A PRESENÇA DOCENTE DO PROFESSOR-TUTOR ONLINE COMO SUPORTE À AUTONOMIA DO ESTUDANTE
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REGISTRO DOI: 10.5281/zenodo.18383531
Emanuelle Montes Lopes Santos1
RESUMO
Este artigo aborda a relevância da presença docente do professor-tutor em ambientes virtuais de aprendizagem (AVA) como um fator crucial para o desenvolvimento da autonomia do estudante na Educação a Distância (EaD). O objetivo é analisar como a atuação do professortutor online pode fortalecer práticas pedagógicas que priorizam o protagonismo do aluno e sua capacidade de autogestão da aprendizagem. A metodologia empregada é a pesquisa teórica, fundamentada em uma perspectiva sociocultural construtivista, que examina conceitos como autonomia, presença docente e o processo de ensino-aprendizagem no AVA. O conteúdo pesquisado engloba as bases teóricas da EaD, as características e o perfil do estudante online e o papel do professor-tutor na mediação e interação. Os achados indicam que o suporte mediador e dialógico do professor-tutor é essencial para promover a motivação, a autodisciplina e a apropriação de estratégias de aprendizagem pelo aluno, elementos que configuram a autonomia. Conclui-se que o professor-tutor, ao exercer uma presença ativa e de suporte, atua como um coconstrutor do conhecimento e facilitador da autonomia, contribuindo significativamente para a eficácia e a qualidade social dos cursos em EaD.
Palavras-chave: Presença Docente. Professor-Tutor. Autonomia do Estudante. Educação a Distância. Ambiente Virtual de Aprendizagem.
ABSTRACT
This article addresses the relevance of the teaching presence of the online tutor-professor in virtual learning environments (VLE) as a crucial factor for the development of student autonomy in Distance Education (DE). The objective is to analyze how the performance of the online tutor-professor can strengthen pedagogical practices that prioritize student protagonism and their self-management of learning capacity. The methodology employed is theoretical research, grounded in a constructivist sociocultural perspective, which examines concepts such as autonomy, teaching presence, and the teaching-learning process in the VLE. The content researched encompasses the theoretical foundations of DE, the characteristics and profile of the online student, and the role of the tutor-professor in mediation and interaction. Findings indicate that the mediating and dialogic support of the tutor-professor is essential to promote motivation, self-discipline, and the appropriation of learning strategies by the student, elements that configure autonomy. It is concluded that the tutor-professor, by exercising an active and supportive presence, acts as a co-constructor of knowledge and a facilitator of autonomy, contributing significantly to the effectiveness and social quality of DE courses.
Keywords: Teaching Presence. Tutor-Professor. Student Autonomy. Distance Education. Virtual Learning Environment.
1. INTRODUÇÃO
O cenário educacional contemporâneo é profundamente marcado pela expansão da Educação a Distância (EaD), uma modalidade que, conforme Preti (2005), se consolida como uma prática educativa mediatizada, impulsionada pela globalização e pela necessidade de democratização do acesso ao ensino. Nesse contexto, a eficácia do processo de ensinoaprendizagem depende criticamente de novos arranjos pedagógicos, nos quais a figura do estudante adquire um papel central, exigindo dele maior autonomia, autodisciplina e capacidade de autogestão do seu percurso formativo. A autonomia do estudante é, portanto, um dos pilares do sucesso em EaD.
Entretanto, esta autonomia não é uma condição inata, mas uma capacidade que deve ser construída e apoiada. É neste ponto que emerge a relevância do professor-tutor online, cuja atuação transcende a mera função técnica e se estabelece como um suporte pedagógico essencial. O tema deste artigo, A presença docente do professor-tutor online como suporte à autonomia do estudante, busca justamente situar e analisar essa relação crucial no ambiente virtual.
Para a compreensão do tema, é necessário abordar três conceitos fundamentais que estruturam este estudo. O primeiro é a Autonomia do Estudante, que se refere à capacidade do aluno de planejar, executar e avaliar sua própria aprendizagem, um atributo cuja importância é destacada por Gomes, Mota, & Leonardo (2014) ao analisarem o perfil do aluno como determinante para a motivação e a conclusão de cursos a distância.
O segundo conceito é o de Presença Docente, que, segundo Jesus Silva & Maciel (2014), engloba o conjunto de ações e interações que o professor-tutor realiza no Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) para mediar a construção do conhecimento e fomentar a participação. O terceiro conceito é a Mediação Pedagógica, que, à luz da Psicologia Cultural, justifica a intervenção do tutor na Zona de Desenvolvimento Proximal do aluno, fornecendo o scaffolding necessário para o desenvolvimento da autonomia (Jesus Silva & Maciel, 2014; Preti, 2005).
O objetivo geral deste trabalho é analisar como a presença docente do professor-tutor online se manifesta como um fator de suporte pedagógico para o desenvolvimento e fortalecimento da autonomia do estudante em cursos de EaD.
Como controvérsia relevante, destaca-se a tensão entre a exigência de independência do aluno a distância e a necessidade de suporte constante e mediado. Por um lado, espera-se que o aluno seja autônomo; por outro, a falta de uma presença docente efetiva pode levar ao isolamento, à desmotivação e, consequentemente, à evasão, conforme sinalizam as reflexões sobre o perfil do aluno (Gomes, Mota, & Leonardo, 2014).
A linha de pensamento que sustenta esta pesquisa é a Abordagem Sociocultural Construtivista, que compreende a autonomia como um processo coconstruído, no qual a interação e a mediação são cruciais (Jesus Silva & Maciel, 2014).
O presente estudo é de natureza bibliográfica, conduzido por meio de pesquisa e análise de literatura especializada. A metodologia consistiu na análise aprofundada de artigos científicos e obras que tratam da EaD, da autonomia do estudante e da atuação do professor- utor online. O estudo foi conduzido mediante a articulação de três eixos temáticos principais: os fundamentos teóricos da EaD e a mediação; o perfil do estudante online e o papel da autonomia; e a presença docente como suporte ao desenvolvimento autônomo, permitindo uma síntese informativa clara e concisa dos pontos mais relevantes.
Para desenvolver esta análise, o artigo está estruturado em três seções principais, após esta introdução. A primeira seção, "A Autonomia e o Perfil do Estudante na Educação a Distância", delineia as características do aluno online e a essencialidade da autonomia. A segunda, "A Presença Docente do Professor-Tutor Online: Mediação e Suporte", detalha o papel do tutor sob a ótica da mediação pedagógica. Por fim, a terceira seção, "Presença Docente como Fomento à Autonomia", articula diretamente a atuação do tutor com o desenvolvimento da autogestão da aprendizagem pelo estudante.
2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
O desenvolvimento da Educação a Distância (EaD) impõe uma reconfiguração nos papéis de todos os atores envolvidos no processo educativo. A passagem do modelo presencial para o virtual exige uma análise aprofundada das dinâmicas de interação e dos mecanismos de suporte pedagógico. A parte principal deste trabalho se dedica a elucidar como a atuação do professor-tutor online, mediante sua presença docente, estabelece o arcabouço teórico necessário para que o estudante desenvolva a autonomia crucial ao sucesso na modalidade.
A EaD não é apenas uma transposição de conteúdo para o meio digital; ela é, fundamentalmente, uma prática educativa mediadora e mediatizada (Preti, 2005). Isso significa que o processo de ensino-aprendizagem é intermediado por tecnologias e, mais crucialmente, pela ação intencional de um agente humano: o professor-tutor.
A ausência do contato face a face, característico do ensino a distância, coloca sobre o estudante a responsabilidade de gerenciar seu próprio aprendizado, exigindo habilidades como autodisciplina e automotivação.
Gomes, Mota, & Leonardo (2014) enfatizam que o perfil do aluno — que abrange sua experiência prévia, habilidades em informática e capacidade de organização — é um fator determinante para a motivação e a aprendizagem.
No entanto, é ingênuo supor que essas habilidades estejam plenamente desenvolvidas em todos os alunos que ingressam na EaD. É aqui que o suporte mediador do tutor se torna indispensável.
O professor-tutor, ao exercer sua presença docente, age como um coconstrutor, intervindo no processo de aprendizagem para transformar a dependência inicial do estudante em autonomia consolidada. Jesus Silva & Maciel (2014), sob a luz da Abordagem Sociocultural Construtivista, argumentam que a autonomia não deve ser vista como um pressuposto, mas como um objetivo pedagógico que se constrói na interação. A intervenção do tutor, nesse sentido, é uma forma de scaffolding (andaime), fornecendo o apoio estrutural necessário para que o aluno transponha as dificuldades iniciais e se aproprie das estratégias de autorregulação. O desmantelamento gradual desse suporte é o que permite a internalização das ferramentas cognitivas e comportamentais necessárias para a independência.
A atuação do tutor, portanto, é a materialização da mediação pedagógica, garantindo que a flexibilidade da EaD não se traduza em isolamento e que as lacunas no perfil do aluno sejam mitigadas por estratégias de suporte direcionado.
O conhecimento aprofundado do perfil do aluno é crucial para que o tutor possa implementar estratégias eficazes, como sugerem Gomes, Mota, & Leonardo (2014), que analisam a importância desse conhecimento para a escolha de materiais didáticos e mídias adequadas, preceito que se alinha à visão de Preti (2005) sobre a necessidade de um projeto pedagógico sólido e contextualizado na EaD. O desenvolvimento desta seção se aprofundará nas dimensões da presença docente e nos mecanismos pelos quais ela fomenta a autonomia, articulando as perspectivas teóricas com as necessidades práticas do ambiente virtual.
A construção da autonomia do estudante na EaD depende intimamente da capacidade do professor-tutor de adaptar sua presença às características individuais dos alunos. A heterogeneidade do perfil discente, que inclui diferenças em habilidades tecnológicas, níveis de motivação e estilos de aprendizagem, exige uma abordagem diferenciada de mediação pedagógica. Gomes, Mota & Leonardo (2014) destacam que a personalização do suporte é um fator crítico para transformar a dependência inicial em autoeficácia no aprendizado online. O tutor deve, portanto, identificar pontos fortes e lacunas, oferecendo orientações e estratégias ajustadas a cada necessidade específica.
A comunicação assíncrona, característica marcante da EaD, impõe desafios singulares à presença docente. Preti (2005) argumenta que, embora a interação não ocorra em tempo real, é possível criar sensação de proximidade e engajamento por meio de feedbacks detalhados, fóruns de discussão moderados e mensagens personalizadas. A eficácia dessa mediação depende do planejamento estratégico do tutor, que deve equilibrar a frequência e a profundidade das interações para manter o aluno motivado e evitar a sobrecarga de informações.
Jesus Silva & Maciel (2014) reforçam que o papel do tutor não é apenas operacional, mas também cognitivo e socioemocional. Ao interagir com o estudante, o tutor atua como mediador que fornece scaffolding — suporte temporário que gradualmente diminui à medida que o aluno internaliza estratégias de aprendizagem. Este processo é essencial para que a EaD se concretize como uma experiência educacional significativa, em que a autonomia não é pressuposta, mas construída por meio da orientação contínua e da reflexão sobre o próprio desempenho.
A identificação precoce de dificuldades é um dos elementos centrais da atuação do tutor. Gomes, Mota & Leonardo (2014) destacam que ferramentas digitais de monitoramento de atividades, como registros de acesso, participação em fóruns e desempenho em avaliações intermediárias, permitem ao tutor detectar padrões de engajamento e áreas de vulnerabilidade. Esse diagnóstico contínuo possibilita intervenções direcionadas, fortalecendo o processo de aprendizagem e prevenindo a desmotivação ou a evasão do aluno.
A presença docente eficaz na EaD não se limita à mediação cognitiva. Preti (2005) enfatiza que o tutor deve construir um ambiente de suporte emocional, especialmente porque a ausência de contato presencial pode gerar sentimentos de isolamento. Mensagens de incentivo, reconhecimento de conquistas e acompanhamento individualizado contribuem para a criação de vínculos afetivos, que são determinantes para a persistência e o engajamento do aluno ao longo do curso.
A utilização estratégica de recursos digitais é outro aspecto fundamental para a presença docente. Gomes, Mota & Leonardo (2014) defendem que a escolha de mídias, atividades interativas e simuladores deve estar alinhada ao perfil do aluno e aos objetivos pedagógicos. Quando bem aplicados, esses recursos potencializam a aprendizagem, tornando o tutor um guia ativo que transforma o conteúdo digital em experiências significativas.
Jesus Silva & Maciel (2014) destacam que a promoção da autonomia envolve não apenas o fornecimento de ferramentas e recursos, mas também a instrução sobre como utilizá-los de forma eficaz. O tutor deve ensinar o aluno a organizar seu estudo, planejar prazos e desenvolver estratégias de autorregulação, aspectos essenciais para que o estudante se torne capaz de gerenciar seu próprio aprendizado sem dependência contínua.
A avaliação formativa é um instrumento poderoso na mediação pedagógica. Preti (2005) argumenta que o tutor deve utilizar avaliações contínuas e retroalimentações detalhadas para monitorar o progresso do aluno. Esse acompanhamento não apenas informa sobre o desempenho acadêmico, mas também permite ajustes na mediação, garantindo que o suporte seja dinâmico e responsivo às necessidades emergentes.
Gomes, Mota & Leonardo (2014) observam que a presença docente deve ser percebida de forma consistente pelo aluno. A clareza na comunicação, a disponibilidade para esclarecimentos e a regularidade do feedback contribuem para criar uma sensação de presença real, mesmo em um ambiente virtual. Essa percepção fortalece o vínculo entre tutor e estudante, elemento crítico para a construção da autonomia.
A aprendizagem colaborativa, mediada pelo tutor, é outro fator essencial na EaD. Jesus Silva & Maciel (2014) destacam que fóruns, grupos de discussão e projetos em equipe permitem a troca de experiências e a construção conjunta de conhecimento. O tutor atua como facilitador, promovendo interações produtivas e garantindo que todos os alunos participem ativamente, fortalecendo competências sociais e cognitivas.
A mediação do tutor também inclui a capacidade de identificar e responder a dificuldades emocionais e motivacionais. Preti (2005) enfatiza que, em muitos casos, o fracasso acadêmico na EaD está relacionado mais à desmotivação ou à ansiedade do que à incapacidade cognitiva. O acompanhamento individualizado e o incentivo constante ajudam a mitigar esses fatores, criando um ambiente seguro e propício à aprendizagem.
Gomes, Mota & Leonardo (2014) reforçam a importância de um planejamento estratégico da presença docente, integrando métodos síncronos e assíncronos. Webinars, chats ao vivo e videochamadas combinados a fóruns, e-mails e feedbacks escritos permitem ao tutor ajustar o ritmo e a intensidade de sua intervenção, garantindo que o suporte seja contínuo e efetivo.
Jesus Silva & Maciel (2014) defendem que a presença docente é um facilitador da metacognição. Ao orientar o aluno na reflexão sobre seus processos de aprendizagem, o tutor ensina estratégias de monitoramento e ajuste de suas próprias abordagens, permitindo que a autonomia seja internalizada e aplicada de forma autônoma no futuro.
A tecnologia não substitui o papel do tutor, mas amplifica sua atuação. Preti (2005) argumenta que a EaD bem-sucedida combina inteligência pedagógica humana com recursos tecnológicos, criando uma sinergia que maximiza os resultados de aprendizagem. O tutor é, portanto, central na mediação do conteúdo, no estímulo à interação e na condução da reflexão crítica.
Gomes, Mota & Leonardo (2014) destacam que o sucesso da EaD depende da consistência do tutor em manter padrões de acompanhamento e suporte. A irregularidade nas interações ou a ausência de feedback pode levar à frustração do aluno, demonstrando que a presença docente não é apenas física ou digital, mas também perceptível e confiável.
Jesus Silva & Maciel (2014) abordam a importância do scaffolding gradual. O tutor deve fornecer suporte suficiente para superar obstáculos iniciais, mas reduzir progressivamente a intervenção à medida que o aluno ganha segurança. Esse balanceamento é crítico para evitar dependência e fomentar autonomia efetiva.
O planejamento da atuação docente envolve também a escolha criteriosa de atividades que promovam a autoeficácia. Preti (2005) sugere que tarefas desafiadoras, mas alcançáveis, combinadas a feedback construtivo, incentivam a perseverança e a internalização de estratégias de estudo eficazes.
Gomes, Mota & Leonardo (2014) observam que a análise de dados de interação do aluno permite ao tutor antecipar dificuldades futuras. Essa abordagem proativa reduz a incidência de problemas acadêmicos e cria um ambiente de aprendizagem adaptativo, em que a presença docente é estratégica e baseada em evidências.
A mediação do tutor também deve considerar fatores culturais e contextuais. Jesus Silva & Maciel (2014) defendem que compreender a realidade do estudante, seu ambiente familiar e social, permite personalizar o suporte, aumentando a relevância e a eficácia das intervenções pedagógicas na EaD.
3. RESULTADOS E DISCUSSÃO
O sucesso na Educação a Distância demanda do aluno um conjunto de competências que nem sempre são inerentes à sua formação inicial. Gomes, Mota, & Leonardo (2014) sublinham que a autodisciplina, a automotivação e o gerenciamento eficaz do tempo são habilidades essenciais para o aprendiz a distância.
A análise do perfil do aluno, que revela a predominância de certas características e habilidades, ou a carência delas, fornece subsídios fundamentais para a adequação das estratégias de ensino. Se um aluno demonstra baixa proficiência em informática ou dificuldade em organizar sua rotina de estudos, o risco de evasão e de desempenho insatisfatório aumenta consideravelmente. A autonomia, neste contexto, não significa apenas estudar sozinho, mas sim ter a capacidade de regular a própria aprendizagem, que envolve desde a definição de metas até a avaliação dos resultados (Gomes, Mota, & Leonardo, 2014).
Quando esta capacidade não está plenamente desenvolvida, a presença docente torna-se uma ferramenta de intervenção pedagógica preventiva e corretiva. A mediação do tutor atua diretamente sobre as fragilidades identificadas no perfil do aluno, transformando desafios em oportunidades de desenvolvimento. Jesus Silva & Maciel (2014) afirmam que o suporte à autonomia ocorre pela coconstrução da aprendizagem, o que implica que o tutor deve intervir para ajudar o aluno a superar obstáculos, mas sem tomar o lugar dele no processo de aprendizado. A tarefa do professor-tutor é, portanto, delicada: fornecer o suporte exato para que o aluno avance, sem criar uma dependência.
A presença docente no AVA não é um conceito monolítico; ela se manifesta por meio de diferentes dimensões que, articuladas, constroem o ambiente de suporte necessário à autonomia. Jesus Silva & Maciel (2014) destacam a importância de se analisar a presença docente sob a perspectiva da Psicologia Cultural, que reconhece o papel crucial da interação social na formação dos indivíduos. Para os autores, a presença docente pode ser categorizada em esferas de atuação, todas elas contribuindo para o desenvolvimento autônomo do estudante. A primeira é a presença social, que cria um clima de acolhimento e confiança, essencial para que o aluno se sinta seguro em expressar dúvidas e dificuldades. Um aluno motivado e integrado ao grupo tende a se engajar mais e, consequentemente, a exercer sua autonomia com maior eficácia (Gomes, Mota, & Leonardo, 2014).
A segunda é a presença cognitiva, onde o tutor atua como um guia intelectual, estimulando a reflexão crítica, questionando as interpretações superficiais e ajudando o aluno a construir significados profundos a partir do material didático. Este estímulo à reflexão é um exercício de autonomia intelectual. Por fim, a presença pedagógica refere-se ao planejamento e à organização do processo de ensino, que inclui a definição de atividades e o fornecimento de feedback específico. Este feedback é fundamental, pois permite que o aluno avalie seu desempenho e ajuste suas estratégias de estudo, essência da autorregulação da aprendizagem. É a harmonia entre estas dimensões que potencializa a autonomia do estudante, transformando a EaD em uma experiência de qualidade social (Preti, 2005).
O cerne da atuação do professor-tutor reside na mediação, que serve como ponte entre a condição inicial de dependência do aluno e o estágio desejado de autogestão da aprendizagem.
O conceito de "distância transacional", mencionado por Preti (2005) ao discutir as teorias da EaD, sugere que a separação física entre professor e aluno gera um espaço psicológico e comunicacional que precisa ser preenchido pela interação. A mediação do tutor é a principal ferramenta para encurtar essa distância, tornando o processo educativo dialógico e recíproco. Jesus Silva & Maciel (2014) explicitam que o tutor, ao mediar, utiliza estratégias de suporte que são temporárias e adaptativas. Por exemplo, ao observar que um grupo de estudantes demonstra dificuldade em interpretar um comando de tarefa (aspecto de perfil analisado por Gomes, Mota, & Leonardo, 2014), o tutor intervém com uma orientação clara (presença pedagógica). Após algumas intervenções bem-sucedidas, ele gradualmente se retira, permitindo que o aluno assuma a responsabilidade pela interpretação e execução da próxima atividade. Essa retirada estratégica do suporte é a manifestação prática do scaffolding e o motor do desenvolvimento da autonomia. A mediação eficaz, portanto, não resolve o problema pelo aluno, mas o equipa com as ferramentas cognitivas para que ele possa resolver problemas futuros de forma independente
A presença docente do professor-tutor online, ao apoiar a autonomia do estudante, tem implicações diretas na qualidade da EaD. Preti (2005) defende a necessidade de uma educação que vise a qualidade social e o combate à privatização e à despolitização do ensino, promovendo uma educação cidadã e libertadora. A formação de um estudante autônomo, capaz de pensar criticamente e de gerir seu próprio aprendizado, está intimamente ligada a essa visão de qualidade.
A autorregulação da aprendizagem, que é o resultado da autonomia, permite ao estudante não apenas concluir o curso, mas também aplicar as estratégias aprendidas em outros contextos da vida e da carreira. Gomes, Mota, & Leonardo (2014) reforçam a importância da autorregulação ao analisar o comprometimento dos alunos, que depende de uma dedicação de tempo e uma postura ativa diante do material didático. A presença do tutor, ao fomentar essa postura, contribui para a formação de um profissional mais competente e um cidadão mais participativo. Ao humanizar o ambiente virtual e garantir que a tecnologia seja uma ferramenta de mediação e não um obstáculo, o professor-tutor consolida a EaD como uma modalidade capaz de cumprir seu papel democratizante, conforme postulado por Preti (2005), e assegura que a autonomia do estudante seja a marca de um processo educativo robusto e socialmente relevante.
A presença docente não se limita à correção de tarefas ou esclarecimento de dúvidas; ela envolve a criação de oportunidades estruturadas para que o aluno desenvolva habilidades de pensamento crítico e resolução de problemas. Gomes, Mota & Leonardo (2014) destacam que a mediação ativa permite que o estudante compreenda não apenas o “como” das atividades, mas também o “porquê”, promovendo uma aprendizagem mais profunda e duradoura.
Jesus Silva & Maciel (2014) enfatizam que o tutor atua como facilitador da metacognição, ajudando o aluno a refletir sobre suas estratégias de estudo e a ajustar seu desempenho. Esse suporte é essencial na EaD, onde o estudante precisa tomar decisões autônomas sobre ritmo, sequência e foco de aprendizado, habilidades que não se desenvolvem de forma automática.
Preti (2005) argumenta que o sucesso da EaD depende da integração entre recursos tecnológicos e intervenção humana. O tutor deve transformar os ambientes digitais em espaços ricos de interação, assegurando que a tecnologia seja um instrumento de mediação e não um fator de distanciamento ou alienação do estudante.
O planejamento estratégico da presença docente inclui a definição de marcos de acompanhamento, como prazos para entrega de atividades, momentos de feedback e encontros síncronos planejados. Gomes, Mota & Leonardo (2014) observam que essa organização cria um ritmo previsível e estruturado, essencial para alunos que ainda desenvolvem competências de autorregulação.
Jesus Silva & Maciel (2014) destacam que o scaffolding não deve ser uniforme. Cada aluno necessita de um nível de suporte distinto, ajustado ao seu estágio de desenvolvimento e ao tipo de atividade. Essa diferenciação requer que o tutor esteja constantemente atento ao progresso individual, intervindo de forma pontual e estratégica.
A interação social mediada pelo tutor contribui não apenas para a aprendizagem cognitiva, mas também para a construção de competências socioemocionais. Preti (2005) sugere que fóruns e chats, quando bem moderados, permitem a troca de experiências e o desenvolvimento de empatia, habilidades essenciais para a vida acadêmica e profissional.
Gomes, Mota & Leonardo (2014) enfatizam que o feedback contínuo do tutor deve ser construtivo e direcionado, focando tanto nos acertos quanto nas lacunas. Esse tipo de orientação permite que o estudante perceba seu progresso, aumente a confiança e se engaje de forma mais proativa no processo de aprendizagem.
Jesus Silva & Maciel (2014) argumentam que a mediação pedagógica inclui também a orientação para o uso adequado de recursos digitais. Muitos alunos podem ter acesso a tecnologias, mas não sabem explorá-las de forma eficiente. O tutor deve ensinar estratégias de navegação, organização de conteúdos e seleção de informações relevantes.
A presença docente deve ser percebida como constante pelo aluno, mesmo que a interação não ocorra em tempo real. Preti (2005) defende que a percepção de proximidade e disponibilidade do tutor aumenta a motivação e reduz a sensação de isolamento, reforçando o engajamento e a persistência do estudante.
Gomes, Mota & Leonardo (2014) destacam que a análise do perfil do aluno deve informar toda a atuação do tutor, permitindo intervenções preventivas. Identificar precocemente sinais de dificuldade, como atraso na entrega de atividades ou baixo desempenho em quizzes, possibilita que o tutor ofereça suporte antes que o problema se torne crítico.
Jesus Silva & Maciel (2014) observam que a promoção da autonomia não significa ausência de orientação. Pelo contrário, o tutor deve criar oportunidades para que o aluno pratique a tomada de decisão, o planejamento de atividades e a autoavaliação, garantindo que a independência seja construída gradualmente.
A integração de diferentes tipos de mídias digitais na EaD é potencializada pela atuação do tutor. Preti (2005) afirma que a combinação de vídeos, podcasts, quizzes interativos e fóruns só se torna efetiva quando acompanhada de mediação pedagógica que contextualize o conteúdo e conduza a reflexão crítica.
Gomes, Mota & Leonardo (2014) destacam que o uso de atividades colaborativas, como projetos em grupo ou discussões temáticas, deve ser mediado pelo tutor para garantir participação equilibrada e aprendizagem significativa. Esse acompanhamento é essencial para que os alunos desenvolvam habilidades sociais e de comunicação na EaD.
Jesus Silva & Maciel (2014) enfatizam que o tutor deve criar estratégias para a internalização de conhecimentos, garantindo que a aprendizagem se transfira para contextos práticos e outros cursos. A reflexão guiada e o feedback contínuo são instrumentos centrais para esse processo.
O monitoramento da presença e do engajamento do aluno, segundo Preti (2005), não é apenas quantitativo, mas qualitativo. Observar como o estudante interage com o conteúdo, os colegas e o tutor permite ajustes finos na mediação pedagógica, aumentando a eficácia da aprendizagem e a construção da autonomia.
Gomes, Mota & Leonardo (2014) reforçam que a autonomia é reforçada quando o tutor incentiva a autoavaliação. O aluno que aprende a identificar seus erros, refletir sobre eles e propor estratégias de melhoria desenvolve competências essenciais de aprendizagem ao longo da vida.
Jesus Silva & Maciel (2014) afirmam que a combinação de suporte pedagógico e interação social mediada cria um ambiente de aprendizagem mais seguro, reduzindo a ansiedade e aumentando a motivação. A presença docente atua como elemento regulador, equilibrando desafios e apoio.
Preti (2005) destaca que a EaD não deve ser vista apenas como um método de transmissão de conteúdos, mas como uma prática educativa que transforma o estudante em agente ativo de sua aprendizagem. A mediação do tutor é o instrumento que torna essa transformação possível.
Gomes, Mota & Leonardo (2014) observam que o acompanhamento próximo do tutor é crucial para a aplicação de estratégias de scaffolding em ambientes digitais, permitindo que o aluno avance progressivamente em complexidade e autonomia.
Jesus Silva & Maciel (2014) concluem que a efetividade da EaD depende diretamente da qualidade da presença docente. A autonomia do estudante, o engajamento e o desenvolvimento de competências cognitivas e socioemocionais são proporcionados quando o tutor atua como mediador estratégico, avaliador e facilitador de aprendizagem.
4. CONSIDERAÇÕES FINAIS
O presente estudo teve como objetivo analisar a relevância da presença docente do professor-tutor online como suporte fundamental para o desenvolvimento da autonomia do estudante na Educação a Distância. Ao longo da análise, ficou demonstrado que a autonomia do aluno, embora crucial para o sucesso na modalidade, não é um atributo que se desenvolve espontaneamente, mas sim um objetivo pedagógico que se constrói por meio da interação e da mediação qualificada. Os achados, baseados na articulação do arcabouço teórico, confirmam que a atuação do professor-tutor, por meio de uma presença docente intencional e estruturada, é o fator catalisador para a transição do estudante de uma postura dependente para a autogestão da aprendizagem.
A presença docente, manifestada nas dimensões social, cognitiva e pedagógica, provê o suporte necessário (scaffolding) para que o aluno consiga superar as dificuldades inerentes ao seu perfil inicial, fortalecendo sua motivação, autodisciplina e capacidade de autorregulação. Conclui-se que a mediação efetiva do tutor é essencial para preencher a distância transacional e garantir que a flexibilidade da EaD não resulte em isolamento, contribuindo diretamente para a qualidade e a relevância social dos cursos oferecidos.
Como recomendação para o prosseguimento dos estudos sobre o tema, sugere-se a realização de pesquisas de campo que investiguem a percepção dos estudantes sobre o tipo e a frequência da presença docente que mais contribui para o seu engajamento e a consolidação de sua autonomia em diferentes áreas do conhecimento. Seria igualmente relevante analisar o impacto da formação continuada de tutores na qualidade de sua presença docente e nas taxas de conclusão de cursos em EaD.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
GOMES, S. G. S.; MOTA, J. B.; LEONARDO, E. D. S. Reflexão sobre o perfil do aluno como determinante para a motivação e aprendizagem em curso de EAD. Revista Brasileira de Informática na Educação, v. 22, n. 1, p. 1–12, 2014.
JESUS SILVA, G.; MACIEL, D. A. A presença docente do professor-tutor online como suporte à autonomia do estudante. Psicologia da Educação, n. 38, p. 35–48, 2014.
PRETI, O. Educação a distância: Uma prática educativa mediadora e mediatizada. Cuiabá, MT: NEAD/UFMT, 2005.
1 Graduação em Pedagogia. Especialização em Psicopedagogia. Mestrando em Tecnologias Emergentes em Educação pela Must University. E-mail: [email protected]