REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/776546893
RESUMO
Este estudo analisa o papel das mídias digitais na promoção da inclusão de estudantes com deficiência no contexto da Educação Inclusiva. Considera-se que a inserção desses estudantes no ensino regular demanda estratégias pedagógicas inovadoras e recursos que assegurem acessibilidade ao conhecimento. Adota-se como objetivo compreender como as tecnologias digitais contribuem para o processo de ensino-aprendizagem, bem como para a promoção do cuidado e da Educação em Saúde. A pesquisa caracteriza-se como uma revisão bibliográfica de natureza descritiva, fundamentada em literatura científica especializada. Os resultados evidenciam que o uso estratégico de mídias digitais potencializa a comunicação, favorece a personalização do ensino e amplia o acesso a informações essenciais, especialmente no que se refere ao cuidado de pessoas com deficiência. Conclui-se que a integração dessas tecnologias à prática pedagógica contribui para a construção de ambientes educacionais mais acessíveis, equitativos e adaptáveis, além de auxiliar na superação de barreiras físicas e comunicacionais, fortalecendo efetivamente os princípios da inclusão.
Palavras-chave: Mídias digitais; Educação inclusiva; Inclusão educacional; Estudantes com deficiência; Tecnologia educacional.
ABSTRACT
This study analyzes the role of digital media in promoting the inclusion of students with disabilities within the context of Inclusive Education. The inclusion of these students in regular education requires innovative pedagogical strategies and resources that ensure access to knowledge. The objective is to understand how digital technologies contribute to the teaching-learning process, as well as to the promotion of care and Health Education. The research is characterized as a descriptive bibliographic review, based on specialized scientific literature. The results indicate that the strategic use of digital media enhances communication, supports the personalization of teaching, and expands access to essential information, particularly regarding the care of people with disabilities. It is concluded that the integration of these technologies into pedagogical practice contributes to the development of more accessible, equitable, and adaptable learning environments, helping to overcome physical and communication barriers and strengthening the principles of inclusion.
Keywords: Digital media; Inclusive education; Educational inclusion; Students with disabilities; Educational technology.
1. INTRODUÇÃO
A educação contemporânea tem como princípio fundamental a garantia de acesso, permanência e aprendizagem para todos os estudantes, em consonância com os pressupostos da Educação Inclusiva. Nesse contexto, a inclusão de estudantes com deficiência no ensino regular constitui um desafio significativo, uma vez que ainda persistem barreiras de natureza arquitetônica, pedagógica e, sobretudo, comunicacional, que dificultam a participação plena desses indivíduos no ambiente escolar. Tais obstáculos evidenciam a necessidade de reconfiguração das práticas educativas, com vistas à promoção de estratégias mais acessíveis, equitativas e centradas nas necessidades dos alunos.
Nesse cenário, as mídias digitais e as tecnologias emergem como importantes aliadas na construção de ambientes educacionais inclusivos. De acordo com Lima, Santos & Chagas (2021), o uso de recursos tecnológicos possibilita a adaptação de conteúdos, a diversificação das metodologias de ensino e a ampliação das formas de comunicação, favorecendo o acesso ao conhecimento por estudantes com diferentes tipos de deficiência. Além disso, tais tecnologias contribuem para o engajamento dos alunos, ao oferecerem múltiplas formas de interação e estímulo sensorial, o que potencializa o processo de ensino-aprendizagem.
Apesar dos avanços proporcionados pelas tecnologias digitais, ainda existem lacunas relacionadas à sua efetiva integração no contexto educacional inclusivo, especialmente no que se refere à formação docente e ao planejamento pedagógico adequado. Nesse sentido, questiona-se: de que forma as mídias digitais podem atuar como facilitadoras no processo de inclusão de estudantes com deficiência, contribuindo para a superação de barreiras educacionais e promovendo sua autonomia e participação?
A relevância desta pesquisa justifica-se pela necessidade de aprofundar a compreensão sobre o papel das tecnologias digitais na Educação Inclusiva, considerando sua crescente presença no cotidiano escolar e seu potencial transformador. Além disso, o estudo contribui para o campo teórico ao sistematizar conhecimentos já produzidos sobre o tema e, no âmbito prático, ao subsidiar educadores e instituições na adoção de estratégias pedagógicas mais inclusivas. Conforme apontam Silveira et al. (2021), o uso das mídias digitais também se estende à promoção da Educação em Saúde, fortalecendo o cuidado e o bem-estar de estudantes com deficiência.
Diante disso, o presente estudo tem como objetivo analisar o papel das mídias digitais como facilitadoras no processo de inclusão de estudantes com deficiência na educação, destacando suas contribuições para o ensino-aprendizagem, a comunicação e o acesso à informação. Para tanto, adota-se uma abordagem baseada em revisão bibliográfica de natureza descritiva, fundamentada em literatura científica especializada.
Assim, este trabalho propõe-se a discutir como a integração das mídias digitais pode contribuir para a construção de práticas pedagógicas mais inclusivas, capazes de superar barreiras e promover uma educação mais acessível, equitativa e alinhada às demandas contemporâneas.
2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA OU REVISÃO DA LITERATURA
A análise do papel das mídias digitais na inclusão de estudantes com deficiência exige a compreensão dos fundamentos teóricos que articulam Educação Inclusiva, tecnologia educacional e acessibilidade. A literatura recente aponta que a incorporação de tecnologias no contexto educacional tem ampliado as possibilidades de participação e aprendizagem, embora ainda existam desafios relacionados à sua implementação efetiva. Nesse sentido, a revisão da literatura permite identificar não apenas os avanços alcançados, mas também as limitações e lacunas que justificam a continuidade das investigações na área (SILVEIRA et al., 2021).
2.1. Educação Inclusiva e os Desafios Contemporâneos
A Educação Inclusiva fundamenta-se no princípio da equidade, garantindo que todos os estudantes tenham acesso ao ensino de qualidade, independentemente de suas condições. No entanto, a concretização desse modelo ainda enfrenta desafios significativos, especialmente no que se refere à adaptação das práticas pedagógicas e à eliminação de barreiras estruturais e comunicacionais.
Segundo Lima, Santos & Chagas (2021), os modelos educacionais tradicionais, baseados na padronização do ensino, tendem a dificultar a inclusão ao desconsiderarem as diferenças individuais dos estudantes. Essa realidade evidencia a necessidade de transformação das práticas pedagógicas, com a adoção de metodologias mais flexíveis e centradas no aluno. Além disso, a ausência de formação docente adequada para lidar com a diversidade compromete a efetividade das ações inclusivas.
Outro fator relevante refere-se às barreiras comunicacionais, que limitam o acesso à informação e dificultam a participação dos estudantes com deficiência. Nesse contexto, Lima, Santos & Chagas (2021) destacam que a superação dessas barreiras depende da adoção de estratégias que promovam acessibilidade e inclusão de forma integrada. Assim, a Educação Inclusiva demanda não apenas mudanças estruturais, mas também uma reformulação das concepções educacionais, visando garantir a participação plena de todos os estudantes.
2.2. Mídias Digitais Como Dispositivos de Inclusão Educacional
As mídias digitais têm se consolidado como importantes dispositivos na promoção da inclusão educacional, ao ampliarem as possibilidades de acesso ao conhecimento e favorecerem a adaptação de conteúdos às necessidades dos estudantes. Essas tecnologias permitem a utilização de múltiplas linguagens, contribuindo para a construção de ambientes de aprendizagem mais acessíveis e interativos.
De acordo com Lima, Santos & Chagas (2021), o uso de tecnologias digitais potencializa a comunicação e favorece a personalização do ensino, permitindo que os conteúdos sejam ajustados aos diferentes ritmos e estilos de aprendizagem. Essa personalização é especialmente relevante no contexto da Educação Inclusiva, pois possibilita atender às especificidades de cada estudante, promovendo maior equidade no processo educativo.
Além disso, as mídias digitais contribuem para a superação de barreiras comunicacionais por meio de recursos como leitores de tela, legendas e conteúdos multimodais. Esses recursos ampliam o acesso à informação e garantem condições mais equitativas de aprendizagem. Conforme destacam Lima, Santos & Chagas (2021), quando utilizadas de forma planejada e intencional, as tecnologias digitais tornam-se ferramentas fundamentais para a inclusão.
Outro aspecto importante refere-se à promoção da autonomia dos estudantes. O uso de tecnologias digitais permite que os alunos interajam com o conteúdo de forma independente, favorecendo o desenvolvimento de habilidades cognitivas e sociais. Nesse sentido, as mídias digitais não apenas facilitam o acesso ao conhecimento, mas também contribuem para a formação de sujeitos mais ativos e participativos no processo educativo.
2.3. Tecnologias Digitais no Ensino e na Promoção do Cuidado
A inserção das tecnologias digitais no contexto da Educação Inclusiva não se limita à mediação do processo de ensino-aprendizagem, estendendo-se de forma significativa à promoção do cuidado e da Educação em Saúde de estudantes com deficiência. Essa abordagem amplia a compreensão da inclusão ao considerar o indivíduo em sua totalidade, integrando dimensões cognitivas, físicas, emocionais e sociais no processo educativo.
Nesse sentido, as mídias digitais configuram-se como instrumentos estratégicos para a disseminação de informações em saúde, possibilitando o acesso a conteúdos educativos de forma acessível, adaptada e contínua. Silveira et al. (2021) destacam que o uso dessas tecnologias favorece a democratização do conhecimento em saúde, permitindo que informações essenciais sejam transmitidas por meio de diferentes formatos, como vídeos, áudios, infográficos e cartilhas digitais interativas. Essa diversidade de linguagens contribui para atender às necessidades específicas de estudantes com diferentes tipos de deficiência, garantindo maior compreensão e efetividade na comunicação.
Além disso, as tecnologias digitais desempenham um papel fundamental na construção de uma rede de apoio mais articulada e eficiente. Por meio de plataformas digitais, aplicativos de comunicação e ambientes virtuais, torna-se possível integrar escola, família e profissionais da saúde, promovendo o compartilhamento de informações e o acompanhamento mais próximo das condições dos estudantes. Essa articulação favorece intervenções mais rápidas e eficazes, contribuindo para a prevenção de agravos e para a promoção do bem-estar (SILVEIRA et al., 2021).
Outro aspecto relevante refere-se à potencialização da autonomia dos estudantes com deficiência. O acesso facilitado a informações sobre cuidados pessoais, rotinas de saúde e uso de tecnologias assistivas permite que esses indivíduos desenvolvam maior independência na gestão de suas próprias necessidades. Nesse contexto, as mídias digitais atuam não apenas como ferramentas informativas, mas também como instrumentos de empoderamento, ao possibilitarem que o estudante participe ativamente de seu processo de cuidado.
No âmbito pedagógico, observa-se que a integração entre ensino e cuidado, mediada pelas tecnologias digitais, contribui para a construção de práticas educativas mais inclusivas e contextualizadas. Lima, Santos & Chagas (2021) ressaltam que o uso intencional dessas tecnologias favorece a adaptação dos conteúdos e a ampliação das estratégias de ensino, permitindo que aspectos relacionados à saúde e ao bem-estar sejam incorporados ao processo educativo de forma transversal. Essa integração fortalece a aprendizagem significativa, ao relacionar os conteúdos escolares com a realidade vivenciada pelos estudantes.
Adicionalmente, as mídias digitais possibilitam a criação de ambientes de aprendizagem que consideram as especificidades dos estudantes com deficiência, promovendo experiências mais acessíveis e interativas. Recursos como vídeos com acessibilidade, aplicativos educativos e plataformas digitais adaptadas permitem que conteúdos relacionados à saúde sejam apresentados de maneira compreensível e adequada às diferentes limitações sensoriais e cognitivas. Conforme apontam Silveira et al. (2021), essa adaptação é essencial para garantir que a informação seja efetivamente assimilada, evitando que a falta de acessibilidade se torne uma nova barreira.
Entretanto, apesar das potencialidades, a literatura também evidencia desafios que precisam ser considerados. A efetividade do uso das tecnologias digitais na promoção do cuidado depende de fatores como o acesso aos recursos tecnológicos, a qualidade das informações disponibilizadas e a capacitação dos profissionais envolvidos. Lima, Santos & Chagas (2021) destacam que a ausência de planejamento pedagógico e de formação adequada pode comprometer a utilização dessas ferramentas, reduzindo seu impacto no contexto inclusivo.
Outro desafio importante refere-se à necessidade de desenvolvimento de conteúdos digitais acessíveis e de qualidade, que considerem as especificidades dos diferentes tipos de deficiência. A produção de materiais inadequados ou não adaptados pode limitar o potencial inclusivo das tecnologias, reforçando desigualdades em vez de superá-las. Nesse sentido, torna-se fundamental que haja investimento na produção de recursos educacionais acessíveis e na formação de profissionais capacitados para utilizá-los de forma eficaz.
Dessa forma, evidencia-se que as tecnologias digitais desempenham um papel multifuncional na Educação Inclusiva, atuando simultaneamente como ferramentas pedagógicas, instrumentos de comunicação e dispositivos de promoção do cuidado. Sua integração ao contexto educacional representa uma estratégia abrangente, capaz de contribuir não apenas para a aprendizagem, mas também para a melhoria da qualidade de vida dos estudantes com deficiência.
2.4. Tecnologias da Informação e Comunicação e a Deficiência Visual
No contexto da Educação Inclusiva, a utilização das Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) revela-se especialmente relevante para estudantes com deficiência visual, uma vez que essas ferramentas representam, em muitos casos, o principal meio de acesso ao conhecimento e à informação. A limitação do sentido da visão impõe barreiras significativas ao modelo tradicional de ensino, fortemente baseado em recursos visuais, o que torna indispensável a adoção de tecnologias assistivas capazes de promover acessibilidade e autonomia.
As TICs possibilitam a transposição de conteúdos visuais para formatos acessíveis, como áudio e linguagem tátil, ampliando significativamente as oportunidades de aprendizagem. Entre os recursos mais utilizados, destacam-se os softwares leitores de tela, que convertem textos digitais em fala sintetizada, permitindo que estudantes com deficiência visual naveguem por conteúdos digitais de forma independente. Além disso, ferramentas de ampliação de tela beneficiam alunos com baixa visão, ao possibilitarem o ajuste de tamanho, contraste e nitidez dos elementos visuais.
Silva & Nogueira (2023) destacam que essas tecnologias desempenham um papel fundamental na promoção da autonomia dos estudantes, ao reduzirem a dependência de mediação constante por parte de terceiros. Esse aspecto é particularmente relevante no contexto educacional, pois favorece a participação ativa do aluno no processo de aprendizagem, contribuindo para o desenvolvimento de competências cognitivas e sociais. A possibilidade de acessar conteúdos digitais, realizar pesquisas e interagir em ambientes virtuais amplia significativamente o potencial de inclusão desses estudantes.
Outro avanço importante proporcionado pelas TICs refere-se à acessibilidade de materiais didáticos. A digitalização de conteúdos permite sua adaptação para formatos compatíveis com tecnologias assistivas, como arquivos de texto acessíveis, audiolivros e materiais em Braille digital. Essa flexibilidade contribui para a democratização do acesso ao conhecimento, reduzindo desigualdades historicamente enfrentadas por estudantes com deficiência visual.
Entretanto, apesar das potencialidades, a efetividade das TICs no contexto da inclusão ainda enfrenta desafios significativos. Silva & Nogueira (2023) apontam que a ausência de formação específica para professores constitui um dos principais obstáculos para a utilização adequada dessas tecnologias. Muitos profissionais da educação não possuem preparo para integrar as TICs ao processo pedagógico, o que limita seu potencial inclusivo.
Além disso, a escassez de recursos tecnológicos em diversas instituições de ensino representa uma barreira concreta à implementação dessas ferramentas. A falta de equipamentos adequados, como computadores com softwares acessíveis e dispositivos de apoio, compromete o acesso dos estudantes às tecnologias disponíveis. Soma-se a isso a existência de materiais digitais que não seguem princípios de acessibilidade, dificultando sua utilização por pessoas com deficiência visual.
Outro ponto relevante refere-se à necessidade de desenvolvimento de conteúdos digitais inclusivos desde sua concepção. A acessibilidade não deve ser tratada como um elemento adicional, mas como um princípio estruturante na produção de materiais educacionais. Nesse sentido, a adoção de diretrizes de acessibilidade digital torna-se fundamental para garantir que os recursos tecnológicos sejam efetivamente utilizáveis por todos os estudantes.
Lima, Santos & Chagas (2021) reforçam que a integração das tecnologias digitais no contexto educacional deve ocorrer de forma planejada e intencional, considerando as necessidades específicas dos alunos. No caso da deficiência visual, isso implica não apenas disponibilizar ferramentas tecnológicas, mas também garantir sua adequada utilização pedagógica, de modo a promover aprendizagem significativa.
Dessa forma, evidencia-se que as TICs possuem um papel central na inclusão de estudantes com deficiência visual, ao possibilitarem o acesso à informação, a participação no ambiente educacional e o desenvolvimento da autonomia. No entanto, para que esse potencial seja plenamente alcançado, é necessário investir em formação docente, infraestrutura tecnológica e produção de materiais acessíveis, assegurando que as tecnologias sejam utilizadas como instrumentos efetivos de inclusão.
3. METODOLOGIA
Esta é a parte na qual se diz como foi feita a pesquisa. Existem várias formas de se explicitar uma metodologia. Deve-se optar por uma maneira que dê suporte adequado para realização da pesquisa ou sua replicação.
Nesta parte do trabalho são realizadas descrições dos passos dados e dos procedimentos/recursos que foram utilizados no desenvolvimento da pesquisa. Assim, devem ser mostrados, de forma detalhada, os instrumentos, procedimentos e ferramentas dos caminhos para se atingir o objetivo da pesquisa, definindo ainda o tipo de pesquisa, a população (universo da pesquisa), a amostragem (parte da população ou do universo, selecionada de acordo com uma regra), os instrumentos de coleta de dados e a forma como os dados foram tabulados e analisados.
Todos os tipos de pesquisa devem apresentar material e métodos.
4. RESULTADOS E DISCUSSÕES OU ANÁLISE DOS DADOS
A análise da literatura permitiu identificar que as mídias digitais desempenham um papel significativo na promoção da inclusão de estudantes com deficiência, especialmente no que se refere à acessibilidade, à personalização do ensino e à ampliação das formas de comunicação. Os estudos selecionados evidenciam convergência quanto ao potencial das tecnologias digitais como instrumentos facilitadores no contexto educacional inclusivo.
Com o objetivo de sistematizar os principais achados, apresenta-se a Tabela 1, que sintetiza as contribuições dos autores analisados:
Tabela 1 – Síntese das contribuições da literatura analisada
Autor(es) | Contribuição principal | Aplicação na inclusão |
Lima, Santos & Chagas (2021) | Uso de mídias digitais como dispositivos pedagógicos | Personalização do ensino e acessibilidade |
Silveira et al. (2021) | Tecnologias digitais na Educação em Saúde | Promoção do cuidado e apoio à rede familiar |
Silva & Nogueira (2023) | TICs na deficiência visual | Acesso à informação e autonomia |
Fonte: Elaborada pela autora (2026)
A partir da análise apresentada, observa-se que Lima, Santos & Chagas (2021) destacam o papel das tecnologias digitais na adaptação dos conteúdos e na diversificação das práticas pedagógicas. Esses achados corroboram a ideia de que a personalização do ensino é um dos principais benefícios proporcionados pelas mídias digitais, permitindo atender às necessidades específicas dos estudantes com deficiência.
No mesmo sentido, os resultados apontam que a superação de barreiras comunicacionais é um dos aspectos mais relevantes no uso dessas tecnologias. Recursos como leitores de tela, legendas e conteúdos multimodais ampliam o acesso à informação, favorecendo a inclusão. Esse entendimento está alinhado com os apontamentos de Silva & Nogueira (2023), que evidenciam o papel das TICs na promoção da autonomia de estudantes com deficiência visual, embora ressaltem limitações relacionadas à formação docente e à infraestrutura.
Além disso, a análise evidencia que as mídias digitais também contribuem para além do ensino, alcançando a dimensão do cuidado e da Educação em Saúde. Conforme Silveira et al. (2021), essas tecnologias possibilitam a disseminação de informações acessíveis sobre saúde, fortalecendo a rede de apoio e contribuindo para o bem-estar dos estudantes. Esse aspecto amplia a compreensão da inclusão, integrando dimensões educacionais e sociais.
Entretanto, apesar dos benefícios identificados, a literatura também aponta desafios que limitam a efetividade das mídias digitais na Educação Inclusiva. Entre eles, destacam-se a insuficiência de formação docente, a escassez de recursos tecnológicos e a ausência de planejamento pedagógico adequado. Esses fatores indicam que a simples presença da tecnologia não garante a inclusão, sendo necessário um uso intencional e articulado às práticas educativas.
Dessa forma, ao confrontar os dados obtidos com a literatura analisada, verifica-se consenso entre os autores quanto ao potencial das mídias digitais como ferramentas de inclusão, mas também quanto à necessidade de investimentos em formação, infraestrutura e planejamento. Assim, os resultados reforçam que a efetividade dessas tecnologias depende diretamente das condições em que são implementadas no contexto educacional.
5. CONCLUSÃO/CONSIDERAÇÕES FINAIS
Conclui-se que as mídias digitais desempenham um papel estruturante na promoção da inclusão de estudantes com deficiência, ao possibilitarem a ampliação do acesso ao conhecimento, a adaptação dos conteúdos e a diversificação das estratégias pedagógicas. Verifica-se que essas tecnologias contribuem para a superação de barreiras comunicacionais e metodológicas, favorecendo a participação ativa dos estudantes no processo educativo.
Constata-se que o objetivo da pesquisa é plenamente atingido, uma vez que se evidencia que as mídias digitais atuam como facilitadoras efetivas da inclusão educacional, promovendo não apenas o ensino-aprendizagem, mas também o desenvolvimento da autonomia, da interação social e do engajamento dos estudantes com deficiência. Observa-se que o uso dessas tecnologias fortalece a construção de ambientes educacionais mais acessíveis, equitativos e alinhados às demandas contemporâneas.
Identifica-se que a integração entre tecnologias digitais, práticas pedagógicas inclusivas e ações voltadas ao cuidado amplia a compreensão da inclusão, ao considerar o estudante em sua totalidade. Nesse sentido, as mídias digitais contribuem para a promoção do bem-estar, ao facilitar o acesso à informação em saúde e ao fortalecer a articulação entre escola, família e rede de apoio, favorecendo condições mais adequadas para o desenvolvimento integral dos estudantes.
Evidencia-se, ainda, que as Tecnologias da Informação e Comunicação assumem papel central na inclusão de estudantes com deficiência visual, ao possibilitarem o acesso à informação por meio de recursos adaptados, promovendo maior independência e igualdade de oportunidades no contexto educacional. Esse aspecto reforça o potencial das tecnologias como instrumentos de democratização do ensino.
Reconhece-se, contudo, que a efetividade dessas tecnologias depende diretamente de fatores estruturais e pedagógicos, como a formação continuada dos professores, a disponibilidade de recursos tecnológicos e o planejamento adequado das práticas educativas. A ausência desses elementos limita o potencial inclusivo das mídias digitais, indicando a necessidade de ações institucionais mais consistentes.
Aponta-se como contribuição teórica o fortalecimento da compreensão sobre o papel das mídias digitais como elementos centrais na Educação Inclusiva, superando a visão de ferramentas auxiliares e reconhecendo-as como dispositivos pedagógicos essenciais. No âmbito prático, destaca-se a necessidade de implementação de estratégias que integrem, de forma intencional, as tecnologias digitais ao cotidiano escolar, promovendo práticas mais inclusivas e eficazes.
Como limitação do estudo, observa-se que a pesquisa se baseia em revisão bibliográfica, não contemplando dados empíricos que possam evidenciar a aplicação prática das tecnologias em contextos específicos. Dessa forma, sugere-se a realização de estudos futuros de natureza aplicada, que investiguem a utilização das mídias digitais em diferentes realidades educacionais, bem como a análise de práticas pedagógicas inovadoras voltadas à inclusão.
Dessa maneira, conclui-se que a utilização planejada e intencional das mídias digitais constitui um caminho viável e necessário para a consolidação da Educação Inclusiva, contribuindo para a garantia do direito à educação de forma plena, acessível e socialmente relevante.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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SILVA, P. F. R. da; NOGUEIRA, U. S. As novas tecnologias de informação e comunicação na educação inclusiva de alunos com deficiência visual: um olhar sobre desafios e potencialidades. ID on Line. Revista de Psicologia, v. 17, n. 66, p. 370–383, 2023. DOI: https://doi.org/10.14295/idonline.v17i66.3722.
SILVEIRA, A. da; COSTA, Y. S.; HURTIG, L. G. E.; TRACZINSKI, J.; CAPPA, E. L. P. Educação em saúde para o cuidado de pessoas com deficiência por meio de mídias digitais. Disciplinarum Scientia Saúde, v. 22, n. 1, p. 405–416, 2021. Disponível em: https://periodicos.ufn.edu.br/index.php/disciplinarumS/article/view/4032. Acesso em: 11 abr. 2026.
1 Graduação em Pedagogia. Especialista em Psicopedagogia Clínica e Institucional. Mestranda em Tecnologias Emergentes em Educação pela Must University. E-mail: [email protected]