REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/777864444
RESUMO
O artigo apresenta as proximidades de pautas e os distanciamentos da Igreja Cristã Contemporânea de Belo Horizonte - MG, com a luta da população LGBT+ no Brasil. Trata-se se uma pesquisa de caráter investigativo qualitativo, e o recurso técnico escolhido foi a entrevista. Como método de estudo, seguimos as orientações de Vergara (2009), Lakatos e Marconi (2007) e Goldenberg (2004). As referências teóricas se valem de grandes autores que debatem a temática, como Natividade (2025) e Costa (2022). Fizemos uso dos materiais encontrados no site oficial da igreja, informações postadas no facebook e Instagram. As igrejas denominadas inclusivas abrem espaços de acolhimento e conforto espiritual para pessoas LGBT+, que os faz sentir parte de uma comunidade religiosa. Porém, o estudo mostra que são poucas as aproximações com as pautas e conquistas do movimento LGBT+ no Brasil. Esta pesquisa oferece aporte para ampliação deste debate, e fomenta, no campo científico, propostas de estudos críticos e profícuos sobre a relação entre fé e sexualidade humana.
Palavras-chave: LGBT+; Igrejas Inclusivas; Igreja Cristã Contemporânea.
ABSTRACT
This article presents the points of convergence and divergence between the agendas of the Contemporary Christian Church of Belo Horizonte, Minas Gerais, and the struggles of the LGBT+ population in Brazil. It is a qualitative investigative study, and the chosen technical resource was the interview. The study method followed the guidelines of Vergara (2009), Lakatos and Marconi (2007), and Goldenberg (2004). The theoretical references draw on major authors who discuss the topic, such as Natividade (2025) and Costa (2022). We used materials found on the church's official website, as well as information posted on Facebook and Instagram. Churches labeled as inclusive offer spaces of welcome and spiritual comfort for LGBT+ people, making them feel part of a religious community. However, the study shows that there are few points of convergence with the agendas and achievements of the LGBT+ movement in Brazil. This research contributes to broadening this debate and fosters, in the scientific field, proposals for critical and fruitful studies on the relationship between faith and human sexuality.
Keywords: LGBT+; Inclusive Churches; Contemporary Christian Church.
1. INTRODUÇÃO
Ao longo das últimas décadas, o movimento social LGBT+ tem alcançado diversas conquistas no campo das políticas públicas e do direito civil, como o casamento, a adoção, programas de saúde específicos para o público LGBT+ e cirurgias médicas para pessoas trans. Concomitantemente a estas conquistas, vêm crescendo no Brasil as igrejas chamadas de inclusivas, que recebem parte do público LGBT+ e apontam para uma homilia inclusiva e respeitosa. Por igreja inclusiva concordamos com Barreto e Oliveira Filho (2012) para quem se trata de uma comunidade cristã que acolhe e integra heterossexuais e homossexuais com igualdade de direitos religiosos.
O objetivo do presente artigo é investigar as proximidades de pautas e os distanciamentos da Igreja Cristã Contemporânea de Belo Horizonte - Minas Gerais, com a luta nacional da população LGBT+ no Brasil. Este estudo é de fundamental importância nos tempos atuais, dentro e fora do campo acadêmico, pela atualidade do tema no campo universitário, e pelo crescimento de estudos, encontros, grupos de estudo e pesquisas realizadas nos últimos anos no país3. Concomitante a este aspecto, pesquisadores das áreas sociais e humanas devem estar atentos a este assunto, pois religião e homossexualidade têm relevante importância social, política e cultural. Nas últimas décadas, a cada dia mais cresce a luta LGBT+, bem como são criadas novas igrejas inclusivas em vários Estados brasileiros. As explicações de que os homossexuais estão condenados ao inferno, ou que a religião serve apenas àqueles que abandonam a prática homossexual por meio da conversão religiosa, já não contentam boa parte da sociedade. Urge que se abram novos rumos a estas hermenêuticas.
2. IGREJAS INCLUSIVAS NO BRASIL COMO ESPAÇO DE FÉ PARA O PÚBLICO LGBT+
De acordo com Coelho Júnior (2014), foi nos Estados Unidos que emergiram as primeiras igrejas inclusivas, inicialmente conhecidas como “igrejas gays”. Elas tiveram início por volta dos anos de 1968, com a criação da Community Metopolitan Church, liderada pelo reverendo Troy Perry. Após ser expulso de uma igreja de segmento batista no Estado da Califórnia, acusado de seguir uma “orientação homossexual”, funda um novo tipo de igreja, aberta para héteros e homossexuais.
Com o decorrer dos anos, estas igrejas se espalham pela América Latina. No Brasil, de acordo com Jesus (2013), tiveram início no ano de 1992, no Estado do Rio de Janeiro, Copacabana. Posteriormente, em 1998, a primeira igreja “inclusiva” do Estado de São Paulo. Esta igreja teve início a partir de grupos de discussão, ativismo e militância homossexual na década de 1990. Também foi aberta a Igreja Comunidade Metropolitana em Niterói, no ano de 20024. O pesquisador Marcelo Natividade, importante estudioso no campo das igrejas inclusivas observa que estas igrejas já se espalharam por quase todas as capitais brasileiras (Natividade, 2025). Ele identificou a existência destas igrejas no Rio de Janeiro, Maranhão, Natal, Fortaleza, Brasília, São Paulo, Salvador e Belo Horizonte. O autor estudou a Igreja da Comunidade Metropolitana, que foi criada nos EUA no ano de 1968, e que desde 2006 é conhecida por Igreja Cristã Contemporânea (igreja objeto de nosso estudo nesta pesquisa). De acordo com Natividade (2010) nestas igrejas os pastores, diáconos e obreiros não precisam ser heterossexuais. Seus integrantes são oriundos de igrejas evangélicas ou católicas.
Segundo Natividade (2010) foi por decorrência da AIDS e dos movimentos sociais LGBT+ criados no Brasil que a pauta sobre a inclusão de gays e lésbicas passou a nascer em alguns espaços religiosos. O autor nos informa que foi a partir de um encontro de estudantes do curso de História da USP/SP que se abordou seriamente o tema igreja/preconceito, que originou a Comunidade Cristã Gay, onde se ordenaram os primeiros pastores homossexuais no país. Foi na década de 1990, no Rio de Janeiro que ocorreram os primeiros casamentos gays, na Igreja Presbiteriana Unida de Copacabana. A partir daí, homossexuais passaram a ser acolhidos pelas “igrejas gays” sem que fosse imposta aos mesmos uma conversão e necessidade de uma “cura gay” ou conversão à heterossexualidade. Foi por volta do ano de 2006 que as igrejas, antes chamadas de igrejas gays, passaram a adotar o nome de igreja inclusiva.
Em sua experiência, participando da inauguração da Igreja da Comunidade Metropolitana no Rio de Janeiro no ano de 2004, e em visitas realizadas no ano de 2023, Natividade observou que havia um objetivo claro nesta igreja em acolher marginalizados, criar um espaço livre de preconceito e culpa, adorar a Deus de forma livre e ter como missão propagar um evangelho inclusivo. Neste sentido, a igreja defendia que a orientação sexual é uma bênção de Deus e que os homossexuais devem ser aceitos no cristianismo sem necessidade de mudança em sua sexualidade. (Natividade, 2010)
Em sua pesquisa de campo, Natividade notou que esta igreja não gostaria de carregar o rótulo de igreja homossexual. Ela se dizia uma igreja aberta para todos que quiserem cultuar a Deus, independentemente de sua sexualidade. Seus cultos e liturgia eram profundamente semelhantes aos de igrejas evangélicas, com cânticos de cantores de origens destas igrejas, ceia com pão e vinho e orações que seguiam o mesmo padrão também. Algo interessante a ser destacar é que mesmo o público mais freqüente ser composto por homossexuais, a presença de travestis ou transexuais era praticamente nula, ou muito rara. Também havia regras claras. Roupas e comportamentos considerados extravagantes não eram bem recebidos. Trocas de beijos durante os cultos deveriam ser evitados. A promiscuidade deveria ser evitada, bem como um comportamento festivo e hedonista, preenchida por uma vida noturna em boates e saunas gays desagradavam a liderança e boa parte dos integrantes desta igreja. Em síntese, inclusão não deveria ser confundida com amoralidade ou imoralidade. Havia comportamentos considerados puros e outros impuros. Nas palavras de Natividade (2010), o que se buscava na verdade, era “uma homossexualidade santificada”. Esta busca por santificação vai se materializar quando, em 2007, foi criado um Código de Condutas para lideranças da Igreja Contemporânea. Trata-se de um documento pequeno, contendo cinco páginas, que discrimina as ações e comportamentos esperados aos líderes e participantes das igrejas. Nele são vedadas idas a casas de prostituição e saunas gays, bem como adultério, poligamia e traição aos parceiros. O sexo sem compromisso também deve ser evitado.
O capítulo IV advertia que era vedada a ida a "orgias", "casas de prostituição" e "saunas". O Capítulo V, "Dos relacionamentos e das condutas sexuais", informava sobre a proibição dos "adultérios e traições aos parceiros", da "poligamia" (mesmo com anuência do casal), endossando: "o líder só pode ter relação sexual com adultos e isso com pretensões de união afetiva”. (Natividade, 2010, p.104)
Mesmo com restrições e orientações de cunho moralista, é muito importante destacar que Natividade nos mostra que a Igreja Cristã Contemporânea tem um engajamento político, pois busca a promoção da justiça social, denunciando a homofobia e promovendo uma teologia que prega a igualdade entre pessoas hétero e homossexuais. Ele menciona que em São Paulo essa igreja participa de atividades do Programa Estadual de DSTs e AIDS. Suas preocupações com soropositivos, por exemplo, os levou a criar grupos de debate, receber profissionais de saúde para debates e esclarecimentos. A Igreja Cristã Contemporânea no Brasil tem uma luta significativa no combate à homofobia. Para Natividade (2010) a teologia inclusiva é um importante instrumento, e um dos mais importantes, na luta contra a homofobia. Sua perspectiva inclusiva tramita entre atrair o público LGBT+, mas também heterossexuais, proporcionando um convívio religioso respeitoso e igualitário, pois entendem que todos fazem parte do grande “povo de Deus”. Em seus estudos, Costa (2022, p.08) observa que há Igrejas Inclusivas que valorizam mais os aspectos voltados a práticas espirituais, assimilando “o legado moral e das tradições protestantes já cristalizadas”; e também as que assumem um projeto político mais alinhado às demandas da comunidade LGBTQIA+.
Coelho Júnior (2004) é outro estudioso da temática em tela. Sua pesquisa chega a conclusões bem próximas às de Natividade. Ele fez um estudo sobre a igreja Missionária Inclusiva de Alagoas, fundada em outubro de 2011. No decorrer de sua pesquisa, ele compara a igreja inclusiva que estudou a um “hospital de almas” onde os adeptos querem ser reconhecidos e aceitos por Deus e pela sociedade como um todo. Algo que nos chama a atenção em seus estudos é que ele percebe que na igreja que estudou há certa desconfiança ao movimento LGBT+ no Brasil e um distanciamento deste, preferindo seus dirigentes e membros uma vida de maior espiritualidade, distanciando-se de um engajamento político. (Coelho Júnior, 2014, p.88)
Verificou também uma forte ênfase na homilia pastoral que reforça a necessidade de uma homossexualidade santa, fidelidade nos relacionamentos amorosos, distanciamento de atitudes promíscuas e resistência aos vícios terrenos. (Coelho Júnior, 2014, p. 113, 114) Por fim, observa que o pensamento defendido é o de uma homossexualidade limpa, onde o fiel se distancia da vida mundana, longe de boates noturnas, práticas promíscuas e da prática da masturbação. Até os pensamentos devem ser controlados, sendo aconselhados pensamentos puros. Ou seja, não verifica em sua pesquisa uma ruptura com o protestantismo e com a direção teológica e missionária das igrejas neopentecostais, que vieram para o Brasil com a missão de resgatar homens e mulheres da perversão sexual, levando-os a uma purificação da alma. Também não há contraposição à heteronormatividade. (Coelho Júnior, 2014, pp. 131, 132,168)
Estas igrejas proporcionam a possibilidade de ampliar debates, rever posicionamentos e reinventar práticas, lançando novos olhares ao campo religioso brasileiro. Tradição e renovação, dogmas e quebras de paradigmas ainda se fundem e se confundem, mas trazem um campo fértil para os estudos sobre religião e sexualidade humana na contemporaneidade.
3. A IGREJA CRISTÃ CONTEMPORÂNEA DE BELO HORIZONTE -MG
Na pesquisa em tela, selecionamos para nossos estudos a Igreja Cristã Contemporânea de Belo Horizonte – MG. Inicialmente, pretendíamos desenvolver nossa pesquisa na cidade de Juiz de Fora, cidade estudada em nosso doutorado. À época escrevemos sobre os primeiros 34 anos do concurso Miss Brasil Gay. Contudo, quando tentamos entrar em contato com a igreja inclusiva da cidade, para verificar a possibilidade de realizar a pesquisa em sua sede, descobrimos que ela foi fechada, e que não havia outra igreja inclusiva em Juiz de Fora. Assim, decidimos manter os estudos em Minas Gerais, realizando nossos estudos na Igreja Contemporânea de Belo Horizonte – ICC - BH.
Foi no ano de 2006 que o pastor Marcos Gladstone fundou a primeira Igreja Cristã Contemporânea, no Bairro da Lapa - RJ5. O pastor Gladstone, é casado com o também pastor Fábio Inácio, com quem adotou dois filhos. A igreja Cristã Contemporânea de Belo Horizonte completou dezesseis anos em março de 2026. Localizada no Bairro Barro Preto, em suas apresentações e propagandas na internet, podemos ver que esta igreja se apresenta6 como “Igreja Cristã Contemporânea: Levando o amor de Deus a todos sem preconceito”. Nota-se também que os assuntos como bissexualidade e homossexualidade são correntemente debatidos em cursos e palestras. Em alguns vídeos e fotos, percebe-se que o público assíduo é jovem. A igreja possui um grupo musical com apresentação de dança durante os cânticos.
Em folhetos explicativos e nas redes sociais, verificamos que a ICC- BH realiza cultos semanais, durante alguns dias úteis da semana e no domingo à noite. A cada primeiro domingo mensal é realizada a “Ceia do Senhor”, um momento simbólico, nos moldes das igrejas evangélicas, onde são partilhados suco de uva e pequenas fatias de pão de forma, simbolizando o sangue e corpo de Jesus Cristo. Nesta igreja, qualquer pessoa pode partilhar deste momento, sendo membro batizado ou não. Sobre os batismos, eles são realizados em piscinas, geralmente em eventos como Encontros ou Retiros Espirituais onde a igreja se reúne em feriados ou datas especiais, e realiza o batismo por imersão. Há o entendimento de que é necessário ter consciência do que representa o batismo, bem como as orientações teológicas da ICC. Portanto, crianças não são batizadas.
Agendamos uma visita para o mês de junho de 2025, para conhecermos a liderança, iniciarmos as primeiras conversas para entender melhor a liturgia e crenças da igreja e de seus membros. Nessa visita, ficou claro que os membros da ICC – BH seguem as orientações dadas pelo fundador da ICC no Brasil, o Pastor Marcos Gladstone. Eles assistem vídeos com cursos, palestras e orientações teológicas do pastor Gladstone. Assim que chegamos à Igreja, recebemos um folheto explicativo que versa sobre a história da igreja, sua base ministerial, valores, visão e missão. Iremos destacar trechos dos “valores de excelência ministerial”, que formam um conjunto de 21 valores. O 4º valor - Conversão e transformação – diz que o Evangelho liberta de vícios e pecados, repara traumas emocionais e transforma o caráter. O 10º valor – Referencial – orienta o fiel a fugir da aparência do mal, alertando que sua postura é reflexo da igreja do Senhor. Fazemos um destaque especial para o valor 11º - Santidade – onde se lê: "o Evangelho não mudou, a diferença da Contemporânea para as demais igrejas evangélicas é o acolhimento à comunidade LGBTQIA+, pecado continua sendo pecado e ponto final”. Ao final do folheto, há um texto (apenas um pequeno parágrafo) com o título “Postura do Contemporâneo” onde se adverte que o Ministério da ICC não é um ponto de encontro para paqueras. Orienta que ninguém aceite ser usado como um objeto descartável. Assim, os membros da ICC devem ter relacionamentos que sejam apenas fraternais com visitantes durante seu primeiro mês na igreja, para que o ministério não seja descredibilizado.
Acreditamos que as informações supracitadas oferecem um panorama geral sobre as principais defesas de fé e liturgia da ICC de BH. Tais informações nos ajudam a refletir sobre a questão central de nossa pesquisa, nos fazendo questionar se existe uma relação entre esta Igreja e as pautas do Movimento LGBT+ no Brasil. A seguir, apresentamos a análise da pesquisa, levando em consideração as respostas obtidas pelos membros que entrevistamos, e que responderam às perguntas do nosso roteiro de entrevista.
4. A PESQUISA DE CAMPO
Esta pesquisa é uma investigação qualitativa. Pela própria característica do tema escolhido, entendemos que a pesquisa qualitativa seria o melhor método de trabalho pois, conforme M. Serapioni (2000), a investigação qualitativa trabalha com valores, crenças, representações, hábitos, atitudes e opiniões. Segundo Gibbs (2009, p.18), a pesquisa qualitativa se diferencia de outros tipos de pesquisa, porque não separa o conjunto de dados e sua análise, ou seja, a análise pode e deve começar no campo estudado. Assim, “à medida que coleta seus dados, por meio de entrevistas, notas de campo, aquisição de documentos e assim por diante, é possível iniciar sua análise”.
O recurso técnico escolhido para compreender melhor nosso objeto de estudo, foi a entrevista. Consideramos que a entrevista facilita um acúmulo mais rico de informações que o uso de questionários fechados ou métodos que não envolvem o contato direto pesquisador/pesquisado. Para o estudo sobre este método, seguimos as orientações de Vergara (2009), Lakatos e Marconi (2007), Goldenberg (2004) e Minayo (1993). Vergara (2009) entende que entrevista é um método de coletar dados que ocorre num processo de interação verbal, conversa, diálogo que produza conhecimento sobre algo. O autor entende que numa pesquisa qualitativa, a forma ideal de se realizar entrevistas é pessoalmente, pois assim pode-se notar expressões e posturas corporais, gestos e olhares significativos para a análise de campo. As entrevistas nem sempre são o único recurso utilizado numa pesquisa qualitativa. Por vezes, como é o nosso caso, fontes documentais são importantes complementos numa análise deste tipo de pesquisa. Estivemos cientes das vantagens e desvantagens7 de se realizar entrevistas, e observamos que apesar dos poucos limites existentes, as vantagens trazidas pelo uso das entrevistas numa pesquisa qualitativa são fundamentais para a pesquisa a que nos propomos realizar.
Diversos são os tipos8 de entrevistas, que variam de acordo com o propósito do entrevistador. Para nossa pesquisa, entendemos que o tipo mais adequado seria o que Lakatos e Marconi (2007) chamam de entrevista despadronizada ou não-estruturada, Minayo (1993) chama de entrevista semi-estruturada e Vergara (2009) chama de entrevista semiaberta. Apesar da diferença no modo de nominá-las, os autores estão se referindo a um tipo de entrevista que parte de um roteiro anteriormente elaborado, mas que permite aos entrevistados certa liberdade de expor seu ponto de vista sobre determinadas questões que não estejam contempladas no roteiro.
As pessoas selecionadas para as entrevistadas foram a liderança e membros ativos nos cultos e atividades realizadas pela Igreja. Descartamos os neófitos, por entender que os líderes e membros mais antigos poderiam nos fornecer informações mais precisas sobre a igreja e sua relação com as pautas do Movimento LGBT+. Entrevistamos uma pastora e os seis membros mais envolvidos com atividades de lideranças na igreja. É importante destacar que no processo de escolha dos entrevistados, o foco central foi o nível de participação e envolvimento na igreja. O pastor, ciente do nosso objetivo, e do nosso foco em entrevistar pessoas com maior tempo de participação na igreja, nos sugeriu os membros a serem entrevistados. Desta forma, os sete entrevistados correspondem ao número total de membros que atendiam aos requisitos para as entrevistas.
Como o recurso técnico escolhido para possibilitar compreender melhor nosso objeto de estudo foi a entrevista, construímos um roteiro, apenas como um esquema temático, um norteador que contém nossas inquietações mais gerais. Contudo, valorizamos a liberdade dos entrevistados para tratar de assuntos relacionados ao tema pesquisado que não estivessem contemplados em nosso roteiro.
4.1. Análise da Pesquisa de Campo
Antes de apresentarmos os resultados da pesquisa de campo, consideramos essencial destacar que esta pesquisa possui total comprometimento ético por parte dos pesquisadores. Foi mantido o anonimato nos documentos, e foram tomadas as medidas necessárias para garantia das informações sigilosas cuja divulgação pudesse, de algum modo, constranger ou ferir a integridade pessoal. Todos os participantes foram devidamente informados de que podiam, a qualquer momento, interromper a entrevista, ou deixar de responder a qualquer pergunta que considerassem inapropriada.
Fizemos as entrevistas num domingo, com a finalidade de assistir ao culto noturno. Perguntamos a três lideranças da Igreja sobre o número de membros/pessoas batizadas existentes na igreja, e nenhuma das três soube informar o número exato. O pastor nos informou que “deve ser por volta de quarenta”. As pessoas entrevistas disseram que hoje há mais lésbicas e gays na igreja, mas que também existem pessoas trans e heterossexuais que participam dos cultos. Foi nos informado que a faixa etária dos membros varia, em sua maioria, entre trinta e cinquenta anos.
Tivemos a oportunidade de participar do culto em que foi realizada a “santa ceia”, nome dado ao partilhar pão como símbolo do corpo de Cristo, e um pequeno cálice de suco de uva, representando o sangue de Jesus Cristo, um ritual característico das igrejas protestantes. Antes do culto, consultamos ao pastor se poderíamos participar deste momento da ceia, já que não somos membro batizada da igreja. A resposta dada foi a de que o rito é partilhado entre todas as pessoas presentes no culto, batizadas ou não. Assim, participamos deste momento solene.
Todo rito e ritual durante o culto não se distinguiu, a nosso ver, dos cultos de igrejas protestantes e evangélicas não inclusivas9. O livro que orienta a fé da igreja é a Bíblia de tradução de João Ferrei de Almeida, muito utilizada entre diversas igrejas evangélicas não inclusivas. Contudo, existem diferenças entre as igrejas inclusivas e as não inclusivas. Costa (2022) compreende as igrejas inclusivas
como organizações religiosas que se formam num movimento polêmico: ao mesmo tempo em que se alinham a fundamentações protestantes, como autoridade de Cristo, a validade da Bíblia, o perdão dos pecados etc., também rompem com orientações religiosas que, tradicionalmente, condenam as diversidades sexual e de gênero. (Costa, 2022, p. 08)
Observamos estas diferenças no culto que tivermos a oportunidade de participar. Ao nosso lado direito sentou-se o esposo do pastor, no banco atrás estava um casal de homens gays que se manteve abraçado durante todo o culto, e ao lado deste casal havia uma mulher trans (informação confirmada por membros da igreja). Quando a equipe de louvor subia ao palco da igreja para cantar, a pessoa que conduzia os cânticos, que se identificou para nós como sendo um homem gay, estava vestida com uma blusa social azul clara, um cinto largo preto em sua cintura, e uma saia longa, azul escura de pregas. Em suas mãos, este homem gay portava grandes anéis dourados, e em seus pés, uma sandália com brilhos em prata e salto agulha. Na pregação do pastor, houve momentos em que houve defesa da livre escolha sexual, e um breve discurso de aceitação à sexualidade de todas as pessoas. Ao final do culto, houve alguns anúncios por parte de alguns membros, e dois casais de mulheres que se identificaram sendo um casal de lésbicas, e outra disse ser “sapatão”. Apresentamos este breve resumo de alguns momentos do culto, assim como detalhes observados sobre as falas e a estética de alguns membros, para demonstrar as diferenças que notamos, no decorrer do culto, entre as igrejas inclusivas e não inclusivas. Nenhuma destas características apresentadas acima são comuns em igrejas evangélicas não inclusivas.
Dentre nossos entrevistados identificamos um que se apresentou como bissexual, um como homem gay, uma como mulher gay, e as demais como lésbicas. Todas estas pessoas disseram ser membros batizados da igreja a mais de quatro anos. Todas são lideranças na igreja, participando do Ministério da Família, Rede Trans, Ação Social, louvor e pastorado, cada qual em um destes Ministérios.
Natividade (2025) compreende que as igrejas inclusivas são majoritariamente evangélicas. Do total de entrevistados, cinco pessoas entendem que a ICC de Belo Horizonte é evangélica, uma como evangélica inclusiva, e uma como evangélica pentecostal. Porém todos os entrevistados confirmaram que a igreja é inclusiva, e não uma “igreja de gays”. Esta informação confirma os estudos de Natividade (2010) e Coelho Júnior (2004), quando em suas pesquisas as pessoas entrevistadas recusavam a terminologia “igreja de gay” ou “igreja homossexual”. Costa (2022, p.16) confirma esta tese e acrescenta que, ainda hoje, essas igrejas “enfrentam tentativas de desqualificação enquanto igreja e sofrem ataques que objetivam reduzi-las à ideia de igreja para sujeitos LGBTQIA+ ou, até mesmo, de uma igreja não legítima”.
Sobre as bases de fé da ICC - BH, a teologia inclusiva foi destacada como a principal base por todos os entrevistados, sendo destacados ainda o amor a todas as pessoas, sem distinção de raça ou gênero; o respeito a todas as pessoas; a restauração de famílias e a quebra de padrões heteronormativos. Sobre os objetivos da ICC - BH, foi consenso entre os entrevistados que anunciar o Evangelho e o amor de Deus de forma inclusiva e sem preconceitos, independente da orientação sexual das pessoas, é o principal objetivo da igreja. Houve ênfase também no discurso de que pessoas LGBT+ podem constituir famílias, e serem amadas por Deus, sem precisarem abandonar sua natureza sexual. Todos os entrevistados informaram que nasceram LGBT+, que não existe “virar LGBT+”, e que Deus não ama apenas heterossexuais. Em suas evangelizações, afirmam que é muito importante demonstrar para as pessoas LGBT+ que elas podem constituir família como qualquer outra pessoa.
O objetivo central desta pesquisa era identificar como é a relação da ICC de Belo Horizonte com as lutas e pautas da Movimento LGBT+ organizado no Brasil10. Sobre esta relação, primeiramente todos os entrevistados afirmaram enfaticamente que a ICC - BH não tem nenhum cunho ou proposta política, que não fazem parte deste movimento social, e que sua missão é levar o amor de Deus para os demais LGBT+, em especial da cidade de Belo Horizonte. Disseram que durante as Paradas LGBT+ ocorridas em Belo Horizonte, eles se fazem presentes no evento apenas para evangelizar os participantes, para anunciar a salvação por meio da fé em Jesus Cristo.
Todos os entrevistados assumiram que já sofreram algum tipo de violência/preconceito na cidade de Belo Horizonte devido à sua orientação sexual. Um dos entrevistados acrescentou que além do preconceito sofrido por decorrência de sua orientação sexual, sofre preconceito também por ser religioso, como se o convívio religioso não fosse adequado às pessoas LGBT+. Contudo, mesmo assumindo serem vítimas de violências, não se declaram aliados do Movimento LGBT+ como um suporte para proteção de suas vidas, ou para lutarem contra as formas de violências porque passam. Quando perguntados como a ICC lida com os ataques que sofrem, todos disseram que não dão importância a isto, que oram por seus perseguidores, e que recebem orientação do fundador da ICC, o pastor Gladstone, para que não respondam, não confrontem, e que apenas mostrem o amor que aprendem com Cristo. Desta forma, percebe-se que a luta mais importante não é travada nas ruas, na militância ou organização social, mas trata-se de uma luta travada no campo espiritual. O amor, o exemplo de uma “vida santificada”, e a oração, são as armas para enfrentar e lidar com os ataques, as violências e o preconceito.
Sobre o Movimento LGBT+ no Brasil, entendem que algumas lutas são desnecessárias, como a luta por banheiro para pessoas trans. Um entrevistado entende que é desnecessário ficar levantando bandeira, que toda esta exposição gera ainda mais ódio nas pessoas preconceituosas. Uma entrevistada ainda complementou dizendo que no movimento social as pessoas ficam se esfregando nos trios elétricos, beijando, e que “virou um pouco de bagunça”. Outra entrevistada ainda disse que o Movimento LGBT+ deveria “parar de ser hipócrita”, pois nem todos na sigla do movimento estão de fato representados, como as pessoas trans, que em seu modo de ver, estão invisíveis nas pautas do Movimento. Por fim, uma entrevistada disse que não quer ser tratada como especial ou diferente, quer apenas cidadania. Três entrevistados disseram que o Movimento LGBT+ deve se voltar para Jesus. Todos os entrevistados concordam que as pessoas envolvidas neste Movimento estão afastadas do amor de Cristo. As falas aqui destacadas indicam um distanciamento entre os membros da ICC – BH do Movimento LGBT+. A entrevistada que disse querer apenas cidadania, não menciona o Movimento LGBT+ como espaço para esta luta. Estas respostas não apontam para um reconhecimento da relevância da luta e das pautas LGBT+ no Brasil. Não houve nenhum elogio ao Movimento LGBT+, apenas apontamentos de falhas.
Um total de 95% dos entrevistados reconhece que as maiores conquistas do Movimento LGBT+ no Brasil foram o direito a constituir famílias, o casamento e a adoção. Contudo, vale ressaltar que todos os entrevistados defendem um casamento puro diante de Deus, monogâmico, onde a fidelidade ao par é essencial, e que ter uma família que agrade a Deus é o mais importante. Reconhecem os benefícios da partilha de bens e conquistas legais, mas enfatizaram que há um modelo familiar padronizado que deve ser experimentado por todos os casais na ICC. Quando perguntados se contribuem para que estas conquistas permaneçam, e de que modo lutam por seus direitos, a reposta comum a todos destaca que o testemunho que levam como casais casados e felizes em sua fé é a principal forma de mostrar que se sentem realizados. Uma entrevistada disse que permanece casada há mais de 10 anos, o que é um grande exemplo de que a família é a essência do discurso religioso. Ou seja, a forma de demonstrar que os direitos LGBT+ são importantes passa essencialmente pelo testemunho, na demonstração de que seus casamentos são santificados. Acreditam ser importante demonstrar esta santificação para seus familiares, amigos, em vídeos nas redes sociais da ICC, e em suas contas privadas.
Ao longo dos últimos anos, foram realizados diversos estudos visando compreender as lutas, pautas, conquistas e desafios da população LGBT+ no Brasil11. Estes estudos demonstram os avanços no campo político, as demandas no campo dos Direitos Humanos, as pautas que avançaram na área da saúde e no judiciário brasileiro. Verifica-se nessas pesquisas quão essencial é a organização da população LGBT+ frente aos assassinatos, ao descaso por suas vidas, ao desconhecimento sobre seus corpos, seus desejos e suas necessidades por políticas públicas adequadas. Estamos convencidos de que não haveria direitos ou conquistas sem a pressão, as audiências, os congressos, as manifestações públicas, as participações políticas, enfim, sem todos os movimentos realizados em prol de suas vidas.
Conquistas importantes para a população LGBT+ vêm ampliando seus direitos na sociedade, como a rejeição da proposta conhecida como “cura gay”. Aprovada em 2013, sob o comando do deputado federal do PSC/SP Marco Feliciano, o projeto permitia aos psicólogos o tratamento com o propósito de curar os homossexuais12. Contudo, a proposta foi rejeitada pelo Conselho Federal de Psicologia e foi alvo de diversas manifestações de protesto em todo o país, considerando a ideia algo retrógrado, e renovação de um pensamento conservador. Em janeiro de 2020, o Supremo Tribunal Federal decidiu manter a Resolução do Conselho Federal de Psicologia nº 01/99, que determina que não cabe a profissionais da área oferecer prática de reversão sexual, popularmente conhecida como “cura gay”. O STF extinguiu a ação popular contra a Resolução, movida por um grupo de psicólogos ligados a grupos religiosos que pediram a anulação de uma decisão tomada pela ministra Cármen Lúcia em abril de 2019, cassando a decisão do juiz federal Waldemar Cláudio de Carvalho no ano de 2017, que permitia a “cura gay”. O Conselho Federal de Psicologia comemorou a decisão do STF, declarando que esta é uma vitória não só da psicologia, mas também da diversidade13.
A autora Regina Jurkewicz (2005) sinaliza algumas mudanças ocorridas recentemente no campo da ciência, recusando-se aceitar a homossexualidade como doença. No mês de fevereiro do ano de 2019, a criminalização da homofobia começou a ser votada no Supremo Tribunal Federal (STF) com votos em sua maioria a favor. A votação, que trata os crimes de homofobia como crimes de racismo, foi encerrada no dia 13 de junho do mesmo ano, com oito votos a favor e três contrários14. Tal resultado representa um grande avanço num país que vem se mostrando cada vez menos seguro à pessoa homossexual, conforme dados apresentados no início deste trabalho. Outra importante decisão ocorreu no dia 09 de abril de 2019, quando a então ministra do STF, Cármen Lúcia, concedeu uma liminar que proíbe a terapia de reversão sexual, popularmente conhecida como “cura gay”. Esta importante liminar corrobora com o entendimento do Conselho Federal de Psicologia que proíbe, desde 1999, psicólogos a oferecerem serviços que proponham o tratamento da homossexualidade, considerando a sexualidade uma doença15.
As entrevistas realizadas não acusaram um reconhecimento de aproximação dos membros da ICC – BH com as lutas e pautas da população LGBT+. Entendem que há uma separação entre santos e perdidos; entre os que se converteram e os que precisam de santificação. Ao contrário do que Natividade (2010) notou em seus estudos na cidade de São Paulo, a ICC – BH não participa de lutas por pautas políticas junto aos governos municipal e/ou estadual em campanhas, programas ou projetos para a população LGBT+. Suas preocupações firmam-se no campo moral, na santificação e no fortalecimento de suas famílias. Natividade (2025, p.07) define de forma clara este posicionamento das igrejas inclusivas, demarcando que no pentecostalismo inclusivo, as percepções estão embebidas nas moralidades do universo evangélico hegemônico
Como supracitado, o campo moral é uma preocupação primordial para os membros da ICC – BH. Ressaltam que a promiscuidade, os bacanais, a prostituição, o poliamor e a traição são todos pecados. Uma entrevistada disse que “três ou mais pessoas, vira orgia”. Um entrevistado disse que há orientação na igreja para que não se trate ninguém como objeto sexual, e que o ideal é manter-se virgem enquanto solteiro. O sexo antes do casamento só possui certa concessão se houver clara intenção de casamento na relação. Estes preceitos corroboram a pesquisa de Natividade (2010) que cita o Código de Condutas para lideranças da Igreja Contemporânea, no qual são vedadas idas a casas de prostituição e saunas gays, bem como adultério, poligamia e traição aos parceiros. Coelho Júnior (2014) também verificou em suas pesquisas a defesa de uma homossexualidade limpa, distante da vida mundana, longe de boates noturnas, práticas promíscuas e da prática da masturbação. A ICC – BH permanece com a missão de resgatar homens e mulheres da perversão sexual, levando-os a uma purificação de suas almas e corpos. Todos os entrevistados afirmam que boates gays não são espaços para serem frequentados por eles, pois drogas, bebidas alcoólicas e promiscuidade estão presentes nestes ambientes. Boates e promiscuidade são consideradas obras de satanás por 20% dos entrevistados. Um deles nos disse que isto não traz dignidade, e que o seu alvo é o casamento, e não estes prazeres passageiros. Outro entrevistado disse ainda que os membros da ICC não precisam frequentar boates gays para encontrarem um parceiro para suas vidas, a conduta indicada é estar na igreja aguardando, pois Deus há de enviar alguém para sua vida.
Ainda no campo moral, todos os entrevistados reconhecem que Deus perdoa, seu amor é infinito, mas 30% afirmaram que o adultério é um pecado grave. Um chegou a dizer que esse seria o único pecado que poderia ser imperdoável. A masturbação e viver como trisal, foram apontados como pecado para a ICC por 20% dos entrevistados, e 30% disseram que a ICC considera o poliamor pecado também. Todos concordam que os relacionamentos que se formam entre membros da ICC devem visar o casamento. Esta foi uma fala comum aos entrevistados. Nota-se aqui um ponto importante quando observamos as defesas dos membros da ICC/BH e as pautas do Movimento LGBT+. Ainda que discursem sobre um “amor livre”, os entendimentos aqui se contrapõem. Amor livre para os entrevistados, é um amor que pode ocorrer entre dois homens ou duas mulheres, trans ou não. Contudo, qualquer outra forma de “amor livre”, como trisal e poliamor são pecados. Natividade (2025), em suas pesquisas no Estado do Rio de Janeiro, encontrou casos em que o trisal até seria “autorizado” pela liderança religiosa, mas que deveria ser vivido sem exposição, de forma discreta. Para o Movimentos LGBT+ não há pecado nestas formas de amor. Não há no Movimento LGBT+ uma luta pelo casamento, como única forma de convivência entre pessoas que se amam. Mesmo as lutas por adoção e casamento, têm finalidades diferentes. Na ICC - BH é o testemunho, a santificação e a construção de um lar que agrade aos olhos de Deus, o mais importante. No Movimento LGBT+, por décadas as lutas visam conquistas legais de direitos constitucionais civis e políticos para os parceiros românticos e filhos.
De forma geral, são os movimentos sociais de gênero/LGBT+ que trazem à tona debates e enfrentamentos que transformam sociedades, colocando-as numa situação de ver-se cobradas a rever seus preconceitos, tão firmemente marcados no campo da moral, da religião e da heteronormatividade. Assim, historicamente os homossexuais começam a se organizar em grupos, movimentos sociais, no intuito de ter garantido o direito de participação social e política, além de reivindicarem também o respeito e o fim de toda forma de marginalização. Natividade (2025, p.15) entende ser possível pensar essas igrejas como “complexos movimentos sociais, como corpos em aliança para alcançar legitimidade e ampliar seus direitos”. Percebe em suas pesquisas que há preocupação com a cidadania, os direitos civis, e o acesso às políticas públicas por parte destas comunidades. Em nossas entrevistas e análise, notamos que a ICC - BH, ainda que não se sinta parte do Movimento LGBT+, é fruto das conquistas alcançadas ao longo das últimas décadas no país.
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
São muitos os desafios existentes no Brasil para a população LGBT+. Num país onde a laicidade e a liberdade religiosa são garantidas na Constituição Federal de 1988, ficam estas pessoas livres para exercerem sua fé. Porém, os membros cada vez mais numerosos das bancadas religiosas no Congresso Brasileiro fortalecem as forças dogmáticas tendencialmente preconceituosas, onde o controle político dos corpos de homens, mulheres e de pessoas LGBT+ no campo da sexualidade se fazem presentes.
Destacamos neste artigo que as Igrejas Cristãs Contemporânea não consideram a homossexualidade um pecado, tomam a união homossexual apenas como mais um dos diversos tipos de famílias existentes16. Os Conselhos Nacionais de medicina e psicologia há décadas se opõem à proposta conhecida como “cura gay”. Aprovado em 2013, sob o comando do deputado federal do PSC/SP Marco Feliciano, um projeto permitia aos psicólogos o tratamento com o propósito de curar os homossexuais17. Porém, a proposta não alcançou as principais vozes nos Conselhos supracitados. O casamento LGBT+ é outra importante realização, que modifica o conceito tradicional de família e de amor. O STF brasileiro atua na defesa dos direitos à cidadania digna para esta população, aprovando importantes decisões políticas e jurídicas.
Estas conquistas supracitadas representam um avanço na luta social dos representantes do movimento LGBT+ no Brasil. Contudo, nossa pesquisa na ICC de BH demonstrou que seus membros não atuam junto ao Movimento LGBT+ no combate à LGBTfobia. Voltam seu olhar ao campo espiritual, oferecendo um trabalho no campo teológico, visando a solidariedade entre seus membros. É visível que a ICC -BH oferece proteção, amparo emocional e um espírito de comunidade sólido e amigável. Não há como negar que todos os entrevistados se sentem amados e importantes. Concordamos com Natividade (2025), quando o autor afirma que os participantes destas igrejas encontram um espaço de pertencimento, identificação e reconstrução. O Brasil é o país que mais assassina pessoas trans e travestis no mundo há 16 anos. Assim, há que se considerar a ICC de Belo Horizonte como um espaço que ampara estas pessoas. Todavia, unem-se apenas a si mesmos. Traçam seus caminhos sem perceber claramente como o Movimento LGBT+, partilha da mesma luta, no combate à LGBTfobia. Razoavelmente reconhecem que são fruto desta luta, mas declaram abertamente que o Movimento LBGT+ está afastado de Deus, e que precisa de salvação espiritual.
Por fim, a ICC de Belo Horizonte pode ser considerada um espaço importante para acolhimento espiritual, emocional, e no fortalecimento de um sentimento de pertencimento importante para algumas pessoas LGBT+. Mas seu olhar sobre o Movimento LGBT+ no Brasil não os leva a se unir às pautas que geram mudanças nas políticas públicas que podem melhorar, e até mesmo salvar suas vidas. O olhar sobre esta importante batalha travada todos os dias por milhares de pessoas LGBT+ neste país, os isola num universo próprio e que, politicamente, poderia ser fortalecido, caso unisse forças ao Movimentos LGBT+ no Brasil. Por fim, a ICC – BH e o Movimento LGBT+ no Brasil não trilham caminhos opostos, e se houvesse uma aproximação, um diálogo, talvez pudessem encontrar formas de construir uma parceria sólida, fortalecendo ainda mais a população LGBT+ em Belo Horizonte, apenas para começar.
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Esta pesquisa é resultado dos estudos no Programa de Estudos Pós-Graduados em Política Social da Universidade Federal Fluminense/RJ – PEPGPS/UFF nos anos de 2025 e 2026. O projeto de pesquisa que antecede a análise dos dados apresentados foi devidamente apreciado e aprovado pelo Comitê de Ética da UFVJM. Todos os procedimentos para a pesquisa respeitaram o constante na Declaração de Helsinki e respeitou as Resoluções do Conselho Nacional de Saúde n. 196, de 10/10/96 e n. 251, de 07/08/97.
1 Graduada em Serviço Social - Universidade Federal de Juiz de Fora. Mestre em Ciência da Religião - Universidade Federal de Juiz de Fora. Doutora em Política Social - Universidade Federal Fluminense. Professora Associada - Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. Currículo lattes: https://lattes.cnpq.br/4715572214827948. Orcid: https://orcid.org/0009-0003-0359-3454
2 Graduado em Ciências Sociais - Universidade Federal do Rio de Janeiro. Mestre em Sociologia e Antropologia - Universidade Federal do Rio de Janeiro. Doutor em Ciências Sociais - Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Professor Titular – Universidade Federal Fluminense. E-mail: brandã[clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. Currículo lattes: http://lattes.cnpq.br/5595235187153920. Orcid: https://orcid.org/0000-0002-9245-0273
3 Citamos ao longo deste trabalho alguns destes relevantes estudos.
4 Jesus (2013) fez uma ampla pesquisa para identificar as primeiras igrejas chamadas de inclusivas no Brasil entre o período de 2003 a 2013 e encontrou as seguintes igrejas: Em 2003 foi fundada a Igreja do Movimento Espiritual Livre, em Curitiba, por Haroldo LêoncioPereira). A Comunidade Cristã Nova Esperança foi fundada em São Paulo, em 2004, por Justino Luiz. No mesmo ano a Igreja Cristã Evangelho para todos foi fundada em São Paulo, em 2004, por Indira Valença. No ano seguinte, em 2005 foi fundada a Comunidade Família Cristã Athos, em Brasília, por Ivaldo Gitirana e Márcia Dias. Em 2006 foi aberta a Comunidade Betel no Rio de Janeiro, liderada por Márcio Retamero. A Igreja Cristã Contemporânea foi fundada no Rio de Janeiro, em 2006, por Marcos Gladstone. O Ministério Nação Ágape ou Igreja da Inclusão foi fundada em Brasília, em 2006, por Patrick Thiago Bomfim. A Igreja Cristã Inclusiva foi fundada em Recife, em 2006, por Ricardo Nascimento. A Igreja Progressista de Cristo foi fundada no Recife, em 2008, por Kleyton Pessoa. A Igreja Renovação Inclusiva para a Salvação - IRIS foi fundada em Goiânia, em 2009, por Edson Santana do Nascimento. A Igreja Amor Incondicional (de origem norte-americana) foi fundada em Campinas, em 2009, por Arthur Pierre. A Igreja Inclusiva Nova Aliança ou MORIAH Comunidade Pentecostal foi fundada em Belo Horizonte, em 2010, por Gregory Rodrigues de Melo Silva. A Igreja Inclusiva do Brasil foi fundada em março de 2012 em Porto Alegre, por Anderson Zambom. Por fim, ela identifica a igreja Evangélica Reviver de Manaus, criada em 2013 a partir da Unção a um jovem Homossexual, ex- pastor da igreja quadrangular.
5 Fonte: Folheto Sorria! Jesus te aceita. Igreja Cristã Contemporânea, s/d (este folheto, de circulação interna, nos foi dado pelo pastor Gilberto, da ICC de BH, em junho de 2025, quando fizemos uma visita à igreja.
6 Site da igreja: WWW.igrejacontemporanea.com.br. Acesso em 23 de março de 2019.
7 As autoras Eva Lakatos e Marina Marconi s (2007) e Mirian Goldenberg (2004) apontam como desvantagens e limites: possíveis dificuldades de comunicação entre entrevistador e entrevistado; possibilidade de o entrevistado ser influenciado por gestos ou tons de voz do entrevistador; tempo longo e cansativo utilizado para a entrevista; risco de se perder a objetividade nas perguntas; possível dificuldade de se comparar as respostas. Elas apontam como vantagens: poder coletar informações de pessoas que não saibam escrever; maior possibilidade de se constatar contradições nas falas; maior flexibilidade nas perguntas e viabilidade de o entrevistador esclarecer dúvidas sobre as perguntas do roteiro; proximidade maior entre entrevistador e entrevistado, o que pode gerar maior confiança e respostas mais aprofundadas.
8 Lakatos e Marconi (2007) cita entrevistas padronizada ou estruturada, despadronizada ou não-estruturada e painel. Minayo (1993) cita sondagem de opinião, entrevista semi-estruturada, entrevista aberta, entrevista não-diretiva e entrevista projetiva. Vergara (2009) cita entrevista fechada, semiaberta, individual e coletiva.
9 Já visitamos e frequentamos por 12 anos diversas igrejas evangélicas, como a Igreja Cristã Maranata, Igreja Universal do Reino de Deus, assim como igrejas históricas e tradicionais como a Batista, Metodista, Presbiteriana e Luterana. Fomos membro batizada por oito anos da Primeira Igreja Batista de Juiz de Fora, trabalhando como Coordenadora do Comitê para o Crescimento Cristão entre os anos de 2000 a 2002, na cidade de Belo Horizonte. Além disso, temos formação teológica, concluindo nosso bacharelado em Teologia no ano de 2000, pelo Seminário Unido /RJ. Toda esta experiência e leitura nos fez conhecer de perto e “por dentro” os cultos, as liturgias e defesas de fé destas igrejas. As bibliografias utilizadas para este artigo também oferecem elementos analíticos para esta compreensão.
10 As principais lutas, bandeiras e defesas LGBT+ podem ser encontradas em diversas produções teóricas. O livro Diversidade, produzido pelo STF no ano de 2020, além de esclarecer sobre políticas públicas e esclarecer conceitos, faz uma importante abordagem sobre as demandas LGBT+. Os Dossiês anuais publicados pela ANTRA a mais de 20 anos são indispensáveis para que se conheça as demandas e violências sofridas pelas pessoas trans. As Conferências Nacionais LGBT+ que ocorrem no país desde o início do Século XX apontam as principais demandas desta população, bem como as diversas paradas LGBT+ que ocorrem a décadas por todo o Brasil. Os congressos internacionais de estudos sobre a diversidade sexual e de gênero realizados pela ABEH seguem na mesma direção. Vários Simpósios, Grupos e estudos e projetos de pesquisa, como o DIVERSO da UFMG, coordenam importantes pesquisas atualizando constantemente as principais pautas LGBT+. Algumas teses e dissertações de mestrado desenvolvidas por pessoas LGBT+ no Brasil vêm denunciando violências, apontando caminhos e também contribuem de forma determinante para compreendermos suas pautas. Como exemplo, citamos a tese de Oliveira (2017), O diabo em forma de gente: (r) existências de gays afeminados, viados e bichas pretas na educação.
11 Destacamos dentre estes estudos BARROS (2020); BARROS (2021); BARROS (2022); BARROS (2023); BARROS (2024); BARROS (2025). As referências completas encontram-se no final deste artigo, nas referências bibliográficas.
12 FALCÃO (2019). A fonte completa consta nas referências bibliográficas.
13 Fonte: PUTTI, (2020). A fonte completa consta nas referências bibliográficas.
14 Fonte: PUTTI (2019). A fonte completa consta nas referências bibliográficas.
15 Fonte: PUTTI. (2019). A fonte completa consta nas referências bibliográficas.
16 NATIVIDADE (2010) A fonte completa consta nas referências bibliográficas.
17 FALCÃO, Flávia F. (2019). A fonte completa consta nas referências bibliográficas