USINAS DA PAZ NO INTERIOR DO PARÁ: DESAFIOS E RESULTADOS NOS MUNICÍPIOS DE MARABÁ, PARAUAPEBAS E ALTAMIRA

PEACE PLANTS IN THE INTERIOR OF PARÁ: CHALLENGES AND RESULTS IN THE MUNICIPALITIES OF MARABÁ, PARAUAPEBAS AND ALTAMIRA

REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/793246396

RESUMO
As Usinas da Paz (UsiPaz), equipamentos do Programa Territórios pela Paz (TerPaz), foram concebidas na Região Metropolitana de Belém e passaram a ser implantadas em municípios do interior marcados por grandes projetos, crescimento urbano acelerado e altas taxas de violência. Este estudo analisou comparativamente a evolução dos homicídios e dos roubos em Parauapebas, Marabá e Altamira, que receberam suas unidades em 2022, 2025 e 2026, respectivamente, e examinou a atuação da Polícia Militar do Pará (PMPA) nesses territórios. Trata-se de pesquisa quantitativa, descritivo-comparativa, de casos múltiplos com implantação escalonada, baseada em dados secundários oficiais e em análise documental. Entre 2017 e 2024, os homicídios caíram 55,2% em Marabá, 41,2% em Parauapebas e 63,1% em Altamira. Entre 2020 e 2024, período em que apenas Parauapebas contava com UsiPaz, a queda foi de 30,0% nesse município, de 19,1% em Altamira e de 4,5% em Marabá, ante 19,5% no estado. Em 2025, Parauapebas registrou a menor taxa de mortes violentas intencionais entre os três (21,9 por 100 mil). O melhor desempenho relativo do município com maior tempo de UsiPaz coincidiu, porém, com o reforço estadual do policiamento em 2022, o que impede a atribuição causal. A PMPA aparece como base operacional da segurança nesses territórios, mas sem indicadores abertos que permitam medir sua contribuição.
Palavras-chave: Altamira; Grandes projetos; Marabá; Parauapebas; Usinas da Paz.

ABSTRACT
The Peace Plants (UsiPaz), facilities of the Territories for Peace Program (TerPaz), were designed in the Belém Metropolitan Region and later expanded to interior municipalities marked by large projects, rapid urban growth and high violence rates. This study comparatively analyzed the evolution of homicides and robberies in Parauapebas, Marabá and Altamira, which received their units in 2022, 2025 and 2026, respectively, and examined the actions of the Military Police of Pará (PMPA) in these territories. It is a quantitative, descriptive and comparative multiple case study with staggered implementation, based on official secondary data and documentary analysis. Between 2017 and 2024, homicides fell by 55.2% in Marabá, 41.2% in Parauapebas and 63.1% in Altamira. Between 2020 and 2024, when only Parauapebas had a UsiPaz, the decline was 30.0% in that municipality, 19.1% in Altamira and 4.5% in Marabá, compared with 19.5% statewide. In 2025, Parauapebas had the lowest rate of intentional violent deaths among the three (21.9 per 100,000). The best relative performance of the municipality with the longest UsiPaz operation coincided, however, with the statewide police reinforcement of 2022, which prevents causal attribution. The PMPA appears as the operational basis of security in these territories, but without open indicators to measure its contribution.
Keywords: Altamira; Large projects; Marabá; Parauapebas; Peace Plants.

1. INTRODUÇÃO

A violência letal no Pará não é um fenômeno exclusivamente metropolitano. Municípios do interior que passaram por grandes projetos econômicos, como a mineração na região de Carajás e a construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Xingu, combinaram crescimento populacional acelerado, ocupação urbana desordenada e expansão de mercados ilegais, configurando territórios de alta letalidade (Schmutz, 2023; Estronioli; Miranda Neto, 2021).

Andrade e Diniz (2013) mostram que a reorganização espacial dos homicídios no Brasil acompanha áreas de dinamismo econômico recente e de mudança no uso do solo, mais do que uma simples interiorização. Essa leitura dialoga com a concentração do crime em lugares específicos (Weisburd, 2015) e com o papel das condições de vizinhança na produção da violência (Sampson, 2012), o que torna o território uma escala decisiva para a política pública.

Para enfrentar esse tipo de problema, o Governo do Pará criou o Programa Territórios pela Paz (TerPaz) pelo Decreto Estadual nº 141/2019 e o institucionalizou pela Lei nº 9.771/2022 (Pará, 2019; 2022). O programa articula ações de segurança executadas pelas Polícias Civil e Militar e serviços sociais ofertados nas Usinas da Paz, que, concebidas na Região Metropolitana de Belém, passaram a ser levadas ao interior, onde enfrentam condições territoriais distintas.

A dimensão do problema nesses municípios é expressiva. Em 2017, Altamira registrou 149 homicídios, Marabá, 239, e Parauapebas, 119, o que correspondia a taxas estimadas de 133,7, 89,0 e 66,8 por 100 mil habitantes, respectivamente, quando incluídos os homicídios ocultos (Cerqueira et al., 2019). Ainda em 2025, Altamira (45,4) e Marabá (36,8) ocupavam, respectivamente, a 20ª e a 36ª posições entre as cidades brasileiras com mais de 100 mil habitantes com as maiores taxas de mortes violentas intencionais, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2026 (Carneiro, 2026).

A dinâmica criminal desses territórios inclui disputas entre facções com forte presença no sistema prisional. Em julho de 2019, o confronto entre o Comando Classe A e o Comando Vermelho no Centro de Recuperação Regional de Altamira deixou ao menos 57 mortos (Rebelião [...], 2019), episódio que expôs a capilaridade dessas organizações nas cidades médias do interior paraense.

Enquanto essas taxas permaneciam elevadas, a rede de UsiPaz se expandia para o interior: a unidade de Altamira, inaugurada em março de 2026, foi a 26ª do estado e a primeira da Região de Integração Xingu, e o programa já havia contabilizado mais de 12 milhões de atendimentos desde 2021 (Helder [...], 2026). Esse crescimento torna necessário perguntar se o modelo concebido para a capital produz resultados semelhantes em cidades médias do interior.

A literatura sobre as UsiPaz, porém, concentra-se em Belém. Santos et al. (2026) analisaram a unidade da Cabanagem sob a ótica do planejamento urbano; Oliveira (2023) avaliou parcialmente o TerPaz no mesmo bairro; Lima et al. (2026a; 2026b) examinaram as UsiPaz do Guamá e da Terra Firme e o papel da PMPA nesses territórios; e Tourinho, Martins e Lopes (2024) discutiram as Usinas como expressão de urbanismo social.

Esses estudos compartilham duas limitações. Tratam de bairros da capital, cuja dinâmica difere da de municípios de fronteira econômica, e analisam um único território ao longo do tempo, sem grupo de comparação. Até onde foi possível verificar, não há estudo que compare municípios do interior com UsiPaz implantadas em momentos diferentes, o que permitiria confrontar territórios já atendidos com territórios ainda não atendidos.

Diante dessa lacuna, o presente estudo busca responder à seguinte pergunta de pesquisa: em que medida a implantação das Usinas da Paz em Parauapebas, Marabá e Altamira esteve associada à evolução dos homicídios e dos roubos nesses municípios, e quais desafios condicionam seus resultados no interior do Pará?

Para responder a essa pergunta, este estudo tem por objetivo analisar comparativamente a evolução dos homicídios e dos roubos nos três municípios, aproveitando a implantação escalonada das unidades, identificar os desafios de sua interiorização e examinar a atuação da Polícia Militar do Pará (PMPA) nesses territórios. Parte-se da hipótese de que o município com maior tempo de funcionamento da UsiPaz apresentou, entre 2020 e 2024, redução de homicídios e roubos superior à dos municípios ainda não atendidos e à do estado.

2. MÉTODOS

2.1. Etapa 1: Tipo de Abordagem e Delineamento

Adotou-se abordagem quantitativa, de natureza descritivo-comparativa, complementada por análise documental qualitativa. A escolha se justifica porque a pergunta envolve magnitudes de variação criminal e comparação entre territórios, o que exige mensuração padronizada (Creswell, 2010; Gil, 2008). Os procedimentos são apresentados em etapas sucessivas, cada uma com sua justificativa, para permitir a reprodução do estudo.

O delineamento é de estudo de casos múltiplos (Yin, 2015) com implantação escalonada: Parauapebas recebeu a UsiPaz em maio de 2022, Marabá em fevereiro de 2025 e Altamira em março de 2026. No período de 2020 a 2024, portanto, apenas Parauapebas contava com a unidade, e os outros dois municípios funcionam como grupo de comparação não equivalente, cujas limitações de validade interna são reconhecidas (Shadish; Cook; Campbell, 2002).

2.2. Etapa 2: Seleção dos Casos e Recorte Temporal

Os três municípios foram selecionados intencionalmente por reunirem quatro características: população superior a 100 mil habitantes, histórico de taxas de homicídio entre as mais elevadas do país, presença de grandes projetos econômicos (mineração em Marabá e Parauapebas e a hidrelétrica de Belo Monte em Altamira) e implantação de UsiPaz em momentos distintos, o que viabiliza a comparação.

Reconhece-se que selecionar municípios com histórico de violência muito elevada favorece a regressão à média, isto é, a tendência de valores extremos se aproximarem da média nos anos seguintes, o que pode inflar as reduções observadas. Canaã dos Carajás, que também possui UsiPaz, foi excluída por ter população inferior a 100 mil habitantes e não integrar o ranking municipal do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

O recorte temporal abrange de 2017 a 2025. O ano de 2017 corresponde ao último dado municipal padronizado do Atlas da Violência antes da criação do TerPaz; 2020 marca o início do período de comparação, anterior à primeira UsiPaz do interior; 2024 é o último ano com dados municipais consolidados; e 2025 foi incluído por meio das taxas divulgadas pelo FBSP.

2.3. Etapa 3: Fontes e Coleta de Dados

A coleta ocorreu em outubro de 2026, por pesquisa documental em fontes públicas, conforme o Quadro 1. Os homicídios de 2017 provêm do Atlas da Violência (Cerqueira et al., 2019), e os de 2020 e 2024, do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), sistematizados pela Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa, 2026).

Os dados de 2022 a 2024 da Secretaria Adjunta de Inteligência e Análise Criminal (SIAC) foram obtidos em publicações da FAPESPA, inclusive no Diário Oficial do Estado (Pará, 2026; Fapespa, 2024). As taxas municipais de 2025 do Anuário Brasileiro de Segurança Pública foram obtidas na cobertura jornalística de sua divulgação, pois a tabela municipal completa não estava disponível no material consultado, e as informações sobre as UsiPaz e a PMPA, de notícias oficiais e do Decreto Estadual nº 4.762/2025.

Cada documento foi submetido à crítica externa e interna proposta por Cellard (2008), com atenção ao contexto de produção, à autoria e à coerência interna. Como as fontes diferem quanto ao sistema de origem (SIM, SIAC e FBSP), as comparações foram feitas apenas dentro de uma mesma fonte, e nunca entre fontes distintas.

Quadro 1. Fontes de dados utilizadas no estudo

Dimensão

Indicador

Fonte

Homicídios 2017

Registrados e taxa estimada

SIM, em Cerqueira et al. (2019)

Homicídios 2020 e 2024

Número absoluto

SIM, em FAPESPA (2026)

Roubos 2020 e 2024

Número absoluto

SISP, em FAPESPA (2026)

Homicídios e roubos 2023-2024

Número e taxa (Marabá e Parauapebas)

SIAC, em Pará (2026)

Homicídios e roubos 2022

Taxa (Altamira)

SIAC, em FAPESPA (2024)

Mortes violentas 2025

Taxa por 100 mil

Anuário do FBSP, em Carneiro (2026)

População

Censo Demográfico 2022

IBGE, em FAPESPA (2026)

Implantação das UsiPaz

Datas, atendimentos, parceiros

Imprensa oficial e regional

Estrutura da PMPA

Comandos, batalhões, investimentos

Decreto nº 4.762/2025; imprensa

Fonte: elaborado pelos autores (2026).

2.4. Etapa 4: Variáveis e Indicadores

As variáveis de resultado foram o número de homicídios registrados, o número de roubos e as respectivas taxas por 100 mil habitantes. A variação percentual foi calculada pela fórmula V = [(Xt - X0) / X0] x 100, em que X0 é o valor do ano inicial e Xt, o do ano final. A variável de exposição foi o tempo de funcionamento da UsiPaz, em meses, até dezembro de cada ano.

Cada fonte adota uma definição própria. No Atlas da Violência, o homicídio registrado corresponde aos óbitos por agressão e intervenção legal no SIM (CID-10 X85-Y09 e Y35-Y36), e a taxa estimada soma os homicídios ocultos; no Boletim da FAPESPA, os homicídios provêm do SIM, sem detalhamento dos códigos; na SIAC, correspondem a registros policiais; e o FBSP utiliza mortes violentas intencionais, que incluem latrocínio, lesão corporal seguida de morte e mortes por intervenção policial.

Para o cálculo das taxas de 2020 e 2024, adotou-se como denominador fixo a população do Censo Demográfico de 2022. A escolha decorre da forte revisão populacional promovida pelo censo, especialmente em Parauapebas, cuja estimativa para 2021 era de 218.787 habitantes e cuja contagem em 2022 alcançou 267.836, o que distorceria a comparação entre anos se fossem usadas estimativas anteriores.

2.5. Etapa 5: Análise dos Dados

A análise compreendeu estatística descritiva, variações percentuais por período e a diferença entre a variação de cada município e a do estado no mesmo intervalo, expressa em pontos percentuais (p.p.). Essa comparação é análoga, em termos descritivos, a uma diferença em diferenças, sem pretensão de inferência causal. Com apenas três unidades de análise, a inferência estatística não é aplicável, e os resultados são estritamente descritivos.

Uma análise de sensibilidade recalculou as taxas com as estimativas populacionais de cada ano, para verificar se a escolha do denominador alterava as conclusões. Os cálculos e gráficos foram realizados em Python 3, com as bibliotecas NumPy e Matplotlib, e os scripts encontram-se disponíveis mediante solicitação aos autores.

2.6. Etapa 6: Análise Documental e Triangulação

Os documentos sobre as UsiPaz e a PMPA foram examinados por análise de conteúdo temática, em pré-análise, exploração do material e tratamento dos resultados (Bardin, 2016), com as categorias definidas a priori: escala e localização das unidades, parcerias, atuação policial e dinâmica criminal local. Os achados foram confrontados com os dados quantitativos por triangulação de fontes (Denzin, 1978; Flick, 2009).

2.7. Etapa 7: Considerações Éticas

A pesquisa utilizou exclusivamente dados secundários, agregados por município, de acesso e domínio públicos, sem possibilidade de identificação individual. Enquadra-se, assim, nas hipóteses de dispensa de registro e avaliação pelo sistema CEP/CONEP previstas no art. 1º, parágrafo único, incisos II, III e V, da Resolução nº 510/2016 do Conselho Nacional de Saúde (Brasil, 2016), motivo pelo qual não há número de parecer de Comitê de Ética em Pesquisa.

2.8. Etapa 8: Uso de Inteligência Artificial

Uma ferramenta de inteligência artificial generativa (Claude, da Anthropic) foi utilizada como apoio à localização de fontes públicas, à organização dos dados, à programação dos cálculos, à produção dos gráficos e à revisão textual. Todas as informações numéricas foram conferidas pelos autores nas fontes originais, conforme o art. 9º, inciso I, da Portaria CNPq nº 2.664/2026 (CNPQ, 2026).

Declaração de uso de IA: os autores declaram que utilizaram ferramenta de inteligência artificial generativa (Claude, Anthropic) como apoio à busca documental, à organização de dados, à programação de cálculos, à elaboração de gráficos e à revisão textual. O conteúdo foi revisado, validado e editado pelos autores, que assumem total responsabilidade por sua integridade e exatidão, inclusive por eventuais plágios ou imprecisões decorrentes do uso da ferramenta, nos termos do art. 9º, inciso I, alíneas "c", "d" e "f", da Portaria CNPq nº 2.664/2026.

3. RESULTADOS

3.1. Implantação das Usinas da Paz nos Três Municípios

Parauapebas foi o primeiro dos três municípios a receber uma UsiPaz, em 18 de maio de 2022, no bairro Jardim Tropical, como o quinto complexo do programa no estado (Parauapebas [...], 2022). No primeiro ano, a unidade registrou mais de 88 mil beneficiamentos, segundo a SEAC (UsiPaz [...], 2023). Em setembro de 2023, foi assinada a ordem de serviço para uma segunda unidade no município, no bairro Guanabara (Helder [...], 2023), que ainda constava como em construção em junho de 2025 (Capanema [...], 2025).

Em Marabá, a entrega estava prevista para outubro de 2024 (Governo [...], 2024), mas a unidade foi inaugurada em 22 de fevereiro de 2025, no bairro Jardim União. Em seis meses, contabilizou mais de 86 mil atendimentos (Usina [...], 2025). Em Altamira, as obras foram iniciadas em 2023 por meio de cooperação com a Norte Energia (Governador [...], 2023), e a unidade foi entregue em 28 de março de 2026, no bairro Mutirão (Helder [...], 2026).

O Quadro 2 sintetiza a implantação e o tempo de exposição de cada município. As unidades de Parauapebas e Marabá foram construídas em parceria com a mineradora Vale (Parauapebas [...], 2022; Governo [...], 2024), e a de Altamira, com a concessionária de Belo Monte (Governador [...], 2023). Nos três casos, portanto, a infraestrutura foi viabilizada por empresas ligadas aos grandes empreendimentos da região.

Quadro 2. Implantação das Usinas da Paz em Parauapebas, Marabá e Altamira

Município

População (Censo 2022)

Inauguração

Parceiro

Meses de UsiPaz até dez./2024

Meses de UsiPaz até dez./2025

Parauapebas

267.836

18 maio 2022

Vale

31

43

Marabá

266.533

22 fev. 2025

Vale

0

10

Altamira

126.279

28 mar. 2026

Norte Energia

0

0

Fonte: elaborado pelos autores (2026) a partir de FAPESPA (2026) e de notícias oficiais e regionais.

As fontes sobre o volume de serviços empregam unidades distintas, como beneficiamentos em Parauapebas e atendimentos em Marabá, e períodos diferentes de referência, o que impede comparar a produtividade inicial das unidades. Por essa razão, os dados de atendimento são apresentados apenas como indicação da escala de funcionamento de cada Usina.

3.2. Evolução dos Homicídios Entre 2017 e 2024

Os três municípios apresentaram queda acentuada dos homicídios registrados no período (Tabela 1 e Figura 1). Entre 2017 e 2024, a redução foi de 63,1% em Altamira (de 149 para 55), de 55,2% em Marabá (de 239 para 107) e de 41,2% em Parauapebas (de 119 para 70). No horizonte longo, portanto, o município com UsiPaz mais antiga apresentou a menor redução relativa.

Tabela 1. Homicídios registrados e taxas por 100 mil habitantes, 2017, 2020 e 2024

Município

2017

2020

2024

Taxa 2020

Taxa 2024

Var. 2017-2024 (%)

Marabá

239

112

107

42,0

40,1

-55,2

Parauapebas

119

100

70

37,3

26,1

-41,2

Altamira

149

68

55

53,8

43,6

-63,1

Fonte: elaborado pelos autores (2026) com dados do SIM (Cerqueira et al., 2019; Fapespa, 2026). Nota: os valores de 2017 provêm do Atlas da Violência (homicídios registrados, incluindo intervenções legais), e os de 2020 e 2024, do Boletim da FAPESPA, também baseado no SIM. Taxas calculadas com a população do Censo 2022 como denominador fixo; com as estimativas populacionais anuais, a taxa de Parauapebas passaria de 46,8 para 23,4, sem alterar a ordem entre os municípios.

Figura 1. Homicídios registrados por município, 2017, 2020 e 2024

Fonte: elaborado pelos autores (2026) com dados do SIM (Cerqueira et al., 2019; Fapespa, 2026).

3.3. Comparação por Período: Antes e Depois da Primeira UsiPaz do Interior

A decomposição em dois períodos altera a leitura (Figura 2). Entre 2017 e 2020, quando nenhum dos três municípios tinha UsiPaz, Marabá (-53,1%) e Altamira (-54,4%) reduziram os homicídios em mais da metade, enquanto Parauapebas recuou apenas 16,0%. Entre 2020 e 2024, quando somente Parauapebas contava com a unidade, a ordem se inverteu.

Nesse segundo período, Parauapebas reduziu os homicídios em 30,0%, contra 19,1% em Altamira, 4,5% em Marabá e 19,5% no conjunto do Pará. Em relação ao estado, Parauapebas obteve redução adicional de 10,5 p.p., Altamira acompanhou a média estadual (diferença de 0,4 p.p.) e Marabá ficou 15,0 p.p. abaixo dela, conforme a Tabela 2.

Tabela 2. Variação dos homicídios registrados por período e diferença em relação ao Pará

Recorte

UsiPaz no período 2020-2024

Var. 2017-2020 (%)

Var. 2020-2024 (%)

Redução adicional à do Pará (p.p.)

Parauapebas

Sim (desde maio 2022)

-16,0

-30,0

+10,5

Altamira

Não

-54,4

-19,1

-0,4

Marabá

Não

-53,1

-4,5

-15,0

Pará

Não se aplica

Não disponível

-19,5

Não se aplica

Fonte: elaborado pelos autores (2026) com dados do SIM (Cerqueira et al., 2019; Fapespa, 2026). Nota: valores positivos na última coluna indicam redução maior que a do estado.

Figura 2. Variação dos homicídios registrados por período e recorte territorial

Fonte: elaborado pelos autores (2026) com dados do SIM (Cerqueira et al., 2019; Fapespa, 2026).

Em taxas, com a população do Censo 2022 como denominador fixo, Parauapebas passou de 37,3 para 26,1 homicídios por 100 mil habitantes entre 2020 e 2024, Altamira, de 53,8 para 43,6, e Marabá, de 42,0 para 40,1 (Figura 3). Em 2020, Parauapebas já apresentava a menor taxa dos três, posição que se ampliou ao fim do período. A análise de sensibilidade com as estimativas populacionais anuais preservou essa ordem (nota da Tabela 1).

Figura 3. Taxas de homicídio por 100 mil habitantes, 2020 e 2024

Fonte: elaborado pelos autores (2026) com dados do SIM e do Censo 2022 (Fapespa, 2026).

3.4. Evolução dos Roubos

Os roubos seguiram padrão semelhante ao dos homicídios no período 2020-2024 (Figura 4). Em Parauapebas, passaram de 2.941 para 1.254 registros, queda de 57,4%, superior à de Marabá (de 2.086 para 1.181, ou 43,4%) e à do Pará (46,9%). Em taxas, Parauapebas, que tinha o maior índice em 2020 (1.098,1 por 100 mil), praticamente igualou Marabá em 2024 (468,2 e 443,1, respectivamente).

Para Altamira, a série municipal de roubos não estava disponível nas fontes consultadas. Em 2022, a taxa do município era de 571,94 roubos por 100 mil habitantes (Fapespa, 2024), e a Região de Integração Xingu, da qual Altamira é o principal polo, reduziu os roubos em 72,7% entre 2020 e 2024 (Fapespa, 2026).

Figura 4. Roubos registrados em Marabá e Parauapebas, 2020 e 2024

Fonte: elaborado pelos autores (2026) com dados do SISP (Fapespa, 2026).

3.5. Dados Recentes: 2023 a 2025

Os dados da SIAC para 2023 e 2024 mostram outra nuance (Figura 5). Marabá reduziu os homicídios de 115 para 94 (-18,3%), e a taxa passou de 40,15 para 32,58 por 100 mil. Parauapebas recuou de 68 para 61 (-10,3%), de 23,75 para 20,41 por 100 mil, ficando abaixo da média estadual nos dois anos (Pará, 2026).

Figura 5. Taxas de homicídio em Marabá e Parauapebas, 2023 e 2024 (SIAC)

Fonte: elaborado pelos autores (2026) com dados da SEGUP/SIAC publicados pela FAPESPA (Pará, 2026).

Em 2025, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, as taxas de mortes violentas intencionais foram de 45,4 por 100 mil em Altamira, 36,8 em Marabá e 21,9 em Parauapebas, contra 28,4 no Pará e 19,1 no Brasil (Carneiro, 2026; FBSP, 2026; Anuário [...], 2026). Parauapebas aproximou-se da média nacional, e Altamira, ainda sem UsiPaz naquele ano, registrou a taxa mais elevada dos três (Figura 6). Como o FBSP inclui mortes por intervenção policial e latrocínios, esses valores não são comparáveis às taxas de homicídio do SIM e da SIAC.

Figura 6. Taxas de mortes violentas intencionais por 100 mil habitantes, 2025

Fonte: elaborado pelos autores (2026) com dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública (Carneiro, 2026; FBSP, 2026).

3.6. Estrutura e Atuação da PMPA nos Três Municípios

Não foram localizados dados abertos de efetivo, frota ou ocorrências atendidas pela PMPA desagregados por município. A descrição a seguir baseia-se, por isso, na estrutura formal de comando definida em decreto e nas ações documentadas por fontes oficiais e jornalísticas.

Os três municípios contam com estruturas de policiamento regionalizadas. Em Marabá, o Comando de Policiamento Regional II (CPR II) atua por meio do 4º Batalhão de Polícia Militar (BPM), responsável pelos núcleos Nova Marabá, São Félix e Morada Nova, e do 34º BPM, responsável pelo núcleo Cidade Nova e pela zona rural. Em Parauapebas, o CPR XIV comanda o 23º BPM, que atende também Canaã dos Carajás e Curionópolis (Pará, 2025).

Em maio de 2022, mesmo mês da inauguração da UsiPaz de Parauapebas, a Operação Impacto incorporou cerca de 3 mil novos policiais militares ao policiamento em todo o estado, incluindo o interior (Operação [...], 2022). Na mesma semana, a corporação reforçou o policiamento em Altamira após ações criminosas que deixaram quatro mortos, segundo a mesma fonte.

Em maio de 2025, a PMPA reorganizou os comandos regionais no sudeste paraense para aprimorar a gestão operacional e ampliar a presença policial nas áreas de maior demanda (Carajás [...], 2025). Em Marabá, episódios como o assassinato de quatro jovens em dezembro de 2023, atribuído a disputa entre grupos criminosos, levaram à formação de força-tarefa entre SEGUP, PMPA e Polícia Civil, com apoio aéreo (Mortes [...], 2023).

Altamira, vinculada ao CPR VIII, recebeu o maior conjunto de investimentos recentes. O 16º BPM atende o município e outros quatro municípios da região, e o Decreto nº 4.762, de 25 de junho de 2025, ativou o 52º BPM, com sede em Altamira e atribuição de policiamento rural em toda a área do CPR VIII (Pará, 2025).

Na mesma ocasião, o governo entregou a sede da 4ª Companhia Independente de Missões Especiais, com investimento de R$ 1,95 milhão, 43 viaturas e cinco motocicletas, totens de monitoramento e um núcleo integrado de operações (Amorim, 2025). O Quadro 3 sintetiza essas informações.

Quadro 3. Estrutura e ações da PMPA em Marabá, Parauapebas e Altamira

Município

Comando e unidades

Ações e investimentos documentados

Fonte

Pará (estado)

Comando-Geral da PMPA

Operação Impacto, com cerca de 3 mil novos policiais no estado (2022)

Operação [...] (2022)

Marabá

CPR II; 4º BPM; 34º BPM

Reorganização regional (2025); força-tarefa após homicídios de jovens (2023)

Pará (2025); Carajás [...] (2025); Mortes [...] (2023)

Parauapebas

CPR XIV; 23º BPM

Reorganização regional (2025), com unidades em Eldorado do Carajás e Curionópolis

Pará (2025); Carajás [...] (2025)

Altamira

CPR VIII; 16º BPM; 52º BPM; 4ª CIME

Ativação do 52º BPM (rural); 43 viaturas; monitoramento e núcleo integrado (2025)

Pará (2025); Amorim (2025)

Fonte: elaborado pelos autores (2026).

4. DISCUSSÃO

4.1. Significado dos Resultados

O primeiro achado é que a queda da violência letal nos três municípios é anterior às UsiPaz e acompanha a trajetória estadual. Entre 2017 e 2020, Marabá e Altamira reduziram os homicídios em mais da metade sem qualquer unidade em funcionamento, o que sugere a atuação de fatores de alcance estadual ou regional, cuja identificação ultrapassa o escopo deste estudo, na maior parte da redução de longo prazo.

O segundo achado qualifica o primeiro. No período 2020-2024, o único município com UsiPaz, Parauapebas, foi o que mais reduziu homicídios e roubos, superando o estado em 10,5 p.p. nos homicídios, e chegou a 2025 com a menor taxa de mortes violentas dos três. Esse resultado é compatível com a hipótese de contribuição da unidade, mas não a demonstra.

Quatro razões recomendam cautela. Parauapebas reduziu menos que os demais entre 2017 e 2020, de modo que parte da queda posterior pode refletir convergência tardia à tendência regional. Além disso, uma única UsiPaz atende um bairro, e não um município de quase 270 mil habitantes, o que torna improvável que explique sozinha a variação municipal.

A terceira razão é que a inauguração da unidade de Parauapebas coincidiu com a Operação Impacto, que reforçou o policiamento em todo o estado a partir de maio de 2022 (Operação [...], 2022). A quarta é que Marabá reduziu os homicídios em 18,3% entre 2023 e 2024, antes de sua unidade, o que mostra que outros fatores operam no mesmo período.

A análise documental indica, por fim, desafios próprios da interiorização. Os municípios analisados combinam crescimento populacional acelerado, como revelou a revisão censitária de Parauapebas, estrutura urbana fragmentada em núcleos, como em Marabá, e conflitos entre grupos criminosos, como os registrados em Altamira e Marabá. Nessas condições, uma unidade concentrada em um único bairro tende a ter alcance territorial limitado.

Outra diferença em relação à capital é que, no interior, as unidades dependem da parceria com grandes empresas, a Vale em Carajás e a concessionária de Belo Monte no Xingu. Esse arranjo amplia a capacidade de investimento do programa, mas vincula a infraestrutura social às mesmas cadeias econômicas que transformaram esses territórios, aspecto que merece investigação própria.

4.2. Diálogo com a Literatura

Os resultados são compatíveis com a relação entre grandes projetos e violência descrita na literatura. Schmutz (2023), com diferenças em diferenças, estimou aumento significativo das taxas de homicídio nas cidades próximas a Belo Monte durante e após a construção, com o tráfico de drogas como um dos canais. Estronioli e Miranda Neto (2021) mostraram que a hidrelétrica reorganizou a segregação socioespacial em Altamira, deslocando a população pobre para a periferia.

Essas transformações ajudam a explicar por que Altamira, mesmo com a maior redução de longo prazo, manteve em 2025 a taxa mais elevada dos três municípios. Andrade e Diniz (2013) associam os novos aglomerados de homicídios justamente às áreas de dinamismo econômico recente, o que reforça a necessidade de políticas que acompanhem a expansão urbana induzida pelos grandes empreendimentos.

Em relação às UsiPaz, os estudos sobre Belém apontam na mesma direção. Lima et al. (2026a; 2026b) registraram reduções da criminalidade no Guamá e na Terra Firme após a implantação das unidades, mas ressalvaram que as evidências não permitem relação causal; Santos et al. (2026) identificaram queda de CVLI na Cabanagem acompanhada de baixa integração com o planejamento urbano; e Oliveira (2023) recomendou o uso de contrafactuais robustos para avaliar o programa.

O presente estudo acrescenta a essas análises a comparação entre municípios atendidos e ainda não atendidos. Tourinho, Martins e Lopes (2024) associam as UsiPaz ao urbanismo social, cuja matriz em Medellín produziu declínio de homicídios 66% maior nas áreas que receberam investimentos, segundo avaliação quase-experimental (Cerdá et al., 2012). Embora a diferença de 10,5 p.p. observada em Parauapebas não seja comparável a um efeito estimado com contrafactual, ela aponta na mesma direção.

Avaliações brasileiras com grupo de comparação sugerem prudência. Degli Esposti et al. (2023), com controle sintético, estimaram redução de 9% nos homicídios atribuível ao Pacto pela Paz de Pelotas, e Castro et al. (2021) não encontraram efeito do PRONASCI. Cano et al. (2021) observam que poucas estratégias integradas de prevenção de homicídios na América Latina foram avaliadas com rigor, o que também se aplica às UsiPaz do interior.

4.3. O Papel da PMPA nas Usinas da Paz do Interior

A Lei nº 9.771/2022 atribui às Polícias Civil e Militar a execução das ações de segurança do TerPaz (Pará, 2022). Essa centralidade aparece também no discurso institucional: na inauguração da unidade de Parauapebas, o governador afirmou que "não podemos solucionar violência sem a polícia" (Parauapebas [...], 2022). Nos três municípios, a PMPA constitui a base operacional desse eixo, com comandos regionais próprios e batalhões responsáveis por áreas extensas, que incluem núcleos urbanos dispersos, distritos e zonas rurais, como mostra a distribuição de unidades definida pelo Decreto nº 4.762/2025.

Os documentos analisados indicam que a corporação concentrou esforços recentes em reorganização e reforço estrutural, como a regionalização dos comandos no sudeste paraense em 2025 e a ativação do 52º BPM em Altamira, voltado ao policiamento rural. Em Belém, Lima et al. (2026a; 2026b) e Oliveira (2023) descrevem a presença policial como condição prévia para a instalação e o funcionamento das UsiPaz.

Não foram localizados, contudo, registros públicos de uma fase de ocupação policial específica nos bairros que receberam as unidades do interior, semelhante à descrita para a capital. Também não há indicadores operacionais da PMPA desagregados por bairro, como efetivo empregado, patrulhamento ou ações de proximidade nas imediações das UsiPaz, o que impede avaliar a contribuição do policiamento para os resultados observados.

Para a corporação, os resultados sugerem três frentes de atuação. A primeira é integrar formalmente os batalhões locais à gestão das UsiPaz, com presença regular e ações de proximidade. A segunda é registrar sistematicamente as atividades realizadas nos territórios atendidos. A terceira é planejar o policiamento considerando que a área de influência de uma UsiPaz é muito menor que a circunscrição urbana e rural dos batalhões.

4.4. Resposta à Pergunta de Pesquisa

Respondendo diretamente à pergunta formulada: no período 2020-2024, Parauapebas, único dos três municípios com UsiPaz, apresentou as maiores reduções de homicídios (30,0%) e de roubos (57,4%), acima das observadas em Altamira, em Marabá e no estado, e chegou a 2025 com a menor taxa de mortes violentas. A associação, porém, não pode ser interpretada como efeito causal da unidade, sobretudo porque coincidiu com o reforço estadual do policiamento.

Os principais desafios que condicionam os resultados no interior são a escala limitada de uma unidade por município, o crescimento urbano induzido por grandes projetos, a atuação de grupos criminosos, a dependência de parceiros empresariais e a ausência de dados por bairro. A hipótese foi, portanto, parcialmente sustentada: confirmou-se o melhor desempenho relativo de Parauapebas, mas não foi possível isolar a contribuição da UsiPaz da contribuição do policiamento e de outros fatores concomitantes.

4.5. Limitações

O estudo apresenta limitações importantes. O número de casos é pequeno (n = 3), e apenas um município estava exposto no período principal de comparação, o que impede testes estatísticos e torna os resultados sensíveis a particularidades locais. As fontes utilizadas diferem quanto ao sistema de origem, e as comparações foram restritas a cada fonte, o que reduz a série disponível para cada indicador.

Os dados são municipais, enquanto as UsiPaz atuam em bairros, de modo que eventuais efeitos locais podem ter sido diluídos. Não foram localizados dados de roubos para Altamira nem séries anuais completas para os três municípios. As informações sobre a PMPA e sobre as unidades provêm, em parte, de notícias, e a seleção dos bairros atendidos pode refletir critérios de priorização do governo, com possível viés de seleção. As taxas municipais de 2025 foram obtidas em fonte jornalística, e não diretamente na tabela do FBSP.

4.6. Novas Lacunas

Os resultados abrem frentes de pesquisa. É necessário obter dados criminais por bairro e por setor censitário, por meio da Lei de Acesso à Informação, para comparar as áreas atendidas pelas UsiPaz com áreas semelhantes não atendidas no mesmo município, com métodos como controle sintético ou diferenças em diferenças (Degli Esposti et al., 2023; Cerdá et al., 2012).

A abertura recente das unidades de Marabá e Altamira oferece oportunidade de acompanhamento prospectivo desde a linha de base, com coleta simultânea de indicadores criminais, sociais e de policiamento. Também falta investigar a percepção dos moradores, dos profissionais das Usinas e dos policiais militares que atuam nesses territórios, bem como o papel das parcerias empresariais na sustentabilidade do programa.

5. CONCLUSÃO

Este estudo teve como objetivo analisar comparativamente a evolução dos homicídios e dos roubos em Parauapebas, Marabá e Altamira, aproveitando a implantação escalonada das Usinas da Paz, identificar os desafios de sua interiorização e examinar a atuação da PMPA nesses territórios.

O objetivo foi alcançado. Os resultados mostram que a redução da violência letal nos três municípios começou antes das UsiPaz e acompanhou a trajetória estadual, mas também que Parauapebas, o único com unidade em funcionamento entre 2020 e 2024, apresentou o melhor desempenho relativo nesse período, tanto em homicídios quanto em roubos.

A principal contribuição do trabalho é oferecer, até onde foi possível verificar, a primeira comparação entre municípios do interior com UsiPaz implantadas em momentos diferentes, e indicar que a interiorização do programa enfrenta desafios próprios, ligados à escala, aos grandes projetos e à dinâmica criminal regional. Para a PMPA, o estudo reconstitui a estrutura de comando nos três municípios e indica a necessidade de integrar os batalhões à gestão das Usinas.

As limitações principais residem no número reduzido de casos, na escala municipal dos dados e na diversidade das fontes. Sugere-se que a SEGUP e a SEAC disponibilizem séries por bairro, que futuras pesquisas adotem desenhos com grupos de comparação intramunicipais e que a PMPA sistematize indicadores de suas atividades nas áreas atendidas pelas UsiPaz do interior.

Declaração de conflito de interesses

Os autores declaram não haver conflito de interesses de natureza financeira, institucional ou pessoal que possa ter influenciado a condução da pesquisa ou a interpretação dos resultados. A pesquisa não envolveu acesso a dados restritos de qualquer instituição, e todas as informações utilizadas são de domínio público.

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