permite que os estudantes aprendam no seu próprio ritmo, mas construam significados em grupo, mediados pelas tecnologias digitais” (BACICH; MORAN, 2018, p. 52).

Entretanto, para que a colaboração ocorra, é necessário superar a visão bancária da educação, criticada por Paulo Freire. A tecnologia deve servir ao diálogo e à autonomia, pois de acordo com o autor "ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção" (Freire, 1999, p. 25). As ferramentas digitais, portanto, devem ser os meios para que essa construção ocorra de forma dialógica e horizontal.

Apesar dos benefícios, existem desafios significativos no uso das tecnologias digitais para a promoção de uma aprendizagem colaborativa, como a desigualdade de acesso à infraestrutura, que é um entrave preponderante. Outro obstáculo reside na incipiente formação docente para a integração pedagógica das tecnologias e a resistência de educadores e instituições (KENSKI, 2012). Soma-se a isso o desafio de garantir a participação equilibrada dos alunos, considerando os diferentes níveis de engajamento e letramento digital.

Ainda assim, a aprendizagem colaborativa mediada pelas tecnologias digitais constitui uma estratégia que contribui para uma educação mais interativa e centrada no aluno, promovendo o pensamento crítico e o desenvolvimento de competências digitais e sociais indispensáveis.

3. METODOLOGIA

A presente pesquisa caracteriza-se como um estudo de natureza qualitativa e cunho exploratório, desenvolvida por meio de revisão bibliográfica. Segundo Gil (2002), a pesquisa bibliográfica é elaborada a partir de material já publicado, constituído principalmente de livros, artigos de periódicos e material disponibilizado na internet, permitindo ao pesquisador um contato direto com tudo o que foi escrito, dito ou filmado sobre determinado assunto.

O percurso metodológico consistiu no levantamento, seleção e análise de referenciais teóricos que abordam a intersecção entre aprendizagem colaborativa e as Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação - TDIC. O recorte temporal privilegiou obras clássicas e contemporâneas, abrangendo publicações entre os anos de 1999 e 2025, a fim de compreender a evolução do conceito e sua aplicabilidade no cenário atual.

Para a fundamentação teórica, foram selecionados autores de referência na área da educação e tecnologia, tais como Vygotsky (2000; 2005) e Freire (1996), e Kenski (2012), Bacich e Moran (2018), Santaella (2020) e Behar (2020) para a análise contemporânea, e Lévy (1999), para a compreensão da cibercultura e inteligência coletiva.

A análise dos dados foi realizada de forma interpretativa, buscando identificar convergências e divergências entre os autores, bem como extrair as principais contribuições das TDIC para a promoção de um ambiente colaborativo de aprendizagem. O procedimento analítico estruturou-se em três etapas: Leitura exploratória: para verificar a adequação das obras ao tema; Leitura seletiva: para determinar o material de fato relevante aos objetivos do trabalho; e Leitura analítica: para ordenar e sumarizar as informações contidas nas fontes, possibilitando a resposta ao problema de pesquisa.

4. ANÁLISE DOS DADOS

A partir da análise do referencial teórico levantado, observou-se que a integração das tecnologias digitais à aprendizagem colaborativa não apenas instrumentaliza o processo educativo, mas reconfigura a dinâmica da sala de aula e os papéis desempenhados por docentes e estudantes. Os resultados indicam que as ferramentas digitais atuam como catalisadores das interações sociais preconizadas por Vygotsky (2000). Ao contrário do ensino tradicional, onde a interação muitas vezes é limitada ao espaço físico e ao tempo da aula, as TDIC permitem que a colaboração ocorra de forma assíncrona e ubíqua. A análise das obras de Kenski (2012) e Pretto (2011) demonstra que plataformas como Ambientes Virtuais de Aprendizagem- AVA e ferramentas de escrita colaborativa como Google Docs materializam o conceito de "zona de desenvolvimento proximal", onde alunos mais experientes podem auxiliar seus pares através de comentários, fóruns e construções conjuntas, independentemente da distância física.

A literatura analisada aponta, ainda, que a aprendizagem colaborativa mediada por tecnologia fomenta competências que vão além do conteúdo curricular. Identificou-se, com base em Moran (2007) e Almeida e Valente (2011), que os estudantes expostos a essas metodologias desenvolvem maior autonomia, capacidade crítica e letramento digital. A necessidade de negociar significados em ambientes virtuais exige clareza na comunicação escrita e habilidade de argumentação. Além disso, a "inteligência coletiva" citada por Lévy (1999) se manifesta quando o grupo, utilizando a rede, alcança soluções

Apesar dos benefícios evidentes, a análise crítica dos textos revela que a implementação plena dessa abordagem enfrenta barreiras significativas. Os dados bibliográficos sugerem que a simples presença da tecnologia não garante a colaboração. Conforme alertado por Johnson e Johnson (1999) e reiterado por autores contemporâneos, há o risco de o trabalho em grupo digital se tornar apenas uma divisão de tarefas fragmentada, sem a interdependência positiva necessária.

Ademais, a desigualdade no acesso aos recursos tecnológicos, que leva a exclusão digital, e a falta de letramento digital de parte do corpo docente emergem como os principais entraves. A análise indica que, para que a aprendizagem colaborativa seja efetiva, é imperativo que haja intencionalidade pedagógica: o professor deixa de ser o detentor do saber para se tornar um designer de experiências de aprendizagem, mediando as interações e curando os conteúdos, enquanto o aluno é convocado a abandonar a postura de espectador. Essa mudança de paradigma é fundamental para o século XXI, pois a competência de 'cocriar' soluções é tão valiosa quanto o domínio técnico do conteúdo. Essas mudanças demandan uma formação continuada robusta, muitas vezes ausente nas instituições de ensino.

A simples transposição de aulas expositivas para plataformas como Google Meet ou Zoom não constitui aprendizagem colaborativa. Behar (2020) enfatiza a necessidade de desenvolver a Fluência Digital, que vai além do saber técnico; envolve a capacidade de criar, criticar e colaborar eticamente em rede. Sem infraestrutura adequada e formação docente continuada, a tecnologia pode ampliar o fosso educacional em vez de reduzi-lo.

Em suma, os resultados da pesquisa bibliográfica confirmam que as TDIC são aliadas poderosas da aprendizagem colaborativa, desde que inseridas em um projeto pedagógico que valorize a interação humana e a construção social do conhecimento, e não apenas o uso técnico da ferramenta.

5. CONCLUSÃO

O presente estudo buscou analisar a integração das Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação-TDIC às práticas de aprendizagem colaborativa, identificando seus potenciais e desafios no cenário educacional contemporâneo. A partir da revisão bibliográfica realizada, conclui-se que a tecnologia digital, quando utilizada com intencionalidade pedagógica, atua como uma poderosa aliada na promoção de um ensino mais participativo, dialógico e significativo.

Ficou evidente que a mediação tecnológica expande as possibilidades de interação para além dos limites físicos da sala de aula. Ferramentas digitais facilitam a construção coletiva do conhecimento, permitindo que os estudantes exerçam a coautoria, desenvolvam a autonomia e aprimorem competências socioemocionais indispensáveis para o século XXI, como a empatia e o trabalho em equipe. A transição de um modelo de recepção passiva de informações para um modelo de construção ativa e colaborativa demonstrou ser um dos maiores ganhos dessa abordagem.

No entanto, a pesquisa também evidenciou que a simples inserção de aparatos tecnológicos no ambiente escolar não garante, por si só, a efetividade da aprendizagem colaborativa. A análise dos obstáculos revelou que a desigualdade de acesso à infraestrutura digital e, sobretudo, a carência de formação docente adequada constituem barreiras significativas. Para que a colaboração ocorra, é necessário que o educador esteja preparado para atuar como mediador e designer de experiências de aprendizagem, superando o uso instrumental da tecnologia.

Portanto, infere-se que o sucesso da aprendizagem colaborativa mediada por tecnologias depende de uma reestruturação que envolve não apenas recursos materiais, mas também uma mudança na cultura escolar. Sugere-se que futuras investigações aprofundem a análise sobre políticas públicas de inclusão digital e programas de formação continuada para professores, visando mitigar as disparidades existentes.

Em suma, a articulação entre colaboração e tecnologia não é apenas uma tendência passageira, mas uma necessidade urgente para tornar a educação mais inclusiva e conectada com a realidade dos estudantes, preparando-os para atuar de forma crítica e solidária na sociedade da informação.

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1 Graduação em Pedagogia pela Universidade do Estado da Bahia. Especialização em Ccoordenação Pedagógica e Planejamento pela Universidade Cândido Mendes e em Educação Digital pela Universidade do Estado da Bahia. Mestranda em Tecnologias Emergentes em Educação pela Must University. E-mail: [email protected].