REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/793694689
RESUMO
A crescente procura por procedimentos estéticos minimamente invasivos, como a aplicação de toxina botulínica e ácido hialurônico, também abrange indivíduos com doenças crônicas, entre elas a artrite reumatoide (AR), porém, essa condição autoimune inflamatória e o uso frequente de medicamentos imunossupressores suscitam questionamentos sobre a segurança, os possíveis efeitos adversos e a previsibilidade dos resultados desses procedimentos. Deste modo, esta pesquisa objetiva avaliar a segurança e a eficácia do uso de injetáveis estéticos em pacientes com AR, através de uma revisão narrativa da literatura, orientada pelas recomendações PRISMA e os parâmetros PICO, incluindo estudos publicados entre 2015 e 2025, nas bases de dados SciELO, PubMed, Google Scholar, utilizando descritores relacionados à toxina botulínica, ácido hialurônico e artrite reumatoide. Estudos destacam a importância de analisar a influência da atividade da doença e das terapias imunossupressoras sobre os desfechos dos procedimentos, considerando reações inflamatórias, complicações tardias e possíveis respostas imunológicas. Embora tais procedimentos sejam amplamente considerados seguros na população geral, ainda há limitações na literatura quanto à sua aplicação em indivíduos com condições sistêmicas específicas, como a artrite reumatoide. A artrite reumatoide não é uma contraindicação absoluta para o uso de injetáveis estéticos, o que significa que pacientes com a doença podem realizar esses procedimentos, no entanto, a segurança depende diretamente do controle clínico da doença, remissão, e exige cuidados específicos devido à natureza autoimune e inflamatória da condição
Palavras-chave: Artrite Reumatoide; Toxina Botulínica; Ácido Hialurônico; Estética.
ABSTRACT
The growing demand for minimally invasive aesthetic procedures, such as the administration of botulinum toxin and hyaluronic acid, extends to individuals with chronic diseases, including rheumatoid arthritis (RA); however, this inflammatory autoimmune condition and the frequent use of immunosuppressive medications raise questions regarding the safety, potential adverse effects, and predictability of outcomes for these procedures. Thus, this research aims to evaluate the safety and efficacy of aesthetic injectables in patients with RA through a narrative literature review guided by PRISMA recommendations and PICO parameters, covering studies published between 2015 and 2025 in the SciELO, PubMed, and Google Scholar databases using keywords related to botulinum toxin; hyaluronic acid; and rheumatoid arthritis; Studies highlight the importance of analyzing how disease activity and immunosuppressive therapies influence procedural outcomes; taking into account inflammatory reactions; delayed complications; and potential immunological responses; Although such procedures are widely considered safe for the general population; limitations remain in the literature regarding their application in individuals with specific systemic conditions; such as rheumatoid arthritis; Rheumatoid arthritis is not an absolute contraindication for the use of aesthetic injectables-meaning patients with the disease can undergo these procedures effectively-yet safety depends directly on clinical disease control and remission; requiring specific precautions due to the condition's autoimmune and inflammatory nature.
Keywords: Arthritis Rheumatoid; Hyaluronic Acid; Botulinum Toxins; Esthetics.
1. INTRODUÇÃO
O crescimento expressivo da procura por procedimentos estéticos minimamente invasivos reflete não apenas uma preocupação com a aparência, mas também com o bem-estar e a autoestima dos indivíduos. Nesse cenário, técnicas que utilizam substâncias injetáveis, como a toxina botulínica e os preenchedores dérmicos, tornaram-se amplamente difundidas na prática clínica, sendo cada vez mais acessíveis a diferentes perfis de pacientes.
Paralelamente, observa-se um aumento na procura por esses procedimentos por parte de indivíduos portadores de doenças crônicas, especialmente doenças autoimunes inflamatória crônica, como a artrite reumatoide (AR). Esses pacientes apresentam particularidades importantes, como alterações no sistema imunológico e o uso frequente de medicamentos imunossupressores, fatores que podem interferir diretamente na resposta do organismo a procedimentos estéticos (Johnson et al., 2023).
Diante disso, surgem questionamentos relevantes quanto à segurança, aos riscos e à previsibilidade dos resultados desses procedimentos nesse grupo específico. A possibilidade de reações inflamatórias, complicações tardias e até mesmo a ativação de respostas imunológicas evidencia a necessidade de maior cautela e embasamento científico na tomada de decisão clínica.
Além disso, a literatura ainda apresenta limitações importantes, com escassez de estudos padronizados e evidências robustas voltadas especificamente para pacientes com artrite reumatoide submetidos a procedimentos estéticos injetáveis. Essa lacuna científica dificulta a elaboração de protocolos clínicos mais seguros e direcionados para essa população.
Sendo assim, o objetivo deste estudo é avaliar, por meio de uma revisão de literatura, a segurança e a eficácia dos procedimentos estéticos injetáveis, como ácido hialurônico em comparação à toxina botulínica, em pacientes com artrite reumatoide, considerando os possíveis riscos, complicações e particularidades clínicas dessa população. Como objetivos específicos, busca conhecer as características clínicas e imunológicas da artrite reumatoide relevantes para a prática estética; analisar os principais procedimentos estéticos injetáveis empregados em pacientes com artrite reumatoide, especialmente a toxina botulínica e os preenchedores à base de ácido hialurônico, considerando sua segurança, os efeitos adversos e as possíveis complicações associadas; investigar a influência do uso de terapias imunossupressoras na resposta aos procedimentos estéticos; e avaliar a importância da anamnese e da individualização do atendimento na realização de procedimentos estéticos injetáveis em pacientes com artrite reumatoide, sintetizando recomendações e cuidados para uma abordagem clínica segura e baseada em evidências.
A pesquisa justifica-se pela necessidade de reunir e analisar informações científicas atualizadas sobre o tema, contribuindo para uma prática profissional mais segura, ética e baseada em evidências. Além disso, o trabalho se mostra relevante para a formação do biomédico esteta, ao ampliar o conhecimento sobre a abordagem de pacientes com condições sistêmicas, promovendo uma atuação mais responsável e individualizada.
Este estudo reuniu e analisou as evidências disponíveis sobre a segurança e a eficácia dos procedimentos estéticos injetáveis em pacientes com artrite reumatoide, considerando os possíveis riscos, as complicações e a influência da atividade da doença e das terapias imunossupressoras. A análise também permitiu identificar limitações do conhecimento científico sobre o tema e discutir cuidados relevantes para a avaliação individualizada desses pacientes.
2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
Envelhecer é um processo natural e singular para cada indivíduo. Os sinais visíveis resultam da perda de firmeza e elasticidade em áreas como maçãs do rosto e mandíbula, somados ao acúmulo de gordura em pontos como o sulco nasogeniano e a papada (Urdiales-Gálvez et al., 2018). Embora sejam mudanças esperadas, é possível tratá-las com o apoio de procedimentos estéticos.
A crescente valorização da estética e do bem-estar tem impulsionado significativamente a busca por procedimentos estéticos minimamente invasivos, especialmente aqueles que utilizam substâncias injetáveis, como a toxina botulínica e os preenchedores à base de ácido hialurônico. Esses procedimentos destacam-se pela eficácia clínica, pelo curto período de recuperação e pelos resultados satisfatórios na prevenção e no tratamento dos sinais do envelhecimento facial, consolidando-se entre os tratamentos estéticos mais realizados mundialmente (Pieretti et al., 2023).
Com isso, a área de biomedicina estética vem apresentando forte expansão recentemente. Essa crescente procura é impulsionada por diversos aspectos, como a busca constante pelo fortalecimento da autoestima, a maior aceitação de procedimentos estéticos pela sociedade e o impacto das redes sociais na difusão de padrões estéticos muitas vezes inatingíveis. Somado a isso, destaca-se o interesse por intervenções de rápida recuperação, eficácia ágil e com elevados índices de segurança, desde que conduzidas por especialistas devidamente capacitados. (Silva et al., 2022)
A busca por clínicas de estética parte sobretudo de pessoas saudáveis que desejam melhorar sua aparência e bem-estar psicológico. Os tratamentos injetáveis, como a toxina botulínica e o preenchimento com ácido hialurônico, destacam-se nesse meio por oferecerem riscos graves reduzidos em comparação às cirurgias. (Silva et al., 2022)
Paralelamente a esse cenário, observa-se também um aumento da demanda por procedimentos estéticos por parte de pacientes portadores de doenças crônicas, incluindo as doenças autoimunes, como a artrite reumatoide. A artrite reumatoide é uma condição sistêmica inflamatória caracterizada por disfunções no sistema imunológico, levando à inflamação crônica das articulações e a manifestações extra articulares. Além disso, esses pacientes frequentemente utilizam terapias imunossupressoras, como os fármacos modificadores do curso da doença (DMARDs), o que pode alterar a resposta inflamatória e imunológica do organismo (Johnson et al., 2023; Smolen et al., 2018).
Apesar de sua eficácia e baixo risco, toxina botulínica e o preenchimento com ácido hialurônico podem ocasionar complicações tanto precoces quanto tardias, de diferentes níveis de gravidade. Essas complicações geralmente ocorrem devido à falta de conhecimento anatômico, a falhas técnicas, escolha incorreta do local de aplicação, a quantidade de produto empregada ou higiene inadequada. (Gadelha et al., 2024)
Corroborando, a Sociedade Brasileira de Reumatologia (2025), também afirma que os procedimentos estéticos podem proporcionar benefícios importantes para a autoestima, a qualidade de vida e o bem-estar emocional de indivíduos com doenças autoimunes. Com o avanço das técnicas e o aumento da disponibilidade de tratamentos minimamente invasivos, observa-se um crescimento na procura por intervenções voltadas ao rejuvenescimento e à melhoria da aparência física. Entretanto, pacientes portadores de doenças reumáticas autoimunes, como artrite reumatoide, lúpus sistêmicos e esclerose sistêmica, necessitam de uma avaliação mais criteriosa antes da realização desses procedimentos. Embora tais intervenções possam contribuir positivamente para a autopercepção e o bem-estar, também existem potenciais riscos relacionados à modulação da resposta imunológica, ao desenvolvimento de processos inflamatórios e granulomatosos e à possível exacerbação de condições clínicas preexistentes. Dessa forma, a indicação dos tratamentos estéticos deve ser individualizada e considerar o estado clínico e terapêutico de cada paciente.
Nesse contexto, a realização de procedimentos estéticos injetáveis em pacientes com doenças autoimunes levanta importantes questionamentos quanto à segurança e à previsibilidade dos resultados. O ácido hialurônico, por exemplo, desempenha papel relevante nos processos inflamatórios e imunológicos, podendo, em determinadas condições, atuar na modulação da resposta inflamatória e até mesmo contribuir para a reativação de doenças autoimunes (Smith et al., 2023; Urdiales-Gálvez et al., 2018). Da mesma forma, substâncias injetáveis podem atuar como adjuvantes imunológicos, estando potencialmente associadas a reações tardias ou ao desencadeamento de síndromes inflamatórias, como a síndrome ASIA (Watad et al., 2018; Croce et al., 2025).
Materiais permanentes apresentam maior risco de reações imunomediadas tardias, favorecendo a preferência por materiais temporários. A indicação de procedimentos estéticos em pacientes com artrite reumatoide deve ser individualizada, considerando a atividade da doença e a necessidade de planejamento multidisciplinar e acompanhamento prolongado (Freire de Carvalho; Davidson, 2025).
Diante desse cenário, buscou-se um aprofundamento científico acerca da segurança e eficácia dos procedimentos injetáveis em pacientes com artrite reumatoide. A escassez de evidências robustas e a crescente demanda por esses tratamentos reforçam a importância de estudos que sistematizem o conhecimento disponível, contribuindo para a prática clínica baseada em evidências e para a tomada de decisão segura por parte dos profissionais da saúde estética.
3. METODOLOGIA
O presente estudo caracteriza-se como uma revisão narrativa da literatura de abordagem qualitativa, com caráter descritivo e exploratório, tendo como objetivo analisar a segurança dos procedimentos estéticos injetáveis em pacientes com artrite reumatoide.
A busca dos dados foi realizada em bases científicas reconhecidas, como Scientific Electronic Library Online (SciELO) e National Library of Medicine (PubMed) e do Google Acadêmico (Google Scholar), este último utilizado como mecanismo de busca acadêmica para localização de produções científicas e trabalhos acadêmicos. A busca ocorreu nos meses de junho a setembro de 2026.
Para a seleção dos estudos, utilizou-se a estratégia PICO, delimitada da seguinte forma: População (P): pacientes com Artrite Reumatoide; Intervenção (I): preenchimento com ácido hialurônico ou toxina botulínica; Comparação (C): pacientes sem artrite; Desfecho (O): taxas de eventos adversos, reações imunomediadas e eficácia estética.
A estratégia de busca foi construída a partir de termos relacionados ao objeto de estudo por meio da utilização de descritores em português e inglês, incluindo: “artrite reumatoide”, “procedimentos estéticos”, “toxina botulínica”, “preenchedores dérmicos”, “ácido hialurônico”, “doenças autoimunes” e “segurança”.
Foram incluídos artigos científicos completos, publicados entre os anos de 2015 e 2025, disponíveis gratuitamente e que abordem a relação entre procedimentos estéticos injetáveis e pacientes com doenças autoimunes, com ênfase na artrite reumatoide. Também foram considerados estudos clínicos, revisões de literatura e diretrizes relevantes para a temática. Quando pertinente, os termos foram combinados por meio de operadores booleanos AND e OR, de acordo com as possibilidades de cada fonte consultada.
Como critérios de exclusão, foram descartados artigos duplicados, estudos incompletos, publicações que não apresentavam relação direta com o tema proposto.
A seleção dos estudos foi realizada, inicialmente, por meio da leitura dos títulos e resumos, seguida da leitura completa dos artigos selecionados. Posteriormente, foi feita uma análise crítica dos dados, considerando aspectos como tipo de procedimento, perfil dos pacientes, possíveis riscos, complicações associadas e recomendações clínicas.
Os dados obtidos foram organizados e discutidos de forma descritiva, permitindo uma análise fundamentada sobre a segurança e os cuidados necessários na realização de procedimentos estéticos injetáveis em pacientes com artrite reumatoide.
4. RESULTADOS E DISCUSSÕES
A busca na literatura permitiu identificar estudos que abordaram a segurança e a eficácia dos procedimentos estéticos injetáveis em pacientes com doenças reumáticas autoimunes, especialmente a artrite reumatoide. Após a aplicação dos critérios de elegibilidade, foram incluídos 10 estudos publicados entre 2018 e 2025, compostos por revisões narrativas, revisões de literatura, documentos técnicos, consensos de especialistas e um relato de caso. As demais fontes foram utilizadas apenas na fundamentação.
No Quadro 1, é possível observar os artigos de maior relevância sobre segurança e os cuidados necessários na realização de procedimentos estéticos injetáveis em pacientes com artrite reumatoide.
Quadro 1. Síntese dos estudos selecionados sobre a segurança e os cuidados necessários na realização de procedimentos estéticos injetáveis em pacientes com artrite reumatoide (2015-2025).
Autor/Ano | Objetivo | Principais Achados | Conclusão |
Yarak e Riera (2018) | Revisar a possível associação entre procedimentos estéticos minimamente invasivos e doenças autoimunes. | Foram identificados relatos de doenças autoimunes após o uso de preenchedores dérmicos, porém sem comprovação de causalidade. Não foram encontradas evidências consistentes de que a toxina botulínica induza doenças autoimunes. | Os procedimentos devem ser realizados com cautela em indivíduos predispostos a doenças autoimunes. |
Smolen et al. (2018) | Descrever aspectos epidemiológicos, fisiopatológicos, diagnósticos e terapêuticos da artrite reumatoide. | A artrite reumatoide é uma doença inflamatória sistêmica crônica caracterizada por ativação imunológica persistente e necessidade frequente de terapias imunomoduladoras. | O adequado controle da doença é indispensável para reduzir riscos relacionados a procedimentos invasivos. |
Urdiales-Gálvez et al. (2018) | Elaborar recomendações para tratamento de complicações associadas a preenchedores faciais. | Foram estabelecidas orientações para o manejo de edema, nódulos, granulomas, infecções e oclusões vasculares decorrentes dos preenchimentos. | A capacitação profissional e o manejo precoce das complicações são determinantes para a segurança dos procedimentos. |
Watad et al. (2018) | Revisar os aspectos patogênicos, clínicos e diagnósticos da Síndrome Autoimune/Inflamatória Induzida por Adjuvantes (ASIA). | Certos materiais podem atuar como adjuvantes imunológicos e desencadear respostas autoimunes em indivíduos geneticamente predispostos. | Pacientes com doenças autoimunes devem ser avaliados cuidadosamente antes da exposição a substâncias potencialmente imunogênicas. |
Johnson et al. (2023) | Apresentar avanços no tratamento e no manejo da artrite reumatoide. | O uso de DMARDs, agentes biológicos e terapias-alvo contribuiu significativamente para o controle da doença e diminuição da atividade inflamatória. | A remissão ou baixa atividade da doença favorece a realização segura de procedimentos estéticos. |
Pieretti et al. (2023) | Avaliar o uso de preenchedores à base de ácido hialurônico em pacientes com doenças inflamatórias autoimunes. | Não foram identificadas contraindicações absolutas ao uso de ácido hialurônico em pacientes com doenças autoimunes controladas, embora persistam preocupações relacionadas a respostas inflamatórias. | O ácido hialurônico pode ser utilizado com cautela e acompanhamento adequado. |
Smith et al. (2023) | Investigar a interação entre ácido hialurônico e sistema imunológico. | O ácido hialurônico exerce papel relevante na modulação da resposta inflamatória, reparação tecidual e comunicação celular. | As características moleculares do produto podem influenciar a resposta imunológica do paciente. |
Freire de Carvalho e Davidson (2025) | Avaliar a segurança e a eficácia de procedimentos estéticos em pacientes com doenças reumáticas autoimunes. | Preenchedores de ácido hialurônico, toxina botulínica e alguns procedimentos minimamente invasivos mostraram perfil de segurança favorável quando realizados em pacientes com doença controlada. | Recomenda-se a realização dos procedimentos durante períodos de remissão e com seguimento multiprofissional. |
Croce et al. (2025) | Revisar as complicações imunológicas relacionadas aos preenchedores dérmicos. | Foram descritas reações inflamatórias tardias, granulomas, hipersensibilidade e manifestações imunomediadas associadas aos preenchedores. | Pacientes portadores de doenças autoimunes constituem grupo que demanda avaliação clínica individualizada. |
Dornelles da Silva et al. (2025) | Relatar a ocorrência de eventos adversos após preenchimento facial em paciente com artrite reumatoide. | Paciente portadora de artrite reumatoide em uso de metotrexato apresentou edema tardio após preenchimento labial com ácido hialurônico, porém com resultado estético satisfatório. | A avaliação clínica prévia, o controle da doença e a abordagem multidisciplinar são essenciais para minimizar riscos. |
Fonte: Elaborado pelas autoras (2026), com base nos estudos selecionados.
A análise dos estudos demonstra que os procedimentos estéticos injetáveis, especialmente os preenchedores à base de ácido hialurônico, apresentam perfil de segurança considerado satisfatório na maioria dos pacientes. Entretanto, indivíduos com artrite reumatoide e outras doenças autoimunes podem apresentar maior susceptibilidade a reações inflamatórias ou imunológicas. Os trabalhos de Croce et al. (2025), Pieretti et al. (2023) e Watad et al. (2018) destacam a necessidade de avaliação individualizada, preferencialmente em períodos de remissão da doença, além do acompanhamento multidisciplinar para redução de riscos e identificação precoce de possíveis complicações. Já os estudos de Johnson et al. (2023) e Smolen et al. (2018) reforçam a importância do controle da atividade da artrite reumatoide como fator determinante para a realização segura desses procedimentos.
Entre os artigos incluídos, Pieretti et al. (2023) destacaram que não existem evidências suficientes para contraindicar formalmente os preenchedores de ácido hialurônico em pacientes com doenças inflamatórias autoimunes controladas, embora recomendem cautela devido ao potencial envolvimento do ácido hialurônico em processos inflamatórios. Os autores ressaltam que a indicação deve ser individualizada e realizada preferencialmente em períodos de remissão da doença
Da mesma forma, Freire de Carvalho e Davidson (2025) observaram que procedimentos envolvendo ácido hialurônico e toxina botulínica apresentaram perfil de segurança favorável em pacientes com doenças reumáticas autoimunes com baixa atividade inflamatória ou em remissão. Os autores enfatizam a importância do planejamento multidisciplinar e da utilização de materiais temporários, considerados mais seguros quando comparados aos preenchedores permanentes.
Em relação aos possíveis riscos imunológicos, os estudos de Croce et al. (2025) e Watad et al. (2018) evidenciaram que alguns materiais utilizados em procedimentos estéticos podem desencadear respostas inflamatórias ou autoimunes em indivíduos geneticamente predispostos. Entre as complicações relatadas destacam-se granulomas, hipersensibilidade tardia e fenômenos relacionados à Síndrome Autoimune/Inflamatória Induzida por Adjuvantes (ASIA), embora tais eventos sejam considerados incomuns. Esses achados reforçam a necessidade de uma anamnese detalhada e da avaliação prévia do histórico clínico do paciente.
Os resultados também demonstraram que o controle adequado da artrite reumatoide é um fator determinante para a segurança dos procedimentos estéticos. Os estudos de Smolen et al. (2018) e Johnson et al. (2023) ressaltam que a doença é caracterizada por inflamação sistêmica crônica e frequentemente requer o uso de imunossupressores, como metotrexato e medicamentos biológicos. Dessa forma, a avaliação da atividade da doença e das terapias utilizadas torna-se indispensável antes da realização de qualquer procedimento invasivo.
A única publicação identificada especificamente envolvendo uma paciente com artrite reumatoide submetida a preenchimento facial foi o relato de caso de Dorneles da Silva et al (2025). Nesse estudo, uma paciente de 52 anos, em uso de metotrexato, apresentou edema tardio após preenchimento labial com ácido hialurônico. Apesar da reação adversa observada, o procedimento proporcionou resultado estético satisfatório. Os autores concluíram que a artrite reumatoide não impede a realização de preenchimentos faciais, mas exige maior cautela e acompanhamento multiprofissional.
Outro aspecto relevante identificado refere-se ao manejo das complicações. O consenso elaborado por Urdiales-Gálvez et al. (2018) destacou protocolos específicos para o tratamento de intercorrências relacionadas aos preenchedores, incluindo edema, nódulos, granulomas, infecções e oclusões vasculares. Esses achados evidenciam a importância da capacitação profissional e da identificação precoce de possíveis eventos adversos.
Além dos aspectos clínicos, os estudos apontaram benefícios relacionados à autoestima e à qualidade de vida dos pacientes. Segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia (2025), os procedimentos estéticos podem contribuir positivamente para o bem-estar emocional e para a percepção da imagem corporal em indivíduos que convivem com doenças crônicas. Contudo, os riscos potenciais devem ser cuidadosamente ponderados, principalmente em pacientes que apresentam atividade inflamatória significativa ou utilizam imunossupressores.
A presente revisão evidenciou que os procedimentos estéticos injetáveis, especialmente aqueles realizados com ácido hialurônico e toxina botulínica, podem ser considerados opções relativamente seguras para pacientes com artrite reumatoide e outras doenças reumáticas autoimunes, desde que a doença esteja controlada e haja criteriosa avaliação clínica prévia (Pieretti et al., 2023; Freire de Carvalho; Davidson, 2025). Os estudos analisados demonstraram que a maioria das complicações relatadas é de natureza local e transitória, embora possam ocorrer reações inflamatórias tardias, granulomas e outros eventos imunomediados em indivíduos suscetíveis (Croce et al., 2025; Urdiales-Gálvez et al., 2018; Watad et al., 2018).
Observou-se ainda que a artrite reumatoide, por si só, não configura contraindicação absoluta para a realização desses procedimentos. No entanto, fatores como atividade da doença, uso de medicamentos imunossupressores, histórico de reações imunológicas e características do material utilizado devem ser considerados durante a tomada de decisão clínica (Smolen et al., 2018; Johnson et al., 2023; Dorneles da Silva et al., 2025). A atuação integrada entre reumatologistas e profissionais da estética ou dermatologia mostra-se fundamental para aumentar a segurança e minimizar potenciais complicações (Freire De Carvalho; Davidson, 2025).
Apesar dos resultados promissores, a literatura disponível ainda é limitada, sendo composta predominantemente por revisões narrativas, relatos de caso e consensos de especialistas (Yarak; Riera, 2018; Croce et al., 2025). Destaca-se a escassez de estudos clínicos específicos envolvendo pacientes com artrite reumatoide submetidos a procedimentos estéticos injetáveis, sendo identificado apenas um relato de caso voltado diretamente para essa população (Dorneles da Silva et al., 2025). Dessa forma, são necessários estudos prospectivos e ensaios clínicos com maior nível de evidência para ampliar o conhecimento sobre a segurança, eficácia e os possíveis impactos imunológicos desses tratamentos.
Por fim, importante destacar que os procedimentos estéticos injetáveis podem contribuir significativamente para a autoestima, a qualidade de vida e o bem-estar dos pacientes com artrite reumatoide, desde que realizados de maneira individualizada, baseada em evidências científicas e acompanhada por monitoramento adequado (Freire de Carvalho; Davidson, 2025).
A literatura demonstra que os procedimentos estéticos injetáveis, especialmente aqueles realizados com ácido hialurônico e toxina botulínica, apresentam perfil de segurança satisfatório quando empregados em pacientes com artrite reumatoide ou outras doenças reumáticas autoimunes que estejam em remissão clínica ou apresentem baixa atividade inflamatória. Entretanto, os estudos apontam a possibilidade de reações imunológicas tardias, granulomas, edema persistente e, em situações específicas, manifestações relacionadas à ativação do sistema imunológico.
Dessa forma, a indicação desses procedimentos deve ser individualizada, considerando o histórico clínico do paciente, o uso de imunossupressores, a atividade da doença e a necessidade de acompanhamento multidisciplinar. Esse conjunto de evidências sugere que a artrite reumatoide não representa uma contraindicação absoluta aos procedimentos estéticos injetáveis, desde que sejam observados critérios rigorosos de segurança e monitoramento clínico.
A realização de procedimentos estéticos injetáveis em pacientes com artrite reumatoide exige avaliação individualizada e cautela. Freire de Carvalho e Davidson (2025) apontam que preenchedores de ácido hialurônico e toxina botulínica podem ser utilizados com segurança relativa em pacientes selecionados, preferencialmente em remissão ou com baixa atividade da doença. Os autores recomendam planejamento multidisciplinar, preferência por materiais temporários e acompanhamento prolongado, considerando a possibilidade de reações imunomediadas tardias.
De modo geral, a análise dos estudos sugere que os procedimentos estéticos injetáveis podem ser realizados de forma relativamente segura em pacientes com artrite reumatoide controlada, desde que sejam observados critérios rigorosos de seleção, avaliação clínica individualizada e acompanhamento adequado. Entretanto, a baixa quantidade de estudos clínicos específicos demonstra a necessidade de pesquisas futuras capazes de fornecer evidências de maior qualidade sobre a segurança, a eficácia e os possíveis efeitos imunológicos desses procedimentos nessa população.
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os estudos analisados indicam que os procedimentos estéticos injetáveis, especialmente com ácido hialurônico e toxina botulínica, podem ser realizados em pacientes com artrite reumatoide quando a doença estiver controlada e houver avaliação clínica adequada. Embora apresentem benefícios relacionados à estética, autoestima e qualidade de vida, existem riscos de reações inflamatórias e imunológicas que devem ser considerados.
Dessa forma, a realização desses procedimentos deve ser individualizada, com acompanhamento multiprofissional e monitoramento adequado. Além disso, a escassez de estudos específicos em pacientes com artrite reumatoide evidencia a necessidade de novas pesquisas para fortalecer as evidências sobre a segurança e a eficácia desses tratamentos nessa população.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
CROCE, Alessandro et al. Immunological complications related to dermal fillers: a review. Journal of Cosmetic Dermatology, 2025. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/41555790/. Acesso em: 30 set. 2026
DORNELLES DA SILVA, Daniel. et al. O impacto da artrite reumatoide em abordagem estética e rejuvenescedora: relato de caso. Aesthetic Orofacial Science, 6(2), 8–12, 2025. Disponível em: https://ahof.emnuvens.com.br/ahof/article/view/258. Acesso em: 30 set. 2026.
FREIRE DE CARVALHO, J.; DAVIDSON, J. Aesthetic procedures in patients with autoimmune rheumatic diseases: a narrative review. Beyond Rheumatology 2025; 7 (2): e587. Disponível em: https://www.beyond-rheumatology.org/2025/12/18/aesthetic-procedures-in-patients-with-autoimmune-rheumatic-diseases-a-narrative-review/. Acesso em: 15 maio 2026.
GADELHA, D. Q. et al. Complicações dermatológicas associadas ao uso de ácido hialurônico na estética facial. Revista Foco, v. 17, n. 11, p. e6841–e6841, 11 nov. 2024. Disponível em: https://ojs.focopublicacoes.com.br/foco/article/view/6841. Acesso em: 10 set 2026.
JOHNSON, Kate et al. Advances in rheumatoid arthritis treatment and management. The Lancet Rheumatology, Londres, v. 5, n. 3, p. e150–e162, 2023. Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC12158440/. Acesso em: 30 set. 2026.
PIERETTI, Gorizio et al. Hyaluronic acid-based fillers in patients with autoimmune inflammatory diseases. Journal of Cosmetic Dermatology, v. 22, n. 9, p. 2420-2423, 2023. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37128806/. Acesso em: 30 set. 2026.
SILVA, L. M. F. da. et al. Complicações com o uso do ácido hialurônico na harmonização facial. Research, Society and Development, v. 11, n. 5, p. e23111528052, 4 abr. 2022. Disponível em: https://rsdjournal.org/rsd/article/download/28052/24506/325815. Acesso em: 10 set. 2026.
SMITH, Laura et al. Hyaluronic acid and immune modulation: implications in inflammatory diseases. Clinical Immunology, 2023. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/40723879/. Acesso em: 30 set. 2026.
SMOLEN, Josef S. et al. Rheumatoid arthritis. Nature Reviews Disease Primers, Londres, v. 4, n. 1, p. 1–23, 2018. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/27156434/. Acesso em: 30 set. 2026.
SOCIEDADE BRASILEIRA DE REUMATOLOGIA. Riscos e cuidados relacionados aos procedimentos estéticos em pacientes autoimunes. 2025. Disponível em: https://www.reumatologia.org.br/press-releases/procedimentos-esteticos-e-pacientes-autoimunes-riscos-cuidados-e-alternativas/. Acesso em: 10 set 2026.
URDIALES-GÁLVEZ, Francisco et al. Treatment of soft tissue filler complications: expert consensus recommendations. Aesthetic Plastic Surgery, Nova York, v. 42, n. 2, p. 498–510, 2018. Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC5840246/. Acesso em: 30 set. 2026.
WATAD, Abdulla et al. Autoimmune/inflammatory syndrome induced by adjuvants (ASIA): unraveling the pathogenic, clinical and diagnostic aspects. Journal of Autoimmunity, v. 47, p. 1–16, 2018. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30922961/. Acesso em: 10 jun. 2026.
YARAK, S.; RIERA, R. Revisão da possível associação entre procedimentos estéticos minimamente invasivos e doenças autoimunes. Rev Paul Reumatol. out-dez;17(4):51-4, 2018. Disponível em: https://www.reumatologiasp.com.br/artigos/associacao-entre-procedimentos-esteticos-minimamente-invasivos-e-desenvolvimento-de-doencas-autoimunes/. Acesso em 27 set. 2026.
1 Discente do Curso Superior em Biomedicina da Afya Centro Universitário São João del-Rei, MG Brasil. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail
2 2 Discente do Curso Superior em Biomedicina da Afya Centro Universitário São João del-Rei, MG Brasil. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail
3 Discente do Curso Superior em Biomedicina da Afya Centro Universitário São João del-Rei, MG Brasil. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail
4 Docente do curso de Biomedicina da Afya Centro Universitário São João del-Rei, MG Brasil. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail
5 Docente do curso de Biomedicina da Afya Centro Universitário São João del-Rei, MG Brasil. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail
6 Docente do curso de Biomedicina da Afya Centro Universitário São João del-Rei, MG Brasil. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail