REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/781712308
RESUMO
A inteligência emocional desperta encantamento, curiosidade, motivação e estímulos, sendo assim, um tema interdisciplinar, que busca contribuir para a gestão integral do sujeito. É relevante para a construção do conhecimento e traz um novo entendimento. Sendo algo que o homem toma como alicerce e poder de empoderamento, de posse dessa força, o ser humano é capaz de agir com polidez em suas relações e desenvolver-se em todas as áreas de ascensão social. A inteligência emocional influencia no aspecto psicossocial e no desenvolvimento do ser humano. Conhecer e gerir as emoções, tanto para o profissional de educação, quanto para a criança em fase de desenvolvimento é fundamental para a construção de sua personalidade. A emoção também pode ser sentida com totalidade como qualquer outro elemento fundamental para a vida. A metodologia do professor mediador também deve ser uma construção advinda dessas vivências com base em uma educação emancipatória, autônoma e produtora de significados. O artigo mostra como as novas regras interferem na abordagem curricular das escolas em todo o país, visando uma educação de qualidade e equidade para todos.
Palavras-chave: Inteligência Emocional; Educação Infantil; Competências socioemocionais.
ABSTRACT
Emotional intelligence is a person’s ability to interpret his/her own emotions. It’s also the ability to self-manage his/her motivation, empathy, self-knowledge and social skills, which may result in a general well-being for all. Intelligence is something that a person takes as the foundation of some kind of empowerment. In possession of this force, a person is able to act politely in his/her relationships and may develop, brilliantly, in all areas of social advancement. Everything that becomes Intelligent is also adaptable. Emotional intelligence influences the psychosocial aspect and development of a human being. Knowing and managing emotions, both for education related professionals and a growing child, are extremely important for the construction of their personalities.Emotions can be deeply understood like any other reactions in life. The methodology of the mediator teacher should be a construction based on emancipatory, autonomous and meaningful education. The article shows the way new rules may interfere in the curriculum of schools throughout the country and aim at a quality education and equity for all.
Keywords: Emocional Intelligence; Early Childhood Education; Socio-emotional skills.
1. INTRODUÇÃO
A inteligência emocional propõe a educação das emoções e por meio dessa educação promove uma inteligência de maneira holística. Bem como a importância do ser humano se apropriar dessa inteligência que pode ser estimulada e desenvolvida ao longo da vida.
A Inteligência emocional pode ser aplicada à prática cotidiana escolar à medida em que os profissionais de educação infantil colocarem seus planos de aulas de acordo com as competências socioemocionais propostas pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Contribuindo, dessa forma, com as distintas etapas da educação da criança. Também irá auxiliar na formação de indivíduos mais fortes, seguros e autônomos de suas emoções, sendo, assim, capazes de lidar com desafios diversos. Por conseguinte, chegou-se ao questionamento sobre a relevância da inteligência emocional, os seus benefícios para a educação infantil e a contribuição das novas diretrizes da Base Nacional Comum Curricular.
Então, o objetivo geral da pesquisa, é analisar as contribuições da inteligência emocional no contexto escolar na educação infantil conhecendo suas abordagens na perspectiva da BNCC. Assim, para viabilizar a pesquisa recorreu-se a este método hipotético-dedutivo. Sendo básica e estratégica, sua abordagem é qualitativa, com o objetivo descritivo é bibliográfica. Por ser, uma pesquisa de cunho bibliográfico faz-se, necessário, recorrer à vastas literaturas.
Desta forma, a pesquisa classifica-se quanto aos fins como descritiva e explicativa. Descritiva porque visa descrever as contribuições da inteligência emocional na perspectiva da BNCC na educação infantil; e explicativa porque expõe como a inteligência emocional pode ser aliada à prática no cotidiano escolar com as teorias defendidas pelos autores que argumentam as benesses da inteligência emocional no chão da escola. Quanto aos meios é bibliográfica pois tem-se a necessidade de se recorrer a uma vasta literatura, livros, periódicos, revistas, hipertextos entre outros, para elaboração do marco teórico do trabalho.
Este estudo faz-se necessário e é de extrema relevância, visto que, analisa os pontos positivos ao trabalhar a inteligência emocional na escola. Dessa forma, percebe-se a importância da inteligência emocional para a comunidade acadêmica uma vez que possibilita estudar as competências socioemocionais. Pois a função social também determina o aprendizado da criança permitindo seu desenvolvimento cognitivo e a capacidade de desenvolver suas habilidades e competências de forma a se integrar no espaço a qual ela pertence.
Portanto, pretende-se primeiramente conhecer o processo de aprendizagem por meio da inteligência emocional, em seguida compreender como essas habilidades emocionais podem ser aplicadas na prática educacional. Para, assim, conhecer os benefícios da inteligência emocional para a educação, identificando os fatores que favorecem a aprendizagem e o desenvolvimento da criança na educação infantil.
2. A INTELIGÊNCIA EMOCIONAL E SUA ETIMOLOGIA
A inteligência emocional desperta encantamento, curiosidade, motivação, e estímulos, sendo assim, um tema interdisciplinar, que busca contribuir para a gestão integral do sujeito. Ela é relevante para a construção do conhecimento, e traz um novo entendimento para o contexto social. De acordo com a visão de autores e pesquisadores, foi possível conhecer e identificar valores agregados a ela e sua relevância social e, principalmente, no contexto escolar. Nesse sentido, verifica-se, sua etimologia ao longo dos tempos, buscando embasamentos teóricos, nas literaturas existentes.
Dessa maneira, entende-se que a inteligência emocional tem despertado interesses em vários âmbitos, e que esta abordagem se trata de um objeto de estudo que pode ser mensurado. Estudos e abordagens do séc. XX trouxeram grandes detalhes científicos e tecnológicos, bem como diversas teorias esclarecem os benefícios acerca do desenvolvimento da inteligência emocional. Enquanto outras citam a inteligência num prisma panorâmico, como sendo inteligência social.
De acordo com Sternerg (1995), o conceito de inteligência é difícil de ser conceituada, e em suas contribuições, esclarece que “há grandes disputas para estabelecer tais definições acerca da etimologia de inteligência emocional”. É interessante ressaltar as contribuições de grandes autores desse cenário da psicologia, com importantes manifestações ideológicas, sobre o assunto. Herrstein, (1973) e Gardner (1998), relatam como, de fato, este tema causa encantamentos nos diversos meios sociais. Nesse sentido, observou-se que, historicamente, tem surgido milhares de conteúdos a respeito do assunto que era antes visto restritamente em escolas. Isto acontecia, mais precisamente, em meados do século XX; já no século XXI, tomou grande visibilidade, sendo requisitada em diversas áreas de desenvolvimento humano.
Através desse contexto, é possível compreender esse conceito de inteligência discutido pela psicologia, que teve início com grandes estudiosos, os quais romperam as primeiras bolhas e impetraram socialmente esse trabalho. Robert J. Sternberg (Yale) e Harvard E. Gardner (Harvard) marcaram grandes e importantes momentos dessa construção científica. É importante elencar, também, outros que foram fundamentais nessas construções, grandes pesquisadores e profissionais da neurociência e psicologia, como os autores Salovey (Yale), Mayer (New Hampshire), e Daniel Goleman (Harvard). Conheceu-se o conceito de emoção que foi classificado, também, de inteligência, após grandes impactos das pesquisas e midiáticas explorações acerca do assunto daquela época. Hoje, ressurge uma nova ótica e grandioso leque de explanação acerca da inteligência emocional (IE).
Tais pesquisas possibilitaram conhecer os benefícios em outros campos, com enfoque no ramo corporativo, e das grandes empresas. Esta ampliação deu-se, pela necessidade de construção de novos conhecimentos, novos paradigmas de convivência social. Nesse sentido, foram surgindo novos conceitos, como a inteligência social, que sendo um termo conhecido que está sempre enaltecendo os debates diários acerca do assunto, sempre oportuniza reflexões. A inteligência emocional desperta um saber que possibilita ao ser humano gerenciar a si mesmo.
Assim, Thorndike (1920) definiu a inteligência como a capacidade de compreender e lidar com os sujeitos, e ser sábio nas relações e interações sociais da humanidade. Sternberg (1975, p.78) explicita em suas contribuições, que Inteligência é algo que o homem toma como alicerce e poder de empoderamento e de posse dessa força, o ser humano, é capaz de agir com polidez em suas relações, e desenvolver-se brilhantemente em todas as áreas de ascensão social. Enfatiza, ao concluir o seu raciocínio, que tudo que se torna inteligente é também adaptável. Também foram encontradas outras distintas contribuições sobre a etimologia de inteligência, que são passíveis de realce.
A inteligência pode ser desenvolvida e avaliada, ainda que não possa ser percebida a todo instante, então, supõe-se que a inteligência seja uma série de respostas a estímulos ocasionados nos seres humanos, por meio de comportamentos que venham gerar respostas satisfatórias na ocasião. Daniel Goleman (1995) defende que a Inteligência emocional pode ser medida, e pode ser desenvolvida e potencializada com treinamentos.
Ao longo da história da humanidade, a palavra inteligência aparece no contexto histórico de várias civilizações. Esse conceito surgiu também na Grécia Antiga. Cícero, na Roma Antiga, também falava de inteligência, fazendo menção ao termo ao observar diálogos entre Platão e Aristóteles, que fomentavam discussões pautadas nos aspectos cognitivos do sujeito.
A inteligência, naquela época, era categorizada de acordo com as ações, que eram reflexo do comportamento do homem ao se expressar no meio social. As ações eram tidas como advindas do aspecto cognitivo, a saber: o raciocínio lógico; meditação e tomada de decisões e capacidade de resolução de problemas, dos mais complexos aos corriqueiros, que eram a fonte mais fiel de inteligência. Em outros momentos, esses aspectos eram vistos de outra maneira e expressavam o que se chamava de sentimento como: emoção e paixões; motivação e desânimo. Relatos apontam que em meados do século XII, foi registrada a palavra inteligência na língua inglesa, tendo seu registro segundo Oxford English Dictionary. Outra fonte foi o dicionário Aurélio, que também registrou o significado da palavra inteligência, em outra época por uma ótica diferente.
O desejo de conhecer a etimologia da palavra inteligência é ressaltado de longas datas. Pelos relatos, nos anos de 1921 e 1986, grandes nomes e pesquisadores renomados nos meios científicos e da psicologia, foram convocados para desenvolver estudos acerca do assunto. Segundo Le Doux (2001, p. 22), os cientistas não conseguem chegar a um acordo quanto ao que sejam as emoções, mas essa falta de consenso não impede o avanço da pesquisa em (IE). Mesmo com os avanços, pesquisas feitas por meio das literaturas sobre emoção ainda possuíam várias lacunas, que mais tarde puderam ser estudadas por nomes conceituados.
Assim, Cury (2015) ressalta a importância de estar atento ao sistema de orientação emocional, e de ser inteligente emocionalmente para ter excelência em suas atividades e relações. Heider (1958, p, 229) estabelece teoricamente as bases da objetividade cognitiva do processo de valoração. Nesse sentido, a inteligência é vista como a capacidade do ser humano reagir a estímulos exteriores, sendo ainda a inteligência emocional vista como uma proposta de novo modelo de inteligência. Assim:
Na primeira publicação, de natureza teórica, os autores propuseram uma definição inicial de inteligência emocional como sendo “a habilidade para controlar os sentimentos e emoções em si mesmo e nos demais, discriminar entre elas e usar essa informação para guiar as ações e os pensamentos” (MAYER; DIPAOLO; SALOVEY, 1990, p. 189).
Ainda nessa perspectiva, Gardner (1995) estabelece sete inteligências: linguística, musical, lógico matemática, espacial, corporal cinestésica, interpessoal e intrapessoal. Com um aprimoramento subsequente deste modelo, ressaltando que a inteligência social é uma categoria superior que cobre quatro categorias discretas: liderança, prudência, mediação de conflitos e análise social. Dessa forma, fortalece ainda mais a ideia de que este tipo de inteligência possibilita uma alta performance aos indivíduos.
Gardner (1995, p. 15) ressalta que os seres humanos tem perfis, particulares de inteligência e que, de fato, trazem ao nascer esta unicidade. Nesse prisma, reconhece-se que o ser humano possui diversas habilidades a serem desenvolvidas, que são prerrogativas para o sucesso pessoal e interpessoal no mundo. A inteligência emocional cria mecanismos para dar suporte ao desenvolvimento do indivíduo. Goleman (2003) defende: “o homem tem duas mentes, uma, racional, e outra, emocional”. Por outro lado, pode-se assumir que a teoria das inteligências múltiplas de Gardner surge como uma explicação da cognição humana. Antunes (1998, p. 17) esclarece que a inteligência tem a propriedade de selecionar a melhor maneira de compreender as coisas para resolver problemas. Dessa forma, o sujeito, de posse dessas habilidades em resolução de problemas, obtém sucesso em suas performances.
A inteligência emocional é a capacidade do ser de interpretar suas próprias emoções, a capacidade de autogestão, auto regulação, motivação, empatia, autoconhecimento, habilidades sociais que geram bem-estar mútuo. No início, autores precursores dos estudos deste tema conceituaram a inteligência emocional; esse mesmo conceito foi descrito nas pesquisas de Mayer, Caruso e Salovey (2000, p. 267),
[...] habilidade para reconhecer o significado das emoções e suas inter-relações, assim como raciocinar e resolver problemas baseados nelas. A inteligência emocional está envolvida na capacidade de perceber emoções, assimilá-las com base nos sentimentos, avaliá-las e gerenciá-las. (MAYER, CARUSO; SALOVEY, 2000, p. 267).
Daniel Goleman (1995) estabelece que a Inteligência emocional pode ser desenvolvida, e que os estímulos que são percebidos pela emoção passam a ser um mediador do processo. Cada reação e habilidades desenvolvidas são respostas aos estímulos do meio em que vivemos, bem como os sentimentos gerados a partir dessas vivências. Nesse sentido, descreve que a (IE) está estruturada em quatros pilares, que são um conjunto de habilidades e competências propícias do indivíduo, a saber: a capacidade de reconhecer as próprias emoções; a capacidade de se motivar e de manter-se motivado; a Empatia, sendo a capacidade de enxergar as situações pela perspectiva dos outros; e as Habilidades sociais: um conjunto de capacidades envolvidas na interação social.
Ainda segundo Goleman (1995), para desenvolvimento das habilidades e competências é necessário que estes estejam ancorados em 12 (doze) domínios, sendo eles: o autoconhecimento emocional; o autocontrole emocional; a adaptabilidade; a orientação para realização; a perspectiva positiva; a empatia; consciência organizacional; influência; coach e mentoria; administração de conflitos; trabalho em equipe e liderança inspiradora. Possui essas habilidades e competências quem é gerente de suas emoções, quem não é autodidata é possível adquirir com treinamentos para o desenvolvimento.
Nesse sentido, o profissional que conhece esses pilares e faz uso no seu cotidiano terá um diferencial em sua carreira. Então, buscar conhecer tais fatores faz do trabalho um campo para vivenciá-los, em sua totalidade, agregando valores e qualidade no serviço prestado. As escolas possuem uma grande carência no quadro de profissionais da educação com conhecimentos em inteligência emocional. Fato negativo, posto que essas competências e habilidades, se aplicadas à sala de aula, poderão enriquecer significativamente o processo ensino-aprendizagem.
A inteligência emocional possui influência no aspecto psicossocial e no desenvolvimento do ser humano. O indivíduo que desenvolve a inteligência emocional é visto como alguém capaz de promover situações agradáveis para si e aos outros. Nesse sentido, as habilidades e competências do profissional se ampliam de forma multifacetada. Cabe destacar que os benefícios do gerenciamento das emoções e o apropriar-se das competências socioemocionais tornam o indivíduo preparado para os desafios da vida. O mercado de trabalho busca profissionais equilibrados emocionalmente que conseguem trabalhar sob pressão e capazes de solucionar problemáticas do cotidiano com eficiência.
Wallon (1975), em suas pesquisas, procurou mecanismos para compreender os fenômenos psicossocial e defende a ideia, assim como Piaget, que a inteligência e a emoção não se dissociam uma da outra, ou seja, são integradas. Dessa forma, reflexões acerca do assunto são pertinentes segundo o conceito de inteligência emocional descrito por Peter Salovey e David J. Sluyter. O livro “Inteligência emocional da criança”, expressa bem essa complexidade:
Inteligência emocional é a inteligência que envolve a capacidade de perceber acuradamente, avaliar e expressar emoção; a capacidade de perceber e/ou gerar sentimentos quando eles facilitam o pensamento; a capacidade de compreender a emoção; e a capacidade de controlar emoções reflexivamente, de modo a promover o crescimento emocional e intelectual. (SALOVEY; SLUYTER, 1999, p. 39).
A inteligência emocional trata do melhor aproveitamento das emoções e da razão, do indivíduo ser conhecedor do que o alimenta de fato e dos sentimentos tão temidos e tão requeridos ao longo da vida consciente ou inconscientemente. Ao adquirir as competências e as habilidades socioemocionais, o sujeito sente-se cada vez mais preparado para a vida. A inteligência gera no ser humano uma expertise, que vai modelando o seu bem estar a partir de percepções advindas do seu sistema de orientação emocional.
A IE é valiosa nas tomadas de decisões, de maneira assertiva, em relação ao futuro, e nos pensamentos formados, tendendo a serem positivos, gerando autoestima ou negativos, precisando ser observados, a fim de que o sujeito mude a direção do pensamento para garantir sentimentos que possam ser fertilizantes para o seu sucesso, pessoal e interpessoal.
A inteligência emocional vem educar o ser humano de maneira holística, nessa perspectiva, atitudes e novos hábitos devem ser adotados para a harmonia entre o corpo e a mente, e assim, os indivíduos conquistam benefícios para a saúde global por intermédio da inteligência emocional. Melgosa (2017) descreve sete atitudes positivas que contribuem para o sucesso do auto cuidado, um dos pontos chaves para a manutenção do auto amor são assim estabelecidos: (1) Beba agua; (2) Tome banho de sol; (3) Respire fundo; (4) Alimente-se bem; (5) Pratique exercícios físicos; (6) Descanse; (7) Pratique o domínio próprio, esses e hábitos são recomendações adaptadas de Francisco Lemos e publicadas na revista Vida e Saúde.
Nesse sentido, Melgosa (2017, p.48) frisa que, “os acontecimentos de forte intensidade emocional, especialmente se estão sendo vivenciados em um momento difícil da vida ou em idade precoce, podem até causar depressão na pessoa”. Segundo estudos de profissionais da psicologia, tais emoções podem evoluir para grandes traumas psíquicos e chegam a ser mais severos e evidenciados no cotidiano, influenciando negativamente em todos os aspectos da vida, se acometerem uma criança.
Dessa forma, fica evidente o poder das emoções, tanto para o positivo quanto para o negativo. Melgosa e Borges (2017), ressaltam, no livro “O poder da esperança”, ações que ajudam o indivíduo a gerir seus pensamentos formadores de ansiedade, depressão, sentimento de culpa, excesso de estresse, entre outros que possam vir a comprometer o desempenho do ser humano. Aprender a gerir seus sentimentos contribui para o treinamento e desenvolvimento da inteligência emocional.
3. ASPECTOS DA EMOÇÃO
Quando o assunto é emoção, logo vem a ideia dos sentimentos mais comuns e que popularmente são conhecidos, como o choro, a raiva, o amar, o odiar e tantos outros. Neste estudo, abordaremos o tema emoção sobre a ótica de alguns intelectuais, psicólogos, psiquiatras e pesquisadores que ao longo dos anos têm desenvolvido contribuições generosas acerca do assunto a ser discutido. As teorias que tratam das questões das emoções fazem referências a estímulos e às reações dos organismos. James (1890) ressalta que sem as emoções, não teríamos reações inerentes ao ser humano, como: correr, andar e sentir medo. Essa visão da reação através da emoção tornou-se popular no século XX.
Assim, estabelecido nas abordagens do Behaviorismo, que respaldou o conceito do comportamento, e já analisava que as emoções surgiam de origem interna e externas podendo também ser observadas. (JAMES, 1890; SKINNER, 1953/2003). O termo “emoção” foi definido por diversos autores. Damásio (1996, p.301) definiu como o “Conjunto de mudanças que ocorrem quer no corpo, quer no cérebro e que normalmente é originado por um determinado conteúdo mental”. As emoções são um conjunto, reações psicofisiológicos que surgem em decorrência das interações do ser humano com o meios e com outros indivíduos. Nobre de Melo (1979), define:
Emoções são ‘complexos psicofisiológicos que se caracterizam por súbitas e insólitas rupturas do equilíbrio afetivo, com repercussões leves ou intensas, mas sempre de curta duração, sobre a integridade da consciência e sobre a atividade funcional dos diversos órgãos e aparelhos’. (NOBRE DE MELO, 1979, p. 503-504).
Emoção é uma sensação física e emocional que é provocada por algum estímulo, que pode ser um sentimento ou um acontecimento. A etimologia da palavra emoção indica que ela tem origem no latim, na palavra movere, que significa "mover para fora" ou "afastar-se". Esse significado demonstra a reação natural das emoções. Conhecer as características das emoções, que remete as sensações e manifestações e surge resultante do comportamento dos indivíduos, é fundamental para que o indivíduo possa, de maneira consciente, apoderar-se do melhor que a auto estima pessoal possa proporcionar.
Nessa perspectiva, a neurociência e a psicologia realizam estudos no campo das emoções. Damásio (1996), no excerto “O Erro de Descartes: emoção, razão e cérebro humano”, enfatiza que para pensar, é necessário sobretudo, o existir. Dessa maneira, Damásio faz um confronto à ideia de René Descartes, já conhecida do “penso, logo existo”. Ele discorda e propõe: “existo e sinto, logo penso”. Ainda nesse sentido, acredita-se que as duas teses estejam corretas, posto que, de fato só poderá o homem existir verdadeiramente, quando se reconhece um ser pensante, caso contrário, seria alienado por completo.
Para pensar, o homem precisa existir sendo isto o primeiro ato e o mais fundamental. Damásio ressalta que as emoções precisam ser bem direcionadas e também precisam ser sentidas, em toda sua plenitude. Ele relata que “é a consciência que possibilita que os sentimentos sejam conhecidos, e que a emoção promove impactos internos, sendo mediadora dos processos dos pensamentos” (DAMÁSIO, 2000, p. 80).
Nesse sentido, Goleman (2007, p. 26) ressalta a importância das emoções, ao afirmar que “as emoções são, em sua gênese, impulsos deixados pela evolução, para ação instantânea e planejamentos imediatos a serem utilizados no cotidiano do ser humano”. Ainda na concepção de Golemam (1995), não perceber o homem, o valor e o poder das emoções, é viver sobre uma ótica defeituosa da vida. Dessa maneira, cabe ao sujeito ser crítico e reflexivo acerca do que sente, reconhecer o seu eu, autoconhecer-se.
Segundo Goleman (2007, p. 21), negar as emoções humanas é fechar os olhos para si, ele relata que as emoções são tão necessárias para as decisões do ser humano, que agem como uma bússola, e não perceber isso implica em não se conhecer. O autor também afirma que não deve ser a emoção a única responsável por conduzir o intelecto, porque dessa forma, poderá o ser não ter êxito em suas empreitadas. Ainda nessa lógica, na busca de uma definição do significado da palavra emoção, têm-se as considerações de Reeve (2006, p. 191), sobre a emoção ser a palavra usada pelos psicólogos para dar nome a esse processo coordenado e sincronizado.
Dessa maneira, a emoção é vista como um campo fértil para diversos assuntos e pesquisas que podem influenciar no desenvolvimento humano. Cury, (2015) ressalta que a gestão das emoções é o alicerce para gerenciar todos os treinamentos psíquicos, profissionais, educacionais e interpessoais.
Esse gerenciamento garante o melhor desempenho do ser humano, cita ainda como esse processo favorece os atletas, considera que “os jogos devem começar primeiro na mente, a partida se ganha primeiro na mente”, deixando evidente que o ser humano, necessariamente, precisa se tornar proprietário de si mesmo. Não se pode nutrir sentimento de posse por coisas ou objetos e tampouco por pessoas, mas é fundamental que o ser humano aprenda a amar a si mesmo, gerar e produzir auto amor e viver com inteligência emocional, sendo gerente de sua própria emoção. Essa construção deve iniciar-se ainda na infância, para melhorar as performances na vida, de maneira holística.
Werneck (2019) ressalta, em seu livro “O profissional da Educação para o século XXI”, a importância de conhecer e gerir as emoções, tanto para o profissional de educação, quanto para a criança em fase de desenvolvimento, para que a construção de sua personalidade seja livre de violência e sentimentos vazios. Nessa perspectiva, ele nos convida à reflexão, e mostra a importância de não sufocar as emoções, sendo que este ato pode ressurgir, trazendo consequências desagradáveis, como doenças psicossomáticas que, por conta dessas atitudes, possam desencadear diversos transtornos físicos e psicológicos, e muita insegurança em relação a vida.
Para Werneck, “é a falta de controle das emoções reprimidas, por um lado, e soltas, por outro, que faz matar e aumentar a violência no mundo”. (WERNECK, 2019, p.74.)
Nesse sentido, é interessante ressaltar que o gerenciamento das emoções não é tão simples, requer atitudes assertivas e até mesmo ajuda profissional, com direcionamentos voltados para essa temática. Um campo que tem ganhado amplitude, dentro e fora das grandes corporações empresariais e no setor pedagógico, com grande impacto no ambiente escolar, decorrente da formação do indivíduo ter como forte aliado, o chão da escola. Freire (1984, p. 40) afirma que “é o homem, e somente ele, capaz de transcender”. Nesse ponto de vista, as emoções vão além de um simples sentir algo, a emoção será vista como uma raiz profunda que carrega seiva para todo o resto do corpo e da mente. É semelhante às raízes das plantas, que são encarregadas de retirar o alimento do solo, transformar em nutrientes, e distribuir para o caule e para as folhas.
Assim, o ser humano recebe todas as benesses desse sistema. As emoções são semelhantes às veias, os vasos e às artérias para a manutenção do corpo e suas funções. Na visão de Schwartz (1999, 2000), “o corpo seja tomado como o próprio espaço ecológico de realizações conscientes e onde o equilíbrio com a natureza é o sentido da busca do próprio equilíbrio interior”. A emoção também pode ser sentida com totalidade, como qualquer outro elemento fundamental para a vida. Destarte, o homem que gerencia suas emoções e faz movimentos assertivos em prol da saúde emocional, estabelece uma conexão com a natureza, passa a reproduzir funções semelhantes dando mais valor às funções vitais do seu próprio eu. A emoção é fonte de inspiração para o desenvolvimento holístico do indivíduo.
4. A INTELIGENCIA EMOCIONAL NO CONTEXTO DA EDUCAÇÃO INFANTIL
Esta abordagem trata de um olhar panorâmico no contexto da educação infantil, no que compete ao mediador estabelecer caminhos para a aquisição do saber no processo do aprender. O estudo sobre inteligência emocional é um compromisso como educador em tentar melhorar a aquisição do conhecimento, principalmente quando se fala na primeira etapa da educação que, basicamente, é a educação infantil. Segundo a LDB em seu artigo 29: a primeira etapa da educação básica proporciona desenvolvimento integral das crianças. (BRASIL,1996, p. 17).
Goleman (2001, p. 294) afirma que, “a alfabetização emocional constrói ensinamentos que solidificam o aprendizado e contribuem para a formação essencial para a vida. Assim as crianças aprendem a lidar com as emoções e transformam crises em lições básicas de competência emocional”. Em busca de uma construção legítima, e de um embasamento teórico pautado à luz das considerações de grandes autores, o referencial teórico desta obra dá-se por meio da análise de perspectivas advindas de grandes autores e pesquisadores dessa temática. Ainda nesse sentido, e contribuindo significativamente com a desejada mudança de paradigma que busca o equilíbrio entre o racional e o emocional.
Para Freire (1996), é necessário que o professor busque um novo olhar para suas práticas em sala de aula. Dessa maneira, fica viável a construção de novos paradigmas na educação. O mediador do processo de ensino aprendizagem, ao estabelecer uma relação de confiança com o seu aluno, deve levar em consideração o saber do discente já adquirido previamente. O respeito a esse conhecimento e às suas especificidades faz toda a diferença no contexto educacional. De acordo com Ausubel et al. (1978, p. 159), “o aprendiz forma novos conceitos interligando as informações recebidas dando a elas significados que de fato fazem sentido no contexto social que estão inseridos”. A educação emocional se faz necessária e de total relevância, posto que os sentidos disponíveis àquela determinada disciplina estão conectados ao cotidiano do aprendiz. Para Luckesi, questão primordial, quando pensamos em educação, é: “Que sentido pode ser dado à educação, como um todo, dentro da sociedade?” (Luckesi, 1994, p. 37). O autor complementa dizendo:
Alguns responderão que a educação é responsável pela direção da sociedade, na medida em que ela é capaz de direcionar a vida social, salvando-a da situação em que se encontra; um segundo grupo entende que a educação reproduz a sociedade como ela está; há um terceiro grupo de pedagogos e teóricos da educação que compreendem a educação como uma instância mediadora de uma forma de entender e viver a sociedade. (LUCKESI, 1994, p. 37)
O mesmo teórico, diz ainda que “a educação nem salva nem reproduz a sociedade, mas pode e deve servir de meio para a efetivação de uma concepção de sociedade” (Luckesi, 1994). A metodologia do professor mediador também deve ser uma construção advinda dessas vivências, com base em uma educação emancipatória, autônoma e produtora de significados. Partindo desse pressuposto, entende-se que ensinar, no contexto atual, exige principalmente que o educador seja conhecedor das dez competências elencadas pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC), e todos os fundamentos básicos para a abrilhantar o cenário educacional. Desse modo, elencamos fatores capazes de demostrar, dentro do contexto escolar, a equidade e a igualdade como garantia de educação de qualidade para todos. Conforme Libânio (1984), a prática pedagógica é influenciada pelas nossas histórias de vida e pelos acontecimentos que permeiam nosso cotidiano.
Portanto, vale ressaltar que trabalhar as competências emocionais no contexto escolar sempre será um processo válido para a educação. Sendo capaz de agregar valores, desenvolvendo alunos seguros em suas escolhas e aptos a serem participativos, ao seu modo, dentro e fora da escola. Os alunos, de posse das competências socioemocionais, tornam-se protagonistas do processo ensino aprendizagem. Sob esse viés, a educação infantil é observada como de fato deve ser: um local de produção de memórias afetivas distintas que são criadas ao longo da formação da criança. Durante a convivência em sala de aula, a criança se desenvolve e constrói relações afetivas que devem ser preparadas desde o início.
4.1. Características e Histórico da Educação Infantil no Brasil
A educação infantil surgiu no Brasil, a fim de prestar auxílios para as mulheres que precisavam se inserir no mercado de trabalho. Dessa forma, as crianças permaneciam nesse lugar, do início ao final do dia, para que suas mães pudessem ir para o trabalho, o que muitas vezes era a única opção. Nesse cenário, surge a necessidade do cuidar, único objetivo da educação infantil no contexto. Tempos mais tarde, os órgãos envolvidos nessas organizações observaram a necessidade de também educar essas crianças, daí por diante foram surgindo movimentos para possibilitar a oferta de educação e do cuidado. Foram muitos caminhos percorridos, muitas lutas até o surgimento da educação infantil, novos paradigmas foram criados, no sentido de acabar com a dicotomia que dissocia o cuidar do educar.
Movimentos surgem em prol de garantir às crianças, cuidado e educação na primeira etapa da infância. Relatos favoráveis a estas lutas surgem e enfatizam ainda mais que, de fato, a junção do educar e do cuidar são prerrogativas para melhores performances no desenvolvimento infantil. Esses olhares contribuem para fortalecer as correntes que lutam, ao longo dos tempos para humanizar a oferta da educação infantil no Brasil. No ano de 1988, a Constituição Federal trouxe a garantia do funcionamento de creches e pré-escolas, a partir daí, as normas legais passaram a assegurar o direito social da criança à primeira etapa da educação básica. Vários movimentos que foram permitindo cada vez mais esclarecimento acerca de como deveria ser a educação infantil surgiram. Durante a Conferência Mundial de educação para todos em Jomtien, na Tailândia, no ano de 1990, foram definidas as necessidades básicas de aprendizagem como direito universal levando em considerações as peculiaridades locais.
Nesse sentido, a educação infantil passou a ser o porto seguro de muitas famílias, foi através do apoio recebido que muitas mães puderam retornar ao mercado de trabalho, pois tinham onde deixar seus filhos. As crianças da educação infantil passaram a ser amparadas por leis que garantiam seus direitos, que vão além do cuidar e do educar como estabelecido antes, a criança tem direito ao brincar para seu desenvolvimento integral. No Brasil, quem declara e garante esses direitos é o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Nessa acepção, é possível notar que novos paradigmas são constituídos acerca da Educação infantil, observa-se assim, um novo olhar sensível que reconhece o prestigio e relevância que são fundamentais para o fomento de uma educação de qualidade. A rede pública ainda deixa a desejar, no que concerne a esta oferta, com todo o conforto e materiais pedagógicos que a fase da educação básica requer, porém, à medida que a formação continuada tem ampliado os horizontes dos coordenadores e gestores pedagógicos, o cenário tem evoluído bastante. Nesse sentido:
[...] as pesquisas sobre educação infantil têm caminhado em paralelo com os avanços das políticas públicas em relação (1) à democratização do acesso (expresso de modo concreto no aumento do número de matrículas) e (2) à melhoria da qualidade empreendida pelos sistemas municipais e estaduais de ensino (alguns mais do que outros), mobilizados graças ao impacto dos movimentos sociais e das mudanças legais e institucionais, engendradas também pelo governo federal. A elaboração de diretrizes e a definição de critérios de qualidade, a recente aprovação do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) e a ampliação do ensino fundamental para nove anos abrem perspectivas de mudanças. (KRAMER, 2009, p. 12-13).
Do mesmo modo, busca-se maneiras adequadas de se trabalhar a educação nessa faixa etária tão singular, oportunizando que cada direito conquistado ao longo dos anos seja exercido. Sob esse cenário, almeja-se que muitas ações sejam dispostas, e entidades engajadas em prol dessas realizações no intuito do aprendizado das crianças garantam com afinco os direitos e cuidados. O Conselho Nacional de Educação, em uso de suas atribuições, estabelece:
Art. 1º A presente Resolução institui as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil a serem observadas na organização de propostas pedagógicas na Educação Infantil. Art. 3º O currículo da Educação Infantil é concebido como um conjunto de práticas que buscam articular as experiências e os saberes das crianças com os conhecimentos que fazem parte do patrimônio cultural, artístico, ambiental, científico e tecnológico, de modo a promover o desenvolvimento integral de crianças de 0 a 5 anos de idade. Art. 4º As propostas pedagógicas da Educação Infantil deverão considerar que a criança, centro do planejamento curricular, é sujeito histórico e de direitos que, nas interações, relações e práticas cotidianas que vivencia, constrói sua identidade pessoal e coletiva, brinca, imagina, fantasia, deseja, aprende, observa, experimenta, narra, questiona e constrói sentidos sobre a natureza e a sociedade, produzindo cultura. (BRASIL, 1990).
Nesse sentido, ressalta o Estatuto da Criança e do Adolescente,
No Brasil o Estatuto da Criança e do Adolescente (BRASIL, 1990, art. 15), declara que ‘a criança e ao adolescente têm direito à liberdade, ao respeito e à dignidade como pessoas [...] em processo de desenvolvimento e como sujeitos de direitos civis, humanos e sociais garantidos na Constituição e nas leis’ e afirma que ‘o direito à liberdade compreende os seguintes aspectos: IV – brincar, praticar esportes e divertir-se’.
Ainda nessa perspectiva de elencar os direitos estabelecidos pelas diretrizes, esta pesquisa cita os artigos que sustentam esse debate: O Art. 7º Na observância destas Diretrizes, a proposta pedagógica das instituições de Educação Infantil deve garantir que elas cumpram plenamente sua função sociopolítica e pedagógica: I - oferecendo condições e recursos para que as crianças usufruam seus direitos civis, humanos e sociais; Art. 8º A proposta pedagógica das instituições de Educação Infantil deve ter como objetivo garantir à criança acesso a processos de apropriação, renovação e articulação de conhecimentos e aprendizagens de diferentes linguagens, assim como o direito à proteção, à saúde, à liberdade, à confiança, ao respeito, à dignidade, à brincadeira, à convivência e à interação com outras crianças. V - O reconhecimento das especificidades etárias, das singularidades individuais e coletivas das crianças, promovendo interações entre crianças de mesma idade e crianças de diferentes idades.
5. A BASE NACIONAL COMUM CURRICULAR (BNCC) E A CONTRIBUIÇÃO DA INTELIGENCIA EMOCIONAL PARA EDUCAÇÃO
A BNCC é um documento normativo para redes de ensino e suas instituições públicas e privadas, referência obrigatória para elaboração dos currículos escolares, para propostas pedagógicas, para o ensino infantil e ensino fundamental. Ela versa sobre a novas regras que estabelece como será a abordagem curricular nas escolas de todo o país nas mais variadas etapas educacionais. Dessa maneira, visa uma educação de qualidade para todos e com equidade. A BNCC:
É um documento de caráter normativo que define o conjunto orgânico e progressivo de aprendizagens essenciais que todos os alunos devem desenvolver ao longo das etapas e modalidades da Educação Básica. Aplica-se à educação escolar, tal como a define o § 1º do Artigo 1º da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB, Lei nº 9.394/1996), e indica conhecimentos e competências que se espera que todos os estudantes desenvolvam ao longo da escolaridade. Orientada pelos princípios éticos, políticos e estéticos traçados pelas Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Básica (DCN), a BNCC soma-se aos propósitos que direcionam a educação brasileira para a formação humana integral e para a construção de uma sociedade justa, democrática e inclusiva. (BRASIL, 2017, p. 1).
A BNCC faz uma abordagem de fundamental relevância, que visa transformar o ambiente escolar, através do uso das competências socioemocionais, buscando, dessa forma, adequar os currículos da educação infantil e ensino fundamental. Para Sampaio (2004, p. 37), “[...] a educação, precisa ir além de meros treinamentos, assim, sendo que não é interessante que o aprendizado seja de forma mecânica, apenas com repasse de informações, repensar, esse processo de ensino, irá fomentar uma maior serventia para vida em todos os meios de realizações humana”
Esta necessidade é também enfatizada por Beaufort (1998), quando afirma que se a elaboração do processo racional contribuiu para o avanço da ciência, é de se esperar que a elaboração de nosso processo emocional contribua para o avanço humanístico. Para tanto, é necessário que tenhamos compreensão do que seja emoção. Nessa perspectiva, as competências socioemocionais devem ser promovidas no ambiente escolar e fora dele, através da inteligência emocional, que está presente nas 10 competências gerais da BNCC. De acordo com o documento normativo, estas competências devem contemplar os currículos escolares, que por sua vez, devem estar fundamentados também pelas 5 competências socioemocionais. Assim dispostas: autoconsciência, autogestão, consciência social, habilidades de relacionamento e tomada de decisão responsável. Assim, em uma abordagem que dialoga com o contexto, ressalta considerações sobre:
A necessidade de um currículo que conseguisse atender a toda a população escolar brasileira é discutida há algum tempo. Em virtude disso, a BNCC tem como objetivo “[...] promover equidade nos sistemas de ensino, isto é, de promover o direito de aprendizagem da totalidade dos estudantes” (BRASIL, 2017, p.1).
Para uma educação integral, a escola deve lançar mão de todos os benefícios que podem ser atingidos com a inteligência emocional, a fim de trabalhar de maneira ampla, o desenvolvimento intelectual e cognitivo da criança. Dessa forma, a inteligência emocional, através do estudo das emoções, irá melhorar a performance desses indivíduos, partindo do pressuposto que para desenvolvimento com autonomia, é necessário conhecer a si e aos outros. O desafio de compreender sobre educação emocional também aparece no desafio de Aristóteles, citado no livro Inteligência Emocional de Goleman: “[...] qualquer um pode zangar-se isso é fácil. Mas, zangar-se com a pessoa certa, na medida certa, na hora certa, pelo motivo certo e de maneira certa — não é fácil” (ARISTÓTELES apud GOLEMAN, 1995, p. 12). A Inteligência emocional também é discutida nas obras de grandes referências no contexto educacional acerca desse assunto. Destaca-se, as teorias de Daniel Goleman (Inteligência Emocional) e de Harvard Gardner (Inteligências Múltiplas). A partir delas, houve maior entendimento e desencadeamento de ideias, que contribuíram com o contexto educacional, derrubando muitos mitos acerca da aquisição do conhecimento, e somando com o processo ensino aprendizagem.
A BNCC traz em sua concepção as 10 dez competências gerais, com o objetivo de amenizar ou erradicar a fragmentação no contexto educacional, como tem sido notável ao longo dos anos. As competências gerais sugerem que a rotina escolar seja focada e contenha objetivos claros, que visam um desenvolvimento integral do aluno. Diante dessa perspectiva, a inteligência emocional se faz de suma importância e traz um viés novo ao chão da escola. A inteligência emocional está elencada na BNCC trazendo as disposições que vão enriquecer os currículos de cada escola com ações pertinentes que visam o pleno desenvolvimento do discente.
A inteligência emocional pode ser vista nos campos de aprendizagem da educação infantil, onde desde a primeira etapa da educação básica, se faz necessário vencer os desafios e principalmente adaptar-se e condicionar-se à grande tarefa do aprender. Os direitos de aprendizagem são relevantes e são eles: o direito de Conviver, Brincar, Participar, Explorar, Expressar, Conhecer-se. Esses direitos fazem parte do documento normativo acima citado e serão desenvolvidos com a mediação da inteligência emocional.
Ainda nessa perspectiva, temos os campos de aprendizagem bastante relevantes nesse cenário e levando em consideração os direitos de aprendizagem, os campos de aprendizagem assim se estabelecem. O eu, o outro e o nós; corpo, gestos e movimentos; traços, sons, cores e formas; escuta, fala, pensamento e imaginação; espaços, tempos, quantidades, relações e transformações. (WALLON, 1975, p.159): “O eu e o outro constituem-se, então, simultaneamente, a partir de um processo gradual de diferenciação, oposição e complementaridade recíproca. Compreendidos como um par antagônico, complementam-se pela própria oposição. De fato, o outro faz-se atribuir tanta realidade íntima pela consciência como o Eu, e o Eu não parece comportar menos aparências externas que o Outro”.
Dessa maneira, é interessante ressaltar que, em cada campo de experiências, são definidos os objetivos de aprendizagem e desenvolvimento, organizados em três grupos por faixa etária, assim estabelecidos: Bebês (0-1a6m), Crianças bem pequenas (1a7m-3a11m), Crianças pequenas (4a–5a11m). Em todos esses quesitos estão dispostas emoções que devem ser refinadas passando por um processo em que a criança precisa desenvolver sentimentos como a empatia e a inteligência emocional é quando o indivíduo aprende a lidar com seus sentimentos. Ainda nessa perspectiva, e notável a comunhão que essas interações proporcionam e nesses vieses, destaca Wallon;
As emoções são a exteriorização da afetividade [...]. Nelas que assentam os exercícios gregários, que são uma forma primitiva de comunhão e de comunidade. As relações que elas tornam possíveis afinam os seus meios de expressão, e fazem deles instrumentos de sociabilidade cada vez mais especializados. (WALLON, 1975, p. 143).
Ainda nesse movimento com fundamentação no documento normativo acima citado que estabelece que os currículos estejam pautados pela educação emocional que ensina como gerenciar a si e as emoções a fim de ser autônomo e saber lidar com as diversas situações e desafios e com suas próprias emoções oferecem passando por um período de desenvolvimento da inteligência emocional. Assim, a inteligência emocional será um processo de construção de pessoas altamente preparadas, com um desenvolvimento impactante que permitirá aos indivíduos saber lidar com suas emoções, sejam elas negativas ou positivas. As competências socioemocionais estabelecem o que todas as crianças devem desenvolver na educação infantil.
Visando diminuir emoções como ansiedade, estresse, insegurança, dificuldade de concentração e ausência de inteligência emocional, que favorecem para o baixo rendimento escolar dos alunos, será possível formar alunos críticos, com autonomia, segurança, valores sociais e maior poder de decisão. A atitude corrobora para um maior rendimento escolar e aumento da autoestima, além de uma transformação psicossocial no aluno. A inteligência emocional vem auxiliar nas tomadas de decisões, sendo a emoção, um canal de orientação que precisa ser trabalhado, no sentido de somar com a formação do indivíduo, fortalecendo-o profundamente. A BNCC traz uma explicação autêntica de como a educação pode se beneficiar desta importante aliada, e principalmente, como estar voltada para o público infantil e das séries iniciais.
Nessa perspectiva, traz a oportunidade de uma educação inclusiva, dinâmica, experienciada, fazendo das emoções um campo fértil, para grandes descobertas durante a construção e aquisição do saber. A inteligência emocional, no contexto deste documento, vem estimular o pensamento crítico, a autonomia, fomentar que o indivíduo reconheça suas emoções e tenha domínio sobre elas, a fim de ser responsável pelas suas atitudes desde a infância. Certamente as escolas formarão adultos responsáveis e melhores para o mundo, claro, levando em consideração suas especificidades e suas diferenças. Sabe-se que a comunicação com os outros indivíduos produz diversas emoções, e saber como agir nessas inter-relações é fundamental.
Como afirma Vygotsky (1998, p. 99), ao relatar que, “o aprendizado pressupõe uma natureza social específica e um processo através do qual as crianças penetram na vida intelectual daqueles que a cercam”. Na educação infantil, a todo momento são estabelecidas relações e interações entres as crianças, o mais comum está no ato de brincar, onde se constroem belíssimos enredos que servem de alicerce para a construção do saber. Lidar com as situações que vão desde de partilhar um simples brinquedo, ao formar laços de amizades.
Nesses vieses, ressalta-se, a importância da inteligência emocional. Disposta no documento normativo, fruto das contribuições de fantásticas personalidades que criaram um documento que traz considerações valiosas acerca dos processos ensino aprendizagem, no que concerne ao chão da escola e à BNCC.
A inteligência emocional é relevante, de forma cabal, porque proporciona a educação das emoções, que é o processo que se almeja alcançar, enquanto ser humano, ao fazer uso desse termo tão singular para o desenvolvimento pessoal e profissional do sujeito. No que concerne ao contexto educacional, seus benefícios são valorosos, que vão desde uma polidez nas relações entre os atores deste universo, ao crescimento, desenvolvimento, desempenho e maior rendimento escolar. Além da melhor assimilação, entendimento e compreensão do processo de ensino, que passa a ser associado ao seu contexto social, onde o fazer pedagógico se encontra com o seu cotidiano, e assim, o aprendizado começa a fazer sentido. Seus benefícios também estão em proporcionar estímulos para que a criança seja forte emocionalmente, compreendendo, como conviver em harmonia com ela mesma e com os outros.
Os alunos da educação infantil aprenderão desde a primeira infância a observar suas emoções e educá-las, a fim de estabelecer excelentes relações, baseadas em conceitos básicos, como o respeito e empatia. Aprendem, através da inteligência emocional, a vencer as frustações, e compreender o mundo onde vivem da melhor maneira possível. A educação das emoções gera tranquilidade, segurança, confiança, autoestima e dessa forma o aluno cresce sabendo qual é o seu lugar no mundo e que também é protagonista nesse universo. A inteligência emocional na educação infantil gera um poder de conhecimento muito grande, a criança será livre para se desenvolver e não terá seus sonhos reprimidos ou bloqueados pelo medo principalmente de se expressar no meio social.
A BNCC contribui para que esse direito seja igual para todos, que as crianças em fase de desenvolvimento possam usufruir desse momento único que é viver a educação infantil na idade correta, com todas as suas necessidades básicas atendidas para que um desenvolvimento pleno aconteça. As definições da BNCC tem caráter orgânico progressivo, que são essenciais para o desenvolvimento dos alunos em idade escolar, visando uma educação plena, por isso é tão relevante que os currículos estejam estruturados, ancorados pelas suas disposições que fazem parte de uma proposta coerente com o sistema educacional, ancorados na lei nº 9,394 de 20 de novembro de 1996, lei de diretrizes bases da educação nacional. Visando diminuir a fragmentação e a disparidade social no contexto educacional, esse documento proporciona a chance dos alunos das distintas etapas da educação básica desenvolverem as 10 competências gerais que são: 1. Valorizar e utilizar os conhecimentos historicamente construídos sobre o mundo físico, social, cultural e digital para entender e explicar a realidade, continuar aprendendo e colaborar para a construção de uma sociedade justa, democrática e inclusiva. 2. Exercitar a curiosidade intelectual e recorrer à abordagem própria das ciências, incluindo a investigação, a reflexão, a análise crítica, a imaginação e a criatividade, para investigar causas, elaborar e testar hipóteses, formular e resolver problemas e criar soluções (inclusive tecnológicas) com base nos conhecimentos das diferentes áreas. 3. Valorizar e fruir as diversas manifestações artísticas e culturais, das locais às mundiais, e também participar de práticas diversificadas da produção artístico-cultural. 4. Utilizar diferentes linguagens – verbal (oral ou visual-motora, como Libras, e escrita), corporal, visual, sonora e digital –, bem como conhecimentos das linguagens artística, matemática e científica, para se expressar e partilhar informações, experiências, ideias e sentimentos em diferentes contextos e produzir sentidos que levem ao entendimento mútuo. 5. Compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de informação e comunicação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas diversas práticas sociais (incluindo as escolares) para se comunicar, acessar e disseminar informações, produzir conhecimentos, resolver problemas e exercer protagonismo e autoria na vida pessoal e coletiva. 6. Valorizar a diversidade de saberes e vivências culturais e apropriar-se de conhecimentos e experiências que lhe possibilitem entender as relações próprias do mundo do trabalho e fazer escolhas alinhadas ao exercício da cidadania e ao seu projeto de vida, com liberdade, autonomia, consciência crítica e responsabilidade. 7. Argumentar com base em fatos, dados e informações confiáveis, para formular, negociar e defender ideias, pontos de vista e decisões comuns que respeitem e promovam os direitos humanos, a consciência socioambiental e o consumo responsável em âmbito local, regional e global, com posicionamento ético em relação ao cuidado de si mesmo, dos outros e do planeta. 8. Conhecer-se, apreciar-se e cuidar de sua saúde física e emocional, compreendendo-se na diversidade humana e reconhecendo suas emoções e as dos outros, com autocrítica e capacidade para lidar com elas. 9. Exercitar a empatia, o diálogo, a resolução de conflitos e a cooperação, fazendo-se respeitar e promovendo o respeito ao outro e aos direitos humanos, com acolhimento e valorização da diversidade de indivíduos e de grupos sociais, seus saberes, identidades, culturas e potencialidades, sem preconceitos de qualquer natureza. 10. Agir pessoal e coletivamente com autonomia, responsabilidade, flexibilidade, resiliência e determinação, tomando decisões com base em princípios éticos, democráticos, inclusivos, sustentáveis e solidários.
Ao definir essas competências, a BNCC reconhece que a “educação deve afirmar valores e estimular ações que contribuam para a transformação da sociedade, tornando-a mais humana, socialmente justa e, também, voltada para a preservação da natureza” (BRASIL, 2013), mostrando-se também alinhada à Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU).
Dessa maneira, entende-se que essa é uma grande contribuição para a educação no Brasil, porque essas competências devem ser desenvolvidas ao longo de todas as etapas da Educação Básica – na Educação Infantil, no Ensino Fundamental e no Ensino Médio. Portanto, como resultado desse processo de ensino aprendizagem obtém-se desenvolvimento, formação integral, justa, democrática e inclusiva.
6. CONSIDERAÇÕES FINAIS
O presente trabalho se justifica pela colaboração em ampliar os conhecimentos acerca da inteligência emocional, bem como da aplicação das competências emocionais em sala de aula. Partindo do pressuposto que irá agregar valores à educação, dando significado ao ensino-aprendizagem. Nas etapas da educação da criança, auxiliará na formação de indivíduos mais seguros e autônomos de suas emoções, sendo assim, capazes de lidar com desafios diversos.
Deste modo, esta pesquisa sugere que outros estudos sejam realizados, dando continuidade a este conteúdo tão fascinante e fundamental para a aprendizagem. Gerenciar as emoções, lidar com o outro com empatia, ser um ser completo e dinâmico na sociedade requer muito do ser humano a capacidade de se conhecer e também de saber viver de acordo com os quatros pilares da educação: aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a conviver, aprender a ser, que estão integrados, nas competências socioemocionais trabalhadas pela inteligência emocional.
A inteligência emocional pode ser desenvolvida, treinada, potencializada em sua totalidade, viabilizando uma alta performance para os indivíduos. E é um meio que pode agregar valores ainda mais significativos no contexto pedagógico, e social no processo de ensino-aprendizagem.
Durante a pesquisa, foram encontradas literaturas que trouxeram grandes contribuições, como a possibilidade de conhecer sobre a inteligência emocional, o que oportunizou ainda experienciar a lei de diretrizes e bases nacional, e a Base Nacional Comum Curricular, sendo possível entender e compreender acerca das 10 competências gerais, competências socioemocionais e suas contribuições na educação infantil.
Este estudo proporcionou um aprendizado que pode ser aplicado em sala de aula, enquanto profissional de educação, nas relações, pois foram conhecimentos adquiridos que merecem atenção por contribuírem para enriquecimento intelectual.
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Artigo Científico apresentado ao Curso de Pedagogia do Instituto de Ensino Superior Franciscano, para obtenção do grau de Licenciado em Pedagogia
1 Acadêmica do 8º período de curso de Licenciatura em Pedagogia do Instituto de Ensino Superior Franciscano (IESF), professora de educação infantil, professora do ensino fundamental, Escritora de Literatura infantil e infanto juvenil, poesia, prosa poética, romance, ilustradora.
2 Psicóloga do Núcleo Integrado de Gestão e Acompanhamento Psicopedagógico (NIGAPp) do Instituto de Ensino Superior Franciscano (IESF), Professora dos cursos de graduação (Ciências Contábeis, Direito, Educação Física, Pedagogia e Serviço Social), dos cursos de pós graduação (AEE, Educação Inclusiva, Psicologia Jurídica e Inteligência Forense, Psicopedagogia Institucional e Clínica e Saúde Mental e Atenção Psicossocial).