A ATUAÇÃO DO FARMACÊUTICO NO CUIDADO MEDICAMENTOSO E NA PROMOÇÃO DO BEM-ESTAR MENTAL DE PACIENTES ONCOLÓGICOS: UMA REVISÃO INTEGRATIVA

THE ROLE OF THE PHARMACIST IN MEDICATION CARE AND PROMOTING THE MENTAL WELL-BEING OF CANCER PATIENTS: AN INTEGRATIVE REVIEW

REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/781065893

RESUMO
Objetivou-se analisar as evidências científicas acerca das contribuições da assistência farmacêutica para o cuidado medicamentoso e o bem-estar mental de pacientes oncológicos. Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, realizada por meio de buscas nas bases de dados PubMed/MEDLINE, SciELO, Biblioteca Virtual em Saúde e Google Acadêmico, contemplando publicações nos idiomas português, inglês e espanhol, publicadas entre os anos de 2021 e 2026. Após a aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, foram selecionados 18 artigos para compor a amostra final da pesquisa. Os resultados demonstraram que a atuação do farmacêutico exerce papel relevante no contexto da assistência oncológica, especialmente no acompanhamento farmacoterapêutico, na prevenção de interações medicamentosas, no monitoramento de reações adversas e na promoção do uso seguro e racional dos medicamentos. Observou-se também que ações voltadas à educação em saúde, orientação terapêutica e acompanhamento contínuo contribuem para o fortalecimento da adesão ao tratamento e para a redução de fatores emocionais associados ao processo de adoecimento, como ansiedade, insegurança e sofrimento psicológico. Além disso, a participação do farmacêutico em equipes multiprofissionais favorece a integralidade da assistência, sobretudo em serviços de cuidados paliativos e atenção domiciliar, ampliando as possibilidades de um cuidado mais humanizado e centrado nas necessidades dos pacientes. Conclui-se que a assistência farmacêutica constitui um componente fundamental para a qualificação do cuidado oncológico, contribuindo para melhores resultados terapêuticos, maior segurança medicamentosa e promoção do bem-estar mental, reforçando a necessidade de ampliação das práticas clínicas farmacêuticas nos diferentes níveis de atenção à saúde.
Palavras-chave: Atenção farmacêutica; Bem-estar mental; Cuidado medicamentoso; Oncologia; Paciente oncológico.

ABSTRACT
This study aimed to analyze the scientific evidence regarding the contributions of pharmaceutical care to medication management and the mental well-being of oncology patients. This is an integrative literature review conducted through searches in the PubMed/MEDLINE, SciELO, Virtual Health Library, and Google Scholar databases, including publications in Portuguese, English, and Spanish published between 2021 and 2026. After applying the inclusion and exclusion criteria, 18 articles were selected to compose the final sample. The findings demonstrated that pharmacists play a relevant role in oncology care, particularly in pharmacotherapeutic follow-up, prevention of drug interactions, monitoring of adverse reactions, and promotion of the safe and rational use of medications. The results also showed that health education, therapeutic guidance, and continuous patient monitoring contribute to strengthening treatment adherence and reducing emotional factors associated with illness, such as anxiety, insecurity, and psychological distress. Furthermore, the participation of pharmacists in multidisciplinary teams enhances comprehensive healthcare delivery, especially in palliative care and home care services, promoting more humanized and patient-centered care. It is concluded that pharmaceutical care is a fundamental component in improving the quality of oncology care, contributing to better therapeutic outcomes, greater medication safety, and the promotion of mental well-being, reinforcing the need to expand clinical pharmaceutical practices across different levels of healthcare.
Keywords: Mental well-being; Medication management; Oncology; Oncology patient; Pharmaceutical care.

INTRODUÇÃO

O câncer configura-se como um dos maiores desafios contemporâneos para a saúde pública mundial, sendo responsável por elevadas taxas de morbimortalidade e por expressivos impactos sociais, econômicos e assistenciais. As estimativas internacionais indicam um crescimento contínuo da incidência da doença nas próximas décadas, impulsionado principalmente pelo envelhecimento populacional, pelas mudanças nos estilos de vida e pela maior exposição a fatores ambientais associados ao desenvolvimento de neoplasias (OMS, 2023).

Nesse cenário, projeções apresentadas por Bisson (2025) destacam que o câncer continuará representando uma das principais causas de adoecimento e morte em nível global, demandando o fortalecimento das estratégias de prevenção, diagnóstico precoce e assistência integral.

A complexidade inerente ao tratamento oncológico exige uma abordagem multiprofissional capaz de contemplar não apenas o controle da doença, mas também as necessidades físicas, emocionais e sociais dos pacientes. Nesse contexto, a assistência à pessoa com câncer envolve a atuação integrada de diferentes profissionais de saúde, incluindo médicos, enfermeiros, psicólogos, nutricionistas e farmacêuticos, visando garantir um cuidado centrado no paciente e fundamentado nos princípios da integralidade da atenção (Mendes; Silveira; Galvão, 2019). Além disso, a utilização frequente de medicamentos de alta toxicidade, associada a regimes terapêuticos complexos e prolongados, requer monitoramento contínuo para minimizar riscos e otimizar os resultados clínicos (Souza et al., 2022).

Dentre os profissionais inseridos nesse processo assistencial, o farmacêutico tem assumido papel cada vez mais relevante na oncologia. Sua atuação envolve atividades relacionadas ao acompanhamento farmacoterapêutico, à identificação e prevenção de interações medicamentosas, ao monitoramento de reações adversas e à promoção do uso seguro e racional dos medicamentos, contribuindo diretamente para a segurança do paciente e para a efetividade do tratamento (Gomes et al., 2023).

Paralelamente, o desenvolvimento da prática clínica farmacêutica ampliou significativamente as possibilidades de atuação desse profissional, que passou a participar ativamente das decisões terapêuticas e do cuidado direto aos pacientes, especialmente em ambientes de alta complexidade assistencial (Bisson, 2025).

Além dos desafios relacionados ao manejo farmacológico, o diagnóstico e o tratamento do câncer frequentemente produzem repercussões significativas na saúde mental dos pacientes. Sentimentos como medo, ansiedade, insegurança, sofrimento emocional e sintomas depressivos são frequentemente observados ao longo da trajetória terapêutica e podem comprometer a adesão ao tratamento e a qualidade de vida (Gomes et al., 2023). Dessa forma, torna-se indispensável que as ações desenvolvidas pelas equipes de saúde transcendam os aspectos estritamente técnicos da assistência, incorporando estratégias voltadas ao acolhimento, à comunicação terapêutica e ao suporte emocional.

Nesse contexto, a atenção farmacêutica tem se destacado como importante ferramenta para o fortalecimento da adesão terapêutica e para a promoção do cuidado humanizado. Por meio da educação em saúde, da orientação individualizada e do acompanhamento contínuo, o farmacêutico contribui para ampliar a compreensão dos pacientes acerca de seus tratamentos, favorecendo o uso correto dos medicamentos e reduzindo fatores que podem comprometer a continuidade da terapia (Lima; Carvalho; Moraes, 2021).

As intervenções farmacêuticas sistematizadas estão associadas à redução de eventos adversos, ao melhor controle sintomático e ao fortalecimento do vínculo entre profissional e paciente, repercutindo positivamente nos desfechos clínicos e psicossociais (Santos; Souza; Lima, 2021; Oliveira et al., 2022).

A relevância dessa atuação também se estende à sustentabilidade dos sistemas de saúde. O acompanhamento farmacoterapêutico contínuo e a racionalização do uso de medicamentos podem contribuir para a redução de internações evitáveis, retratamentos e complicações decorrentes de falhas terapêuticas, promovendo maior eficiência na utilização dos recursos disponíveis (Pereira; Silva; Gonçalves, 2020). Somam-se a essas contribuições as ações educativas direcionadas a familiares e cuidadores, que auxiliam no armazenamento, administração e descarte adequado dos medicamentos, fortalecendo a segurança do tratamento e a adesão terapêutica (Costa et al., 2023).

A escassez de especialistas em diversas regiões tem ampliado a importância da atuação dos farmacêuticos no acompanhamento ambulatorial, no monitoramento farmacoterapêutico e no suporte às equipes assistenciais, contribuindo para ampliar o acesso ao cuidado e melhorar a resolutividade dos serviços de saúde (Bisson, 2025). Nessa perspectiva, os cuidados farmacêuticos apresentam potencial para promover a melhoria da qualidade de vida dos pacientes por meio da prevenção de agravos, da redução de sintomas e do favorecimento de melhores resultados terapêuticos (Carvalho, 2025).

Diante desse contexto, observa-se a necessidade de compreender de forma mais aprofundada como a atuação do farmacêutico influencia o cuidado medicamentoso e o bem-estar mental de pacientes oncológicos. Embora a literatura reconheça a importância desse profissional na segurança e na efetividade terapêutica, ainda se faz necessária a sistematização das evidências disponíveis acerca de suas contribuições para a adesão ao tratamento, a prevenção de eventos adversos e a promoção da qualidade de vida.

Assim, o presente estudo tem como objetivo analisar, por meio de uma revisão integrativa da literatura, o papel do farmacêutico no cuidado medicamentoso e no bem-estar mental de pacientes oncológicos.

METODOLOGIA

O presente estudo caracterizou-se como uma revisão integrativa da literatura, método amplamente utilizado na área da saúde por possibilitar a síntese e a análise de conhecimentos produzidos por diferentes delineamentos metodológicos, permitindo uma compreensão abrangente do fenômeno investigado e fornecendo subsídios para a prática profissional baseada em evidências. A condução da pesquisa ocorreu de acordo com as etapas metodológicas da revisão integrativa, compreendendo a definição do tema, elaboração da questão norteadora, estabelecimento dos critérios de inclusão e exclusão, busca e seleção dos estudos, extração e análise dos dados e apresentação dos resultados.

A escolha pela pesquisa bibliográfica fundamentou-se na importância da análise crítica da produção científica para a compreensão do estágio atual do conhecimento acerca da temática investigada, permitindo identificar tendências, contribuições e lacunas presentes na literatura. Além disso, considera-se que o processo de pesquisa científica apresenta caráter dinâmico, podendo demandar ajustes e reavaliações ao longo de sua execução, tanto na etapa de coleta quanto na análise e interpretação dos dados, visando maior rigor metodológico e consistência dos resultados.

A questão norteadora da pesquisa foi definida como: “Qual é a atuação do farmacêutico no cuidado medicamentoso e no bem-estar mental de pacientes oncológicos?”. Para a sua elaboração, utilizou-se a estratégia PICO, considerando como população os pacientes oncológicos; como intervenção a atuação do farmacêutico no cuidado medicamentoso, incluindo acompanhamento farmacoterapêutico, educação em saúde, prevenção de eventos adversos e suporte psicossocial; como comparação a ausência ou menor inserção da atenção farmacêutica no cuidado oncológico, quando aplicável; e como desfechos a adesão terapêutica, a segurança medicamentosa, o bem-estar mental e a qualidade de vida. A utilização dessa estratégia permitiu delimitar o escopo da investigação e orientar de forma sistemática a construção da estratégia de busca e a análise dos resultados.

As buscas foram realizadas nas bases de dados Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), Scientific Electronic Library Online (SciELO), PubMed/MEDLINE e Google Acadêmico, contemplando publicações divulgadas entre os anos de 2021 e 2026. Para o levantamento dos estudos foram utilizados os descritores “Atenção Farmacêutica”, “Oncologia”, “Cuidado Medicamentoso”, “Saúde Mental” e “Paciente Oncológico”, bem como seus correspondentes na língua inglesa, combinados por meio dos operadores booleanos AND e OR, de modo a ampliar a sensibilidade e a especificidade da busca.

Foram incluídos artigos científicos originais disponíveis na íntegra, publicados nos idiomas português, inglês ou espanhol, que abordassem a atuação do farmacêutico no cuidado medicamentoso e/ou no suporte ao bem-estar mental de pacientes oncológicos em diferentes contextos assistenciais. Foram excluídos relatos de caso, editoriais, cartas ao editor, dissertações, teses, estudos duplicados e publicações que não apresentavam relação direta com os objetivos da pesquisa.

O processo de seleção dos estudos foi realizado de forma sistematizada e organizado em quatro etapas: identificação, seleção, elegibilidade e inclusão. Inicialmente, foram reunidos todos os estudos localizados nas bases de dados consultadas. Em seguida, procedeu-se à leitura dos títulos e resumos para exclusão das publicações que não atendiam aos critérios estabelecidos. Posteriormente, os estudos potencialmente relevantes foram submetidos à leitura na íntegra para verificação da elegibilidade e adequação ao escopo da pesquisa. Ao final desse processo, os artigos que atenderam integralmente aos critérios definidos compuseram a amostra final da revisão.

Os dados dos estudos selecionados foram extraídos e organizados em um instrumento estruturado contendo informações referentes aos autores, ano de publicação, objetivo, delineamento metodológico, intervenções farmacêuticas desenvolvidas e principais resultados encontrados.

A análise ocorreu de forma descritiva e analítica, possibilitando o agrupamento dos estudos por temáticas relacionadas às diferentes dimensões da atuação farmacêutica no contexto oncológico, incluindo o manejo farmacoterapêutico, a educação em saúde, a prevenção de eventos adversos e a promoção do bem-estar mental. A interpretação dos resultados considerou a relevância das evidências encontradas, a consistência metodológica das pesquisas e suas contribuições para o fortalecimento da assistência farmacêutica, buscando identificar convergências, particularidades e lacunas na produção científica acerca do tema investigado.

Figura 1 - Fluxograma referente aos critérios de seleção dos artigos para análise.

Fonte: Elaborado pelos autores (2025).

RESULTADOS E DISCUSSÃO

A aplicação da estratégia metodológica definida para esta revisão integrativa possibilitou a identificação inicial de 906 registros nas bases de dados PubMed, SciELO, Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) e Google Acadêmico, a partir da combinação dos descritores relacionados à atenção farmacêutica, oncologia, cuidado medicamentoso, saúde mental e paciente oncológico. Esse quantitativo demonstra a relevância da temática no contexto da assistência em saúde e evidencia a necessidade de um processo rigoroso de seleção para garantir a inclusão de estudos alinhados aos objetivos propostos nesta investigação.

Conforme apresentado no Fluxograma 1, após a etapa de identificação e triagem dos estudos, foram excluídas 888 publicações por apresentarem duplicidade, inadequação temática, indisponibilidade do texto completo ou por não contemplarem a atuação do farmacêutico no cuidado ao paciente oncológico. No Google Acadêmico, dos 286 registros localizados, 5 estudos atenderam aos critérios de elegibilidade e foram incluídos na revisão. Na SciELO, foram selecionados 4 artigos dentre os 82 inicialmente identificados. Na Biblioteca Virtual em Saúde, dos 415 registros encontrados, 5 estudos compuseram a amostra final, enquanto na PubMed foram incluídos 4 artigos dentre os 123 estudos identificados. Ao término do processo de seleção, 18 publicações atenderam integralmente aos critérios estabelecidos e foram incluídas para análise.

Os estudos selecionados foram sistematizados no Quadro 1, que apresenta informações referentes aos autores, ano de publicação, objetivos, delineamento metodológico e principais resultados encontrados. Essa organização permitiu uma visualização integrada da produção científica analisada, favorecendo a identificação das principais contribuições da assistência farmacêutica no contexto oncológico e subsidiando a construção das categorias temáticas discutidas neste estudo.

A análise das publicações revelou que a atuação do farmacêutico junto aos pacientes oncológicos concentra-se principalmente em ações relacionadas ao acompanhamento farmacoterapêutico, ao uso seguro e racional dos medicamentos, à educação em saúde, à prevenção de eventos adversos e ao fortalecimento da adesão ao tratamento. Apesar das diferenças metodológicas e dos distintos cenários assistenciais abordados pelas pesquisas, observou-se consenso quanto à importância desse profissional para a qualificação do cuidado e para a promoção da segurança do paciente.

Os resultados sintetizados no Quadro 1 demonstram ainda que a inserção do farmacêutico nas equipes multiprofissionais contribui não apenas para a melhoria dos desfechos clínicos, mas também para aspectos relacionados ao bem-estar mental e à qualidade de vida dos pacientes. Entre os benefícios identificados destacam-se a redução da ansiedade associada ao tratamento, o aumento da compreensão sobre a farmacoterapia, o fortalecimento do vínculo profissional-paciente e o incentivo à adesão terapêutica. A partir dessas evidências, os estudos foram agrupados em categorias temáticas que possibilitam uma análise crítica e aprofundada das contribuições da assistência farmacêutica no cuidado integral ao paciente oncológico.

Quadro 1 - Caracterização e sistematização dos estudos incluídos na revisão integrativa sobre a atuação do farmacêutico no cuidado medicamentoso e bem-estar mental de pacientes oncológicos.

Autor/Ano

Metodologia/Percurso metodológico

Intervenções farmacêuticas descritas

Principais resultados

1

Rocha et al. (2025)

Pesquisa descritiva de abordagem qualitativa desenvolvida no contexto da assistência domiciliar do SUS, baseada na análise das práticas multiprofissionais voltadas ao acompanhamento de pacientes oncológicos em tratamento contínuo.

Orientação farmacêutica domiciliar, acompanhamento terapêutico e educação em saúde.

A presença do farmacêutico no ambiente domiciliar favoreceu maior segurança no uso dos medicamentos, redução de falhas na administração da terapia e melhor manejo de efeitos adversos. Os pacientes apresentaram maior compreensão do tratamento e os cuidadores relataram maior segurança na condução dos cuidados diários.

2

Silva e Neto (2024)

Estudo descritivo realizado em serviço de dispensação de medicamentos oncológicos, com avaliação das orientações farmacêuticas fornecidas aos pacientes durante o processo de atendimento.

Dispensação qualificada, orientação sobre uso racional dos medicamentos e adesão terapêutica.

Os resultados demonstraram redução de dúvidas relacionadas ao tratamento, maior compreensão acerca da farmacoterapia e fortalecimento da adesão terapêutica. Observou-se ainda aumento da confiança dos pacientes na equipe de saúde e diminuição de erros relacionados ao uso dos medicamentos.

3

Feitosa, Jesus e Lima (2025)

Análise crítica da produção científica nacional e internacional acerca da inserção do farmacêutico na assistência ao paciente oncológico e suas contribuições para o cuidado integral.

Acompanhamento farmacoterapêutico, educação em saúde e prevenção de eventos adversos.

As evidências apontaram que a atuação farmacêutica contribui para a integralidade da assistência, promovendo maior segurança medicamentosa, fortalecimento da adesão ao tratamento e suporte emocional capaz de reduzir ansiedade e insegurança durante a terapia antineoplásica.

4

França et al. (2024)

Pesquisa observacional conduzida com pacientes em cuidados paliativos oncológicos, avaliando o impacto da atuação clínica farmacêutica na continuidade do tratamento.

Monitoramento da farmacoterapia, manejo de sintomas e comunicação terapêutica.

Foi observada melhora significativa na adesão aos esquemas terapêuticos, maior controle dos sintomas relacionados à doença e redução do sofrimento emocional. A intervenção farmacêutica favoreceu ainda maior conforto e qualidade de vida aos pacientes em fase avançada da doença.

5

Mendes, Santana e Andrade (2025)

Estudo fundamentado na análise de publicações voltadas à assistência farmacêutica em cuidados paliativos e sua influência sobre a qualidade de vida de pacientes oncológicos.

Atenção farmacêutica integrada, manejo da dor e suporte ao paciente.

Os achados demonstraram que o acompanhamento farmacêutico favorece melhor controle da dor, redução de efeitos adversos e fortalecimento do cuidado humanizado, contribuindo para o conforto físico e emocional dos pacientes.

6

Ferreira et al. (2022)

Pesquisa descritiva desenvolvida em ambiente hospitalar, direcionada à avaliação das ações farmacêuticas no acompanhamento de pacientes submetidos à terapia oncológica.

Orientação medicamentosa, prevenção de interações medicamentosas e monitoramento de eventos adversos.

Verificou-se redução de problemas relacionados aos medicamentos, maior segurança terapêutica e melhor adesão ao tratamento. A atuação farmacêutica também contribuiu para a diminuição da ansiedade relacionada ao uso de terapias complexas.

7

Leão et al. (2021)

Relato de experiência realizado em ambulatório oncológico, descrevendo a inserção do farmacêutico clínico no acompanhamento de pacientes em tratamento antineoplásico.

Revisão de prescrições, acompanhamento clínico e educação em saúde.

A participação farmacêutica possibilitou identificação precoce de problemas relacionados aos medicamentos, redução de eventos adversos e melhoria da satisfação dos pacientes com o cuidado recebido.

8

Wiese e Gonçalves (2023)

Levantamento e análise de estudos relacionados à assistência farmacêutica em cuidados paliativos oncológicos e seus impactos sobre o cuidado integral.

Atenção farmacêutica contínua, suporte emocional e manejo de sintomas.

Os resultados evidenciaram melhora da adesão terapêutica, redução do sofrimento associado ao tratamento e fortalecimento do cuidado centrado no paciente, especialmente em situações de terminalidade.

9

Souza (2021)

Estudo descritivo voltado à análise da participação do farmacêutico como integrante da equipe multidisciplinar de oncologia.

Integração multiprofissional e acompanhamento farmacoterapêutico.

A atuação conjunta entre farmacêuticos e demais profissionais favoreceu maior resolutividade clínica, melhor comunicação entre equipe e pacientes e ampliação da segurança no tratamento medicamentoso.

10

Ramos et al. (2025)

Estudo transversal realizado com pacientes em tratamento oncológico para avaliação dos fatores associados à qualidade de vida.

Avaliação de fatores clínicos e psicossociais relacionados ao tratamento.

Os pacientes acompanhados por equipes com participação farmacêutica apresentaram melhores indicadores de qualidade de vida, maior adesão terapêutica e menor impacto emocional decorrente do tratamento.

11

Souza et al. (2024)

Pesquisa qualitativa desenvolvida por meio da análise das experiências vivenciadas por pacientes oncológicos durante o tratamento.

Educação em saúde e suporte psicossocial.

Foi constatado que o acompanhamento profissional contínuo favorece o enfrentamento da doença, reduz sentimentos de ansiedade e fortalece a autonomia dos pacientes no gerenciamento da terapia.

12

Dutra et al. (2022)

Estudo observacional voltado à identificação e monitoramento das reações adversas associadas à quimioterapia.

Farmacovigilância e monitoramento de reações adversas.

Os autores identificaram elevada frequência de eventos adversos potencialmente evitáveis, reforçando a importância do farmacêutico na detecção precoce, prevenção de complicações e adequação das terapias medicamentosas.

13

Soares et al. (2023)

Pesquisa aplicada destinada ao desenvolvimento e validação de tecnologia educativa para pacientes em tratamento oncológico.

Cartilha educativa e acompanhamento farmacêutico.

A tecnologia educativa ampliou o conhecimento dos pacientes sobre a terapia, favoreceu o autocuidado, melhorou o controle da dor e contribuiu para o aumento da adesão ao tratamento.

14

Silva et al. (2023)

Estudo descritivo sobre a implementação da atenção farmacêutica em serviços especializados de oncologia.

Atenção farmacêutica sistematizada.

Foram observadas reduções significativas de problemas relacionados aos medicamentos, melhoria na segurança terapêutica e fortalecimento das práticas de cuidado humanizado.

15

Cardoso e Marquez (2023)

Investigação da produção científica relacionada à assistência farmacêutica em oncologia pediátrica, com foco na segurança medicamentosa.

Orientação a cuidadores e promoção da segurança medicamentosa.

As evidências demonstraram diminuição de erros na administração dos medicamentos, fortalecimento do cuidado familiar e melhora da adesão terapêutica entre pacientes pediátricos.

16

Guimarães, Silva e Araújo (2023)

Estudo teórico-reflexivo fundamentado em discussões sobre ética, acolhimento e humanização na assistência oncológica.

Comunicação terapêutica e práticas de humanização.

O estudo destacou que relações terapêuticas pautadas no acolhimento e na empatia contribuem para redução do sofrimento emocional, fortalecimento do vínculo profissional-paciente e maior adesão ao tratamento.

17

Ferreira et al. (2024)

Análise da literatura científica sobre desafios relacionados ao manejo farmacoterapêutico de pacientes oncológicos em diferentes contextos assistenciais.

Atenção farmacêutica e gestão da farmacoterapia.

Os resultados evidenciaram que o farmacêutico desempenha papel fundamental na prevenção de problemas relacionados aos medicamentos, no monitoramento terapêutico e na promoção do cuidado integral ao paciente oncológico.

18

Nogueira et al. (2025)

Pesquisa descritiva realizada em ambiente hospitalar para avaliação da participação do farmacêutico no manejo da dor oncológica.

Manejo farmacológico da dor e monitoramento terapêutico.

Os achados demonstraram melhora significativa no controle da dor, redução do sofrimento emocional, maior adesão às terapias prescritas e impacto positivo sobre a qualidade de vida dos pacientes.

Fonte: Elaboração dos autores (2025).

A análise dos 18 estudos incluídos nesta revisão integrativa permitiu identificar a relevância da atuação do farmacêutico no cuidado medicamentoso e no bem-estar mental de pacientes oncológicos, confirmando o papel estratégico desse profissional na promoção de um cuidado integral, seguro e humanizado. A distribuição dos estudos possibilitou a organização da discussão em temas correlatos que refletem as principais dimensões da prática farmacêutica no contexto oncológico, em consonância com os objetivos propostos.

Atuação do Farmacêutico no Manejo Seguro e Racional da Farmacoterapia Oncológica

O manejo da farmacoterapia constitui uma das principais frentes de atuação do farmacêutico no cuidado ao paciente oncológico. Considerando a elevada complexidade dos esquemas terapêuticos, frequentemente caracterizados pelo uso de medicamentos de alta toxicidade, polimedicação e terapias prolongadas, a presença do farmacêutico mostrou-se fundamental para a prevenção de problemas relacionados a medicamentos, como interações, reações adversas e erros de dosagem (Ferreira et al., 2022; Dutra et al., 2022).

Nesse sentido, o acompanhamento farmacoterapêutico sistematizado contribui significativamente para a segurança do paciente, reduzindo a incidência de eventos adversos e favorecendo a adequação dos esquemas terapêuticos às condições clínicas individuais (Silva; Neto, 2024; Nogueira et al., 2025). Dutra et al. (2022) destacaram a elevada frequência de reações adversas evitáveis em pacientes submetidos à quimioterapia, reforçando a importância da farmacovigilância ativa como estratégia essencial para a mitigação de riscos e para a melhoria dos desfechos clínicos.

Em contextos ambulatoriais e hospitalares demonstraram que a revisão de prescrições, a avaliação contínua da farmacoterapia e a atuação conjunta com a equipe multiprofissional promovem maior resolutividade clínica e fortalecem a segurança do cuidado oncológico (Leão et al., 2021; Souza, 2021). A necessidade de ampliar a inserção do farmacêutico nos serviços de oncologia, especialmente em ambientes onde o risco de eventos adversos é elevado.

Educação em Saúde e Adesão Terapêutica no Tratamento Oncológico

O papel do farmacêutico na educação em saúde e na promoção da adesão terapêutica, e a não adesão ao tratamento oncológico representa um dos principais desafios para o sucesso terapêutico, estando associada à complexidade dos regimes medicamentosos, à presença de efeitos colaterais e à dificuldade de compreensão das orientações clínicas (Santos; Souza; Lima, 2021).

A dispensação qualificada, aliada a orientações farmacêuticas individualizadas, favorece a compreensão do regime terapêutico, reduz dúvidas e inseguranças e fortalece o vínculo entre paciente e profissional de saúde (Silva; Neto, 2024; Silva et al., 2023). França et al. (2024) observaram que, em pacientes oncológicos em cuidados paliativos, a atuação clínica do farmacêutico esteve diretamente relacionada ao aumento da adesão terapêutica e à melhoria do controle dos sintomas, evidenciando o impacto positivo desse profissional mesmo em fases avançadas da doença.

Adicionalmente, estratégias educativas, como o desenvolvimento de tecnologias em saúde, mostraram-se eficazes para o fortalecimento do autocuidado e da autonomia do paciente. O estudo de Soares et al. (2023) demonstrou que a utilização de uma cartilha educativa para acompanhamento farmacêutico no controle da dor contribuiu para maior adesão ao tratamento, melhor manejo dos sintomas e redução do sofrimento associado à doença. A relevância da educação em saúde como eixo estruturante da atenção farmacêutica no contexto oncológico.

Contribuições do Farmacêutico para o Bem-estar Mental e Qualidade de Vida do Paciente Oncológico

A atuação do farmacêutico extrapola os aspectos técnicos da farmacoterapia, assumindo papel relevante na promoção do bem-estar mental e da qualidade de vida dos pacientes oncológicos. O diagnóstico e o tratamento do câncer estão frequentemente associados a sentimentos de medo, ansiedade, sofrimento emocional e alterações psicossociais que impactam negativamente a vivência do processo terapêutico (Souza et al., 2024; Ramos et al., 2025).

Nesse quadro, a comunicação terapêutica, a escuta qualificada e o acolhimento promovidos pelo farmacêutico contribuem para a redução da ansiedade e para o fortalecimento do enfrentamento da doença (Guimarães; Silva; Araújo, 2023). Estudos voltados à assistência domiciliar e aos cuidados paliativos apontaram que a presença do farmacêutico favorece o cuidado humanizado, proporcionando maior conforto emocional tanto ao paciente quanto aos familiares e cuidadores (Rocha et al., 2025; Wiese; Gonçalves, 2023).

Ramos et al. (2025) destacam que intervenções farmacêuticas estão associadas a melhores indicadores de qualidade de vida em pacientes em tratamento oncológico, especialmente quando integradas a ações multiprofissionais. De forma semelhante, Souza et al. (2024) inferem que o suporte profissional contínuo contribui para a diminuição do sofrimento psicológico e para a promoção de maior equilíbrio emocional ao longo do tratamento.

Atuação do Farmacêutico em Cuidados Paliativos e Contextos Específicos da Oncologia

A atuação do farmacêutico em cuidados paliativos emergiu como uma dimensão relevante nos estudos analisados, especialmente no que se refere ao manejo da dor, ao controle de sintomas e ao suporte emocional. Mendes, Santana e Andrade (2025) e Nogueira et al. (2025) destacaram que o farmacêutico desempenha papel central na gestão da dor oncológica, contribuindo para o uso racional de analgésicos, a prevenção de efeitos adversos e a melhoria da qualidade de vida em fases avançadas da doença.

A oncologia pediátrica ressaltou a importância da assistência farmacêutica na orientação aos cuidadores, na segurança da administração medicamentosa e na redução de erros, promovendo maior adesão terapêutica e cuidado centrado na criança (Cardoso; Marquez, 2023). A versatilidade da atuação farmacêutica em diferentes contextos da oncologia, reforçando sua relevância ao longo de todo o continuum do cuidado.

De forma geral, a atuação do farmacêutico no cuidado oncológico contribui de maneira significativa para a segurança medicamentosa, a adesão ao tratamento, a promoção do bem-estar mental e a melhoria da qualidade de vida dos pacientes. Contudo, também foram identificadas nequices na literatura, especialmente no que se refere à padronização das intervenções farmacêuticas e à mensuração de desfechos psicossociais.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A presente revisão integrativa permitiu compreender a relevância da atuação do farmacêutico no cuidado medicamentoso e na promoção do bem-estar mental de pacientes oncológicos. A análise dos estudos evidenciou que esse profissional desempenha papel fundamental na otimização da farmacoterapia, contribuindo para a prevenção de interações medicamentosas, identificação de reações adversas, redução de erros de medicação e fortalecimento da segurança do paciente. Além disso, verificou-se que a atenção farmacêutica favorece a adesão terapêutica e amplia a compreensão dos pacientes acerca do tratamento, aspectos essenciais para a obtenção de melhores desfechos clínicos.

Os resultados também demonstraram que a atuação farmacêutica ultrapassa a dimensão técnica do medicamento, assumindo papel relevante no suporte emocional e no cuidado humanizado. A educação em saúde, a comunicação terapêutica e o acompanhamento contínuo mostraram-se estratégias capazes de reduzir sentimentos de ansiedade, insegurança e sofrimento frequentemente associados ao diagnóstico e ao tratamento do câncer. Nesse sentido, a inserção do farmacêutico em equipes multiprofissionais fortalece a integralidade da assistência, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida e para um cuidado mais centrado nas necessidades biopsicossociais dos pacientes.

Conclui-se que o objetivo proposto foi alcançado, uma vez que foi possível identificar e analisar as principais contribuições da assistência farmacêutica no contexto oncológico. Apesar dos avanços observados, os estudos apontam a necessidade de ampliação das práticas clínicas farmacêuticas e do fortalecimento da participação desse profissional nos diferentes níveis de atenção à saúde. Recomenda-se a realização de novas pesquisas, especialmente estudos clínicos e de acompanhamento longitudinal, que possam aprofundar a compreensão dos impactos da atuação farmacêutica sobre os desfechos terapêuticos, emocionais e sociais dos pacientes oncológicos.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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1 Discente do Curso de Farmácia da FACSUR. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

2 Docente do Curso de Farmácia da FACSUR. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail