TENDÊNCIA TEMPORAL DAS INTERNAÇÕES E DA MORTALIDADE HOSPITALAR POR NEOPLASIA MALIGNA DO CÓLON EM MENORES DE 50 ANOS NO BRASIL ENTRE 2014 E 2023

TEMPORAL TRENDS IN HOSPITALIZATIONS AND IN-HOSPITAL MORTALITY DUE TO MALIGNANT NEOPLASM OF THE COLON AMONG INDIVIDUALS YOUNGER THAN 50 YEARS IN BRAZIL BETWEEN 2014 AND 2023

REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/783372288

RESUMO
O câncer colorretal de início precoce tem apresentado aumento consistente entre adultos jovens, o que reforça a necessidade de monitoramento epidemiológico no Brasil. Este estudo analisou a tendência temporal das internações e da mortalidade hospitalar por neoplasia maligna do cólon em indivíduos menores de 50 anos no Brasil entre 2014 e 2023. Realizou-se estudo ecológico, retrospectivo e de série temporal, com dados do Sistema de Informações Hospitalares do Sistema Único de Saúde (SIH/SUS). As taxas anuais de internação foram calculadas por 100.000 habitantes com base nas projeções populacionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Aplicaram-se regressão de Poisson e quase-Poisson, regressão binomial agrupada e o teste de Mann-Kendall, adotando-se nível de significância de 5%. Foram registradas 105.932 internações e 5.211 óbitos hospitalares, com mortalidade hospitalar acumulada de 4,92%. A taxa de internação aumentou de 6,09 para 7,64 por 100.000 habitantes, com tendência crescente significativa (variação percentual anual de 1,85%; p = 0,0002), enquanto a mortalidade hospitalar permaneceu estável (p = 0,9202). As faixas de 40 a 49 anos concentraram 59,59% das internações, e a região Sudeste respondeu por 39,47% dos registros. Conclui-se que houve aumento significativo das hospitalizações por neoplasia maligna do cólon em menores de 50 anos no período, com estabilidade da mortalidade hospitalar; os achados não permitem inferir diretamente aumento da incidência nem sustentar isoladamente mudanças nas políticas de rastreamento, reforçando a necessidade de estudos populacionais complementares.
Palavras-chave: Neoplasias do Colo; Adulto Jovem; Hospitalização; Mortalidade Hospitalar; Estudos de Séries Temporais.

ABSTRACT
Early-onset colorectal cancer has shown a consistent increase among young adults, reinforcing the need for epidemiological monitoring in Brazil. This study analyzed the temporal trends in hospitalizations and in-hospital mortality due to malignant neoplasm of the colon among individuals younger than 50 years in Brazil between 2014 and 2023. An ecological, retrospective, time-series study was conducted using data from the Brazilian Unified Health System Hospital Information System (SIH/SUS). Annual hospitalization rates were calculated per 100,000 inhabitants based on population projections from the Brazilian Institute of Geography and Statistics. Poisson and quasi-Poisson regression, grouped binomial regression, and the Mann-Kendall test were applied, adopting a 5% significance level. A total of 105,932 hospitalizations and 5,211 in-hospital deaths were recorded, with an overall in-hospital mortality of 4.92%. The hospitalization rate increased from 6.09 to 7.64 per 100,000 inhabitants, with a significant upward trend (annual percent change of 1.85%; p = 0.0002), whereas in-hospital mortality remained stable (p = 0.9202). Individuals aged 40 to 49 years accounted for 59.59% of hospitalizations, and the Southeast region accounted for 39.47% of records. In conclusion, there was a significant increase in hospitalizations for malignant neoplasm of the colon among individuals younger than 50 years during the period, with stable in-hospital mortality; the findings do not allow direct inferences regarding disease incidence nor independently support changes in screening policies, reinforcing the need for complementary population-based studies.
Keywords: Colonic Neoplasms; Young Adult; Hospitalization; Hospital Mortality; Time Series Studies.

Conflito de interesses: os autores declaram não haver conflito de interesses.

1. INTRODUÇÃO

O câncer colorretal (CCR) representa um importante problema de saúde pública mundial, sendo o terceiro tipo de câncer mais incidente e a segunda principal causa de morte por neoplasias. Estimativas globais indicam aproximadamente 1,9 milhão de novos casos e mais de 900 mil óbitos anuais, com tendência de crescimento nas próximas décadas em decorrência do envelhecimento populacional, da urbanização e da maior exposição a fatores de risco relacionados ao estilo de vida (Sung et al., 2024; Arnold et al., 2025). No Brasil, o CCR também figura entre as neoplasias mais frequentes em ambos os sexos, representando importante causa de morbidade, mortalidade e utilização dos serviços de saúde (INCA, 2025).

Tradicionalmente, o câncer colorretal foi considerado uma doença predominante em indivíduos com 50 anos ou mais, população na qual se concentram as estratégias de rastreamento recomendadas por sociedades científicas internacionais. Entretanto, nas últimas duas décadas, diversos estudos demonstraram aumento consistente da incidência do câncer colorretal em adultos jovens, fenômeno atualmente denominado early-onset colorectal cancer (EOCRC), caracterizado pelo diagnóstico antes dos 50 anos de idade (Siegel et al., 2017; Bailey et al., 2015). Esse comportamento epidemiológico motivou discussões sobre os fatores responsáveis pelo crescimento da doença e sobre a necessidade de revisão das estratégias de prevenção e rastreamento em populações mais jovens (USPSTF, 2021; Wolf et al., 2018).

Embora os mecanismos envolvidos no aumento do EOCRC ainda não estejam completamente esclarecidos, acredita-se que esse fenômeno resulte da interação entre predisposição genética e fatores ambientais. Obesidade, sedentarismo, dieta rica em alimentos ultraprocessados e carnes processadas, baixo consumo de fibras, diabetes mellitus, tabagismo, consumo excessivo de álcool e alterações da microbiota intestinal têm sido apontados como fatores potencialmente associados ao aumento da incidência da doença em adultos jovens (Sung et al., 2024; Mauri et al., 2023). Além disso, síndromes hereditárias, como a síndrome de Lynch e a polipose adenomatosa familiar, permanecem importantes fatores de risco, embora representem apenas uma parcela dos casos diagnosticados nessa faixa etária (NCCN, 2025).

O diagnóstico do câncer colorretal em indivíduos jovens frequentemente ocorre em estágios mais avançados da doença, em razão da menor suspeição clínica, da ausência de rastreamento populacional sistemático antes dos 50 anos e da tendência de atribuir sintomas iniciais, como sangramento retal, alteração do hábito intestinal e dor abdominal, a condições benignas. Como consequência, esses pacientes apresentam maior necessidade de internações hospitalares, tratamentos cirúrgicos complexos, quimioterapia e cuidados especializados, aumentando o impacto da doença sobre os sistemas de saúde (Siegel et al., 2019; Akinyemiju et al., 2022).

Nesse contexto, as internações hospitalares constituem um importante indicador da carga assistencial relacionada ao câncer colorretal, permitindo avaliar a utilização dos serviços de saúde, a demanda por tratamento especializado e os desfechos hospitalares da doença. A análise das tendências temporais das hospitalizações e da mortalidade hospitalar possibilita identificar mudanças no comportamento epidemiológico do câncer colorretal em adultos jovens e fornece informações relevantes para o planejamento da assistência oncológica e das políticas públicas de prevenção (Brasil, 2025; Antunes; Cardoso, 2015).

No Brasil, embora estudos internacionais tenham demonstrado crescimento da incidência do câncer colorretal em menores de 50 anos, ainda são escassas as investigações nacionais que avaliem, em âmbito populacional, a evolução temporal das internações e da mortalidade hospitalar nessa população. A utilização dos dados do Sistema de Informações Hospitalares do Sistema Único de Saúde (SIH/SUS) permite analisar o comportamento desses indicadores em escala nacional, identificar diferenças regionais e subsidiar futuras discussões sobre organização da assistência, diagnóstico precoce e estratégias de rastreamento (Brasil, 2025).

Diante desse cenário, o presente estudo teve como objetivo analisar a tendência temporal das internações e da mortalidade hospitalar por neoplasia maligna do cólon em indivíduos menores de 50 anos no Brasil, entre 2014 e 2023, contribuindo para a compreensão do comportamento epidemiológico dessa condição e fornecendo evidências que possam subsidiar estratégias de prevenção, diagnóstico precoce e planejamento da assistência oncológica no país.

2. METODOLOGIA

2.1. Delineamento e Âmbito do Estudo

Foi realizado estudo ecológico, retrospectivo, observacional e de série temporal, com abrangência nacional, baseado em dados secundários do Sistema de Informações Hospitalares do Sistema Único de Saúde (SIH/SUS). Foram analisadas as internações hospitalares registradas com diagnóstico de neoplasia maligna do cólon em indivíduos menores de 50 anos, entre os anos de processamento de 2014 e 2023.

A análise foi estruturada em três níveis complementares. O primeiro avaliou os totais nacionais anuais. O segundo considerou a combinação entre ano e grande região do estabelecimento de internação. O terceiro considerou a combinação entre ano e faixa etária. Foram incluídas as categorias menor de 1 ano, 1 a 4, 5 a 9, 10 a 14, 15 a 19, 20 a 24, 25 a 29, 30 a 34, 35 a 39, 40 a 44 e 45 a 49 anos.

O delineamento foi empregado para descrever a distribuição das hospitalizações e dos óbitos hospitalares, estimar tendências temporais das taxas de internação e avaliar se essas tendências diferiram segundo região e faixa etária. Por se tratar de estudo ecológico baseado em registros administrativos agregados, as estimativas não representam incidência populacional de câncer nem permitem estabelecer relações causais em nível individual.

2.2. Fonte e Extração dos Dados Hospitalares

Os dados hospitalares foram obtidos no SIH/SUS, disponibilizado pelo Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde por meio da plataforma TabNet/DATASUS. Foi selecionada a categoria diagnóstica “Neoplasia maligna do cólon”, da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde, 10ª revisão (CID-10).

Foram extraídos o número de internações e o número de óbitos hospitalares segundo ano de processamento, faixa etária e grande região. Os sinais de ausência de eventos apresentados pelo TabNet foram convertidos em zero. Os totais extraídos pelas classificações etária e regional foram conferidos entre si e reproduziram 105.932 internações e 5.211 óbitos no período.

Na análise regional, os registros foram atribuídos à região do estabelecimento responsável pela internação. Consequentemente, os resultados regionais representam a produção hospitalar registrada em cada território e não necessariamente a região de residência dos pacientes. Uma mesma pessoa pode ter contribuído com mais de uma internação ao longo do período, pois a unidade registrada pelo SIH/SUS é a autorização de internação hospitalar, e não o indivíduo único.

2.3. Dados Populacionais

Os denominadores populacionais foram obtidos das Projeções das Populações do Brasil e das Unidades da Federação, Revisão 2024, elaboradas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Foi utilizada a população anual por idade simples e ambos os sexos, permitindo a construção de denominadores específicos para a população de 0 a 49 anos, para cada grande região e para cada faixa etária analisada.

Para a análise nacional e regional, foram somadas as populações com idades entre 0 e 49 anos. Para as análises etárias, as idades simples foram agregadas de acordo com as categorias adotadas pelo SIH/SUS. Os dados populacionais foram vinculados aos registros hospitalares segundo ano, região e faixa etária.

As taxas anuais de internação foram calculadas pela expressão:

Taxa de internação = (número de internações / população correspondente) × 100.000

As taxas foram expressas por 100.000 habitantes da população correspondente. Nas análises regionais e etárias, o denominador foi específico para cada combinação entre ano e grupo.

2.4. Variáveis e Desfechos

O desfecho relacionado à utilização hospitalar foi o número de internações registradas com diagnóstico de neoplasia maligna do cólon em menores de 50 anos. Foram analisadas as contagens absolutas, a participação percentual de cada região e faixa etária e as taxas anuais por 100.000 habitantes.

O desfecho hospitalar foi o óbito ocorrido durante a internação registrada no SIH/SUS. A mortalidade hospitalar foi calculada pela expressão:

Mortalidade hospitalar = (óbitos hospitalares / internações) × 100

O número de sobreviventes hospitalares foi calculado pela diferença entre o total de internações e o número de óbitos em cada unidade analítica. As variáveis explicativas foram o ano de processamento, a grande região e a faixa etária. O ano foi tratado como variável contínua e centralizado em 2014.

2.5. Análise Descritiva

Foram calculadas frequências absolutas e relativas para internações e óbitos, além das taxas populacionais e da mortalidade hospitalar. A análise descritiva incluiu o total de internações e de óbitos no período; a mortalidade hospitalar acumulada; o número anual de internações e de óbitos; as taxas anuais de internação por 100.000 habitantes; a participação de cada região e faixa etária no total nacional; e a mortalidade hospitalar acumulada segundo região e faixa etária.

As taxas médias do período por região e faixa etária foram calculadas pela divisão do total de internações pela soma das populações anuais correspondentes, com multiplicação por 100.000. Essas medidas representam taxas médias ponderadas ao longo dos dez anos de observação.

2.6. Análise das Tendências das Internações

Como o número de internações constitui variável de contagem, foram ajustados modelos de regressão de Poisson com função de ligação logarítmica e inclusão do logaritmo da população como offset. A estrutura geral dos modelos foi:

log ( E [ Y ] ) = β 0 + β 1 ( ano ) + β 2 ( grupo ) + β 3 ( ano × grupo ) + log ( população )

A dispersão foi avaliada pela razão entre a soma dos resíduos de Pearson ao quadrado e os graus de liberdade residuais. No modelo nacional, o parâmetro de dispersão foi de 6,6223, evidenciando sobredispersão; por esse motivo, foi utilizada regressão quase-Poisson para correção da variância e dos erros-padrão. A mesma estratégia foi aplicada aos modelos regionais e por faixa etária quando identificada sobredispersão.

Os modelos estratificados incluíram os efeitos principais de ano e grupo e a interação ano × grupo. A interação ano × região foi avaliada por análise de deviance com teste F, assim como a interação ano × faixa etária. Interações estatisticamente significativas indicaram que as inclinações temporais não foram uniformes entre os grupos.

Os coeficientes temporais foram exponenciados para obtenção das razões de taxas anuais. A variação percentual anual (VPA) foi calculada pela expressão:

V P A = ( e ( β  do ano ) 1 ) × 100

Foram estimadas a VPA, o intervalo de confiança de 95% e o valor de p para o Brasil, cada região e cada faixa etária. O modelo nacional agregado foi utilizado para a síntese da tendência geral e para a construção da curva temporal nacional.

2.7. Análise da Mortalidade Hospitalar

A mortalidade hospitalar foi analisada por regressão binomial agrupada, utilizando conjuntamente o número de óbitos e de sobreviventes em cada unidade analítica. Essa abordagem preserva os denominadores que originaram cada proporção e evita atribuir a mesma precisão a percentuais calculados a partir de quantidades distintas de internações.

Foi utilizada função de ligação logit. Os modelos estratificados incluíram ano, grupo e a interação ano × grupo:

logit ( p ) = β 0 + β 1 ( ano ) + β 2 ( grupo ) + β 3 ( ano × grupo )

A dispersão foi avaliada pelos resíduos de Pearson. No modelo nacional, o parâmetro de dispersão foi de 0,3551, sem evidência de sobredispersão, sendo mantida a distribuição binomial convencional. O modelo regional também foi estimado por regressão binomial. Na análise por faixa etária, a presença de sobredispersão justificou o uso de regressão quase-binomial.

A interação ano × região foi avaliada por teste da razão de verossimilhanças, enquanto a interação ano × faixa etária foi avaliada por análise de deviance com teste F no modelo quase-binomial. Os efeitos temporais foram expressos como odds ratios anuais, com intervalos de confiança de 95% e valores de p. Também foi ajustado modelo nacional agregado para estimar a tendência global da mortalidade hospitalar e produzir a curva nacional.

2.8. Análise Gráfica

Foram elaboradas seis figuras: tendência nacional das taxas de internação; tendência nacional da mortalidade hospitalar; variação percentual anual das internações por região; odds ratios anuais da mortalidade por região; variação percentual anual das internações por faixa etária; e odds ratios anuais da mortalidade por faixa etária. As curvas nacionais apresentam os valores observados, as estimativas dos modelos e os respectivos intervalos de confiança de 95%.

2.9. Software e Nível de Significância

A importação, a organização, a análise dos dados e a elaboração dos gráficos foram realizadas no software R, versão 4.6.1. A base populacional em formato Excel foi importada com o pacote readxl, os gráficos foram produzidos com o pacote ggplot2 e os modelos foram ajustados com funções do pacote stats, integrante da distribuição padrão do R.

Todos os testes foram bicaudais, adotando-se nível de significância de 5%. Os resultados foram apresentados com intervalos de confiança de 95%. Valores de p inferiores a 0,0001 foram apresentados como p < 0,0001.

2.10. Aspectos Éticos

Foram utilizados exclusivamente dados secundários, agregados, anonimizados e de acesso público, sem identificação individual dos pacientes. Não houve contato com participantes, realização de intervenção ou acesso a informações nominativas. Dessa forma, o estudo enquadra-se nas condições de dispensa de apreciação por Comitê de Ética em Pesquisa aplicáveis a pesquisas realizadas exclusivamente com informações públicas e não identificáveis.

3. RESULTADOS

3.1. Resultados Nacionais e Distribuição dos Registros

Entre 2014 e 2023, foram registradas 105.932 internações por neoplasia maligna do cólon em menores de 50 anos no SIH/SUS. Durante essas internações, ocorreram 5.211 óbitos hospitalares, correspondendo a uma mortalidade hospitalar acumulada de 4,92%. O número anual de internações aumentou de 9.485 em 2014 para 11.775 em 2023, enquanto os óbitos passaram de 479 para 584.

A taxa nacional de internação foi de 6,09 por 100.000 habitantes menores de 50 anos em 2014 e de 7,64 por 100.000 em 2023, representando aumento bruto de 25,5% entre o início e o final da série. A mortalidade hospitalar foi de 5,05% em 2014 e de 4,96% em 2023, com oscilações discretas ao longo do período.

Tabela 1. Internações, óbitos, população, taxa de internação e mortalidade hospitalar por neoplasia maligna do cólon em menores de 50 anos, segundo ano. Brasil, 2014-2023.

Ano

Internações

Óbitos

População

Taxa/100 mil

Mortalidade (%)

2014

9.485

479

155.780.199

6,09

5,05

2015

10.259

498

155.897.407

6,58

4,85

2016

10.314

506

155.891.130

6,62

4,91

2017

10.487

525

155.762.062

6,73

5,01

2018

10.450

486

155.617.254

6,72

4,65

2019

10.568

524

155.530.077

6,79

4,96

2020

10.503

507

155.416.103

6,76

4,83

2021

11.028

556

155.148.275

7,11

5,04

2022

11.063

546

154.668.351

7,15

4,94

2023

11.775

584

154.076.980

7,64

4,96

Fonte: Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS) e Projeções Populacionais do IBGE, Revisão 2024.

Regionalmente, o Sudeste concentrou 41.816 internações, equivalentes a 39,47% do total nacional, seguido pelo Sul, com 33.116 (31,26%); Nordeste, com 19.758 (18,65%); Centro-Oeste, com 8.373 (7,90%); e Norte, com 2.869 (2,71%). A mortalidade hospitalar acumulada foi de 8,33% no Norte, 6,08% no Sudeste, 5,06% no Centro-Oeste, 4,74% no Nordeste e 3,23% no Sul. Essas diferenças são descritivas e não devem ser interpretadas isoladamente como medidas de qualidade assistencial.

Tabela 2. Distribuição das internações e dos óbitos hospitalares por neoplasia maligna do cólon em menores de 50 anos, segundo região. Brasil, 2014-2023.

Região

Internações

Óbitos

População

Participação (%)

Mortalidade (%)

Taxa média/100 mil

Norte

2.869

239

147.318.054

2,71

8,33

1,95

Nordeste

19.758

936

432.118.053

18,65

4,74

4,57

Sudeste

41.816

2.541

633.495.864

39,47

6,08

6,60

Sul

33.116

1.071

215.839.285

31,26

3,23

15,34

Centro-Oeste

8.373

424

125.016.582

7,90

5,06

6,70

Fonte: SIH/SUS e Projeções Populacionais do IBGE, Revisão 2024.
Nota: as taxas médias do período utilizam a soma das populações anuais de 0 a 49 anos de cada região.

As faixas de 45 a 49 anos e de 40 a 44 anos concentraram, respectivamente, 38.032 internações (35,90%) e 25.096 internações (23,69%), totalizando 59,59% dos registros. Os menores de 25 anos corresponderam a 10,70% das internações. A participação aumentou progressivamente com a idade, sobretudo a partir dos 30 anos.

Tabela 3. Distribuição das internações e dos óbitos hospitalares por neoplasia maligna do cólon em menores de 50 anos, segundo faixa etária. Brasil, 2014-2023.

Faixa etária

Internações

Óbitos

População

Participação (%)

Mortalidade (%)

Taxa média/100 mil

Menor de 1 ano

260

23

28.194.992

0,25

8,85

0,92

1 a 4 anos

571

3

115.315.307

0,54

0,53

0,50

5 a 9 anos

1.289

2

146.592.754

1,22

0,16

0,88

10 a 14 anos

1.956

16

152.330.153

1,85

0,82

1,28

15 a 19 anos

3.278

56

162.622.715

3,09

1,71

2,02

20 a 24 anos

3.985

127

166.864.081

3,76

3,19

2,39

25 a 29 anos

6.181

253

165.950.499

5,84

4,09

3,72

30 a 34 anos

9.614

430

167.541.602

9,08

4,47

5,74

35 a 39 anos

15.670

845

164.694.577

14,79

5,39

9,51

40 a 44 anos

25.096

1.390

149.886.540

23,69

5,54

16,74

45 a 49 anos

38.032

2.066

133.794.618

35,90

5,43

28,43

Fonte: SIH/SUS e Projeções Populacionais do IBGE, Revisão 2024.
Nota: as taxas médias do período utilizam a soma das populações anuais de cada faixa etária.

3.2. Tendência Nacional das Internações

No modelo nacional quase-Poisson, observou-se aumento médio de 1,85% ao ano na taxa de internações (IC95%: 1,20% a 2,50%; p = 0,0002). O intervalo de confiança permaneceu inteiramente acima de zero, confirmando tendência temporal crescente durante o período.

A Figura 1 apresenta as taxas anuais observadas, a curva estimada pelo modelo nacional e o respectivo intervalo de confiança de 95%.

Figura 1. Tendência das internações por neoplasia maligna do cólon em menores de 50 anos. Brasil, 2014-2023.

Legenda: os pontos representam as taxas anuais observadas por 100.000 habitantes de 0 a 49 anos; a linha contínua representa a tendência estimada pelo modelo quase-Poisson e a área sombreada, o intervalo de confiança de 95%. VPA: 1,85% ao ano (IC95%: 1,20% a 2,50%; p = 0,0002).
Fonte: SIH/SUS e Projeções Populacionais do IBGE, Revisão 2024.

3.3. Tendências Regionais das Internações

A interação entre ano e região foi estatisticamente significativa (F = 4,631; p = 0,0036), demonstrando que a evolução temporal das taxas de internação diferiu entre as cinco regiões brasileiras.

O maior crescimento foi observado no Centro-Oeste, com aumento médio de 6,03% ao ano (IC95%: 3,52% a 8,59%; p < 0,0001). Também foram identificados aumentos no Sul, de 2,31% ao ano (IC95%: 1,10% a 3,53%; p = 0,0004), e no Sudeste, de 1,33% ao ano (IC95%: 0,26% a 2,41%; p = 0,0158).

No Norte, a estimativa pontual indicou aumento de 3,34% ao ano, mas o intervalo de confiança incluiu a ausência de mudança (IC95%: -0,77% a 7,63%; p = 0,1092). No Nordeste, a VPA foi de 0,16% ao ano (IC95%: -1,37% a 1,71%; p = 0,8359), sem evidência de tendência significativa.

Tabela 4. Variação percentual anual das taxas de internação por neoplasia maligna do cólon em menores de 50 anos, segundo região. Brasil, 2014-2023.

Região

VPA (%)

IC95% inferior

IC95% superior

p

Norte

3,34

-0,77

7,63

0,1092

Nordeste

0,16

-1,37

1,71

0,8359

Sudeste

1,33

0,26

2,41

0,0158

Sul

2,31

1,10

3,53

0,0004

Centro-Oeste

6,03

3,52

8,59

< 0,0001

Fonte: SIH/SUS e Projeções Populacionais do IBGE, Revisão 2024.
Nota: estimativas obtidas por regressão quase-Poisson com população regional de 0 a 49 anos como offset. Interação ano × região: p = 0,0036.

A Figura 3 apresenta as variações percentuais anuais estimadas para cada região e seus intervalos de confiança de 95%.

Figura 3. Variação percentual anual das internações por neoplasia maligna do cólon em menores de 50 anos, segundo região. Brasil, 2014-2023.

Legenda: os pontos representam as variações percentuais anuais estimadas e as linhas horizontais, os intervalos de confiança de 95%; a linha vertical tracejada indica ausência de variação anual. Interação ano × região: p = 0,0036.
Fonte: SIH/SUS e Projeções Populacionais do IBGE, Revisão 2024.

3.4. Tendência Nacional da Mortalidade Hospitalar

A mortalidade hospitalar nacional permaneceu estável. No modelo binomial agregado, a odds ratio anual foi de 1,0005 (IC95%: 0,9909 a 1,0102; p = 0,9202), sem evidência de aumento ou redução das chances de óbito durante a internação.

A Figura 2 apresenta os percentuais anuais observados, a tendência nacional estimada e o intervalo de confiança de 95%.

Figura 2. Tendência da mortalidade hospitalar por neoplasia maligna do cólon em menores de 50 anos. Brasil, 2014-2023.

Legenda: os pontos representam as proporções anuais observadas de óbito hospitalar; a linha contínua representa a tendência estimada pelo modelo binomial e a área sombreada, o intervalo de confiança de 95%. OR anual: 1,000 (IC95%: 0,991 a 1,010; p = 0,9202).
Fonte: SIH/SUS.

3.5. Tendências Regionais da Mortalidade Hospitalar

A interação entre ano e região foi estatisticamente significativa (χ² = 9,665; p = 0,0465), indicando heterogeneidade regional na evolução temporal da mortalidade hospitalar.

O Nordeste apresentou aumento anual das chances de óbito hospitalar, com OR de 1,0296 (IC95%: 1,0058 a 1,0540; p = 0,0145), correspondente a incremento médio de 2,96% ao ano. Não foram observadas tendências significativas no Norte (OR = 1,0206; IC95%: 0,9738 a 1,0696; p = 0,3952), Sudeste (OR = 0,9997; IC95%: 0,9859 a 1,0137; p = 0,9678), Sul (OR = 0,9821; IC95%: 0,9617 a 1,0031; p = 0,0937) ou Centro-Oeste (OR = 0,9921; IC95%: 0,9594 a 1,0260; p = 0,6437).

Tabela 5. Tendência anual da mortalidade hospitalar por neoplasia maligna do cólon em menores de 50 anos, segundo região. Brasil, 2014-2023.

Região

OR anual

IC95% inferior

IC95% superior

Variação odds (%)

p

Norte

1,0206

0,9738

1,0696

2,06

0,3952

Nordeste

1,0296

1,0058

1,0540

2,96

0,0145

Sudeste

0,9997

0,9859

1,0137

-0,03

0,9678

Sul

0,9821

0,9617

1,0031

-1,79

0,0937

Centro-Oeste

0,9921

0,9594

1,0260

-0,79

0,6437

Fonte: SIH/SUS.
Nota: estimativas obtidas por regressão binomial agrupada. Interação ano × região: p = 0,0465.

A Figura 4 apresenta as odds ratios anuais estimadas para cada região e seus intervalos de confiança de 95%.

Figura 4. Tendência anual da mortalidade hospitalar por neoplasia maligna do cólon em menores de 50 anos, segundo região. Brasil, 2014-2023.

Legenda: os pontos representam as odds ratios anuais estimadas e as linhas horizontais, os intervalos de confiança de 95%; a linha vertical tracejada corresponde à ausência de variação anual (OR = 1). Interação ano × região: p = 0,0465.
Fonte: SIH/SUS.

3.6. Tendências das Internações Segundo Faixa Etária

A interação entre ano e faixa etária foi significativa (F = 3,224; p = 0,0014), demonstrando que as tendências das taxas de internação diferiram entre as categorias etárias.

Houve redução significativa na faixa de 15 a 19 anos, com VPA de -6,22% (IC95%: -9,38% a -2,96%; p = 0,0003). Em sentido oposto, foram observados aumentos nas faixas de 35 a 39 anos, de 1,73% ao ano (IC95%: 0,16% a 3,32%; p = 0,0310), e de 45 a 49 anos, de 1,50% ao ano (IC95%: 0,50% a 2,50%; p = 0,0036).

A faixa de 5 a 9 anos apresentou estimativa de aumento de 5,49% ao ano, porém com resultado limítrofe e intervalo de confiança incluindo discretamente a ausência de variação (IC95%: -0,04% a 11,32%; p = 0,0518). As demais faixas não apresentaram tendências estatisticamente significativas.

Tabela 6. Variação percentual anual das taxas de internação por neoplasia maligna do cólon em menores de 50 anos, segundo faixa etária. Brasil, 2014-2023.

Faixa etária

VPA (%)

IC95% inferior

IC95% superior

p

Menor de 1 ano

-6,34

-17,14

5,86

0,2905

1 a 4 anos

3,40

-4,67

12,15

0,4161

5 a 9 anos

5,49

-0,04

11,32

0,0518

10 a 14 anos

1,07

-3,23

5,56

0,6282

15 a 19 anos

-6,22

-9,38

-2,96

0,0003

20 a 24 anos

-2,41

-5,36

0,63

0,1171

25 a 29 anos

-0,56

-2,96

1,90

0,6478

30 a 34 anos

1,15

-0,83

3,16

0,2531

35 a 39 anos

1,73

0,16

3,32

0,0310

40 a 44 anos

0,28

-0,93

1,51

0,6497

45 a 49 anos

1,50

0,50

2,50

0,0036

Fonte: SIH/SUS e Projeções Populacionais do IBGE, Revisão 2024.
Nota: estimativas obtidas por regressão quase-Poisson com população específica de cada faixa etária como offset. Interação ano × faixa etária: p = 0,0014.

A Figura 5 apresenta as variações percentuais anuais estimadas segundo faixa etária e seus intervalos de confiança de 95%.

Figura 5. Variação percentual anual das internações por neoplasia maligna do cólon em menores de 50 anos, segundo faixa etária. Brasil, 2014-2023.

Legenda: os pontos representam as variações percentuais anuais estimadas e as linhas horizontais, os intervalos de confiança de 95%; a linha vertical tracejada indica ausência de variação anual. Interação ano × faixa etária: p = 0,0014.
Fonte: SIH/SUS e Projeções Populacionais do IBGE, Revisão 2024.

3.7. Tendências da Mortalidade Hospitalar Segundo Faixa Etária

A interação entre ano e faixa etária foi estatisticamente significativa (F = 2,140; p = 0,0293), indicando que a evolução temporal das chances de óbito não foi uniforme entre as categorias etárias.

Apenas a faixa de 35 a 39 anos apresentou tendência estatisticamente significativa, com redução anual das chances de óbito hospitalar (OR = 0,9718; IC95%: 0,9461 a 0,9983; p = 0,0375), equivalente a diminuição média de 2,82% ao ano. Nas demais faixas etárias, os intervalos de confiança incluíram OR igual a 1.

As estimativas das faixas pediátricas apresentaram intervalos de confiança amplos, refletindo o pequeno número de óbitos. Resultados pontuais elevados ou reduzidos nesses grupos devem, portanto, ser interpretados com cautela.

Tabela 7. Tendência anual da mortalidade hospitalar por neoplasia maligna do cólon em menores de 50 anos, segundo faixa etária. Brasil, 2014-2023.

Faixa etária

OR anual

IC95% inferior

IC95% superior

Variação odds (%)

p

Menor de 1 ano

1,1538

0,9827

1,3547

15,38

0,0799

1 a 4 anos

0,9245

0,6073

1,4072

-7,55

0,7111

5 a 9 anos

0,6717

0,3379

1,3354

-32,83

0,2529

10 a 14 anos

1,2345

0,9896

1,5400

23,45

0,0616

15 a 19 anos

1,0956

0,9831

1,2211

9,56

0,0975

20 a 24 anos

1,0664

0,9927

1,1455

6,64

0,0778

25 a 29 anos

1,0292

0,9789

1,0820

2,92

0,2568

30 a 34 anos

0,9990

0,9623

1,0372

-0,10

0,9599

35 a 39 anos

0,9718

0,9461

0,9983

-2,82

0,0375

40 a 44 anos

1,0003

0,9793

1,0218

0,03

0,9771

45 a 49 anos

0,9921

0,9754

1,0092

-0,79

0,3596

Fonte: SIH/SUS.
Nota: estimativas obtidas por regressão quase-binomial agrupada. Interação ano × faixa etária: p = 0,0293.

A Figura 6 apresenta as odds ratios anuais estimadas segundo faixa etária e seus intervalos de confiança de 95%.

Figura 6. Tendência anual da mortalidade hospitalar por neoplasia maligna do cólon em menores de 50 anos, segundo faixa etária. Brasil, 2014-2023.

Legenda: os pontos representam as odds ratios anuais estimadas e as linhas horizontais, os intervalos de confiança de 95%; a linha vertical tracejada corresponde à ausência de variação anual (OR = 1). Interação ano × faixa etária: p = 0,0293.
Fonte: SIH/SUS.

4. DISCUSSÃO

O presente estudo demonstrou aumento significativo das taxas de internação por neoplasia maligna do cólon em indivíduos menores de 50 anos no Brasil entre 2014 e 2023, enquanto a mortalidade hospitalar permaneceu estável ao longo do período. Esses achados acompanham a tendência descrita em diversos países, que evidenciam crescimento progressivo do câncer colorretal de início precoce (early-onset colorectal cancer – EOCRC), particularmente em adultos jovens, configurando um importante desafio para os sistemas de saúde e para as estratégias de prevenção da doença (Siegel et al., 2017; Sung et al., 2024).

Embora o aumento das hospitalizações possa refletir crescimento da demanda assistencial relacionado ao EOCRC, esse resultado deve ser interpretado com cautela. As internações registradas no Sistema de Informações Hospitalares do Sistema Único de Saúde representam a utilização dos serviços hospitalares e podem ser influenciadas por fatores como ampliação do acesso ao diagnóstico, maior disponibilidade de tratamento oncológico especializado, mudanças nos critérios de internação e aprimoramento dos registros administrativos, não permitindo inferir diretamente aumento da incidência da doença na população. Ainda assim, a tendência crescente observada reforça a necessidade de monitoramento contínuo desse grupo etário, especialmente diante das evidências internacionais que demonstram aumento consistente da incidência do câncer colorretal em indivíduos jovens.

A estabilidade da mortalidade hospitalar observada ao longo da série histórica sugere que, apesar do aumento das internações, não houve piora dos desfechos intra-hospitalares durante o período estudado. Esse comportamento pode refletir avanços no diagnóstico, no tratamento cirúrgico, na terapia sistêmica, no suporte perioperatório e na organização da assistência oncológica nas últimas décadas. Entretanto, a mortalidade hospitalar representa apenas parte da história natural da doença, não contemplando desfechos após a alta, sobrevida em longo prazo ou mortalidade específica por câncer, aspectos fundamentais para compreensão do impacto clínico do EOCRC.

Outro achado relevante foi a maior concentração das internações entre indivíduos de 40 a 49 anos, faixa etária responsável por quase 60% dos registros hospitalares. Esse resultado está em consonância com estudos internacionais que demonstram aumento mais acentuado da incidência do câncer colorretal nas décadas imediatamente anteriores à idade tradicionalmente recomendada para início do rastreamento. Esses dados contribuíram para que sociedades científicas internacionais, como a American Cancer Society e a U.S. Preventive Services Task Force, passassem a recomendar o início do rastreamento populacional aos 45 anos para indivíduos de risco habitual. Contudo, os achados do presente estudo, por serem baseados em registros de internação, não permitem sustentar isoladamente mudanças nas políticas nacionais de rastreamento, reforçando a necessidade de estudos populacionais que avaliem incidência, estadiamento ao diagnóstico, fatores de risco e custo-efetividade dessas estratégias no contexto brasileiro.

A distribuição regional das internações também merece destaque. A predominância de registros nas regiões Sudeste e Sul provavelmente reflete tanto a maior concentração populacional quanto a maior disponibilidade de serviços especializados em diagnóstico e tratamento oncológico. Por outro lado, o menor número de internações observado nas regiões Norte e Centro-Oeste pode estar relacionado a diferenças no acesso aos serviços de saúde, na oferta de colonoscopia, na infraestrutura hospitalar e na organização da rede assistencial, evidenciando desigualdades regionais que podem influenciar o diagnóstico e o tratamento oportuno do câncer colorretal.

Os resultados deste estudo possuem importantes implicações para a saúde pública. O crescimento das internações por neoplasia maligna do cólon em indivíduos jovens reforça a necessidade de ampliar o conhecimento sobre os fatores associados ao EOCRC, fortalecer ações de prevenção relacionadas ao estilo de vida, promover maior conscientização da população e dos profissionais de saúde quanto aos sinais e sintomas precoces da doença e aprimorar a organização da assistência oncológica. Além disso, o monitoramento contínuo das tendências temporais pode subsidiar futuras discussões sobre estratégias de rastreamento e planejamento dos serviços de saúde, especialmente diante do envelhecimento populacional e das mudanças no perfil epidemiológico do câncer colorretal.

4.1. Limitações

O presente estudo apresenta limitações inerentes à utilização do SIH/SUS, uma vez que a base registra internações hospitalares, e não pacientes individualmente, possibilitando a ocorrência de reinternações. Além disso, não foi possível obter informações sobre estadiamento tumoral, localização específica da neoplasia, características histopatológicas, fatores de risco, história familiar, modalidade de tratamento, tempo de evolução da doença ou desfechos após a alta hospitalar. Os dados também se restringem às internações financiadas pelo Sistema Único de Saúde, não contemplando procedimentos realizados exclusivamente na rede privada. Dessa forma, o aumento das hospitalizações observado neste estudo não pode ser interpretado como aumento direto da incidência do câncer colorretal em menores de 50 anos. Apesar dessas limitações, o SIH/SUS constitui uma importante fonte de dados para análises epidemiológicas de abrangência nacional, permitindo avaliar tendências temporais, padrões regionais de utilização dos serviços hospitalares e indicadores assistenciais relevantes para o planejamento das políticas públicas de saúde.

5. CONCLUSÃO

Entre 2014 e 2023, o SIH/SUS registrou 105.932 internações por neoplasia maligna do cólon em menores de 50 anos e 5.211 óbitos hospitalares, resultando em mortalidade hospitalar acumulada de 4,92%. A taxa nacional de internação aumentou significativamente, com crescimento médio de 1,85% ao ano, enquanto a mortalidade hospitalar permaneceu estável no conjunto do país.

A tendência nacional crescente não foi homogênea. As taxas de internação aumentaram principalmente no Centro-Oeste, Sul e Sudeste, enquanto Norte e Nordeste não apresentaram mudanças estatisticamente significativas. A mortalidade hospitalar também exibiu heterogeneidade regional, com aumento das chances de óbito no Nordeste e estabilidade nas demais regiões.

As análises por idade demonstraram concentração substancial das hospitalizações entre 40 e 49 anos e tendências distintas entre as faixas etárias. Houve crescimento das taxas de internação entre 35 e 39 anos e entre 45 e 49 anos, além de redução entre 15 e 19 anos. A mortalidade hospitalar apresentou redução apenas na faixa de 35 a 39 anos. Estimativas em faixas pediátricas devem ser interpretadas com cautela devido ao pequeno número de eventos e à consequente imprecisão.

Os achados demonstram crescimento das hospitalizações registradas no SUS entre pessoas com menos de 50 anos, mas não permitem inferir diretamente aumento da incidência populacional de câncer de cólon. Internações podem refletir mudanças na incidência, no acesso ao diagnóstico, na organização da rede oncológica, nas indicações de tratamento hospitalar, na cobertura do sistema público, na codificação administrativa ou na repetição de hospitalizações de um mesmo paciente.

Da mesma forma, a mortalidade analisada corresponde exclusivamente aos óbitos ocorridos durante as internações registradas e não equivale à mortalidade populacional por câncer, à letalidade após o diagnóstico ou à sobrevida oncológica. As comparações regionais e etárias não foram ajustadas para sexo, estágio tumoral, comorbidades, urgência da internação, procedimento realizado, tratamento prévio, condição socioeconômica ou volume do estabelecimento.

São necessários estudos baseados em registros populacionais de câncer e bases individualizadas, com integração de informações sobre incidência, estágio ao diagnóstico, tratamento, recorrência, reinternações e sobrevida. Tais investigações poderão determinar em que medida o aumento das hospitalizações representa crescimento real da doença de início precoce e subsidiar estratégias de prevenção, diagnóstico oportuno e avaliação das políticas de rastreamento.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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BAILEY, C. E. et al. Increasing disparities in the age-related incidences of colon and rectal cancers in the United States, 1975-2010. JAMA Surgery, v. 150, n. 1, p. 17-22, 2015.

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INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Projeções da população: Brasil e Unidades da Federação – Revisão 2024. Rio de Janeiro: IBGE, 2025.

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MAURI, G. et al. Early-onset colorectal cancer in young individuals. Nature Reviews Clinical Oncology, 2023.

NATIONAL COMPREHENSIVE CANCER NETWORK. NCCN Clinical Practice Guidelines in Oncology: colon cancer. Version 2025. [S. l.]: NCCN, 2025.

SIEGEL, R. L. et al. Colorectal cancer incidence patterns in the United States, 1974-2013. Journal of the National Cancer Institute, v. 109, n. 8, e djw322, 2017.

SIEGEL, R. L. et al. Colorectal cancer statistics. CA: A Cancer Journal for Clinicians, 2023.

SUNG, H. et al. Global Cancer Statistics 2022: GLOBOCAN estimates of incidence and mortality worldwide for 36 cancers in 185 countries. CA: A Cancer Journal for Clinicians, 2025.

US PREVENTIVE SERVICES TASK FORCE. Screening for colorectal cancer: US Preventive Services Task Force Recommendation Statement. JAMA, v. 325, n. 19, p. 1965-1977, 2021.

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1 Graduanda em Medicina pela Universidade Paulista (UNIP), Campus Sorocaba, Sorocaba, SP, Brasil. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. ORCID: https://orcid.org/0009-0000-0836-8449. Lattes: http://lattes.cnpq.br/3358612331004043.

2 Graduanda em Medicina pela Universidade Paulista (UNIP), Campus Sorocaba, Sorocaba, SP, Brasil. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. ORCID: https://orcid.org/0009-0004-9336-124X. Lattes: http://lattes.cnpq.br/.

3 Graduanda em Medicina pela Universidade Paulista (UNIP), Campus Sorocaba, Sorocaba, SP, Brasil. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. ORCID: https://orcid.org/0009-0005-5629-7434. Lattes: https://lattes.cnpq.br/5280515159058929.

4 Graduando em Medicina pela Universidade Paulista (UNIP), Campus Sorocaba, Sorocaba, SP, Brasil. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. ORCID: https://orcid.org/0009-0004-0069-0125. Lattes: http://lattes.cnpq.br/6268970218795781.

5 Graduando em Medicina pela Universidade Paulista (UNIP), Campus Sorocaba, Sorocaba, SP, Brasil. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. ORCID: https://orcid.org/0009-0005-9856-8693. Lattes: https://lattes.cnpq.br/8220749856830727.

6 Graduando em Medicina pela Universidade Paulista (UNIP), Campus Sorocaba, Sorocaba, SP, Brasil. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. ORCID: https://orcid.org/0009-0002-6799-8488. Lattes: http://lattes.cnpq.br/4739822269132246.

7 Graduando em Medicina pela Universidade Paulista (UNIP), Campus Sorocaba, Sorocaba, SP, Brasil. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. ORCID: https://orcid.org/0009-0006-9119-0162. Lattes: http://lattes.cnpq.br/3901085017656366.

8 Graduando em Medicina pela Universidade Paulista (UNIP), Campus Sorocaba, Sorocaba, SP, Brasil. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. ORCID: https://orcid.org/0009-0007-5410-2124. Lattes: http://lattes.cnpq.br/8430786841032204.

9 Graduando em Medicina pela Universidade Paulista (UNIP), Campus Sorocaba, Sorocaba, SP, Brasil. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. ORCID: https://orcid.org/0009-0009-4095-7353. Lattes: http://lattes.cnpq.br/6996965554317168.

10 Graduado em Direito e Pós-graduado em Processo Civil pela Faculdade de Direito de Sorocaba (FADI); Graduando em Medicina pela Universidade Paulista (UNIP), Campus Sorocaba, Sorocaba, SP, Brasil. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. ORCID: https://orcid.org/0009-0001-3273-168X. Lattes: http://lattes.cnpq.br/2604086023562149.

11 Graduando em Medicina pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), Campus Itapetininga, SP, Brasil. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. ORCID: https://orcid.org/0009-0005-7149-4989. Lattes: https://lattes.cnpq.br/6021894958644707.

12 Ensino superior completo, Universidade Paulista (UNIP), Sorocaba, SP, Brasil. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. ORCID: https://orcid.org/0009-0001-8616-0552. Lattes: http://lattes.cnpq.br/0505072498110776.

13 Autor correspondente. Docente do Curso de Medicina da Universidade Paulista (UNIP), Campus Sorocaba; pós-graduação (Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo / Universidade Paulista), Sorocaba, SP, Brasil. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. ORCID: https://orcid.org/0000-0001-8910-7653. Lattes: http://lattes.cnpq.br/9519092432064978.