REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/788642183
RESUMO
Introdução: A análise fundamentalista permite examinar a relação entre desempenho econômico-financeiro e comportamento das ações, especialmente no setor bancário, marcado por regulação prudencial e exposição ao risco de crédito. Objetivo: Analisar a correlação entre indicadores econômico-financeiros e as cotações das ações de Itaú Unibanco, Bradesco, Banco do Brasil, Santander Brasil e BTG Pactual, listados na B3, no período de 2015 a 2025. Materiais e Método: Trata-se de pesquisa quantitativa, descritiva e ex post facto, baseada em demonstrações financeiras, dados regulatórios e preços de fechamento ajustados. Foram analisados os indicadores Retorno sobre o Patrimônio Líquido, Margem Financeira Líquida, Índice de Basileia, Taxa de Inadimplência e Índice de Eficiência Operacional. Aplicaram-se o coeficiente de correlação de Pearson e o teste t de Student, com nível de confiança de 95%. Resultados: Os achados indicaram associações estatisticamente significativas entre fundamentos contábeis e cotações, com correlações positivas para rentabilidade, margem financeira e solvência, e negativas para inadimplência e eficiência operacional. Contribuição Científica: O estudo adapta a análise fundamentalista às especificidades do setor bancário brasileiro. Conclusão: Os indicadores analisados apresentam associação relevante com o comportamento das ações bancárias no longo prazo, sem permitir inferência causal.
Palavras-chave: Análise fundamentalista; Bancos; Correlação de Pearson; Indicadores econômico-financeiros; B3.
ABSTRACT
Introduction: Fundamental analysis allows the examination of the relationship between economic and financial performance and stock behavior, especially in the banking sector, which is characterized by prudential regulation and exposure to credit risk. Objective: To analyze the correlation between economic and financial indicators and the stock prices of Itaú Unibanco, Bradesco, Banco do Brasil, Santander Brasil, and BTG Pactual, listed on B3, from 2015 to 2025. Materials and Methods: This is a quantitative, descriptive, and ex post facto study based on financial statements, regulatory data, and adjusted closing prices. The indicators analyzed were Return on Equity, Net Interest Margin, Basel Ratio, Non-Performing Loan Ratio, and Operating Efficiency Ratio. Pearson’s correlation coefficient and Student’s t-test were applied, with a 95% confidence level. Results: The findings indicated statistically significant associations between accounting fundamentals and stock prices, with positive correlations for profitability, net interest margin, and solvency, and negative correlations for non-performing loans and operating efficiency. Scientific Contribution: The study adapts fundamental analysis to the specific characteristics of the Brazilian banking sector. Conclusion: The indicators analyzed show a relevant association with the long-term behavior of banking stocks, without allowing causal inference.
Keywords: Fundamental analysis; Banks; Pearson correlation; Economic and financial indicators; B3.
1. INTRODUÇÃO
Investir no mercado acionário envolve expectativas de retorno, exposição ao risco e necessidade de informações confiáveis para subsidiar a tomada de decisão. Nesse contexto, a análise fundamentalista permite examinar se indicadores contábeis e econômico-financeiros contribuem para explicar o comportamento das ações, complementando modelos de precificação de ativos, como o CAPM, que relaciona retorno esperado e risco sistemático. Estudos como os de Nagano, Merlo e Silva (2003) e Flach e Mattos (2020) indicam que variáveis fundamentalistas podem apresentar relação relevante com o desempenho acionário no mercado brasileiro.
No caso das instituições financeiras, essa análise requer adaptação, pois bancos apresentam características operacionais, contábeis e regulatórias distintas de empresas industriais ou comerciais. Indicadores como rentabilidade, margem financeira, solvência, inadimplência e eficiência operacional tornam-se relevantes para avaliar desempenho, risco e atratividade dos ativos. Diante disso, este estudo busca responder como esses indicadores se correlacionam com as cotações das ações das principais instituições bancárias brasileiras listadas na B3, entre 2015 e 2025.
Assim, o objetivo geral consiste em analisar a correlação entre indicadores econômico-financeiros e as cotações das ações de Itaú Unibanco, Bradesco, Banco do Brasil, Santander Brasil e BTG Pactual, subsidiando a avaliação da atratividade desses ativos sob a perspectiva fundamentalista. Metodologicamente, a pesquisa é quantitativa, descritiva e ex post facto, com aplicação do coeficiente de correlação de Pearson e do teste t de Student sobre dados anuais de 2015 a 2025.
2. REFERENCIAL TEÓRICO
2.1. Análise Fundamentalista e Tomada de Decisão
A análise fundamentalista considera que variáveis econômicas, contábeis e financeiras podem auxiliar na explicação dos preços e retornos das ações. Nagano, Merlo e Silva (2003) afirmam que o CAPM relaciona o retorno esperado de um título ao seu risco não diversificável, mas também investigam se variáveis fundamentalistas explicam a rentabilidade dos ativos no mercado brasileiro. Assim, essa abordagem complementa a análise de risco ao incorporar informações contábeis e operacionais das empresas.
No mercado brasileiro, Costa Jr. e Neves (2000) identificaram influência de variáveis como valor de mercado, preço/lucro e valor patrimonial/preço nos retornos médios das ações. Flach e Mattos (2020), por sua vez, verificaram que indicadores como endividamento e lucratividade apresentaram maior representatividade entre as correlações mais elevadas. Esses achados justificam o uso de indicadores contábeis para analisar a relação entre fundamentos e preços de mercado.
2.2. Estudos Correlatos no Mercado Brasileiro
Com o objetivo de sistematizar a fundamentação teórica, o Quadro 1 reúne os principais estudos e documentos que sustentam a relação entre indicadores fundamentalistas, desempenho acionário e especificidades do setor bancário.
Quadro 1. Síntese das contribuições teóricas para a análise fundamentalista
Base teórica | Contribuição para o artigo |
Flach e Mattos (2020) | Relacionam indicadores econômico-financeiros ao retorno das ações de empresas listadas na B3, demonstrando que grupos de índices podem apresentar correlações fortes ou muito fortes com o desempenho acionário. |
Nagano, Merlo e Silva (2003) | Evidenciam que variáveis fundamentalistas, além do CAPM, podem contribuir para explicar retornos de ações no mercado brasileiro. |
Costa Jr. e Neves (2000) | Apontam influência de variáveis fundamentalistas, como valor de mercado, preço/lucro e valor patrimonial/preço, na explicação dos retornos médios das ações. |
Bastos (2008) | Reforça que a seleção de indicadores deve considerar as especificidades de cada setor econômico, justificando a adaptação dos índices ao setor bancário. |
Banco Central do Brasil (2026) | Fundamenta o uso de indicadores bancários, especialmente o Índice de Basileia, ao tratar da regulação prudencial, supervisão e estabilidade do sistema financeiro. |
Fonte: Nunes (2026)
Em conjunto, essas contribuições demonstram que a análise fundamentalista possui respaldo teórico e empírico no mercado brasileiro, mas requer adaptação metodológica quando aplicada às instituições financeiras, cujos indicadores são influenciados por rentabilidade, margem financeira, solvência, inadimplência e eficiência operacional.
3. MATERIAIS E MÉTODO
Esta pesquisa caracteriza-se como quantitativa, descritiva e de delineamento ex post facto. Segundo Gil (2017), a pesquisa descritiva busca descrever características de determinado fenômeno ou estabelecer relações entre variáveis, enquanto Lakatos e Marconi (2017) destacam que a abordagem quantitativa permite mensurar dados e aplicar procedimentos estatísticos à análise. O delineamento ex post facto justifica-se porque os dados foram coletados após a ocorrência dos fatos, com base em registros históricos consolidados e oficiais das empresas. Para a verificação estatística das associações observadas, empregou-se o teste paramétrico t de Student, adequado à inferência sobre médias e relações amostrais em estudos quantitativos (Barbetta, 2011).
3.1. Definição da Amostra e Período
A amostra foi definida de forma intencional, considerando instituições bancárias brasileiras de capital aberto com relevância no mercado financeiro nacional, presença na B3 e disponibilidade de informações contábeis, regulatórias e de mercado no período analisado. A seleção buscou contemplar diferentes perfis bancários, incluindo bancos privados de varejo, instituição estatal, subsidiária de grupo internacional e banco de investimentos, conforme sintetizado no Quadro 2.
Quadro 2. Caracterização da amostra e justificativa de seleção das instituições bancárias
Instituição / Código | Perfil da amostra | Justificativa de seleção |
Itaú Unibanco S.A. (ITUB4) | Banco múltiplo privado de varejo | Representa instituição privada de grande porte, elevada liquidez e forte participação no sistema bancário brasileiro. |
Banco Bradesco S.A. (BBDC4) | Banco múltiplo privado de varejo | Incluído pela capilaridade nacional, relevância em intermediação financeira e disponibilidade histórica de dados. |
Banco do Brasil S.A. (BBAS3) | Banco estatal de capital aberto | Permite comparar o desempenho de instituição controlada pelo Governo Federal com bancos privados listados. |
Banco Santander Brasil S.A. (SANB11) | Subsidiária de grupo financeiro internacional | Representa banco privado com atuação nacional e integração a conglomerado global, ampliando a diversidade comparativa. |
Banco BTG Pactual S.A. (BPAC11) | Banco de investimentos | Incluído por representar modelo de negócios distinto dos bancos de varejo, enriquecendo a análise intrassetorial. |
Fonte: Nunes (2026)
O recorte temporal abrange o intervalo de 2015 a 2025, permitindo analisar dez anos completos de variações anuais entre os indicadores econômico-financeiros e as cotações das ações, considerando os valores observados ao final de cada exercício. Com as cinco instituições selecionadas, a base reúne 55 observações em painel contábil-financeiro, suficientes para comparar a evolução dos fundamentos bancários e sua associação com o comportamento das ações no período.
3.2. Coleta de Dados e Tratamento de Variáveis
As cotações das ações (Variável Y) consistem nos preços de fechamento anual de cada papel coletados especificamente em 31 de dezembro de cada ano do período. Para afastar quaisquer distorções provocadas por desdobramentos (splits), grupamentos (inplits), bonificações ou pela distribuição de dividendos e Juros sobre Capital Próprio (JCP), os preços de fechamento foram coletados de forma ajustada por proventos históricos através do módulo de dados de mercado gratuito yfinance. E ainda, adotou-se a regra de tolerância: caso o dia 31 de dezembro não fosse um dia útil de negociação (fim de semana ou feriado bancário), registrou-se o valor de fechamento do dia útil de mercado imediatamente anterior no mesmo ano.
Os indicadores contábeis (variáveis X) foram coletados anualmente a partir das Demonstrações Financeiras Padronizadas (DFP) e das Informações Trimestrais (ITR) disponibilizadas publicamente pela Comissão de Valores Mobiliários. A CVM informa que o formulário DFP é um documento eletrônico de encaminhamento periódico e contempla demonstrações como Balanço Patrimonial, Demonstração do Resultado, Demonstração dos Fluxos de Caixa, Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido e Demonstração do Valor Adicionado (CVM, 2026). Para adequar os indicadores clássicos às peculiaridades de intermediação financeira e regulamentação bancária, o conjunto de variáveis explicativas foi adaptado conforme apresentado na Quadro 3.
Quadro 3. Variáveis da pesquisa, indicadores bancários e justificativas teóricas
Variável / Abrev. | Grupo teórico | Indicador bancário | Significado / justificativa teórica |
Cotação (Y) | Retorno de mercado | Preço de fechamento ajustado | Preço observado ao fim do exercício, ajustado por dividendos, desdobramentos e demais eventos corporativos. |
ROE (X1) | Rentabilidade | Retorno sobre o Patrimônio Líquido | Mede a remuneração do capital próprio e representa indicador central de rentabilidade bancária. |
NIM (X2) | Lucratividade | Margem Financeira Líquida | Expressa a diferença entre receitas financeiras e custos de captação, refletindo eficiência na intermediação bancária. |
BAS (X3) | Solvência | Índice de Basileia | Indica a solidez patrimonial da instituição em relação aos ativos ponderados pelo risco. |
INAD (X4) | Qualidade de crédito | Inadimplência superior a 90 dias | Representa o percentual de créditos vencidos, afetando provisões, perdas esperadas e percepção de risco. |
IEF (X5) | Eficiência operacional | Índice de Eficiência Operacional | Relaciona despesas operacionais e receitas; quanto menor o índice, maior a eficiência relativa. |
Fonte: Nunes (2026).
3.3. Processamento e Análise Estatística
A análise de associação linear foi efetuada pelo Coeficiente de Correlação de Pearson (r) calculado individualmente para cada instituição financeira ao longo dos anos (2015-2025). As correlações lineares resultantes foram classificadas em quatro graus de intensidade:
Fraca (|r| < 0,3);
Moderada (0,3 <= |r| < 0,6);
Forte (0,6 <= |r| < 0,9);
Muito Forte (|r| >= 0,9).
Para validar se as forças de associação observadas na amostra setorial representam relações estatisticamente estáveis e significantes, ou se podem decorrer de meras coincidências ou casualidade amostral, aplicou-se o Teste de Hipóteses utilizando a estatística t de Student para uma amostra. Foram definidas as seguintes hipóteses concorrentes:
Hipótese Nula (H0): µ = 0. Não há associação linear estatisticamente significante entre o indicador fundamentalista e o preço das ações no setor bancário.
Hipótese Alternativa (H1): µ 0. Há evidência de associação linear estatisticamente significante entre o indicador fundamentalista e o preço das ações no setor bancário.
Adotou-se o nível de confiança de 95% (significância de 5%, ou α = 0,05) para um teste t bicaudal com graus de liberdade definidos por gl = n - 1 = 4 (onde n = 5 bancos). Em estudos quantitativos aplicados às ciências sociais, a inferência estatística auxilia a verificar se os resultados observados na amostra podem ser generalizados com determinado grau de confiança (Barbetta, 2011). Para essa distribuição amostral, o t crítico bicaudal limite é estabelecido em +/- 2,776. Assim, rejeita-se a Hipótese Nula (H0) se a estatística t calculada for superior a 2,776 ou inferior a -2,776, ou se o p-valor correspondente for menor do que 0,05.
4. ANÁLISE DOS RESULTADOS E DISCUSSÕES
Nesta seção, apresentam-se as análises de correlação lineares individuais obtidas para cada instituição e, na sequência, as análises consolidadas de significância estatística setorial geradas a partir do teste de hipóteses paramétrico t de Student. Os dados revelam o impacto direto de cada pilar contábil-financeiro sobre a percepção de risco e retorno dos investidores.
4.1. Apresentação das Correlações Individuais
A Tabela 1 apresenta as forças e direções das correlações lineares de Pearson (r) apuradas individualmente para Itaú Unibanco, Bradesco, Banco do Brasil, Santander e BTG Pactual face às suas respectivas cotações anuais entre 2015 e 2025.
Tabela 1. Coeficientes de correlação de Pearson (r) individuais, por instituição bancária, no período de 2015 a 2025
Indicador | Itaú | Bradesco (BBDC4) | Banco do Brasil (BBAS3) | Santander (SANB11) | BTG Pactual (BPAC11) |
ROE | 0,8788 | 0,8003 | 0,8767 | 0,7949 | 0,8591 |
NIM | 0,8628 | 0,6229 | 0,9067 | 0,8251 | 0,8958 |
BAS | 0,3629 | 0,1632 | 0,0500 | 0,3988 | 0,2945 |
INAD | -0,8746 | -0,8109 | -0,9049 | -0,7770 | -0,9438 |
IEF | -0,7757 | -0,8314 | -0,9290 | -0,8755 | -0,8929 |
Fonte: Nunes (2026).
4.2. Consolidação Setorial e Teste T de Student
A Tabela 2 apresenta a consolidação setorial das correlações médias, o desvio padrão e as estatísticas calculadas do teste t, comprovando se a relação fundamentalista observada é estável e se podemos rejeitar a hipótese nula H0.
Tabela 2. Consolidação setorial e teste t de Student para o setor bancário
Indicador | Média (r) | Desvio padrão (s) | Teste t calculado | p-valor | Significância (95%) |
ROE (X1) | 0,8420 | 0,0412 | 45,65 | < 0,0001 | Significante |
NIM (X2) | 0,8227 | 0,1161 | 15,84 | 0,0001 | Significante |
BAS (X3) | 0,2539 | 0,1452 | 3,91 | 0,0174 | Significante |
INAD (X4) | -0,8622 | 0,0680 | -28,34 | < 0,0001 | Significante |
IEF (X5) | -0,8609 | 0,0592 | -32,52 | < 0,0001 | Significante |
Fonte: Nunes (2026).
Os resultados estatísticos apresentados na Tabela 2 revelam que todas as cinco categorias de indicadores avaliadas apresentaram significância estatística real a 95% de nível de confiança, uma vez que todas as estatísticas t calculadas situam-se bem além do limite bicaudal crítico de +/- 2,776 (e todos os p-valores resultaram substancialmente menores que α = 0,05). Com isso, rejeita-se com forte robustez científica a Hipótese Nula (H0) em favor da Hipótese Alternativa (H1) para todos os pilares.
4.3. Análise Individual e Setorial por Indicador
ROE (Rentabilidade). O ROE apresentou coeficiente médio setorial forte e positivo (r = 0,8420; t = 45,65), indicando associação relevante entre rentabilidade patrimonial e cotações das ações bancárias. Esse resultado é coerente com a análise fundamentalista, pois o retorno sobre o patrimônio líquido expressa a capacidade da instituição de remunerar o capital dos acionistas. Assim, bancos com ROE historicamente elevado tendem a ser percebidos pelo mercado como mais eficientes na conversão do patrimônio em lucro.
NIM (Lucratividade de Juros). A margem financeira líquida exibiu associação linear positiva (r = 0,8227; t = 15,84), evidenciando a importância da intermediação financeira para a formação do valor das ações bancárias. Como o NIM reflete a capacidade de transformar captação, crédito e serviços em resultado recorrente, sua correlação positiva sugere que o mercado valoriza instituições com maior eficiência na geração de margem financeira.
Índice de Basileia (Solvência). O Índice de Basileia registrou correlação positiva moderada (r = 0,2539; t = 3,91), indicando que a solidez patrimonial também se relaciona às cotações, ainda que com menor intensidade que os indicadores de rentabilidade e margem financeira. Esse resultado sugere que o mercado considera relevantes os níveis de capital regulatório, especialmente por se tratar de instituições que operam com elevada alavancagem e exposição a riscos financeiros.
Inadimplência (INAD). A inadimplência superior a 90 dias apresentou correlação negativa elevada com as cotações (r = -0,8622; t = -28,34), evidenciando a sensibilidade do mercado ao risco de crédito. A elevação desse indicador tende a ampliar provisões para perdas, reduzir resultados e aumentar a percepção de risco dos investidores. Contudo, a relação deve ser interpretada como associação estatística, e não como causalidade direta.
Índice de Eficiência Operacional (IEF). O IEF apresentou correlação negativa elevada (r = -0,8609; t = -32,52), indicando que menores níveis de despesas operacionais em relação às receitas tendem a se associar a melhor desempenho das ações. No setor bancário, a eficiência operacional é um fator relevante para a preservação de margens e geração de valor. Assim, a redução do IEF pode sinalizar maior eficiência relativa, embora o resultado permaneça restrito à evidência de associação linear no período analisado.
4.4. Análise Comparativa Intrassetorial de Investimentos
A análise dos coeficientes de Pearson individuais, calculados para as cinco instituições ao longo do período de 2015 a 2025, permite comparar estratégias operacionais, desempenho fundamentalista e atratividade relativa dos ativos no setor bancário brasileiro.
Banco do Brasil S.A. (BBAS3). O Banco do Brasil apresentou as maiores correlações positivas para ROE (0,8767) e NIM (0,9067), além de forte correlação negativa com o Índice de Eficiência Operacional (IEF = -0,9290). Esses resultados indicam que a melhoria da rentabilidade, da margem financeira e da eficiência operacional esteve associada ao comportamento das suas cotações no período analisado, reforçando a importância dos fundamentos contábeis na avaliação da instituição estatal.
Itaú Unibanco S.A. (ITUB4) e BTG Pactual S.A. (BPAC11). Itaú e BTG Pactual apresentaram perfis fundamentalistas consistentes no painel analisado. O Itaú registrou correlações fortes para ROE (0,8788) e NIM (0,8628), sugerindo estabilidade na geração de resultados e nas margens financeiras. Já o BTG Pactual apresentou a correlação negativa mais intensa para inadimplência (INAD = -0,9438), resultado compatível com um modelo de negócios mais concentrado em banco de investimentos, gestão de recursos e serviços de mercado de capitais, menos exposto à dinâmica típica do crédito de varejo.
Banco Bradesco S.A. (BBDC4) e Santander Brasil S.A. (SANB11). O Bradesco apresentou correlações positivas para ROE (0,8003) e NIM (0,6229), ainda que em intensidade inferior à observada em alguns pares, o que pode refletir desafios de rentabilidade e maior pressão sobre provisões de crédito no período. O Santander, por sua vez, registrou correlação positiva relevante para NIM (0,8251) e associação positiva com o Índice de Basileia (BAS = 0,3988), indicando que a margem financeira e a estrutura de capital contribuíram para sustentar a percepção de valor de suas ações.
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os resultados indicaram que todos os indicadores avaliados (ROE, NIM, BAS, INAD e IEF) apresentaram associação estatisticamente significativa com as cotações das ações das cinco instituições bancárias brasileiras listadas na B3, no período de 2015 a 2025.
As correlações mais expressivas, especialmente para rentabilidade (ROE) e eficiência operacional (IEF), reforçam a relevância da análise fundamentalista para interpretar o comportamento das ações bancárias no longo prazo. Os achados sugerem que a geração de lucro, a eficiência gerencial e a qualidade dos fundamentos contábeis se relacionam à percepção de valor dos investidores, sem reduzir os preços das ações a movimentos aleatórios ou especulativos de curto prazo.
Como limitação, destaca-se que a correlação de Pearson identifica apenas associações lineares entre variáveis, não permitindo inferir causalidade nem captar possíveis defasagens entre a divulgação dos resultados contábeis e a reação do mercado.
Para pesquisas futuras, recomenda-se aplicar modelos econométricos de regressão simples e múltipla com dados em painel, a fim de avaliar o poder explicativo e preditivo dos indicadores fundamentalistas sobre o retorno das ações bancárias brasileiras.
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Financiamento
Não houve financiamento.
Conflito de interesse
Declaramos que não houve conflito de interesses.
Declaração de uso de Inteligência Artificial
O autor declara que empregou a ferramenta Microsoft Copilot para revisão linguística e correção vernacular do texto, conforme diretrizes de transparência no uso de IA estabelecidas pelo CNPq e adotadas pela CAPES. O conteúdo científico, análises e conclusões permanecem de autoria exclusiva do pesquisador.
1 Doutorando em Ciências da Educação e Ética Cristã e Professor dos Cursos de Administração, Ciências Contábeis, Pedagogia, Recursos Humanos e Logística do Centro Universitário Santa Terezinha-CEST. São Luís, Maranhão, Brasil. ORCID: https://orcid.org/0009-0002-4273-3731. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail