TECNOLOGIAS DIGITAIS E INCLUSÃO EDUCACIONAL: CONTRIBUIÇÕES PARA A APRENDIZAGEM E PERMANÊNCIA NOS ANOS FINAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL

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REGISTRO DOI: 10.5281/zenodo.18341912


Andreza Bastos Bartz Nogueira da Fonseca1


RESUMO
A incorporação das tecnologias digitais no contexto educacional tem ampliado as possibilidades de inclusão e de melhoria dos processos de ensino-aprendizagem, especialmente nos anos finais do Ensino Fundamental. Este artigo tem como objetivo analisar as contribuições das tecnologias digitais para a promoção da inclusão educacional, da aprendizagem significativa e da permanência escolar de estudantes nessa etapa da educação básica. A pesquisa caracteriza-se como qualitativa, de natureza bibliográfica, fundamentada em autores que discutem educação inclusiva, tecnologias educacionais e políticas públicas, bem como em documentos oficiais. Conclui-se que, quando mediadas por práticas pedagógicas intencionais e inclusivas, as tecnologias digitais podem favorecer o engajamento dos estudantes, reduzir barreiras de aprendizagem e contribuir para a permanência escolar.
Palavras-chave: Tecnologias Digitais; Inclusão Educacional; Aprendizagem; Permanência Escolar; Ensino Fundamental.

ABSTRACT
The incorporation of digital technologies into the educational context has expanded the possibilities for inclusion and for improving teaching and learning processes, especially in the final years of Elementary Education. This article aims to analyze the contributions of digital technologies to the promotion of educational inclusion, meaningful learning, and school retention of students at this stage of basic education. The research is characterized as qualitative, with a bibliographic approach, grounded in authors who discuss inclusive education, educational technologies, and public policies, as well as in official documents. It is concluded that, when mediated by intentional and inclusive pedagogical practices, digital technologies can foster student engagement, reduce learning barriers, and contribute to school retention.
Keywords: Digital Technologies; Educational Inclusion; Learning; School Retention; Elementary Education.

Introdução

A escola contemporânea enfrenta o desafio permanente de garantir não apenas o acesso, mas também a aprendizagem e a permanência de todos os estudantes, considerando a diversidade de sujeitos que compõem o espaço escolar. Nos anos finais do Ensino Fundamental, tais desafios tornam-se ainda mais evidentes em função do aumento dos índices de evasão, repetência, desmotivação e dificuldades de aprendizagem, especialmente entre estudantes em situação de vulnerabilidade social. Esse cenário demanda a construção de práticas pedagógicas que sejam inclusivas, significativas e capazes de dialogar com as múltiplas realidades presentes no contexto escolar.

A educação inclusiva pressupõe o reconhecimento das diferenças como parte constitutiva do processo educativo e a garantia de condições equitativas de aprendizagem para todos. Nesse sentido, a escola é chamada a reorganizar suas práticas, metodologias e recursos de modo a atender às necessidades educacionais dos estudantes, respeitando seus ritmos, estilos de aprendizagem e contextos socioculturais. Nos anos finais do Ensino Fundamental, etapa marcada por intensas transformações cognitivas, emocionais e sociais, a ausência de práticas pedagógicas inclusivas pode contribuir para o afastamento progressivo dos estudantes da escola.

Nesse contexto, as tecnologias digitais emergem como importantes aliadas na construção de práticas pedagógicas mais inclusivas e significativas. O avanço das tecnologias da informação e comunicação tem transformado profundamente as formas de interação social, produção de conhecimento e acesso à informação. Dispositivos móveis, plataformas digitais, ambientes virtuais de aprendizagem, aplicativos educacionais e recursos multimídia fazem parte do cotidiano dos estudantes, influenciando suas formas de aprender, comunicar-se e relacionar-se com o mundo.

Quando integradas ao contexto educacional de maneira crítica, planejada e intencional, as tecnologias digitais podem contribuir para a personalização da aprendizagem, o desenvolvimento da autonomia discente e o fortalecimento do vínculo do estudante com a escola. Recursos digitais possibilitam a diversificação de estratégias pedagógicas, o uso de linguagens multimodais e a adaptação de conteúdos às diferentes necessidades dos alunos, favorecendo a participação ativa e o engajamento no processo de ensino-aprendizagem.

Entretanto, o uso das tecnologias digitais na educação não garante, por si só, práticas inclusivas ou melhorias na aprendizagem. A adoção acrítica ou meramente instrumental desses recursos pode reforçar desigualdades, excluir estudantes que não possuem acesso adequado às tecnologias e distanciar-se dos objetivos educacionais. Dessa forma, torna-se fundamental refletir sobre o papel pedagógico das tecnologias digitais e sobre a mediação docente nesse processo.

O professor assume papel central na integração das tecnologias digitais ao currículo, sendo responsável por planejar, orientar e avaliar o uso desses recursos de forma coerente com os princípios da educação inclusiva. A mediação docente é essencial para transformar as tecnologias digitais em instrumentos pedagógicos capazes de reduzir barreiras de aprendizagem, promover a participação dos estudantes e contribuir para a permanência escolar. Além disso, a escola, enquanto instituição social, deve criar condições estruturais e formativas para que o uso das tecnologias esteja alinhado a políticas educacionais inclusivas.

Diante desse cenário, este artigo propõe discutir as contribuições das tecnologias digitais para a inclusão educacional, a aprendizagem e a permanência escolar nos anos finais do Ensino Fundamental. Busca-se refletir sobre como essas tecnologias podem atuar como mediadoras de práticas pedagógicas inclusivas, destacando o papel do professor e da escola na construção de ambientes de aprendizagem mais equitativos, participativos e significativos.

Tecnologias Digitais e Educação Inclusiva

A educação inclusiva fundamenta-se no princípio de que todos os estudantes têm direito à aprendizagem, à participação e ao desenvolvimento pleno, independentemente de suas características individuais, sociais, culturais, físicas ou cognitivas. Essa perspectiva rompe com modelos educacionais excludentes e propõe a reorganização das práticas pedagógicas, do currículo e dos recursos didáticos, de modo a atender à diversidade presente no espaço escolar. Nesse contexto, as tecnologias digitais assumem papel relevante ao possibilitar novas formas de acesso ao conhecimento e de participação no processo educativo.

As tecnologias digitais podem atuar como mediadoras do processo educativo ao auxiliar na superação de diferentes barreiras à aprendizagem, sejam elas físicas, cognitivas, comunicacionais ou pedagógicas. Recursos como softwares educativos, plataformas digitais, ambientes virtuais de aprendizagem, aplicativos pedagógicos, recursos multimídia e tecnologias assistivas permitem a adaptação de conteúdos, metodologias e estratégias às necessidades específicas dos estudantes. De acordo com Moran (2015), o uso pedagógico das tecnologias digitais amplia as possibilidades de personalização da aprendizagem e favorece a participação ativa dos alunos.

No âmbito da educação inclusiva, as tecnologias digitais contribuem para a flexibilização do ensino, possibilitando diferentes ritmos, percursos e formas de aprender. Ferramentas digitais podem favorecer o uso de múltiplas linguagens visual, sonora, textual e interativa atendendo a diferentes estilos de aprendizagem e ampliando as oportunidades de compreensão dos conteúdos. Nesse sentido, as tecnologias tornam-se aliadas importantes para a construção de ambientes de aprendizagem mais acessíveis e democráticos.

Autores que discutem a inclusão educacional destacam que a simples presença das tecnologias digitais na escola não garante práticas inclusivas. É necessário que esses recursos estejam articulados a um projeto pedagógico comprometido com a equidade, o respeito às diferenças e a valorização da diversidade. Para Mantoan (2003), a inclusão exige mudanças estruturais na organização escolar e nas práticas pedagógicas, de modo que todos os estudantes possam aprender juntos, com apoio adequado às suas necessidades.

Além disso, a mediação docente é elemento central para que as tecnologias digitais cumpram sua função inclusiva. O professor é responsável por selecionar, adaptar e utilizar os recursos tecnológicos de forma intencional, considerando os objetivos educacionais e as especificidades dos estudantes. Conforme Freire (1996), a prática pedagógica deve ser dialógica e comprometida com a formação crítica dos sujeitos, o que implica o uso consciente e reflexivo das tecnologias no processo educativo.

Outro aspecto relevante refere-se à superação das desigualdades de acesso às tecnologias digitais. A exclusão digital ainda representa um desafio significativo para a efetivação da educação inclusiva, especialmente em contextos de vulnerabilidade social. Nesse sentido, políticas públicas que garantam infraestrutura tecnológica, formação docente e acesso equitativo aos recursos digitais são fundamentais para que as tecnologias contribuam, de fato, para a inclusão educacional.

Portanto, as tecnologias digitais apresentam grande potencial para fortalecer a educação inclusiva nos anos finais do Ensino Fundamental, desde que integradas a práticas pedagógicas críticas, contextualizadas e comprometidas com a equidade. Quando mediadas de forma adequada, essas tecnologias podem ampliar as oportunidades de aprendizagem, promover a participação ativa dos estudantes e contribuir para a construção de uma escola mais inclusiva e socialmente justa

Contribuições das Tecnologias Digitais Para a Aprendizagem

As tecnologias digitais podem contribuir de forma significativa para a aprendizagem nos anos finais do Ensino Fundamental ao possibilitar a adoção de metodologias mais interativas, colaborativas e contextualizadas. O uso de recursos multimodais, como vídeos, simulações, jogos educativos, plataformas digitais e produções autorais, favorece a compreensão dos conteúdos ao atender diferentes estilos e ritmos de aprendizagem. Essa diversidade de linguagens amplia as possibilidades de acesso ao conhecimento e torna o processo educativo mais dinâmico e significativo.

A incorporação das tecnologias digitais no ensino permite superar práticas pedagógicas centradas exclusivamente na exposição oral e na repetição de exercícios, promovendo metodologias ativas que colocam o estudante no centro do processo de aprendizagem. Estratégias como a sala de aula invertida, a aprendizagem baseada em projetos e o ensino híbrido são potencializadas pelo uso de recursos digitais e contribuem para o desenvolvimento da autonomia, da criatividade e do pensamento crítico dos estudantes. Segundo Moran (2015), as tecnologias digitais, quando bem integradas ao currículo, favorecem aprendizagens mais profundas e contextualizadas.

Nos anos finais do Ensino Fundamental, etapa marcada por intensas transformações cognitivas e sociais, o uso de tecnologias digitais pode aumentar o engajamento dos estudantes e fortalecer sua relação com o conhecimento escolar. Recursos interativos e ambientes virtuais de aprendizagem possibilitam a colaboração entre pares, o compartilhamento de ideias e a construção coletiva do conhecimento, promovendo habilidades socioemocionais importantes para a formação integral.

Além disso, as tecnologias digitais estimulam o protagonismo discente ao permitir que os estudantes sejam produtores de conhecimento e não apenas receptores de informações. A produção de vídeos, podcasts, blogs, apresentações digitais e projetos multimídia possibilita que os alunos expressem suas ideias, investiguem temas de interesse e desenvolvam competências relacionadas à autoria, à comunicação e ao uso ético das tecnologias. Conforme destaca Freire (1996), a aprendizagem torna-se mais significativa quando o estudante participa ativamente do processo e constrói o conhecimento de forma crítica e reflexiva.

Outro aspecto relevante refere-se à personalização da aprendizagem. Plataformas digitais e recursos adaptativos permitem o acompanhamento do desempenho dos estudantes e a adequação das atividades às suas necessidades, favorecendo intervenções pedagógicas mais precisas. Essa possibilidade é especialmente importante em contextos inclusivos, nos quais os estudantes apresentam diferentes níveis de aprendizagem e demandas específicas.

As tecnologias digitais também contribuem para o desenvolvimento de competências digitais, essenciais para a participação plena na sociedade contemporânea. A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) destaca a importância de desenvolver nos estudantes habilidades relacionadas ao uso crítico, responsável e criativo das tecnologias digitais. Nesse sentido, a escola desempenha papel fundamental ao integrar essas competências ao currículo de forma intencional e pedagógica.

Entretanto, é importante ressaltar que os impactos positivos das tecnologias digitais na aprendizagem dependem da mediação docente e da intencionalidade pedagógica. O professor é responsável por planejar, orientar e avaliar o uso desses recursos, garantindo que estejam alinhados aos objetivos educacionais e às necessidades dos estudantes. Conforme afirma Nóvoa (2009), a qualidade da educação está diretamente relacionada à qualidade da ação docente, mesmo em contextos fortemente mediados por tecnologias.

Dessa forma, as tecnologias digitais apresentam grande potencial para contribuir com a aprendizagem nos anos finais do Ensino Fundamental, desde que utilizadas de maneira crítica, reflexiva e integrada a práticas pedagógicas inclusivas. Quando mediadas adequadamente, essas tecnologias favorecem a construção de conhecimentos significativos, o desenvolvimento de competências diversas e a formação integral dos estudantes.

Tecnologias Digitais e Permanência Escolar

A permanência escolar está diretamente relacionada ao engajamento dos estudantes, ao sentido que atribuem à escola e à relevância das aprendizagens em suas trajetórias de vida. Nos anos finais do Ensino Fundamental, essa questão torna-se especialmente sensível, uma vez que muitos estudantes passam a vivenciar processos de desmotivação, dificuldades de aprendizagem e distanciamento da cultura escolar, fatores que podem culminar na evasão ou no abandono. Nesse contexto, as tecnologias digitais apresentam-se como importantes aliadas na construção de práticas pedagógicas mais significativas e atrativas.

Práticas pedagógicas mediadas por tecnologias digitais podem contribuir para a permanência escolar ao promover maior envolvimento dos estudantes no processo de ensino-aprendizagem. O uso de recursos digitais interativos, projetos colaborativos, jogos educativos e ambientes virtuais de aprendizagem tende a aproximar a escola das linguagens e das práticas culturais juvenis, favorecendo a identificação dos estudantes com as atividades escolares. Segundo Moran (2015), quando o ensino dialoga com o universo cultural dos alunos, a aprendizagem torna-se mais significativa e motivadora.

Nos anos finais do Ensino Fundamental, o uso de tecnologias digitais pode fortalecer o vínculo entre estudantes e escola, especialmente quando associado a projetos interdisciplinares e práticas colaborativas. Projetos que envolvem pesquisa, produção digital e resolução de problemas reais permitem que os estudantes percebam sentido nas aprendizagens e reconheçam a escola como espaço de construção de conhecimentos relevantes para sua vida pessoal e social. Essa percepção é fundamental para a permanência escolar e para a redução dos índices de evasão.

Além disso, as tecnologias digitais podem favorecer o acompanhamento mais próximo do percurso escolar dos estudantes. Plataformas educacionais e ambientes virtuais de aprendizagem possibilitam o monitoramento do desempenho, a identificação de dificuldades e a realização de intervenções pedagógicas mais ágeis. Essa proximidade contribui para evitar a defasagem de aprendizagem e o sentimento de fracasso escolar, fatores frequentemente associados ao abandono.

Outro aspecto relevante refere-se ao reconhecimento das culturas juvenis no espaço escolar. As tecnologias digitais fazem parte do cotidiano dos jovens e influenciam suas formas de comunicação, expressão e interação social. Ao incorporar essas linguagens ao processo educativo, a escola demonstra sensibilidade às experiências dos estudantes e fortalece o sentimento de pertencimento. Para Dayrell (2007), o reconhecimento das culturas juvenis é elemento central para a construção de vínculos positivos entre os jovens e a escola.

Entretanto, é importante ressaltar que o uso das tecnologias digitais, por si só, não garante a permanência escolar. Sua efetividade depende da mediação pedagógica, da intencionalidade das práticas docentes e de políticas educacionais que assegurem condições adequadas de acesso, infraestrutura e formação docente. Conforme Freire (1996), a educação deve ser um ato dialógico e comprometido com a realidade dos sujeitos, o que implica o uso consciente e crítico das tecnologias.

Dessa forma, as tecnologias digitais podem contribuir de maneira significativa para a permanência escolar nos anos finais do Ensino Fundamental quando integradas a práticas pedagógicas inclusivas, contextualizadas e socialmente referenciadas. Ao promover o engajamento, o pertencimento e o sentido das aprendizagens, essas tecnologias tornam-se importantes instrumentos para a construção de trajetórias escolares mais exitosas.

Formação Docente Para O Uso Inclusivo Das Tecnologias Digitais

A formação docente para o uso inclusivo das tecnologias digitais constitui um dos pilares fundamentais para a efetivação de práticas pedagógicas que promovam a aprendizagem, a inclusão educacional e a permanência escolar nos anos finais do Ensino Fundamental. A presença crescente das tecnologias digitais no contexto escolar exige que os professores desenvolvam competências pedagógicas, técnicas e críticas que lhes permitam integrar esses recursos ao currículo de maneira significativa e alinhada aos princípios da educação inclusiva.

A formação inicial de professores, em muitos contextos, ainda apresenta lacunas no que se refere ao uso pedagógico das tecnologias digitais, especialmente no que diz respeito à sua articulação com práticas inclusivas. Frequentemente, a abordagem das tecnologias limita-se a aspectos técnicos ou instrumentais, desconsiderando reflexões mais amplas sobre inclusão, diversidade e equidade. Segundo Tardif (2014), os saberes docentes são construídos ao longo da trajetória profissional e devem articular conhecimentos teóricos, experienciais e contextuais, o que reforça a importância de uma formação que dialogue com a realidade escolar.

Nesse sentido, a formação continuada assume papel central no desenvolvimento profissional docente, possibilitando a atualização de conhecimentos, a reflexão sobre a prática e a construção coletiva de estratégias pedagógicas mediadas por tecnologias digitais. Para Nóvoa (2009), a formação docente deve estar ancorada na escola e na prática, promovendo espaços de diálogo, troca de experiências e reflexão crítica sobre os desafios do cotidiano educacional. A formação continuada voltada ao uso inclusivo das tecnologias digitais contribui para que os professores se sintam mais seguros e preparados para atender à diversidade de estudantes.

O uso inclusivo das tecnologias digitais implica compreender esses recursos como instrumentos pedagógicos capazes de reduzir barreiras à aprendizagem e ampliar as oportunidades de participação dos estudantes. Ferramentas digitais podem favorecer a adaptação de conteúdos, a flexibilização de metodologias e o uso de múltiplas linguagens, atendendo a diferentes estilos e ritmos de aprendizagem. No entanto, para que isso ocorra, é indispensável que o professor possua formação que lhe permita selecionar e utilizar criticamente essas tecnologias, considerando os objetivos educacionais e as necessidades dos alunos.

Conforme destaca Freire (1996), a prática educativa deve ser ética, dialógica e comprometida com a formação crítica dos sujeitos. Nesse sentido, a formação docente para o uso das tecnologias digitais não pode se limitar ao domínio técnico, mas deve promover reflexões sobre o papel social da escola, a inclusão educacional e o uso consciente das tecnologias. O professor, enquanto mediador do processo de ensino-aprendizagem, é responsável por criar condições para que as tecnologias contribuam para a emancipação dos estudantes e não para a reprodução de desigualdades.

Outro aspecto relevante da formação docente refere-se ao desenvolvimento de competências digitais, conforme apontado em documentos oficiais como a Base Nacional Comum Curricular (BNCC). A BNCC enfatiza a necessidade de preparar os estudantes para o uso crítico, responsável e ético das tecnologias digitais, o que demanda professores igualmente preparados para orientar esse processo. Assim, investir na formação docente é condição essencial para que as tecnologias digitais sejam integradas ao currículo de forma intencional e inclusiva.

Além disso, a formação docente para o uso inclusivo das tecnologias digitais deve considerar os desafios estruturais e institucionais presentes nas escolas, como a falta de infraestrutura adequada, o acesso limitado a recursos tecnológicos e a escassez de tempo para planejamento. Esses fatores impactam diretamente a prática docente e reforçam a necessidade de políticas públicas que garantam condições de trabalho e formação adequadas aos professores.

Por fim, destaca-se que a construção de uma prática pedagógica inclusiva mediada por tecnologias digitais exige um compromisso coletivo da escola, envolvendo gestores, professores e sistemas de ensino. A formação docente, nesse contexto, deve ser compreendida como um processo contínuo, reflexivo e colaborativo, voltado para a promoção da equidade, da inclusão e da qualidade social da educação. Dessa forma, o investimento na formação docente para o uso inclusivo das tecnologias digitais representa um passo fundamental para a consolidação de práticas pedagógicas mais justas, democráticas e alinhadas às demandas da educação contemporânea.

Considerações Finais

As tecnologias digitais apresentam grande potencial para contribuir com a inclusão educacional, a aprendizagem e a permanência escolar nos anos finais do Ensino Fundamental, conforme discutido ao longo deste artigo. Sua incorporação ao contexto educacional possibilita a diversificação de metodologias, a ampliação das formas de acesso ao conhecimento e a valorização das diferentes formas de aprender. No entanto, evidencia-se que o impacto positivo dessas tecnologias não ocorre de maneira automática, dependendo de uma mediação pedagógica intencional, crítica e comprometida com a formação integral dos estudantes.

As reflexões desenvolvidas indicam que as tecnologias digitais podem atuar como importantes mediadoras de práticas pedagógicas inclusivas, desde que integradas a projetos educativos que valorizem a equidade, a participação e o respeito à diversidade. Ao favorecer metodologias interativas, colaborativas e contextualizadas, esses recursos contribuem para o engajamento discente, para a construção de aprendizagens significativas e para o fortalecimento do vínculo dos estudantes com a escola, aspectos fundamentais para a permanência escolar nos anos finais do Ensino Fundamental.

Destaca-se, nesse processo, o papel central do professor como mediador das tecnologias digitais no ensino. A atuação docente crítica e reflexiva é condição essencial para transformar os recursos tecnológicos em instrumentos pedagógicos capazes de reduzir barreiras de aprendizagem e promover a inclusão educacional. Investir na formação inicial e continuada dos professores mostra-se, portanto, indispensável para que estes se sintam preparados para utilizar as tecnologias de forma pedagógica, ética e alinhada aos objetivos educacionais.

Além da formação docente, a efetivação do uso das tecnologias digitais como instrumentos de inclusão e permanência escolar exige investimentos em infraestrutura tecnológica e em políticas públicas educacionais que garantam o acesso equitativo aos recursos digitais. A superação da exclusão digital constitui um desafio relevante, especialmente em contextos de vulnerabilidade social, e demanda ações articuladas entre escola, gestores e sistemas de ensino.

Conclui-se, assim, que as tecnologias digitais podem contribuir de maneira significativa para a inclusão educacional, a aprendizagem e a permanência escolar, desde que seu uso esteja ancorado em princípios pedagógicos sólidos e em políticas educacionais comprometidas com a justiça social. Ao assumir esse compromisso, a escola fortalece seu papel social e amplia as possibilidades de construção de trajetórias escolares mais equitativas, democráticas e significativas para todos os estudantes.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BRASIL. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: Ministério da Educação, 2018.

DAYRELL, Juarez. A escola “faz” as juventudes? Reflexões em torno da socialização juvenil. Educação & Sociedade, Campinas, v. 28, n. 100, p. 1105–1128, 2007.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.

MANTOAN, Maria Teresa Eglér. Inclusão escolar: o que é? Por quê? Como fazer? São Paulo: Moderna, 2003.

MORAN, José Manuel. Educação híbrida: um conceito-chave para a educação hoje. In: BACICH, Lilian; NETO, Adolfo Tanzi; TREVISANI, Fernando de Mello (org.). Ensino híbrido: personalização e tecnologia na educação. Porto Alegre: Penso, 2015. p. 27–45.

NÓVOA, António. Professores: imagens do futuro presente. Lisboa: Educa, 2009.

TARDIF, Maurice. Saberes docentes e formação profissional. 17. ed. Petrópolis: Vozes, 2014.

UNESCO. Education in a digital world: opportunities and challenges. Paris: UNESCO, 2021.


1 Doutoranda em Ciências da Educação. Instituição: Christian Business School. Endereço: 40 rue Alexandre Dumas, Paris. E-mail: [email protected]