A EDUCAÇÃO DIGITAL E O COMBATE À DESINFORMAÇÃO ENTRE ADOLESCENTES NAS REDES SOCIAIS DIGITAIS

DIGITAL EDUCATION AND COMBATING DISINFORMATION AMONG ADOLESCENTS ON DIGITAL SOCIAL NETWORKS

REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/790535996

RESUMO
O avanço das Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação (TDICs) transformou as formas de comunicação, interação social e acesso ao conhecimento, ampliando também a circulação de informações falsas e conteúdos desinformativos nas redes sociais. Nesse contexto, o presente estudo teve como objetivo analisar a importância da educação digital no combate à desinformação entre adolescentes, discutindo o papel da escola, das práticas pedagógicas e das competências digitais na formação crítica dos estudantes. Trata-se de uma pesquisa de abordagem qualitativa, desenvolvida por meio de revisão bibliográfica e análise documental, com consulta em livros, artigos científicos e documentos institucionais disponíveis em bases de dados acadêmicas. Os resultados evidenciaram que a desinformação constitui um dos principais desafios da cultura digital contemporânea, especialmente entre os jovens, que utilizam intensamente as redes sociais para comunicação, aprendizagem e acesso à informação. Verificou-se que o letramento digital e midiático, aliado ao desenvolvimento do pensamento crítico, contribui para a identificação de conteúdos falsos, bem como para o uso responsável das tecnologias. Conclui-se que a educação digital desempenha papel fundamental na promoção da cidadania digital, na formação de sujeitos críticos e no enfrentamento da desinformação na sociedade conectada.
Palavras-chave: Educação digital; Desinformação; Redes sociais digitais.

ABSTRACT
The advancement of Digital Information and Communication Technologies (DICTs) has transformed forms of communication, social interaction, and access to knowledge, while also expanding the circulation of false information and disinformation on social media. In this context, this study aimed to analyze the importance of digital education in combating disinformation among adolescents, discussing the role of schools, pedagogical practices, and digital competencies in fostering students' critical thinking. This qualitative study was conducted through a literature review and document analysis, drawing on books, scientific articles, and institutional documents available in academic databases. The results highlighted that disinformation is a major challenge in contemporary digital culture, particularly among young people, who make extensive use of social media for communication, learning, and accessing information. It was found that digital and media literacy, combined with the development of critical thinking, contributes to the identification of false content and the responsible use of technology. The study concludes that digital education plays a fundamental role in promoting digital citizenship, fostering critical thinking, and addressing disinformation in a connected society.
Keywords: Digital education; Disinformation; Digital social networks.

1. INTRODUÇÃO

Nas últimas décadas, o crescimento das Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação (TDICs) mudou as maneiras de interação social, produção do conhecimento e comunicação. Conforme Oliveira (2024), as tecnologias digitais, quando associadas a metodologias inovadoras, contribuem para ampliar a autonomia, a criticidade e a construção do conhecimento no processo de ensino-aprendizagem. No entanto, a velocidade com que os conteúdos circulam no ambiente virtual viabilizou a disseminação de fake news, tornando a desinformação um grande desafio na era digital.

A perspectiva de desenvolvimento da cultura digital, apresentada na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), relaciona as transformações causadas pelas tecnologias digitais na forma como as pessoas vivem, comunicam-se e interagem socioculturalmente. Segundo o relatório Livros Didáticos Digitais pelo Mundo, a cultura digital emerge das transformações proporcionadas pelas tecnologias digitais e pela internet sobre a maneira como as pessoas vivem em sociedade. Assim, a presença das tecnologias no cotidiano dos adolescentes traz à tona a necessidade de promover o desenvolvimento de competências críticas para uso responsável das informações nas redes sociais.

A ligação entre educação e tecnologia exige novas práticas pedagógicas voltadas para o desenvolvimento da cidadania digital. Conforme Santos e Miranda (2024, p. 9), “a pedagogia da educação digital é constituída de três pilares fundamentais: a aprendizagem colaborativa, aprendizagem ativa e a gamificação”. Essas estratégias contribuem para tornar o processo de ensino mais participativo, interativo e alinhado às demandas da sociedade contemporânea, permitindo que os estudantes desenvolvam habilidades de análise crítica, verificação de fatos e cuidado no compartilhamento de informações.

Esta pesquisa busca analisar a importância da educação digital no combate à desinformação entre adolescentes nas redes sociais, considerando o papel da escola e das competências digitais na formação crítica dos estudantes. O estudo relaciona-se ao ODS 4 – Educação de Qualidade, e ao ODS 16 – Paz, Justiça e Instituições Eficazes, ao defender uma formação que favoreça o acesso à informação e o uso crítico e responsável das tecnologias.

A relevância desta pesquisa justifica-se pela crescente influência das redes sociais digitais na formação social e cognitiva dos adolescentes, bem como pelos impactos causados pela circulação acelerada de fake news e desinformação na sociedade contemporânea. Em uma realidade marcada pelo excesso de informações e pela rápida disseminação de conteúdos digitais, discutir educação digital torna-se primordial para fortalecer a cidadania, o pensamento crítico e a construção de uma cultura informacional mais responsável, democrática e segura.

Para alcançar os objetivos propostos, esta pesquisa caracteriza-se como uma investigação qualitativa, desenvolvida por meio de revisão bibliográfica e análise documental. Foram consultados livros, artigos científicos, documentos institucionais e materiais disponíveis em bases de dados acadêmicas, com o propósito de compreender a relação entre educação digital, pensamento crítico e combate à desinformação entre adolescentes nas redes sociais digitais.

2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

O embasamento teórico desta pesquisa apresenta conceitos necessários para compreender as relações entre cultura digital, redes sociais, educação e desinformação. A discussão parte das mudanças provocadas pelas Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação (TDICs) nas formas de interação e circulação de informações, considerando a presença das redes sociais no cotidiano dos adolescentes. Também são abordados o letramento digital e midiático e o papel da educação na formação de estudantes mais críticos diante das informações que acessam e compartilham nos ambientes digitais.

2.1. Cultura Digital e Sociedade em Rede

A ampliação da internet e das redes sociais contribuiu para o surgimento de uma cultura digital caracterizada pela conectividade, pelo compartilhamento instantâneo de informações e pela ampliação dos processos comunicacionais. Nesse cenário, a BNCC estabelece que os alunos devem ser capazes de “compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de informação e comunicação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética” (Brasil, 2018, p. 9), indicando que a formação digital deve ir além do domínio técnico e promover o exercício da cidadania.

A partir desse ponto de vista, Santos e Miranda (2024) afirmam que os meios digitais de transmissão de informações podem ser amplamente utilizados como fonte de pesquisa e apoio ao estudo, cabendo ao educador a responsabilidade de selecionar e validar os conteúdos compartilhados na rede. Tal situação demonstra que as tecnologias digitais influenciam diretamente os processos de construção do conhecimento e de participação social.

As mudanças resultantes das tecnologias digitais têm remodelado as maneiras de comunicar, interagir socialmente e produzir conhecimento, fomentando novas práticas culturais e formas de envolvimento em ambientes digitais interconectados (Oliveira, 2024). A esse respeito, Castells (2013) argumenta que a sociedade contemporânea está estruturada em redes digitais que organizam processos econômicos, culturais, políticos e comunicacionais, caracterizando a chamada sociedade em rede.

No universo digital, as redes sociais assumem papel central na circulação de informações. Conforme Recuero (2024), essas plataformas favorecem a produção e o compartilhamento de conteúdo, potencializando tanto a disseminação do conhecimento quanto a disseminação da desinformação. Todavia, a rapidez da circulação informacional também favorece a propagação de fake news e conteúdos manipulados, tornando fundamental o desenvolvimento de competências críticas para a análise das informações recebidas.

Sob essa perspectiva, a UNESCO (2017) destaca que a aprendizagem mediada por tecnologias digitais é caracterizada pela mobilidade, interatividade e colaboração. Assim, a educação digital assume papel estratégico na formação de cidadãos capazes de utilizar as mídias digitais de forma crítica, ética e responsável.

2.2. Redes Sociais, Adolescência e Formação de Opiniões

As redes sociais digitais consolidaram-se como importantes espaços de interação, comunicação e acesso à informação, especialmente entre adolescentes. O avanço das TDICs modificou as formas de sociabilidade e participação social, permitindo a produção, o compartilhamento e o consumo de conteúdos em grande escala. Nesse contexto, a adolescência representa uma fase particularmente sensível, uma vez que a construção da identidade e das opiniões ocorre simultaneamente à intensa exposição aos ambientes digitais.

O relatório Integridade da Informação (2025) destaca que a transformação digital ampliou o papel da internet como infraestrutura essencial para o acesso à informação, à educação e à participação social. Nesse cenário, as redes sociais exercem forte influência na formação de opiniões e percepções da realidade.

Segundo Recuero (2024), os algoritmos das plataformas digitais favorecem conteúdos com maior potencial de engajamento, influenciando diretamente o que é visto, compartilhado e discutido pelos usuários. Como consequência, a desinformação torna-se um dos principais desafios da sociedade contemporânea, especialmente para os adolescentes, que utilizam as redes sociais como importante fonte de informação e interação.

Diante desse cenário, torna-se fundamental promover o letramento digital e midiático, preparando os estudantes para analisar informações, reconhecer conteúdos manipulados e compreender como eles circulam nas redes. Nesse processo, a educação digital vai além do simples uso de ferramentas tecnológicas, pois envolve a formação para uma atuação crítica, ética e responsável nos ambientes digitais.

Sobre o processo de formação digital, direcionado a uma atuação mais crítica por parte dos usuários, Santos e Miranda (2024) estabelecem uma interligação com as práticas de aprendizagem ativa e colaborativa, capazes de ampliar a participação e a autonomia dos estudantes. Assim, a educação digital contribui para o desenvolvimento do pensamento crítico e da cidadania digital, aspectos fundamentais para o enfrentamento da desinformação.

2.3. Fake News e Desinformação no Ambiente Digital

A disseminação das Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação (TDICs) e das redes sociais alterou os processos de produção, distribuição e consumo de informações. Os debates contemporâneos têm sido fortemente impactados pelas fake news e pela desinformação, que possuem a habilidade de moldar opiniões, comportamentos e decisões coletivas. A rapidez com que as informações circulam no ambiente digital, combinada com o amplo alcance das plataformas online, intensificou tanto o acesso ao conhecimento quanto a propagação de conteúdos falsos e enganosos.

Embora relacionados, os conceitos apresentam diferenças. As fake news correspondem a informações falsas ou enganosas apresentadas como notícias legítimas, enquanto a desinformação refere-se à produção e disseminação intencional de conteúdos falsos com o objetivo de manipular percepções e influenciar comportamentos. Conforme Resende et al. (2020, p. 2), as fake news se apresentam como notícias verdadeiras, enquanto a desinformação possui o propósito deliberado de alterar a percepção da realidade.

Segundo Recuero (2024), a desinformação constitui um fenômeno estrutural das plataformas digitais, favorecido por algoritmos4, dinâmicas de engajamento e redes de interação. Além disso, a facilidade de criação e compartilhamento de conteúdo amplia o alcance das informações falsas. Resende et al. (2020, p. 3) destacam que “a internet deu um alcance e dimensão nunca antes vistos a esse tipo de conteúdo”, enquanto ferramentas automatizadas, como bots5, potencializam sua disseminação.

Além disso, os aspectos cognitivos dos usuários contribuem para esses fatores, pois conteúdos falsos geralmente apelam para emoções e crenças pré-existentes, facilitando sua aceitação e propagação. Como consequência, “as informações falsas têm 70% mais chances de viralizar que as notícias verdadeiras” (Resende et al., 2020, p. 4), o que demonstra o alto potencial de disseminação da desinformação nas mídias sociais digitais, sobretudo.

A desinformação afeta várias áreas da vida social, política e educacional, prejudicando a qualidade do debate público, promovendo a polarização ideológica e afetando processos democráticos, como na esfera política, por exemplo. Resende et al. (2020, p. 5) destacam que a desinformação “atrapalha o debate político e afeta a qualidade das eleições”. Além disso, ela contribui para a propagação de discursos de ódio e para a perda de confiança nas instituições.

No contexto educacional, a grande quantidade de informações disponíveis na internet exige das estudantes habilidades relacionadas à análise crítica e à verificação de fontes. Nesse sentido, Santos (2022, p. 2) afirma que é “cada vez mais complexo descobrir se uma informação é ou não verídica na rede mundial de computadores”. Essa realidade torna-se ainda mais relevante diante do uso intensivo das tecnologias digitais por crianças e adolescentes, que utilizam a internet e as redes sociais como importantes fontes de informação, comunicação e aprendizagem.

Estudos do Cetic.br e do CGI.br demonstram que a internet ocupa papel central nas atividades cotidianas dos jovens brasileiros, ampliando sua exposição a conteúdos cuja confiabilidade nem sempre é fácil de verificar. Diante desse cenário, a TIC Educação destaca a necessidade de formar estudantes capazes de utilizar as tecnologias digitais de maneira crítica, ética e responsável. Essa perspectiva está em consonância com a BNCC, que estabelece como competência fundamental a capacidade de “compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de informação e comunicação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética” (Brasil, 2018, p. 9).

Assim, a educação digital e o letramento midiático constituem estratégias essenciais para o combate à desinformação, cabendo às instituições de ensino promover práticas pedagógicas que desenvolvam a análise crítica das informações e o uso consciente das tecnologias. Dessa forma, o enfrentamento da desinformação depende não apenas de mecanismos tecnológicos de controle, mas também da formação de cidadãos capazes de interpretar criticamente os conteúdos que produzem, compartilham e consomem no ambiente digital.

2.4. Educação Digital, Letramento Midiático e Combate à Desinformação

A educação digital constitui-se como uma estratégia fundamental para a formação de cidadãos capazes de compreender, utilizar e produzir informações de maneira ética, consciente e segura. Mais do que o domínio técnico das tecnologias, envolve o desenvolvimento de competências relacionadas à análise crítica da informação, à participação cidadã e ao uso responsável das mídias digitais.

A BNCC reforça essa perspectiva ao estabelecer a necessidade de que os estudantes sejam capazes de “compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de informação e comunicação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética” (Brasil, 2018, p. 9), evidenciando a importância da integração da cultura digital aos processos educativos. Nesse contexto, Lima (2023) compreende as redes sociais digitais como espaços que favorecem a participação dos usuários e ampliam a circulação dos conteúdos, possibilitando novas formas de acesso e compartilhamento do conhecimento.

O letramento digital compreende os conhecimentos e habilidades necessários para acessar, selecionar, interpretar e produzir informações em ambientes digitais. Segundo Coscarelli e Ribeiro (2011), esse conceito está relacionado às práticas de leitura e escrita mediadas pelas tecnologias digitais, envolvendo não apenas o domínio das ferramentas, mas também a capacidade de utilizar esses recursos de maneira adequada nas diferentes situações sociais. Conforme a UNESCO (2017), as tecnologias ampliam as possibilidades de aprendizagem, mas também exigem dos indivíduos competências para avaliar criticamente as informações às quais estão expostos.

Nesse contexto, a escola desempenha papel fundamental. Santos e Miranda (2024) destacam que os meios digitais podem ser utilizados como recursos de pesquisa e apoio ao ensino, cabendo ao educador selecionar e compartilhar conteúdos confiáveis. Da mesma forma, Carneiro, Figueiredo e Ladeira (2020) ressaltam que o uso das tecnologias digitais favorece a participação ativa dos estudantes e o desenvolvimento de sua autonomia. Além disso, os conteúdos compartilhados nas redes sociais carregam valores e intenções que precisam ser analisados criticamente, reforçando a importância da mediação pedagógica.

Diante desse cenário, a educação digital e o letramento midiático constituem estratégias essenciais para o combate à desinformação. Ao desenvolver habilidades de análise crítica, verificação de fontes e uso ético das tecnologias, a escola contribui para a formação de cidadãos capazes de atuar de forma consciente, responsável e crítica na sociedade digital.

3. METODOLOGIA

Esta pesquisa caracteriza-se como aplicada, com abordagem qualitativa e objetivos exploratórios e descritivos. Segundo Gil (2002, p. 41), as pesquisas exploratórias buscam “proporcionar maior familiaridade com o problema”, enquanto as descritivas permitem a “descrição das características de determinada população ou fenômeno” (Gil, 2002, p. 42). Quanto à natureza aplicada, o estudo busca compreender a desinformação e investigar estratégias que contribuam para reduzir sua propagação, considerando o “desejo de conhecer com vistas a fazer algo de maneira mais eficiente ou eficaz” (Gil, 2002, p. 17). Para isso, são utilizados livros, artigos científicos e documentos institucionais relacionados ao tema.

O processo metodológico foi organizado em fases de pesquisa bibliográfica, escolha e avaliação dos trabalhos científicos. Primeiramente, foram coletados dados em bases e repositórios digitais, como Google Acadêmico, SciELO, CAPES, EduCAPES e UNESCO. Em seguida, foram selecionadas as publicações que apresentavam maior relação com os objetivos da pesquisa. Por último, foram realizadas leituras seletivas e analíticas das produções selecionadas, seguidas pela coleta e interpretação dos dados. As publicações de 2017 a 2026 foram priorizadas devido à relevância atual dos debates sobre desinformação nas redes sociais.

Na coleta de dados, realizou-se a leitura exploratória, seletiva e analítica das obras, organizando as informações em categorias como cultura digital, educação midiática, comportamento adolescente, fake news, cidadania e letramento digital. Este último corresponde às práticas de leitura e escrita mediadas pelas tecnologias. Para Coscarelli e Ribeiro (2011, p. 9), representa uma “ampliação do leque de possibilidades de contato com a escrita em ambientes digitais, tanto para ler quanto para escrever”.

A pesquisa também empregou a análise de documentos da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e de informações educacionais vinculadas às habilidades digitais no ensino básico. De acordo com o relatório Livros Didáticos Digitais pelo Mundo (Instituto Reúna, 2022), “a cultura digital surge das mudanças trazidas pelas tecnologias digitais e pela internet”. Além disso, o documento enfatiza que a competência Cultura Digital abrange a utilização das TDICs de forma “crítica, ética e socialmente responsável”, contribuindo para a formação de cidadãos no ambiente digital.

A partir da análise das fontes selecionadas, buscou-se compreender como a educação digital contribui efetivamente para o desenvolvimento do pensamento crítico dos adolescentes e para o combate à disseminação de informações falsas nas redes sociais digitais.

4. ANÁLISE E DISCUSSÕES DOS DADOS

A análise dos estudos e documentos selecionados evidenciou que a educação digital é essencial para combater a desinformação entre os jovens. A revisão da literatura demonstrou que a expansão das Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação (TDICs) aumentou o acesso à informação, mas também facilitou a disseminação rápida de conteúdos falsos e manipulados. Essa realidade reforça a compreensão da desinformação como um dos principais desafios da cultura digital contemporânea e corrobora as discussões de Recuero (2024), que a caracteriza como um fenômeno estrutural das plataformas digitais, influenciado por algoritmos, redes de interação e mecanismos de engajamento.

De acordo com a TIC Kids Online Brasil (2024), os jovens usam a internet todos os dias para se comunicar, se entreter, aprender e buscar informações, aumentando sua exposição a conteúdos cuja veracidade nem sempre é fácil de identificar. Dessa forma, a vulnerabilidade está ligada não só ao acesso à informação, mas também à habilidade de avaliá-la de forma crítica, destacando a relevância do letramento digital e midiático no contexto escolar.

A análise documental da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) revelou que a formação para o uso crítico e ético das tecnologias digitais já se encontra prevista entre as competências gerais da Educação Básica. O documento estabelece a necessidade de que os estudantes sejam capazes de compreender, utilizar e produzir tecnologias digitais de forma crítica, significativa, reflexiva e ética, evidenciando que a educação digital ultrapassa o domínio instrumental das ferramentas tecnológicas e envolve a construção da cidadania digital.

Outro ponto observado na literatura diz respeito ao papel dos algoritmos e dos sistemas de recomendação das plataformas digitais na propagação da desinformação. De acordo com Recuero (2024) e Resende et al. (2020), conteúdos que provocam emoções fortes, como medo, indignação e surpresa, geralmente recebem mais engajamento e visibilidade, o que facilita a disseminação de informações falsas. Além disso, essas mensagens frequentemente exploram crenças pré-existentes e apelos emocionais, ampliando seu alcance nas redes sociais. Nesse cenário, combater a desinformação não se resume apenas ao controle exercido pelas plataformas, mas também à capacitação dos usuários para que possam identificar conteúdos falsos e detectar táticas de manipulação informacional.

Os resultados da revisão da literatura também mostraram que a escola desempenha um papel fundamental no desenvolvimento do pensamento crítico e da cidadania digital. Santos e Miranda (2024) enfatizam que é responsabilidade do educador escolher, validar e contextualizar informações, auxiliando no desenvolvimento de competências ligadas à análise crítica e à verificação de fontes. Nesse contexto, abordagens como aprendizagem ativa, colaboração e gamificação podem estimular o debate sobre a desinformação e o uso consciente das mídias digitais. Portanto, a educação digital deve ser vista não como um componente isolado, mas como uma habilidade transversal incorporada às diversas áreas do saber.

A análise dos documentos da UNESCO (2017) destaca a relevância da Educação Midiática e Informacional como uma abordagem para aumentar a autonomia das pessoas em relação ao excesso de informações na sociedade atual. A organização apoia o aprimoramento de habilidades ligadas à pesquisa, análise, avaliação crítica e criação de informações, contribuindo para a formação de cidadãos mais informados e engajados nos espaços digitais. Assim, os resultados analisados apontam para a ideia de que o letramento digital e midiático é uma das principais abordagens para minimizar os efeitos da desinformação entre os jovens.

Por fim, as evidências sugerem que a educação digital desempenha papel fundamental no combate à desinformação nas redes sociais, especialmente quando articulada a políticas educacionais, práticas pedagógicas inovadoras e ações voltadas ao desenvolvimento do pensamento crítico. A análise da literatura e dos documentos selecionados evidenciou que a promoção da cidadania digital, do letramento midiático e da capacidade de avaliar informações de forma consciente constitui uma estratégia essencial para reduzir os impactos das fake news e incentivar o uso responsável das tecnologias. Nesse contexto, a escola consolida-se como espaço privilegiado para a formação de sujeitos críticos, autônomos e capazes de atuar de maneira ética e responsável na sociedade digital.

5. CONCLUSÃO

O objetivo deste estudo foi avaliar a relevância da educação digital no enfrentamento da desinformação entre jovens nas mídias sociais, levando em conta o papel da escola, das práticas pedagógicas e das habilidades digitais na formação crítica dos alunos. A partir da revisão da literatura e da análise de documentos realizados verificou-se que a expansão das Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação (TDICs) aumentou consideravelmente o acesso à informação e às oportunidades de aprendizagem. No entanto, também facilitou a propagação rápida de notícias falsas, conteúdos manipulados e discursos desinformativos.

Os resultados, a partir das análises literárias, indicaram que os adolescentes constituem um grupo especialmente vulnerável à desinformação devido ao uso intenso das redes sociais como fonte de informação e interação. Nesse contexto, verificou-se que o acesso à informação, por si só, não garante a construção do conhecimento, tornando indispensável o desenvolvimento de habilidades relacionadas à análise crítica, à verificação de fontes e à interpretação de conteúdo.

A análise da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) demonstrou que a educação digital integra as competências essenciais da Educação Básica, reforçando a necessidade de práticas pedagógicas voltadas ao uso crítico, ético e responsável das tecnologias. Além disso, destacou-se o papel do professor como mediador do processo educativo, contribuindo para o desenvolvimento da autonomia intelectual dos estudantes.

Diante das análises, recomenda-se o fortalecimento de ações de educação digital e midiática nas instituições de ensino, bem como a ampliação da formação continuada dos docentes para atender às demandas da cultura digital contemporânea.

Em suma, a luta contra a desinformação não se baseia apenas em ferramentas tecnológicas de controle ou moderação de conteúdo, mas, acima de tudo, na educação de cidadãos críticos, éticos e conscientes. A educação digital é uma estratégia essencial para desenvolver o pensamento crítico. Por isso, é importante incentivar a cidadania digital e preparar os jovens para se comportarem de maneira responsável na sociedade conectada.

Espera-se que este estudo contribua para ampliar as discussões sobre educação digital e desinformação, incentivando novas pesquisas e práticas educativas que promovam a disseminação de uma cultura informacional mais segura, democrática e responsável.

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1 Bacharel do Curso Superior de Sistemas de Informação, da Faculdade Santíssimo Sacramento, Discente no Mestrado em Modelagem e Simulação de Biossistemas (PPGMSB) da Universidade do Estado da Bahia, Campus 2. (UNEB); E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. ORCID: https://orcid.org/0009-0004-7760-6366

2 Professor de áreas interdisciplinares na Universidade do Estado da Bahia (UNEB) – Graduação em Matemática, Especialização em Educação Matemática (PPGEM). Graduação em Letras, Especialização em Metodologia do Ensino, Mestrado e Doutorado em Letras. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. ORCID: https://orcid.org/0000-0002-0801-2546

3 Professor na Universidade do Estado da Bahia (UNEB) – Graduação em Ciências Contábeis, Especialização em Análise de Sistemas, Mestrado em Contabilidade, Doutorado em Difusão do Conhecimento. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. ORCID: https://orcid.org/0000-0002-9703-835X

4 Algoritmo: [Informática] Conjunto de regras que fornecem uma sequência de operações capazes de resolver um problema específico.

5 Bots: Um 'bot' – abreviatura de robô – é um programa de software que executa tarefas automatizadas, repetitivas e pré-definidas.