A ABORDAGEM DO TRÁGICO E DO MACABRO NA LITERATURA INFANTIL: UMA INVESTIGAÇÃO A PARTIR DA PERCEPÇÃO DE PROFESSORES DA EDUCAÇÃO INFANTIL

ADDRESSING THE TRAGIC AND THE MACABRE IN CHILDREN'S LITERATURE: AN INVESTIGATION BASED ON THE PERCEPTIONS OF EARLY CHILDHOOD EDUCATORS

REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/787285459

RESUMO
Este artigo analisa a abordagem de contos de fadas com elementos trágicos e macabros no processo de ensino-aprendizagem. Tem como objetivo principal investigar de que forma os professores da educação infantil lidam com a compreensão dos aspectos presentes nos contos na educação infantil. Os contos escolhidos para análise foram: Branca de neve e João e Maria dos irmãos Grimm, e O pequeno polegar do escritor Charles Perrault. A metodologia adotada é de natureza qualitativa, desenvolvida por um questionário aplicado para professores da educação infantil. A fundamentação teórica baseia-se em autores da área da educação e da psicologia infantil que debatem sobre o papel do imaginário e o medo no desenvolvimento da criança. Os resultados indicam que a utilização dos contos de fadas em sala de aula como recurso pedagógico pode contribuir para o desenvolvimento da criança, desde que seja realizado com a mediação correta. Dessa forma os elementos trágicos e macabros contribuem para o desenvolvimento emocional, auxiliando as crianças a entenderem seus sentimentos e compreender situações simbólicas. Conclui-se que os contos de fadas podem ser utilizados como recurso pedagógico, desde que seja realizada com mediação e intencionalidade nas atividades educacionais.
Palavras-chave: Contos de Fadas; Trágico e Macabro; Desenvolvimento.

ABSTRACT
This article analyzes the approach of using fairy tales with tragic and macabre elements in the teaching-learning process. Its main objective is to investigate how early childhood education teachers deal with the understanding of aspects present in fairy tales in early childhood education. The fairy tales chosen for analysis were: Snow White and Hansel and Gretel by the Brothers Grimm and Little Thumb by Charles Perrault. The methodology adopted is qualitative in nature, developed through a questionnaire applied to early childhood education teachers. The theoretical foundation is based on authors in the fields of education and child psychology who discuss the role of imagination and fear in child development. The results indicate that the use of fairy tales in the classroom as a pedagogical resource can contribute to child development, provided it is done with the correct mediation. In this way, tragic and macabre elements contribute to emotional development, helping children understand their feelings and comprehend symbolic situations. It can be concluded that fairy tales can be used as a pedagogical resource, provided that there is mediation and intentionality in educational activities. 
Keywords: Fairy Tales; Tragic and Macabre; Development.

1. INTRODUÇÃO

Os contos infantis clássicos existem há séculos, mas, originalmente, esses contos não eram destinados apenas para crianças. Segundo Von Franz (2002, p. 18) os contos de fada, antes de serem adaptados para o público infantil, eram parte da tradição popular, que circulava entre os adultos das classes mais baixas: “Antigamente, até mais ou menos o século XVII, os contos de fada não eram destinados apenas às crianças [...]”. Ao longo do tempo essas histórias foram adaptadas para atender ao público infantil, mas, ainda nos dias atuais há aspectos sombrios em algumas narrativas.

A princípio, esses contos podem parecer inadequados ao público infantil por conter alguns aspectos macabros presentes em algumas histórias, como o abandono, medo, violência e até morte. Apesar disso, essas narrativas ainda são usadas no contexto escolar, como recurso pedagógico, pois contribuem para a estimulação e desenvolvimento da criança, como a imaginação, a linguagem, a empatia, o entretenimento e a formação de personalidade infantil.

O problema abordado nesta pesquisa é analisar sobre como os professores trabalham os aspectos macabros na sala de aula e como as crianças reagem a esse tipo de história.

Esta pesquisa tem como objetivo geral investigar de que forma os professores da educação infantil lidam com a compreensão dos aspectos trágicos e macabros dos contos infantis. Com esse intuito, estabelece os objetivos específicos: analisar os elementos macabros presentes nos contos: Branca de Neve, João e Maria e O Pequeno Polegar, identificar estratégias pedagógicas utilizadas por professores para abordar esses contos em sala de aula, compreender as percepções e reações das crianças diante essas histórias e para finalizar apresentar os resultados obtidos na pesquisa.

A metodologia utilizada é de natureza qualitativa, utilizando a aplicação de questionários com professores da educação infantil. A escolha dessa metodologia permite uma melhor compreensão das práticas pedagógicas e das percepções dos professores diante do uso desses contos de fadas.

A presente pesquisa torna-se relevante para refletir sobre o papel dos contos de fadas que contém aspectos macabros e sombrios nas práticas pedagógicas. Busca-se compreender como os professores apresentam, como as crianças reagem e como podem ou não contribuir para o desenvolvimento da criança. A pesquisa pode contribuir para a formação de professores, oferecendo material de estudo para que possam utilizar os contos clássicos de maneira pedagogicamente eficaz.

2. ORIGEM DOS CONTOS DE FADA

Na infância os contos de fada estão presentes com muita frequência, e mesmo na vida adulta ainda é comum o contato com essas histórias, pois é algo que já está inserido em nossa cultura. Os contos de fada surgiram há milhares de anos, a origem dessas histórias está ligada às experiências da humanidade ao longo do tempo.

Não sabemos exatamente quando os contos de fada se originaram nas culturas orais milhares de anos atrás, mas sabemos que foram histórias metafóricas que surgiram a partir das experiências humanas básicas e continham informações vitais que fortaleciam os elos comuns das pessoas que viviam em pequenos clãs e tribos. (Zipes. 2023, p. 15)

Os contos de fada nem sempre foram destinados às crianças, inicialmente essas narrativas eram designadas aos adultos. Os contos de fadas eram, originalmente, narrativas orais contadas por e para adultos, e tratavam de questões da vida cotidiana, Von Franz (2002) traz que essas histórias eram contadas oralmente entre as classes mais baixas, como forma de diversão entre a população.

As narrativas chegaram ao público infantil, quando se adequaram a sua forma impressa por volta do século XVIII, quando “Escritores instruídos se apropriaram de propósito do folclore oral e o converteram em um tipo de discurso literário sobre costumes, valores e boas maneiras para que crianças e adultos se tornassem civilizados.” (Zipes, 2023, p. 13).

Ao longo dos anos essas narrativas passaram por alterações para se adequar ao público infantil, mas, mesmo com mudanças, algumas histórias ainda contêm aspectos considerados pesados para crianças, alguns desses aspectos das histórias são o abandono, medo, violência e até mesmo a morte, e mesmo com as adaptações feitas ao longo do tempo alguns contos ainda contém esse tipo de conteúdo, segundo Von Franz (2001) nos contos de fadas, o mal é sempre representado de forma clara, sem disfarces.

3. FUNÇÃO DOS CONTOS DE FADAS

Segundo Bettelheim (2002) na atualidade grande parte das crianças só conhecem as histórias dos contos de fadas através de versões feitas para programas de TV, filmes e adaptações mais simples em alguns streaming. Nessas versões os contos são vazios, sem importância ou significado, feitas apenas para diversão, assim as crianças não conhecem as verdadeiras histórias que possui importância para a aprendizagem e desenvolvimento.

Os contos de fadas são de tamanha importância na infância, de acordo com Bettelheim (2002), essas narrativas ajudam as crianças a enfrentarem problemas humanos básicos, por exemplo, o medo. As histórias irão permitir que crianças aprendam e entendam sobre problemas, onde em outros gêneros poderiam embaraçar na cabeça delas o entendimento de certas situações.

Os contos de fadas não servem apenas como entretenimento, mas também como representações simbólicas de processos psíquicos, que revelam verdades profundas sobre a condição humana (Von Franz, 2002). Normalmente essas histórias são vistas apenas como um passatempo para as pessoas, mas na verdade por trás delas há os processos mentais, como as emoções, conflitos e arquétipos que existem nos seres humanos (o medo, a perda, o herói, o inocente).

Os contos de fadas demostram, como o indivíduo lida com os desafios internos e externos, como o medo, a inveja, o abandono, a luta entre o bem e o mal e etc. a partir desta perspectiva as crianças poderão compreender sentimentos e conflitos, aprender valores e virtudes, desenvolver a imaginação e o pensamento simbólico e enfrentar o medo.

O conto de fadas mostra acontecimentos de forma mais simples e clara, como também as figuras do bem e o mal, “Em praticamente todo conto de fadas o bem e o mal recebem corpo na forma de algumas figuras e de suas ações, já que bem e mal são onipresentes na vida e as propensões para ambos estão presentes em todo homem.” (BETTELHEIM, 2002, p. 13). O mal nos contos de fadas pode ser representado por figuras como o lobo-mau, ogros, madrastas cruéis (como em “Branca de neve”), bruxas (como em “João e Maria”), gigantes (como em “o pequeno polegar”), já o bem é representado por princesas, príncipes, fadas, heróis, animais falantes, caçadores. A simbolização do bem e do mal manifestam-se de forma clara e presentes nos contos, desta forma a criança reconhece seus próprios sentimentos de forma segura. Os contos mostram que o mal sempre pode ser enfrentado e vencido, assim a criança fortalece a confiança e a noção de justiça.

Os contos de fadas têm um papel essencial na vida das pessoas, principalmente crianças, com essas histórias é possível entender melhor o nosso interior e o exterior. As narrativas podem ensinar as formas corretas de se comportar, lições de moral, valores, compreensão do mundo etc. Mas as principais aprendizagens adquiridas são para o interior das pessoas, pois tais contos podem auxiliar a compreender e lidar melhor com as emoções, identificação com arquétipos, desenvolvimento emocional, encontrar soluções próprias para os problemas interiores.

Para dominar os problemas psicológicos do crescimento [...] a criança necessita entender o que está se passando dentro de seu eu inconsciente. Ela pode atingir essa compreensão, e com isto a habilidade de lidar com as coisas, não através da compreensão racional da natureza e conteúdo de seu inconsciente, mas familiarizando-se com ele através de devaneios prolongados — ruminando, reorganizando e fantasiando sobre elementos adequados da estória em resposta a pressões inconscientes. Com isto, a criança adequa o conteúdo inconsciente às fantasias conscientes, o que a capacita a lidar com este conteúdo. É aqui que os contos de fadas têm um valor inigualável, conquanto oferecem novas dimensões à imaginação da criança que ela não poderia descobrir verdadeiramente por si só. Ainda mais importante: a forma e estrutura dos contos de fadas sugerem imagens à criança com as quais ela pode estruturar seus devaneios e com eles dar melhor direção à sua vida. (BETTELHEIM, 2002, P.11)

Dessa forma, os contos de fadas ultrapassam uma simples função de entretenimento para um importante instrumento que favorece o desenvolvimento emocional, psicológico e social da criança. Os contos ao implementar elementos como o medo, perdas e superações em suas histórias de forma simbólica auxilia as crianças a lidarem com seus sentimentos e problemas interiores de forma inconsciente. Assim, essas narrativas têm grande relevância para a literatura infantil, como também para o desenvolvimento integral da criança.

4. CONTOS ESCOLHIDOS PARA ANÁLISE: BRANCA DE NEVE, JOÃO E MARIA E O PEQUENO POLEGAR.

Os contos escolhidos para análise contêm aspectos macabros (destacados em negrito) como a fome, o abandono, a violência, a morte e ambiente hostil. Os três contos a serem vistos tem características semelhantes.

A história de Branca de Neve, dos irmãos Grimm (2010) apresenta uma princesa que passa a ser perseguida por sua madrasta, uma rainha muito má que tem inveja da jovem por sua beleza. Onde em um dia a rainha pergunta ao espelho magico se há alguém mais bela do que ela, então o espelho responde que há a branca de neve, até que a madrasta procura um caçador e pede para ele matar a princesa e levar o coração dela, mas o caçador manda a branca de neve fugir. Ao saber que ela estaria viva morando com os sete anões, a rainha faz outras tentativas para acabar com a princesa, até que conseguiu oferecer a maçã envenenada e branca de neve cai em um sono profundo.

Os anões ao acharem que a princesa estaria morta, colocam ela em um caixão de vidro, até então aparecer um príncipe que pede para levá-la, onde no caminho tropeçam em algo e o pedaço da maçã sai da garganta da princesa e a desperta. No final se casa com o príncipe e a rainha foi punida.

O conto João e Maria (GRIMM; GRIMM, 2010) mostra a história de dois irmãos que vivem com os pais em pobreza extrema, onde não há nem o que comer. Ao vivenciar a fome, os pais decidem abandonar os filhos na floresta, mas na primeira tentativa eles conseguem retornar para casa utilizando o caminho marcado por pedras. Na segunda tentativa eles utilizaram migalhas de pão para marcar o caminho, porém dessa vez não deu certo, pois os pássaros comeram as migalhas.

Então as crianças ficaram perdidas na floresta, na tentativa de voltar para casa, encontraram uma casa feita de doces, que pertencia a uma bruxa, onde ela atrai crianças para devorá-las. A bruxa então os manda entrarem, assim prende João em jaula para engordá-lo para comer, já Maria a bruxa a obriga a fazer tarefas domésticas. Todos os dias a bruxa ia verificar se João estava engordando, mas como ele era esperto, usava um ossinho, já que a bruxa não enxergava bem acreditava que ele estava magrinho. Um dia a bruxa cansou de esperar e mandou Maria encher o caldeirão com água pois iria comer o João como estava, mas Maria conseguiu enganá-la empurrando a bruxa para dentro do forno, assim matando a velha. Os irmãos encontraram um tesouro na casa e conseguiram escapar daquele lugar, assim voltando para casa com todo o tesouro encontrado e vivendo felizes com os pais.

O conto de Charles Perrault, O Pequeno Polegar conta a história de um menino pequeno que vive com seis irmãos mais velhos e seus pais, a família viva em uma pobreza extrema. Para conseguirem sobreviverem, os pais decidem abandonar os filhos na floresta, mas o pequeno polegar marca o caminho com pedras, assim conseguindo retornar para casa com seus irmãos. Na segunda vez que são levados para floresta, ele marca o caminho com migalhas de pão, mas os pássaros comem e as crianças ficam perdidas na floresta sem conseguir voltar para casa.

Durante a tentativa de retornar, eles encontram a casa de um ogro que se alimenta de crianças, ao tentar comê-los a esposa do ogro impede, assim o ogro diz que vai os comeres no outro dia. Mas durantes a noite o pequeno polegar percebe que o ogro tem sete filhas, e planejou um plano para ele e seus irmãos não serem devorados, ele pegou os gorros que usaram e colocou nas filhas, e as coroas que estavam com elas usou nele e em seus irmãos.

No meio da noite o ogro muda de ideia e vai até o quarto para devorá-los, mas ao chegar neles percebe que estão de coroas, então logo sai achando que são as filhas dele, vai até a outra cama e pega nos gorrinhos e acha que são as crianças, assim cortou os pescoços sem pensar duas vezes. O ogro volta a dormir e o pequeno polegar acorda os irmãos e os chamam para fugir, eles conseguiram encontrar uma fortuna, assim voltando para casa e melhorando a condição de vida deles.

Nos contos apresentados é possível observar alguns aspectos que foram citados anteriormente, também é perceptível a semelhança entre eles. Os elementos apresentados nos textos desenvolvem um papel fundamental na construção e elaboração dos conflitos que os personagens vivenciam na narrativa.

5. ANÁLISE DOS RESULTADOS

A pesquisa para análise foi realizada com professores da educação infantil, através de um questionário com perguntas abertas, a fim de obter respostas que possibilitam a compreensão sobre o trabalho pedagógico utilizando contos de fadas com aspectos considerados macabros. No total foram realizadas 9 perguntas, mas para análise foram selecionadas aquelas que melhor contribuíram para os objetivos da pesquisa.

Pergunta 3

Você acha que os contos de fadas clássicos podem contribuir para o desenvolvimento emocional da criança?

Professor A

Os contos de fada abordam diversos temas e alguns podem sim contribuir para o desenvolvimento emocional, desde que sejam trabalhados com sensibilidade e mediação adequada por parte do adulto.

Professor B

Sim, mas tem que ser trabalhado de maneira adequada de acordo com a faixa que se trabalha, na educação infantil esses elementos trabalhados ajudam a criança a enfrentar seus próprios medos simbólicos, a lidar com suas perdas e frustrações do dia dia.

Professor C

Sim, contribui com o imaginário e a socialização.

Fonte: A autora (2026)

As respostas à pergunta sobre o papel dos contos de fadas no desenvolvimento emocional infantil convergem para a ideia de que esses textos podem ser positivos, mas diferem na ênfase. O Professor A destaca a importância da mediação adulta para que o macabro seja compreendido simbolicamente, enquanto o Professor B reforça que, adequadamente trabalhado, ajuda a criança a enfrentar medos, perdas e frustrações.

Já o Professor C enfatiza aspectos do imaginário e da socialização, sugerindo que o efeito emocional se combina com o estímulo à criatividade e à compreensão de relações sociais. Comparando, percebe-se que todos reconhecem o valor formativo dos contos, mas os dois primeiros focam na função emocional do macabro, e o último na função simbólica e social, mostrando como o mesmo conteúdo pode atuar em múltiplas dimensões do desenvolvimento infantil.

Pergunta 5

Sobre os contos de fadas que contém aspectos macabro (como medo, fome, abandono, violência, morte). Você acha que contos com esses aspectos podem afetar emocionalmente as crianças? Por que?

Professor A

Sim, esses concedidos devem ser abordados com cautela e com uma linguagem apropriada quando a idade for almeja. O conteúdo é sensível e se não for abordado corretamente pode gerar várias consequências.

Professor B

Pode afetar, mas não somente forma negativa, se apresentado sem mediação correta pode ocasionar medo e insegurança. Mas apresentado com mediação e contexto ajudam a criança a elaborar e entender emoções difíceis de forma segura e positiva.

Professor C

Sim, pois elas estão em formação de entendimento sobre o real e o imaginário.

Fonte: A autora (2026)

As respostas a pergunta sobre se os contos com aspectos pesados podem afetar emocionalmente as crianças estão em consonância com a concepção que podem sim afetar, mas diferem ao ressaltar as respostas. O Professor A da ênfase ao uso cautelado e a linguagem apropriada para a idade, assim o conteúdo precisa ser abordado corretamente para não gerar consequências.

O Professor B ressalta que pode afetar o emocional positivamente se apresentado corretamente com mediação e contexto adequado, desta forma auxiliando a criança a compreender suas emoções de forma segura. O Professor C enfatiza que os contos podem afetar emocionalmente, já que as crianças estão ainda em formação de entendimento sobre o real e o imaginário.

Comparando percebe-se que todos concordam que pode afetar o emocional, mas os dois primeiros destacam a importância de abordar os conteúdos com cautela e mediação correta para não ocasionar em consequências, já o ultimo destaque que a criança ainda não contem total entendimento do real e o imaginário, assim consequentemente afetando o emocional por não compreender. Desta forma é compreendido que os contos com aspectos macabros requerem abordagens adequadas para trabalhá-las.

Pergunta 6

Já percebeu alguma reação emocional significativa por parte das crianças, ao narrar contos como Branca de Neve, João e Maria ou O Pequeno Polegar?

Professor A

Algumas vezes ao ler branca de neve as crianças conversam sobre cada um dos anões, dando exemplos e falando sobre ele.

Professor B

Sim, expressões de surpresa e curiosidade.

Professor C

Não, pois conto com calma. Sem que haja momentos de medo.

Fonte: A autora (2026)

As respostas a pergunta referente se já houve reação emocional por parte das crianças ao ouvirem os contos de Branca de Neve, João e Maria ou o Pequeno Polegar foram divergentes. O PROFESSOR A forneceu uma resposta mais detalhada, informando a história e a reação das crianças, que há ouvirem Branca de Neve, elas conversam sobre os anões do conto. O PROFESSOR B ressalta que as reações das crianças são de surpresa e curiosidade ao narrar algum conto.

Já o PROFESSOR B enfatiza que as crianças não expressam reações significativas, pois conta as histórias com calma. Percebe-se que o modo de narrar uma história também pode influenciar em como a criança vai reagir ao ouvi-la e elas são seres curiosos que estão em aprendizagem constante e querem conversarem e perguntarem sobre o que foi apresentado.

Pergunta 8

Quais estratégias você costuma utilizar para abordar contos clássicos infantis com conteúdos mais pesados ou macabros?

Professor A

Não utilizo contos que contém esse conteúdo.

Professor B

Realizo roda de conversa antes e depois da narração abordando o assunto principal do conto, assim elas expõem suas ideias e sentimentos e muitas vezes não gera um espanto ao ser apresentado.

Professor C

Realizo trocas de palavras e ações por mais tranquilas.

Fonte: A autora (2026)

As respostas a pergunta sobre quais estratégias os professores utilizam para abordar histórias que contém aspectos mais pesados estão divergentes, já que o PROFESSOR A prefere não utilizar contos com os conteúdos pesados ou macabros. O PROFESSOR B realiza rodas de conversas para abordar o assunto, dessa forma as crianças podem expor ideias e sentimentos, gerando um espaço acolhedor sem espantos.

O PROFESSOR C utiliza como estratégia a troca de palavras e ações, tornando o conto mais tranquilo. Percebe-se que os professores adotam diferentes estratégias de acordo com a necessidade de cada turma, cada professor escolhe as estratégias que melhor condiz com o seu ensino e a sua turma.

Pergunta 9

Você acha importante discutir com as crianças as partes mais tristes ou macabras dos contos infantis como Branca de Neve, João e Maria e O Pequeno Polegar? Por que?

Professor A

Algumas histórias carregam diversos aprendizados, como o da Branca de neve, no qual o livro mostra que não devemos aceitar coisas de estranhos, traz algumas emoções, além de outras situações.

Professor B

Sim, muito importante. Ajudam elas a nomear e entender seus sentimentos já que é um objetivo bem trabalhado na educação infantil.

Professor C

É legal passar a elas a importância de obedecer, as diferenças das pessoas e sobre sempre comunicar a verdade.

Fonte: A autora (2026)

As respostas a pergunta referente se os professores acham importante conversarem com as crianças sobre as partes tristes ou macabras contidas nos contos estão em concordância. Os professores acreditam que discutirem com as crianças sobre os aspectos tristes é importante, o PROFESSOR A discorre que a história de Branca de Neve possui aprendizados que contribui para a formação da criança, como: que não devemos aceitar coisas de estranhos. O PROFESSOR B ressalta que ao conversarem, ajuda as crianças a nomear e entender seus sentimentos, pois é um objetivo já trabalhado na educação infantil.

O PROFESSOR C reforça sobre os aprendizados adquiridos dos contos como: a importância de obedecer, entender que as pessoas são diferentes e sobre como a comunicação é importante. Os três professores acreditam que os contos podem passar diversos aprendizados e contribui para a formação da criança, já que alguns dos aprendizados são objetivos trabalhados na educação infantil.

6. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Diante desse estudo, foi possível analisar contos de fadas no processo de ensino-aprendizagem, tendo como objetivo geral investigar de que forma os professores da educação infantil lidam com a compreensão dos aspectos macabros dos contos infantis. Os resultados indicam que o objetivo do estudo foi alcançado, a pesquisa com professores permitiu identificar fatores como, a compreensão, estratégias, abordagens, fatores emocionais e psicológicos.

Além disso, foram utilizados três contos de fadas (Branca de Neve, João e Maria e O Pequeno Polegar), para identificar alguns aspectos macabros como a morte, abandono e fome presentes em histórias do gênero. Diante dessa identificação é possível compreender que esses aspectos fazem parte da estrutura dos contos, manifestando-se de forma clara o bem e o mal.

Essa manifestação é essencial para o desenvolvimento da criança, pois com essas narrativas, a criança poderá lidar melhor com o seu emocional e situações do exterior. Mas não é simplesmente contar uma história de qualquer forma, de acordo com professores da pesquisa realizada, ao utilizar um conto em sala de aula, é preciso utilizar adequadamente, de forma cautelada para permitir a contribuição positiva no desenvolvimento. Caso a utilização de histórias seja realizada sem mediação e de forma inadequada, poderá gerar um impacto negativo para as crianças, como o medo e a insegurança. Ao utilizar contos de fadas, os professores utilizam algumas estratégias, como a troca de palavras quando necessário, rodas de conversas antes e depois da narração, permitir as crianças a expressarem suas perguntas, ideias e sentimentos após a história.

Na pesquisa realizada com professores, percebe-se que utilizam diferentes estratégias para a utilização de contos de fadas na sala de aula. Também é possível notar a reflexão sobre como esses aspectos influenciam no desenvolvimento das crianças. Assim os resultados indicam que a mediação do professor é fundamental para um trabalho adequado em sala de aula, contribuindo para a compreensão dos aspectos identificados nos contos. Dessa forma conclui-se que os contos de fadas podem ser utilizados como recursos pedagógicos, desde que a utilização seja realizada com mediação e intencionalidade nas atividades educacionais.

Espera-se que essa pesquisa alcance estudantes da área da educação, profissionais da área educacional e a população civil. Contribuindo para estudos futuros, promovendo um melhor entendimento sobre a presença e importâncias dos aspectos macabros nos contos de fadas, auxiliando a aplicação correta com possibilidades de abordagens como recursos pedagógicos em sala de aula.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BETTELHEIM, Bruno. A psicanálise dos contos de fadas. Tradução de Arlene Caetano. 16. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2002.

GRIMM, J.; GRIMM, W.; PERRAULT, C.; ANDERSEN, H. C. Contos de fadas. Apresentação de Ana Maria Machado. Rio de Janeiro: Zahar, 2010.

VON FRANZ, Marie-Louise. A sombra e o mal nos contos de fada. Tradução de Maria Christina Penteado Kujawski. São Paulo: Paulus, 1985. (Coleção Amor e Psique).

ZIPES, Jack. Os contos de fada e a arte da subversão: o gênero clássico para crianças e o processo civilizador. Tradução de Camila Werner. São Paulo: Perspectiva, 2023. (Coleção Ida e Volta).


1 Graduanda em Pedagogia – Faceli. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

2 Doutora em Letras – UFES. Professora adjunta de Língua Portuguesa – Faceli. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail