PROTAGONISMO JUVENIL AMBIENTAL: UMA CONTRIBUIÇÃO PARA FORMAÇÃO CIDADÃ DE JOVENS DE UMA ESCOLA PÚBLICA DE PINHEIRO - MA

YOUTH ENVIRONMENTAL PROTAGONISM: A CONTRIBUTION TO THE CITIZENSHIP EDUCATION OF STUDENTS FROM A PUBLIC SCHOOL IN PINHEIRO – MA

REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/773602342

RESUMO
A Educação Ambiental visa formar jovens protagonistas ambientais, capazes de atuar como agentes de transformação socioambiental. Assim, o presente trabalho teve por finalidade abordar a importância da Educação Ambiental e do protagonismo juvenil na formação de sujeitos protagonistas ambientais em uma escola pública do Ensino Fundamental do município de Pinheiro – Maranhão. O estudo destaca a relevância de aproximar conceitos ambientais com a realidade dos alunos para promover uma melhor compreensão e participação, visando formar cidadãos conscientes e responsáveis na sociedade. Dessa forma, o projeto desenvolveu-se nas seguintes etapas: aplicação de um questionário (pré-teste), em seguida uma roda de conversa sobre sustentabilidade e meio ambiente, oficinas temáticas e por fim, aplicação de outro questionário (pós-teste). Ao final, foi possível compreender que a Educação Ambiental pode ser uma ferramenta para empoderar os jovens, desenvolver habilidades práticas e promover o engajamento comunitário em questões ambientais locais. E ainda, que a escola oportuniza o desenvolvimento de intervenções e o aprimoramento de processos de ensino-aprendizagem, logo é preciso adotar no ambiente escolar abordagens que promovam o protagonismo juvenil na Educação Ambiental, visando formar cidadãos responsáveis e comprometidos com a preservação do meio ambiente.
Palavras-chave: Educação ambiental. Responsabilidade ambiental. Sustentabilidade.

ABSTRACT
Environmental Education aims to empower young people to become environmental protagonists, capable of acting as agents of socio-environmental transformation. This study aimed to highlight the importance of Environmental Education and youth protagonism in shaping environmentally responsible citizens in a public elementary school in the municipality of Pinheiro, Maranhão, Brazil. The research emphasizes the relevance of connecting environmental concepts to students' realities in order to foster better understanding and active participation, with the goal of forming conscious and responsible citizens. The project was carried out in the following stages: application of a questionnaire (pre-test), followed by a discussion circle on sustainability and the environment, thematic workshops, and finally, the application of another questionnaire (post-test). The results revealed that Environmental Education can be a powerful tool to empower youth, develop practical skills, and promote community engagement in addressing local environmental issues. Furthermore, the study highlights that schools play a key role in fostering educational interventions and enhancing teaching and learning processes. Therefore, it is essential to adopt school-based approaches that promote youth protagonism in Environmental Education, aiming to develop responsible citizens committed to environmental preservation.
Keywords: Environmental education. Environmental responsibility. Sustainability.

1. INTRODUÇÃO

O Para Trein (2012), ao longo da história, a humanidade adquiriu habilidades para modificar a natureza, objetivando atender suas necessidades. O que denuncia que por bastante tempo, o modo de relação que o ser humano tem estabelecido com a natureza é de uma relação predatória. Dessa forma, a percepção da exploração excessiva e desregulada dos recursos naturais, fizeram com que essas questões se tornassem cada vez mais relevantes nos âmbitos científicos, acadêmicos e políticos (Rosa, Silva e Flach, 2021).

Nesse contexto, a Educação Ambiental (EA) surgiu a partir da necessidade de utilizá-la como forma de despertar a sensibilização mundial sobre os problemas ambientais, pois de acordo com Dias e Salgado (2023) foi somente após as inquietações políticas globais que foi difundido a ideia de que era necessário promover mudanças em todos os âmbitos da sociedade, partindo da educação, visando um mundo mais sustentável.

A participação ativa da juventude nas questões relacionadas a preservação do meio ambiente, principalmente nas ações desenvolvidas em sala de aula precisam ser cada vez mais evidenciadas.

A cidade de Pinheiro, localizada no Estado do Maranhão, é pertencente a microrregião da Baixada Maranhense, na qual apresenta uma rica biodiversidade. No entanto, esse conjunto de ecossistemas, diversidade de fauna e flora, vem sofrendo modificações ao longo do tempo e à medida que a cidade se expande, ocasionando impactos ambientais e sociais de proporções imensuráveis (Viegas, Rodrigues e Feitosa, 2011). Somam-se a esses problemas ambientais: a falta de saneamento básico e o descarte incorreto de resíduos sólidos por parte da população, além da propagação de doenças de veiculação hídrica.

E a escola como agente transformador social, tem um papel de suma importância de formar cidadão crítico e capaz de agir na sociedade possibilitando o engajamento dos alunos com assuntos relacionados a preservação do meio ambiente, podendo contribuir assim para a formação de jovens protagonistas comprometidos com o uso sustentável dos recursos naturais que os cercam.

Assim, a EA é uma ferramenta de desenvolvimento dos cidadãos, pois em parcerias com comunidade e escola, fomenta conhecimentos e reais necessidades da comunidade. Dessa forma, faz-se necessário estudos que desperte o interesse, o engajamento e a participação ativa dos educandos como protagonistas em busca de soluções para os problemas ambientais.

2. METODOLOGIA

Para realizar a presente pesquisa, recorreu-se por uma abordagem qualitativa, que de acordo com Rodrigues (2007) tem finalidade de analisar e interpretar dados relativos à natureza dos fenômenos.

2.1. Área de Estudo

As atividades desenvolvidas neste projeto foram realizadas em uma escola pública no município de Pinheiro – MA. A cidade conhecida como a Princesa da Baixada corresponde a uma área de 1.512,969km², com a população estimada em 84.160 pessoas (IBGE, 2021). Cerca de 96,6% dos jovens entre 6 e 14 anos são escolarizados (IBGE, 2010). O seguimento das atividades foi desenvolvido na Unidade Integrada Presidente Médici, escola da Rede Municipal, localizada na Rua Inácio Pinheiro, s/n, bairro Matriz. É oferecido pela unidade Ensino Fundamental Regular do 1° ao 9° ano (1° e 8° série) e Educação para Jovens e Adultos – EJA. O público-alvo foram alunos de uma turma do 9° ano, um grupo de 27 alunos, da referida escola, com idade entre 12 e 14 anos.

2.2. Procedimentos Metodológicos

Primeiramente, o projeto foi apresentado a direção escolar, juntamente com a coordenação pedagógica e a professora de Ciências, sendo explanados os objetivos, as etapas e o cronograma. Formalizado então a parceria com a escola, o projeto começou ser implementado.

A Tabela 1 foi produzida para um melhor acompanhamento das atividades desenvolvidas na escola. As atividades foram desenvolvidas no mês de setembro e outubro, tendo duração de duas semanas. Inicialmente, foi realizado a aplicação do pré-teste sobre assuntos relacionados ao meio ambiente e sustentabilidade. A aplicação do pré-teste foi muito importante para etapa seguinte do projeto, uma vez que com a aplicação do questionário foi possível observar possíveis déficits de aprendizagem dos alunos e quais suas percepções sobre o meio ambiente.

Tabela 1 Descrição das etapas do projeto.

ETAPA

DESCRIÇÃO DOS MOMENTOS

DATA

Etapa I

Aplicação do pré-teste

26/09

Etapa II

Aula sobre Sustentabilidade e Meio Ambiente

10/10

Etapa III

Produção de Papel Semente

11/10

Etapa IV

Produção de Bomba de Sementes

17/10

Etapa V

Apresentação do Jornal Científico

18/10

Etapa VI

Aplicação do Pós-teste

18/10

Fonte: Autores, 2025.

Em sequência ao pré-teste, os alunos participaram de uma roda de conversa sobre sustentabilidade e meio ambiente, o foco desse momento foi dialogar com os alunos sobre os principais conceitos de sustentabilidade e meio ambiente, além dos principais impactos ambientais causados pela ação humana e ações que possam minimizar tais impactos, enfatizando as temáticas que os alunos demonstraram dificuldade no pré-teste.

Conseguinte, foram iniciadas as duas oficinas temáticas. As oficinas seguiram um padrão: primeiro era investigado, durante o início das aulas, o conhecimento prévio dos adolescentes, seguindo da explanação e debate do assunto.

Dessa forma, aconteceram as práticas relacionadas a sustentabilidade. A primeira proposta de prática foi a intitulada “Papel Semente”, onde os alunos produziram papel reciclável e durante a produção era acrescentado sementes, somando mais uma utilidade para o papel reciclado. Os alunos participaram do passo a passo da produção do papel reciclado e durante todo o processo de produção, tiveram acesso ao debate sobre os benefícios desse papel para o meio ambiente.

A outra proposta de prática foi a intitulada “Bomba de Sementes”, onde cada aluno pode produzir uma bola feita de argila e terra adubada com uma semente de árvore dentro. Na ocasião, os alunos participaram do debate sobre a importância do plantio de árvores e ainda, puderam levar sua semente para casa. A proposta dita em aula era que eles, juntamente com a família, pudessem plantar a árvore juntos, sendo assim, a proposta também visava ser uma possibilidade de envolver os pais em atividades educacionais de seus filhos.

Em terceiro momento, foi desenvolvido a atividade intitulada “Jornal Científico”, onde os alunos foram divididos em grupos e tiveram que pesquisar sobre notícias relacionadas a impactos ambientais no Brasil, assim como políticas de sustentabilidade e iniciativas de preservação ambiental no país. Os alunos foram orientados a produzirem o jornal na plataforma Canva, o objetivo do jornal era de promover a divulgação e produção cientifica dos alunos.

Em último momento, foi aplicado um pós-teste sobre as práticas e os assuntos trabalhados durante as execuções delas, para obtenção de resultados em relação a compreensão dos alunos.

Ao final das atividades desenvolvidas em sala de aula, os registros das atividades foram confeccionados e postados em um mural online na plataforma Padlet, na qual ficou disponível para os alunos, professores e a comunidade visualizem as atividades produzidas na escola.

3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

Em relação ao perfil dos alunos, constatou-se uma predominância da faixa etária entre 15 ou mais anos, sendo 19 participantes com essa idade, o que já evidenciou um certo atraso escolar, pois a faixa etária adequada para esse grau de escolaridade seria de 14 anos, ademais o restante dos alunos está com idade entre 13-14 anos. E quanto ao gênero, verificou-se 17 do gênero feminino e 16 do gênero masculino.

Além do perfil dos alunos, com as aplicações dos questionários (pré-teste e pós-teste), foi possível analisar suas concepções, vivências e perspectivas relacionadas a sustentabilidade e meio ambiente. No pré-teste, quando instigados, os alunos puderam descrever algumas características pertencentes ao seu bairro, como por exemplo, se era bem arborizado ao não, se as ruas eram pavimentadas ou não, se nesse bairro o aluno tinha acesso a água encanada, se os esgotos eram a céu aberto e se possuía coleta de lixo, dados observados na Gráfico 1.

Gráfico 1 Quantitativo das descrições dos alunos sobre seu bairro. Pós-teste.

Fonte: Autores, 2025.

Nota-se que há um maior quantitativo quanto as opções referentes a um bairro com muitas árvores, com água encanada e coleta de lixo. O que é um ponto positivo, pois são fatores que contribuem para um bairro mais agradável e saudável, que garante uma qualidade de vida dos moradores. Contudo, há também, um maior quantitativo relacionado a um bairro com esgoto a céu aberto e com ruas asfaltadas, esse último ponto na perspectiva de algumas pessoas pode ser benéfico, e é, mas ambientalmente é prejudicial. Além disso, alguns alunos constataram que não tem acesso a água encanada, o que denuncia uma comunidade que ainda está exposta a falta de acesso a saneamento básico.

Referente as concepções prévias dos alunos sobre o que é e quais os tipos de poluição, destacaram-se dentre os tipos mais citados, as poluições nas quais o saneamento básico exerce uma relação sobre elas: poluição da água, poluição do ar, poluição do solo e poluição sonora (Quadro 1).

Quadro 1 – Descrições dos alunos sobre o que é e quais os tipos de poluição referente ao pré-teste.

CATEGORIA

EXEMPLOS

FREQUÊNCIA

Conceituaram

“Poluição pra mim é jogar lixo em lugares inadequados que prejudicam a natureza. Poluição de mares e rios etc.”

“Poluição é poluir um lugar público, alguns tipos de poluição são poluição do ar, poluição sonora, poluição dos rios e dos mares.”

“Práticas que o homem faz poluindo o ambiente que vive. Poluição do ar, poluição dos rios e mares.”

“Poluição é a atitude que as pessoas fazem ao jogar lixo nos rios e nas ruas.”

14

42,4%

Citaram só tipos de poluição

“Jogar lixo nas ruas, jogar lixo nos mares.”

“Poluição nas águas, poluição terrestre, poluição no ar”

“Poluição do ar, poluição dos mares e rios, poluição sonora”

12

36,4%

Desconexo

“Lixo nos rios, efeito estufa”

“Jogar lixo nos rios, deixa água parada”

2

6,1%

Não Respondeu

 

5

15,2%

Total

 

33

100%

Fonte: Autores, 2025.

Um percentual de 42,4% alunos definiu poluição com uma perspectiva incipiente de sua compreensão, pautada ao descarte inadequado de lixo em locais impróprio. As citações de tipos de poluições só reforçam a compreensão básica dos alunos sobre o assunto, em sua maioria os alunos apontaram como tipos de poluição: o lixo nas ruas, nos rios e mares.

Observa-se, no Quadro 2, que a concepção dos alunos sobre poluição ainda se refere ao descarte inadequado do lixo, porém não se limitou somente a isso. No pós-teste, 48,5% dos alunos conseguiram conceituar poluição, alguns se aproximando da premissa de que o homem altera o meio ambiente, prejudicando-o.

É preciso uma abordagem educacional ampla, em que descentralize e leve em consideração outros tipos de poluição que são causadas pelo ser humano. Outro fator que deve ser evidenciado, é a região da cidade de Pinheiro – MA. É realidade da cidade que muitos dos descartes de lixo inadequado poluem o Rio Pericumã, logo os alunos que estão inseridos nessa realidade, acabam identificando essas questões, o que é um ponto positivo.

Quadro 2 – Descrições dos alunos sobre o que é e quais os tipos de poluição referente ao pós-teste.

CATEGORIA

EXEMPLOS

FREQUÊNCIA

Conceituaram

“Poluição é qualquer tipo de lixo que prejudica o meio ambiente. Poluição de rio, poluição atmosférica.”

“Poluição é a degradação do meio ambiente por vários meios, como poluição mares, do ar, poluição na terra, etc.”

“Poluição pra mim é toda atitude que pode causar danos ao planeta, poluição do ar, poluição dos mares, queimadas, desmatamento, etc...”

16

48,5%

Citaram só tipos de poluição

“Poluição do ar, poluição dos rios e mares.”

“Poluição de florestas, rios e ruas”

“Poluição do ar, poluição do solo e da água”

15

45,5%

Não Respondeu

 

2

6,1%

Total

 

33

100%

Fonte: Autores, 2025.

No Gráfico 2, apresenta-se as respostas dadas pelos alunos no pré-teste, em relação ao conceito de Sustentabilidade. A maioria dos alunos relacionaram o conceito ao de Reciclagem (48,5%) e 9,1% relacionaram ao de Meio Ambiente, seguido de 6,0% com o conceito de Proteção. Apenas 36,4% relacionaram ao conceito de Sustentabilidade.

Gráfico 2 – Relação dos alunos acerca do conceito de sustentabilidade (pré-teste).

Gráfico, Gráfico de pizza

Descrição gerada automaticamente
Fonte: Autores, 2025.

Ao questioná-los novamente sobre o conceito de Sustentabilidade, foi possível diagnosticar uma mudança na percepção dos alunos quanto ao conceito, Gráfico 3. Um percentual significativo de 60,6% dos alunos conseguiu relacionar corretamente o conceito de Sustentabilidade.

Gráfico 3 Relação dos alunos acerca do conceito de sustentabilidade no pós-teste.

Gráfico, Gráfico de pizza

Descrição gerada automaticamente
Fonte: Autores, 2025.

Os adolescentes foram indagados a respeito de quais ações eles considerariam prejudicais ao meio ambiente. No Gráfico 4, apresenta-se um comparativo das respostas do pré-teste com a do pós-teste. Tanto no pré-teste como no pós-teste predominaram as ações como jogar lixo nas ruas, nos rios e mares, respectivamente com o quantitativo de 19 e 15 alunos.

Gráfico 4 – Ações que causam problemas para o Meio Ambiente citados pelos alunos.

Gráfico, Gráfico de barras

Descrição gerada automaticamente
Fonte: Autores, 2025.

Outro quantitativo significativo, no pré-teste e pós-teste, concentrou-se na categoria “Poluir e desmatar” com citação de 10 e 12 alunos, respectivamente.

É de suma importância que os alunos possam identificar suas fontes de satisfação e insatisfação ao refletirem sobre o ambiente em que vivem, pois assim, poderão refletirem sobre os problemas que os cercam e em possíveis soluções para tais questões. Os alunos, ao serem questionados (no pré-teste) sobre ações que possam ser adotadas em seu cotidiano para ajudar o Planeta, apontaram possíveis soluções que poderiam ser incorporados em sua rotina. A Tabela 2 destaca, em ordem decrescente, as ações mais citadas pelos estudantes.

Tabela 2 Citações dos alunos sobre ações cotidianas que poderiam ser adotas para o bem-estar do Planeta – Pré-teste.

AÇÕES CITADAS

QUANTIDADE DE CITAÇÕES

TOTAL DE ALUNOS

Jogar lixo no lixo

33

33

Reciclar

33

33

Não Poluir

22

33

Preservar a natureza

16

33

Coleta de lixo

16

33

Não desmatar

12

33

Plantar árvores

10

33

Economizar água

5

33

Economizar energia

4

33

Não andar de carro

2

33

Fonte: Autores, 2025.

Todos os alunos citaram o descarte correto de lixo e a reciclagem como ações benéficas para o meio ambiente. Algumas citações como “Não poluir”, “Preservar a natureza”, “Coleta de lixo”, “Não desmatar” e “Plantar árvores” foram citadas com uma frequência considerável também. Já ações como “Economizar água”, “Economizar energia” e “Não andar de carro” foram menos citadas pelos alunos.

No pós-teste, Tabela 3, os participantes novamente atribuíram seus conhecimentos sobre os cuidados do Planeta direcionado ao saneamento básico, redução de resíduos, plantio de árvores, conservação de recursos e mobilidade sustentável. Contudo, é notório uma mudança nas frequências de citações ao compará-las com as do pré-teste.

Tabela 3 Citações dos alunos sobre ações cotidianas que poderiam ser adotas para o bem-estar do Planeta – Pós-teste.

AÇÕES CITADAS

QUANTIDADE DE CITAÇÕES

TOTAL DE ALUNOS

Jogar lixo no lixo

33

33

Reciclar

33

33

Não Poluir

25

33

Preservar a natureza

18

33

Não desmatar

18

33

Plantar árvores

15

33

Coleta de lixo

13

33

Economizar água

5

33

Economizar energia

4

33

Não andar de carro

2

33

Fonte: Autores, 2025.

As atitudes enfatizadas pelos alunos são necessárias de serem adotadas no cotidiano de todos, assim evidencia-se que é de suma importância que os alunos despertem interesses em relação as questões ambientais e principalmente aos cuidados com o planeta em que vive, pois como afirma Rossini e Cenci (2020), as estratégias para superar as questões ambientais demanda uma busca ativa por soluções, sendo a EA um importante aliado e resposta para tais questões.

Cabe destacar, o papel da família no diálogo sobre EA. Conforme Garcia e Yunes (2015) a contribuição da família numa abordagem de EA, oportuniza uma reflexão sobre as culturas e as concepções das famílias, proporcionando envolvimento desses grupos de forma crítica e conscientes na gestão e na busca de alternativas para resolver questões ambientais. Assim, ao adotar práticas sustentáveis, as famílias podem contribuir para promoção desse processo.

Entretanto, quando questionado aos alunos sobre sua família possuir ou não interesse em discutir assuntos relacionados ao cuidado com o Planeta Terra, constata-se no Quadro 3, que poucas famílias possuíam essa preocupação em dialogar com seus filhos sobre cuidar do meio ambiente.

Quadro 3 Participação da família quanto ao debate da EA – Pré-teste.

CATEGORIA

EXEMPLO

FREQUÊNCIA

Participação Ativa

“Sim, minha família sempre fala em jogar lixo no lixo.”

“Sim, minha família fala muito sobre não jogar óleo na pia e todo o lixo é recolhido.”

“Sim, minha família se preocupa muito e tenta ajudar plantando e reciclando.”

3

9%

Participação Limitada

“Sim, de não jogar lixo na rua.”

“Sim, em não gastar água.”

“Sim, em não jogar lixo em locais abandonados.”

5

15%

Ausência de Diálogo

“Não, nunca ouvir eles falarem do assunto.”

“Não”

25

76%

Total

 

33

100%

Fonte: Autores, 2025.

Aos analisar as respostas dos alunos, é perceptível um nível baixo de participação da família em relação ao debate sobre o cuidado com o meio ambiente, um percentual de 76% dos alunos demonstrou isso. Contudo, 15% dos educandos constataram que a família se preocupa sim em assuntos de EA, mesmo que de forma limitada, como cuidados apenas com o descarte correto de lixo. Outros 9% dos alunos, relataram uma participação mais ativa da família, enfatizando preocupação com o descarte correto de lixo, reciclagem e plantio de árvores.

No Gráfico 5, mostra-se as respostas dadas pelos estudantes ao serem indagados sobre como eles avaliavam o nível de participação dos habilitantes da cidade de Pinheiro – MA referente a assuntos e ações relacionados a preservação do meio ambiente.

Gráfico 5 Análise dos alunos sobre a participação dos Pinheirenses em assuntos relacionados a preservação do meio ambiente – Pré-teste.

Gráfico, Gráfico de pizza

Descrição gerada automaticamente
Fonte: Autores, 2025.

Os alunos classificaram a participação da comunidade como péssima, ruim e regular com uma porcentagem, respectivamente de 36,4%, 33,3% e 30,3%. As perspectivas dos estudantes chegam próximas a realidade da cidade, pois quando se analisa de forma crítica a participação da população, observa-se um distanciamento desta quanto ao debate e a prática de preservação do meio ambiente.

Essa realidade, evidencia um recorte de um país no qual a EA ainda possui um enfraquecimento em sua efetivação. Alguns anos atrás, Dias (1991) defendia que enquanto outros países desenvolviam EA de modo sofisticado, o Brasil ainda constituía uma educação inoperante, formadora de indivíduos passivos, omissos e conformista. Nesse cenário, a questão ambiental era vista como uma alienação que acobertava os “reais” problemas do país (Lima, 2015). Esse pensamento ainda reflete e cruza o debate da EA no Brasil, resultando em uma falta de preocupação e interesse da comunidade sobre o assunto.

Dentro do contexto atual, o mundo pede cada vez mais uma reflexão crítica da realidade. É preciso identificar fatores prejudiciais e atentar-se ao cuidado do Planeta. De acordo com Jacob (2003, p.191) esse processo ocorre na: “[...] inter-relação dos saberes e das práticas coletivas que criam identidades e valores comuns e ações solidárias diante da reapropriação da natureza, numa perspectiva que privilegia o diálogo entre saberes”.

Assim, é necessário que a EA possa oportunizar diálogos e vivências significativas que elucidam a importância da preservação do meio ambiente. Com esse intuito, a construção e reconstrução dos saberes deve acontecer de forma efetiva e inovadora, onde os protagonistas são motivados a participar do processo de transformação de atitudes, exercitando assim, sua cidadania (Leite e Silva, 2008).

Observa-se, no Quadro 4, que ao questionar os alunos sobre suas vivências no ambiente escolar em relação às práticas ou eventos associados ao meu ambiente, evidencia-se uma carência nessa abordagem por parte da instituição de ensino. Isso se deve à falta de uma discussão contínua sobre EA.

Quadro 4 – Práticas ou eventos relacionados a EA presenciados pelos alunos na escola – Pré-teste.

CATEGORIA

EXEMPLO

FREQUÊNCIA

Atividades práticas

“Sim, durante uma gincana escolar coletamos lixo numa praça”

“Gincana”

“Trabalho com confecções de roupas recicláveis”.

18

77%

Eventos

“Apenas eventos do dia do meio ambiente”.

“Sim, dia do meio ambiente”

2

9%

Campanhas de sensibilização

“Sim, os agentes do meio ambiente vieram ao colégio e ensinaram a cuidar do meio ambiente do nosso planeta corretamente”.

“Sim, palestra sobre cuidar do meio ambiente”

2

9%

Não lembram ou não participaram

“Não, nenhum”.

“Não lembro de ter participado”.

“Não”.

11

5%

Total

 

33

100%

Fonte: Autores, 2025.

A maioria dos alunos compartilharam experiências como participação em ações de limpezas e de reciclagem, propostas através de gincanas. Outros compartilharam atividades realizadas por eventos de caráter comemorativo, como a semana do meio ambiente e alguns citaram também envolvimento em atividades de sensibilização com parcerias de outros órgãos além da escola. Um quantitativo considerável de 5% respondeu que não lembravam ou que não chegaram participar.

A EA no ambiente escolar então, precisa fornecer condições mínimas e superá-las. Ou seja, é necessário superar a forma superficial e apressada que a EA é apresentada para os discentes, além das concepções e metodologias tradicionais que ainda está intrinsecamente relacionada a inserção desse debate em sala de aula.

É possível perceber essa lacuna quando analisamos a Tabela 4, que demonstra as respostas dos alunos ao serem questionados sobre as disciplinas que abordam ou abordaram a temática de meio ambiente em sala de aula.

Tabela 4 – Citações dos alunos sobre as disciplinas que tratam ou trataram da temática ambiental em sala de aula – Pré-teste.

DISCIPLINAS

QUANTIDADE DE CITAÇÕES

TOTAL DE ALUNOS

Ciências

33

33

Geografia

30

33

Língua Portuguesa

24

33

Arte

18

33

Ensino Religioso

6

33

História

2

33

Matemática

1

33

Educação Física

0

33

Fonte: Autores, 2025.

As disciplinas mais citadas foram disciplinas relacionadas a área de Ciências da Natureza como Ciências e Geografia, as quais possuem uma base conceitual sólida para explorar a temática ambiental. Além disso, Língua Portuguesa é a terceira disciplina mais citada, em sequência temos Arte, Ensino Religioso, História e Matemática.

Essa percepção dos alunos sugere uma interdisciplinaridade fragilizada quanto a abordagem ambiental. Muitos relacionam-se a temática de meio ambiente a área de Ciências da Natureza, mas é imprescindível que haja um enfoque interdisciplinar, abrangendo o assunto em cada disciplina, de maneira integradora que destaque a complexidade dos problemas ambientais (Dias, 1992).

Ao questionar os discentes sobre fatos específicos da região em que vivem, os alunos demonstraram um bom domínio de conhecimento de sua regionalidade. No pré-teste, com questões de verdadeiro ou falso, os alunos ao serem questionados se a Baixada Maranhense era uma das sete regiões ecológicas do Maranhão e que era classificada como uma Área de Proteção Ambiental (APA), 60,6% dos alunos responderam que sim (verdadeiro) e 39,4% julgaram a afirmação como falsa, ver no Gráfico 6.

Gráfico 6 Percepção dos discentes sobre a Baixada Maranhense ser uma região ecológica e uma APA – Pré-teste.

Gráfico, Gráfico de pizza

Descrição gerada automaticamente
Fonte: Autores, 2025.

Quando instigados sobre o bioma predominante da Baixada Maranhense ser o bioma Amazônia, 60,6% responderam que a afirmação era verdadeira e somente 39,4% responderam que era falsa a afirmativa, Gráfico 7.

Gráfico 7 Respostas dos discente em relação ao bioma predominante da Baixada Maranhense – Pré-teste.

Gráfico, Gráfico de pizza

Descrição gerada automaticamente
Fonte: Autores, 2025.

Já na questão que afirmava que Área de Proteção Ambiental (APA) e Unidades de Conservação (UC) era sinônimos uma quantidade de 63,6% de alunos responderam que sim (verdadeiro) e 36,4% de alunos responderam que a afirmação era falsa (Gráfico 8).

Gráfico 8 Respostas dos alunos em relação a afirmação de APA e UC significarem a mesma coisa – Pré-teste.

Gráfico, Gráfico de pizza

Descrição gerada automaticamente
Fonte: Autores, 2025.

O conhecimento prévio dos estudantes sobre as características da Baixada Maranhense é um ponto relevante para a compreensão de sua importância e de sua biodiversidade, bem como dos desafios ambientais e sociais que a região enfrenta. Considera-se bastante positivo a maioria dos alunos conseguirem identificar, por exemplo, a região da Baixada Maranhense como uma APA e que seu bioma predominante é a Amazônia. Contudo, a maioria ainda não conseguir identificar a diferença de uma APA para uma UC, aponta ainda um conhecimento incipiente por partes dos alunos.

No pós-teste, os discentes foram perguntados da existência ou não de problemas ambientais no seu município e quais seriam estes, caso existisse algum impacto. Dentre as citações dos alunos temos: poluição do rio e da rua, lixão a céu aberto, desmatamento e queimadas (Tabela 5).

Tabela 5 Problemas ambientais presente no município de Pinheiro segundo os alunos – Pós-teste.

PROBLEMAS CITADOS

QUANTIDADE DE CITAÇÕES

TOTAL DE ALUNOS

Poluição do rio

33

33

Lixo na rua

33

33

Lixão a céu aberto

22

33

Desmatamento

16

33

Queimadas

16

33

Fonte: Autores, 2025.

Nossas percepções de mundo, do ambiente físico e de tudo o que nos cerca, nos moldam de tal maneira que traz como consequências as atitudes que tomamos diante da realidade que nos rodeiam.

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A EA é uma ferramenta necessária para o desenvolvimento de uma consciência ambiental e para a formação de cidadãos responsáveis e engajados na construção de um futuro mais equilibrado e saudável para as gerações presentes e futuras. Através dela, é possível capacitar os indivíduos para que eles possam compreender a interdependência entre os seres humanos e o meio ambiente, bem como a importância de adotar práticas sustentáveis em suas vidas cotidianas.

A participação da juventude nas questões ambientais torna-se bastante relevante para mobilização desse debate na sociedade. Assim, evidencia-se o protagonismo juvenil como um elemento essencial no contexto da EA, pois contribui para formação de jovens agentes ativos de transformação socioambiental.

Nessa perspectiva, o presente estudo apresenta resultados positivos quanto ao protagonismo juvenil ambiental, pois estimulou a participação ativa dos estudantes em ações de preservação do meio ambiente, contribuindo também para o desenvolvimento acadêmico dos estudantes, assim como para a construção de uma consciência coletiva em prol da preservação do meio ambiente e da promoção de práticas sustentáveis.

Conclui-se, portanto, que o desenvolvimento desta pesquisa foi de suma relevância para a formação cidadã dos jovens da escola pública de Pinheiro – MA. Assim, ressalta-se a importância da EA e do desenvolvimento do protagonismo juvenil como ferramentas essenciais para a promoção da sustentabilidade e da consciência socioambiental.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Programa de Apoio à Pós-Graduação da Universidade Estadual do Maranhão - PROAP/UEMA
Mestrado Profissional em Processos e Tecnologias Educacionais - ProfEducatec