TIPOS DE EDUCAÇÃO E ESPAÇOS DE APRENDIZAGEM

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REGISTRO DOI: 10.5281/zenodo.18365771


Alba Gama Damasceno1
Andrea Karla Souza Santos1
Iolanda Cordeiro Barbosa1
Jucília Santos Fiaes1
Maiara Virgens Vasconcelos1


RESUMO
A educação constitui-se como um processo social amplo, que ultrapassa os limites da escola e se desenvolve nas múltiplas dimensões da vida humana. Este estudo tem como objetivo analisar criticamente os tipos de educação formal, não formal e informal e seus respectivos espaços de aprendizagem, compreendendo-os como dimensões complementares da formação humana. A pesquisa fundamenta-se em uma abordagem qualitativa, de natureza bibliográfica e reflexiva, ancorada em autores como Brandão (1981), Freire (1970), Gadotti (2005), Gohn (2010), Libâneo (2010; 2018), Ferreira, Sirino e Mota (2020), além do Relatório Delors (1996). As reflexões evidenciam que a hierarquização dos saberes, que privilegia a educação escolar, tende a fragmentar os processos formativos e invisibilizar aprendizagens construídas em outros territórios educativos. Os resultados apontam que a articulação entre educação formal, não formal e informal amplia as possibilidades de formação integral, fortalece a participação cidadã e contribui para práticas pedagógicas mais democráticas e inclusivas. Conclui-se que superar visões reducionistas da educação é condição essencial para reconhecer a aprendizagem como processo permanente, socialmente construído e comprometido com a transformação da realidade. 
Palavras-chave: Educação Formal; Educação Não Formal; Educação Informal; Espaços de Aprendizagem; Formação Humana.

ABSTRACT
Education constitutes a broad social process that transcends the limits of the school and unfolds in the multiple dimensions of human life. This study aims to critically analyze the types of formal, non-formal, and informal education and their respective learning spaces, understanding them as complementary dimensions of human formation. The research is based on a qualitative approach, of a bibliographic and reflective nature, anchored in authors such as Brandão (1981), Freire (1970), Gadotti (2005), Gohn (2010), Libâneo (2010; 2018), Ferreira, Sirino and Mota (2020), in addition to the Delors Report (1996). The reflections show that the hierarchization of knowledge, which privileges school education, tends to fragment formative processes and render invisible learning constructed in other educational territories. The results indicate that the articulation between formal, non-formal, and informal education broadens the possibilities for comprehensive education, strengthens civic participation, and contributes to more democratic and inclusive pedagogical practices. It is concluded that overcoming reductionist views of education is essential to recognizing learning as a permanent, socially constructed process committed to transforming reality.
Keywords: Formal Education; Non-Formal Education; Informal Education; Learning Spaces; Human Development.

INTRODUÇÃO

A educação configura-se como um processo social amplo, que extrapola os limites da escola e se manifesta nas múltiplas dimensões da vida humana. Nessa perspectiva, Brandão (1981) afirma que toda sociedade educa e que a aprendizagem ocorre nas relações sociais, culturais e cotidianas, evidenciando o caráter difuso e permanente do fenômeno educativo. Partindo desse entendimento, este artigo propõe uma análise crítica das modalidades de educação formal, não formal e informal, bem como de sua relação com os diferentes espaços de aprendizagem, compreendendo-as como dimensões complementares da formação humana. Essa abordagem dialoga com Ferreira, Sirino e Mota (2020), ao problematizar a superação de uma visão hierarquizada que privilegia exclusivamente a educação escolar, reconhecendo a pluralidade de experiências educativas que contribuem para a constituição dos sujeitos.

Nessa direção, Freire (1970) reforça que a educação é uma prática social e política, construída na interação entre sujeitos históricos, enquanto Gadotti (2005) destaca seu potencial emancipatório quando articulada às realidades sociais e culturais. A educação formal, nesse contexto, é compreendida como aquela que se desenvolve prioritariamente no espaço escolar, caracterizada pela intencionalidade pedagógica, pela sistematização dos conteúdos e pela organização institucional do ensino, conforme assinala Libâneo (2013). Essa compreensão é corroborada:

Segundo Gadotti (2005, p. 2), ao afirmar que “a educação formal apresenta objetivos e meios definidos num planejamento e ocorre no ambiente escolar. A educação formal tem objetivos claros e específicos, sendo representada principalmente pelas escolas e universidades”, evidenciando o papel estruturador da escola na socialização do conhecimento.

Contudo, essa modalidade não esgota as possibilidades educativas, uma vez que a educação não formal, segundo Gohn (2010), ocorre em espaços diversos da escola, com objetivos educativos definidos, mas maior flexibilidade organizacional, enquanto a educação informal se constitui nas vivências cotidianas, nas interações sociais e culturais, sem intencionalidade pedagógica explícita. Em consonância com essa compreensão ampliada, Delors (1996) defende uma educação ao longo da vida, sustentada pelos pilares do aprender a conhecer, a fazer, a conviver e a ser, reforçando a necessidade de integração entre os diferentes modos e espaços educativos. Assim, reconhecer a complementaridade entre as modalidades de educação formal, não formal e informal contribui para uma compreensão mais abrangente dos processos formativos e para a valorização de práticas educativas que ultrapassam os muros da escola.

Diante desse cenário, compreender a educação como um fenômeno plural e socialmente situado implica reconhecer que os processos educativos se desenvolvem em múltiplos tempos, espaços e relações, extrapolando a centralidade da escola sem, contudo, negá-la. Tal compreensão dialoga com Brandão (1981), ao afirmar que toda sociedade educa, e com Freire (1970), ao conceber a educação como prática social, ética e política construída nas interações entre sujeitos históricos. A articulação entre educação formal, não formal e informal evidencia que a aprendizagem ocorre de forma contínua e integrada, envolvendo diferentes territórios educativos e experiências formativas. Nesse sentido:

Ferreira, Sirino e Mota (2020) contribuem ao problematizar visões fragmentadas e hierarquizadas do conhecimento, reforçando a necessidade de reconhecer a complementaridade entre os distintos modos de educar. Gohn (2010) acrescenta que os espaços não formais desempenham papel relevante na ampliação das oportunidades educativas, especialmente em contextos marcados por desigualdades sociais.

Essa perspectiva reafirma a educação como um processo orientado à formação integral do ser humano, conforme defendem Delors (1996) e Gadotti (2005), ao enfatizarem a educação ao longo da vida e seu compromisso com a emancipação humana. Assim, a articulação entre os diferentes territórios educativos consolida-se como condição essencial para a construção de uma educação inclusiva, democrática e comprometida com a transformação da realidade, conforme também destaca Libâneo (2010). A relevância social, educacional e científica do estudo reside na necessidade de superar a visão hierarquizada que privilegia exclusivamente a educação escolar como espaço legítimo de produção do conhecimento. Embora a educação formal desempenhe papel estruturador na socialização do saber, conforme destaca Gadotti (2005), a aprendizagem ocorre de forma contínua e integrada em diferentes territórios educativos.

A problematização centra-se na persistência de concepções reducionistas que desconsideram os saberes construídos em espaços não formais e informais. Diante disso, justifica-se a investigação pela contribuição teórica e pedagógica à reflexão sobre a formação humana integral, reconhecendo a pluralidade de tempos, espaços e experiências educativas. O objetivo geral do estudo é analisar criticamente os tipos de educação e seus espaços de aprendizagem, destacando a importância de sua articulação para uma educação emancipatória. Como objetivos específicos, busca-se compreender conceitos e características, problematizar a hierarquização dos saberes e refletir sobre implicações pedagógicas e sociais.

Complementando essa concepção, Libâneo (2018, p. 81) aprofunda a noção de formalidade ao afirmar que o termo “formal” refere-se àquilo que possui forma, isto é, uma organização inteligível, estruturada e intencional. Nessa perspectiva, a educação formal caracteriza-se por ser planejada e sistemática, sem que a intencionalidade educativa esteja restrita exclusivamente aos espaços escolares. Tal entendimento amplia a compreensão do fenômeno educativo e dialoga com autores como Brandão (1981) e Freire (1970), ao reconhecer que práticas educativas também se constituem em contextos não escolares. Assim, reforça-se a necessidade de articular os diferentes tipos de educação e seus respectivos espaços de aprendizagem, conforme defendem Gohn (2010), Gadotti (2005) e Delors (1996), superando visões hierarquizadas e fragmentadas do conhecimento.

PROBLEMA DA PESQUISA

Apesar dos avanços teóricos que reconhecem a educação como um processo contínuo, socialmente situado e desenvolvido em diferentes contextos ao longo da vida (BRANDÃO, 1981; DELORS, 1996), ainda persiste, nos discursos e nas práticas educacionais, uma visão hierarquizada que privilegia a educação formal escolar como principal e, por vezes, único espaço legítimo de produção do conhecimento. Essa perspectiva tende a desconsiderar os saberes construídos nos espaços não formais e informais, invisibilizando experiências educativas vinculadas à cultura, à comunidade e ao cotidiano dos sujeitos (FREIRE, 1970; GOHN, 2010; FERREIRA; SIRINO; MOTA, 2020). Tal fragmentação compromete a compreensão da educação como prática social, ética e política, conforme defendem Gadotti (2005) e Libâneo (2010).

Diante desse cenário, formula-se o seguinte problema de pesquisa: como os diferentes tipos de educação formal, não formal e informal e seus respectivos espaços de aprendizagem podem ser compreendidos de forma articulada, superando hierarquizações e fortalecendo uma concepção ampliada, democrática e emancipatória da educação?

JUSTIFICATIVA

A relevância deste estudo fundamenta-se na compreensão da educação como um processo social, plural e historicamente situado, que se constrói nas relações sociais e nos diferentes territórios vividos pelos sujeitos (BRANDÃO, 1981; FREIRE, 1970). Em um contexto marcado por desigualdades sociais, pluralidade cultural e demandas formativas complexas, torna-se necessário aprofundar a reflexão sobre os tipos de educação formal, não formal e informal e seus respectivos espaços de aprendizagem, reconhecendo a legitimidade dos saberes produzidos para além da escola.

Autores como Gadotti (2005), Gohn (2010) e Libâneo (2010) destacam que a formação humana integral resulta da articulação entre múltiplos contextos educativos, nos quais se entrelaçam dimensões pedagógicas, sociais, culturais e políticas. Ao discutir criticamente essas dimensões, o presente trabalho contribui para a superação de concepções reducionistas e hierarquizadas da educação, fortalecendo práticas pedagógicas mais democráticas, inclusivas e socialmente comprometidas. Justifica-se, portanto, por sua contribuição teórica e pedagógica à valorização da diversidade de espaços educativos e à construção de uma educação orientada pela emancipação, pela cidadania e pela justiça social (DELORS, 1996).

OBJETIVOS

OBJETIVO GERAL

Analisar criticamente os tipos de educação formal, não formal e informal e seus respectivos espaços de aprendizagem, compreendendo-os como dimensões complementares da formação humana e ressaltando a importância de sua articulação para a construção de uma educação emancipatória, democrática e socialmente transformadora.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

  • Compreender os conceitos, as características e as especificidades dos diferentes tipos de educação formal, não formal e informal;

  • Analisar os espaços formais e não formais de aprendizagem como territórios educativos legítimos e socialmente relevantes, reconhecendo a diversidade de saberes neles produzidos;

  • Problematizar a hierarquização dos saberes que privilegia a educação escolar em detrimento de outras experiências formativas, a partir de uma perspectiva crítica e emancipatória da educação;

  • Discutir as implicações pedagógicas, sociais e científicas da articulação entre os diferentes tipos de educação, destacando sua contribuição para a formação integral dos sujeitos;

  • Refletir sobre os impactos dessa articulação nas práticas pedagógicas e nos processos de educação científica, considerando a ampliação dos espaços de aprendizagem e a valorização dos contextos socioculturais.

FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

A educação formal, organizada institucionalmente e regida por normas legais, desempenha papel central na sistematização do conhecimento científico, conforme destaca Libâneo (2010). Contudo, essa modalidade não esgota os processos educativos, uma vez que autores como Gohn (2010) e Ferreira, Sirino e Mota (2020) ressaltam que os espaços não formais e informais também se constituem como territórios educativos legítimos, nos quais ocorrem aprendizagens significativas relacionadas à participação social, à cultura, ao trabalho e à cidadania. Essa perspectiva amplia o entendimento de educação para além das classificações tradicionais, evidenciando que os processos educativos se inter-relacionam e se complementam.

A hierarquização dos saberes, ao valorizar exclusivamente o conhecimento escolarizado, tende a invisibilizar práticas educativas presentes em movimentos sociais, comunidades, famílias e experiências culturais. Freire (1970) critica essa lógica ao defender uma educação dialógica, comprometida com a emancipação dos sujeitos e com a valorização dos saberes populares. Gadotti (2005), por sua vez, reforça a ideia de uma educação integral e cidadã, orientada para a transformação social e para a construção de sujeitos críticos e participativos.

A educação, compreendida como processo social e histórico, constitui-se como experiência vivida nas relações humanas e nos contextos socioculturais. Para Brandão (1981), toda sociedade educa, e a aprendizagem ocorre na convivência cotidiana, nos modos de viver, trabalhar, comunicar e participar da vida coletiva, ultrapassando os limites da escolarização formal. Essa concepção rompe com visões restritas e escolarizadas da educação, reconhecendo a pluralidade dos espaços e dos tempos educativos. Nessa perspectiva:

Paulo Freire (1970) reforça o caráter político, ético e emancipatório da educação ao concebê-la como prática da liberdade. Para o autor, o ato educativo deve possibilitar aos sujeitos a leitura crítica do mundo e a superação de condições de opressão, constituindo-se como processo dialógico e transformador, para além da mera transmissão de conteúdos. Tal compreensão amplia o reconhecimento dos espaços não escolares como territórios legítimos de formação humana.

Gadotti (2005) e Libâneo (2010; 2018) contribuem ao destacar a centralidade da escola na sistematização do conhecimento científico, sem desconsiderar a intencionalidade educativa presente em outros espaços sociais. Ambos defendem uma visão integrada da educação, na qual a formação humana se constrói na articulação entre saberes científicos, culturais e populares, exigindo o diálogo entre escola, comunidade e demais territórios educativos. A distinção entre educação formal, não formal e informal é problematizada por Ferreira, Sirino e Mota (2020), que criticam a rigidez e a hierarquização dessas categorias, defendendo sua interdependência e complementaridade. A educação formal caracteriza-se pela institucionalização, organização curricular e certificação; a educação não formal desenvolve-se em espaços organizados fora do sistema escolar, com intencionalidade educativa e maior flexibilidade; enquanto a educação informal ocorre nas experiências espontâneas do cotidiano, nas relações familiares, sociais e culturais.

Gohn (2010) enfatiza a educação não formal como campo fundamental para a formação social e política dos sujeitos, destacando espaços como movimentos sociais, associações comunitárias, projetos sociais, museus e organizações da sociedade civil como territórios educativos produtores de saberes, valores e práticas voltadas à cidadania e à participação social.

Essa compreensão converge com o relatório da UNESCO, coordenado por Jacques Delors (1996), que propõe a educação ao longo da vida como princípio estruturante das políticas educacionais contemporâneas. Fundamentada nos quatro pilares da aprendizagem aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a conviver e aprender a ser, essa perspectiva reafirma que a aprendizagem ocorre em múltiplos contextos e deve promover o desenvolvimento integral do ser humano.

Dessa forma, a fundamentação teórica deste estudo sustenta-se na compreensão da educação como um processo plural, contínuo e socialmente construído. Ao reconhecer a interdependência entre educação formal, não formal e informal, bem como a legitimidade dos diversos territórios educativos, reafirma-se a necessidade de superar visões hierarquizadas do conhecimento, consolidando uma educação inclusiva, emancipatória e comprometida com a transformação da realidade social, conforme defendem Brandão (1981), Freire (1970), Gadotti (2005), Gohn (2010), Libâneo (2010; 2018) e Delors (1996).

METODOLOGIA

Trata-se de uma pesquisa qualitativa, de natureza bibliográfica e reflexiva, orientada pela compreensão da educação como fenômeno social, histórico e culturalmente situada. A abordagem qualitativa mostra-se adequada por possibilitar a análise aprofundada de concepções, categorias e interpretações construídas no campo educacional, permitindo compreender os sentidos atribuídos aos diferentes tipos de educação e aos espaços de aprendizagem a partir de referenciais teóricos consolidados. Conforme defendem Brandão (1981) e Freire (1970), a educação não pode ser reduzida a dados mensuráveis, pois envolve processos simbólicos, relações sociais e práticas culturais que exigem leitura crítica e contextualizada da realidade.

No que se refere ao tipo de pesquisa, adotou-se a pesquisa bibliográfica, fundamentada na análise de obras clássicas e contemporâneas da área da Educação, articulada a uma perspectiva reflexiva. A pesquisa bibliográfica possibilitou o levantamento, a sistematização e a interpretação de produções teóricas que discutem a educação formal, não formal e informal, bem como os diferentes espaços de aprendizagem. Já o caráter reflexivo permitiu problematizar as concepções apresentadas pelos autores, estabelecendo diálogos críticos entre seus pressupostos teóricos e as demandas educacionais contemporâneas, em consonância com a perspectiva defendida por Gadotti (2005) e Libâneo (2010; 2018).

Os procedimentos metodológicos consistiram, inicialmente, no levantamento e seleção das obras a partir de bases bibliográficas reconhecidas, acervos acadêmicos e produções amplamente referenciadas no campo educacional. Em seguida, realizou-se a leitura exploratória, analítica e interpretativa dos textos, buscando identificar conceitos-chave, categorias analíticas e argumentos centrais relacionados aos tipos de educação, aos espaços de aprendizagem e à formação humana integral. Posteriormente, procedeu-se à sistematização dos dados teóricos, organizando-os em eixos temáticos que permitiram a articulação entre educação formal, não formal e informal, bem como suas implicações pedagógicas, sociais e políticas.

Os critérios de seleção dos autores e obras basearam-se na relevância teórica, na consistência conceitual e na contribuição histórica para a compreensão ampliada da educação. Foram priorizados autores que reconhecem a educação como processo social e permanente, como Brandão (1981), Freire (1970), Gadotti (2005), Gohn (2010), Libâneo (2010; 2018) e Delors (1996), além de Ferreira, Sirino e Mota (2020), que problematizam as classificações tradicionais entre os tipos de educação. A escolha dessas referências justifica-se por sua convergência teórica na defesa da superação de visões hierarquizadas do saber e pela valorização dos diversos territórios educativos.

A etapa de discussão e análise fundamentou-se na articulação entre teoria e problematização, buscando compreender como os diferentes autores dialogam entre si na construção de uma concepção ampliada de educação. Essa análise permitiu evidenciar que a integração entre educação formal, não formal e informal contribui para processos formativos mais democráticos e inclusivos, ao reconhecer a legitimidade dos saberes produzidos em diferentes contextos sociais. Conforme destaca Gohn (2010), os espaços não formais desempenham papel fundamental na formação cidadã, enquanto Delors (1996) reforça a importância da educação ao longo da vida.

As implicações pedagógicas e sociais dessa articulação foram analisadas à luz das contribuições dos autores estudados, evidenciando que a valorização dos diferentes tipos de educação favorece práticas educativas mais contextualizadas, críticas e socialmente comprometidas. Por fim, os diálogos estabelecidos entre os referenciais teóricos permitiram compreender a educação como processo integrado, ético e emancipatório, reafirmando a necessidade de articulação entre escola, comunidade e demais espaços educativos, em consonância com as perspectivas de Freire (1970), Brandão (1981) e Libâneo (2018).

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A reflexão desenvolvida ao longo deste trabalho evidencia que a educação não pode ser compreendida de forma fragmentada ou restrita ao espaço escolar. Conforme apontam Brandão (1981) e Freire (1970), os processos educativos se constituem nas relações sociais, culturais e históricas, exigindo uma compreensão ampliada da formação humana. Nesse sentido, a articulação entre educação formal, não formal e informal revela-se fundamental para a construção de processos formativos mais democráticos, inclusivos e socialmente comprometidos, ao reconhecer a legitimidade dos diferentes territórios educativos. Valorizar os saberes produzidos nas experiências cotidianas, comunitárias e culturais fortalece a autonomia dos sujeitos, a participação cidadã e a justiça social, conforme defendem Gadotti (2005) e Gohn (2010). Superar fronteiras rígidas entre os tipos de educação, portanto, não constitui apenas um desafio conceitual, mas um compromisso político-pedagógico com a transformação da realidade social. Essa perspectiva converge com a concepção de educação ao longo da vida proposta por Delors (1996) e com a defesa de uma formação integral apresentada por Libâneo (2010; 2018) e Ferreira, Sirino e Mota (2020), reafirmando a educação como um processo permanente, coletivo e emancipatório, essencial para a construção de uma sociedade mais justa e solidária.

Nesse horizonte teórico, reafirma-se que a superação da centralidade exclusiva da escola não implica sua negação, mas o reconhecimento de sua articulação com outros espaços e tempos educativos. Libâneo (2010; 2018) destaca que a escola mantém papel estruturante na sistematização do conhecimento científico, porém sua efetividade formativa amplia-se quando dialoga com saberes culturais, sociais e populares produzidos em contextos não escolares. Ferreira, Sirino e Mota (2020) reforçam essa compreensão ao problematizarem a rigidez das categorias de educação formal, não formal e informal, defendendo sua interdependência como condição para uma formação humana mais significativa. Nessa mesma direção, Gadotti (2005) compreende a educação como processo integral e permanente, articulado à cidadania e à participação social, enquanto Gohn (2010) evidencia os espaços não formais como territórios educativos estratégicos para a formação política e social dos sujeitos. Assim, ao reconhecer a pluralidade de experiências formativas e a complementaridade entre os diferentes tipos de educação, consolida-se uma concepção de educação comprometida com a emancipação humana, com a democratização do saber e com a transformação das desigualdades sociais, em consonância com os pressupostos defendidos por Brandão (1981), Freire (1970) e Delors (1996).

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BRANDÃO, Carlos Rodrigues. O que é educação. 19. ed. São Paulo: Brasiliense, 1981. Acesso em: 17 nov. 2025.

DELORS, Jacques. Educação: um tesouro a descobrir. Relatório para a UNESCO da Comissão Internacional sobre Educação para o Século XXI. São Paulo: Cortez; Brasília: MEC/UNESCO, 1996. Acesso em: 19 nov. 2025.

FERREIRA. SIRINO. MOTA. Para além da formal não formal e informal. Disponível em: https://suap.ifbaiano.edu.br/edu/registrar_acesso_aluno_material_aula/48532/30018/. Acesso em: 18 nov. 2025.

FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1970. Acesso em: 15 nov. 2025.

GADOTTI, Moacir. Educação e poder: introdução à pedagogia do conflito. 15. ed. São Paulo: Cortez, 2005. Acesso em: 14 nov. 2025.

GADOTTI, Moacir. Educar para a cidadania. São Paulo: Cortez, 2005. Acesso em: 24 nov. 2025.

GOHN, Maria da Glória. Educação não formal e o educador social. São Paulo: Cortez, 2010. Disponível em: https://suap.ifbaiano.edu.br/edu/registrar_acesso_aluno_material_aula/48532/30019/. Acesso em: 18 nov. 2025.

LIBÂNEO, José Carlos. Adeus professor, adeus professora? Novas exigências educacionais e profissão docente. 13. ed. São Paulo: Cortez, 2018. Acesso em: 21 nov. 2025.

LIBÂNEO, José Carlos. Didática. São Paulo: Cortez, 2018. Acesso em: 13 nov. 2025.

LIBÂNEO, José Carlos. Pedagogia e pedagogos, para quê? 12. ed. São Paulo: Cortez, 2010. Acesso em: 20 nov. 2025.


Artigo apresentado como requisito parcial para a disciplina/temática: “Tipos de Educação e Espaços de Aprendizagem.” Ministrada pela Profª Drª Mirna Ribeiro Lima da Silva.

1 Discentes de Curso Superior Especialização em Práticas Educativas para Aprendizagem Colaborativa(CEPEAC), Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Baiano – Campus Catu - BA. E-mail: [email protected]; [email protected]; [email protected]; [email protected]; [email protected]; [email protected]