REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/790023502
RESUMO
A gestão de estoques é essencial para o funcionamento eficiente de pequenos negócios, especialmente em lojas de conveniência de postos de combustíveis, caracterizadas pela variedade e alta rotatividade de produtos. Este estudo teve como objetivo analisar a implantação de um processo de controle de estoque na loja de conveniência do Posto Primavera, localizada em Nova Fátima, Paraná. A pesquisa caracteriza-se como aplicada, com abordagem qualitativa e quantitativa, desenvolvida mediante pesquisa bibliográfica e estudo de campo. Para a etapa prática, foi elaborada uma planilha eletrônica destinada ao registro de entradas, saídas, perdas, estoque atual, estoque mínimo, ponto de reposição, validade e fornecedores. Também foi realizado inventário físico para comparação entre os registros e as quantidades efetivamente disponíveis. Conclui-se que a implantação do controle contribuiu para organizar informações, identificar necessidades de reposição, acompanhar perdas e divergências e apoiar o planejamento das compras, ressaltando-se a necessidade de atualização contínua dos registros e realização periódica de inventários. A ferramenta mostrou-se adequada à rotina da empresa, favorecendo decisões gerenciais mais seguras.
Palavras-chave: Gestão de estoques; Controle de estoque; Loja de conveniência; Inventário; Planejamento de compras.
ABSTRACT
Inventory management is essential to the efficient operation of small businesses, especially convenience stores at gas stations, which are characterized by a wide variety and high turnover of products. This study aimed to analyze the implementation of an inventory control process at the Posto Primavera convenience store, located in Nova Fátima, Paraná, Brazil. The research is applied in nature, with qualitative and quantitative approaches, developed through a literature review and field study. For the practical stage, an electronic spreadsheet was created to record incoming goods, outgoing goods, losses, current inventory, minimum inventory, reorder points, expiration dates, and suppliers. A physical inventory was also conducted to compare recorded quantities with those actually available. It was concluded that implementing inventory control helped organize information, identify replenishment needs, monitor losses and discrepancies, and support purchasing planning, highlighting the importance of continuously updating records and conducting periodic physical inventories. The tool proved suitable for the company’s operational routine and supported safer managerial decisions and more efficient purchasing.
Keywords: Inventory management; Inventory control; Convenience store; Physical inventory; Purchasing planning.
1. INTRODUÇÃO
A gestão de estoque é uma atividade fundamental para empresas comerciais, pois permite acompanhar a entrada, a saída e a permanência de mercadorias no estabelecimento. Em uma loja de conveniência localizada em posto de combustíveis, esse controle se torna ainda mais necessário em razão da variedade de produtos comercializados e da necessidade de atendimento rápido ao consumidor. Nesse ambiente, a falta de organização pode ocasionar ausência de produtos, excesso de mercadorias paradas, perdas por vencimento, compras desnecessárias e dificuldades no controle financeiro.
O estoque representa parte importante dos recursos da empresa, uma vez que envolve capital investido em produtos destinados à venda. Por isso, o gerenciamento adequado deve buscar equilíbrio entre a disponibilidade de mercadorias e a redução de custos. Segundo Wanke (2012), a gestão de estoques está relacionada à necessidade de coordenar demanda, tempo e espaço, garantindo que os produtos estejam disponíveis quando necessários, sem gerar custos excessivos para a organização.
Na loja de conveniência objeto deste estudo, a boa administração do estoque pode contribuir diretamente para a rotina operacional, pois facilita a reposição de produtos, melhora a organização interna e auxilia o gestor na tomada de decisões. De acordo com o SEBRAE (2025), esse tipo de empreendimento exige atenção constante ao volume de mercadorias, pois o aumento das vendas implica também maior necessidade de reposição e controle dos produtos disponíveis. Dessa forma, quando o estoque não é acompanhado de maneira eficiente, a empresa pode enfrentar prejuízos decorrentes de falhas no registro, perdas ou falta de mercadorias no momento da venda.
Além disso, a implantação de um sistema de controle de estoque pode contribuir para a identificação dos produtos com maior e menor saída, permitindo ao gestor planejar melhor suas compras. Fonseca e Silva (2021), ao analisarem a gestão de estoques em um posto de combustíveis, destacam que o controle eficiente favorece o retorno financeiro e a competitividade da empresa. Embora o estudo esteja voltado ao segmento de combustíveis, suas contribuições também se relacionam à importância do acompanhamento sistemático dos estoques em negócios ligados a esse setor.
No mesmo sentido, Louzada (2016), ao estudar uma loja de conveniência de posto de combustíveis, aponta que o inventário periódico pode auxiliar na redução de perdas e melhorar o conhecimento do gestor sobre a movimentação das mercadorias. Assim, ferramentas simples, como inventários, planilhas, registros de entrada e saída e classificação dos produtos, podem tornar o controle mais eficiente e adequado à realidade de pequenos negócios.
Diante desse contexto, este artigo tem como tema a implantação do controle de estoque em uma conveniência de posto de combustíveis, a partir de uma abordagem teórica e prática. O estudo parte da seguinte problemática: de que maneira a implantação de um controle de estoque pode contribuir para a organização, o acompanhamento das mercadorias e a melhoria dos processos internos de uma loja de conveniência de posto de combustíveis?
O objetivo geral consiste em analisar a implantação de um processo de controle de estoque em uma loja de conveniência de posto de combustíveis. De forma específica, busca-se compreender a importância da gestão de estoque para pequenos negócios, identificar dificuldades comuns no controle de mercadorias e observar como ferramentas de organização podem auxiliar na rotina da empresa estudada.
A justificativa do trabalho está relacionada à necessidade de tornar o controle de estoque mais simples, prático e eficiente. Em pequenos empreendimentos, é comum que o gestor acumule diferentes funções, o que pode dificultar o acompanhamento diário das mercadorias. Por esse motivo, a adoção de um controle organizado pode contribuir para reduzir perdas, melhorar o planejamento de compras, padronizar registros e favorecer o atendimento ao cliente.
Metodologicamente, o artigo será desenvolvido por meio de revisão de literatura e estudo de campo. A revisão permitirá apresentar conceitos relacionados à gestão de estoque, enquanto o estudo de campo possibilitará observar a realidade da loja de conveniência analisada. Dessa forma, espera-se demonstrar, de maneira aplicada, como a implantação do controle de estoque pode auxiliar na organização e no desempenho operacional de uma loja de conveniência de posto de combustíveis.
2. REFERENCIAL TEÓRICO
2.1. Gestão de Estoque e Sua Importância para Pequenos Negócios
A gestão de estoque corresponde ao conjunto de práticas utilizadas para acompanhar, organizar e controlar as mercadorias disponíveis em uma empresa. Esse processo envolve o registro das entradas e saídas de produtos, a verificação das quantidades armazenadas, o planejamento das compras e a análise dos itens com maior ou menor circulação. Em pequenos negócios, essa atividade é ainda mais importante, pois falhas no controle podem comprometer diretamente o caixa, o atendimento ao cliente e a lucratividade da empresa.
O estoque representa uma parte significativa dos recursos financeiros do empreendimento, uma vez que envolve capital aplicado em produtos destinados à venda. Por isso, manter mercadorias em quantidade adequada é um desafio constante para o gestor.
Quando há excesso de produtos, a empresa pode ter dinheiro parado, aumento de custos de armazenagem e risco de perdas, especialmente quando se trata de produtos com prazo de validade. Por outro lado, quando há falta de mercadorias, podem ocorrer perda de vendas, insatisfação dos clientes e redução da competitividade.
Segundo Wanke (2012), a gestão de estoques está relacionada à busca de equilíbrio entre a disponibilidade dos produtos e os custos envolvidos em sua manutenção. Isso significa que a empresa precisa garantir que os itens estejam disponíveis no momento necessário, mas sem formar estoques acima da real necessidade do negócio. Assim, o controle de estoque não deve ser visto apenas como uma atividade operacional, mas como uma ferramenta de apoio à tomada de decisão.
Nos pequenos negócios, ela também contribui para o planejamento das compras, pois com registros organizados, o gestor consegue identificar quais produtos possuem maior saída, quais permanecem parados por mais tempo e quais precisam ser repostos com maior frequência. O SEBRAE (2025) destaca que a gestão de estoque envolve o planejamento, a execução e o controle dos recursos armazenados, fornecendo informações importantes para o setor de compras e para a movimentação das mercadorias.
Em uma loja de conveniência localizada em posto de combustíveis, a gestão de estoque assume papel estratégico, pois esse tipo de estabelecimento trabalha com produtos variados e de consumo rápido. Bebidas, alimentos, cigarros, doces, salgados, itens de higiene e outros produtos precisam estar disponíveis de forma organizada, tanto para facilitar o atendimento quanto para evitar perdas. Nesse contexto, o controle inadequado pode dificultar a reposição, gerar compras desnecessárias e prejudicar a identificação dos produtos mais vendidos.
Além disso, em pequenos empreendimentos, é comum que o proprietário ou gestor acumule diversas funções, como atendimento, compras, conferência de mercadorias, pagamento de fornecedores e administração financeira. Essa sobrecarga pode dificultar o acompanhamento diário do estoque, tornando necessária a adoção de ferramentas simples e práticas de controle.
A literatura também demonstra que o controle de estoque pode contribuir para a redução de perdas e para a melhoria do desempenho empresarial. Fonseca e Silva (2021), ao analisarem a gestão de estoques em um posto de combustíveis, afirmam que essa prática funciona como ferramenta estratégica, pois auxilia na redução de custos e na melhoria dos serviços. Embora o estudo tenha como foco o estoque de combustíveis, sua contribuição reforça a importância do acompanhamento sistemático dos recursos disponíveis em empresas desse segmento.
No mesmo sentido, Louzada (2016), ao estudar uma loja de conveniência de posto de combustíveis, observou que o inventário periódico pode contribuir para a redução de perdas e para o melhor conhecimento da movimentação das mercadorias. Desse modo, práticas como contagem frequente dos produtos, registro correto das entradas e saídas, organização física do estoque e acompanhamento dos itens de maior circulação podem auxiliar o gestor a tomar decisões mais seguras.
Portanto, a gestão de estoque é essencial para pequenos negócios porque permite maior controle sobre os produtos, reduz desperdícios, melhora o planejamento de compras e contribui para a organização financeira da empresa. No caso da loja de conveniência objeto deste estudo, a implantação de um controle de estoque pode favorecer a rotina operacional, facilitar o atendimento ao cliente e auxiliar o gestor no acompanhamento das mercadorias, tornando o negócio mais organizado e eficiente.
2.2. Controle de Estoque, Inventário e Classificação de Produtos
O controle de estoque consiste no acompanhamento sistemático das mercadorias existentes na empresa, considerando as entradas, as saídas, as quantidades disponíveis, os produtos vendidos e aqueles que necessitam de reposição. Diferentemente da gestão de estoque, que possui uma visão mais ampla e estratégica, o controle está mais ligado ao registro e ao monitoramento diário dos itens armazenados. Para Dias (2010), controlar estoques significa acompanhar os materiais disponíveis, verificando quantidades, necessidades de reposição e condições de armazenamento, de modo a evitar faltas ou excessos.
Em uma loja de conveniência de posto de combustíveis, esse controle é indispensável, pois há grande diversidade de produtos, muitos deles com alta rotatividade e prazo de validade reduzido. Bebidas, alimentos, doces, salgadinhos, cigarros, produtos de higiene e itens de consumo rápido precisam ser monitorados de forma constante. Caso isso não ocorra, a empresa pode enfrentar problemas como perdas por vencimento, divergências entre estoque físico e sistema, compras desnecessárias e falta de produtos no momento da venda.
De acordo com Martins e Alt (2009), os estoques devem ser administrados de maneira integrada às demais áreas da empresa, pois influenciam diretamente compras, vendas, armazenagem e atendimento ao cliente. Assim, quando o controle é falho, os impactos não se limitam ao setor de estoque, podendo atingir também o caixa, o relacionamento com fornecedores, a produtividade dos funcionários e a satisfação do consumidor. Por esse motivo, o controle de estoque deve ser visto como uma ferramenta de organização e apoio à tomada de decisão.
Uma das formas mais utilizadas para acompanhar o estoque é o inventário, que consiste na conferência física dos produtos existentes na empresa. O inventário permite comparar a quantidade real de mercadorias com os registros feitos em planilhas ou sistemas, identificando diferenças, perdas, desvios ou falhas de lançamento. Para Ballou (2006), o acompanhamento dos estoques é necessário para garantir maior eficiência logística e evitar custos desnecessários decorrentes de falhas no armazenamento e na reposição.
O inventário pode ser realizado de forma geral, quando todos os itens são contados em determinado período, ou de forma cíclica/rotativa, quando grupos de produtos são conferidos em intervalos menores. Em pequenos negócios, o inventário rotativo pode ser uma alternativa prática, pois permite acompanhar o estoque sem interromper totalmente as atividades da empresa. Louzada (2016), aponta que o inventário periódico contribui para a redução de perdas e para o maior conhecimento da movimentação das mercadorias.
Outra ferramenta importante para o controle de estoque é a classificação dos produtos. Entre os métodos mais conhecidos está a Curva ABC, que organiza os itens conforme sua importância para a empresa, geralmente considerando valor, consumo ou giro. Segundo Pozo (2010), tal método auxilia o gestor a identificar quais produtos merecem maior atenção, permitindo concentrar esforços nos itens mais relevantes para o resultado do negócio.
A lógica da Curva ABC divide os produtos em três grupos. Os itens da classe A são aqueles mais importantes, por representarem maior impacto financeiro ou maior movimentação. Os itens da classe B possuem importância intermediária, enquanto os itens da classe C correspondem aos produtos de menor impacto individual. Santos, Rodrigues e Oliveira (2006) destacam que essa forma de controle permite dedicar maior atenção aos itens mais relevantes, especialmente aqueles que representam maior participação nos valores movimentados em estoque.
No caso da loja de conveniência estudada, a classificação dos produtos pode auxiliar na identificação dos itens com maior saída, daqueles que ficam parados por mais tempo e dos produtos que exigem reposição mais frequente. Essa organização pode melhorar o planejamento de compras, reduzir desperdícios e facilitar o acompanhamento das mercadorias. Além disso, a classificação contribui para que o gestor não trate todos os produtos da mesma forma, mas estabeleça prioridades conforme a importância de cada item para o funcionamento da loja.
Também é importante destacar que o controle de estoque depende de registros confiáveis. Para Francischini e Gurgel (2013), o controle deve produzir informações capazes de comparar o que foi planejado com o que realmente ocorreu, permitindo corrigir falhas e melhorar os processos internos. Dessa forma, planilhas, sistemas informatizados, conferências periódicas e registros padronizados são instrumentos que auxiliam na organização do estoque e reduzem a possibilidade de erros.
Portanto, o controle de estoque, o inventário e a classificação dos produtos são práticas essenciais para a organização de uma loja de conveniência. Essas ferramentas permitem acompanhar as mercadorias, reduzir perdas, planejar compras, evitar faltas e melhorar a rotina dos funcionários. Para a empresa objeto deste estudo, a implantação dessas práticas pode contribuir para um controle mais eficiente, simples e adequado à realidade do negócio.
3. METODOLOGIA
O presente estudo caracteriza-se como uma pesquisa de natureza aplicada, com abordagem qualitativa e quantitativa, desenvolvida por meio de pesquisa bibliográfica e estudo de campo. A pesquisa aplicada justifica-se pelo propósito de analisar uma situação prática e propor uma ferramenta de controle de estoque adequada à realidade da empresa estudada.
Inicialmente, foi realizada pesquisa bibliográfica com o objetivo de fundamentar os principais conceitos relacionados à gestão e ao controle de estoques, inventário, classificação de produtos e planejamento das mercadorias. Para isso, foram utilizados livros, artigos científicos e materiais relacionados ao tema, permitindo estabelecer a base teórica necessária para a realização do estudo de campo.
O estudo de campo foi realizado na loja de conveniência da empresa Primavera Comércio de Combustível Ltda., nome fantasia Posto Primavera, localizada na Rodovia PR-160, Km 84,5, no município de Nova Fátima, Paraná. A escolha do estabelecimento ocorreu em razão da necessidade identificada de aprimorar o acompanhamento das mercadorias comercializadas, especialmente considerando que a conveniência funciona 24 horas por dia e apresenta movimentação contínua de produtos.
Para o desenvolvimento da etapa prática, inicialmente foram observadas as características da rotina operacional da conveniência e as necessidades relacionadas ao acompanhamento do estoque. A partir desse levantamento, foi estruturada uma planilha eletrônica destinada ao registro e à sistematização das informações referentes às mercadorias.
Na planilha foram cadastradas informações como código, categoria, produto, fornecedor, unidade, estoque inicial, entradas, saídas, perdas ou vencimentos, estoque atual, estoque mínimo, ponto de reposição, situação do estoque, validade e data da última compra. A ferramenta foi desenvolvida com o objetivo de possibilitar o acompanhamento das movimentações e facilitar a identificação dos produtos que apresentavam estoque adequado, necessidade de reposição ou estoque insuficiente.
O estoque atual de cada item foi obtido considerando o estoque inicial, acrescido das entradas e descontadas as saídas e as perdas registradas. Também foram definidos parâmetros de estoque mínimo e ponto de reposição, possibilitando a classificação dos produtos conforme a quantidade disponível e a necessidade de abastecimento.
Além do registro das movimentações, foi realizado inventário físico em 27 de agosto de 2026, no período da manhã, com a finalidade de comparar as quantidades registradas na ferramenta de controle com aquelas efetivamente encontradas na loja de conveniência. A conferência possibilitou identificar eventuais divergências e registrar suas possíveis causas e as ações corretivas adotadas.
Para a análise dos resultados, foram considerados os dados consolidados na planilha, especialmente a quantidade de produtos cadastrados, sua distribuição por categorias, os registros de entradas e saídas, as perdas ou vencimentos, os níveis de estoque e as divergências identificadas durante o inventário físico. Os dados quantitativos foram apresentados por meio de valores absolutos e percentuais, enquanto os aspectos qualitativos foram analisados a partir das situações observadas durante a implantação e utilização da ferramenta.
Por fim, os resultados obtidos foram relacionados aos conceitos apresentados no referencial teórico, permitindo analisar de que maneira a implantação do controle de estoque contribuiu para a organização das informações, identificação das necessidades de reposição, acompanhamento das perdas, conferência das mercadorias e apoio ao planejamento das compras da empresa estudada.
4. ESTUDO DE CAMPO
O estudo de campo foi realizado na empresa Primavera Comércio de Combustível Ltda., que possui como nome fantasia Posto Primavera, inscrita no CNPJ nº 26.615.067/0001-24. A empresa foi fundada em 28 de novembro de 2016 e está localizada na Rodovia PR-160, Km 84,5, no município de Nova Fátima, Estado do Paraná. O objeto específico desta pesquisa foi a loja de conveniência vinculada ao posto de combustíveis, com foco na implantação de um processo de controle de estoque.
A escolha da empresa se justifica pela necessidade de organizar o controle das mercadorias comercializadas na conveniência, considerando que o estabelecimento funciona 24 horas por dia e, conforme levantamento inicial, é o único do município com essa carga horária de funcionamento. Essa característica exige maior atenção em relação à reposição de produtos, ao registro das entradas e saídas, à conferência das mercadorias e à organização do estoque, uma vez que a movimentação ocorre durante todo o dia e também no período noturno.
A loja de conveniência conta com uma rotina operacional contínua. Diariamente, três funcionários se revezam em turnos de oito horas, atuando principalmente no caixa e no controle da conveniência. Além deles, no período das 8h às 22h, há mais dois funcionários que também trabalham no local, com carga horária de sete horas. Os proprietários participam diretamente da rotina da empresa e são responsáveis pelas compras de mercadorias, o que torna o controle de estoque ainda mais relevante para auxiliar no planejamento das aquisições e evitar compras desnecessárias ou falta de produtos.
No contexto analisado, o controle de estoque apresenta importância prática, pois a conveniência trabalha com diferentes tipos de produtos, muitos deles de consumo rápido e com necessidade de reposição frequente. A ausência de um controle sistematizado pode dificultar a identificação dos itens com maior saída, dos produtos parados, das mercadorias próximas ao vencimento e das divergências entre o estoque físico e os registros internos. Por esse motivo, a implantação de um processo organizado visa contribuir para melhorar a rotina dos funcionários, facilitar o trabalho dos proprietários e auxiliar na tomada de decisões relacionadas às compras.
4.1. Caracterização da Loja de Conveniência Analisada
A loja de conveniência analisada integra a estrutura comercial do Posto Primavera, atendendo consumidores que passam pelo local para abastecimento, compras rápidas e consumo de produtos variados. Por funcionar de forma ininterrupta, durante 24 horas, o estabelecimento precisa manter disponibilidade de mercadorias em todos os períodos do dia.
Essa característica diferencia a conveniência de outros pequenos comércios, pois exige atenção constante à reposição, ao atendimento e à organização dos produtos. Como há funcionários em diferentes turnos, torna-se necessário que as informações sobre o estoque sejam registradas de forma clara e padronizada, permitindo que todos tenham acesso às mesmas orientações e evitando falhas de comunicação entre os períodos de trabalho.
4.2. Diagnóstico da Situação Atual do Estoque
O diagnóstico inicial parte da necessidade de estruturar um processo mais eficiente de controle de estoque, com o objetivo de desenvolver e implementar um gerenciamento de estoques, compras e organização de produtos para a loja de conveniência.
Observa-se que, em razão da rotina intensa da empresa e da participação direta dos proprietários nas compras, o controle de estoque deve ser simples, prático e de fácil acompanhamento. A falta de padronização pode dificultar a visualização da quantidade real de mercadorias disponíveis, prejudicar o planejamento das compras e aumentar o risco de perdas ou divergências.
Assim, o diagnóstico do estoque deverá considerar aspectos como: forma atual de registro das mercadorias, frequência de conferência dos produtos, organização física do estoque, identificação dos itens de maior saída, controle de vencimentos e comunicação entre os funcionários dos diferentes turnos. Esses pontos permitirão compreender as principais dificuldades enfrentadas pela empresa e definir as melhorias necessárias.
4.3. Proposta de Implantação do Controle de Estoque
A proposta de implantação do controle de estoque consiste na criação de um processo organizado para acompanhar as mercadorias da loja de conveniência. Esse processo deverá incluir o registro das entradas e saídas de produtos, a conferência periódica das quantidades disponíveis, a identificação dos itens com maior e menor movimentação e o acompanhamento dos produtos que exigem reposição.
A implantação deverá ser pensada de acordo com a realidade da empresa, considerando que os funcionários atuam em turnos diferentes e que os proprietários são responsáveis pelas compras. Dessa forma, o controle precisa ser objetivo, de fácil preenchimento e acessível aos envolvidos na rotina da conveniência.
Entre as medidas propostas, destacam-se: elaboração de uma planilha, padronização dos registros, organização dos produtos por categorias, realização de inventário periódico e definição de responsabilidades para conferência das mercadorias.
4.4. Ferramentas Utilizadas no Processo de Controle
Para a implantação do controle de estoque, foram ser utilizadas ferramentas simples e adequadas à realidade do pequeno negócio. A primeira delas é a planilha de controle, que permitiu registrar informações como nome do produto, quantidade disponível, entrada de mercadorias, saída, data de compra, fornecedor, validade e necessidade de reposição.
Outra ferramenta importante foi o inventário periódico, que consiste na conferência física dos produtos existentes na loja e no estoque. Essa prática permitiu comparar a quantidade registrada com a quantidade real, identificando possíveis divergências, perdas, erros de lançamento ou necessidade de ajustes.
Também pôde ser utilizada a classificação dos produtos por categorias, separando mercadorias como bebidas, alimentos, doces, salgadinhos, produtos de higiene e outros itens comercializados. Essa organização facilita a localização dos produtos, melhora a reposição e contribui para que os funcionários acompanhem com mais clareza a movimentação das mercadorias.
4.5. Etapas da Implantação e Acompanhamento dos Resultados
A implantação do controle de estoque deve ocorrer em etapas. Inicialmente, foi realizado o levantamento da situação atual da loja de conveniência, observando a forma como os produtos são comprados, armazenados, registrados e repostos. Em seguida, foi feita a organização dos itens por categorias, facilitando a identificação e o acompanhamento das mercadorias.
Na sequência, foi elaborada uma ferramenta de controle, como planilha ou sistema simples, destinada ao registro das entradas, saídas e quantidades disponíveis. Após essa etapa, os funcionários foram orientados quanto ao preenchimento correto das informações, de modo que o controle seja utilizado de forma padronizada por todos os turnos.
Também foi disposto sobre a necessidade de ser realizado inventário periódico, com o objetivo de conferir o estoque físico e comparar os dados com os registros efetuados. Esse acompanhamento permite verificar se o controle implantado está contribuindo para melhorar a organização dos produtos, reduzir divergências e auxiliar os proprietários no planejamento das compras.
Por fim, os resultados podem ser observados a partir da rotina da própria empresa, considerando aspectos como maior facilidade de conferência, melhor organização das mercadorias, redução de falhas nos registros, apoio à tomada de decisão e melhoria no controle das compras. Assim, o estudo de campo permitiu analisar, de forma prática, como a implantação do controle de estoque pode contribuir para a gestão da loja de conveniência do Posto Primavera.
5. RESULTADOS
A implantação da planilha de controle de estoque na loja de conveniência do Posto Primavera possibilitou organizar e sistematizar informações relacionadas à movimentação das mercadorias, permitindo acompanhar entradas, saídas, perdas, estoque disponível e necessidade de reposição. A ferramenta foi estruturada de acordo com a realidade do estabelecimento e com a proposta apresentada neste estudo, buscando oferecer um controle simples e de fácil utilização pelos responsáveis pela rotina da conveniência.
A análise dos dados registrados demonstrou a presença de 57 produtos cadastrados, distribuídos entre diferentes categorias comercializadas pelo estabelecimento. Entre os itens cadastrados, destacaram-se principalmente as categorias de bebidas, com 24 produtos, e doces e snacks, com 20 produtos. Também foram registrados produtos pertencentes às categorias de alimentos, cigarros, higiene, automotivos e diversos. Essa diversidade reforça a necessidade de um controle organizado, especialmente considerando que a conveniência funciona durante 24 horas e apresenta movimentação contínua de mercadorias.
A planilha permitiu calcular automaticamente o estoque atual de cada produto a partir do estoque inicial, acrescido das entradas e descontadas as saídas e as perdas ou vencimentos. Além disso, foram estabelecidos níveis de estoque mínimo e pontos de reposição, permitindo classificar os produtos nas situações “Estoque adequado”, “Necessidade de reposição” e “Estoque insuficiente”.
Tabela 1. Situação dos produtos conforme o nível de estoque
Situação | Quantidade de produtos | Percentual |
Estoque adequado | 39 | 68,4% |
Necessidade de reposição | 8 | 14,0% |
Estoque insuficiente | 10 | 17,5% |
Total | 57 | 100% |
Fonte: Elaborado pelo autor com base nos dados da pesquisa (2026).
Os resultados apresentados na Tabela 1 demonstram que 39 dos 57 produtos cadastrados (68,4%) apresentavam estoque considerado adequado no período analisado. Entretanto, 8 produtos (14,0%) encontravam-se em situação de reposição e 10 produtos (17,5%) apresentavam nível crítico. Dessa forma, aproximadamente 31,6% dos produtos cadastrados necessitavam de algum grau de atenção quanto ao abastecimento.
Esse resultado evidencia uma das principais contribuições práticas da ferramenta implantada. Sem a definição de estoque mínimo e ponto de reposição, a identificação dos produtos que necessitam de nova compra depende principalmente da observação dos funcionários ou proprietários. Com a planilha, essa necessidade passa a ser indicada a partir dos dados registrados, permitindo antecipar decisões de compra e reduzir a possibilidade de falta de mercadorias.
A movimentação registrada também demonstrou volume significativo de operações. Considerando os produtos cadastrados, foram registradas 2.434 unidades de entradas e 2.078 unidades de saídas, além de 34 unidades classificadas como perdas ou vencimentos. Ao final dos registros considerados, o estoque calculado totalizou 1.513 unidades, observadas as diferentes unidades de medida adotadas para os produtos.
A identificação das perdas constitui outro resultado relevante da implantação do controle. O registro específico dessa informação permite que mercadorias perdidas, vencidas ou avariadas não permaneçam contabilizadas como disponíveis para venda. Dessa maneira, o gestor passa a ter condições de acompanhar não somente o volume comercializado, mas também ocorrências que reduzem o estoque e podem representar prejuízo para a empresa.
Além do controle das movimentações, foi realizada uma conferência de inventário físico em 27 de agosto de 2026, no período da manhã, na loja de conveniência. O procedimento teve como finalidade comparar as quantidades registradas no controle com aquelas efetivamente encontradas fisicamente no estabelecimento.
A conferência evidenciou a importância de associar a utilização da planilha à realização de inventários periódicos. Foram observadas diferenças entre determinadas quantidades registradas e aquelas identificadas durante a contagem física. Entre as causas expressamente registradas na ferramenta apareceram situações como quebra ou avaria e erro de lançamento, acompanhadas das respectivas ações corretivas, como baixa da quebra e ajuste do estoque.
As divergências encontradas não retiram a utilidade da ferramenta; ao contrário, demonstram a importância do processo de conferência. O controle de estoque depende da atualização adequada das movimentações e, quando entradas, vendas, perdas ou avarias não são registradas corretamente, podem surgir diferenças entre o estoque informado e a quantidade efetivamente disponível. O inventário permite justamente identificar essas situações e realizar os ajustes necessários.
Esse resultado está relacionado ao entendimento de Francischini e Gurgel (2013), apresentado no referencial teórico, segundo o qual o controle deve produzir informações capazes de comparar o planejado com aquilo que efetivamente ocorreu, possibilitando a identificação e a correção de falhas. Da mesma forma, Louzada (2016) destaca a contribuição do inventário periódico para a redução de perdas e para o conhecimento da movimentação das mercadorias.
Outro aspecto observado foi a possibilidade de identificar produtos com maior movimentação. A ferramenta permite visualizar individualmente as saídas registradas e, consequentemente, reconhecer quais mercadorias apresentam maior giro. Essa informação pode auxiliar os proprietários na definição das quantidades adquiridas e na frequência das compras, evitando que produtos de maior procura atinjam níveis insuficientes.
Nesse sentido, os resultados encontrados também se relacionam com Wanke (2012), para quem a gestão de estoques deve buscar equilíbrio entre disponibilidade e custos. A classificação automática dos produtos conforme os níveis de estoque contribuem para esse equilíbrio, pois permite visualizar tanto situações que demandam reposição quanto mercadorias que permanecem em quantidade suficiente.
A organização das informações por código, categoria, produto, fornecedor, unidade, estoque inicial, entradas, saídas, perdas, estoque atual, estoque mínimo, ponto de reposição, situação, validade e última compra também proporcionou maior centralização dos dados. Antes de serem observadas isoladamente, essas informações passam a integrar um mesmo instrumento de acompanhamento, facilitando sua consulta e utilização no processo decisório.
A experiência prática demonstrou ainda que a eficiência da ferramenta depende diretamente da padronização e atualização dos registros pelos responsáveis. Como a conveniência funciona durante 24 horas e possui funcionários atuando em diferentes turnos, o preenchimento correto das movimentações é necessário para que o estoque registrado corresponda à realidade física. Assim, a implantação do controle não deve ser compreendida somente como criação de uma planilha, mas como estabelecimento de uma rotina permanente de registro, conferência e correção das informações.
De maneira geral, os resultados indicam que a implantação do controle de estoque possibilitou identificar produtos em situação crítica ou de reposição, registrar perdas, acompanhar a movimentação das mercadorias e comparar o estoque registrado com o estoque físico. A ferramenta também possibilitou transformar informações operacionais em dados que podem auxiliar diretamente os proprietários no planejamento das compras.
Portanto, considerando a problemática proposta neste estudo, verifica-se que a implantação de um controle sistematizado pode contribuir para a organização e o acompanhamento das mercadorias da loja de conveniência analisada. Os dados obtidos demonstram que o controle não elimina automaticamente as divergências existentes no estoque, mas permite identificá-las, registrá-las e adotar medidas corretivas, tornando o processo de gestão mais organizado e fornecendo informações mais claras para a tomada de decisão.
Os resultados reforçam, assim, a importância da continuidade do inventário periódico e da atualização diária das entradas, saídas e perdas. Com a utilização contínua da ferramenta, foi possível formar um histórico de movimentação mais amplo, permitindo futuramente aperfeiçoar os níveis mínimos de estoque, os pontos de reposição e a classificação dos produtos conforme seu giro e importância para a empresa
6. CONCLUSÃO
O presente estudo teve como objetivo analisar a implantação de um processo de controle de estoque em uma loja de conveniência de posto de combustíveis, buscando compreender de que forma uma ferramenta de controle poderia contribuir para a organização das mercadorias, o acompanhamento do estoque e a melhoria dos processos internos. A partir do estudo realizado na loja de conveniência do Posto Primavera, foi possível verificar que a sistematização das informações pode auxiliar diretamente na rotina operacional do estabelecimento.
A implantação da planilha possibilitou reunir, em um único instrumento, informações referentes ao estoque inicial, entradas, saídas, perdas ou vencimentos, estoque atual, estoque mínimo, ponto de reposição, validade e fornecedores. Dessa forma, o controle tornou-se mais organizado e permitiu uma visualização mais clara da situação das mercadorias disponíveis.
A realização do inventário físico também demonstrou a importância da conferência periódica, uma vez que foram identificadas divergências entre determinadas quantidades registradas e aquelas efetivamente encontradas no estabelecimento. Entre as ocorrências registradas estavam situações relacionadas a quebra ou avaria e erros de lançamento. Nesse sentido, verificou-se que a existência de uma ferramenta de controle, por si só, não elimina possíveis diferenças no estoque, sendo necessário que os registros sejam realizados corretamente e acompanhados por conferências periódicas.
Dessa maneira, os resultados obtidos atendem ao objetivo proposto pelo estudo e permitem responder à problemática apresentada, demonstrando que a implantação de um controle de estoque pode contribuir para organizar as informações, identificar necessidades de reposição, acompanhar perdas, verificar divergências e fornecer dados para o planejamento das compras. Para uma conveniência que funciona durante 24 horas e possui funcionários atuando em diferentes turnos, a padronização dessas informações mostra-se especialmente relevante.
Conclui-se, portanto, que a implantação do controle de estoque representa uma ferramenta de apoio à gestão da loja de conveniência analisada, proporcionando aos proprietários informações mais organizadas para a tomada de decisão. Entretanto, para que seus benefícios sejam mantidos, é fundamental que a planilha seja atualizada continuamente, que as entradas, saídas e perdas sejam registradas corretamente e que sejam realizados inventários periódicos.
Como possibilidade de continuidade e aperfeiçoamento do controle implantado, recomenda-se a formação de um histórico de movimentação dos produtos, permitindo avaliar o comportamento do estoque ao longo de períodos maiores. Com isso, futuramente será possível aprimorar os níveis de estoque mínimo e os pontos de reposição, além de identificar com maior precisão os produtos de maior e menor giro, contribuindo para um planejamento de compras cada vez mais adequado à realidade da empresa.
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1 Graduanda em Ciências Contábeis – UENP. Endereço postal: UENP, Rodovia PR-160, km 0, Cornélio Procópio – PR, CEP 86304-028. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail.
2 Especialista em Contabilidade e Controladoria Empresarial – UEL. Endereço postal: UENP, Rodovia PR-160, km 0, Cornélio Procópio – PR, CEP 86304-028. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail.