ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO NA EDUCAÇÃO BÁSICA: PERSPECTIVAS ATUAIS, DESAFIOS ESCOLARES E PRÁTICAS PEDAGÓGICAS NOS ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL

LITERACY ACQUISITION AND LITERACY PRACTICES IN BASIC EDUCATION: CURRENT PERSPECTIVES, SCHOOL CHALLENGES, AND PEDAGOGICAL PRACTICES IN THE EARLY YEARS OF ELEMENTARY SCHOOL

REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/780117814

RESUMO
A alfabetização e o letramento constituem processos essenciais para a formação dos estudantes nos anos iniciais do Ensino Fundamental, pois possibilitam o desenvolvimento da leitura, da escrita, da interpretação e da participação social. Nesse sentido, o presente estudo aborda o tema “Alfabetização e Letramento na Educação Básica: perspectivas atuais, desafios escolares e práticas pedagógicas nos anos iniciais do Ensino Fundamental”, considerando a importância de compreender esses processos de forma integrada e contextualizada. O objetivo geral da pesquisa foi analisar a importância da alfabetização e do letramento na Educação Básica, considerando as perspectivas atuais, os desafios enfrentados pelas escolas e as práticas pedagógicas desenvolvidas nos anos iniciais do Ensino Fundamental. A justificativa do estudo está relacionada à necessidade de refletir sobre as dificuldades de leitura e escrita ainda presentes no contexto escolar, bem como sobre o papel do professor na construção de práticas pedagógicas mais significativas, inclusivas e capazes de respeitar os diferentes ritmos de aprendizagem dos estudantes. A metodologia utilizada foi a pesquisa bibliográfica, com abordagem qualitativa, fundamentada na análise de estudos, artigos científicos e produções acadêmicas sobre alfabetização, letramento, práticas pedagógicas e desafios escolares. Concluiu-se que alfabetizar letrando exige planejamento, mediação docente, uso de diferentes gêneros textuais, práticas contextualizadas e compromisso com o direito de aprendizagem, sendo essencial para a formação de sujeitos leitores, críticos, participativos e socialmente inseridos.
Palavras-chave: Alfabetização; Letramento; Práticas pedagógicas.

ABSTRACT
Literacy acquisition and literacy practices are essential processes for the education of students in the early years of Elementary School, as they enable the development of reading, writing, interpretation, and social participation. In this sense, this study addresses the theme “Literacy Acquisition and Literacy Practices in Basic Education: Current Perspectives, School Challenges, and Pedagogical Practices in the Early Years of Elementary School”, considering the importance of understanding these processes in an integrated and contextualized way. The general objective of the research was to analyze the importance of literacy acquisition and literacy practices in Basic Education, considering current perspectives, the challenges faced by schools, and the pedagogical practices developed in the early years of Elementary School. The justification for the study is related to the need to reflect on the reading and writing difficulties still present in the school context, as well as on the teacher’s role in building more meaningful, inclusive pedagogical practices capable of respecting students’ different learning rhythms. The methodology used was bibliographic research, with a qualitative approach, based on the analysis of studies, scientific articles, and academic productions about literacy acquisition, literacy practices, pedagogical practices, and school challenges. It was concluded that teaching literacy through meaningful literacy practices requires planning, teacher mediation, the use of different textual genres, contextualized practices, and commitment to the right to learn, being essential for the formation of readers who are critical, participative, and socially engaged.
Keywords: Literacy acquisition; Literacy practices; Pedagogical practices.

1. INTRODUÇÃO

A alfabetização e o letramento constituem processos fundamentais para a formação dos estudantes nos anos iniciais do Ensino Fundamental, pois representam a base para o desenvolvimento da leitura, da escrita, da interpretação e da participação social. Na Educação Básica, esses processos não podem ser compreendidos apenas como etapas escolares voltadas à decodificação de letras, sílabas e palavras, mas como práticas que possibilitam à criança compreender o mundo, comunicar-se com autonomia e participar de diferentes situações sociais mediadas pela linguagem. De acordo com Alves (2007), a alfabetização está relacionada à apropriação do sistema de escrita, enquanto o letramento envolve o uso social da leitura e da escrita, tornando esses dois conceitos distintos, mas complementares. Nesse sentido, discutir alfabetização e letramento na escola contemporânea é essencial, sobretudo diante dos desafios enfrentados pelos professores e pelas instituições escolares para garantir uma aprendizagem significativa, inclusiva e contextualizada.

O presente estudo tem como objetivo geral analisar a importância da alfabetização e do letramento na Educação Básica, considerando as perspectivas atuais, os desafios enfrentados pelas escolas e as práticas pedagógicas desenvolvidas nos anos iniciais do Ensino Fundamental. Para alcançar esse objetivo, foram definidos três objetivos específicos: compreender os conceitos de alfabetização e letramento, destacando suas relações no processo de aprendizagem da leitura e da escrita; identificar os principais desafios escolares que dificultam o desenvolvimento da alfabetização e do letramento na Educação Básica; e discutir práticas pedagógicas que contribuam para o fortalecimento da alfabetização e do letramento, favorecendo uma aprendizagem mais significativa, crítica e contextualizada.

A escolha do tema justifica-se pela relevância da alfabetização e do letramento para a trajetória escolar dos estudantes, uma vez que as dificuldades de leitura e escrita podem comprometer o desempenho em diferentes áreas do conhecimento. Além disso, observa-se que muitas crianças chegam aos anos iniciais com diferentes experiências de contato com a cultura escrita, o que exige da escola práticas pedagógicas sensíveis, planejadas e capazes de respeitar os diversos ritmos de aprendizagem. Conforme Campos et al. (2023), alfabetizar e letrar são práticas complementares que precisam caminhar juntas, pois a criança deve aprender o funcionamento da escrita e, ao mesmo tempo, compreender sua função social. Dessa forma, a pesquisa torna-se relevante por contribuir para a reflexão sobre o papel da escola e do professor no desenvolvimento de práticas que favoreçam a formação de sujeitos leitores, críticos e participativos.

Quanto à metodologia, este estudo foi desenvolvido por meio de uma pesquisa bibliográfica, com abordagem qualitativa, fundamentada na análise de materiais acadêmicos já publicados sobre alfabetização, letramento, práticas pedagógicas e desafios escolares nos anos iniciais do Ensino Fundamental. A pesquisa bibliográfica foi escolhida por permitir o aprofundamento teórico do tema, possibilitando a análise de diferentes autores que discutem a importância da leitura e da escrita no processo de formação escolar. Para a construção do estudo, foram consultados artigos científicos, livros, periódicos acadêmicos e trabalhos publicados em plataformas de busca, como Google Acadêmico, SciELO, Portal de Periódicos da CAPES e revistas científicas da área da Educação. Foram utilizados descritores como “alfabetização e letramento”, “anos iniciais do Ensino Fundamental”, “práticas pedagógicas de alfabetização”, “desafios da alfabetização” e “letramento na Educação Básica”.

Diante desse contexto, o problema de pesquisa que orienta este estudo é: de que maneira as práticas pedagógicas desenvolvidas nos anos iniciais do Ensino Fundamental podem contribuir para o fortalecimento da alfabetização e do letramento, considerando as perspectivas atuais da Educação Básica e os desafios escolares enfrentados no processo de aprendizagem da leitura e da escrita?

2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA OU REVISÃO DA LITERATURA

2.1. Alfabetização e Letramento: Conceitos, Relações e Importância na Educação Básica

A alfabetização e o letramento são processos fundamentais para a formação escolar, social e humana da criança, especialmente nos anos iniciais do Ensino Fundamental. De acordo com Alves (2007), a alfabetização está relacionada à apropriação do sistema de escrita, enquanto o letramento envolve o uso social da leitura e da escrita em diferentes situações da vida cotidiana. Essa compreensão permite superar uma visão limitada do ensino da língua escrita, pois aprender a ler e escrever não significa apenas reconhecer letras, sílabas e palavras, mas compreender sentidos, interpretar mensagens e participar de práticas sociais mediadas pela linguagem. Nesse contexto, a escola assume um papel essencial na construção de experiências significativas, capazes de aproximar a criança do universo da leitura e da escrita de maneira viva, contextualizada e coerente com sua realidade.

Nos anos iniciais, a criança passa a estabelecer relações mais sistemáticas com a linguagem escrita, ampliando sua capacidade de comunicação, expressão e compreensão do mundo. De acordo com Campos et al. (2023), alfabetizar e letrar são práticas complementares, pois a criança precisa dominar o código escrito e, ao mesmo tempo, compreender a função social dos textos que circulam em seu cotidiano. Dessa forma, o processo de aprendizagem torna-se mais significativo quando a escola trabalha com situações reais de leitura e escrita, como bilhetes, histórias, listas, receitas, convites, músicas, cartazes e outros gêneros presentes na vida social. Essa aproximação ajuda o estudante a perceber que a escrita não é apenas uma exigência escolar, mas um instrumento de participação, comunicação e construção de autonomia.

A relação entre alfabetização e letramento também exige que o professor compreenda a criança como sujeito ativo no processo de aprendizagem. De acordo com Martins et al. (2022), a alfabetização em contexto de letramento deve valorizar as hipóteses, experiências e conhecimentos prévios dos estudantes, reconhecendo que cada criança constrói saberes de forma gradual e singular. Isso significa que o ensino não pode ser reduzido a exercícios repetitivos ou mecânicos, pois a aprendizagem da leitura e da escrita exige interação, mediação, escuta e propostas pedagógicas que despertem curiosidade. Quando a criança é convidada a pensar sobre o que lê e escreve, ela passa a participar mais ativamente do processo, desenvolvendo não apenas habilidades técnicas, mas também compreensão, criatividade e pensamento crítico.

Na Educação Básica, a alfabetização e o letramento possuem grande relevância porque influenciam diretamente o desempenho dos estudantes em todas as áreas do conhecimento. De acordo com Bueno et al. (2025), os desafios da educação contemporânea exigem uma articulação mais profunda entre alfabetização, letramento e práticas pedagógicas capazes de responder às mudanças sociais, culturais e tecnológicas. A leitura e a escrita atravessam os diferentes componentes curriculares, pois o aluno precisa interpretar enunciados, compreender textos, registrar ideias, formular respostas e construir novos conhecimentos. Assim, quando o processo de alfabetização não se consolida de maneira adequada, as dificuldades podem se ampliar ao longo da trajetória escolar, comprometendo a aprendizagem e a autoestima da criança.

Dessa maneira, alfabetizar letrando é uma responsabilidade pedagógica que envolve compromisso, sensibilidade e intencionalidade. De acordo com Cunha et al. (2025), o processo de alfabetização e letramento precisa ser planejado de forma cuidadosa, considerando as necessidades, os ritmos e as experiências culturais dos estudantes. A escola deve criar ambientes alfabetizadores ricos, nos quais a criança tenha contato frequente com textos, livros, produções escritas, rodas de leitura, conversas e atividades que favoreçam a construção de sentidos. Portanto, compreender os conceitos de alfabetização e letramento é indispensável para fortalecer uma Educação Básica mais democrática, inclusiva e comprometida com o direito de todas as crianças aprenderem a ler, escrever, interpretar e participar socialmente.

2.2. Desafios Escolares no Processo de Alfabetização e Letramento nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental

O processo de alfabetização e letramento nos anos iniciais do Ensino Fundamental ainda apresenta muitos desafios no contexto escolar brasileiro. De acordo com Barbosa et al. (2025), as dificuldades relacionadas à alfabetização e ao letramento envolvem fatores pedagógicos, sociais, estruturais e formativos, exigindo da escola uma atuação mais sensível, planejada e comprometida com a aprendizagem dos estudantes. Muitas crianças chegam à escola com diferentes níveis de contato com a leitura e a escrita, pois algumas já convivem com livros, histórias e materiais impressos, enquanto outras têm poucas oportunidades de interação com esse universo. Essa desigualdade inicial precisa ser considerada pela prática docente, para que a escola não trate todos os alunos como se partissem do mesmo ponto.

Um dos desafios mais presentes nos anos iniciais é a defasagem de aprendizagem, especialmente quando os estudantes avançam de ano sem consolidar habilidades básicas de leitura e escrita. De acordo com Nunes et al. (2022), o período pós-pandêmico intensificou as dificuldades de alfabetização e letramento, tornando necessária a reorganização das práticas pedagógicas para atender às lacunas deixadas no processo escolar. Muitas crianças passaram por longos períodos de afastamento da escola, com acesso desigual às atividades remotas, aos recursos tecnológicos e ao acompanhamento familiar. Como consequência, os professores precisaram lidar com turmas bastante heterogêneas, nas quais alguns alunos já liam pequenos textos, enquanto outros ainda estavam reconhecendo letras e sons.

Outro desafio importante refere-se à formação docente, pois alfabetizar exige conhecimentos específicos sobre o desenvolvimento da leitura, da escrita e das práticas de letramento. De acordo com Araújo (2025), a formação continuada dos professores dos anos iniciais é essencial para fortalecer o processo de alfabetização e letramento, pois possibilita refletir sobre metodologias, dificuldades e novas estratégias de ensino. O professor alfabetizador precisa compreender como a criança aprende, quais intervenções são necessárias em cada etapa e como avaliar o percurso sem reduzir o estudante aos seus erros. Nesse sentido, a formação não deve ser vista como uma ação isolada, mas como um processo permanente de estudo, troca, escuta e reconstrução da prática pedagógica.

A inclusão escolar também representa um aspecto fundamental quando se discutem os desafios da alfabetização e do letramento. De acordo com Cerboncini et al. (2022), alfabetizar em uma perspectiva inclusiva exige reconhecer as diferenças entre os estudantes e construir práticas pedagógicas acessíveis, flexíveis e acolhedoras. Nas salas de aula dos anos iniciais, há crianças com diferentes ritmos de aprendizagem, deficiências, transtornos, dificuldades específicas, experiências culturais diversas e contextos familiares variados. Por isso, a escola precisa garantir recursos, adaptações, apoio pedagógico e estratégias que possibilitem a participação de todos. Alfabetizar, nesse sentido, não é conduzir todos pelo mesmo caminho, mas criar possibilidades para que cada criança avance a partir de suas necessidades.

Além disso, a cultura digital trouxe novas exigências para a alfabetização e o letramento, pois as crianças estão em contato com telas, imagens, vídeos, jogos e formas diversas de comunicação. De acordo com Piccirilli e Monteiro (2024), o processo de alfabetização e letramento na cultura digital apresenta possibilidades e desafios, pois as tecnologias podem ampliar as práticas de leitura e escrita, mas precisam ser utilizadas com planejamento e mediação docente. A presença dos recursos digitais não substitui o papel do professor, nem elimina a importância do livro, da escrita manual, da oralidade e da convivência em sala de aula. Pelo contrário, exige que a escola ensine os estudantes a lidar criticamente com as informações, compreendendo textos em diferentes suportes e desenvolvendo autonomia.

Diante desses desafios, é necessário compreender que as dificuldades de alfabetização e letramento não devem ser atribuídas apenas ao aluno. De acordo com Lacerda e Silva (2025), a prática docente nos anos iniciais precisa ser reflexiva e capaz de responder aos desafios da alfabetização por meio de intervenções coerentes com a realidade da turma. Isso significa que a escola deve observar, diagnosticar, planejar, acompanhar e reorganizar suas ações sempre que necessário. O fracasso na leitura e na escrita não pode ser naturalizado, pois toda criança tem direito a aprender. Assim, superar os desafios escolares implica fortalecer a formação docente, ampliar recursos pedagógicos, promover práticas inclusivas e construir uma escola mais acolhedora, atenta e comprometida com o desenvolvimento integral dos estudantes.

2.3. Práticas Pedagógicas para o Desenvolvimento da Leitura e da Escrita nos Anos Iniciais

As práticas pedagógicas voltadas ao desenvolvimento da leitura e da escrita nos anos iniciais precisam ser planejadas com intencionalidade, afeto e compromisso com a aprendizagem de todos os estudantes. De acordo com Silva et al. (2020), o professor mediador exerce papel fundamental na alfabetização e no letramento, pois organiza situações de aprendizagem, acompanha os avanços da turma e propõe intervenções adequadas às necessidades das crianças. Nesse processo, o docente não apenas transmite conteúdos, mas cria condições para que os alunos pensem sobre a língua escrita, formulem hipóteses, façam tentativas, expressem ideias e construam sentidos. Por isso, a mediação pedagógica é indispensável para transformar a sala de aula em um espaço de participação, descoberta e construção coletiva do conhecimento.

Uma prática essencial para alfabetizar letrando é o trabalho com diferentes gêneros textuais, pois eles aproximam a criança das funções sociais da leitura e da escrita. De acordo com Alves (2007), o ensino da língua escrita precisa estar relacionado ao contexto de uso, permitindo que o estudante compreenda por que se lê, para que se escreve e em quais situações os textos circulam socialmente. Ao trabalhar com histórias, poemas, bilhetes, receitas, listas, convites, parlendas, notícias e cartazes, o professor amplia o repertório linguístico dos alunos e mostra que a escrita está presente em diversas práticas do cotidiano. Essa variedade textual favorece a compreensão de que cada texto possui uma finalidade, uma estrutura e uma forma de circulação.

A leitura compartilhada também é uma estratégia muito importante nos anos iniciais, pois contribui para a formação do leitor desde os primeiros contatos com os textos. De acordo com Maranhão (2025), o desenvolvimento da leitura e da escrita envolve dimensões históricas, sociais e cognitivas, exigindo práticas que favoreçam a compreensão e a participação ativa dos sujeitos. Quando o professor lê para a turma, conversa sobre a história, faz perguntas, estimula previsões e incentiva as crianças a expressarem suas interpretações, ele ensina que ler é construir sentidos. Essa prática amplia o vocabulário, desenvolve a escuta, fortalece a imaginação e aproxima os alunos do universo literário. Além disso, cria vínculos afetivos com a leitura, tornando o contato com os textos mais prazeroso e significativo.

A produção textual deve ser incentivada desde o início da escolarização, mesmo quando a criança ainda não domina completamente a escrita convencional. De acordo com Martins et al. (2022), a alfabetização no contexto de letramento precisa valorizar as hipóteses das crianças sobre a escrita, reconhecendo suas tentativas como parte legítima do processo de aprendizagem. Assim, atividades como recontar histórias, produzir frases coletivas, escrever listas, registrar combinados, criar pequenos bilhetes e elaborar textos com apoio do professor permitem que os estudantes compreendam a escrita como forma de comunicação. O erro, nesse contexto, não deve ser visto como fracasso, mas como pista importante para que o professor compreenda o pensamento da criança e proponha novas intervenções.

As práticas lúdicas também ocupam um lugar importante na alfabetização e no letramento, pois tornam a aprendizagem mais envolvente, criativa e próxima do universo infantil. De acordo com Campos et al. (2023), alfabetizar e letrar exige reconhecer a criança em sua totalidade, considerando suas formas de brincar, interagir, imaginar e construir conhecimento. Jogos com letras, rimas, músicas, parlendas, caça-palavras, bingo de sílabas, leitura de imagens e brincadeiras sonoras podem contribuir para que os estudantes desenvolvam consciência fonológica, vocabulário, atenção e interesse pela escrita. A ludicidade não deve ser tratada como passatempo, mas como estratégia pedagógica capaz de favorecer aprendizagens importantes de maneira prazerosa e significativa.

Por fim, as práticas pedagógicas precisam ser constantemente avaliadas, ajustadas e reorganizadas conforme o percurso dos estudantes. De acordo com Silva et al. (2022), os desafios intensificados pela pandemia evidenciaram a necessidade de ações pedagógicas mais diagnósticas, acolhedoras e comprometidas com a recomposição das aprendizagens em alfabetização e letramento. Isso exige que o professor observe cada criança, identifique suas dificuldades, valorize seus avanços e proponha atividades diversificadas para atender às diferentes necessidades da turma. Dessa forma, o desenvolvimento da leitura e da escrita depende de planejamento, acompanhamento, mediação e sensibilidade. Alfabetizar letrando, portanto, significa oferecer experiências reais, afetivas e contextualizadas, nas quais a criança possa aprender a ler, escrever, interpretar e se reconhecer como sujeito participante da cultura escrita.

3. METODOLOGIA

A presente pesquisa foi desenvolvida por meio de uma abordagem qualitativa, de natureza bibliográfica, tendo como foco a análise de estudos que discutem a alfabetização e o letramento na Educação Básica, especialmente nos anos iniciais do Ensino Fundamental. De acordo com Severino (2017), a pesquisa bibliográfica é relevante porque possibilita ao pesquisador o contato direto com produções já publicadas sobre determinado tema, permitindo a análise, a interpretação e a construção de uma base teórica consistente para o estudo. Dessa forma, a escolha por esse tipo de pesquisa justifica-se pela necessidade de reunir diferentes produções acadêmicas que abordam conceitos, desafios e práticas pedagógicas relacionadas ao processo de alfabetizar e letrar, possibilitando uma reflexão crítica sobre a realidade escolar contemporânea.

A pesquisa bibliográfica foi considerada adequada para este estudo porque permite compreender como diferentes autores vêm discutindo a alfabetização e o letramento, bem como os desafios enfrentados pelas escolas e pelos professores nos anos iniciais. Esse tipo de investigação não se limita apenas à reunião de textos, pois exige leitura cuidadosa, seleção criteriosa, análise das ideias centrais e articulação entre os estudos encontrados. Assim, a metodologia adotada buscou construir uma base teórica consistente para responder ao problema de pesquisa, que procura compreender de que maneira as práticas pedagógicas desenvolvidas nos anos iniciais do Ensino Fundamental podem contribuir para o fortalecimento da alfabetização e do letramento.

Para a localização dos materiais, foram utilizados descritores relacionados diretamente ao tema do estudo. Os principais descritores empregados foram: “alfabetização e letramento”, “alfabetização nos anos iniciais”, “letramento na Educação Básica”, “práticas pedagógicas de alfabetização”, “desafios da alfabetização”, “professor mediador na alfabetização”, “alfabetização pós-pandemia”, “cultura digital e letramento” e “formação docente para alfabetização”. Esses termos foram combinados entre si com o objetivo de ampliar os resultados das buscas e localizar estudos que apresentassem relação direta com os objetivos da pesquisa.

As buscas foram realizadas em plataformas acadêmicas e bases de dados digitais, como Google Acadêmico, SciELO, Portal de Periódicos da CAPES, Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações, revistas científicas da área da Educação e anais de eventos acadêmicos. A escolha dessas plataformas ocorreu por reunirem produções científicas relevantes, como artigos, dissertações, teses, capítulos e trabalhos publicados em eventos. Além disso, essas bases permitem o acesso a estudos recentes e a autores que discutem a alfabetização e o letramento sob diferentes perspectivas, o que contribuiu para ampliar a compreensão do tema.

Como critérios de inclusão, foram selecionados estudos publicados preferencialmente entre 2020 e 2025, escritos em língua portuguesa, disponíveis em meio digital e relacionados à alfabetização, ao letramento, aos anos iniciais do Ensino Fundamental, à Educação Básica, à formação docente e às práticas pedagógicas. Também foi incluída a obra de Alves (2007), por sua contribuição conceitual e histórica para a compreensão das relações entre alfabetização e letramento. Foram priorizados trabalhos que apresentavam discussão teórica consistente, relação direta com o tema e contribuição para os objetivos definidos na pesquisa.

Como critérios de exclusão, foram descartados textos que não apresentavam relação direta com o tema, estudos repetidos nas bases de busca, materiais sem identificação de autoria, publicações sem caráter acadêmico, textos incompletos, trabalhos que tratavam de alfabetização em contextos muito distantes dos anos iniciais e produções que não contribuíam para a análise dos desafios escolares e das práticas pedagógicas. Também foram excluídos materiais que abordavam a leitura e a escrita de forma muito ampla, sem relação específica com alfabetização e letramento na Educação Básica.

Após a seleção dos materiais, foi realizada uma leitura exploratória para identificar os estudos mais próximos do tema. Em seguida, realizou-se uma leitura analítica, buscando compreender os principais conceitos, argumentos e contribuições de cada autor. Por fim, foi feita uma leitura interpretativa, relacionando as ideias encontradas com os objetivos da pesquisa. Esse percurso permitiu organizar o referencial teórico em três eixos principais: os conceitos e relações entre alfabetização e letramento, os desafios escolares nos anos iniciais e as práticas pedagógicas voltadas ao desenvolvimento da leitura e da escrita.

Tabela 1. Estudos selecionados e contribuições para a pesquisa

Autor(es) e ano

Título do estudo

Contribuição para a pesquisa

Alves (2007)

Alfabetização e letramento: conceitos, contexto histórico e reflexões didáticas

Contribuiu para a compreensão conceitual da alfabetização e do letramento, mostrando que esses processos são diferentes, mas complementares. O estudo ajudou a fundamentar a discussão inicial sobre a importância de alfabetizar considerando também os usos sociais da leitura e da escrita.

Silva et al. (2020)

A importância do professor mediador na alfabetização e letramento da educação básica

Auxiliou na compreensão do papel do professor como mediador do processo de aprendizagem. O estudo reforçou a ideia de que a alfabetização depende de intervenções pedagógicas planejadas, acompanhamento dos estudantes e práticas que estimulem a participação ativa da criança.

Nunes et al. (2022)

Uma análise sobre as práticas pedagógicas desenvolvidas pelos professores para sanar as defasagens dos alunos dos anos iniciais no que se refere à alfabetização e letramento no período pós-pandêmico

Contribuiu para analisar os impactos das defasagens de aprendizagem nos anos iniciais, especialmente após a pandemia. O estudo foi importante para discutir a necessidade de diagnóstico, recomposição das aprendizagens e reorganização das práticas pedagógicas.

Campos et al. (2023)

Alfabetização e letramento na educação infantil: refletindo sobre as diferenças e a importância de alfabetizar e letrar

Favoreceu a reflexão sobre a diferença entre alfabetizar e letrar, destacando a importância de trabalhar a leitura e a escrita desde as primeiras experiências escolares. A pesquisa contribuiu para compreender a criança como sujeito ativo no processo de aprendizagem.

Piccirilli e Monteiro (2024)

O processo de alfabetização e letramento na cultura digital: possibilidades e desafios para os anos iniciais do Ensino Fundamental

Contribuiu para ampliar a análise sobre os desafios contemporâneos da alfabetização, especialmente diante da cultura digital. O estudo ajudou a discutir o uso das tecnologias como possibilidade pedagógica, desde que mediado de forma crítica e intencional pelo professor.

Fonte: Autora, 2026.

A análise dos estudos selecionados permitiu compreender que a alfabetização e o letramento não devem ser tratados como processos separados, mas como dimensões complementares da formação escolar. A pesquisa também evidenciou que os desafios enfrentados pelas escolas envolvem fatores como defasagem de aprendizagem, desigualdades sociais, necessidade de formação continuada, inclusão escolar e uso crítico das tecnologias digitais. Dessa forma, a metodologia bibliográfica contribuiu para construir uma visão mais ampla sobre o tema, permitindo reconhecer que alfabetizar letrando exige práticas planejadas, mediação docente e compromisso com o direito de aprendizagem de todos os estudantes.

4. RESULTADOS E DISCUSSÕES

A análise bibliográfica realizada permitiu compreender que a alfabetização e o letramento continuam sendo dimensões centrais para a qualidade da Educação Básica, sobretudo nos anos iniciais do Ensino Fundamental. De acordo com Alves (2007), a alfabetização refere-se à apropriação do sistema de escrita, enquanto o letramento envolve o uso social da leitura e da escrita em diferentes práticas cotidianas. Esse resultado evidencia que os dois processos não devem ser tratados de forma separada, pois a criança precisa aprender a ler e escrever, mas também precisa compreender o sentido social dessas práticas. Assim, a pesquisa mostrou que alfabetizar letrando exige uma prática pedagógica que vá além da repetição de letras, sílabas e palavras, alcançando situações reais de comunicação, interpretação e produção textual.

Outro resultado encontrado refere-se à importância da escola como espaço de ampliação das experiências de leitura e escrita. De acordo com Campos et al. (2023), alfabetizar e letrar são ações complementares, pois o domínio do código escrito precisa caminhar junto com a compreensão das funções sociais dos textos. A partir disso, percebeu-se que os estudantes aprendem melhor quando entram em contato com diferentes gêneros textuais, como histórias, bilhetes, listas, receitas, poemas, músicas, cartazes e pequenos textos do cotidiano. Essa diversidade contribui para que a criança compreenda que a escrita não existe apenas dentro da escola, mas circula na vida social, sendo utilizada para informar, comunicar, registrar, orientar e expressar sentimentos.

Os estudos analisados também apontaram que o professor ocupa papel fundamental no desenvolvimento da alfabetização e do letramento. De acordo com Silva et al. (2020), o professor mediador é aquele que organiza situações de aprendizagem, acompanha os avanços dos alunos e propõe intervenções adequadas às necessidades da turma. Esse resultado demonstra que o sucesso do processo de alfabetização não depende apenas do material utilizado, mas principalmente da forma como o docente conduz as atividades, observa os estudantes e cria possibilidades para que todos participem. A mediação docente torna-se ainda mais importante quando se considera que as crianças chegam à escola com vivências, ritmos e conhecimentos muito diferentes.

A pesquisa revelou, ainda, que um dos principais desafios enfrentados nos anos iniciais está relacionado à defasagem de aprendizagem. De acordo com Nunes et al. (2022), o período pós-pandêmico intensificou as dificuldades de leitura e escrita, exigindo dos professores novas estratégias para recompor aprendizagens e atender estudantes em diferentes níveis de desenvolvimento. Esse dado é relevante porque mostra que muitas crianças avançaram na escolarização sem consolidar habilidades básicas, o que compromete a compreensão textual, a escrita autônoma e o acompanhamento dos demais componentes curriculares. Diante disso, torna-se necessário que a escola realize diagnósticos constantes, planeje intervenções específicas e acompanhe o percurso de cada estudante com sensibilidade.

Outro ponto importante identificado foi a necessidade de formação continuada para os professores alfabetizadores. De acordo com Araújo (2025), a formação continuada contribui para que os docentes reflitam sobre suas práticas, atualizem seus conhecimentos e encontrem caminhos mais adequados para enfrentar os desafios da alfabetização e do letramento. Esse resultado mostra que a prática docente não pode ser vista como algo pronto ou fixo, pois alfabetizar exige estudo permanente, troca de experiências e compreensão das mudanças sociais, culturais e tecnológicas que atravessam a escola. Assim, a formação docente aparece como uma condição essencial para fortalecer práticas mais inclusivas, contextualizadas e eficazes.

A inclusão escolar também apareceu como um resultado significativo da pesquisa, pois os estudos indicam que alfabetizar exige reconhecer as diferenças entre os estudantes. De acordo com Cerboncini et al. (2022), a alfabetização em uma perspectiva inclusiva precisa considerar adaptações, recursos diversificados e práticas pedagógicas que garantam a participação de todos os alunos. Essa discussão reforça que a escola não pode trabalhar com uma única forma de ensinar, como se todas as crianças aprendessem no mesmo tempo e do mesmo modo. Pelo contrário, é necessário construir estratégias flexíveis, acolhedoras e acessíveis, respeitando as necessidades individuais e criando condições para que todos avancem em seu processo de aprendizagem.

Além disso, os estudos analisados indicaram que a cultura digital vem modificando as formas de acesso à leitura e à escrita. De acordo com Piccirilli e Monteiro (2024), a alfabetização e o letramento na cultura digital apresentam possibilidades e desafios, pois os recursos tecnológicos podem ampliar as práticas pedagógicas, desde que utilizados com planejamento e mediação crítica. Esse resultado demonstra que as tecnologias não devem ser vistas como solução automática para os problemas educacionais, mas como ferramentas que podem enriquecer o processo de ensino quando articuladas a objetivos claros. Jogos digitais, vídeos, livros digitais e atividades interativas podem contribuir para o engajamento das crianças, mas precisam estar integrados a uma proposta pedagógica consistente.

A discussão dos resultados permite afirmar que a alfabetização e o letramento devem ser compreendidos como processos humanos, sociais e pedagógicos. De acordo com Lacerda e Silva (2025), os desafios da alfabetização nos anos iniciais exigem uma prática docente reflexiva, capaz de observar a realidade da turma e propor intervenções coerentes com as necessidades dos estudantes. Nesse sentido, os resultados apontam que não basta ensinar a criança a juntar letras ou copiar palavras, pois é preciso garantir que ela compreenda, interprete, produza sentidos e se reconheça como sujeito participante da cultura escrita. A alfabetização, portanto, precisa estar vinculada à formação integral da criança.

Tabela 2. Principais resultados encontrados na pesquisa bibliográfica

Principais resultados

Discussão dos achados

Alfabetização e letramento são processos diferentes, mas complementares.

A pesquisa mostrou que a alfabetização envolve o domínio do sistema de escrita, enquanto o letramento se relaciona ao uso social da leitura e da escrita. Portanto, é necessário alfabetizar em contextos reais de comunicação.

O professor possui papel central como mediador da aprendizagem.

Os estudos indicaram que a mediação docente favorece o acompanhamento dos estudantes, a organização das atividades e a intervenção pedagógica diante das dificuldades de leitura e escrita.

A defasagem de aprendizagem é um dos principais desafios nos anos iniciais.

A pesquisa revelou que muitos estudantes apresentam dificuldades na consolidação da leitura e da escrita, especialmente no contexto pós-pandêmico, exigindo ações de diagnóstico e recomposição das aprendizagens.

A formação continuada é essencial para qualificar a prática alfabetizadora.

Os resultados mostraram que o professor precisa de estudo constante, reflexão sobre a prática e atualização metodológica para responder aos desafios da alfabetização e do letramento.

A inclusão exige práticas flexíveis e acessíveis.

A alfabetização precisa considerar os diferentes ritmos, necessidades e formas de aprender dos estudantes, garantindo participação e aprendizagem para todos.

A cultura digital amplia possibilidades, mas exige mediação crítica.

 

Fonte: Autora, 2026.

De modo geral, os resultados encontrados confirmam que o fortalecimento da alfabetização e do letramento depende da articulação entre teoria, prática pedagógica, formação docente e compromisso institucional. De acordo com Bueno et al. (2025), a educação contemporânea exige práticas alfabetizadoras que dialoguem com os desafios atuais, considerando as transformações sociais, culturais e tecnológicas que impactam a aprendizagem. Dessa forma, a pesquisa evidencia que alfabetizar letrando é uma tarefa coletiva, que envolve professor, escola, família e políticas educacionais. Quando esse processo é desenvolvido com intencionalidade, afeto e planejamento, a leitura e a escrita deixam de ser apenas conteúdos escolares e passam a ser caminhos de autonomia, participação social e construção da cidadania.

5. CONCLUSÃO

A presente pesquisa teve como objetivo analisar a importância da alfabetização e do letramento na Educação Básica, considerando as perspectivas atuais, os desafios escolares e as práticas pedagógicas desenvolvidas nos anos iniciais do Ensino Fundamental. Ao longo do estudo, foi possível compreender que alfabetizar e letrar são processos diferentes, mas profundamente articulados, pois a criança precisa tanto se apropriar do sistema de escrita quanto compreender a função social da leitura e da escrita em seu cotidiano. Dessa forma, a alfabetização não pode ser reduzida ao simples reconhecimento de letras, sílabas e palavras, mas deve ser entendida como um processo mais amplo, que envolve compreensão, interpretação, produção de sentidos e participação social.

Com base nos estudos analisados, percebeu-se que a alfabetização e o letramento são fundamentais para o desenvolvimento escolar e humano dos estudantes, pois influenciam diretamente a aprendizagem em todas as áreas do conhecimento. A criança que desenvolve habilidades de leitura e escrita com segurança passa a participar com mais autonomia das atividades escolares, amplia sua capacidade de comunicação e fortalece sua relação com o conhecimento. Nesse sentido, alfabetizar letrando significa oferecer experiências significativas, nas quais os textos estejam presentes de forma viva, contextualizada e próxima da realidade dos alunos.

A pesquisa também evidenciou que os desafios escolares relacionados à alfabetização e ao letramento ainda são bastante presentes nos anos iniciais do Ensino Fundamental. Entre eles, destacam-se a defasagem de aprendizagem, as desigualdades sociais, a falta de recursos pedagógicos, os diferentes ritmos de aprendizagem, as dificuldades intensificadas no período pós-pandêmico e a necessidade de formação continuada dos professores. Esses fatores demonstram que as dificuldades de leitura e escrita não devem ser compreendidas como responsabilidade exclusiva da criança, mas como resultado de um conjunto de condições pedagógicas, sociais e institucionais que precisam ser observadas com sensibilidade.

Outro ponto importante identificado foi o papel essencial do professor como mediador do processo de alfabetização e letramento. O professor dos anos iniciais precisa planejar práticas pedagógicas intencionais, acompanhar o desenvolvimento dos estudantes, propor intervenções adequadas e criar situações reais de leitura e escrita. Sua atuação exige escuta, paciência, conhecimento teórico, criatividade e compromisso com a aprendizagem de todos. Assim, a mediação docente torna-se indispensável para que a criança avance em seu percurso, supere dificuldades e construa uma relação mais confiante com a leitura e a escrita.

As práticas pedagógicas analisadas mostraram que o uso de gêneros textuais, a leitura compartilhada, a produção textual, as atividades lúdicas, os jogos pedagógicos e os recursos digitais podem contribuir significativamente para o fortalecimento da alfabetização e do letramento. No entanto, essas práticas precisam ser planejadas de forma coerente, considerando os objetivos de aprendizagem e as necessidades da turma. A simples presença de materiais, tecnologias ou atividades diferenciadas não garante a aprendizagem, pois é a intencionalidade pedagógica que transforma esses recursos em experiências significativas para os estudantes.

Dessa forma, o problema de pesquisa foi respondido ao se constatar que as práticas pedagógicas desenvolvidas nos anos iniciais do Ensino Fundamental contribuem para o fortalecimento da alfabetização e do letramento quando são contextualizadas, inclusivas, mediadas pelo professor e voltadas ao uso social da leitura e da escrita. Isso significa que a escola precisa criar condições para que os alunos não apenas aprendam o código escrito, mas também compreendam a importância da leitura e da escrita em diferentes situações da vida. Assim, alfabetizar letrando é formar crianças capazes de interpretar textos, expressar ideias, comunicar-se, participar socialmente e construir conhecimentos de maneira mais autônoma.

Conclui-se, portanto, que a alfabetização e o letramento são processos essenciais para a formação integral dos estudantes e para a construção de uma Educação Básica mais democrática, inclusiva e humanizada. A escola tem o compromisso de garantir que todas as crianças tenham acesso a práticas de leitura e escrita significativas, respeitando seus ritmos, suas histórias e suas necessidades. Para isso, é necessário investir na formação dos professores, fortalecer o planejamento pedagógico, ampliar os recursos disponíveis e valorizar práticas que aproximem a criança da cultura escrita de forma acolhedora. Assim, a alfabetização deixa de ser apenas uma etapa escolar e passa a ser compreendida como um direito fundamental para a participação crítica e cidadã na sociedade.

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1 Doutora pela World Univesity Ecumenical. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail