PRODUÇÃO CIENTÍFICA DO GEPEC (2010-2020): ANÁLISE BIBLIOMÉTRICA E CONTRIBUIÇÕES PARA A EDUCAÇÃO DO CAMPO

SCIENTIFIC PRODUCTION OF GEPEC (2010–2020): BIBLIOMETRIC ANALYSIS AND CONTRIBUTIONS TO RURAL EDUCATION

REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/786390605

RESUMO
Este artigo apresenta uma análise bibliométrica da produção científica do Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Educação no Campo (GEPEC) da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) no período de 2010 a 2020. O estudo objetiva identificar a evolução quantitativa, as temáticas predominantes, os tipos de publicação, os veículos de divulgação e as contribuições do GEPEC para a área da Educação do Campo. A metodologia empregada envolveu a coleta e análise de dados de artigos, livros, capítulos de livros e trabalhos em eventos, conforme levantado em dissertação de mestrado. Os resultados indicam uma produção robusta e diversificada, com destaque para a formação de mestres e doutores e a publicação em periódicos de alta classificação Qualis, evidenciando o papel central do GEPEC no desenvolvimento e disseminação do conhecimento em Educação do Campo no Brasil.
Palavras-chave: Educação do Campo; GEPEC; Análise Bibliométrica; Produção Científica; Qualis.

ABSTRACT
This article presents a bibliometric analysis of the scientific production of the Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Educação no Campo (GEPEC) at the Federal University of São Carlos (UFSCar) from 2010 to 2020. The study aims to identify the quantitative evolution, predominant themes, types of publications, dissemination outlets, and GEPEC’s contributions to the field of Rural Education. The methodology involved the collection and analysis of data from articles, books, book chapters, and conference papers, as compiled in a master’s dissertation. The results indicate a robust and diverse production, highlighting the training of master’s and doctoral researchers and publications in highly ranked Qualis journals, demonstrating GEPEC’s central role in the development and dissemination of knowledge in Rural Education in Brazil.
Keywords: Rural Education; GEPEC; Bibliometric Analysis; Scientific Production; Qualis.

CONSIDERAÇÕES INICIAIS

A Educação do Campo no Brasil emerge como um campo de estudo e prática fundamental para a garantia do direito à educação das populações rurais, historicamente marginalizadas e submetidas a políticas educacionais inadequadas às suas realidades (Caldart, 2009). A luta por uma educação contextualizada e de qualidade para o campo tem impulsionado a criação de grupos de pesquisa e a produção acadêmica significativa, visando não apenas a compreensão dos desafios, mas também a proposição de soluções e a formação de profissionais engajados (Arroyo, 2012).

Nesse cenário, o Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Educação no Campo (GEPEC) da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) destaca-se como um importante polo de produção e disseminação de conhecimento na área. A relevância da Educação do Campo transcende a mera localização geográfica, configurando-se como um projeto político-pedagógico que busca resgatar a dignidade e a autonomia das comunidades rurais, promovendo uma educação que dialogue com suas culturas, saberes e modos de vida (Apple, 2006). Este movimento, enraizado nas lutas sociais e na resistência camponesa, tem desafiado a hegemonia de um modelo educacional urbano-centrado, que historicamente desconsiderou as especificidades do meio rural e contribuiu para a sua marginalização (Hage, 2006; Saviani, 2007). A pesquisa acadêmica, nesse contexto, desempenha um papel crucial ao fornecer subsídios teóricos e empíricos para a consolidação e o avanço desse projeto, legitimando suas demandas e contribuindo para a formulação de políticas públicas mais justas e equitativas (Antunes, 2018).

Historicamente, a educação no campo brasileiro tem sido marcada por um processo de lutas e resistências, onde o acesso ao saber historicamente construído foi frequentemente negado às populações pobres do país (Hage, 2006). Apenas após a Constituição Federal de 1988, conhecida como Constituição Cidadã, o acesso à escola como direito individual, universal e inalienável foi formalmente garantido (Artigo 205) (Brasil, 1988). Contudo, a efetivação desse direito no contexto rural ainda enfrenta inúmeros desafios, como o fechamento de escolas, a precarização do transporte escolar e a desvalorização da cultura camponesa (Arroyo, 2004). O poder público, muitas vezes, justifica o fechamento de escolas rurais por questões econômicas, argumentando que a nucleação de alunos em escolas urbanas ou em outras áreas rurais reduz os gastos com educação. Essa perspectiva, no entanto, ignora as reais condições do transporte escolar e o impacto negativo na identidade e no desenvolvimento dos estudantes do campo (Cury, 2008). A luta pela Educação do Campo, portanto, não se restringe à garantia do acesso físico à escola, mas abrange a construção de um currículo que respeite e valorize os saberes locais, a formação de professores engajados com a realidade do campo e a criação de espaços educativos que promovam a autonomia e a participação das comunidades (Giroux, 1997). A complexidade desse cenário exige uma abordagem multifacetada, que combine a análise crítica das políticas existentes com a proposição de alternativas pedagógicas e a mobilização social para a defesa dos direitos educacionais das populações rurais (Freire, 1996; Gadotti 2000).

Diante desse contexto complexo, a atuação de grupos de pesquisa como o GEPEC torna-se crucial. Este grupo, em articulação com universidades e movimentos sociais, tem proporcionado a formação de professores e pesquisadores, especialmente aqueles que vivem e trabalham no campo, e tem se dedicado à produção e divulgação de conhecimento que denuncia o fechamento de escolas e a expulsão do homem do meio rural (Santos, 2022). O GEPEC defende um modelo de educação escolar de qualidade e acessível a todos, independentemente do local – urbano ou rural. A relevância do GEPEC, nesse panorama, reside não apenas na sua produção acadêmica, mas também na sua capacidade de articular diferentes atores sociais – pesquisadores, educadores, movimentos sociais e comunidades – em torno de um projeto comum de Educação do Campo. Essa articulação é fundamental para a construção de uma educação que seja, ao mesmo tempo, rigorosa academicamente e socialmente engajada, capaz de responder às demandas e aos desafios das populações rurais (Ghon, 2006). A produção do GEPEC, portanto, não é apenas um registro de conhecimento, mas um instrumento de luta e transformação social, que busca fortalecer a identidade e a autonomia dos povos do campo (Saviani, 2008).

Este artigo resulta da pesquisa desenvolvida em minha dissertação de mestrado, defendida em 2022, e propõe uma análise bibliométrica da produção científica do GEPEC no período de 2010 a 2020, com o objetivo de mapear e compreender a dinâmica de suas contribuições para a Educação do Campo. As questões que orientam o estudo incluem: qual a evolução quantitativa da produção científica do GEPEC? Quais são os temas predominantes e os tipos de publicação mais frequentes? Quais os veículos de divulgação utilizados e suas classificações Qualis? Como se configuram as redes de colaboração e quais as principais contribuições da produção do GEPEC para o campo da Educação do Campo?

A justificativa para este estudo reside na necessidade de valorizar e dar visibilidade à produção acadêmica de grupos de pesquisa que atuam em áreas socialmente relevantes, como a Educação do Campo. A análise bibliométrica permite identificar tendências, lacunas e o impacto da pesquisa, subsidiando futuras investigações e políticas de fomento. Além disso, ao focar no GEPEC, o artigo contribui para o reconhecimento de sua trajetória e relevância no cenário acadêmico brasileiro. A escolha do GEPEC como objeto de estudo se justifica pela sua atuação consolidada e reconhecida na área, bem como pela sua articulação com os movimentos sociais do campo, o que confere à sua produção um caráter singular e de grande impacto social. A compreensão da dinâmica de produção desse grupo pode oferecer compreensões valiosas para outros pesquisadores e instituições que atuam na área, bem como para formuladores de políticas públicas interessados em fortalecer a Educação do Campo no Brasil (Muller, 2000).

Referencial Teórico: Educação do Campo no Brasil, Contexto e Desafios

A Educação do Campo no Brasil representa um campo de estudo e prática que vai além da mera localização geográfica, constituindo-se como um projeto político-pedagógico forjado na luta e nas demandas dos movimentos sociais do campo, em diálogo constante com pesquisadores e educadores (Molina, 2012). Este projeto visa atender às especificidades culturais, sociais e econômicas das populações rurais, historicamente marginalizadas e submetidas a políticas educacionais que, muitas vezes, se mostram inadequadas às suas realidades (Caldart, 2009). A emergência da Educação do Campo como um campo de pesquisa e ação política é um reflexo direto da necessidade de se construir uma educação que seja pertinente e transformadora para os sujeitos do campo, reconhecendo-os como produtores de cultura, conhecimento e história (Libâneo, 2013). Essa perspectiva rompe com a visão tradicional que concebia a educação rural como uma mera adaptação da educação urbana, desconsiderando as particularidades do meio e as demandas específicas de seus habitantes (Saviani, 2007).

Historicamente, a educação oferecida no meio rural brasileiro foi marcada por um profundo descaso e pela tentativa de impor um modelo urbano de ensino, desconsiderando os saberes e as culturas locais (Hage, 2006). Durante o período colonial e imperial, a educação era privilégio de poucos, e as populações rurais, em sua maioria, permaneciam à margem do acesso ao conhecimento formal. Mesmo após a Proclamação da República, a educação rural continuou sendo negligenciada, com poucas iniciativas e, quando existentes, pautadas por uma visão assistencialista e descontextualizada (Romanelli, 1995). A Constituição de 1934 foi a primeira a mencionar a educação rural, mas a ausência de políticas efetivas e a predominância de uma visão urbana para a educação persistiram por décadas. A trajetória da educação rural no Brasil é, portanto, uma história de exclusão e de lutas por reconhecimento. As escolas rurais, quando existiam, eram frequentemente precárias, com poucos recursos e professores mal preparados, refletindo a marginalização social e econômica das populações do campo, neste sentido, Bezerra Neto, 2017, p. 82 destaca que:

Na primeira metade do século XX, denunciavam-se tanto as precárias condições em que se encontravam os estabelecimentos escolares das áreas rurais quanto o despreparo dos professores que ali ensinavam.

A partir da década de 1990, com a emergência e o fortalecimento dos movimentos sociais do campo, como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), a Educação do Campo ganhou visibilidade e impulsionou a criação de políticas públicas específicas (Brasil, 2004; Fernandes, 2009). O Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (PRONERA), criado em 1998, e o Programa Nacional de Educação do Campo (PRONACAMPO) são exemplos dessas iniciativas, que buscaram reverter o quadro de exclusão, promovendo a construção de escolas do campo, a formação de educadores e a produção de materiais didáticos contextualizados (Brasil, 2004). Essas políticas representaram um avanço significativo, pois reconheceram a necessidade de uma educação diferenciada para o campo, que levasse em conta suas especificidades e contribuísse para o desenvolvimento local e a permanência das famílias em suas terras (Caldart, 2010). No entanto, a implementação dessas políticas tem sido marcada por avanços e recuos, dependendo das conjunturas políticas e das prioridades governamentais, o que exige uma vigilância constante e a mobilização dos movimentos sociais e da academia (Antunes, 2018).

No entanto, apesar dos avanços, os desafios para a consolidação da Educação do Campo persistem. A falta de estrutura e de investimentos adequados para as escolas rurais, a carência de saneamento básico e energia elétrica em muitas unidades, e a dificuldade em manter professores qualificados e com formação continuada são problemas recorrentes (Arroyo, 2004; Antunes, 2018). Além disso, o fechamento de escolas no campo, muitas vezes justificado por argumentos econômicos de nucleação de alunos em escolas urbanas, representa uma ameaça à identidade cultural e ao desenvolvimento social das comunidades rurais. Essa prática não apenas desconsidera as reais condições do transporte escolar, que submete crianças e adolescentes a longos e cansativos trajetos, mas também contribui para a desvalorização do saber camponês e a migração forçada para as cidades. A luta contra o fechamento de escolas rurais é uma das bandeiras mais importantes dos movimentos sociais do campo e da academia, pois essas escolas são espaços de resistência cultural, de organização comunitária e de garantia do direito à educação para as populações que vivem e trabalham no campo (Fernandes, 2009). A descontinuidade de políticas de apoio à Educação do Campo e a fragilização dos programas de formação de professores têm agravado ainda mais esse cenário, exigindo uma atuação cada vez mais incisiva dos grupos de pesquisa e dos movimentos sociais.

A luta pela Educação do Campo é, portanto, uma luta por reconhecimento, por uma educação que valorize a diversidade do campo em seus aspectos sociais, culturais e econômicos, e que promova a cidadania e a emancipação das populações rurais. Nesse contexto, a atuação de grupos de pesquisa como o GEPEC é fundamental para a produção de conhecimento que subsidie essa luta e contribua para a construção de um modelo educacional mais justo e equitativo. A pesquisa acadêmica, ao investigar as realidades do campo, ao analisar criticamente as políticas públicas e ao propor alternativas pedagógicas, torna-se um instrumento de empoderamento das comunidades rurais e de fortalecimento da Educação do Campo como um projeto de sociedade. O GEPEC, com sua trajetória de pesquisa e engajamento, exemplifica essa articulação entre a produção de conhecimento e a transformação social, consolidando-se como um ator estratégico na defesa e no avanço da Educação do Campo no Brasil.

Estudos Bibliométricos na Educação

A bibliometria, enquanto campo de estudo, emprega métodos estatísticos e matemáticos para analisar a produção científica, permitindo a quantificação e qualificação da literatura em um determinado domínio do conhecimento “o estudo dos aspectos quantitativos da produção, disseminação e uso da informação registrada. A bi-bliometria desenvolve padrões e modelos matemáticos para medir esses processos, usando seus resultados para elaborar previsões e apoiar tomadas de decisões” (Vanti, 2002, p. 154 Apud Macias-Chapula 1998). Essa abordagem sistemática possibilita a identificação de padrões, tendências e a estrutura intelectual de uma área de pesquisa, por meio da análise de indicadores como o número de publicações, a frequência de citações, a rede de coautoria, os veículos de publicação (periódicos, anais de eventos, livros) e as palavras-chave mais utilizadas (Pritchard, 1996). Tais indicadores são cruciais para mapear a evolução de um campo, identificar pesquisadores e instituições de destaque, e compreender as dinâmicas temáticas e metodológicas que o caracterizam (Grácio, 2016). A evolução da bibliometria, desde seus primórdios com Pritchard em 1969, até as abordagens mais contemporâneas que incorporam a cienciometria e a informetria, demonstra a crescente sofisticação das ferramentas e métodos para analisar a ciência como um fenômeno social e intelectual (Hood & Wilson, 2001). Essa disciplina não se restringe à mera contagem de publicações, mas busca desvendar as relações complexas entre autores, instituições, temas e periódicos, oferecendo uma visão holística da produção do conhecimento.

Na área da Educação, a aplicação de estudos bibliométricos tem se mostrado particularmente relevante para investigar a produção acadêmica em diversas subáreas, como políticas educacionais, formação de professores, educação especial e, mais recentemente, a Educação do Campo (Guedes, 2019). Essas análises contribuem significativamente para a identificação de lacunas de pesquisa, a avaliação do impacto de programas e políticas educacionais, e o fortalecimento das redes de colaboração entre pesquisadores e grupos de estudo (Hood & Wilson, 2001). A bibliometria oferece uma lente objetiva para observar o desenvolvimento de um campo, permitindo que pesquisadores e formuladores de políticas compreendam melhor onde os esforços de pesquisa estão concentrados e onde novas investigações são necessárias. A análise bibliométrica na Educação tem permitido, por exemplo, identificar as principais tendências temáticas em congressos e periódicos, mapear a evolução de conceitos e teorias, e avaliar a produtividade de programas de pós-graduação e grupos de pesquisa (Lino, 2010; Quaresma, 2024; Glänzel & Moed, 2004). Essa ferramenta é indispensável para a gestão da pesquisa e para a tomada de decisões estratégicas no âmbito acadêmico e governamental.

No contexto brasileiro, a classificação Qualis Periódicos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) é um dos principais indicadores utilizados para avaliar a qualidade dos veículos de publicação e, consequentemente, a produção científica (CAPES, s/d). Embora o sistema Qualis tenha sido objeto de debates e revisões constantes, ele continua sendo uma referência importante para a comunidade acadêmica, influenciando as decisões de publicação e o reconhecimento da pesquisa (Noronha & Marteleto, 2004). A análise da distribuição Qualis das publicações de um grupo de pesquisa, como o GEPEC, oferece reflexões valiosa sobre o impacto e a visibilidade de sua produção no cenário acadêmico nacional e internacional (Vanz, 2009). Estudos bibliométricos sobre grupos de pesquisa em educação têm revelado a importância de analisar a produção científica para entender as linhas de pesquisa, a colaboração entre os membros e a contribuição para o avanço do conhecimento na área. A compreensão do sistema Qualis é fundamental para pesquisadores brasileiros, pois ele não apenas baliza a avaliação de programas de pós-graduação, mas também orienta a escolha de periódicos para submissão de artigos, impactando diretamente a carreira acadêmica e o financiamento de pesquisas. A análise da evolução da classificação Qualis de um grupo de pesquisa, como a que será realizada neste estudo, permite inferir o amadurecimento e a consolidação de sua produção no cenário científico nacional.

METODOLOGIA

Este estudo adota uma abordagem bibliométrica, caracterizando-se por ser uma pesquisa de natureza quantitativa e qualitativa (Severino, 2007), focada na análise da produção científica do Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Educação no Campo (GEPEC) no período compreendido entre 2010 e 2020. A escolha da bibliometria justifica-se pela sua capacidade de oferecer uma visão panorâmica e detalhada da dinâmica de produção de conhecimento de um grupo de pesquisa, permitindo a identificação de padrões, tendências e áreas de concentração temática (Vanti, 2002; Pritchard, 1996). A bibliometria, ao empregar métodos estatísticos e matemáticos, oferece uma base sólida para a análise objetiva da produção acadêmica, permitindo a identificação de padrões que, de outra forma, seriam difíceis de discernir.

O corpus de análise foi cuidadosamente delimitado e constituído por diferentes tipologias de produção acadêmica, conforme levantamento realizado na dissertação de mestrado de Santos (2022). A inclusão de diversas tipologias de documentos visa proporcionar uma visão mais abrangente da produção do GEPEC, reconhecendo que o conhecimento científico é disseminado por múltiplos canais (Grácio, 2016). Incluíram-se:

  • Artigos publicados em periódicos indexados: Considerados um dos principais veículos de divulgação científica, refletem o impacto e a visibilidade da pesquisa. A análise desses artigos permite avaliar a inserção do grupo em redes de comunicação científica e a qualidade de sua produção, especialmente por meio da classificação Qualis.

  • Livros e capítulos de livros: Representam a consolidação de pesquisas e aprofundamento de temas, muitas vezes com maior alcance e detalhamento. A publicação de livros e capítulos indica a capacidade do grupo de sintetizar e aprofundar discussões, contribuindo para a formação de referenciais teóricos e metodológicos na área.

  • Trabalhos apresentados em seminários e simpósios: Indicam a participação ativa em eventos da área, a troca de experiências e a disseminação preliminar de resultados de pesquisa. A presença em eventos é crucial para a construção de redes de colaboração e para o debate de ideias em tempo real, contribuindo para a atualização e o refinamento das pesquisas.

A coleta de dados foi realizada a partir das informações detalhadas no Capítulo 4 da dissertação de Santos (2022). Este capítulo compilou a produção do GEPEC utilizando uma triangulação de fontes, incluindo relatórios internos do grupo, informações disponíveis nas Plataformas Lattes dos pesquisadores membros e consulta a bases de dados acadêmicas relevantes para a área da Educação. A sistematização desses dados permitiu a construção de um panorama abrangente da produção do grupo. A triangulação de fontes é uma estratégia metodológica que confere maior robustez aos dados coletados, minimizando vieses e garantindo uma representação mais fidedigna da produção do grupo (Demo, 2000).

Os dados coletados foram organizados e categorizados para permitir a análise dos seguintes aspectos, considerados indicadores bibliométricos essenciais para este estudo (Spinak, 1996):

  • Evolução Quantitativa da Produção: Análise do número total de publicações por ano e por tipo de documento (artigos, livros, capítulos de livros, trabalhos em eventos). Este indicador permite observar o ritmo de produção do grupo ao longo da década, identificando períodos de maior ou menor intensidade de publicação e possíveis correlações com eventos externos, como políticas de fomento ou mudanças na composição do grupo.

  • Temáticas Predominantes: Identificação dos principais eixos temáticos abordados nas publicações. Embora a dissertação não tenha realizado uma análise de conteúdo aprofundada para esta categoria, a inferência foi feita a partir dos títulos, resumos e palavras-chave das publicações, bem como da descrição das linhas de pesquisa do GEPEC. A análise temática, mesmo que por inferência, é crucial para compreender as áreas de concentração do grupo e sua relevância para o campo da Educação do Campo.

  • Veículos de Divulgação e Classificação Qualis: Análise dos periódicos, anais de eventos e editoras utilizados para a publicação, com especial atenção à classificação Qualis Periódicos da CAPES. Este indicador permite avaliar a qualidade e o impacto da produção do GEPEC, bem como sua inserção no cenário acadêmico nacional. A distribuição Qualis oferece uma medida da visibilidade e do reconhecimento da pesquisa do grupo.

  • Redes de Colaboração: Identificação de coautorias e parcerias institucionais. Embora a dissertação não tenha focado extensivamente neste aspecto, a análise das coautorias pode revelar a dinâmica de colaboração interna e externa do grupo, indicando a formação de redes de pesquisa e o intercâmbio de conhecimentos .

  • Formação de Recursos Humanos: Quantificação de mestres e doutores formados com a participação do GEPEC. Este indicador é fundamental para avaliar a capacidade do grupo de gerar novos pesquisadores e de contribuir para a qualificação profissional na área da Educação do Campo.

  • Veículos de Publicação e Classificação Qualis: Análise dos periódicos e editoras utilizados para a divulgação da produção. Um foco especial foi dado à classificação Qualis Periódicos da CAPES, que categoriza os periódicos em estratos (A1, A2, A3, A4, B1, B2, B3, B4, B5, C e SQ - Sem Qualis), fornecendo um indicativo da qualidade e do impacto dos veículos de comunicação científica. A análise da distribuição Qualis permite avaliar a inserção do GEPEC em periódicos de alto prestígio na área.

  • Formação de Pós-Graduados: Quantificação do número de mestres e doutores que tiveram suas pesquisas concluídas com o auxílio e orientação de membros do GEPEC. Este aspecto ressalta o papel do grupo na formação de novos pesquisadores e no fortalecimento da área.

A análise dos dados foi predominantemente descritiva, empregando estatísticas simples para apresentar a distribuição e a frequência dos indicadores bibliométricos. Para a visualização e interpretação dos resultados, foram utilizados gráficos e tabelas, adaptados a partir dos originais presentes na dissertação, visando maximizar a clareza e a objetividade na apresentação das informações. A interpretação dos dados buscou estabelecer conexões com o referencial teórico sobre Educação do Campo e estudos bibliométricos, a fim de contextualizar os achados e discutir suas implicações para o campo de pesquisa.

RESULTADOS E DISCUSSÃO: FORMAÇÃO DE PÓS-GRADUADOS

Um dos indicadores mais relevantes da atuação de um grupo de pesquisa reside em sua capacidade de formar novos pesquisadores e qualificar profissionais para atuar em suas respectivas áreas. Nesse sentido, o GEPEC demonstrou um papel significativo na formação de recursos humanos qualificados na área da Educação do Campo. No período compreendido entre 2010 e 2020, o grupo contribuiu diretamente para a formação de 28 doutores e 34 mestres.

Esses números não apenas evidenciam a capacidade do GEPEC em fomentar a pesquisa e a produção de conhecimento, mas também sublinham seu compromisso com o fortalecimento da comunidade acadêmica engajada com a Educação do Campo. A formação de mestres e doutores é crucial para a perpetuação e o aprofundamento das linhas de pesquisa, garantindo a continuidade dos estudos e a inserção de novas perspectivas no debate. Além disso, esses profissionais qualificados atuam como multiplicadores, levando o conhecimento produzido no âmbito universitário para as escolas, movimentos sociais e outras instâncias da sociedade, impactando diretamente as práticas pedagógicas e as políticas públicas.

A titulação de mestres e doutores, com pesquisas focadas na Educação do Campo, contribui para a consolidação da área como um campo científico legítimo e autônomo, capaz de produzir conhecimento relevante e crítico sobre as realidades e desafios das populações rurais. A pesquisa de Santos (2022) destaca que a formação desses profissionais pelo GEPEC está alinhada com a defesa de um modelo de educação escolar que seja de qualidade e acessível a todos, reforçando o papel social da universidade na promoção da equidade e justiça social.

Produção de Artigos Científicos (2010-2015)

O primeiro quinquênio analisado, de 2010 a 2015, marcou o início da consolidação da produção científica do GEPEC, com um total de 61 artigos científicos publicados. Este volume de produção, considerando o período e a especificidade da área de Educação do Campo, demonstra um esforço significativo do grupo em divulgar suas pesquisas e contribuir para o debate acadêmico. A análise da distribuição desses artigos por classificação Qualis Periódicos, conforme apresentado na Tabela 1, revela um perfil de publicação que já indicava a busca por veículos de comunicação de relevância na área. A escolha por periódicos com boa classificação Qualis desde o início da década reflete uma preocupação do GEPEC em garantir a visibilidade e o impacto de suas pesquisas, inserindo-se em um circuito acadêmico de maior reconhecimento.

Tabela 1. Distribuição da Produção de Artigos do GEPEC por Qualis (2010-2015)

Qualis

Porcentagem (2010-2015)

B1

47%

B4

18%

C

12%

B2

12%

B5

8%

B3

3%

B1

47%

B4

18%

Conforme a Tabela 1, a maior parte dos artigos (47%) foi publicada em periódicos classificados como Qualis B1. Esta categoria, embora não seja a mais alta do sistema Qualis, representa um estrato de boa qualidade e reconhecimento na área, indicando que as pesquisas do GEPEC já alcançavam um público acadêmico qualificado. A presença em periódicos B4 (18%) e C (12%) também é notável, sugerindo uma estratégia de disseminação que abrange tanto veículos mais consolidados quanto outros de alcance mais específico ou regional. As categorias B2 (12%), B5 (8%) e B3 (3%) complementam o panorama, mostrando uma diversidade na escolha dos periódicos para a divulgação dos resultados de pesquisa. Essa distribuição revela uma estratégia de publicação que busca equilibrar o alcance em periódicos de maior prestígio com a disseminação em veículos que podem ter um foco mais específico na Educação do Campo ou em regiões geográficas determinadas, garantindo que a pesquisa atinja diferentes públicos e contextos (Pavan & Grácio, 2015). A predominância de periódicos B1 demonstra um esforço contínuo do grupo em manter um padrão de qualidade em suas publicações, o que é fundamental para a consolidação de sua reputação acadêmica e para a atração de novos pesquisadores e financiamentos. A diversidade de estratos Qualis também pode indicar a amplitude temática e metodológica das pesquisas desenvolvidas pelo GEPEC, que se adaptam a diferentes perfis de periódicos.

Essa distribuição inicial reflete o esforço de um grupo em formação e consolidação, buscando espaço e reconhecimento em um campo de pesquisa em constante desenvolvimento. A escolha por periódicos B1, por exemplo, pode indicar a intenção de dialogar com um público mais amplo e influente na área da Educação, enquanto a presença em outras categorias pode estar relacionada à especificidade temática de algumas pesquisas ou à busca por maior capilaridade na divulgação. É importante ressaltar que, mesmo em categorias inferiores, a publicação contribui para a disseminação do conhecimento e para o registro da produção acadêmica do grupo. A análise desses dados permite inferir que, desde seus primeiros anos, o GEPEC já demonstrava preocupação com a qualidade e o alcance de sua produção científica, estabelecendo as bases para um crescimento futuro. A predominância de periódicos B1 no primeiro quinquênio é um indicativo de que o grupo estava construindo sua identidade e buscando consolidar sua presença em veículos de comunicação que garantissem a visibilidade e o reconhecimento de suas pesquisas. A diversidade de estratos Qualis, mesmo que com menor representatividade, aponta para uma estratégia de difusão que não se restringe aos periódicos de maior impacto, mas busca alcançar diferentes nichos e públicos, o que é particularmente relevante para uma área como a Educação do Campo, que dialoga com diversas esferas da sociedade.

Produção de Artigos Científicos (2016-2020)

O segundo quinquênio, de 2016 a 2020, consolidou a trajetória de crescimento e qualificação da produção científica do GEPEC, com um total de 66 artigos científicos publicados. Este período é marcado por uma notável diversificação na distribuição Qualis, conforme detalhado na Tabela 2, indicando um amadurecimento e um reconhecimento crescente da pesquisa desenvolvida pelo grupo no cenário acadêmico nacional. O aumento no número de publicações e a diversificação dos veículos de divulgação são indicativos de uma maior inserção do GEPEC no circuito acadêmico e de uma ampliação de suas redes de colaboração.

Tabela 2. Distribuição da Produção de Artigos do GEPEC por Qualis (2016-2020)

Qualis

Porcentagem (2010-2015)

A1

2%

A2

1%

B1

15%

B2

12%

B3

12%

B4

15%

B5

12%

C

15%

SQ (Sem Qualis)

16%

A Tabela 2 revela uma mudança significativa no perfil de publicação do GEPEC. A presença de artigos em periódicos classificados como A1 (2%) e A2 (1%) é um marco importante, demonstrando o alcance de um patamar de excelência e reconhecimento nacional e internacional para a produção do grupo. Esses estratos representam os periódicos de maior impacto e visibilidade, e a publicação neles atesta a relevância e a qualidade das pesquisas desenvolvidas pelo GEPEC. A presença em periódicos A1 e A2 não apenas eleva o prestígio do grupo, mas também amplia o alcance de suas pesquisas, inserindo-as em debates mais amplos e influenciando a agenda de pesquisa na área da Educação do Campo. Essa ascensão a periódicos de maior prestígio não é um mero detalhe estatístico, mas um reflexo do aprofundamento teórico e metodológico das pesquisas do GEPEC, que passaram a dialogar com as discussões mais avançadas da área da Educação e da Educação do Campo. A capacidade de publicar em veículos de ponta demonstra a maturidade do grupo e sua contribuição para a construção de um conhecimento que transcende as fronteiras regionais e se insere em debates globais sobre as questões educacionais no contexto rural.

Embora a porcentagem de artigos em B1 tenha diminuído em relação ao quinquênio anterior (de 47% para 15%), a diversificação para estratos superiores (A1 e A2) compensa essa redução, indicando uma estratégia de qualificação da produção. As categorias B2 (12%), B3 (12%), B4 (15%) e B5 (12%) continuam a compor uma parcela significativa da produção, o que pode ser interpretado como uma manutenção da estratégia de disseminação em veículos com diferentes alcances e focos temáticos, garantindo a capilaridade da pesquisa. Essa distribuição equilibrada entre diferentes estratos Qualis demonstra uma estratégia editorial inteligente por parte do GEPEC, que busca maximizar o impacto de suas pesquisas ao mesmo tempo em que garante a disseminação em veículos que podem ter um público mais específico ou regional. A manutenção de publicações em categorias B e C é importante para o diálogo com a comunidade acadêmica mais ampla e para a formação de novos pesquisadores, que muitas vezes iniciam suas publicações em periódicos com menor fator de impacto.

Um aspecto a ser observado é a presença de 16% de artigos classificados como SQ (Sem Qualis). Essa categoria pode incluir publicações em periódicos novos, que ainda não foram avaliados pela CAPES, ou em veículos de divulgação com foco mais regional ou em anais de eventos que não possuem classificação Qualis. Embora a ausência de classificação Qualis possa, à primeira vista, sugerir um menor impacto, é fundamental considerar que muitos desses veículos desempenham um papel crucial na disseminação de pesquisas para públicos específicos e na promoção do debate em contextos locais ou regionais, especialmente em áreas como a Educação do Campo, que frequentemente dialoga com movimentos sociais e comunidades. A análise qualitativa desses artigos SQ poderia revelar contribuições significativas que não são capturadas apenas pela métrica Qualis. É importante ressaltar que a classificação Qualis, embora seja um importante indicador para a avaliação da pós-graduação no Brasil, não deve ser o único critério para aferir a relevância e o impacto de uma pesquisa, especialmente em áreas como a Educação do Campo, onde o diálogo com a sociedade e os movimentos sociais é intrínseco à produção de conhecimento (Noronha, 2004). A publicação em veículos sem Qualis pode, em muitos casos, representar uma escolha estratégica para alcançar públicos específicos e promover o debate em esferas que não são tradicionalmente contempladas pelos periódicos acadêmicos de alto impacto.

Em suma, o segundo quinquênio demonstra um amadurecimento da produção científica do GEPEC, com um claro movimento em direção à publicação em periódicos de maior prestígio, ao mesmo tempo em que mantém uma diversidade de veículos para garantir a ampla disseminação de suas pesquisas. A ascensão a periódicos A1 e A2 é um testemunho do rigor e da relevância das investigações conduzidas pelo grupo, consolidando sua posição como referência na Educação do Campo. A análise comparativa entre os dois quinquênios revela uma trajetória de crescimento contínuo e qualificação da produção. Enquanto o primeiro período foi marcado pela consolidação e busca por visibilidade em periódicos B1, o segundo período representa um salto qualitativo, com a inserção em estratos de excelência. Essa evolução é crucial para a área da Educação do Campo, pois fortalece a legitimidade científica do campo e promove o intercâmbio de conhecimentos com outras áreas da Educação e das Ciências Humanas. A diversidade de veículos de publicação, incluindo aqueles de menor Qualis ou sem classificação, também é estratégica, pois permite que a pesquisa do GEPEC alcance diferentes públicos e contextos, desde o acadêmico mais formal até as comunidades e movimentos sociais que são objeto e sujeitos de suas investigações .

Um dos aspectos mais significativos deste período é a emergência de publicações em estratos superiores do Qualis, com 2% em A1 e 1% em A2. A presença em periódicos classificados como A1 e A2 é um forte indicativo da excelência e do impacto das pesquisas do GEPEC, pois essas categorias representam os veículos de maior prestígio e visibilidade na área da Educação. Isso sugere que o grupo não apenas manteve sua produtividade, mas também elevou o patamar de qualidade e relevância de suas contribuições. A inserção em periódicos A1 e A2 não é apenas um reconhecimento da qualidade intrínseca das pesquisas do GEPEC, mas também um fator que amplifica o alcance e a influência de suas ideias. Ao publicar em veículos de ponta, o grupo contribui para que as discussões sobre a Educação do Campo alcancem um público mais amplo e diversificado, incluindo formuladores de políticas públicas, gestores educacionais e outros pesquisadores, tanto no Brasil quanto internacionalmente.

Embora a categoria B1 tenha diminuído em porcentagem em comparação com o período anterior (de 47% para 15%), as categorias B2, B3, B4 e B5 mantiveram uma presença significativa, com 12%, 12%, 15% e 12%, respectivamente. A categoria C também se manteve relevante, com 15% das publicações. Essa distribuição mais equitativa entre as categorias B e C pode indicar uma estratégia de disseminação mais ampla, buscando atingir diferentes públicos e promover o diálogo em diversas plataformas acadêmicas.

É importante notar a porcentagem de 16% de artigos em periódicos classificados como "Sem Qualis" (SQ). Destacamos que essa ocorrência pode estar relacionada à dinâmica de atualização da Plataforma Sucupira da CAPES, onde alguns periódicos podem não ter tido sua classificação atualizada no momento da coleta de dados, ou à publicação em veículos emergentes que ainda não foram avaliados. Essa categoria, no entanto, não necessariamente desqualifica a produção, mas ressalta a necessidade de considerar o contexto e a relevância dos veículos para além da classificação formal.

Em suma, os dados do segundo quinquênio revelam uma trajetória de crescimento e qualificação contínua da produção científica do GEPEC. A presença em periódicos de alto impacto (A1 e A2) demonstra a consolidação do grupo como referência na área da Educação do Campo, com pesquisas que não apenas contribuem para o avanço do conhecimento, mas também alcançam reconhecimento e visibilidade em nível nacional e internacional. A diversidade de classificações Qualis reforça a estratégia de disseminação ampla e o compromisso do grupo em dialogar com diferentes esferas da comunidade acadêmica e da sociedade. Essa ascensão nos estratos Qualis não é apenas um indicativo de prestígio, mas também de que as pesquisas do GEPEC estão sendo publicadas em veículos que possuem maior alcance e impacto na comunidade científica, contribuindo para a difusão de uma perspectiva crítica e engajada sobre a Educação do Campo.

É fundamental destacar que a qualidade da produção científica, refletida na classificação Qualis, é um fator determinante para a influência de um grupo de pesquisa. Periódicos de alto impacto são frequentemente lidos por um público mais amplo de pesquisadores, formuladores de políticas e profissionais da área, o que potencializa a disseminação das ideias e propostas do GEPEC. A visibilidade alcançada por meio dessas publicações contribui para legitimar a Educação do Campo como um campo de pesquisa relevante e para fortalecer a luta por políticas públicas mais justas e eficazes para as populações rurais. A capacidade de publicar em periódicos A1 e A2 também atrai novos pesquisadores e estudantes para o grupo, criando um ciclo virtuoso de produção e formação de conhecimento.

Temáticas e Contribuições

A pesquisa aponta que a produção do GEPEC está profundamente alinhada com os debates centrais e as demandas da Educação do Campo. A partir da análise dos títulos, resumos e palavras-chave das publicações, bem como da descrição das linhas de pesquisa do grupo, foi possível identificar os principais eixos temáticos que orientam suas investigações:

•Políticas Públicas para a Educação do Campo: A produção do GEPEC tem se debruçado intensamente sobre a análise crítica e propositiva das políticas educacionais destinadas às populações rurais. Este eixo temático abrange estudos aprofundados sobre programas como o Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (PRONERA) e o Programa Nacional de Educação do Campo (PRONACAMPO), além de outras legislações e iniciativas que moldam o acesso e a qualidade da educação no meio rural. O grupo não se limita a descrever essas políticas, mas as submete a um escrutínio rigoroso, denunciando suas lacunas, contradições e os desafios em sua implementação. Simultaneamente, o GEPEC se empenha em apontar caminhos para a efetivação dessas políticas, buscando sua adequação às complexas e diversas realidades do campo brasileiro. A pesquisa nessa área contribui para a formulação de políticas mais eficazes e para a defesa dos direitos educacionais das comunidades rurais, servindo como um contraponto às abordagens que desconsideram as especificidades do campo. A análise das políticas públicas pelo GEPEC revela uma preocupação constante em desvendar as intencionalidades por trás das normativas e seus impactos reais na vida dos sujeitos do campo. Essa abordagem crítica é fundamental para evitar a reprodução de modelos educacionais que perpetuam desigualdades e para promover a construção de políticas que efetivamente garantam o direito à educação para todos. A atuação do GEPEC, nesse sentido, transcende a academia, influenciando debates e mobilizações sociais em prol de uma educação mais justa e equitativa.

•Formação de Professores para a Educação do Campo: Reconhecendo a centralidade do educador no processo de ensino-aprendizagem, o GEPEC dedica uma parte substancial de sua produção à formação inicial e continuada de professores para a Educação do Campo. As pesquisas exploram as especificidades dessa formação, as metodologias mais adequadas para o contexto rural, os desafios enfrentados pelos docentes em escolas do campo e a imperatividade de uma pedagogia contextualizada que valorize os saberes, as culturas e as práticas locais. A formação de mestres e doutores pelo próprio grupo, conforme detalhado na seção 4.1, é um testemunho direto desse compromisso, evidenciando a preocupação em qualificar profissionais que compreendam e atuem em conformidade com os princípios da Educação do Campo. Essa linha de pesquisa busca não apenas capacitar tecnicamente, mas também formar educadores críticos e engajados com a transformação social do campo. A importância da formação de professores para a Educação do Campo é sublinhada pela necessidade de superar a visão urbana-centrada que ainda permeia muitos currículos de licenciatura, e de preparar docentes para lidar com a diversidade cultural, as especificidades pedagógicas e os desafios estruturais das escolas rurais. O GEPEC, por meio de suas pesquisas e ações de formação, tem contribuído para a construção de um perfil de educador que seja um agente de transformação, capaz de promover uma educação que valorize a identidade camponesa e fortaleça as comunidades.

•Movimentos Sociais e a Luta pela Educação do Campo: Uma característica marcante da atuação do GEPEC é sua estreita relação e reconhecimento dos movimentos sociais do campo como protagonistas na construção e defesa da Educação do Campo. A produção do grupo investiga profundamente o papel desses movimentos na formulação de propostas educacionais inovadoras, na resistência ativa ao fechamento de escolas rurais e na defesa intransigente de um projeto de educação emancipador e transformador. Essa perspectiva dialógica e colaborativa entre a academia e os movimentos sociais não é apenas uma metodologia de pesquisa, mas um princípio ético-político que permeia toda a produção do GEPEC, reforçando a ideia de que a educação é um ato político e um instrumento de luta por justiça social. A articulação entre o GEPEC e os movimentos sociais do campo, como o MST, e a Via Campesina, é um diferencial que confere à sua produção um caráter engajado e de relevância social. Essa parceria permite que as pesquisas do grupo estejam em sintonia com as demandas reais das comunidades, e que os resultados sejam revertidos em ações concretas de transformação social. A análise do papel dos movimentos sociais na produção do GEPEC demonstra a importância de uma academia comprometida com as lutas populares e com a construção de uma sociedade mais justa e igualitária.

•Pedagogias Contextualizadas e Currículo: As pesquisas do GEPEC também se dedicam a explorar e propor abordagens pedagógicas e propostas curriculares que sejam intrinsecamente adequadas às realidades multifacetadas do campo. Este eixo temático engloba discussões aprofundadas sobre a aplicação da Pedagogia Histórico-Crítica no contexto rural, a integração da Agroecologia como princípio pedagógico, a valorização da cultura camponesa e a construção de currículos que estabeleçam um diálogo orgânico com a vida, o trabalho e os saberes do meio rural. O objetivo é desenvolver modelos educacionais que não apenas transmitam conhecimentos, mas que também promovam a reflexão crítica, a autonomia e a capacidade de intervenção dos sujeitos do campo em suas próprias realidades. A Pedagogia Histórico-Crítica, em particular, oferece um arcabouço teórico-metodológico robusto para a Educação do Campo, permitindo a superação de abordagens idealistas e a construção de um currículo que articule o saber escolar com a experiência social dos estudantes. A integração da Agroecologia, por sua vez, representa a valorização dos conhecimentos tradicionais e a promoção de práticas sustentáveis, conectando a educação com a produção de alimentos e a preservação ambiental.

•Fechamento de Escolas e Êxodo Rural: Um dos temas mais recorrentes e urgentes na produção do GEPEC é a crítica contundente ao fechamento de escolas do campo e a análise de suas consequências devastadoras para as comunidades rurais. As pesquisas do grupo denunciam o impacto negativo dessa política na identidade cultural dos povos do campo, na permanência das famílias em suas terras e no acesso à educação de qualidade, que é um direito fundamental. O GEPEC argumenta que o fechamento de escolas não é apenas uma questão administrativa, mas uma política que contribui para o êxodo rural, a desestruturação social e a negação de direitos, reforçando a necessidade de uma educação que seja um pilar para o desenvolvimento sustentável e a permanência digna no campo. A luta contra o fechamento de escolas rurais é uma das bandeiras mais importantes dos movimentos sociais do campo e da academia, pois essas escolas são espaços de resistência cultural, de organização comunitária e de garantia do direito à educação para as populações que vivem e trabalham no campo. A produção do GEPEC, ao analisar as causas e consequências dessa política, oferece subsídios para a defesa dessas escolas e para a construção de alternativas que garantam a permanência das populações no campo, com acesso a uma educação de qualidade e contextualizada.

A contribuição do GEPEC para a área da Educação do Campo manifesta-se em múltiplas dimensões. Primeiramente, na produção de conhecimento que não apenas descreve, mas também analisa criticamente os fenômenos educacionais no campo, oferecendo subsídios teóricos e empíricos para a compreensão e transformação dessa realidade. Em segundo lugar, na formação de pesquisadores e profissionais engajados, que atuam como agentes de mudança em suas comunidades e instituições. Em terceiro lugar, na atuação em eventos acadêmicos e na articulação com movimentos sociais, promovendo o diálogo, a troca de experiências e a construção coletiva de propostas para a Educação do Campo. Essa tríade – pesquisa, formação e extensão – reforça o papel do GEPEC como um polo irradiador de conhecimento e de luta por uma educação mais justa e equitativa para as populações rurais.

A relevância dessas contribuições é amplificada pela publicação em periódicos de alto impacto, como demonstrado pela análise Qualis, garantindo que o conhecimento produzido alcance um público amplo e influente na academia e na sociedade. Além disso, a capacidade do GEPEC de se manter ativo e relevante em um cenário político e social muitas vezes adverso, demonstra o compromisso de seus membros com a causa da Educação do Campo, consolidando-o como um ator fundamental na construção de uma sociedade mais justa e equitativa. A atuação do GEPEC, portanto, vai além da mera produção bibliográfica, configurando-se como um espaço de resistência e proposição para a construção de uma educação que respeite e valorize as especificidades do campo. A constante interlocução com os movimentos sociais e a inserção em debates públicos sobre a educação rural reforçam o caráter engajado e transformador do grupo.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A análise bibliométrica da produção científica do Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Educação no Campo (GEPEC) no período de 2010 a 2020 revelou a notável relevância e solidez do grupo na área da Educação do Campo no Brasil. Os resultados apresentados neste artigo evidenciam uma produção acadêmica consistente, caracterizada tanto pela quantidade expressiva de publicações quanto pela qualidade atestada pela inserção em periódicos de estratos Qualis elevados. A capacidade do GEPEC em formar recursos humanos qualificados, com a titulação de 28 doutores e 34 mestres, sublinha seu papel fundamental no fortalecimento da pesquisa e na disseminação do conhecimento crítico e contextualizado para as realidades do campo. Essa formação de recursos humanos não se restringe à titulação formal, mas abrange a construção de uma consciência crítica e o engajamento com as lutas sociais do campo, formando pesquisadores e profissionais que atuam como agentes de transformação em suas comunidades e instituições. A contribuição do GEPEC, portanto, transcende a mera produção acadêmica, impactando diretamente a realidade social e política da Educação do Campo no Brasil.

A trajetória de publicações do GEPEC, analisada em dois quinquênios (2010-2015 e 2016-2020), demonstra um crescimento qualitativo e uma diversificação estratégica dos veículos de divulgação. A predominância inicial em periódicos Qualis B1, seguida pela emergência de publicações em estratos A1 e A2 no segundo período, reflete um amadurecimento institucional e o reconhecimento crescente da pesquisa desenvolvida pelo grupo. Essa evolução não apenas atesta a excelência acadêmica do GEPEC, mas também garante que suas contribuições alcancem um público amplo e influente, tanto na academia quanto nas esferas de formulação de políticas públicas. A ascensão a periódicos de maior prestígio, como os classificados em A1 e A2, é um indicativo claro da consolidação do grupo e da relevância de suas investigações para o debate nacional e internacional sobre a Educação do Campo. Isso demonstra uma preocupação contínua com a qualidade e o impacto da pesquisa, buscando inserir a produção do GEPEC em um circuito acadêmico de maior visibilidade e influência.

As temáticas abordadas pelo GEPEC, que perpassam políticas públicas, formação de professores, o papel dos movimentos sociais, pedagogias contextualizadas e a crítica ao fechamento de escolas no campo, demonstram um compromisso inabalável com as demandas e lutas das populações rurais. A produção do grupo não se limita à descrição dos fenômenos, mas se aprofunda na análise crítica e na proposição de alternativas, consolidando o GEPEC como um polo irradiador de conhecimento que dialoga diretamente com a realidade social e busca a transformação. A articulação entre pesquisa, formação e extensão, que caracteriza a atuação do grupo, reforça sua contribuição para a construção de uma educação mais justa e equitativa para o campo. Essa abordagem multifacetada e engajada é o que confere ao GEPEC sua singularidade e sua capacidade de influenciar não apenas o debate acadêmico, mas também as práticas pedagógicas e as políticas públicas no campo. A constante denúncia do fechamento de escolas rurais, por exemplo, é uma ação política que visa proteger o direito à educação e à permanência das famílias no campo, demonstrando o compromisso ético do grupo com as comunidades.

Em síntese, o GEPEC, ao longo da década analisada, consolidou-se como um ator central no cenário da Educação do Campo no Brasil. Sua produção científica, marcada pela relevância temática, rigor metodológico e impacto acadêmico, oferece subsídios cruciais para a compreensão dos desafios e para a construção de propostas que visem à garantia do direito à educação das populações rurais. A continuidade de estudos bibliométricos, tanto sobre a produção do GEPEC quanto de outros coletivos de pesquisa na área, é fundamental para acompanhar as tendências, identificar novas frentes de investigação e fortalecer a articulação entre a academia e os movimentos sociais do campo, garantindo que a pesquisa continue a ser uma ferramenta potente na luta por uma sociedade mais justa e igualitária. Sugere-se, para futuras pesquisas, a realização de uma análise de conteúdo aprofundada das publicações do GEPEC para identificar com maior precisão as subtemáticas e as abordagens teóricas predominantes, bem como um estudo sobre o impacto das pesquis

A análise da produção do GEPEC também revela a importância de se investir em grupos de pesquisa que atuam em áreas estratégicas para o desenvolvimento social do país. O fortalecimento de grupos como o GEPEC, por meio de financiamento adequado e políticas de incentivo à pesquisa, é essencial para garantir a continuidade de estudos relevantes e para a formação de novas gerações de pesquisadores comprometidos com a transformação da realidade. A experiência do GEPEC demonstra que a pesquisa acadêmica, quando articulada com as demandas sociais, pode ser um poderoso instrumento de mudança e de construção de uma sociedade mais justa e democrática.

A sustentabilidade de grupos de pesquisa engajados, como o GEPEC, depende não apenas do reconhecimento acadêmico, mas também do apoio institucional e da valorização da pesquisa que dialoga com os problemas sociais urgentes. A luta pela Educação do Campo é contínua, e a produção científica do GEPEC serve como um farol, iluminando caminhos e fortalecendo a esperança por um futuro mais equitativo para as populações rurais. O reconhecimento da importância da Educação do Campo como área de pesquisa e de intervenção social é um passo fundamental para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária, e o GEPEC tem desempenhado um papel crucial nesse processo.

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1 Mestre em Educação (UFSCar). Doutorando em Educação (UFSCar), São Carlos, São Paulo, Brasil. Endereço para correspondência: Avenida José dos Santos Martins, 980, Nova Pradópolis II, Pradópolis-SP, Brasil, CEP: 14851-400. ORCID: https://orcid.org/0000-0002-4122-5842. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail.

2 Doutor em Educação (UNICAMP). Professor Titular (UFSCar), São Carlos, São Paulo, Brasil. Endereço para correspondência: Av. Dr. Heitor José Reali, 1031, Vila Industrial, São Carlos-SP, Brasil, CEP: 13571-358. ORCID: https://orcid.org/0000-0002-6388-3467. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail.