REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/776926291
RESUMO
As práticas de leitura e escrita no ensino de Língua Portuguesa representam elementos fundamentais para a formação escolar e social dos estudantes, uma vez que contribuem para o desenvolvimento da compreensão, da expressão e da capacidade crítica diante da realidade. Nesse contexto, o presente estudo teve como objetivo geral analisar a importância das práticas de leitura e escrita no ensino de Língua Portuguesa, considerando suas contribuições para o processo de ensino e aprendizagem dos alunos. A relevância da pesquisa está no reconhecimento de que ler e escrever não são apenas habilidades escolares, mas práticas indispensáveis para a participação social, para a construção do conhecimento e para a formação de sujeitos mais reflexivos e autônomos. A metodologia adotada foi a pesquisa bibliográfica, realizada a partir da análise de obras, artigos e estudos acadêmicos relacionados ao tema, permitindo reunir diferentes contribuições teóricas sobre leitura, escrita, mediação docente e ensino de Língua Portuguesa. A partir da análise desenvolvida, foi possível concluir que as práticas de leitura e escrita, quando trabalhadas de forma contextualizada, significativa e articulada aos usos sociais da linguagem, fortalecem a aprendizagem, ampliam o repertório linguístico dos estudantes e contribuem para a formação integral do educando. Dessa forma, o estudo reafirma a necessidade de valorizar essas práticas no cotidiano escolar como caminho para uma educação mais humana, crítica e transformadora.
Palavras-chave: Leitura; escrita; ensino de Língua Portuguesa.
ABSTRACT
Reading and writing practices in Portuguese Language teaching represent fundamental elements for the educational and social development of students, since they contribute to the development of comprehension, expression, and critical thinking regarding reality. In this context, the present study aimed to analyze the importance of reading and writing practices in Portuguese Language teaching, considering their contributions to the teaching and learning process of students. The relevance of this study lies in the recognition that reading and writing are not only school-related skills, but also essential practices for social participation, knowledge construction, and the formation of more reflective and autonomous individuals. The methodology adopted was bibliographic research, carried out through the analysis of books, articles, and academic studies related to the theme, which made it possible to gather different theoretical contributions on reading, writing, teacher mediation, and Portuguese Language teaching. Based on the analysis conducted, it was possible to conclude that reading and writing practices, when developed in a contextualized, meaningful way and connected to the social uses of language, strengthen learning, expand students’ linguistic repertoire, and contribute to the integral development of the learner. Thus, the study reaffirms the need to value these practices in everyday school life as a path toward a more humane, critical, and transformative education.
Keywords: Reading; writing; Portuguese Language teaching.
1. INTRODUÇÃO
O ensino de Língua Portuguesa ocupa um lugar central na formação escolar, pois é por meio dele que os estudantes desenvolvem habilidades essenciais para compreender o mundo, comunicar ideias, interpretar diferentes realidades e participar de forma mais consciente da vida em sociedade. Nesse contexto, as práticas de leitura e escrita assumem uma importância ainda maior, porque não se limitam ao domínio de conteúdos formais da língua, mas envolvem a construção de sentidos, o desenvolvimento do pensamento crítico e a ampliação da capacidade de expressão dos alunos. Em um cenário educacional marcado por desafios relacionados à interpretação textual, à produção escrita e ao interesse dos estudantes pelas atividades escolares, refletir sobre a relevância dessas práticas torna-se necessário e urgente.
De acordo com Elias (2024), o ensino de língua portuguesa precisa estar vinculado aos usos reais da linguagem, permitindo que a leitura e a escrita sejam vivenciadas como práticas significativas no cotidiano escolar. Isso significa compreender que ensinar Língua Portuguesa vai muito além da transmissão de regras gramaticais, pois envolve formar leitores capazes de interpretar diferentes discursos e escritores aptos a se posicionar com clareza, autonomia e consciência. Assim, trabalhar leitura e escrita de forma contextualizada representa uma possibilidade concreta de fortalecer a aprendizagem e tornar a escola mais próxima da realidade vivida pelos estudantes.
Este estudo tem como objetivo geral analisar a importância das práticas de leitura e escrita no ensino de Língua Portuguesa, considerando suas contribuições para o desenvolvimento da compreensão, da expressão e da formação crítica dos estudantes. Como objetivos específicos, busca-se identificar como as práticas de leitura e escrita contribuem para o processo de ensino e aprendizagem na disciplina de Língua Portuguesa, compreender de que maneira o trabalho com diferentes gêneros textuais favorece o desenvolvimento das competências linguísticas dos estudantes e refletir sobre o papel do professor na mediação de práticas de leitura e escrita que promovam a autonomia, a interpretação e a produção textual dos alunos.
A justificativa desta pesquisa está no reconhecimento de que a leitura e a escrita são fundamentos indispensáveis para a aprendizagem e para a formação integral dos estudantes. De acordo com Santana et al. (2025), a leitura e a escrita exercem papel decisivo no processo de aprendizagem, pois favorecem a ampliação do repertório linguístico, o desenvolvimento da compreensão e a construção de uma postura mais crítica diante da realidade. Desse modo, discutir esse tema é relevante porque permite compreender como o ensino de Língua Portuguesa pode contribuir para a formação de sujeitos mais reflexivos, participativos e preparados para interagir socialmente por meio da linguagem.
No que se refere à metodologia, este estudo caracteriza-se como uma pesquisa bibliográfica, desenvolvida a partir da análise de obras, artigos e estudos acadêmicos relacionados ao tema. De acordo com Gil (2010), a pesquisa bibliográfica possibilita ao pesquisador entrar em contato com produções já elaboradas sobre determinado assunto, contribuindo para a ampliação do conhecimento e para a construção de análises fundamentadas. A escolha dessa metodologia mostrou-se adequada por permitir a reunião de diferentes contribuições teóricas sobre leitura, escrita, mediação docente e ensino de Língua Portuguesa, oferecendo base consistente para a discussão proposta neste estudo.
Diante dessas reflexões, o problema de pesquisa que orienta este trabalho pode ser assim formulado: de que maneira as práticas de leitura e escrita no ensino de Língua Portuguesa contribuem para o desenvolvimento das competências linguísticas, interpretativas e críticas dos estudantes?
2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA OU REVISÃO DA LITERATURA
2.1. Leitura e Escrita Como Práticas Fundamentais no Ensino de Língua Portuguesa
A leitura e a escrita ocupam um lugar essencial no ensino de Língua Portuguesa, pois são práticas que acompanham o estudante em toda a sua trajetória escolar e também em sua vida social. De acordo com Elias (2024), o ensino de língua portuguesa precisa estar vinculado aos usos reais da linguagem, permitindo que o aluno compreenda a leitura e a escrita como instrumentos vivos de interação, expressão e construção de sentidos. Quando a escola reconhece essa centralidade, passa a tratar a linguagem não apenas como conteúdo, mas como experiência formativa.
Ler, no contexto escolar, é muito mais do que pronunciar palavras ou localizar informações em um texto. Santana et al. (2025) destacam que a leitura contribui diretamente para o desenvolvimento da aprendizagem, da compreensão, da ampliação vocabular e da formação do pensamento crítico, sendo uma prática indispensável na construção do conhecimento. Por isso, ensinar a ler exige sensibilidade pedagógica, mediação cuidadosa e propostas que despertem no aluno interesse, curiosidade e envolvimento com aquilo que lê.
Da mesma forma, a escrita precisa ser entendida como prática de construção de pensamento, de expressão e de participação social. Aiub (2015) afirma que as práticas de leitura e escrita devem acontecer de forma contextualizada, para que o estudante perceba que a linguagem escrita possui função concreta e significado nas diferentes situações comunicativas do cotidiano. Quando o aluno escreve com intenção, interlocução e sentido, ele deixa de apenas cumprir uma tarefa escolar e passa a ocupar um espaço de autoria.
No ensino de Língua Portuguesa, leitura e escrita não devem ser trabalhadas de forma separada, pois ambas se fortalecem mutuamente no processo de aprendizagem. Coelho (2016) observa que as práticas pedagógicas de leitura e escrita, quando articuladas, favorecem um ensino mais significativo, pois ampliam a compreensão textual, a capacidade de expressão e o domínio das formas de uso da língua. O estudante que lê mais tende a escrever melhor, e aquele que escreve com frequência passa a perceber com mais clareza os mecanismos presentes nos textos que lê.
Durante muito tempo, a escola tratou essas práticas de forma mecânica, com foco excessivo na reprodução, na cópia e na resposta pronta. Silva, Silva e Silva apontam que as práticas de leitura e escrita no ensino fundamental precisam superar modelos tradicionais pouco reflexivos, promovendo experiências que valorizem a participação do aluno, a interpretação e a construção de significados. Esse movimento é importante porque a aprendizagem da língua não acontece apenas pela repetição, mas pela vivência concreta da linguagem em uso.
Além da alfabetização, é necessário pensar o letramento como parte constitutiva desse processo, já que o estudante precisa aprender não apenas a ler e escrever, mas também a usar essas habilidades socialmente. Azevedo et al. (2023) ressaltam que alfabetização e letramento devem caminhar juntos, pois a apropriação da linguagem escrita ganha mais força quando vinculada às práticas sociais que circulam dentro e fora da escola. Isso significa ensinar o aluno a compreender a língua em sua dimensão funcional, cultural e cidadã.
Outro aspecto importante é reconhecer que cada estudante se aproxima da leitura e da escrita a partir de vivências, repertórios e contextos diferentes. Ferreira (2025) destaca que a leitura, quando incentivada desde cedo e trabalhada de forma contínua, contribui para o desenvolvimento escolar, para a autonomia intelectual e para a formação integral do sujeito. Por isso, cabe à escola oferecer oportunidades diversificadas de contato com textos, linguagens e propostas de produção escrita que respeitem as singularidades dos educandos.
Também é fundamental ampliar o trabalho com diferentes gêneros textuais, pois isso permite ao aluno perceber a riqueza e a diversidade da língua em uso. De Souza Filha, Pereira e Valerio (2024) defendem que práticas de ensino da leitura pautadas em propostas criativas tornam a aprendizagem mais envolvente, fortalecem a autoria e ajudam o estudante a se relacionar com os textos de maneira mais ativa e significativa. Quando a linguagem é vivida em sua pluralidade, a escola forma leitores e escritores mais conscientes, críticos e preparados para atuar socialmente.
Assim, considerar a leitura e a escrita como práticas fundamentais no ensino de Língua Portuguesa é reconhecer que elas sustentam não apenas a aprendizagem escolar, mas a própria formação humana e social dos estudantes. Miranda Silva, Silva e Leal (2024) afirmam que a leitura exerce papel decisivo na formação de indivíduos críticos e reflexivos, capazes de compreender a realidade com maior profundidade e posicionar-se diante dela com consciência. Ensinar língua portuguesa, portanto, é também ensinar o aluno a ler o mundo e a escrever sua presença nele.
2.2. O Papel do Professor na Mediação das Práticas de Leitura e Escrita
As práticas de leitura e escrita ganham sentido mais profundo quando o professor assume uma postura mediadora, sensível e intencional diante do processo de ensino. Januário (2024) ressalta que o professor mediador exerce papel fundamental na aprendizagem da leitura e da escrita, pois sua atuação favorece interações, orientações e experiências que ajudam o aluno a construir segurança, compreensão e autonomia. Isso mostra que ensinar não é apenas transmitir conteúdos, mas criar pontes entre o estudante e a linguagem.
A mediação docente vai muito além de selecionar textos ou corrigir produções escritas de forma técnica. Moyses et al. (2025) apontam que o professor, ao atuar como mediador, contribui para integrar alfabetização e letramento, organizando experiências pedagógicas mais vivas, sensíveis e conectadas às necessidades reais dos alunos. Nessa perspectiva, a sala de aula se transforma em um espaço de diálogo, descoberta e construção compartilhada de sentidos.
Em muitas realidades escolares, é o professor quem oferece ao estudante o primeiro contato sistematizado com práticas de leitura mais significativas e com propostas de escrita que valorizam a expressão. Zucchetti e Netto (2025) defendem que a mediação de leitura é decisiva para a formação de leitores na escola, pois envolve escolhas conscientes, escuta pedagógica e construção de vínculos com os textos e com os sujeitos. Quando o professor lê com os alunos, conversa sobre os textos e acolhe suas interpretações, ele amplia as possibilidades de aprendizagem.
Para que essa mediação aconteça de forma consistente, é necessário que o professor tenha formação adequada e compreenda o ensino de Língua Portuguesa para além do ensino normativo. Alcântara et al. (2025) destacam que a formação do pedagogo para o ensino de língua portuguesa precisa articular teoria e prática, de modo que o docente se sinta preparado para conduzir experiências de leitura e escrita com intencionalidade pedagógica. Não basta dominar conceitos; é preciso saber transformá-los em ações concretas no cotidiano escolar.
A postura do professor também influencia diretamente a maneira como o aluno se relaciona com a leitura e com a escrita. Pinto e Costa Souza (2024) evidenciam que abordagens mais lúdicas, acolhedoras e participativas no ensino de Língua Portuguesa favorecem o envolvimento discente e tornam o processo de aprendizagem mais significativo. Um professor que encoraja, escuta e valoriza os avanços do aluno contribui para reduzir medos e fortalecer a confiança diante das práticas de linguagem.
Outro ponto importante é que o professor mediador ajuda o aluno a perceber a função social daquilo que lê e escreve. Nascimento e Lopes (2026) mostram que as vivências cotidianas com leitura e escrita favorecem tanto o desenvolvimento infantil quanto a formação docente, justamente porque tornam a linguagem parte viva da experiência escolar. Quando o estudante entende por que está lendo ou para quem está escrevendo, ele se envolve mais e passa a atribuir sentido real à atividade.
As estratégias escolhidas pelo docente também fazem diferença no desenvolvimento dessas práticas, pois o modo como a atividade é organizada interfere diretamente na participação e no aprendizado dos alunos. Lopes e Abreu Silva (2025) afirmam que as metodologias ativas oferecem contribuições importantes para o ensino de leitura e escrita, uma vez que colocam o estudante em posição de protagonismo e ampliam a interação com os textos e com os processos de produção. Assim, a mediação docente se fortalece quando incorpora propostas dinâmicas, reflexivas e participativas.
Mediar também significa saber observar o tempo de cada aluno, compreender dificuldades, intervir com cuidado e reconhecer que a aprendizagem não acontece de forma linear. Neves et al. (2024) demonstram que os contextos de mediação da leitura envolvem relações complexas entre práticas, sujeitos e instituições, o que exige do professor sensibilidade para agir de maneira contextualizada e humana. Essa compreensão é essencial para que a escola não trate todos os estudantes da mesma forma, ignorando suas diferenças e percursos.
Dessa maneira, o professor ocupa lugar central na mediação das práticas de leitura e escrita, pois é ele quem favorece o encontro entre o aluno, a linguagem e os sentidos que dela emergem. Januário (2024) reforça que a presença do professor mediador é indispensável para que a aprendizagem da leitura e da escrita aconteça de modo significativo, seguro e emancipador. Quando essa mediação é feita com escuta, intencionalidade e compromisso, a escola se torna um espaço mais humano e mais potente para formar leitores e escritores.
2.3. As contribuições das práticas de leitura e escrita para a formação crítica e social dos estudantes
As práticas de leitura e escrita exercem papel decisivo na formação crítica e social dos estudantes, pois ajudam a desenvolver não apenas habilidades escolares, mas também modos de compreender e participar do mundo. Vieira e Souza (2022) destacam que o letramento crítico cultural amplia a leitura de mundo e fortalece a formação cidadã, mostrando que a linguagem pode ser um instrumento de consciência, participação e transformação social. Assim, ensinar língua portuguesa é também contribuir para a construção de sujeitos mais atentos à realidade.
Quando o aluno aprende a ler de forma crítica, ele deixa de se limitar à superfície do texto e passa a perceber intenções, posicionamentos e sentidos mais profundos. Miranda Silva, Silva e Leal (2024) afirmam que a leitura é essencial na formação de indivíduos críticos e reflexivos, pois desenvolve a capacidade de análise, questionamento e interpretação diante dos diferentes discursos que circulam socialmente. Em uma sociedade marcada pelo excesso de informações, essa competência se torna ainda mais necessária.
A escrita também desempenha papel fundamental nesse processo, porque permite ao estudante organizar ideias, elaborar argumentos e dar forma ao próprio pensamento. Santana et al. (2025) defendem que a leitura e a escrita são práticas indispensáveis no processo de aprendizagem justamente porque fortalecem a expressão, a compreensão e a atuação consciente dos estudantes em diferentes contextos. Quando o aluno escreve, ele não apenas registra palavras, mas elabora sentidos, se posiciona e aprende a comunicar sua visão de mundo.
Essas práticas ganham ainda mais força quando o ensino de Língua Portuguesa trabalha com textos, temas e produções que dialogam com a realidade dos estudantes. Elias (2024) afirma que o ensino de língua portuguesa deve estar conectado aos usos sociais da linguagem, permitindo que a escola forme sujeitos capazes de compreender a comunicação em situações reais e significativas. Isso significa aproximar o conteúdo escolar da vida concreta, tornando a aprendizagem mais envolvente e relevante.
Outro aspecto importante é que a leitura e a escrita ajudam o estudante a entender que a linguagem nunca é neutra, já que todo texto traz marcas de valores, interesses, visões de mundo e contextos históricos. Azevedo et al. (2023) mostram que as práticas de alfabetização e letramento precisam ser organizadas de modo a favorecer a construção de sentidos e a inserção do sujeito em práticas sociais da linguagem. Com isso, o aluno passa a perceber que ler e escrever também são atos de interpretação e posicionamento.
No ambiente escolar, a formação crítica promovida pela linguagem também contribui para a convivência, para o respeito às diferenças e para a ampliação da sensibilidade humana. Ferreira (2025) observa que a leitura no ensino fundamental favorece não apenas o desempenho acadêmico, mas também a formação de sujeitos mais participativos, conscientes e preparados para interagir socialmente com responsabilidade. Ao entrar em contato com diferentes textos e perspectivas, o estudante aprende a reconhecer outras vozes e outras experiências.
Além disso, o domínio da leitura e da escrita amplia o acesso à informação, aos direitos e às formas de participação social. De Souza Filha, Pereira e Valerio (2024) ressaltam que práticas pedagógicas voltadas à aprendizagem criativa da leitura fortalecem o envolvimento do aluno e expandem suas possibilidades de uso social da linguagem em diferentes contextos. Isso mostra que formar leitores e escritores é também abrir caminhos para que os estudantes ocupem espaços sociais com mais autonomia e consciência.
A maneira como a escola conduz essas práticas também interfere em seu potencial formativo, pois não basta trabalhar textos e produções escritas sem oferecer espaço para reflexão, diálogo e protagonismo. Lopes e Abreu Silva (2025) indicam que as metodologias ativas contribuem para o ensino de leitura e escrita ao favorecer a participação discente, a argumentação e a construção compartilhada do conhecimento. Quando a linguagem é tratada de forma viva e interativa, o aluno se envolve mais e aprende de maneira mais profunda.
Portanto, as práticas de leitura e escrita contribuem intensamente para a formação crítica e social dos estudantes porque os ajudam a interpretar o mundo, a expressar ideias e a participar com mais consciência da vida coletiva. Vieira e Souza (2022) defendem que formar leitores e escritores críticos é formar cidadãos capazes de compreender a realidade para além das aparências, reconhecendo na linguagem um espaço de construção de sentidos, cidadania e transformação. Nesse caminho, o ensino de Língua Portuguesa reafirma seu valor como prática educativa profundamente humana e social.
3. METODOLOGIA
Este estudo foi desenvolvido por meio de uma pesquisa bibliográfica, por compreender que esse tipo de investigação permite reunir, analisar e interpretar produções já publicadas sobre o tema, contribuindo para a construção de um embasamento teórico consistente. De acordo com Gil (2010), a pesquisa bibliográfica é fundamental porque possibilita ao pesquisador entrar em contato com diferentes contribuições científicas sobre o objeto estudado, ampliando a compreensão do problema e oferecendo suporte para análises mais aprofundadas. Nesse sentido, a escolha dessa metodologia mostrou-se adequada ao tema, uma vez que permitiu discutir a importância das práticas de leitura e escrita no ensino de Língua Portuguesa a partir de estudos já consolidados na área educacional.
Para a realização da busca bibliográfica, foram definidos descritores relacionados diretamente ao objeto de estudo, com o intuito de localizar produções que abordassem leitura, escrita, ensino e aprendizagem no contexto da Língua Portuguesa. Entre os principais descritores utilizados, destacam-se: ensino de Língua Portuguesa, práticas de leitura, práticas de escrita, leitura e escrita na escola, aprendizagem em Língua Portuguesa, mediação docente e formação de leitores e escritores. O uso desses termos permitiu direcionar a busca de forma mais precisa, reunindo materiais alinhados à proposta da pesquisa.
As buscas foram realizadas em plataformas acadêmicas reconhecidas pela relevância e pela ampla circulação de produções científicas na área da educação. As principais bases consultadas foram Google Acadêmico, SciELO e Portal de Periódicos CAPES, por serem ambientes que reúnem artigos, estudos, dissertações, teses e demais publicações que contribuem para a fundamentação teórica da pesquisa. A escolha dessas plataformas ocorreu pela confiabilidade das fontes e pela possibilidade de acesso a materiais atuais e pertinentes ao tema investigado.
Quanto aos critérios de inclusão, foram selecionados textos publicados em língua portuguesa, com enfoque no ensino de Língua Portuguesa, especialmente aqueles voltados às práticas de leitura e escrita no contexto escolar. Também foram incluídos estudos que apresentavam discussões sobre mediação docente, letramento, alfabetização, metodologias de ensino e formação crítica dos estudantes, desde que estivessem relacionados ao objetivo da pesquisa. Priorizou-se, ainda, materiais com linguagem acadêmica, pertinência temática e contribuição teórica relevante para a compreensão do problema investigado.
Em relação aos critérios de exclusão, foram desconsiderados textos que não dialogavam diretamente com o tema proposto, publicações repetidas nas bases consultadas, materiais incompletos, resumos sem texto integral disponível e estudos que abordavam a leitura e a escrita de forma muito distante do ensino de Língua Portuguesa no contexto escolar. Também foram excluídos trabalhos com foco excessivamente técnico ou desvinculados da proposta central da investigação, a fim de garantir maior coerência e unidade ao referencial analisado.
Após a etapa de levantamento, os materiais selecionados passaram por leitura exploratória, leitura seletiva e análise interpretativa, buscando identificar as principais contribuições dos autores para a compreensão da importância das práticas de leitura e escrita no ensino de Língua Portuguesa. Esse percurso metodológico possibilitou organizar o estudo de maneira clara, fundamentada e coerente com os objetivos da pesquisa, fortalecendo a construção do referencial teórico e das discussões apresentadas ao longo do trabalho.
4. RESULTADOS E DISCUSSÕES
Os resultados desta pesquisa bibliográfica evidenciam que as práticas de leitura e escrita ocupam um papel central no ensino de Língua Portuguesa, especialmente quando são compreendidas como experiências formativas que ultrapassam a simples decodificação de palavras ou a reprodução de estruturas gramaticais. De acordo com Elias (2024), o ensino de língua portuguesa precisa estar vinculado aos usos sociais da linguagem, permitindo que os estudantes reconheçam sentido no que leem e escrevem dentro e fora da escola. A análise dos estudos selecionados mostrou que, quando essas práticas são trabalhadas de forma contextualizada, a aprendizagem se torna mais significativa, participativa e próxima da realidade discente.
Outro resultado importante encontrado na literatura foi a compreensão de que a leitura contribui de maneira decisiva para o desenvolvimento da interpretação, do vocabulário, da argumentação e da autonomia intelectual dos estudantes. Santana et al. (2025) destacam que a leitura e a escrita são fundamentais no processo de aprendizagem, pois favorecem a ampliação do repertório linguístico e a construção de competências indispensáveis ao desempenho escolar e à formação integral. A partir dessa perspectiva, percebe-se que a leitura não deve ser tratada como atividade isolada ou apenas avaliativa, mas como prática contínua, mediada e intencional dentro do cotidiano pedagógico.
No que se refere à escrita, os estudos analisados apontam que seu ensino se torna mais potente quando deixa de ser uma tarefa mecânica e passa a ser compreendido como prática de expressão, autoria e construção de pensamento. Aiub (2015) afirma que as práticas de leitura e escrita precisam ocorrer de forma contextualizada, para que os estudantes percebam a funcionalidade da linguagem em situações reais de comunicação. Os resultados da pesquisa indicam que, quando os alunos são incentivados a escrever com propósito, interlocução e significado, eles desenvolvem maior segurança, criatividade e capacidade de organizar ideias com clareza.
A análise bibliográfica também revelou que a articulação entre leitura e escrita fortalece o processo de ensino e aprendizagem em Língua Portuguesa, uma vez que essas duas práticas se complementam e se alimentam mutuamente. Coelho (2016) observa que o trabalho pedagógico que integra leitura e escrita favorece a compreensão textual, a produção discursiva e o desenvolvimento mais amplo das competências linguísticas dos estudantes. Nesse sentido, os resultados encontrados demonstram que propostas pedagógicas fragmentadas tendem a limitar a aprendizagem, enquanto abordagens integradas ampliam as possibilidades de construção de sentidos e de participação ativa do aluno.
Outro achado recorrente nos estudos foi a relevância da atuação do professor como mediador das práticas de leitura e escrita. Januário (2024) destaca que o professor mediador exerce papel fundamental na aprendizagem, pois é ele quem cria condições para que o estudante se aproxime da linguagem com confiança, apoio e intencionalidade pedagógica. A discussão dos resultados mostra que não basta oferecer textos ou solicitar produções escritas de forma descontextualizada; é necessário que o docente acompanhe, provoque reflexões, acolha dificuldades e transforme a sala de aula em espaço de diálogo e construção conjunta do conhecimento.
Além disso, a literatura analisada demonstrou que metodologias mais dinâmicas, participativas e sensíveis favorecem o envolvimento dos estudantes com a leitura e a escrita. Lopes e Abreu Silva (2025) indicam que as metodologias ativas contribuem significativamente para o ensino dessas práticas, pois promovem protagonismo discente, interação e participação mais efetiva no processo de aprendizagem. A partir dessa constatação, percebe-se que propostas centradas apenas na cópia, na repetição e na memorização tendem a enfraquecer o vínculo do aluno com a linguagem, enquanto estratégias interativas ampliam o interesse e a qualidade das experiências pedagógicas.
Os resultados também apontaram que a formação crítica e social dos estudantes está profundamente relacionada à maneira como a leitura e a escrita são desenvolvidas na escola. Vieira e Souza (2022) defendem que o letramento crítico cultural amplia a leitura de mundo e fortalece a cidadania, mostrando que a linguagem pode ser um instrumento de reflexão, posicionamento e transformação social. Com base nisso, a discussão evidencia que ensinar Língua Portuguesa não significa apenas desenvolver competências técnicas, mas também contribuir para que os alunos interpretem discursos, questionem realidades e participem de forma mais consciente da vida em sociedade.
Outro aspecto observado foi a importância de se considerar o letramento e as práticas sociais da linguagem como parte constitutiva do ensino. Azevedo et al. (2023) ressaltam que alfabetização e letramento precisam caminhar juntos, pois a aprendizagem da língua escrita ganha maior força quando está vinculada a usos reais, sociais e culturalmente significativos da leitura e da escrita. A discussão desse ponto revela que a escola precisa superar práticas rígidas e descontextualizadas, valorizando experiências em que o aluno compreenda que a linguagem está presente em múltiplos espaços da vida social e pode ser utilizada de forma ativa e consciente.
Por fim, a pesquisa mostrou que o fortalecimento das práticas de leitura e escrita contribui para a formação de sujeitos mais reflexivos, autônomos e preparados para interagir com o mundo de maneira crítica. Miranda Silva, Silva e Leal (2024) afirmam que a leitura desempenha papel essencial na formação de indivíduos críticos e reflexivos, justamente porque amplia a compreensão da realidade e favorece posicionamentos mais conscientes diante dela. Assim, os resultados e discussões deste estudo permitem concluir que investir em práticas pedagógicas de leitura e escrita no ensino de Língua Portuguesa é investir em uma educação mais humana, significativa e comprometida com a formação integral dos estudantes.
5. CONCLUSÃO
Ao concluir este estudo, torna-se evidente que discutir a importância das práticas de leitura e escrita no ensino de Língua Portuguesa é refletir sobre um dos pilares mais sensíveis e necessários da formação escolar. Essas práticas não podem ser compreendidas apenas como exigências curriculares ou como habilidades técnicas a serem desenvolvidas de forma mecânica, porque carregam consigo a possibilidade de formar sujeitos capazes de compreender, interpretar, expressar-se e participar ativamente da vida em sociedade. Ao longo da pesquisa, foi possível perceber que a leitura e a escrita assumem um papel muito mais amplo do que, muitas vezes, se reconhece no cotidiano escolar, pois estão diretamente relacionadas à construção da autonomia, da criticidade e da inserção social dos estudantes.
A pesquisa bibliográfica realizada permitiu identificar que os estudos analisados convergem ao afirmar que o ensino de Língua Portuguesa ganha mais sentido quando a leitura e a escrita são trabalhadas de forma contextualizada, significativa e articulada com os usos reais da linguagem. Nesse percurso, ficou claro que não basta ensinar o aluno a decodificar palavras ou estruturar frases gramaticalmente corretas. É preciso possibilitar experiências em que ele compreenda a linguagem como prática viva, como espaço de interação, de construção de sentidos e de posicionamento diante do mundo. Essa compreensão amplia o papel da escola e reposiciona o ensino de Língua Portuguesa como uma prática formativa profundamente humana.
Outro ponto importante revelado pelo estudo foi o reconhecimento de que a leitura e a escrita, quando mediadas de forma intencional, favorecem não apenas o desempenho acadêmico, mas também o desenvolvimento de competências essenciais para a vida social. O aluno que lê com compreensão e escreve com propósito amplia seu repertório, fortalece sua capacidade de argumentação, desenvolve pensamento crítico e encontra mais condições de participar de diferentes situações comunicativas com segurança e consciência. Nesse sentido, a linguagem deixa de ser apenas conteúdo escolar e passa a ser instrumento de presença, de expressão e de cidadania.
Também se evidenciou, ao longo da pesquisa, que o papel do professor é central nesse processo. A mediação docente aparece como elemento indispensável para transformar a sala de aula em um espaço de aproximação significativa com a leitura e a escrita. Mais do que aplicar atividades, o professor precisa acolher, orientar, provocar reflexões, incentivar tentativas e reconhecer o valor da linguagem na experiência de cada estudante. Quando essa mediação acontece com sensibilidade e intencionalidade pedagógica, o ensino se torna mais vivo, mais participativo e mais capaz de responder às necessidades reais dos alunos.
Outro aspecto que merece destaque diz respeito à necessidade de superação de práticas pedagógicas tradicionais, marcadas pela repetição, pela cópia e pelo distanciamento entre o conteúdo escolar e a realidade do estudante. A análise realizada mostrou que propostas mais dinâmicas, contextualizadas e participativas tendem a gerar maior envolvimento dos alunos, além de favorecer aprendizagens mais consistentes e duradouras. Isso reforça a importância de pensar o ensino de Língua Portuguesa como um campo de experiências significativas, em que ler e escrever sejam vivências concretas, reflexivas e socialmente relevantes.
Assim, esta pesquisa permite concluir que as práticas de leitura e escrita são fundamentais no ensino de Língua Portuguesa porque sustentam não apenas a aprendizagem da língua, mas a própria formação integral dos estudantes. Ao valorizar essas práticas, a escola contribui para a formação de sujeitos mais conscientes, mais críticos e mais preparados para interpretar a realidade e agir sobre ela. Dessa forma, investir na leitura e na escrita é investir em uma educação comprometida com a humanização, com a autonomia e com a construção de uma sociedade mais participativa e reflexiva.
Por fim, espera-se que este estudo possa contribuir para ampliar as reflexões sobre o ensino de Língua Portuguesa, incentivando educadores e pesquisadores a olharem para a leitura e a escrita com a profundidade que elas exigem e merecem. Mais do que conteúdos escolares, elas são caminhos de formação, de expressão e de transformação. E talvez seja justamente aí que resida sua maior importância: na possibilidade de ajudar cada estudante não apenas a ler textos e escrever palavras, mas a compreender melhor o mundo e a escrever, com mais consciência, a própria trajetória.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
AIUB, Tânia. Português: práticas de leitura e escrita. Porto Alegre: Penso Editora, 2015.
ALCÂNTARA, Alessandra Giovana Bagali et al. Entre letras e práticas: a formação do pedagogo para o ensino de Língua Portuguesa no 2º ano do ensino fundamental. Revista Tópicos, v. 3, n. 27, p. 1-13, 2025.
AZEVEDO, Gioconda Maria Medeiros et al. Discussões sobre o ensino de Língua Portuguesa para os anos iniciais do ensino fundamental: práticas de alfabetização e letramento. Revista Geadel, v. 4, n. 2, p. 46-57, 2023.
COELHO, A. S. O ensino de Língua Portuguesa: práticas pedagógicas de leitura e escrita nos anos finais do Ensino Fundamental. 2016.
DE SOUZA FILHA, Maria Alves; PEREIRA, Marcos Aparecido; VALERIO, Cláudia Lúcia Landgraf Pereira. Práticas de ensino da leitura no viés da aprendizagem criativa. Revista Acadêmica Online, v. 10, n. 50, p. 1-13, 2024.
ELIAS, V. M. Ensino de língua portuguesa. São Paulo: Editora Contexto, 2024.
FERREIRA, Jaciara da Cunha. A importância da leitura no ensino fundamental. 2025.
GIL, Antonio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2010.
JANUÁRIO, Maria da Gloria Silva. A importância do professor mediador na aprendizagem da leitura e escrita nos anos iniciais do ensino fundamental I. 2024.
LOPES, Renata da Costa Peixoto; DE ABREU SILVA, Tatiana. Contribuições das metodologias ativas para o ensino de leitura e escrita. Missioneira, v. 27, n. 3, p. 229-241, 2025.
MIRANDA SILVA, Valdirene Basílio; DA SILVA, Elias Alves; LEAL, Débora Araújo. A importância da leitura na formação de indivíduos críticos e reflexivos. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação, v. 10, n. 4, p. 1315-1321, 2024.
MOYSES, Flavia Baião Soares et al. A integração entre alfabetização e letramento na educação infantil: práticas pedagógicas e o papel do professor como mediador. Missioneira, v. 27, n. 1, p. 137-148, 2025.
NASCIMENTO, Jussara Cassiano; LOPES, Sandra Rodrigues. Práticas de leitura e escrita na pré-escola: contribuições das vivências cotidianas na formação docente e no desenvolvimento infantil. Cadernos Cajuína, v. 11, n. 1, p. e1674-e1674, 2026.
NEVES, José Soares et al. Contextos e práticas de mediação da leitura em Portugal. Sociologia On Line, n. 35, p. 85-103, 2024.
PINTO, Jacyguara Costa; DA COSTA SOUZA, Ruth. A importância da ludicidade no processo de ensino aprendizagem da Língua Portuguesa no ensino fundamental. Rebena-Revista Brasileira de Ensino e Aprendizagem, v. 9, p. 427-439, 2024.
SANTANA, Eugênio Jesus et al. A importância da leitura e da escrita no processo de aprendizagem. Revista Tópicos, v. 3, n. 24, p. 1-13, 2025.
SILVA, Angela Maria Cavalcante; DA SILVA, Ademário Amâncio; DA SILVA, Eduardo Gomes. Práticas de leitura e escrita na Língua Portuguesa no ensino fundamental anos finais.
VIEIRA, Wellington Neves; DE SOUZA, Licia Soares. Letramento crítico cultural, leitura de mundo e formação da cidadania: proposta didático-metodológicas em tempos de pandemia. Afluente: Revista de Letras e Linguística, p. 278-300, 2022.
ZUCCHETTI, Ana Cristina; NETTO, Daniela Favero. A mediação de leitura e a formação de leitores na escola: um estudo de revisão. Cadernos do Aplicação, v. 38, 2025.
1 Doutorando em Ciências da Educação pela Universidad Autónoma de Asunción (UAA). E-mail: [email protected]
2 Doutorando em Ciências da Educação pela Universidad Autónoma de Asunción (UAA). E-mail: [email protected]
3 Doutoranda em Ciências da Educação pela Universidad Autónoma de Asunción (UAA). E-mail: [email protected]
4 Doutoranda em Ciências da Educação pela Universidad Autónoma de Asunción (UAA). E-mail: [email protected]