SETEMBRO AMARELO NO COLÉGIO BRIGADEIRO NEWTON BRAGA: O TRABALHO MULTIPROFISSIONAL COMO ESTRATÉGIA DE CUIDADO COM A SAÚDE MENTAL

SETEMBRO AMARELO AT COLÉGIO BRIGADEIRO NEWTON BRAGA: MULTIDISCIPLINARY WORK AS A MENTAL HEALTH CARE STRATEGY

REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/789868819

RESUMO
A crescente incidência de manifestações de sofrimento psíquico entre crianças, adolescentes e profissionais da educação tem reforçado a necessidade de estratégias institucionais voltadas à promoção da saúde mental no contexto escolar. Nesse cenário, a escola configura-se como espaço privilegiado para o desenvolvimento de ações preventivas, favorecendo o fortalecimento de fatores protetivos, a construção de vínculos e a identificação precoce de situações de vulnerabilidade. Este capítulo apresenta um relato de experiência acerca das ações desenvolvidas no Colégio Brigadeiro Newton Braga (CBNB) durante a Campanha Setembro Amarelo de 2025, por meio da atuação integrada da Seção de Psicologia Educacional e da Coordenação do Curso Técnico em Enfermagem. As intervenções contemplaram estudantes do Ensino Fundamental I, Ensino Fundamental II, Ensino Médio e o efetivo da instituição, utilizando estratégias psicoeducativas, atividades lúdicas, educação entre pares, formação de profissionais e ações de valorização da vida adaptadas às especificidades de cada público. Fundamentado em referenciais da Psicologia Educacional, da Suicidologia e das políticas públicas brasileiras de promoção da saúde mental, o relato evidencia que práticas multiprofissionais planejadas, contínuas e articuladas ao cotidiano escolar contribuem para o fortalecimento das competências socioemocionais, da empatia, do pertencimento institucional e das redes de apoio, favorecendo a consolidação de uma cultura escolar comprometida com o cuidado, a prevenção do sofrimento psíquico e a valorização da vida. Conclui-se que iniciativas dessa natureza apresentam maior potencial quando inseridas em uma política institucional permanente de promoção da saúde mental, ultrapassando o caráter pontual das campanhas temáticas e consolidando a escola como espaço promotor de desenvolvimento humano e bem-estar.
Palavras-chave: Psicologia Educacional; saúde mental; promoção da saúde; prevenção do suicídio; educação; trabalho multiprofissional.

ABSTRACT
The increasing incidence of psychological distress among children, adolescents, and education professionals has reinforced the need for institutional strategies aimed at promoting mental health in the school context. In this scenario, schools represent a privileged setting for the development of preventive actions, fostering the strengthening of protective factors, the establishment of bonds, and the early identification of situations of vulnerability. This chapter presents an experience report on the activities carried out at Colégio Brigadeiro Newton Braga (CBNB) during the 2025 Setembro Amarelo Campaign, through the integrated efforts of the Educational Psychology Section and the Coordination of the Technical Nursing Program. The interventions involved students from Elementary School I, Elementary School II, High School, and the institution’s staff, employing psychoeducational strategies, playful activities, peer education, professional training, and life-affirming initiatives adapted to the specific characteristics of each target group. Grounded in frameworks from Educational Psychology, Suicidology, and Brazilian public policies for mental health promotion, the report demonstrates that planned, continuous, and multidisciplinary practices integrated into everyday school life contribute to strengthening socioemotional competencies, empathy, institutional belonging, and support networks, fostering the consolidation of a school culture committed to care, the prevention of psychological distress, and the affirmation of life. It is concluded that initiatives of this nature have greater potential when incorporated into a permanent institutional policy for mental health promotion, moving beyond the occasional nature of thematic campaigns and consolidating the school as a setting that promotes human development and well-being.
Keywords: Educational Psychology; mental health; health promotion; suicide prevention; education; multidisciplinary work.

INTRODUÇÃO

A promoção da saúde mental no contexto escolar tem se consolidado como uma das principais demandas contemporâneas da educação, especialmente diante do aumento das manifestações de sofrimento psíquico entre crianças, adolescentes e profissionais da educação. Questões como ansiedade, depressão, estresse, comportamentos autolesivos, dificuldades nas relações interpessoais e outros fatores que comprometem o bem-estar emocional evidenciam a necessidade de que as instituições de ensino ampliem seu papel para além da transmissão do conhecimento, assumindo também a responsabilidade de promover ambientes seguros, acolhedores e favorecedores do desenvolvimento humano.

A escola constitui um espaço privilegiado para a promoção da saúde, uma vez que favorece a construção de vínculos, o desenvolvimento das competências socioemocionais, a convivência entre diferentes grupos sociais e a identificação precoce de situações de vulnerabilidade. Nessa perspectiva, a promoção da saúde mental deve ser compreendida como um processo contínuo de fortalecimento de fatores protetivos, de incentivo ao autocuidado, ao cuidado com o outro e ao desenvolvimento de uma cultura institucional baseada no respeito, na cooperação e na valorização da vida, ultrapassando abordagens restritas à prevenção de agravos específicos.

O cuidado com a saúde mental no ambiente escolar exige uma atuação articulada entre diferentes profissionais, reconhecendo que as demandas emocionais e relacionais presentes na escola possuem caráter multifatorial e requerem intervenções integradas. Nesse cenário, a Psicologia Educacional assume papel estratégico ao contribuir para a compreensão dos processos institucionais que influenciam o desenvolvimento e a aprendizagem, planejando ações preventivas, fortalecendo as relações interpessoais e promovendo espaços de escuta, acolhimento e reflexão coletiva. Quando desenvolvida em parceria com outros profissionais da educação e da saúde, sua atuação amplia as possibilidades de construção de práticas institucionais voltadas à promoção do bem-estar e à prevenção do sofrimento psíquico.

Entre as diversas estratégias de mobilização social relacionadas à saúde mental, a Campanha Setembro Amarelo consolidou-se, no Brasil, como importante iniciativa de conscientização sobre a prevenção do comportamento suicida e de incentivo ao diálogo acerca do sofrimento emocional. Entretanto, os referenciais contemporâneos da Psicologia, da Educação e da Saúde Pública apontam que a prevenção não deve restringir-se a ações pontuais ou campanhas temáticas. Ao contrário, recomenda-se que as instituições de ensino incorporem a promoção da saúde mental às suas práticas cotidianas, por meio de programas permanentes que fortaleçam competências socioemocionais, redes de apoio, vínculos interpessoais e ambientes escolares acolhedores (BOTEGA, 2015; BRASIL, 2014; CFP, 2019).

No Colégio Brigadeiro Newton Braga (CBNB), essa compreensão orientou a organização de uma programação institucional desenvolvida durante o mês de setembro de 2025, integrando diferentes setores da escola em torno de um objetivo comum: promover a saúde mental, fortalecer fatores protetivos e ampliar a cultura do cuidado entre estudantes e profissionais. A atuação conjunta da Seção de Psicologia Educacional e da Coordenação do Curso Técnico em Enfermagem possibilitou o desenvolvimento de ações preventivas direcionadas aos diferentes segmentos da comunidade escolar, respeitando as especificidades de cada etapa do desenvolvimento e estimulando o protagonismo estudantil, a educação entre pares, o acolhimento institucional e a valorização da vida.

Nesse contexto, o presente artigo tem como objetivo apresentar e discutir a experiência desenvolvida no Colégio Brigadeiro Newton Braga, evidenciando como a atuação multiprofissional pode contribuir para a promoção da saúde mental no ambiente escolar. Busca-se demonstrar que práticas preventivas planejadas, contínuas e articuladas ao cotidiano institucional favorecem o fortalecimento das competências socioemocionais, das redes de apoio e do sentimento de pertencimento, consolidando a escola como um espaço promotor de saúde, desenvolvimento humano e qualidade das relações interpessoais.

FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

A promoção da saúde mental no ambiente escolar tem sido reconhecida como uma estratégia essencial para o desenvolvimento integral de crianças, adolescentes e profissionais da educação. Nas últimas décadas, o conceito de saúde passou a ser compreendido de forma ampliada, ultrapassando a ausência de doenças e incorporando aspectos relacionados ao bem-estar físico, emocional, social e às condições que favorecem qualidade de vida e participação ativa dos sujeitos em seus diferentes contextos (BRASIL, 2014). Sob essa perspectiva, a promoção da saúde mental envolve o fortalecimento de fatores protetivos, o desenvolvimento das competências socioemocionais, o incentivo ao autocuidado e à construção de relações interpessoais saudáveis.

No contexto educacional, essa concepção aproxima-se da proposta das Escolas Promotoras de Saúde, nas quais a instituição escolar é compreendida como espaço privilegiado para o desenvolvimento humano, a construção de vínculos e a promoção de ambientes seguros e acolhedores. A Base Nacional Comum Curricular (BRASIL, 2018) reforça essa compreensão ao reconhecer competências como empatia, cooperação, responsabilidade, comunicação e autoconhecimento como dimensões fundamentais da formação integral dos estudantes, atribuindo à escola papel que ultrapassa o ensino de conteúdos curriculares.

Nesse cenário, a Psicologia Educacional amplia significativamente seu campo de atuação. Historicamente vinculada à avaliação das dificuldades individuais de aprendizagem, a área passou a incorporar uma perspectiva institucional, voltada para a compreensão das relações estabelecidas no cotidiano escolar e para a promoção de processos educativos mais inclusivos. Patto (1997) destaca que a atuação do psicólogo deve superar práticas centradas exclusivamente na individualização das dificuldades escolares, voltando-se também para a análise das condições institucionais que influenciam o desenvolvimento e a aprendizagem. Em consonância com essa perspectiva, as Referências Técnicas para Atuação de Psicólogas(os) na Educação Básica (CFP, 2019) defendem uma prática comprometida com a promoção dos direitos, a construção de ambientes acolhedores e o fortalecimento das relações entre estudantes, famílias, professores e demais profissionais da escola.

A complexidade das demandas presentes no ambiente educacional exige atuação articulada entre diferentes áreas do conhecimento. A Lei nº 13.935/2019 representa importante marco ao reconhecer a necessidade da inserção de psicólogos e assistentes sociais na Educação Básica, fortalecendo uma perspectiva interdisciplinar e multiprofissional do cuidado. Nesse contexto, o trabalho multiprofissional amplia a capacidade institucional de identificar vulnerabilidades, desenvolver ações preventivas, promover educação em saúde e construir redes de apoio capazes de responder às necessidades da comunidade escolar de maneira integrada.

Entre as diferentes demandas relacionadas à saúde mental, destaca-se o comportamento suicida, reconhecido como um fenômeno complexo, multifatorial e determinado por fatores biológicos, psicológicos, sociais, culturais e históricos (BOTEGA, 2015). Conforme assinala Durkheim (2000), as condições sociais exercem influência significativa sobre a ocorrência do suicídio, evidenciando que sua compreensão não pode ser reduzida a características individuais. O Conselho Federal de Psicologia (2013) reforça essa perspectiva ao recomendar abordagens que considerem a singularidade dos sujeitos e o contexto em que vivem, evitando interpretações simplificadoras.

Durante a adolescência, fase marcada por intensas transformações biopsicossociais, fatores como conflitos interpessoais, bullying, pressões acadêmicas, fragilidade dos vínculos sociais e dificuldades na regulação emocional podem aumentar a vulnerabilidade ao sofrimento psíquico. Nesse contexto, práticas como a autolesão podem constituir estratégias inadequadas de enfrentamento emocional, funcionando como importantes indicadores de risco (ANDRADE; CARNIATO, 2021). Werlang (2013) destaca que a identificação precoce desses sinais depende da existência de profissionais capacitados e de ambientes que favoreçam a escuta qualificada e o acolhimento.

A Organização Mundial da Saúde (OMS, 2014) e Scavacini (2018) defendem que a prevenção do comportamento suicida deve priorizar estratégias universais de promoção da saúde mental, fortalecendo fatores protetivos antes mesmo da instalação de situações de crise. No ambiente escolar, isso implica investir em programas permanentes de educação socioemocional, formação continuada dos profissionais, fortalecimento das redes de apoio e desenvolvimento de uma cultura institucional comprometida com o cuidado, a valorização da vida e a promoção da saúde mental ao longo de todo o ano letivo.

RELATO DE EXPERIÊNCIA

Durante todo o mês de setembro de 2025, a Seção de Psicologia Educacional (SPSE) do Colégio Brigadeiro Newton Braga (CBNB), em consonância com as diretrizes da Campanha Setembro Amarelo e do Programa de Valorização da Vida (PVV) da Força Aérea Brasileira, desenvolveu uma programação institucional voltada à promoção da saúde mental, prevenção do sofrimento psíquico e fortalecimento de fatores protetivos no ambiente escolar. As ações foram planejadas de forma integrada entre a Psicologia Educacional e a Coordenação do Curso Técnico em Enfermagem do Ensino Médio, contemplando intervenções específicas para diferentes segmentos da comunidade escolar.

A organização das atividades partiu da compreensão de que a promoção da saúde mental deve ultrapassar o modelo centrado na transmissão de informações, favorecendo experiências concretas de acolhimento, fortalecimento de vínculos e desenvolvimento de habilidades socioemocionais. Dessa forma, buscou-se construir espaços de participação ativa dos estudantes, estimulando a empatia, a comunicação positiva e a valorização da vida por meio de estratégias compatíveis com as diferentes etapas do desenvolvimento.

Com os estudantes do Curso Técnico em Enfermagem do Ensino Médio foi desenvolvida uma atividade de interlocução com as turmas do Ensino Médio, fortalecendo o protagonismo juvenil e a cultura do cuidado entre pares. Os alunos do curso participaram da condução de uma dinâmica na qual foram convidados a escrever, de forma anônima, uma mensagem positiva que gostariam de receber de alguém em um momento de dificuldade, incentivo ou acolhimento e entregar aos alunos do Ensino Médio. A proposta possibilitou reflexões sobre as necessidades emocionais presentes no cotidiano escolar, evidenciando a importância do reconhecimento, do apoio social e da comunicação afetiva como elementos promotores de saúde mental. Além disso, favoreceu a aproximação entre estudantes de diferentes segmentos, estimulando atitudes de responsabilidade coletiva e cuidado mútuo.

Como parte das atividades desenvolvidas pelo Curso Técnico em Enfermagem do Ensino Médio, os estudantes também elaboraram um trabalho psicoeducativo sobre a Síndrome de Burnout, abordando seus principais sinais, fatores de risco, estratégias de prevenção e a importância do cuidado com a saúde mental. O material foi organizado em formato expositivo e disponibilizado em espaço de circulação da comunidade escolar, permitindo que alunos, professores e demais profissionais tivessem acesso às informações durante o período da campanha. A iniciativa buscou ampliar a compreensão acerca de uma condição cada vez mais presente nos contextos educacionais e laborais, promovendo reflexões sobre a necessidade do equilíbrio entre as demandas cotidianas, o autocuidado e a busca por apoio diante de situações de esgotamento físico e emocional. Além de fortalecer o protagonismo dos estudantes do curso técnico na disseminação de conhecimentos em saúde, a atividade contribuiu para ampliar o alcance das ações de promoção da saúde mental desenvolvidas no CBNB, favorecendo a construção de uma cultura institucional voltada à prevenção, ao cuidado e à valorização da vida.

No Ensino Fundamental II, a Psicologia Educacional desenvolveu uma atividade denominada "Caixa das Mensagens", estruturada ao longo de todo o mês de setembro. Inicialmente, cada estudante elaborou, de forma anônima, uma mensagem que representasse palavras de incentivo, acolhimento ou reconhecimento que gostaria de ouvir em algum momento de sua vida. Todos os bilhetes foram depositados em uma caixa coletiva, por série, permanecendo lacrados durante o período da campanha. Ao término das atividades do Setembro Amarelo, cada aluno retirou aleatoriamente um bilhete da caixa, recebendo uma mensagem escrita por outro colega, preservando-se o anonimato dos autores. A dinâmica favoreceu a expressão de sentimentos, o fortalecimento da empatia e a percepção de que pequenas manifestações de cuidado podem produzir impacto significativo na vida das pessoas, além de estimular reflexões acerca da importância das palavras nas relações interpessoais.

Já com os estudantes do Ensino Fundamental I, as ações foram adaptadas às características do desenvolvimento infantil, privilegiando recursos lúdicos e concretos. Nas turmas do 1º e 2º anos do Ensino Fundamental I, foi desenvolvida uma atividade inspirada na estética dos livros de colorir Bobbie Goods, amplamente conhecidos pelo caráter lúdico e pelas ilustrações que estimulam momentos de criatividade, relaxamento e bem-estar. A partir de ilustrações elaboradas com essa linguagem visual, foram trabalhados temas relacionados ao autocuidado, ao cuidado com o outro, à identificação de emoções e às atitudes promotoras de saúde mental no cotidiano escolar. Cada imagem foi utilizada como elemento mediador para a discussão sobre comportamentos de acolhimento, empatia, respeito e convivência saudável, permitindo que as crianças compartilhassem suas percepções e experiências. Ao término das reflexões, os estudantes realizaram a pintura das ilustrações, transformando a atividade em um momento de expressão criativa e elaboração emocional. Já nas turmas de 3º, 4º e 5º anos, a atividade central consistiu na construção de uma dobradura em formato de coração, durante a qual foram trabalhadas emoções, sentimentos, empatia e comportamentos de cuidado. Após a confecção da dobradura, cada criança escreveu uma mensagem positiva destinada a outra pessoa, incentivando gestos de gentileza, amizade e valorização do outro. A proposta possibilitou abordar conceitos relacionados à saúde mental de maneira acessível à faixa etária, favorecendo o desenvolvimento das competências socioemocionais e reforçando comportamentos pró-sociais desde os primeiros anos da escolarização.

Paralelamente às atividades desenvolvidas com os estudantes, foram realizadas ações direcionadas ao efetivo do Colégio Brigadeiro Newton Braga, com o propósito de fortalecer a cultura institucional do cuidado e sensibilizar os profissionais para a importância da promoção da saúde mental também no ambiente de trabalho. Na primeira semana da campanha, foi realizada uma intervenção de acolhimento, na qual mensagens de incentivo, reconhecimento e valorização da vida foram distribuídas de forma personalizada nos armários dos alojamentos, nas mesas da sala dos professores e em outros espaços de uso cotidiano do efetivo, acompanhadas de uma pequena lembrança simbólica. A iniciativa teve como objetivo proporcionar uma experiência positiva logo no início da jornada de trabalho, promovendo reflexões sobre autocuidado, pertencimento e reconhecimento, além de transmitir a mensagem de que o cuidado com a saúde mental é uma responsabilidade compartilhada e que cada profissional é percebido e valorizado pela instituição. Ao longo do mês, também foi promovida palestra abordando temas relacionados ao sentido e propósito de vida, prevenção do comportamento suicida, identificação de sinais de sofrimento psíquico e estratégias de acolhimento no contexto escolar. Complementando essas ações, foram produzidos e divulgados folders informativos e murais temáticos distribuídos em diferentes espaços da escola, ampliando o acesso às informações e reforçando o compromisso institucional com a promoção da saúde mental, a prevenção do sofrimento psíquico e a valorização da vida.

As atividades desenvolvidas evidenciaram elevado engajamento da comunidade escolar, favorecendo a criação de espaços seguros para diálogo sobre emoções, fortalecimento dos vínculos interpessoais e ampliação das estratégias de cuidado coletivo. Mais do que ações pontuais relacionadas ao Setembro Amarelo, as intervenções buscaram consolidar uma perspectiva permanente de promoção da saúde mental no ambiente escolar, compreendendo a escola como espaço privilegiado para o desenvolvimento de fatores protetivos e para a construção de uma cultura institucional comprometida com a valorização da vida.

DISCUSSÃO

A experiência desenvolvida no Colégio Brigadeiro Newton Braga demonstra que a promoção da saúde mental no contexto educacional torna-se mais efetiva quando estruturada por meio de uma atuação multiprofissional, integrada e contínua, envolvendo diferentes áreas do conhecimento em torno de um objetivo comum: a construção de um ambiente escolar saudável, acolhedor e comprometido com o desenvolvimento integral de estudantes e profissionais. Nessa perspectiva, a Psicologia Educacional, articulada à Coordenação do Curso Técnico em Enfermagem, possibilitou a elaboração de ações que transcenderam o caráter informativo da campanha Setembro Amarelo, favorecendo experiências concretas de fortalecimento de vínculos, desenvolvimento de competências socioemocionais e promoção de fatores protetivos em saúde mental.

Intervenções preventivas apresentam maior efetividade quando deixam de ser iniciativas isoladas e passam a integrar o cotidiano institucional. Botega (2015) ressalta que a prevenção do comportamento suicida deve contemplar estratégias permanentes de promoção da saúde mental, fortalecimento das redes de apoio e identificação precoce de fatores de vulnerabilidade, reduzindo a necessidade de intervenções apenas em momentos de crise. Sob essa perspectiva, as atividades desenvolvidas no CBNB buscaram ampliar o repertório de recursos emocionais dos estudantes, favorecendo a empatia, a comunicação, o apoio entre pares e a construção de relações interpessoais mais saudáveis, reconhecidas como importantes fatores de proteção ao sofrimento psíquico.

No contexto escolar, a Psicologia Educacional ocupa papel estratégico ao promover ações preventivas voltadas não apenas ao estudante que apresenta dificuldades, mas à construção de condições institucionais favoráveis ao desenvolvimento humano. Patto (1997) já defendia que a atuação do psicólogo na escola deveria superar modelos centrados exclusivamente na queixa individual, voltando-se para a compreensão dos processos institucionais e das relações que permeiam o cotidiano escolar. Em consonância com essa perspectiva, as ações descritas neste relato privilegiaram intervenções de caráter coletivo, fortalecendo a cultura do cuidado, da cooperação e da corresponsabilidade entre todos os atores da comunidade escolar.

Da mesma forma, as atividades desenvolvidas entre estudantes de diferentes segmentos reforçam pressupostos da aprendizagem social e da educação entre pares, permitindo que adolescentes assumam papel ativo na construção de práticas de cuidado coletivo. Ao estimular o protagonismo dos alunos do Curso Técnico em Enfermagem na condução de atividades junto aos demais estudantes, ampliaram-se oportunidades de desenvolvimento da empatia, da responsabilidade social e da comunicação acolhedora, competências consideradas essenciais para a formação cidadã e para a promoção da saúde no ambiente educacional.

Outro aspecto relevante evidenciado pela experiência foi a ampliação do olhar institucional para além do cuidado dirigido exclusivamente aos estudantes. Historicamente, campanhas de saúde mental nas escolas concentram-se no público discente, embora o ambiente escolar seja constituído por diferentes sujeitos que também vivenciam elevados níveis de exigência emocional. Professores, gestores, militares, servidores civis e demais profissionais lidam diariamente com demandas pedagógicas, administrativas e relacionais que podem repercutir diretamente em seu bem-estar psicológico e, consequentemente, na qualidade das relações estabelecidas com os estudantes.

Nesse sentido, as ações direcionadas ao efetivo assumem relevância institucional ao reconhecer que a promoção da saúde mental deve contemplar todos aqueles que compõem a comunidade escolar. Pequenas intervenções de acolhimento, reconhecimento e valorização do trabalho cotidiano, associadas a espaços formativos sobre saúde mental e prevenção do sofrimento psíquico, contribuem para fortalecer o sentimento de pertencimento, ampliar a percepção de suporte organizacional e favorecer ambientes de trabalho mais saudáveis. Embora intervenções dessa natureza não substituam políticas institucionais de cuidado, representam importantes estratégias de promoção da saúde, especialmente quando integradas a programas permanentes de atenção ao servidor.

Essa compreensão encontra respaldo na Política Nacional de Promoção da Saúde (Brasil, 2014), que reconhece a promoção da saúde como processo voltado ao fortalecimento da autonomia, da participação social e da melhoria das condições de vida e trabalho dos indivíduos. No âmbito educacional, a Lei nº 13.935/2019 reforça a importância da atuação de psicólogos e assistentes sociais nas redes públicas de educação básica, reconhecendo que o cuidado com os processos de ensino e aprendizagem está intrinsecamente relacionado à promoção da saúde mental, à prevenção de agravos e ao fortalecimento das relações institucionais.

Além disso, a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) destaca o desenvolvimento das competências socioemocionais, da empatia, da cooperação, da responsabilidade e do respeito às diferenças como dimensões fundamentais da formação integral dos estudantes (Brasil, 2018). As atividades realizadas durante o Setembro Amarelo dialogam diretamente com esses princípios ao promover espaços de escuta, acolhimento, expressão emocional e fortalecimento dos vínculos interpessoais, elementos que contribuem para a construção de um clima escolar mais seguro, participativo e humanizado.

Entretanto, os resultados observados também reforçam que campanhas concentradas em um único período do ano, embora relevantes para sensibilização da comunidade escolar, apresentam alcance limitado quando não articuladas a uma política institucional permanente de promoção da saúde mental. Faz-se necessário que as escolas organizem programas contínuos, com ações sistemáticas de formação de profissionais, educação socioemocional, fortalecimento das redes de apoio, protocolos de identificação precoce de situações de risco e espaços permanentes de escuta psicológica (CFP, 2013; Scavacini, 2018). Dessa forma, o Setembro Amarelo deve ser compreendido como um momento de mobilização e visibilidade, inserido em uma estratégia mais ampla de cuidado institucional que se desenvolva ao longo de todo o calendário escolar.

Por fim, a experiência do CBNB demonstra que o trabalho multiprofissional potencializa a capacidade institucional de responder às demandas contemporâneas relacionadas à saúde mental, favorecendo a integração entre educação e saúde, ampliando o alcance das ações preventivas e fortalecendo uma cultura organizacional pautada no acolhimento, na corresponsabilidade e na valorização da vida. Mais do que desenvolver atividades temáticas, a construção de uma escola promotora de saúde mental exige planejamento, integração entre equipes e continuidade das ações, de modo que o cuidado deixe de ser uma intervenção pontual e passe a constituir um princípio permanente da prática educativa.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

As ações desenvolvidas no Colégio Brigadeiro Newton Braga mostram que a promoção da saúde mental no contexto escolar demanda uma compreensão ampliada do cuidado, sustentada pela articulação entre diferentes saberes, profissionais e setores institucionais. Nesse sentido, o trabalho multiprofissional constituiu elemento estruturante da Campanha Setembro Amarelo de 2025, ao integrar conhecimentos da Psicologia Educacional e da Enfermagem em uma perspectiva preventiva, educativa e promotora de saúde. Essa articulação contribuiu para que as intervenções ultrapassassem a transmissão de informações sobre sofrimento psíquico ou prevenção do comportamento suicida, favorecendo experiências de acolhimento, fortalecimento de vínculos, expressão emocional, protagonismo e corresponsabilidade.

Os resultados observados indicam, ainda, que a atuação multiprofissional amplia a capacidade da instituição escolar de reconhecer a complexidade das demandas relacionadas à saúde mental. Questões emocionais, relacionais e sociais presentes no cotidiano escolar não se manifestam de maneira isolada e, portanto, não podem ser compreendidas ou enfrentadas exclusivamente a partir de um único campo de conhecimento. A articulação entre profissionais favorece a construção de diferentes possibilidades de intervenção, respeitando as especificidades dos sujeitos e dos distintos momentos do desenvolvimento. No CBNB, essa perspectiva orientou a elaboração de atividades voltadas aos estudantes do Ensino Fundamental I, Ensino Fundamental II e Ensino Médio, bem como ao efetivo da instituição.

Outro elemento de destaque refere-se ao protagonismo dos estudantes do Curso Técnico em Enfermagem, cuja participação na condução de ações junto aos demais alunos exemplifica o potencial da educação entre pares no contexto da promoção da saúde. Ao assumirem uma posição ativa na disseminação de conhecimentos e na construção de mensagens de acolhimento, esses estudantes deixaram de ser apenas destinatários das intervenções e passaram a compor o processo de cuidado coletivo. Tal participação reforça a importância de reconhecer os próprios alunos como sujeitos capazes de contribuir para a construção de ambientes escolares mais acolhedores, cooperativos e atentos às necessidades emocionais de seus pares.

A diversidade das estratégias empregadas revela que a promoção da saúde mental precisa considerar as características dos diferentes públicos que compõem a comunidade escolar. As atividades lúdicas realizadas com as crianças, as propostas de expressão emocional e empatia dirigidas aos adolescentes e as ações de sensibilização e acolhimento voltadas ao efetivo demonstram que uma intervenção institucional abrangente requer diferentes linguagens e metodologias. Nesse aspecto, o trabalho multiprofissional favorece a construção de ações mais contextualizadas, articulando os conhecimentos específicos de cada área às necessidades identificadas no cotidiano escolar.

A inclusão dos profissionais da instituição como público das ações constitui outro aspecto relevante da experiência. A promoção da saúde mental não deve concentrar-se exclusivamente nos estudantes, uma vez que professores, gestores, militares, servidores civis e demais trabalhadores também vivenciam demandas emocionais, relacionais e profissionais que podem repercutir sobre o ambiente escolar. Assim, o cuidado institucional pressupõe reconhecer que o bem-estar dos profissionais integra a própria qualidade das relações estabelecidas na escola. Sob essa perspectiva, ações de acolhimento, reconhecimento, formação e sensibilização dirigidas ao efetivo contribuem para ampliar a compreensão de que a saúde mental constitui responsabilidade coletiva e não apenas individual.

Embora este trabalho se configure como relato de experiência e não tenha a finalidade de mensurar quantitativamente os efeitos das intervenções realizadas, o engajamento observado nas atividades e a amplitude dos públicos alcançados indicam o potencial das ações multiprofissionais para ampliar espaços de diálogo, sensibilização e cuidado. Os resultados apresentados não permitem estabelecer relações causais ou generalizações acerca da efetividade das intervenções; contudo, possibilitam identificar aspectos relevantes do processo e refletir sobre a importância de estratégias institucionais articuladas para a promoção da saúde mental no ambiente escolar.

Nesse sentido, uma das principais contribuições do relato reside na compreensão de que o trabalho multiprofissional não deve ser reduzido à participação eventual de diferentes profissionais em uma mesma campanha. Para que produza efeitos institucionais mais consistentes, é necessário que essa articulação seja sustentada por planejamento compartilhado, comunicação entre as equipes, definição de objetivos comuns e continuidade das ações. A atuação integrada precisa, portanto, constituir-se como parte da organização institucional, possibilitando que diferentes profissionais compartilhem responsabilidades e construam estratégias complementares de prevenção, promoção da saúde, acolhimento e acompanhamento.

O desenvolvimento das ações também reforça a necessidade de superar uma concepção de saúde mental restrita às situações de crise. A prevenção do sofrimento psíquico e do comportamento suicida exige a construção cotidiana de fatores protetivos, como vínculos interpessoais, pertencimento, empatia, comunicação, apoio social, competências socioemocionais e espaços de escuta. Dessa forma, o Setembro Amarelo pode assumir importante função mobilizadora, mas seus objetivos alcançam maior significado quando as reflexões e práticas propostas durante a campanha são incorporadas às ações institucionais realizadas ao longo de todo o ano letivo.

Diante disso, torna-se pertinente pensar a atuação multiprofissional como um dos pilares para a consolidação de uma política institucional permanente de promoção da saúde mental. A continuidade desse trabalho requer não apenas a realização periódica de campanhas, mas o fortalecimento das equipes, a formação continuada dos profissionais, o desenvolvimento sistemático de competências socioemocionais, a manutenção de espaços de escuta e acolhimento e a existência de fluxos institucionais para identificação, acompanhamento e encaminhamento de situações de vulnerabilidade. Nessa perspectiva, a campanha deixa de ser compreendida como um evento isolado e passa a integrar uma estratégia mais ampla de cuidado.

Por fim, o percurso desenvolvido no Colégio Brigadeiro Newton Braga comprova que construir uma escola promotora de saúde mental pressupõe reconhecer a interdependência entre educação, saúde, relações humanas e desenvolvimento. O trabalho multiprofissional, ao reunir diferentes perspectivas e competências em torno de objetivos compartilhados, amplia as possibilidades de atuação preventiva e fortalece a corresponsabilidade entre os integrantes da comunidade escolar. Em vez de se limitar à resposta a demandas já instaladas, essa forma de atuação contribui para criar condições institucionais favoráveis ao desenvolvimento, ao pertencimento, ao acolhimento e à valorização da vida.

Portanto, a principal contribuição da experiência apresentada não se limita às atividades realizadas durante o Setembro Amarelo de 2025, residindo também na possibilidade de elucidar caminhos para que a promoção da saúde mental seja incorporada de maneira permanente à cultura institucional. A articulação entre Psicologia Educacional, Enfermagem, profissionais da educação e demais setores da instituição apresenta-se como uma estratégia potente para ampliar o alcance das ações, compartilhar responsabilidades e construir respostas mais integradas às necessidades da comunidade escolar. Nesse sentido, fortalecer o trabalho multiprofissional significa fortalecer também a capacidade da escola de constituir-se como espaço de cuidado, prevenção, desenvolvimento humano e valorização da vida.

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1 Pós-graduanda em Habilidades Sociais pelo Instituto Del Prette, Neuropsicóloga pela IPOG, Psicopedagoga e Orientadora Educacional pela Universidade Veiga de Almeira (UCAM-AVM). Psicóloga pela UFRJ. Atualmente 1º Tenente temporária da Força Aérea Brasileia, ocupa os cargos de Chefe da Subdivisão de Orientação e Acompanhamento Pedagógico (SOAP), Chefe da Seção de Psicologia Educacional do Colégio Brigadeiro Newton Braga (CBNB), membro do Grupo de Estudos e Pesquisas Práticas e Saberes Docentes (GEPSAD), no CBNB.

2 Pós-Doutora em Educação pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Doutora pela Universidade Católica de Petrópolis e Mestre em Educação pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. Pedagoga formada pela UERJ. Psicopedagoga. Especialista em Educação Inclusiva. Ocupa os cargos de Adjunta e Assessora Pedagógica da Divisão de Ensino e Chefe da Subdivisão de Educação Especializada , no Colégio Brigadeiro Newton Braga