A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA EDUCAÇÃO: ENTRE OS BENEFÍCIOS E OS RISCOS
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REGISTRO DOI: 10.5281/zenodo.16990063
Rafael Paulo Ferreira1
RESUMO
Este trabalho tem como objetivo analisar as vantagens e desvantagens da aplicação da Inteligência Artificial (IA) nos cursos á distância, considerando seus impactos no processo de ensino-aprendizagem. A pesquisa foi desenvolvida por meio de pesquisa bibliográfica, com base em autores contemporâneos que discutem as transformações educacionais promovidas pelas tecnologias digitais. A Inteligência Artificial tem se destacado como uma ferramenta de apoio capaz de personalizar o ensino, automatizar correções e oferecer feedbacks instantâneos aos estudantes, promovendo maior autonomia e engajamento. Dentre as principais vantagens, destacam-se a adaptação dos conteúdos ao ritmo do aluno, o suporte individualizado, a economia de tempo em tarefas repetitivas e a ampliação do acesso à informação de forma dinâmica. No entanto, também foram identificadas desvantagens, como a desumanização das interações pedagógicas, a dependência excessiva da tecnologia, a limitação do pensamento crítico diante de respostas automatizadas e os riscos relacionados à privacidade e proteção de dados. Além disso, a implementação eficaz da IA exige investimentos em infraestrutura e formação docente, o que nem sempre é viável em contextos educacionais desiguais. Conclui-se que, embora a IA apresente um grande potencial para enriquecer a Educação a Distância (EaD), sua utilização deve ser crítica e equilibrada, considerando aspectos éticos, pedagógicos e sociais. A mediação do professor continua sendo essencial para garantir a qualidade do processo educativo, sendo a tecnologia uma aliada e não substituta da atuação docente. Dessa forma, o uso consciente da IA pode contribuir para uma educação mais inclusiva, personalizada e eficiente, desde que integrada a uma proposta pedagógica fundamentada e humanizada.
Palavras-chave: Inteligência Artificial. Educação a Distância. Ensino-aprendizagem. Tecnologias Educacionais. Personalização. Ética.
ABSTRACT
This paper aims to analyze the advantages and disadvantages of applying Artificial Intelligence (AI) to distance learning courses, considering its impacts on the teaching-learning process. The research was developed through bibliographical research, based on contemporary authors who discuss the educational transformations promoted by digital technologies. Artificial Intelligence has stood out as a support tool capable of personalizing teaching, automating corrections and offering instant feedback to students, promoting greater autonomy and engagement. Among the main advantages, we highlight the adaptation of content to the student's pace, individualized support, time savings on repetitive tasks and increased access to information in a dynamic way. However, disadvantages were also identified, such as the dehumanization of pedagogical interactions, excessive dependence on technology, limitation of critical thinking in the face of automated responses and risks related to privacy and data protection. In addition, the effective implementation of AI requires investments in infrastructure and teacher training, which is not always feasible in unequal educational contexts. It is concluded that, although AI has great potential to enrich Distance Education (EaD), its use must be critical and balanced, considering ethical, pedagogical and social aspects. The teacher's mediation continues to be essential to guarantee the quality of the educational process, with technology being an ally and not a substitute for teaching. Thus, the conscious use of AI can contribute to a more inclusive, personalized and efficient education, as long as it is integrated into a well-founded and humanized pedagogical proposal.
Keywords: Artificial Intelligence. Distance Education. Teaching-learning. Educational Technologies. Personalization. Ethics
1 INTRODUÇÃO
A Educação a Distância (EaD) tem se consolidado como uma modalidade essencial no cenário educacional contemporâneo, sobretudo diante dos avanços tecnológicos e da necessidade de flexibilização do acesso ao ensino. Nesse contexto, a Inteligência Artificial (IA) tem se destacado como uma ferramenta inovadora, capaz de transformar significativamente os processos de ensino e aprendizagem. A Relevância deste estudo reside na necessidade urgente de compreender como a IA pode contribuir positivamente para a EaD, ao mesmo tempo em que se reconhecem os desafios éticos, pedagógicos e técnicos envolvidos em sua aplicação. Discutir esse tema é fundamental para educadores, gestores e formuladores de políticas públicas que buscam promover uma educação mais eficiente, inclusiva e personalizada.
O objetivo deste trabalho é analisar as vantagens e desvantagens da aplicação da Inteligência Artificial nos cursos a distância, considerando seus efeitos no processo de ensino-aprendizagem. Para isso, utiliza-se a metodologia de pesquisa bibliográfica, com base em autores e estudos recentes que investigam a relação entre IA e EaD.
A estrutura do trabalho está organizada da seguinte forma: inicialmente, apresenta-se um panorama das tecnologias emergentes na Educação a Distância, com ênfase na evolução dos recursos digitais. Em seguida, discute-se o uso da Inteligência Artificial na EaD, detalhando suas contribuições para a personalização do ensino, otimização de tarefas e expansão do acesso, bem como os desafios relacionados à desumanização do processo, desigualdades tecnológicas e questões de privacidade. Por fim, são apresentadas as considerações finais, destacando a importância do uso consciente e equilibrado da IA no ambiente educacional.
2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
A educação a distância (EaD) passou por uma transformação significativa nos últimos anos, impulsionada principalmente pela incorporação de tecnologias digitais. Entre essas tecnologias, destaca-se a inteligência artificial (IA), que tem redesenhado os processos educacionais ao oferecer novas possibilidades de personalização do ensino, automação de tarefas e análise preditiva de desempenho. Essa realidade educacional emergente redefine papéis, recursos e metodologias de ensino, exigindo uma análise crítica sobre as vantagens, limitações e desafios dessa integração tecnológica.
A digitalização do ensino, conforme apontam Rocha, Joye e Moreira (2020), tem favorecido a expansão do acesso ao conhecimento, além de permitir a personalização das experiências de aprendizagem. A IA intensifica esse processo ao adaptar conteúdos às necessidades específicas de cada estudante, ampliando a efetividade do ensino. Nesse contexto, é necessário refletir sobre como essa tecnologia está sendo utilizada e quais os impactos reais que pode provocar tanto na aprendizagem quanto na relação entre educadores e estudantes.
Nos ambientes virtuais de aprendizagem, a presença da IA tem possibilitado um acompanhamento mais preciso e individualizado do progresso dos alunos. Por meio da coleta e análise de dados, as plataformas são capazes de oferecer feedbacks personalizados, ajustar o ritmo das aulas e propor intervenções específicas. Costa, Filho e Bottentuit Júnior (2019, p.4) ressaltam que,
Essas ferramentas são particularmente úteis em modelos híbridos, como o blended learning, nos quais o aluno assume um papel mais ativo e autônomo em sua formação. A otimização do tempo e a organização das atividades escolares tornam-se mais eficientes com o suporte tecnológico adequado.
Contudo, não se pode negligenciar os desafios pedagógicos e éticos envolvidos no uso da IA. A desumanização do processo de ensino-aprendizagem, por exemplo, é um risco apontado por diferentes estudiosos. Aguiar et al. (2024) alertam para o perigo de uma aplicação indiscriminada da tecnologia, que pode afastar o aluno do contato humano, essencial para a construção de vínculos afetivos e do pensamento crítico. Esse distanciamento compromete o desenvolvimento integral do estudante, sobretudo em contextos que dependem do apoio presencial e da interação social constante.
A integração da IA no ambiente educacional precisa, portanto, respeitar os limites e o papel insubstituível do educador. Pereira (2018, p.11) destaca que,
A IA deve ser compreendida como um recurso de apoio à prática docente, e não como sua substituição. O professor continua sendo o mediador do conhecimento, aquele que interpreta, orienta e contextualiza as informações. O uso consciente e planejado da tecnologia, articulado à intencionalidade pedagógica, é o que garante a qualidade do ensino e o protagonismo do educador na mediação das aprendizagens.
Outro ponto relevante refere-se à desigualdade no acesso às tecnologias. A IA, embora promissora, pode aprofundar as disparidades educacionais já existentes. Rennó (2023) salienta que muitos estudantes ainda enfrentam obstáculos como falta de conectividade, equipamentos obsoletos e ausência de habilidades digitais. A exclusão digital continua sendo uma barreira significativa à democratização do ensino a distância e precisa ser enfrentada com políticas públicas adequadas e investimentos em infraestrutura.
3 METODOLOGIA
A presente pesquisa caracteriza-se como um relato de experiência de natureza bibliográfica, cujo objetivo foi compreender os impactos da Inteligência Artificial (IA) na educação, investigando tanto os benefícios quanto os riscos associados à sua aplicação no contexto escolar. Optou-se pela pesquisa bibliográfica por possibilitar a análise sistemática de estudos, artigos, livros, relatórios e demais materiais científicos que abordam o uso da IA como recurso pedagógico, suas implicações éticas, pedagógicas e sociais, bem como os desafios para sua integração aos processos de ensino-aprendizagem.
O procedimento metodológico consistiu em etapas de levantamento, seleção e análise de fontes pertinentes ao tema. Inicialmente, foram identificados trabalhos que discutem a aplicação da IA na educação, incluindo sistemas de recomendação de aprendizagem, plataformas adaptativas, assistentes virtuais, chatbots educativos e algoritmos de avaliação. Foram priorizadas publicações recentes, preferencialmente a partir de 2018, que abordam as potencialidades da IA no desenvolvimento cognitivo, na personalização do ensino e na automação de processos educacionais, bem como estudos que apontam os riscos relacionados à privacidade de dados, vieses algorítmicos, dependência tecnológica e exclusão digital.
A coleta de informações envolveu leitura crítica e sistemática dos textos, identificação de conceitos-chave, categorização das vantagens e desvantagens da IA na educação e registro das contribuições teóricas que pudessem fundamentar o relato de experiência. Foram analisadas questões relativas à eficácia pedagógica das ferramentas de IA, à integração dessas tecnologias com o planejamento curricular, à capacitação docente e à promoção de práticas inclusivas e éticas.
A análise do material bibliográfico adotou abordagem qualitativa, buscando identificar tendências, desafios e possibilidades da IA na educação. A partir dessa perspectiva, foram sistematizados os benefícios percebidos, como personalização da aprendizagem, otimização de avaliações e maior engajamento dos estudantes, bem como os riscos potenciais, incluindo a vulnerabilidade de dados, a ampliação de desigualdades e a dependência excessiva de sistemas automatizados. Esse procedimento permitiu construir uma compreensão ampla sobre os efeitos da IA no contexto educacional e refletir criticamente sobre as condições necessárias para sua implementação segura e eficaz.
4 RESULTADOS E DISCUSSÃO
Em termos de benefícios, a IA também se destaca pela capacidade de realizar diagnósticos educacionais em tempo real. Ferramentas inteligentes podem identificar padrões de dificuldade, sugerir conteúdos de reforço e monitorar o progresso do aluno com grande precisão. Santos, Jorge e Winkler (2021) explicam que esses recursos tornam o processo de ensino mais dinâmico e responsivo, permitindo intervenções pedagógicas mesmo em turmas grandes e heterogêneas. Essa funcionalidade representa um avanço importante na busca por uma educação mais equitativa e eficaz.
Além disso, a IA tem transformado o papel tradicional do professor. Segundo Picão et al. (2023), o docente assume agora o papel de designer de experiências de aprendizagem, atuando como um articulador entre o conteúdo, as tecnologias e os estudantes. Essa nova configuração exige formação continuada, para que os professores se sintam preparados e confiantes no uso dessas ferramentas. O domínio técnico, aliado à sensibilidade pedagógica, é fundamental para que a tecnologia seja empregada de forma crítica, criativa e eficaz.
Entretanto, ainda há resistência por parte de alguns profissionais da educação. O receio em relação à dependência das máquinas, ao plágio e à superficialidade das respostas geradas por ferramentas como o ChatGPT são temas recorrentes nas discussões acadêmicas. Rodrigues e Rodrigues (2023) argumentam que o uso dessas tecnologias levanta dilemas éticos e exige regulação clara. A ausência de diretrizes pode comprometer a qualidade do ensino e aumentar a desinformação no ambiente educacional.
A reflexão sobre a real "inteligência" dessas ferramentas também está em pauta. Santaella (2023) questiona se a IA pode ser considerada inteligente no sentido pleno do termo, uma vez que ela carece de intencionalidade, sensibilidade e compreensão contextual. Para a autora, essas lacunas tornam a IA insuficiente para substituir o educador humano, especialmente nas relações interpessoais e nos processos reflexivos que envolvem a construção do conhecimento.
Outro aspecto que merece atenção é a possível dependência tecnológica por parte dos estudantes. Sanchez (2023) chama a atenção para o risco de que os alunos se tornem consumidores passivos de conteúdos automatizados, sem desenvolver habilidades como análise crítica, argumentação e autonomia intelectual. É fundamental que o uso da IA seja acompanhado de uma proposta pedagógica que estimule a reflexão, a participação ativa e o pensamento crítico dos discentes.
No campo da gestão educacional, a IA tem se mostrado uma aliada poderosa na automação de processos e na análise de dados institucionais. Segundo Aguiar et al. (2024), essas ferramentas permitem uma administração mais estratégica dos ambientes virtuais, contribuindo diretamente para o planejamento pedagógico e para a melhoria dos indicadores de desempenho. A gestão baseada em dados pode tornar o processo educacional mais transparente, eficiente e orientado por resultados.
Por outro lado, Pereira (2018) ressalta que a ênfase exagerada em métricas, resultados e desempenho pode tornar o ambiente de aprendizagem impessoal e mecânico. A educação, além de formar competências, deve também promover o desenvolvimento socioemocional, a empatia e a criatividade, valores que nem sempre estão contemplados nos sistemas automatizados.
A coleta e o tratamento de dados dos estudantes também representam um desafio delicado. As informações pessoais precisam ser protegidas e seu uso deve obedecer a princípios éticos e legais. Santos, Jorge e Winkler (2021) alertam para a necessidade de transparência e regulação rigorosa, a fim de garantir a privacidade e a segurança digital dos envolvidos no processo educacional.
A tendência é que a presença da IA na EaD continue crescendo. Picão et al. (2023) destacam que os avanços tecnológicos exigem uma adaptação constante por parte de professores, instituições e estudantes. Essa transformação, no entanto, não deve ser conduzida apenas pela inovação técnica, mas também por uma reflexão ética, pedagógica e social sobre o papel da tecnologia na educação.
Diante desse cenário, a formação docente precisa ser redimensionada. Costa, Filho e Bottentuit Júnior (2019) afirmam que é urgente preparar os professores para atuarem em contextos mediados por IA, com o desenvolvimento de competências técnicas, pedagógicas e éticas. A formação continuada, aliada ao incentivo à pesquisa e à experimentação, torna-se essencial para que o professor se aproprie criticamente dessas ferramentas.
Ao considerar o contexto brasileiro, Rennó (2023) reforça que a implementação da IA deve levar em conta as realidades regionais e as desigualdades estruturais. Políticas inclusivas e investimentos direcionados são indispensáveis para garantir o acesso equitativo aos recursos tecnológicos e para evitar a ampliação da exclusão digital.
Essa reflexão também se estende aos estudantes, que precisam ser formados para utilizar a IA de maneira crítica e consciente. Conforme defendem Rodrigues e Rodrigues (2023), o papel das escolas é ensinar o uso ético e responsável dessas ferramentas, promovendo a autonomia intelectual e evitando a dependência tecnológica.
Nesse sentido, Rocha, Joye e Moreira (2020) argumentam que cabe às instituições de ensino garantir que a mediação tecnológica seja acompanhada de propostas pedagógicas que promovam aprendizagens significativas, humanizadas e inclusivas. O uso da IA deve estar alinhado aos objetivos educacionais e não pode substituir a intencionalidade do trabalho docente.
A incorporação da inteligência artificial no processo educativo a distância exige uma abordagem crítica e contextualizada, especialmente em países como o Brasil, onde as desigualdades sociais e tecnológicas ainda são marcantes. Rennó (2023) chama atenção para a importância de políticas públicas que considerem essas desigualdades, promovendo uma inclusão digital efetiva. É fundamental que o uso da IA não seja um fator de exclusão, mas sim um meio de democratizar o acesso ao conhecimento, desde que as condições estruturais estejam asseguradas para todos os estudantes.
Nesse cenário, o papel do professor ganha nova configuração. Picão et al. (2023) apontam que, diante da presença crescente da IA, o docente se torna cada vez mais um curador de conteúdos e experiências, promovendo aprendizagens significativas em ambientes mediados por tecnologia. Isso demanda uma postura ativa, reflexiva e criativa por parte do educador, que deve assumir também o papel de orientador ético frente ao uso dessas ferramentas. Essa mudança reforça a necessidade de formação continuada que vá além da dimensão técnica, incluindo também aspectos filosóficos e sociais.
Além disso, o uso de sistemas baseados em inteligência artificial implica repensar os modelos avaliativos. Santos, Jorge e Winkler (2021) argumentam que a IA pode identificar lacunas na aprendizagem de forma eficaz, mas alertam que isso não deve se traduzir apenas em rankings ou métricas padronizadas. A avaliação precisa manter seu caráter formativo e humano, valorizando o processo de aprendizagem e não apenas seus resultados quantitativos. Nesse sentido, o uso da tecnologia deve ser um instrumento de apoio e não de padronização da educação.
Outro ponto essencial é a compreensão crítica da IA por parte dos estudantes. Rodrigues e Rodrigues (2023) enfatizam que é preciso desenvolver a competência digital crítica, de modo que os alunos saibam utilizar essas ferramentas de maneira responsável, ética e reflexiva. Isso envolve não apenas a operação técnica das plataformas, mas também a análise de suas implicações sociais, culturais e cognitivas. A escola, nesse contexto, tem a responsabilidade de formar cidadãos conscientes e capazes de atuar no mundo digital de forma autônoma.
Pereira (2018) reforça que a tecnologia deve ser usada para fortalecer a mediação docente, e não para substituí-la. O contato humano continua sendo indispensável para o desenvolvimento das dimensões emocionais, sociais e cognitivas dos estudantes. A IA pode ser uma aliada poderosa, desde que inserida em uma proposta educacional que valorize a escuta, o diálogo e a construção coletiva do saber.
Dessa forma, conclui-se que a inteligência artificial tem um potencial transformador na educação a distância, desde que seu uso seja orientado por princípios pedagógicos sólidos, planejamento estratégico e compromisso com a equidade. A tecnologia, quando usada de forma ética e consciente, pode fortalecer a relação entre educador e educando e contribuir para uma educação mais eficaz, significativa e humana. Mais do que discutir se devemos ou não utilizar a IA na EaD, é essencial refletir sobre os modos de incorporá-la com responsabilidade, sempre priorizando a dimensão humana do processo educativo.
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A proposta deste trabalho foi analisar criticamente as vantagens, desvantagens e desafios do uso da inteligência artificial na educação a distância, destacando seu impacto no processo de ensino-aprendizagem, na atuação docente e na gestão educacional. Os objetivos foram plenamente atendidos à medida que se exploraram os benefícios da IA, como a personalização do ensino, o acompanhamento do desempenho estudantil em tempo real e a ampliação das possibilidades de interação nos ambientes virtuais. A utilização de sistemas inteligentes permite que os conteúdos sejam adaptados ao ritmo e às necessidades de cada estudante, promovendo uma aprendizagem mais eficiente e alinhada aos estilos individuais de aprendizagem. Além disso, a análise mostrou que as ferramentas de IA podem auxiliar os professores no planejamento e na avaliação de atividades, automatizando tarefas repetitivas e liberando tempo para ações pedagógicas mais estratégicas e interativas.
Também foram discutidos os desafios éticos, pedagógicos e estruturais relacionados à adoção da IA na EaD. Entre os principais riscos identificados, destaca-se a possibilidade de desumanização do ensino, uma vez que o excesso de automação pode reduzir o contato direto entre professores e alunos, prejudicando a construção de vínculos afetivos e a mediação pedagógica. Além disso, a desigualdade no acesso às tecnologias evidencia um problema estrutural que pode comprometer a equidade educacional, uma vez que estudantes em contextos menos favorecidos podem ter dificuldades para usufruir dos benefícios da IA. A necessidade de formação continuada dos professores foi reiterada, pois o domínio das ferramentas digitais exige competências técnicas, éticas e pedagógicas, além da capacidade de interpretar dados gerados pelos sistemas inteligentes para tomar decisões educativas fundamentadas.
Outro ponto relevante refere-se ao impacto da IA na gestão educacional. A análise mostrou que gestores de instituições de ensino podem utilizar sistemas de inteligência artificial para monitorar o desempenho acadêmico e a frequência dos alunos, identificar padrões de aprendizado, antecipar dificuldades e planejar intervenções pedagógicas mais assertivas. Esses recursos oferecem maior precisão na tomada de decisão e permitem um acompanhamento mais detalhado da aprendizagem. No entanto, o uso ético dessas ferramentas depende de políticas claras de proteção de dados e privacidade, bem como da conscientização de gestores e docentes quanto aos limites da automação e à importância de manter a centralidade do estudante no processo educativo.
A reflexão apresentada reafirma que o uso da IA na EaD deve ser planejado, crítico e humanizado, visando não apenas à eficiência, mas também à qualidade e à equidade educacional. O equilíbrio entre inovação tecnológica e mediação humana é essencial para garantir uma aprendizagem significativa e inclusiva. Nesse sentido, a integração da IA deve ser compreendida como um recurso complementar ao trabalho docente, capaz de potencializar estratégias pedagógicas, mas sem substituir a presença, a orientação e o acompanhamento do professor. O planejamento cuidadoso, aliado à formação contínua e à reflexão crítica, é determinante para o sucesso da implementação da IA nos ambientes de aprendizagem online.
Além disso, a IA oferece oportunidades para expandir práticas pedagógicas inovadoras, como a aprendizagem personalizada, adaptativa e colaborativa. Plataformas inteligentes podem identificar lacunas no aprendizado e sugerir atividades direcionadas, estimulando o engajamento e promovendo maior autonomia do estudante. A interação com assistentes virtuais, chatbots e sistemas de tutoria inteligente possibilita experiências diferenciadas de ensino, que podem fortalecer competências cognitivas e socioemocionais. Dessa forma, a IA contribui para a construção de um ambiente educativo dinâmico, desafiador e alinhado às demandas da sociedade digital.
Apesar dos avanços, é fundamental ressaltar que a aplicação da IA na educação a distância não se restringe aos benefícios imediatos. É necessário refletir sobre os impactos de longo prazo, considerando questões como a formação integral do estudante, a capacidade crítica diante de informações digitais e o desenvolvimento de competências socioemocionais. A tecnologia deve ser incorporada de maneira estratégica e consciente, evitando que a aprendizagem se torne excessivamente dependente de sistemas automatizados e que o estudante se torne passivo frente ao processo educativo. A reflexão ética sobre o uso da IA é imprescindível para evitar práticas excludentes e garantir que a inovação tecnológica contribua para a democratização do conhecimento.
Outro aspecto que merece destaque refere-se à interação entre tecnologia, currículo e metodologias pedagógicas. A análise realizada indicou que a IA pode ser integrada de maneira eficiente ao planejamento curricular, desde que as ferramentas digitais estejam alinhadas aos objetivos de aprendizagem, às competências previstas e às necessidades dos estudantes. A adoção de práticas baseadas em dados permite aos professores adaptar estratégias pedagógicas, acompanhar o progresso de cada aluno e promover intervenções pedagógicas mais precisas. Esse alinhamento entre tecnologia e currículo contribui para uma educação mais assertiva, inclusiva e orientada por evidências.
A pesquisa sugere que futuras iniciativas no uso da IA na EaD devem considerar a construção de políticas institucionais que garantam suporte técnico, formação docente, acesso equitativo e proteção de dados. Além disso, recomenda-se que pesquisas futuras explorem a percepção de alunos e professores sobre a IA, suas experiências práticas e os efeitos na aprendizagem e no engajamento. Dessa forma, será possível aprimorar continuamente a utilização da inteligência artificial na educação, garantindo que a inovação tecnológica seja um aliado na promoção de uma aprendizagem mais eficaz, ética e inclusiva.
Em síntese, conclui-se que a inteligência artificial pode ser uma aliada poderosa na educação a distância, desde que utilizada com responsabilidade, respeito ao contexto educacional e compromisso com a formação integral do estudante. Seu potencial é inegável, oferecendo oportunidades para personalização do ensino, monitoramento de desempenho e inovação pedagógica. Entretanto, seu uso exige reflexão crítica, planejamento estratégico e atenção às dimensões éticas e sociais, de modo a assegurar que os benefícios sejam concretos, equitativos e sustentáveis no tempo.
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1 Graduação Especialização. Mestrando em Tecnologias Emergentes em Educação pela Must University. [email protected]