REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/785276947
RESUMO
Este artigo tem como objetivo apresentar uma análise sobre a relação entre as prioridades competitivas de qualidade, custos e entrega e indicadores de segurança financeira na cadeia produtiva de Pequenas Frutas dos Campos de Cima da Serra, Rio Grande do Sul. O método de pesquisa foi o quantitativo, operacionalizada através de uma survey. A amostra foi formada por 95 de produtores de Pequenas Frutas dos Campos de Cima da Serra. Para análise, foi utilizada a técnica de Regressão Linear Multipla (RLM). Os resultados indicaram que existe relação positiva e significativa entre as Prioridades Competitivas e os Indicadores de Segurança Financeira. Todas as hipóteses foram confirmadas com nível de significância de 5%. Os resultados encontrados evidenciam que as prioridades competitivas tem influência positiva sobre os indicadores de segurança financeira representados através da rentabilidade, fluxo de caixa, retorno sobre o investimento, volume de negócios e orçamento em relação ao desempenho real. A prioridade qualidade (0,537) tem o maior coeficiente de influência, seguido pela dimensão entrega (0,393) e pela prioridade de custos (0,298), esses achados corraboram com os achados apresentados na literatura, que demonstram que o desenvolvimento de competências contribui fortemente com a segurança financeira.
Palavras-chave: Prioridades competitivas; Segurança financeira; Análise de regressão.
ABSTRACT
The purpose of this article is to present an analysis of the relationship between the competitive priorities of quality, costs, and delivery, and financial stability indicators in the small fruit production chain of Campos de Cima da Serra, Rio Grande do Sul. The research method was quantitative, carried out through a survey. The sample consisted of 95 small fruit producers from Campos de Cima da Serra. Multiple linear regression (MLR) was used for the analysis. The results indicated that there is a positive and significant relationship between competitive priorities and financial security indicators. All hypotheses were confirmed at a 5% significance level. The findings show that competitive priorities have a positive influence on financial security indicators, as represented by profitability, cash flow, return on investment, turnover, and budget relative to actual performance. The quality priority (0.537) has the highest influence coefficient, followed by the delivery dimension (0.393) and the cost priority (0.298); these findings corroborate those presented in the literature, which demonstrate that the development of competencies contributes significantly to financial security.
Keywords: Competitive priorities; Financial security; Regression analysis.
1. INTRODUÇÃO
Esta pesquisa partiu do pressuposto de que existe uma relação causal entre os construtos (prioridades competitivas de qualidade, custos e entrega) e a segurança financeira, representada pelos indicadores (rentabilidade, fluxo de caixa, retorno sobre investimento, volume de negócios e orçamento em relação ao desempenho real). Assim, torna-se necessário apresentar os conceitos teóricos que embasam a formação dessas variáveis latentes.
As prioridades competitivas são delineadas como as dimensões que o sistema de produção deve possuir para atender às demandas do mercado e sustentar sua capacidade competitiva. As prioridades competitivas são sustentadas por uma estratégia capaz de agregar valor ao produto ou serviço, conforme (KRAJEWSKI; MALHOTRA RITZMAN; 2016; PHUSAVAT; KANCHANA, 2007; DIAS; FENSTERSEIFER, 2005).
Este estudo teve como objetivo encontrar um modelo que representasse a relação entre as prioridades competitivas de qualidade, custos, entrega e segurança financeira na cadeia produtiva de pequenas frutas dos Campos de Cima da Serra, Rio Grande do Sul.
O estudo teve limitações importantes ao ser utilizada uma amostra restrita a cadeia produtiva das pequenas frutas dos Campos de Cima da Serra, do Rio Grande do Sul, e que os resultados encontrados não poderão ser extrapolados para outras regiões ou outras cadeias produtivas, assim se limitam somente a cadeia produtiva estudada. Logo, recomenda-se que para futuros estudos se ampliem a abrangência geográfica para outras cadeias produtivas e que seja inserida uma nova dimensão representativa do desempenho financeiro. Assim, pode-se concluir que as prioridades competitivas representam ferramenta importante para fortalecimento da segurança financeira e estratégica da cadeia produtiva de pequenas frutas.
O artigo apresenta-se estruturado da seguinte forma: na seção 2 é apresentado o referencial teórico e a formulação das hipóteses; a seção 3 apresenta os aspectos metodológicos; a seção 4 são apresentados a análise e discussão dos resultados; na seção 5 são apresentadas as considerações finais do trabalho.
2. REFERENCIAL TEÓRICO
Neste item, apresenta-se o referencial teórico que sobre prioridades competitivas, da segurança financeira e o a determinação das hipóteses.
2.1. Prioridades Competitivas
As prioridades competitivas tradicionalmente abordadas na literatura são qualidade, custos, entrega e flexibilidade. Essas dimensões foram inicialmente propostas por WHEELWRIGHT (1984) e posteriormente ampliadas e consolidadas por diversos autores (WHEELWRIGHT, 1984; SLACK, BRANDON-JONES; JOHNSTON (2018); NAIR; BOULTON, 2008; GALEAZZO; KLASSEN, 2015; THRULOGACHANTAR; ZAILANI, 2011; CANIATO et al., 2018; KOPP et al., 2020). Neste estudo, foram consideradas as prioridades competitivas de qualidade, custos e entrega.
A prioridade de qualidade tem como objetivo oferecer produtos com características superiores às dos concorrentes (GARVIN, 1992). Essa prioridade abrange aspectos como elevado desempenho, durabilidade, confiabilidade do produto e conformidade com padrões previamente estabelecidos (FARIAS; SANTOS, 2000).
A prioridade de custos visa à produção de bens ou serviços com custos inferiores aos dos concorrentes (DANGAYACH; DESHMUKH, 2006). Essa vantagem pode ser obtida, entre outros fatores, por meio da fabricação de diferentes produtos em uma mesma linha de produção, permitindo melhor aproveitamento da capacidade instalada da empresa (PINE et al, 1993). Segundo esses autores, o controle dos custos de produção, o aumento da produtividade do trabalho e a utilização eficiente dos equipamentos constituem fatores essenciais para o desenvolvimento dessa prioridade competitiva.
A prioridade de entrega refere-se à capacidade de reduzir o tempo entre o recebimento do pedido e sua efetiva entrega ao cliente, assegurando o cumprimento dos prazos estabelecidos e a redução do tempo de produção. Essa prioridade também está relacionada ao lançamento de novos produtos antes dos concorrentes e à redução do ciclo de desenvolvimento de projetos, permitindo respostas mais rápidas às demandas do mercado e maior capacidade de adaptação às mudanças do ambiente competitivo (GÖLEÇ, 2015).
Embora as prioridades competitivas tenham sido inicialmente concebidas no contexto da manufatura, estudos recentes demonstram que esses construtos permanecem fundamentais para organizações inseridas em ambientes competitivos e dinâmicos, sendo aplicados em diferentes setores econômicos, incluindo o agronegócio, os serviços e as cadeias produtivas sustentáveis (CAMARGO et al., 2022; MEDINA-CONTENTO; CÁRDENAS-AGUIRRE; BERRIO-GARCÍA, 2025).
A prioridade de flexibilidade refere-se à capacidade da organização de promover mudanças rápidas nos projetos, nos processos produtivos e no mix de produtos, possibilitando maior adaptação às necessidades do mercado (GARVIN, 1993). Essa prioridade também contempla o equilíbrio entre as variações da demanda e a capacidade produtiva da empresa
No contexto brasileiro do agronegócio, CAMARGO et al. (2022) corroboram que as prioridades competitivas, especialmente aquelas relacionadas à inovação de processos, contribuem significativamente para o fortalecimento da competitividade nas cadeias produtivas frutícolas, evidenciando a importância da qualidade, da gestão de custos e da eficiência operacional como fatores estratégicos para a sustentabilidade dos empreendimentos.
2.2. Segurança Financeira
Neste estudo, foram utilizados cinco indicadores financeiros para mensurar a segurança financeira da cadeia produtiva de pequenas frutas: rentabilidade, fluxo de caixa, retorno sobre o investimento, volume de negócios e orçamento em relação ao desempenho real (CHEN; SHIMERDA, 1981; ROTBERG, 1984). Esses indicadores foram analisados com base na percepção dos produtores participantes da pesquisa. A seguir apresenta-se os indicadores que foram considerados na segurança financeira:
Rentabilidade
A rentabilidade tem relação com a capacidade de a empresa gerar retorno sobre o capital ou recursos investidos nos negócios e nas operações. Que é o A rentabilidade constitui um importante indicador de desempenho financeiro, pois permite avaliar a capacidade da organização de gerar retorno sobre os recursos investidos, além de fornecer informações confiáveis para subsidiar a tomada de decisão e a elaboração de relatórios destinados aos acionistas (GITMAN, 2010). Nessa mesma perspectiva, Assaf Neto; Lima (2014), destaca que a rentabilidade pode ser mensurada por indicadores como o Retorno sobre os Ativos (Return on Assets – ROA) e o Retorno sobre o Patrimônio Líquido (Return on Equity – ROE), amplamente utilizados na avaliação do desempenho econômico-financeiro das organizações.
Enquanto a rentabilidade representa uma medida de eficiência, ela também expressa a capacidade dos gestores de converter receitas em resultados financeiros sustentáveis. Quanto maior a capacidade da organização de se adaptar às mudanças do ambiente competitivo, maiores tendem a ser seus resultados econômicos e financeiros (ROSS; WESTERFIELD; JORDAN, 2013).
A literatura clássica sobre rentabilidade destaca que as decisões estratégicas e a gestão eficiente dos processos internos exercem influência direta sobre o desempenho financeiro das organizações (KAPLAN; NORTON, 1997). Da mesma forma, estudos mais recentes reforçam que a rentabilidade está diretamente relacionada às decisões operacionais, à geração de valor organizacional e à eficiência dos processos (SLACK; BRANDON-JONES, 2018).
Nesse contexto, Heizer et al (2020) salientam que a gestão da qualidade nas operações influencia diretamente a produtividade e a lucratividade. Assim, organizações que desenvolvem competências alinhadas às exigências do mercado tendem a crescer e se manter no mercado.
No contexto das prioridades competitivas, a rentabilidade pode ser influenciada por práticas relacionadas à redução de custos, melhoria da qualidade, aumento da flexibilidade e eficiência nas entregas. Dessa forma, organizações que desenvolvem competências operacionais alinhadas às demandas do mercado tendem a obter melhores resultados econômicos e financeiros, fortalecendo sua posição competitiva e sua segurança financeira.
Assim, a rentabilidade constitui um importante indicador de segurança financeira, pois reflete a capacidade da empresa em gerar retornos sustentáveis, manter sua continuidade operacional e assegurar condições favoráveis para investimentos e crescimento futuro.
b. Fluxo de Caixa
O fluxo de caixa constitui uma importante ferramenta de gestão, permitindo desta forma acompanhar com nitidez todas as entradas e saídas de recursos financeiros. Quando o fluxo de caixa é bem controlado facilita as tomadas de decisões e ainda evita pagar despesas bancarias desnecessárias. Este conceito abrange tanto o setor privado bem como o setor público.
O autor Fidêncio (2023) destaca que o fluxo de caixa desempenha papel fundamental na gestão financeira das organizações, uma vez que possibilita o planejamento das atividades empresariais por meio do controle das entradas e saídas de recursos financeiros. Segundo o autor, um fluxo de caixa estruturado e continuamente monitorado permite antecipar as necessidades de capital de giro, reduzindo riscos financeiros e proporcionando maior segurança na tomada de decisões.
Além de sua função operacional, o fluxo de caixa constitui uma importante ferramenta estratégica de avaliação econômica. Do Breviário et al (2025) ressalta que o método do Fluxo de Caixa Descontado (Discounted Cash Flow – DCF) é amplamente utilizado em processos de fusões e aquisições, por possibilitar a estimativa do valor econômico das empresas com base na projeção de seus fluxos financeiros futuros. Esse método é amplamente empregado tanto em organizações nacionais quanto internacionais.
De acordo com Do Breviário et al (2025), outra importante aplicação do fluxo de caixa consiste na estimativa do valor presente dos fluxos financeiros futuros por meio da utilização de uma taxa de desconto compatível com o risco do negócio. Essa abordagem permite avaliar o desempenho econômico-financeiro das organizações, subsidiando decisões estratégicas relacionadas a investimentos, expansão e sustentabilidade empresarial.
Com base nas contribuições desses autores, infere-se que o fluxo de caixa constitui um dos principais instrumentos de gestão financeira, permitindo o planejamento das operações presentes e futuras, a avaliação da viabilidade econômica dos negócios e o suporte às decisões de investimento, expansão, fusões e aquisições. Dessa forma, sua adequada gestão representa um importante mecanismo para o fortalecimento da segurança financeira e da sustentabilidade organizacional.
c. Retorno sobre Investimento
Os investimentos constituem mecanismos estratégicos para a alocação de recursos econômicos e organizacionais, visando à geração de retorno financeiro no curto, médio e longo prazo. Além de promoverem o crescimento e a competitividade das organizações, os investimentos contribuem para a sustentabilidade econômica e para a rentabilidade dos negócios. Nesse contexto, a gestão estratégica dos investimentos representa um fator essencial para o fortalecimento do desempenho financeiro e da segurança financeira das organizações.
Segundo Sacco (2025), os investimentos podem assumir caráter estratégico quando direcionados ao desenvolvimento da inovação e ao fortalecimento dos ecossistemas organizacionais, favorecendo a competitividade e a geração de valor. Nessa mesma perspectiva, de Figueiredo e Leal (2025) destacam que as decisões de investimento estão diretamente relacionadas a fatores econômicos, sociais e ambientais, evidenciando que a inovação, a diversidade e a sustentabilidade constituem importantes diferenciais competitivos para as organizações.
Sob a perspectiva das finanças comportamentais, Gentil Neto (2025) destaca que as decisões de investimento são influenciadas pela percepção dos investidores em relação a fatores como volatilidade, risco e retorno esperado dos ativos. O autor também enfatiza que o conhecimento técnico constitui um elemento fundamental para a adequada gestão dos riscos e para a tomada de decisões de investimento.
Dessa forma, observa-se que a literatura apresenta diferentes perspectivas sobre o processo de tomada de decisão em investimentos. Enquanto alguns estudos enfatizam os aspectos econômicos e financeiros, outros destacam a influência dos fatores comportamentais, psicológicos e técnicos, evidenciando que a combinação desses elementos contribui para decisões mais assertivas e para o fortalecimento do desempenho financeiro e da sustentabilidade dos investimentos
2.3. Formulação das Hipóteses
No que se refere à relação entre as prioridades competitivas e os indicadores de segurança financeira, a literatura evidencia que as dimensões qualidade, custos e entrega constituem fatores estratégicos capazes de fortalecer o desempenho econômico-financeiro das organizações (OKE, 2013; BECHEIKH; LANDRY; AMARA, 2006; RAYMOND; ST-PIERRE, 2010; MURUGESAN; KUMAR; KUMAR, 2012; REGUIA, 2014; CISNEROS; HERNÁNDEZ, 2025).
Com base nos fundamentos teóricos apresentados, formulam-se as seguintes hipóteses de pesquisa:
Segurança Financeira = β0 + β1 (Prioridade de Qualidade) + β2 (Prioriedade de Custos) + β3 (Prioridade de Entrega)
H1: A prioridade competitiva de qualidade influencia positivamente os indicadores de segurança financeira na cadeia produtiva de pequenas frutas.
H2: A prioridade competitiva de custos influencia positivamente os indicadores de segurança financeira da cadeia produtiva de pequenas frutas.
H3: A prioridade competitiva de entrega influencia positivamente os indicadores de segurança financeira na cadeia produtiva de pequenas frutas.
3. ASPECTOS METODOLÓGICOS
A população-alvo deste estudo compreendeu produtores rurais integrantes da cadeia produtiva de pequenas frutas dos Campos de Cima da Serra (RS). Utilizou-se uma pesquisa de natureza exploratória descritiva através uma amostragem não probabilística por conveniência, resultando em uma amostra final de 95 respondentes. Este tamanho amostral é considerado adequado para a aplicação da técnica de Regressão Linear Múltipla, respeitando a proporção mínima de observações por variável independente sugerida pela literatura estatística (HAIR et al., 2009). A coleta ocorreu de forma eletrônica entre janeiro e agosto de 2025, garantindo o alcance de diferentes atores da cadeia na região estudada.
Os critérios de inclusão para a composição da amostra de 95 produtores foram rigorosamente definidos para garantir a aderência ao escopo da pesquisa. Foram considerados elegíveis os atores que atendessem simultaneamente aos seguintes requisitos: (a) atuação direta na produção dentro da cadeia de pequenas frutas; (b) localização das atividades produtivas na região de Campos de Cima da Serra (RS); e (c) disponibilidade para participação no levantamento eletrônico realizado entre janeiro e agosto de 2025. A escolha desses critérios justifica-se pela necessidade de analisar a relação entre competências operacionais e segurança financeira em um contexto setorial e geográfico homogêneo, permitindo que os resultados reflitam as particularidades desta cadeia produtiva específica
Com relação aos procedimentos metodológicos, este estudo caracteriza-se como uma pesquisa quantitativa, de natureza descritiva, cujos dados foram analisados por meio da técnica de Regressão Linear Múltipla (RLM), conforme as recomendações de Hair et al. (2009).
As prioridades competitivas (qualidade, custos e entrega) e os indicadores financeiros, representativos da variável segurança financeira foram mensuradas no estudo por meio de uma escala Likert de cinco pontos. Essa escala permitiu aos produtores expressarem seu nível de concordância ou discordância, variando de 1 – Discordo totalmente; 2 – Discordo parcialmente; 3 – Nem concordo nem discordo; 4 – Concordo parcialmente; e 5 – Concordo totalmente.
A coleta dessas percepções foi realizada de forma eletrônica via Google Forms, e o instrumento de pesquisa foi fundamentado em diversos estudos prévios da literatura, como os de Friesen e Sarros (1989), Subramanian e Nilakanta (1996); Kazan, Özer e Çetin (2006) e Prajogo e Sohal (2006). Essa metodologia de mensuração permitiu transformar as percepções dos 95 produtores em dados quantitativos para a aplicação da técnica de Regressão Linear Múltipla.
4. ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
O modelo representativo encontrado através do método da regressão linear múltipla, considerando a Segurança Financeira como variável dependente e a Prioridade Qualidade, Prioridade de Custos e a Prioridade Entrega como variáveis independentes, pode ser representado através da seguinte expressão:
Segurança Financeira = β0 + β1 (Prioridade de Qualidade) + β2 (Prioriedade de Custos) + β3 (Prioridade de Entrega) + Erro
Na Tabela 1, apresenta-se os coeficientes estimados do modelo que representa a Segurança Financeira
Tabela 1. Coeficientes estimados do modelo de Segurança Financeira
Modelo | Coeficientes não padronizados | Coeficientes padronizados | t | Sig. | |
Valores de β | Erro Erro | Beta | |||
-0,283 | 0,349 | -0,812 | 0,419 | ||
(Constante) | |||||
Qualidade | 0,440 | 0,054 | 0,537 | 8,207 | 0,000 |
Custo | 0,259 | 0,058 | 0,298 | 4,478 | 0,000 |
Entrega | 0,355 | 0,058 | 0,393 | 6,084 | 0,000 |
Fonte: Programa SPSS
A prioridade competitiva de qualidade apresentou um efeito positivo de β=0,440, confirmando a hipótese ao nível de significância de 5% que a qualidade dos produtos e serviços oferecidos aumentam a segurança financeira.
A prioridade competitiva custo apresentou um efeito positivo de β=0,259, confirmando a hipótese ao nível de significância de 5%. Segundo Slack, Brandon-Jones e Johnston (2018), o custo constitui uma das principais prioridades competitivas das operações e está associado à utilização eficiente dos recursos organizacionais, permitindo que a empresa ofereça produtos e serviços com menor consumo de recursos e maior produtividade.
A prioridade competitiva entrega tem efeito positivo na segurança financeira, pois a hipótese foi confirmada com um nível de significância de 5%, apresentando um coeficiente de regressão positivo (β=0,355).
Este resultado confirma a segurança financeira aumenta, quando um melhor desempenho na entrega tende a aumentar a confiança dos clientes e reduzir perdas operacionais (GÖLEÇ, 2015). Assim, como consequência da agilidade e do cumprimento de prazos, a prioridade de entrega favorece uma maior estabilidade financeira para os produtores.
Assim, o modelo da Segurança Financeira em função das prioridades de qualidade, custos e entrega pode ser representado pela seguinte equação:
Segurança Financeira = -0,283 + 0,440 (Prioridade de Qualidade) + 0,259 (Prioridade de Custos) + 0,355 (Prioridade de Entrega) + Erro
No modelo encontrado, observou-se que a Segurança Financeira é explicada em R2 = 62,6% através das varíáveis representativas da Prioridade de Qualidade, de Custos e de Entrega na cadeia produtiva de pequenas frutas dos Campos de Cima da Serra, Rio Grande do Sul, Brasil.
Assim, pode-se afirmar que todas as hipóteses foram suportadas ao nível de significância de 5%, ou seja:
H1: A capacidade competitiva de Qualidade influencia positivamente a Segurança Financeira.
Assim, pode-se afirmar que a prioridade competitiva de qualidade, ou seja, a melhoria na qualidade dos produtos e do atendimento aos atores da cadeia influencia positivamente a segurança financeira, o que é confirmado pelo coeficiente de regressão (β=0,440) positivo e estatisticamente significativo.
H2: A capacidade competitiva de Custos influencia positivamente a Segurança Financeira.
Com relação à prioridade competitiva de gestão de custos, quanto melhor for o controle de custos maior tende a ser a segurança financeira da cadeia produtiva analisada, isto pode ser confirmado pelo coeficiente de regressão positivo (β=0,259).
H3: A capacidade competitiva de Entrega influencia positivamente a Segurança Financeira.
Como a prioridade competitiva Entrega, apresentou coeficiente de regressão (β=0,355) positivo, pode-se afirmar que melhor desempenho em entrega tende a aumentar a confiança dos clientes, reduzir perdas operacionais e favorecer maior estabilidade financeira, confirmando que a entrega é um preditor significativo da segurança financeira
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Este artigo teve como objetivo apresentar uma análise sobre a relação entre as prioridades competitivas de qualidade, custos, entrega e os indicadores de segurança financeira na cadeia produtiva pequenas frutas dos Campos de Cima da Serra Gaúcha, Rio Grande do Sul. O método de pesquisa foi o quantitativo, análise de regressão linear múltipla.
Após aplicação da análise de regressão múltipla foi possível confirmar a relação positiva e significativa entre as prioridades competitivas e os Indicadores de Segurança financeira. As prioridades competitivas explicam R2 = 62,6% da variância dos identificadores econômicos, evidenciando a importância das competências para Segurança Financeira da cadeia produtiva.
As dimensões estudadas, demonstraram que a prioridade de qualidade tem o maior impacto sobre os indicadores econômicos, e em seguida vem a entrega e posteriormente a prioridade de custos. Estes achados reforçam o valor que é observado pela eficiência operacional, principalmente no controle dos custos e a capacidade de adaptação quanto a qualidade exigida. Somente assim é possível haver eficiência operacional seja ela na sustentabilidade dos negócios organizacionais e financeiros.
Quanto aos resultados nos pode-se inferir que os achados encontrados podem auxiliar aos produtores da cadeia produtiva das pequenas frutas na formulação de novas estratégia operacionais para o setor.
Este estudo contribui para ampliar a discussão sobre as prioridades competitiva principalmente no contexto do setor da cadeia produtiva pequenas frutas, que é pouco explorado. O que isso se torna um diferencial porque abrange outro setor que não é das grandes empresas e industrias.
Este estudo foi relevante por analisar as prioridades competitivas de Qualidade, Custo e Entrega, nas cadeias produtivas das pequenas frutas. E ainda mais por incluir nesta pesquisa as dimensões de segurança financeira. Estes achados podem contribuir para a sustentabilidade econômica dos negócios.
O estudo teve limitações importantes ao usar a amostra restrita a cadeia produtiva cadeia de pequenas frutas dos Campos de Cima da Serra, Rio Grande do Sul, Brasil e que estes resultados assim limitam a estes estudos. Assim, recomenda-se para futuros estudos que seja ampliada a abrangência geográfica, e que sejam consideradas novas variáveis principalmente no construto referente ao desempenho. E não menos importante conclui-se que as prioridades competitivas representam ferramenta importante para fortalecimento da segurança financeira e estratégica da cadeia de pequenas frutas.
Outro fator que foi constatado que a literatura encontrada trata sempre do setor industrial e empresa de manufatura e geralmente empresas de grande porte. Ainda constatou-se que são escassos os estudos que abordam prioridades competitivas e outros indicadores econômicos na cadeia do agronegócio, mais especificamente da cadeia de pequenas frutas.
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