REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/776089219
RESUMO
O devido artigo vem tratar sobre as contribuições econômicas nos megaeventos esportivos no espaço escolar, tendo como vivência a sistematização dos conteúdos da Cultura Corporal na formação humana. Na metodologia utilizamos o materialismo histórico-dialético buscando compreender a totalidade. Já nos resultados tivemos índices satisfatórios em relação a compreensão e relevância da economia na elaboração dos megaeventos no campo educacional.
Palavras-chave: Economia. Megaeventos. Esporte.
ABSTRACT
The appropriate article deals with the economic contributions in mega sporting events in the school space, having as an experience the systematization of the contents of Body Culture in human formation. In the methodology we use historical-dialectical materialism seeking to understand the totality. In terms of results, we had satisfactory indices regarding the understanding and relevance of the economy in the preparation of mega-events in the educational field.
Keywords: Economy. Mega events. Sport.
INTRODUÇÃO
O presente estudo trata de uma experiência sobre a contribuição econômica nos megaeventos esportivos no espaço escolar. Aqui tratamos dos Jogos Internos de 2022 enquanto megaevento de uma Escola da Rede Estadual de Alagoas.
O referido trabalho partiu da necessidade de compreender as contribuições da economia no desenvolvimento dos megaeventos, sejam estes de pequeno e/ou grande porte, em prol de que os discentes se apropriem e desfrutem do que a humanidade construiu a partir das relações humanas, e para que os mesmos consigam a emancipação humana de maneira crítica e reflexiva ao compreender a função econômica no esporte.
Antes de adentrarmos nas questões quem envolvem os quesitos econômicos no âmbito esportivo é de suma importância entender o esporte para além dessa dimensão. De acordo com Galatti e Paes (2006), o professor de Educação Física no trato com o fenômeno esporte no ambiente escolar, não deve ater-se apenas aos conteúdos relacionados à técnica e tática das diferentes modalidades, mais que isso, cabe a ele contribuir para a formação de cidadãos. Sendo assim, faz-se necessário entender e analisar o que é possível aproveitar, dentro e fora da escola, deste tipo de competição, para além do alto rendimento.
Dessa maneira, concordamos com o Coletivo de Autores (2012, p.69-70) ao dizer que:
O esporte, como prática social que institucionaliza temas lúdicos da cultura corporal, se projeta numa dimensão complexa de fenômeno que envolve códigos, sentidos e significados da sociedade que o cria e o pratica. Por isso, deve ser analisado nos seus variados aspectos, para determinar a forma em que deve ser abordado pedagogicamente no sentido de esporte ‘da’ escola e não como o esporte ‘na’ escola.
Partindo dessa prática do Esporte devemos elencar que “os megaeventos esportivos, para começar dizendo o óbvio, são as maiores invenções gerada pelo avanço científico e tecnológico, pela ganância econômica e pela sede de poder, durante o século XX” (Santin, 2009, p.332).
Ligada ao avanço tecnológico e científico, temos o desenvolvimento da indústria cultural a partir dos séculos XIX e XX, onde se ampliou a quantidade de bens simbólicos não para ser utilizado apenas como produtos industriais, mas sendo estes mesmos produtos como peças a serem negociadas. Para Mosco (2009), a Economia Política faz uma varredura na situação econômica por meio da indústria cultural, tendo como ponto de partida o modo de produção dos bens necessários à existência humana, o capitalismo, que acarreta no desenvolvimento do esporte uma relação de tempo-espaço no que diz respeito a apropriação dos bens culturais através da mercantilização, espacialização e estruturação.
Neste sentido, o esporte é um fenômeno sociocultural que a cada dia ganha mais visibilidade no Brasil e no mundo. É também, atualmente, um dos temas da cultura corporal e maior presença na Educação Física Escolar. O processo de esportivização da Educação Física Escolar suscita muitos questionamentos e tem fomentado discussões acerca de suas características e influências na formação dos estudantes.
Como hipótese, destacamos que uma das questões frequentemente levantada diz respeito à forte presença da competição no ambiente escolar. A realização de competições esportivas escolares especificamente, reflete a evolução do esporte tanto quanto potencializa discussões. Por um lado existem aqueles que são contra a realização de competições que apenas reproduzem os moldes do esporte de alto rendimento, alegando que estas partem do princípio da exclusão e exaltam ânimos podendo gerar brigas e desafetos. Por outro lado, há aqueles que defendem valores morais e componentes educativos associados às experiências esportivas.
Justificamos esse trabalho partindo do Coletivo de Autores (2012, p.70) ao frisar que:
[...] o esporte subordina-se aos códigos e significados que lhe imprime a sociedade capitalista e, por isso, não pode ser afastado das condições a ela inerentes, especialmente no momento em que se lhe atribuem valores educativos para justificá-lo no currículo escolar. No entanto, as características com que se reveste – exigência de um máximo rendimento atlético, norma de comparação do rendimento que idealiza o princípio de sobrepujar, regulamentação rígida (aceita no nível da competição máxima, as olimpíadas) e racionalização dos meios e técnicas – revelam que o processo educativo por ele provocado reproduz, inevitavelmente, as desigualdades sociais. [...].
Assim, podemos destacar que o esporte como fenômeno social e tema da cultura corporal, tendo como base os megaeventos, precisamos “[...] questionar suas normas, suas condições de adaptação à realidade social e cultural da comunidade que o pratica, cria e recria” (Coletivo de Autores, 2012, p.70).
Com isso, partimos do seguinte problema: Quais as contribuições econômicas em um megaevento esportivo na Escola Estadual Aurino Maciel, visando identificar possibilidades para repensar o ensino das atividades da Cultura Corporal como conteúdo da Educação Física? Já aos objetivos, trazemos o geral: analisar as contribuições econômicas em um megaevento esportivo na Escola Estadual Aurino Maciel, visando identificar possibilidades para repensar o ensino das atividades da Cultura Corporal como conteúdo da Educação Física. Os específicos: estudar as referências acerca das teorias econômicas no esporte e suas implicações para o processo de ensino-aprendizagem; problematizar os impactos que as ausências econômicas trazem para os megaeventos esportivos; fazer com que os discentes construam uma síntese sobre o conhecimento econômico nos megaeventos esportivos.
Fundamentamos o trabalho com base nos pressupostos teórico-metodológicos da Pedagogia Histórico-critica, que prevê como ponto de partida a prática social, a problematização, a instrumentalização, a catarse e o retorno à prática social em outro patamar de conhecimentos e possibilidades de práxis. Sendo a prática social o ponto de partida e o ponto de chegada; a problematização parte das dificuldades que são evidenciadas nas aulas; a instrumentalização está ligada aos instrumentos teóricos e práticos que buscam resolver as problemáticas encontradas nas aulas; a catarse parte da criatividade, onde se efetiva a incorporação dos instrumentos culturais em elementos ativos de transformação social, e por fim, o retorno à prática social que é constituída pela construção do conhecimento sintetizado sobre a realidade (Saviani, 2003).
Com relação aos procedimentos próprios da investigação, referenciamo-nos no Materialismo Histórico-dialético (Andery et al., 2004), que permite, a partir da realidade concreta, sistematizar dados concretos, buscar suas origens históricas, o desenvolvimento do grau atual do modo de vida.
ESPORTE MODERNO COMO MEGAEVENTO
No que abrange o contexto sócio-histórico-cultural do esporte moderno no que diz respeito às suas práticas corporais, é necessário entendermos o que Assis de Oliveira (2001, p.71) vem frisar que “[...] para retraçar a gênese do esporte não interessa uma definição e sim uma compreensão explicativa, um enredo capaz de dizer, não só o que é, mas como foi, como está e o que pode vir a ser”.
Sendo assim, o mesmo destaca duas abordagens/pressupostos que são cruciais para compreendermos a essência do esporte moderno, sendo elas: abordagem historiográfica e sociológica. Na primeira, busca-se a origem das práticas corporais, isto é, através de uma perspectiva linear trazer o resgate histórico; já na segunda, explica o âmbito esportivo por meio de fenômenos culturais, filosóficos e sociais.
Neste sentido, concordamos com Santos (2014, p.562) ao dizer que:
A Economia Política da Comunicação tem como base dos seus estudos sobre as relações de poder e as estruturas de mercado da comunicação social à ubiquidade da mudança social, entendendo que as instituições e relações sociais estão em constante mudança. Com as premissas de pesquisa da Crítica à Economia Política, analisa-se as mudanças sócio-históricas no contexto da produção de bens simbólicos enquanto mercadorias.
O autor ainda destaca que:
O desenvolvimento da Indústria Cultural a partir do século XIX e, principalmente, durante o século XX, ampliou a quantidade de bens simbólicos a não só serem utilizados para a venda de produtos industriais, mas sendo eles próprios apropriados enquanto produtos e/ou programas a serem negociados, seja diretamente com o público ou para se conseguir audiência e esta vir a ser a mercadoria principal intercambiada (Santos, 2014, p.563).
É notório salientar que para assimilarmos as origens do esporte moderno é importante relacioná-lo com o sistema de produção, onde o esporte é regido pelo sistema econômico capitalista. Para isto Assis de Oliveira (2001, p.85) traz:
[...] a tônica dos discursos contra o profissionalismo, a disputa amador x profissional configura-se como consequência da luta pelo acesso e pela prática de esportes, com desdobramentos nas disputas esportivas. [...] a burguesia e a aristocracia querem guardar o esporte apenas para si e a noção e amador serve para este fim, pois apenas os ricos podem dispor de tempo livre para se dedicar à atividade esportiva. [...].
Assim, para explicar como se iniciou o esporte moderno devemos fazer o resgate das sociedades anteriores, nas quais destacamos o período da Antiguidade Greco-Romano, onde a prática esportiva era voltada para os guerreiros, oferendas e tributos aos deuses, e agradecimento pelo ápice agrícola; na Idade Média, o “poder” era dado à nobreza, ao senhor feudal, e a Igreja, enquanto que os camponeses quantos os escravos ficavam a margem da exclusão da vivência das práticas corporais.
No mundo contemporâneo, com o acontecimento da Revolução Industrial na Inglaterra do século XVIII surgiu o “esporte moderno”, em que a educação física e o esporte passaram a ser vistos como sinônimo de saúde, ou seja, devido ao excesso de horas de trabalho quanto à exaustão de trabalhadores nas fábricas, era necessário que os indivíduos possuíssem corpos saudáveis, fortes, disciplinados para aguentarem a longa e intensa jornada de trabalho. Consoante o autor vemos que:
[...] Segundo Bracht (1997b), nas sociedades tradicionais as práticas corporais estão embutidas em instituições como a religiosa e a militar, enquanto, na sociedade moderna, o esporte constitui uma nova instituição, autonomizando-se em relação àquelas. Autonomia que também pode ser entendida de forma relativa, dada a interdependência com diversas outras instituições (Assis de Oliveira, 2001, p.74-75).
Com isso, são formadas duas classes sociais: de um lado a “classe burguesa” e do outro a “classe trabalhadora”, porém, devido à “falta de tempo”, as práticas corporais eram vivenciadas unicamente pela classe dominante, neste caso, a burguesia.
Entretanto, detectamos três pilares do esporte: “[...] a crescente competitividade, a seriedade no modo de envolvimento, e a orientação para os resultados. [...]” (ASSIS DE OLIVEIRA, 2001, p.86).
Como o esporte está vinculado ao modelo socioeconômico, vemos que o Estado atua de forma significativa e ativa nessa administração, em que “[...] as organizações esportivas passam a cumprir funções públicas, nas quais o Estado tem interesses e suas relações com ele parecem ser extremamente estáveis, diferentemente do que ocorre com o setor da economia. [...]” (Assis de Oliveira, 2001, p.89).
METODOLOGIA
O estudo desenvolve aproximações ao Materialismo Histórico-Dialético. Tal método possibilita uma visão crítica para a compreensão do objeto em estudo. A escolha deste se origina da utilização do mesmo como:
[...] hipótese metodológica e marco referencial teórico porque suas categorias e leis, [...] permite uma leitura mais adequada da realidade [...] de um lado, dos nexos internos entre a escola e sociedade, entre a prática pedagógica e projeto histórico e, do outro, do pensamento teórico-científico atual, de suas peculiaridades e aspirações de futuro (CHAVES; Sánchez Gamboa; Taffarel, 2003, p.61).
Assim, compreendendo que este método possibilita a explicação do real, consideramos segundo Andery et al. (2004, p.401), a afirmação de Marx que “o trabalho é à base da sociedade e a característica fundamental do ser humano, é através do trabalho que o homem se faz homem, constrói a sociedade, transforma e faz a história”. A categoria trabalho torna-se essencial, pois, permite-nos explicar o “mundo e a sociedade, o passado e a constituição do homem, como lhe permite antever o futuro e propor uma prática transformadora ao homem, propor-lhe como tarefa construir uma nova sociedade” (Ibidem et al., 2004, p.401). Tal teoria do conhecimento proporciona condições para explicar o real. Desta forma, destacamos que:
A articulação entre os vários níveis supõe um processo compreensivo. As técnicas não podem ser entendidas em si mesmas, sua compreensão está no método. Técnicas e métodos não estão separados. É o processo da pesquisa que qualifica as técnicas e os instrumentos necessários para a elaboração do conhecimento. As opções técnicas dependem dos caminhos a serem percorridos e dos procedimentos a serem desenvolvidos. Nesse sentido, os métodos são mais abrangentes do que as técnicas. As técnicas só têm sentido dentro das abordagens metodológicas. De igual forma, os métodos não têm sentido em si mesmos, a não ser relacionados com as teorias explicativas ou compreensivas do fenômeno pesquisado [...] (Sánchez Gamboa, 2010, p.105-106).
A partir desta lógica compreensiva e progressiva, a superação do reducionismo técnico exige remeter opções dos paradigmas/modelos epistemológicos de pesquisa. Isso significa dizer que a pesquisa exige não apenas opções técnicas, mas fundamentalmente a articulação lógica destas com outros níveis epistemológicos, teórico-metodológicos, que são denominados como abordagem epistemológica de se fazer pesquisa.
Buscamos a descrição da experiência de alunos e professores envolvidos com as contribuições econômicas nos megaeventos nos espaços educacionais, onde as tais atividades foram feitas por meio de questionário, descrevendo suas experiências associadas ao sentido e o significado dos Jogos Escolares interligado aos quesitos da economia. Foram convidados a participar professores de educação física e alunos do ensino fundamental de instituição envolvida. Os relatos sustentaram a discussão teórica fornecendo categorias que serão aprofundadas em diálogo com a literatura existente, sendo que esta pesquisa pode nos auxiliar a compreender um pouco mais sobre a presença do fenômeno esportivo e da competição no ambiente escolar.
RESULTADOS E DISCUSSÕES
A partir do contato direto com o megaevento escolar, pudemos levantar dados, sistematizá-los, compreender e explicar em um grau teórico mais elevado a respeito das contribuições econômicas nos eventos esportivos.
No tocante ao modo de produção capitalista, vemos que o esporte em seu contexto totalitário deve partir de uma produção histórico-cultural. Nota-se que:
[...] o esporte subordina-se aos códigos e significados que lhe imprime a sociedade capitalista e, por isso, não pode ser afastado das condições a ela inerentes, especialmente no momento em que se lhe atribuem valores educativos para justificá-lo no currículo escolar. [...] (Coletivo de Autores, 2012, p.70).
Por outro lado, é de suma importância entender que os pressupostos do esporte dentro dos megaeventos precisam estar interligados com o sistema econômico para que sua realização possa de fato se concretizar. Porém, devemos deixar claro que o principal intuito é promover ensino-aprendizagem no corpo discente, para que assim, os mesmos consigam vivenciar, aprender e interpretar de maneira crítica e humanizada a relevância da economia no âmbito esportivo para elaboração dos megaeventos.
Na organização do campeonato cada professor tornou-se responsável por sua(s) turma(s), desde a leitura do regulamento, até o momento da premiação, que foi feita ao final do campeonato. Então, os professores permaneceram em contato direto com a(s) turma(s) em que leciona(m), tornando-se parte daquela(s) instituição(ões), em papéis que se alternavam entre professor, técnico e motivador. Constatou-se que a relação entre os professores e estudantes se dava por meio da relativização, buscando assim, levar os alunos a apropriação dos conteúdos dos esportes e entender a estrutura dos megaeventos relacionado a economia e sua importância no âmbito da Educação Física Escolar.
Durante a entrevista com os professores responsáveis foram debatidos a importância da relação professor-aluno e suas influências futuras. O objetivo central do campeonato consiste na aprendizagem dos megaeventos esportivos. Foi debatido que houve melhorias na interação entre professores e alunos, e também no rendimento pedagógico.
Essa constatação vai ao encontro com o que Rogers (1983) defende sobre a relação professor-aluno e suas possibilidades, onde alega que a facilitação da aprendizagem significativa se baseia na qualidade das atitudes que existem no relacionamento professor aluno e sua interação.
O Coletivo de Autores (2012, p.70) diz que:
Para o programa de esporte se apresenta a exigência de ‘desmitificá-lo’ através da oferta, na escola, do conhecimento que permita aos alunos criticá-lo dentro de um determinado contexto socioeconômico-político-cultural. Esse conhecimento deve promover, também, a compreensão de que a prática esportiva deve ter o significado de valores e normas que assegurem o direito à prática do esporte.
Este programa esporte deve abarcar desde o princípio suas características básicas, isto é, partindo dos jogos que abrangem regras implícitas até aqueles institucionalizados por regras específicas, sendo importante que seu ensino não seja direcionado apenas aos gestos técnicos, mas sim, a sua totalidade.
Para Bordenave e Pereira (1977), o ensino torna-se mais eficaz quando o professor conhece sua natureza das diferenças entre os alunos. Durante uma competição no qual o aluno está sujeito a diversas emoções e podendo compartilhá-las com o professor que o acompanha acontece uma troca, onde o professor consegue conhecer um pouco mais sobre o aluno como ser social e suas emoções, sendo assim ele poderá usar tais conhecimentos sobre o aluno para auxílio em sua regência. Também ficou evidenciado o sério envolvimento dos estudantes no evento, o que tem como consequência a reivindicação que querem participar dos Jogos Escolares no ano seguinte.
Outro fator a ser considerado são que os professores entrevistados revelaram também que o índice de notas abaixo da média dos alunos diminuiu de maneira considerável em relação ao período que antecedeu o campeonato, além de criarem uma maior identificação com a escola, estabeleceram laços de união entre as turmas, aumentaram a responsabilidade com as obrigações escolares e houve um maior respeito e compromisso entre o próprio corpo docente da instituição.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Podemos concluir que a formulação dos megaeventos tendo como base as contribuições econômicas para o desenvolvimento dos megaeventos dentro do esporte, deixando claro que o modo de produção tem como proposta extinguir e excluir o acesso da classe trabalhadora a este meio de produção cultural que foi elaborada e sistematizada pela humanidade ao longo do processo histórico. A ideia central defendida é a de que a escola pode, ao invés de reproduzir as práticas de esporte hegemônico, produzir uma cultura escolar de esporte, estabelecendo uma relação de tensão permanente. Para chegar à emancipação crítica do esporte é de extrema necessidade partir de Políticas Públicas e Políticas Democráticas de práticas esportivas que possam agir na “transformação social” como ponto de partida e de chegada.
As práticas observadas desde a construção do campeonato até o fim do ano letivo mostram que os megaeventos podem, de maneira estruturada, facilitar e promover a relação professor-aluno, alcançando melhorias pedagógicas no desempenho do aluno que participa. Um aspecto que não pode ser esquecido pela dificuldade em identificar e classificar os possíveis benefícios com objetividade e subjetividade. Trata-se do fato de que os megaeventos esportivos têm a capacidade de mobilizar milhões de pessoas em todos os países, independentemente de cultura, idade, ideologia ou nível social.
Esta imensa potencialidade mobilizadora se deve a dois fatores. Primeiro, porque o esporte é visto como um fator positivo de sociabilidade, de saúde e de proteção a desvios de conduta, como a drogadição, ainda que crenças abaladas pelos fatos. Segundo, porque há a possibilidade de participação universal segundo as condições pessoais: participante, torcedor e telespectador. E por fim, deve ser considerado que o esporte é um fenômeno social envolvente, dinâmico, sedutor, apaixonante, que quando bem conduzido pode produzir aproximação entre os atores envolvidos, no qual prevalece o respeito, a compreensão, o companheirismo e apropriação do conhecimento.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ANDERY, M. A. et al. Para compreender a ciência: uma perspectiva histórica. Rio de Janeiro: Garamond; São Paulo: EDUC, 2004.
ASSIS DE OLIVEIRA, S. Rolando a Bola... Realidades e Possibilidades do Esporte. In:______. A Reinvenção do Esporte: Possibilidades da Prática Pedagógica. Campinas, SP: Autores Associados, chancela editorial CBCE, 2001. – (Coleção Educação Física e Esporte), pp. 71-194.
BORDENAVE, J. D.; PEREIRA, A. M. Estratégias de ensino-aprendizagem. 3. ed. Petrópolis, Vozes, 1977.
CHAVES, M., SÁNCHEZ GAMBOA, S.; TAFFAREL, C. N. Z. (Orgs.). Prática Pedagógica e Produção do Conhecimento em Educação Física & Esporte e Lazer. Linha de Estudo e Pesquisa em Educação Física & Esporte e Lazer [LEPEL/UFAL/UFBA]. Maceió: Edufal, 2003.
COLETIVO DE AUTORES. Metodologia do Ensino de Educação Física. 2 ed. São Paulo, SP: Cortez, 2012.
GALATTI, L. R.; PAES, R. R. Fundamentos da pedagogia do esporte no cenário escolar. Revista Movimento e Percepção, Espírito Santo do Pinhal, SP, v. 6, n. 9, jul/dez, 2006.
MOSCO, V. La Economía Política de la Comunicación. Barcelona: Bosch, 2009.
ROGERS, C. R. O Relacionamento Interpessoal na Facilitação da Aprendizagem. In: Liberdade para Aprender. 2 ed. Belo Horizonte, Interlivros, 1983. pp.103-28.
SÁNCHEZ GAMBOA, S. A. Epistemologia da Educação Física: as inter-relações necessárias. 2º ed. Maceió: EDUFAL, 2010.
SANTOS, A. D. G. dos. Os três pontos de entrada da economia política no futebol. Rev. Bras. Ciênc. Esporte, Florianópolis, v. 36, n. 2, p. 561-575, abril/junho 2014.
SANTIN, S. Megaeventos Esportivos no Brasil: benefícios – contradições. Motrivivência. Ano XXI, Nº 32/33, pp.332-334. Jun-Dez./2009.
SAVIANI, D. Escola e democracia. Campinas-SP: Autores Associados, 2003.
1 Mestre pelo Programa de Pós-Graduação em Ensino e Formação de Professores da Universidade Federal de Alagoas (Campus Arapiraca) em 2024. Graduado em Educação Física (Bacharelado) pela Faculdade de Ensino Regional Alternativa - FERA em 2021. Pós-graduado em Metodologia do Ensino da Educação Física Escolar pela Faculdade de Ensino Regional Alternativa - FERA em 2016. Graduado em Educação Física (Licenciatura) pela Universidade Federal de Alagoas (Campus Arapiraca) em 2016. É servidor público no município de Major Izidoro - AL na função de professor de Educação Física desde 2021. Atua como docente na Secretaria de Estado da Educação de Alagoas desde 2018, sendo que a partir de 2022 leciona como servidor público efetivo. Ensinou no curso de Educação Física pela Faculdade de Filosofia, Ciência e Letras de Boa Esperança - FAFIBE 2017-2019. Atuou como docente de Educação Física na Secretaria Municipal de Educação e Esporte em Arapiraca - AL em 2016 e de 2018-2019. É integrante da Linha de Estudo e Pesquisa em Educação Física, Esporte Lazer - LEPEL (UFAL/Campus Arapiraca) desde 2012.