REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/779029223
RESUMO
Esta pesquisa investigou a influência da linguagem virtual na escrita formal de acadêmicos do 2º período de Fisioterapia do Centro Universitário do Espírito Santo (UNESC), em Colatina/ES. O estudo, realizado entre julho e novembro de 2011, utilizou um corpus composto por atividades das aulas de Língua Portuguesa e interações coletadas na rede social Facebook. O objetivo central foi compreender as conexões entre o fluxo informativo dos textos digitais e a transposição desse conteúdo para a norma culta da língua portuguesa. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa aplicada e descritiva, com abordagem pluralista que integrou análises quantitativas e qualitativas. A fundamentação teórica baseou-se em literaturas que discutem o fenômeno do "internetês" e as transformações linguísticas da era digital. Os resultados evidenciaram que o uso da linguagem tecnológica não comprometeu o domínio da variante padrão pelos participantes, demonstrando que os estudantes possuem competência sociolinguística para alternar entre os registros conforme o contexto comunicativo. Conclui-se que, apesar das inovações digitais, os usuários mantêm o discernimento sobre a adequação gramatical. O trabalho oferece contribuições relevantes para um campo ainda pouco explorado, além de apontar limitações e caminhos para futuras investigações científicas sobre a temática.
Palavras-chave: Comunicação e Tecnologia; Linguagem Virtual; Escrita Acadêmica.
ABSTRACT
This research investigated the influence of virtual language on the formal writing of second-period Physiotherapy students at the Centro Universitário do Espírito Santo (UNESC) in Colatina, ES. The study, conducted between July and November 2011, utilized a corpus composed of Portuguese language class activities and interactions collected from the social network Facebook. The central objective was to understand the connections between the information flow of these students' digital texts and the transposition of such content into the standard norm of the Portuguese language. Methodologically, this is an applied and descriptive research with a pluralistic approach, integrating both quantitative and qualitative analyses. The theoretical framework was based on literature discussing the "internetês" phenomenon and linguistic transformations in the digital era. Results showed that the use of technological language did not compromise the participants' mastery of the standard variety, demonstrating that students possess the sociolinguistic competence to switch between registers according to the communicative context. It is concluded that, despite digital innovations, users maintain discernment regarding grammatical adequacy. This work offers relevant contributions to a field that is still under-explored, while also highlighting limitations and suggesting paths for future scientific investigations on the subject.
Keywords: Communication and Technology; Virtual Language; Academic Writing.
1. INTRODUÇÃO
Este trabalho é fruto de uma investigação de mestrado, envolvendo acadêmicos do 2º período de Fisioterapia do Centro Universitário do Espírito Santo (UNESC), em Colatina/ES. A pesquisa centraliza-se na análise dos impactos que a linguagem virtual exerce sobre a escrita padrão dos estudantes participantes.
A onipresença dos ambientes digitais na sociedade contemporânea consolidou o uso do "internetês", uma modalidade comunicativa que permeia diversos espaços de interação social. Compreendendo a linguagem como qualquer forma legítima de expressão, é imperativo reconhecer os escritos digitais como ferramentas comunicativas eficazes, ainda que frequentemente se distanciem das normas gramaticais tradicionais. Diante da crescente adesão aos suportes tecnológicos, torna-se relevante investigar se a escrita desenvolvida nesses meios interfere na produção de textos formais, avaliando a capacidade de adequação linguística dos usuários.
Historicamente, a língua é um organismo vivo e mutável. Negar suas transformações é ignorar sua natureza dinâmica e as adaptações socioculturais ao longo das eras. Como aponta Teixeira (2007, citando Villar), o português expandiu-se drasticamente em vocabulário desde o período medieval até o século XVI, evidenciando que o idioma não é estagnado, mas sensível a novas influências. No contexto atual, essa evolução é impulsionada pela agilidade exigida nos ambientes virtuais, que demanda a simplificação de termos e caracteres para garantir a eficiência comunicativa.
Para mensurar essa possível interferência, a pesquisa baseia-se na análise comparativa entre produções formais e informais. O debate acadêmico sobre o tema divide-se, essencialmente, entre aqueles que veem a linguagem virtual como uma inovação inócua à norma culta e os que a percebem como um elemento prejudicial à internalização das regras gramaticais.
David Crystal (2005) denomina esse fenômeno como netspeak (internetês), caracterizado pela rapidez: supressão de acentos, substituição de letras e o uso de pontuação para expressar emoções. Complementarmente, Othero (2004) atribui essas marcas gráficas à influência da oralidade na escrita online e à busca por vínculos afetivos em ambientes síncronos.
A presente investigação está organizada em seções que articulam a fundamentação teórica à análise empírica. Inicialmente, a Introdução apresenta a contextualização do problema, os objetivos e a justificativa da pesquisa. Segue-se a Seção Teórica, que reúne o levantamento bibliográfico sobre a evolução da escrita e a relação entre educação e tecnologias, focando especificamente na interferência do ambiente digital na norma padrão.
A Seção de Metodologia detalha o percurso investigativo, caracterizando os sujeitos, o cenário do estudo e as técnicas de coleta de dados. Na sequência, a Seção de Resultados e Discussão expõe a análise das produções textuais e das interações colhidas no Facebook, debatendo as ocorrências mais significativas do internetês. Por fim, as Considerações Finais sintetizam as evidências encontradas, seguidas das Referências que fundamentam o suporte científico deste trabalho.
2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
2.1. A Escrita: Do Advento à Evolução dos Suportes
O reconhecimento da escrita como pilar da evolução das sociedades é indiscutível. Historicamente, a humanidade buscou perpetuar mensagens e conquistas, transitando dos registros em paredes de cavernas para meios mais sofisticados de comunicação. Contudo, precisar o momento exato do surgimento da escrita é complexo, dado que diferentes correntes teóricas estabelecem marcos distintos para esse evento.
Conforme o dicionário Houaiss (2001), o vocábulo "escrita" abrange desde o ato de redigir até a representação da fala por signos gráficos e códigos visíveis. Essa multiplicidade de significados reforça que a escrita não é um bloco estático, mas um conjunto de artes e técnicas de expressão que possuem igual valor social e funcional.
Cagliari (2004) segmenta esse desenvolvimento em três fases fundamentais: pictórica, ideográfica e alfabética. A fase pictórica, baseada em desenhos que transmitem ideias, é considerada a raiz de todos os sistemas, inclusive dos modernos. Sobre essa transição do desenho para a comunicação intencional, Pires destaca:
[...] foi através destas imagens que o homem entendeu que podia fazer passar uma mensagem, um pensamento, o seu estado de espírito, etc. Estas pinturas demonstram o valor que os homens da pré-história conferiam às suas criações. O conjunto destes desenhos-escrita, passíveis de serem compreendidos por todos os membros de um mesmo grupo, tomam a designação de pictogramas. (PIRES, 2003, s.p.).
Gelb (1992) sustenta que grandes civilizações, como a suméria e a egípcia, iniciaram seus registros através da pintura, evoluindo gradualmente para formas lineares e geométricas. Mesmo na pré-história, essas imagens não eram meras ilustrações, mas instrumentos de transmissão de pensamento e estados de espírito.
Com o aumento da complexidade social, surgiu a escrita ideográfica. Diferente da pictografia pura, este sistema utiliza ideogramas — símbolos que representam objetos ou conceitos completos, muitas vezes associados a sons específicos (SÉRGIO, 2007). Um exemplo clássico é a escrita cuneiforme dos sumérios que, segundo Higounet (2003), evoluiu para formas mais angulosas e rápidas para atender à necessidade de agilidade na comunicação.
A transição para o sistema alfabético ocorreu quando os símbolos deixaram de representar diretamente o significado (a coisa em si) para representar o som das palavras. Essa mudança permitiu uma redução drástica no número de caracteres necessários. O alfabeto latino, como utilizamos hoje, atingiu sua maturidade por volta do século I a.C., com 23 letras (Higounet, 2003).
É impossível dissociar a evolução da grafia dos seus suportes físicos. Marcuschi (2003) define o suporte como o locus (físico ou virtual) onde o texto se fixa. Das tabuinhas de argila e rolos de papiro ao códice de pergaminho e ao papel, cada suporte moldou a forma de escrever. Atualmente, Soares (2012) aponta a tela do computador como o novo espaço de escrita digital, o que levanta questões sobre novas transformações gráficas.
A análise da Língua Portuguesa exige a compreensão de que nenhuma língua permanece imutável. Possenti (1996) afirma categoricamente que a mudança é a única verdade indiscutível sobre os idiomas. No caso do português, essa mutabilidade é visível no contraste entre as variantes de Brasil e Portugal, frutos de influências históricas e geográficas distintas.
A gênese do português está no latim vulgar, trazido pelos romanos à Península Ibérica no século III a.C. Bechara (2010) esclarece que essa variante era a língua falada pelo povo e pelos soldados, diferenciando-se do latim literário usado pelas classes cultas. Após séculos de evolução e hibridismo com o galego, o português consolidou-se como um idioma independente por volta do século XIII (Teyssier, 1994).
Olavo Bilac, em seu célebre soneto, descreve o português como a "última flor do Lácio, inculta e bela". A metáfora de "esplendor e sepultura" ilustra o nascimento de uma nova língua sobre os restos do latim. Bilac destaca o caráter rude do idioma, moldado por pessoas humildes, mas que carrega a beleza da diversidade.
No Brasil, essa evolução foi ainda mais acentuada pelo contato com línguas indígenas, africanas e de imigrantes. Rodrigues (1982) observa que a unidade linguística brasileira não foi fruto de imposições oficiais, mas de um esforço coletivo e popular.
A modernidade e o advento da informática trouxeram novos vocábulos e dinâmicas, como "deletar" e "becapear", já incorporados aos dicionários contemporâneos. Bagno (2007) reforça que essas mudanças não são aleatórias; elas ocorrem quando novas formas (como "sinto") competem e eventualmente substituem formas arcaicas (como "senço").
Dessa forma, entende-se que a língua é um organismo vivo que se adapta às necessidades de seus falantes. O "internetês" e outras variações digitais são apenas capítulos recentes de uma longa história de transformações que visam, acima de tudo, a eficácia da comunicação humana.
2.2. A Era Digital e a Revolução da Escrita no Ciberespaço
As transformações nos suportes textuais acompanham a necessidade humana de expandir suas fronteiras comunicativas. Historicamente, a materialização dos registros foi o que permitiu o progresso da civilização; sem meios concretos de armazenar descobertas, o conhecimento se perderia. Costa (2009) categoriza essas mudanças como grandes revoluções: primeiro a escrita, seguida pela imprensa, pelo cinema e pela televisão, culminando, na era atual, na consolidação da internet.
Nesse contexto, o ciberespaço torna-se o novo palco de evolução contínua. Marques (1999) observa que a escrita rompe a necessidade de presença física entre os falantes, utilizando suportes que variam de paredes de cavernas ao papel. Expandindo essa lógica, a internet surge como o suporte definitivo que permite a circulação de mensagens em tempo real, garantindo interatividade instantânea.
A gênese da internet remonta a 1969, nos EUA, sob o contexto da Guerra Fria. Conforme explica Silva (2003), o objetivo inicial era garantir que a comunicação entre militares e cientistas resistisse a ataques, interligando centros de pesquisa. A transição para o uso comercial ocorreu apenas em 1987, desencadeando a expansão massiva que observamos hoje.
Atualmente, essa conectividade não se restringe a desktops. A internet migrou para dispositivos móveis — smartphones, tablets e smart TVs — permitindo que o usuário esteja conectado em qualquer lugar. Essa onipresença alterou hábitos profundos: o telegrama, essencial por décadas devido à sua urgência, tornou-se obsoleto, sendo substituído pelo e-mail e por mensagens instantâneas (SMS e aplicativos), que oferecem maior dinamismo.
A mudança no suporte textual inevitavelmente reflete na forma de escrever. A urgência digital resgatou traços da oralidade, gerando uma linguagem mais interativa e rápida. Ironicamente, essa conexão global pode fomentar um certo isolamento físico. Tiba (2005) ressalta que o jovem contemporâneo pode estar fisicamente em seu quarto, mas virtualmente presente em "esquinas e padarias" digitais, enfrentando novos desafios de segurança e convivência.
Do ponto de vista linguístico, a comunicação virtual é regida pela agilidade. Seguindo a "lei do menor esforço" mencionada por Saussure, os usuários buscam economia linguística para otimizar a interação. Turkle (apud NICOLA, 2006) reforça que, no ambiente digital, "palavras são ações": quanto mais concisa a expressão, mais veloz é a execução do sistema.
Existe, historicamente, uma resistência às novas tecnologias de escrita. Freitas (2006) recorda que o próprio Platão criticava a escrita por acreditar que ela enfraqueceria a memória humana, tornando o conhecimento "artificial". Contudo, se a humanidade tivesse se estagnado nessas críticas, não haveria o acúmulo de conhecimento que atravessa séculos. Ong (1998) defende que a escrita não apenas registra, mas reestrutura a consciência humana, permitindo processos de pensamento impossíveis na oralidade pura.
Atualmente, o temor recai sobre o "estilo on-line". Costa (2009) argumenta que as críticas à "decadência da língua" geralmente partem de uma visão estática e preconceituosa da gramática normativa. O que ocorre na rede não é a destruição da norma culta, mas a criação de um novo objeto conceitual.
Os internautas desenvolvem códigos próprios para atender às demandas de um suporte que exige velocidade, adaptando a linguagem sem, necessariamente, abandonar a capacidade de utilizar o padrão culto quando o contexto assim exige.
2.3. Educação e Tecnologia no Século XXI: Desafios e Ressignificações
O cenário educacional contemporâneo atravessa um período de transição profunda, impulsionado pela onipresença das Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs). A inserção de ferramentas digitais no cotidiano escolar não representa apenas uma modernização de equipamentos, mas exige, sobretudo, uma ressignificação das práticas pedagógicas tradicionais. Para que o processo de ensino-aprendizagem seja efetivo e atrativo para as novas gerações, é imperativo que o corpo docente, a gestão e a comunidade escolar mergulhem em uma nova arquitetura de pensamento educacional.
A escola, enquanto instituição social, não pode permanecer alheia às mutações das estruturas familiares e das formas de interação humana. Os estudantes que hoje ocupam as salas de aula são nativos de um mundo altamente informatizado, onde as dinâmicas de lazer e convivência foram drasticamente alteradas. Içami Tiba (2005) já apontava essa mudança de paradigma ao descrever o perfil dos jovens que iniciam sua trajetória escolar precocemente, cercados por telas e vivendo em ambientes cada vez mais controlados e virtuais.
Os adolescentes de hoje começaram a ir para a escola praticamente com 2 anos de idade. Com suas mães trabalhando fora de casa, e os pais trabalhando mais ainda, eles passaram sua infância na escola, com pessoas cuidando deles, num mundo informatizado. As ruas foram trocadas pelos shoppings, a vida passou a ser condominial, e as esquinas das padarias transformaram-se em esquinas virtuais e lojas de conveniência. (Tiba, 2005, p. 36).
Esta "vida condominial" e as "esquinas virtuais" citadas por Tiba refletem a necessidade de a escola converter-se em um espaço de sociabilidade que dialogue com a realidade externa. Segundo Silva (2003), a adoção da internet nas escolas é uma imposição da cibercultura. Não se trata de uma escolha opcional, mas de uma resposta ao novo ecossistema comunicacional que se consolidou no início do século XXI. Ignorar esse avanço significaria, na visão do autor, um erro histórico que resultaria na exclusão digital e cultural dos alunos, privando-os de ferramentas essenciais para a cidadania plena.
Neste novo panorama, o papel do docente sofre uma metamorfose: ele deixa de ser o detentor absoluto da informação para se tornar um arquiteto de percursos de aprendizagem. Embora a internet ofereça um oceano de dados, é o professor quem possui a competência pedagógica para selecionar os meios mais eficazes e éticos.
A transição do texto linear para o hipertexto que oferece múltiplas camadas de informação através de links e mídias integradas — exige que o educador esteja preparado para orientar o aluno em uma leitura não sequencial e crítica.
Moran (1998) ressalta que a internet torna a educação mais flexível e inovadora, mas adverte que isso requer formação contínua. O desafio torna-se ainda mais complexo quando analisamos o abismo geracional presente nas instituições de ensino. O quadro abaixo, adaptado dos estudos de Santos Neto e Santos (2010), ilustra as diferentes percepções tecnológicas coexistentes no ambiente escolar:
Quadro 1 – Síntese das Gerações no Contexto Tecnológico
GERAÇÃO | PERÍODO | CARACTERÍSTICAS PRINCIPAIS |
Baby Boomers | 1946 – 1964 | Valorizam a estabilidade e a hierarquia; a tecnologia é uma ferramenta externa à sua formação original. |
Geração X | 1965 – 1978 | Transição entre o analógico e o digital; adaptaram-se aos meios de massa e ao uso de computadores no trabalho. |
Geração Y | 1979 – 1992 | Marcada pela globalização e pelo início da conectividade constante; possuem facilidade com novas interfaces. |
Geração Z | A partir de 1993 | Nativos digitais; o mundo virtual é intrínseco à sua identidade, comunicação e forma de aprender. |
Fonte: Elaborado com base em Santos Neto; Santos (2010).
A coexistência de professores da geração Baby Boomer com alunos da Geração Z cria um tensionamento pedagógico. Enquanto os primeiros muitas vezes veem a tecnologia como um acessório, os segundos a percebem como uma extensão de seus próprios corpos e mentes. Se a escola não for capaz de harmonizar essas diferenças através de um estímulo tecnológico qualificado, corre-se o risco de aumentar o desinteresse e a evasão escolar, uma vez que o modelo de ensino tradicional pode parecer anacrônico para o jovem hiperconectado.
A resistência ou dificuldade de adaptação não deve ser creditada apenas ao indivíduo, mas à falta de políticas públicas robustas de formação continuada. Libâneo (1998) alerta que, sem as competências necessárias para lidar com o "tempo móvel" da sociedade atual, o professor corre o risco de permanecer como um mero transmissor de informações mecanizadas, falhando na missão de formar cidadãos críticos e criativos.
Historicamente, o Brasil tentou responder a essa demanda por meio de marcos regulatórios, como a LDB nº 9.394/96 e o Plano Nacional de Educação. Esses documentos buscaram dar uma "nova feição" à formação docente, reconhecendo que o profissional da educação precisa estar apto a transitar por diversas áreas e dominar as tecnologias de sua época. No entanto, o desafio vai além do técnico; trata-se de uma mudança de atitude. Conforme Pierre Lévy (2010) sugere, a função do mestre agora é incentivar a "inteligência coletiva", atuando como um animador dos saberes e um gestor de percursos personalizados de aprendizagem.
A relação entre educação e cibercultura é indissociável. Lévy (2010) define o ciberespaço como o novo meio de comunicação que emerge da interconexão mundial de dados, enquanto a cibercultura é o conjunto de práticas e valores que florescem nesse ambiente. No Brasil, o potencial democratizante dessas redes ficou evidente em movimentos sociais recentes, onde a internet serviu como o principal motor de mobilização e conscientização política.
Entretanto, a democratização do acesso não garante, por si só, a qualidade do conhecimento. Schwartz (2000) argumenta pertinentemente que a verdadeira exclusão digital não é apenas a falta de aparelhos, mas a incapacidade de usar essas ferramentas para criar e organizar a "riqueza simbólica". Cabe à escola, portanto, ensinar o aluno a filtrar o oceano de informações, transformando dados brutos em conhecimento sólido.
Em última análise, a escola do século XXI não deve ser definida pelo número de computadores em seus laboratórios, mas pela sua capacidade de se reinventar enquanto espaço de solidariedade e construção coletiva. Como pondera Bergmann (2006), o papel fundamental da instituição continua sendo a preservação dos laços sociais e a articulação de redes de saber que integrem a teoria à prática, utilizando a tecnologia como um meio para alcançar uma educação mais humana, dinâmica e transformadora.
2.4. A Reconfiguração da Linguagem no Meio Digital
A imersão da sociedade no ciberespaço impôs uma transformação inevitável nas formas de comunicação. A rapidez característica das interações digitais exige que a linguagem se adapte a uma nova agilidade, aproximando o texto escrito do dinamismo da fala. Costa (2009) observa que o advento da internet promove uma espécie de "retorno" às estruturas das sociedades orais, uma vez que as mensagens são produzidas, transmitidas e consumidas em tempo real, conectando sujeitos em espaços geográficos distintos através de uma rede de interações constantes.
Nesse contexto, Freitas (2006) destaca que os interlocutores digitais utilizam toda a sua criatividade para suprir a ausência do contato face a face, utilizando convenções escritas que permitem o acesso ao sentido de forma global. O chamado "internetês" surge, portanto, como uma linguagem viva e em constante mutação, que incorpora não apenas palavras, mas uma vasta gama de símbolos e imagens para acompanhar as novas possibilidades tecnológicas.
A grande discussão acadêmica, entretanto, reside na capacidade de adequação linguística. Historicamente, os usuários da língua alternam registros dependendo do ambiente do informal doméstico ao formal corporativo. O desafio contemporâneo é transpor essa competência para o meio digital. Sobre essa questão, há uma dicotomia clara: enquanto alguns veem a escrita teclada como uma evolução funcional, outros a percebem como uma ameaça à gramática tradicional.
Para esclarecer a legitimidade dessa nova forma de expressão, Pereira e Moura (2006, p. 66) argumentam:
No emprego da escrita da Internet, as transgressões à língua padrão são produzidas de forma deliberada, indicando uma opção do usuário por uma forma econômica e ágil de produção textual. Neste sentido, em função do contexto digital em que ocorre e dos efeitos que pretende provocar no seu texto, não seria apropriado vincular a escrita teclada a uma utilização errônea da língua.
Entretanto, vozes dissonantes como Silva (2005) e Martins apud Marconato (2006) alertam para o que chamam de "falência educacional", argumentando que o bombardeio de grafias alternativas pode prejudicar a memória visual de jovens em formação. Nogueira (2007) corrobora essa preocupação ao sugerir que a invenção constante de grafias pode gerar vícios irreversíveis na ortografia.
Contraponto a essa visão pessimista, Marcuschi (2010) analisa o fenômeno sob a ótica do "letramento digital". Para ele, as tecnologias promovem um uso intenso da escrita, tornando a sociedade mais "textualizada". Antes da digitalização, em muitas camadas sociais, o ato de escrever era restrito ao ambiente escolar ou laboral; hoje, a escrita é a base da interação social primária.
Essa evolução exige que a escola e o corpo docente se reconfigurem. Bagno (1999) reforça a necessidade de combater o preconceito linguístico, distinguindo a língua viva da gramática normativa. A função da educação não deve ser a negação da realidade digital, mas a capacitação do aluno para transitar entre os diferentes gêneros e registros. Somente através de uma pedagogia que reconheça a linguagem virtual como uma modalidade legítima — porém situada em contextos específicos — será possível garantir que as novas gerações dominem tanto a agilidade da rede quanto o rigor da norma padrão.
3. METODOLOGIA
3.1. Natureza e Tipo de Investigação
A presente investigação configurou-se como um estudo de caráter descritivo, cujo objetivo central foi detalhar as nuances da linguagem utilizada por estudantes universitários no ambiente digital e analógico. Do ponto de vista de sua finalidade, classifica-se como uma pesquisa aplicada, uma vez que buscou produzir conhecimentos direcionados à resolução de um dilema educacional prático: o impacto do "internetês" na escrita formal acadêmica.
No que tange à abordagem, optou-se pelo pluralismo metodológico. Esta escolha justifica-se pela necessidade de integrar dimensões mensuráveis (quantitativas) e percepções subjetivas (qualitativas). Sobre essa integração, Neves e Domingues (2007, p. 19) argumentam:
Passado o tempo de conflito entre "quantitativos" e "qualitativos", quando a dicotomia era total, hoje, apesar de a paz não ter sido ainda estabelecida em sua plenitude, percebe-se que os dados quantitativos e qualitativos se complementam, pois a realidade tem o poder de fazê-los interagir.
A utilização desta via mista permite que o pesquisador utilize a análise de conteúdo tanto para quantificar a frequência de certas marcas linguísticas quanto para interpretar o discurso e os sentidos produzidos em redes sociais e produções textuais escolares (Biagi, 2009).
3.2. Procedimentos Técnicos e Análise Documental
Foram escolhidos A estratégia principal para a sustentação das hipóteses foi a pesquisa documental. Este método é particularmente valioso por permitir o acesso a dados de forma não intrusiva. Citando Kelly apud Günther (2006), destaca-se que a análise documental minimiza a interferência direta do pesquisador no objeto de estudo, preservando a espontaneidade das interações e comportamentos dos sujeitos pesquisados.
Embora May (2004) ressalte que o uso de documentos exige um rigor metodológico extra dado que "usar documentos" é uma definição ampla que exige clareza no "como" usar, este estudo empenhou-se em validar cada material coletado para que refletissem fielmente os processos comunicativos em análise.
O corpus desta pesquisa foi constituído em duas frentes: (i) Ambiente Acadêmico: Produções textuais elaboradas durante a disciplina de Língua Portuguesa ministrada aos alunos do 2º período de Fisioterapia da UNESC, entre os meses de julho e novembro de 2011; (ii) Ambiente Virtual: Fragmentos de diálogos estabelecidos por eles em redes sociais de interação instantânea.
Durante a coleta, a postura adotada foi a da observação não participante. Conforme Matias-Pereira (2010), a neutralidade é um pilar da busca científica; o investigador deve atuar de forma a permitir que o fenômeno se manifeste sem contaminações externas, garantindo que os dados reflitam a realidade natural do uso da língua.
3.3. Caracterização da População e Amostragem
A definição do grupo de estudo seguiu critérios de intencionalidade, fundamentados nos objetivos da pesquisa. Segundo Gil (2006), o "caso" em uma pesquisa pode ser compreendido como um grupo social ou uma comunidade específica com relações delimitadas. Devido à densidade das interações, a amostragem focou em um grupo representativo da turma, respeitando a premissa de Bogdan e Biklen (1994) de escolher um ambiente suficientemente grande para garantir a diversidade, mas pequeno o bastante para permitir uma análise profunda e minuciosa.
A fim de contextualizar o universo dos sujeitos, foram levantados dados que ajudam a entender a relação desses alunos com a tecnologia:
A pesquisa revelou que a maioria esmagadora dos discentes (67%) encontra-se na faixa entre 17 e 20 anos. Este dado é vital, pois indica que a maior parte da amostra é composta por "nativos digitais", indivíduos que tiveram contato precoce com a rede mundial de computadores. Grupos menores distribuem-se entre 21 e 25 anos (21%), 26 e 30 anos (9%) e 31 a 35 anos (3%).
O grupo é majoritariamente feminino (64%), contra 36% do sexo masculino, perfil comum em cursos da área de saúde na referida instituição.
Um dado relevante é a origem residencial. Cerca de 46% residem em Colatina-ES, enquanto o restante se divide em cidades vizinhas como Itaguaçu, Marilândia e Baixo Guandu. A análise dessa dispersão geográfica é importante para mensurar se o acesso à internet (muitas vezes mais instável no interior) influencia a frequência de uso das redes sociais.
Observou-se que 85% utilizam o serviço Hotmail, seguido pelo Gmail (9%). A diversidade de domínios (R7, Live) e a forma como utilizam essas ferramentas fornecem pistas sobre o nível de letramento digital e o hábito de comunicação escrita formal e informal.
3.4. Técnicas de Coleta, Codificação e Análise dos Dados
A coleta utilizou a observação documental sistemática. Para a organização dos achados, aplicaram-se as técnicas de Unidade de Registro e Unidade de Contexto, conforme sugerido por Lüdke e André (1986). Enquanto a primeira focou na frequência de termos e abreviações (como "vc", "tb", "pq"), a segunda permitiu compreender em que circunstâncias emocionais ou sociais essas marcas apareciam, conferindo profundidade qualitativa ao estudo.
O tratamento dos dados seguiu o fluxo trifásico proposto por Minayo (2002): exploração, trabalho de campo e tratamento analítico. O objetivo foi organizar as informações para que pudessem responder ao problema central da pesquisa. Conforme Gil (1999, p. 168):
A análise tem como objetivo organizar e sumariar os dados de tal forma que possibilitem o fornecimento de respostas ao problema proposto para investigação. Já a interpretação tem como objetivo a procura do sentido mais amplo das respostas.
Nesta fase final, realizou-se o confronto direto entre a produção textual acadêmica e a escrita nas redes sociais. A análise buscou identificar se as variações do "internetês" eram transportadas de forma inconsciente para a norma culta ou se os alunos demonstravam capacidade de adequação situacional. A síntese final integrou a teoria levantada nos capítulos anteriores com a prática observada, permitindo uma generalização dos resultados para o contexto educacional estudado.
4. ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS DADOS
4.1. Produções Textuais Acadêmicas
Para fundamentar a análise dos textos escritos, foram estabelecidas etapas de incentivo e suporte pedagógico durante as aulas de Língua Portuguesa, garantindo que o aluno tivesse domínio do conteúdo antes da fase de redação. O processo foi dividido em quatro momentos motivacionais:
Debate e Estruturação: Iniciou-se com uma sondagem dos conhecimentos prévios sobre o gênero dissertativo-argumentativo, seguida de uma aula expositiva sobre a arquitetura desse tipo de texto.
Leitura e Alteridade: Os alunos selecionaram temas de seu interesse para leitura e discussão em grupo, culminando na primeira produção textual individual.
Leitura de Imagens: Utilizou-se o recurso visual (charges e cartuns) para estimular a interpretação crítica e a produção de textos em dupla.
Resenha Crítica: A partir da leitura de uma obra literária escolhida pelos próprios estudantes, foram elaboradas resenhas coletivas para apresentação à turma.
Adicionalmente, foram analisadas questões dissertativas de avaliações bimestrais, totalizando um corpus diversificado dentro de uma carga horária semanal de 1h30min.
A análise focou na busca por "rastros" do internetês (como abreviações e gírias virtuais) nas redações. Curiosamente, os resultados indicaram que, no contexto formal, os alunos mantêm uma separação nítida entre as linguagens.
Embora tenham sido detectadas falhas estruturais comuns ao ensino superior como o uso inadequado da primeira pessoa, clichês ("hoje em dia", "por todos os lados") e desvios ortográficos ("infelismente", "senço") não houve ocorrência de abreviações típicas da web, como "vc", "tb" ou "pq", nos textos acadêmicos.
Isso sugere que o discente reconhece a escola como um espaço que exige a norma culta. Conforme aponta Teixeira (2007), o domínio dessa norma é um diferencial competitivo essencial para profissionais de áreas como a saúde, e os alunos parecem internalizar essa necessidade ao realizar tarefas avaliativas.
Para observar a linguagem virtual em seu estado puro, a pesquisa monitorou as postagens dos alunos no Facebook. É relevante destacar que 100% da amostra permaneceu ativa na rede durante o estudo. O perfil geracional dos alunos (67% pertencentes à Geração Z e 33% à Geração Y) justifica a naturalidade com que transitam pelo ambiente digital.
A análise revelou que o mesmo indivíduo que escreve de forma padrão em um post afetivo ("Estamos completando mais um ano de namoro..."), utiliza o internetês em comentários rápidos ("Ainda não né vc tem q me ajudar"). Isso demonstra uma plasticidade linguística dependente do interlocutor e da urgência da mensagem.
Diferente da tendência de encurtar palavras, o alongamento de letras é usado para transmitir emoção e entonação, simulando a fala oral (Gutierrez Gonzalez, 2007). Exemplos:
"UUUUUUUUuuuuhhhh, é Campeão... !!!!!!"
"...curti muitooo"
Aqui, a repetição de vogais e sinais de pontuação funciona como um recurso paralinguístico que substitui o tom de voz e o gesto.
A supressão de letras é a marca mais forte do internetês, movida pela "lei do menor esforço" (Saussure, 2006) e pela necessidade de resposta imediata para manter a atenção do outro no fluxo do bate-papo (Werry apud SIlva, 2005).
Os dados confirmam a tese de Gutierrez Gonzalez (2007): a eliminação de vogais e acentos é muito superior à de consoantes. Isso ocorre porque o leitor consegue reconstruir o fonema mentalmente apenas com a base consonantal. Exemplos identificados:
Essa análise inicial reforça que os alunos não estão "desaprendendo" a língua, mas sim adotando um código específico para um ambiente que exige agilidade e interação em tempo real, preservando a norma padrão para os momentos de formalidade acadêmica.
4.2. Fenômenos de Substituição Grafêmica
A troca de caracteres no ambiente virtual é frequentemente motivada pela busca por agilidade e pela similaridade fonética. Um exemplo clássico é o uso da letra "X" para representar o dígrafo "CH", reduzindo dois toques no teclado para apenas um, mantendo a sonoridade original.
Crystal (2005) denomina esse processo como aproximação fonológica, uma estratégia que hibridiza traços da fala com a escrita, simplificando a ortografia em favor do contexto. Essa "lei do menor esforço" permite que o emissor gerencie múltiplos diálogos simultâneos com eficácia.
Exemplos: "axo difícil" (acho); "xamando" (chamando); "xurras" (churrasco); "fikem" (fiquem); "aki" (aqui).
Observou-se que, embora a tendência majoritária seja a supressão total da acentuação, quando o usuário sente a necessidade de marcar a tonicidade ou a nasalização, ele opta pela substituição por letras.
Conforme discutido por Costa (2009), o uso da letra "H" para substituir o acento agudo (ex: "eh", "soh", "tah") é uma herança de teclados sem configuração brasileira e da facilidade motora de digitar uma letra em vez de combinar teclas para o acento. Já a nasalização (til) é frequentemente substituída pela terminação "AUM" ou simplesmente omitida, enquanto a negação "não" aparece por vezes reduzida à forma coloquial "num".
Exemplos: "Botafoguense eh enjuado"; "Soh pra finalizar"; "num sou nao"; "naum fica ligando".
Devido à natureza híbrida do internetês, que busca simular a presença física, os emoticons e as onomatopeias de riso assumem o papel da pontuação tradicional e das expressões faciais. Pereira e Moura (2006) explicam que essas teclas são mobilizadas para conferir dinamismo e carga emocional ao diálogo, suprindo a ausência de parágrafos ou entonação vocal.
Exemplos: "estórias incríveis. - -"; "SHAUSHAUSHAHSAUHSA’"; "Obrigada Debs :D"; "Gostoo demais... ;-)".
Além dos caracteres convencionais, a utilização de ícones representativos de estados de espírito (como "sentindo-se feliz" ou "sentindo-se doente") integra o repertório comunicativo, oferecendo uma síntese visual imediata de sensações complexas.
Um recurso de síntese identificado foi a utilização de símbolos matemáticos em substituição a advérbios de intensidade. No corpus analisado, destaca-se o uso do sinal "+" para substituir a palavra "mais", economizando três toques por ocorrência.
Exemplos: "foi + uma vez bom d+"; "estrelismo d+".
A supressão de keystrokes (toques no teclado) é o motor da maioria das abreviações. A análise do vocábulo "verdade" exemplifica bem esse ganho: a forma padrão exige sete toques, enquanto a forma virtual "vdd" exige apenas três — uma economia de quase 60% do esforço motor. Estratégias semelhantes são aplicadas em "tbm" (também), "vc" (você) e "blz" (beleza).
Por fim, é notável a oscilação de registro: alunos que demonstram domínio da acentuação em textos formais optam por ignorá-la deliberadamente nas redes sociais ("alguem", "noticia", "impar"). Como sugere Amaral (2007), essa "geração net" desenvolveu uma habilidade de escrita intermediária, onde a prioridade não é a correção gramatical, mas a velocidade e a inserção no suporte digital.
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
O objetivo central da pesquisa era analisar as possibilidades de interferência da linguagem virtual na norma padrão. Os resultados demonstraram uma plasticidade linguística notável. Embora os alunos utilizem o "internetês" de forma intensa e criativa em seus perfis no Facebook valendo-se de supressões, substituições de letras e emoticons para conferir agilidade e carga emocional às mensagens —, essa prática não foi transportada para os textos produzidos em sala de aula. Nas produções acadêmicas, os discentes mantiveram o rigor da norma culta, evitando abreviações como "vc", "tb" ou "pq".
A pesquisa confirmou que os participantes, majoritariamente pertencentes às gerações Y e Z, compreendem a funcionalidade de cada código. A escrita teclada é percebida como uma ferramenta de interação social e economia linguística, regida pela lei do menor esforço, enquanto a escrita escolar é reconhecida como uma plataforma de credibilidade profissional. Portanto, o fenômeno observado não é de "decadência da língua", mas de ampliação do repertório comunicativo.
Apesar da ausência de marcas virtuais nos textos formais, a análise revelou dificuldades persistentes na escrita acadêmica, como falhas de coesão, ortografia e estruturação dissertativa. Isso indica que a preocupação educacional deve se deslocar do "combate ao internetês" para o fortalecimento das competências fundamentais de escrita e leitura, que independem do suporte digital.
Este estudo reitera que a escola e os professores não devem ignorar ou demonizar a linguagem virtual. Ao contrário, o "internetês" pode ser um aliado pedagógico se utilizado como objeto de reflexão sobre as variações linguísticas e a importância da adequação ao contexto.
Portanto, o uso da linguagem virtual não compromete, por si só, o domínio da norma padrão, desde que o aluno seja estimulado a reconhecer as fronteiras entre os gêneros textuais. A educação contemporânea exige um olhar atento para o letramento digital, integrando as novas tecnologias como ferramentas de cultura e conhecimento, e não apenas de lazer.
A evolução da língua é um processo histórico e social inexorável. O fenômeno da comunicação mediada por computador representa uma nova modalidade gráfica que soma experiências à vida dos sujeitos.
A tarefa urgente da educação é desmitificar o preconceito linguístico e focar na formação de sujeitos capazes de produzir sentido em qualquer esfera da atividade humana, seja no dinamismo de uma rede social ou no rigor de um prontuário acadêmico.
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1 Mestra em Ciência da Educação. Professora na Prefeitura Municipal de Colatina. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail.
2 Mestra em Ciência da Educação. Professora na Prefeitura Municipal de Colatina. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail.
3 Mestra em Ciência da Educação. Professora na Prefeitura Municipal de Colatina. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail
4 Mestra em Sociologia Política. Professora no Centro Universitário do Espírito Santo UNESC. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail
5 Doutor em Ensino de Matemática. Professor Titular na Faculdade Municipal de Linhares – Faceli. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail.