REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/785814765
RESUMO
O climatério, período de transição da fase reprodutiva para a não reprodutiva, representa um desafio crescente em saúde pública devido ao envelhecimento populacional. Este estudo teve como objetivo estimar sinais e sintomas climatéricos em mulheres atendidas na Atenção Primária à Saúde, correlacionando-os com aspectos sociodemográficos, ginecológicos, obstétricos e psicológico. Realizou-se um estudo transversal com 182 usuárias de 40 a 64 anos de idade, da Estratégia Saúde da Família, utilizando Mini Exame do Estado Mental, questionário sociodemográfico estruturado e Escala Climatérica de Greene para a coleta de dados. A análise estatística descritiva e inferencial (p<0,05) foi empregada para processar as informações, incluindo Shapiro-Wilk e Kruskal-Wallis. Os resultados evidenciaram sintomatologia climatérica em 100% da amostra estudada, predominância de sintomas de intensidade leve (57,1%) a moderada (32,4%). Houve associação estatisticamente significativa entre sintomas climatéricos e diagnóstico prévio de depressão, ansiedade. Quanto à asma ou bronquite, condição ausente na maior parte da amostra, verificou-se que, entre essas participantes, a maioria apresentou sintomas leves. Entre os antecedentes ginecológicos, apenas o número de gestações mostrou associação significativa com a intensidade dos sintomas. A autopercepção negativa da saúde esteve relacionada a maior frequência de sintomas moderados e intensos. A identificação da intensidade dos sintomas climatéricos na Atenção Primária à Saúde é importante porque permite reconhecer precocemente mulheres mais vulneráveis e direcionar intervenções individualizadas. Esse conhecimento subsidia o planejamento de ações educativas, preventivas e de acompanhamento contínuo, fortalecendo o cuidado integral à saúde da mulher e contribui para qualificar a atuação da equipe multiprofissional, especialmente da enfermagem.
Palavras-chave: saúde da mulher; climatério; atenção primária de saúde.
ABSTRACT
The climate, a period of transition from the reproductive phase to the non-reproductive phase, represents a growing challenge in public health due to population development. This study aims to estimate symptoms and climacteric symptoms in women treated in Primary Health Care, correlating them with sociodemographic, gynecological, obstetric and psychological aspects. A cross-sectional study was carried out with 182 users between 40 and 64 years of age, of the Family Health Strategy, using the Mini Mental State Examination, a structured sociodemographic questionnaire and the Greene Climacteric Scale for a data collection. A descriptive and inferential statistical analysis (p<0.05) was used to process the information, including Shapiro-Wilk and Kruskal-Wallis. The results show climacteric symptoms in 100% of the studied sample, a predominance of symptoms of mild intensity (57.1%) to moderate intensity (32.4%). There is a statistically significant association between climacteric symptoms and previous diagnosis of depression, anxiety. As for asthma or bronchitis, a condition absent in most cases, it was verified that, among these participants, the majority presented mild symptoms. Among the gynecological history, only the number of pregnancies showed a significant association with the intensity of two symptoms. Negative self-perception of health is related to a greater frequency of moderate and intense symptoms. The identification of the intensity of two climacteric symptoms in Primary Health Care is important because it allows early recognition of the most vulnerable women and directing individualized interventions. This knowledge subsidizes the planning of educational, preventive and continuous support actions, strengthening the comprehensive care of women's health and contributes to qualifying the atuação of the multi-professional team, especially of diseases.
Keywords: women's health; menopause; primary health care.
1. INTRODUÇÃO
O climatério é definido como um processo biológico da vida, e não patológico, que compreende a transição da fase reprodutiva para a não reprodutiva da mulher, iniciando-se por volta dos 40 anos e estendendo-se, em geral, até os 65 anos. Esse período caracteriza-se por alterações hormonais que podem ocasionar irregularidades nos ciclos menstruais, culminando na amenorreia (Brasil, 2016).
Durante o período do climatério, ocorre uma série de sintomas associados ao hiperestrogenismo ou ao hipoestrogenismo, sendo este último geralmente mais prevalente. A deficiência hormonal ocasiona diversos sintomas; entre eles, além das alterações no ciclo menstrual, destacam-se manifestações somáticas, vasomotoras, sexuais e psicológicas (Azzeddine et al., 2017).
Os sintomas do climatério podem acometer grande parte das mulheres, inclusive aquelas em menopausa. Assim, entre os métodos que visam prevenir ou minimizar os desconfortos nesse período, destacam-se a terapia de reposição hormonal, a manutenção de rotina adequada de sono, a prática de exercícios físicos e as mudanças na alimentação; tais medidas são essenciais para a redução dos sintomas (Soares et al., 2022).
No que se refere à epidemiologia, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2018, a população brasileira era de aproximadamente 280 milhões de pessoas, das quais 50,67% se autodeclararam mulheres (IBGE, 2018). Segundo o Departamento de Informação e Informática do SUS (Brasil, 2018), a população feminina autodeclarada no Brasil totalizou mais de 105 milhões; desse quantitativo, cerca de 29% encontravam-se na faixa etária entre 40 e 65 anos. Assim, registravam-se mais de 30 milhões de mulheres em idade climatérica e, consequentemente, passíveis da ocorrência de alterações características desse período. Ademais, segundo o IBGE (2022), a população do sexo feminino na faixa etária de 40 a 65 anos, no estado do Maranhão, Região Nordeste, totalizou 672.889.
Com base no que foi exposto, emergiu a seguinte questão norteadora da pesquisa: qual é a prevalência dos sinais e sintomas do climatério em mulheres atendidas na Estratégia Saúde da Família? A resposta a esse problema poderá ampliar o conhecimento científico acerca da realidade vivenciada pelas mulheres na Atenção Primária, subsidiando estratégias de cuidado resolutivas e direcionadas às suas necessidades. Diante desse cenário, o estudo teve como objetivo estimar a prevalência dos sinais e sintomas do climatério em mulheres atendidas na Estratégia Saúde da Família, descrever sua intensidade e analisar a associação entre a sintomatologia climatérica e fatores sociodemográficos, ginecológicos, obstétricos e psicológicos.
Tornando-se relevante o presente estudo para a saúde pública, ao contribuir para a sensibilização da sociedade, dos profissionais de saúde e das mulheres no climatério, uma vez que tais queixas podem não ser reconhecidas ou ser subvalorizadas nos serviços de saúde, o que pode resultar em diagnósticos tardios e manejo inadequado. A APS constitui a porta de entrada preferencial do SUS; portanto, é nesse nível que a maioria das mulheres climatéricas busca cuidado, e profissionais devidamente capacitados podem identificar sinais e sintomas, oferecendo acolhimento, orientações, tratamento adequado e encaminhamentos, quando necessários. Ademais, o estudo fornecerá subsídios para a qualificação de protocolos, fluxos de atendimento e ações educativas voltadas à saúde da mulher nessa fase.
A pesquisa proporcionou benefícios à avaliação da mulher que vivencia o climatério, uma vez que estas podem não estar cientes dos sintomas ou das condições associadas a esse período, como osteoporose, doenças cardiovasculares e alterações hormonais. Ao ampliar o conhecimento acerca da importância de exames regulares, alimentação saudável, prática de atividade física e cuidados médicos adequados, torna-se possível promover a melhoria da saúde das mulheres nessa fase.
2. MÉTODOS
Trata-se de estudo transversal de análise descritiva, realizada nas dependências da Unidade Básica de Saúde Palmeira, localizada no município de Pindaré-Mirim-MA.
A amostra da pesquisa ocorreu por meio do método não probabilística, composta por 182 mulheres na faixa etária de 40 a 64 anos, climatéricas e cadastradas na Estratégia de Saúde da Família Palmeira que não apresentassem alterações cognitivas que comprometessem a compreensão e o preenchimento dos instrumentos de coleta de dados. Preconizou -se como critério de inclusão mulheres na faixa etária de 40 a 64 anos que não apresentassem alterações cognitivas que comprometessem a compreensão e o preenchimento dos instrumentos de coleta de dados. Os critérios de exclusão contemplaram mulheres fora da faixa etária de 40 a 64 anos, aquelas submetidas à ooforectomia ou histerectomia, em uso de reposição hormonal para controle climatérico e em tratamento oncológico.
A coleta de dados foi realizada no período de agosto a novembro de 2025, por meio de três instrumentos impressos: questionário sociodemográfico, ginecológico e obstétrico (Mini Exame do Estado Mental (MEEM); e Escala de Greene. Todas as participantes foram entrevistadas de forma presencial em local tranquilo e privado.
Os dados desta pesquisa foram coletados por meio de formulário físico e, posteriormente, organizados em planilha do Microsoft Excel (versão 365) para tabulação e sistematização das informações, sendo analisados no software Jamovi, versão 2.3.28.
A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos (CEP) e registrada na Plataforma Brasil, sob o número CAAE 86549525.4.0000.5087, Parecer nº7.627.690. Todas as participantes receberam e assinaram consentimento impresso.
3. RESULTADOS
A pesquisa incluiu 182 mulheres, sendo a maioria composta por participantes com idades entre 45 e 59 anos (64,3%; n = 117), casadas ou em união estável (59,9%; n = 109) e de raça/cor parda (59,3%; n = 108). Em relação à escolaridade, predominou o ensino médio (42,9%; n = 78). A maior parte não exercia atividade laboral (56,0%; n = 102), não possuía plano de saúde (98,9%; n = 180) e apresentava renda familiar de até um salário mínimo (86,8%; n = 158). Adicionalmente, verificou-se que nenhuma das variáveis sociodemográficas apresentou associação estatisticamente significativa com a sintomatologia (Tabela 1).
Tabela 1. Aspectos sociodemográficos e associação com sintomatologia climatérica. Pindaré Mirim, Maranhão, Brasil, 2025
Sintomatologia | |||||||||
Intenso | Leve | Moderado | |||||||
| Variáveis | n | % | n | % | n | % | n | % | p |
| Faixa etária | 0,280 | ||||||||
| >=35 e <45 anos | 39 | 21,4 | 5 | 2,8 | 21 | 11,5 | 13 | 7,1 | |
| >=45 e <60 | 117 | 64,3 | 13 | 7,1 | 63 | 34,6 | 41 | 22,5 | |
| 60 ou mais | 26 | 14,3 | 1 | 0,6 | 20 | 11,0 | 5 | 2,8 | |
| Estado civil | 0,490 | ||||||||
| Casada/união estável | 109 | 59,9 | 9 | 5,0 | 63 | 34,6 | 37 | 20,3 | |
| Divorciada/viúva | 24 | 13,2 | 2 | 1,1 | 16 | 8,8 | 6 | 3,3 | |
| Solteira | 49 | 26,9 | 8 | 4,4 | 25 | 13,7 | 16 | 8,8 | |
| Raça/cor | 0,520 | ||||||||
| Branca | 21 | 11,5 | 2 | 1,1 | 12 | 6,6 | 7 | 3,9 | |
| Negra | 53 | 29,1 | 3 | 1,7 | 29 | 15,9 | 21 | 11,5 | |
| Parda | 108 | 59,3 | 14 | 7,7 | 63 | 34,6 | 31 | 17,0 | |
| Escolaridade | 0,105 | ||||||||
| Ensino fundamental | 73 | 40,1 | 5 | 2,8 | 43 | 23,6 | 25 | 13,7 | |
| Ensino médio | 78 | 42,9 | 11 | 6,0 | 38 | 20,9 | 29 | 15,9 | |
| Superior ou acima | 31 | 17,0 | 3 | 1,7 | 23 | 12,6 | 5 | 2,8 | |
| Trabalho | 0,602 | ||||||||
| Autonôma | 38 | 20,9 | 2 | 1,1 | 24 | 13,2 | 12 | 6,6 | |
| Empregada (CLT, não CLT, servidora pública) | 42 | 23,1 | 6 | 3,3 | 25 | 13,7 | 11 | 6,0 | |
| Não trabalha | 102 | 56,0 | 11 | 6,0 | 55 | 30,2 | 36 | 19,8 | |
| Renda (1 salário mínimo) | 0,695 | ||||||||
| ≤1 | 158 | 86,8 | 17 | 9,3 | 88 | 48,4 | 53 | 29,1 | |
| >1 e <3 | 11 | 6,0 | 1 | 0,6 | 6 | 3,3 | 4 | 2,2 | |
| ≥3 E <6 | 13 | 7,1 | 1 | 0,6 | 10 | 5,5 | 2 | 1,1 | |
| Plano de saúde | 1,000 | ||||||||
| Não | 180 | 98,9 | 19 | 10,4 | 103 | 56,6 | 58 | 31,9 | |
| Sim | 2 | 1,1 | 0 | 0,00 | 1 | 0,6 | 1 | 0,6 | |
| Total | 182 | 100,0 | 19 | 10,4 | 104 | 57,1 | 59 | 32,4 | |
Fonte: Elaboração da autora.
Observou-se a prevalência dos sintomas climatéricos de 100%, indicando que todas as participantes da pesquisa apresentaram algum tipo de sintoma. Já a intensidade dos sintomas variou entre leve, moderada e intensa.
Os sintomas climatéricos apresentaram-se, predominantemente, com intensidade leve (57,1%; n = 104), seguida das classificações moderada (32,4%; n = 59) e intensa (10,4%; n = 19), segundo a Escala de Greene. De modo geral, os escores variaram de 0 a 50 pontos, com mediana de 14,0 (Q1 = 8,0; Q3 = 22,0).
Em relação às diferenças entre os grupos, observou-se que o grupo com sintomatologia leve apresentou mediana de 9,0 (Q1 = 4,0; Q3 = 12,8), enquanto o grupo com sintomatologia moderada apresentou mediana de 21,0 (Q1 = 17,0; Q3 = 26,0) e o grupo com sintomatologia intensa, mediana de 39,0 (Q1 = 34,0; Q3 = 47,0).
Para verificar a existência de diferenças significativas entre as pontuações dos grupos, realizou-se o teste de Kruskal-Wallis, que indicou significância estatística (p < 0,001) e grande magnitude de efeito (Ɛ² = 0,756). Nos testes post hoc de Dunn, constatou-se que todos os grupos diferiram entre si (p < 0,001), conforme apresentado na Figura 1. Diante desses achados, procedeu-se à análise de associação, com o objetivo de identificar as características mais relevantes que pudessem justificar as diferenças evidenciadas entre as participantes.
Figura 1. Caracterização da intensidade dos sintomas depressivos. Pindaré Mirim, Maranhão, Brasil, 2025
As mulheres com diagnóstico de depressão (p = 0,004), ansiedade (p < 0,001) e asma ou bronquite (p = 0,040) apresentaram associação estatisticamente significativa com a sintomatologia climatérica. No caso da depressão, embora a maioria das participantes não apresentasse esse diagnóstico (91,2%; n = 166), observou-se, entre elas, maior proporção de sintomatologia leve (54,4%; n = 99). Entre as 16 mulheres com depressão (8,8%), seis (3,3%) apresentaram sintomas intensos, evidenciando concentração proporcionalmente mais elevada nessa categoria. Padrão semelhante foi identificado em relação à ansiedade: das 163 mulheres sem o diagnóstico (89,6%), 54,4% apresentaram sintomas leves (n = 99), enquanto, entre as 19 com ansiedade (10,4%), oito (4,4%) apresentaram sintomatologia intensa.
Quanto à asma ou bronquite, condição ausente na maior parte da amostra (97,3%; n = 177), verificou-se que, entre essas participantes, 103 (56,6%) apresentaram sintomas leves. Por outro lado, entre as cinco mulheres com o diagnóstico (2,7%), observou-se maior proporção relativa de sintomas moderados e intensos.
Os demais antecedentes pessoais não apresentaram associação estatisticamente significativa com a sintomatologia climatérica. Entre essas variáveis, observou-se que a maioria das participantes não referia dislipidemia (76,4%; n = 139), doença osteoarticular (86,8%; n = 158) ou prática regular de atividade física (65,4%; n = 119). Ademais, nenhuma havia sido submetida à ooforectomia bilateral.
Tabela 2. Antecedentes pessoais e associação com sintomatologia climatérica. Pindaré Mirim, Maranhão, Brasil, 2025
Sintomatologia | |||||||||
Leve | Moderado | Intenso | |||||||
Variável | n | % | n | % | n | % | n | % | p |
Possui problema de colesterol? | 0,814 | ||||||||
Não | 139 | 76,4 | 78 | 42,9 | 47 | 25,8 | 14 | 7,7 | |
Sim | 43 | 23,6 | 26 | 14,3 | 12 | 6,6 | 5 | 2,7 | |
Possui diagnóstico de depressão? | 0,004 | ||||||||
Não | 166 | 91,2 | 99 | 54,4 | 54 | 29,7 | 13 | 7,1 | |
Sim | 16 | 8,8 | 5 | 2,7 | 5 | 2,7 | 6 | 3,3 | |
Possui diagnóstico de ansiedade? | <0,001 | ||||||||
Não | 163 | 89,6 | 99 | 54,4 | 53 | 29,1 | 11 | 6,0 | |
Sim | 19 | 10,4 | 5 | 2,7 | 6 | 3,3 | 8 | 4,4 | |
Possui doença osteoarticular, tais como artrite, artrose e osteoporose? | 0,762 | ||||||||
Não | 158 | 86,8 | 92 | 50,5 | 50 | 27,5 | 16 | 8,8 | |
Sim | 24 | 13,2 | 12 | 6,6 | 9 | 4,9 | 3 | 1,6 | |
Possui diagnóstico de asma ou bronquite? | 0,040 | ||||||||
Não | 177 | 97,3 | 103 | 56,6 | 57 | 31,3 | 17 | 9,3 | |
Sim | 5 | 2,7 | 1 | 0,5 | 2 | 1,1 | 2 | 1,1 | |
Prática alguma atividade física? | 0,263 | ||||||||
Não | 119 | 65,4 | 73 | 40,1 | 34 | 18,7 | 12 | 6,6 | |
Sim | 63 | 34,6 | 31 | 17,0 | 25 | 13,7 | 7 | 3,8 | |
Realizou ooforectomia bilateral prévia? | |||||||||
Não | 182 | 100,0 | 104 | 57,1 | 59 | 32,4 | 19 | 10,4 | |
Sim | 0 | 0,0 | 0 | 0,0 | 0 | 0,0 | 0 | 0,0 | |
Total | 182 | 100,0 | 104 | 57,1 | 59 | 32,4 | 19 | 10,4 | |
Fonte: Elaboração da autora.
No que se refere aos antecedentes ginecológicos, observou-se padrão heterogêneo quanto à sintomatologia climatérica. A maioria das participantes apresentou menarca entre 12 e 14 anos (58,2%; n = 106), não possuía histórico de abortos (65,9%; n = 120) e referiu ter um a dois filhos (46,7%; n = 85). Quanto ao passado cirúrgico, constatou-se que a não realização prévia de histerectomia (99,5%; n = 181) e de perineoplastia (97,3%; n = 177) foi predominante (Tabela 3).
O número de gestações, contudo, apresentou associação estatisticamente significativa (p = 0,041). Observou-se que mulheres com até duas gestações concentraram maior proporção de sintomas leves, especialmente entre aquelas com uma a duas gestações (35,7%; n = 65), das quais 42 apresentaram sintomatologia leve (23,1%). Por sua vez, as participantes com três ou mais gestações evidenciaram distribuição mais dispersa entre sintomas moderados e intensos. No grupo com três a quatro gestações (40,7%; n = 74), 39 mulheres apresentaram sintomas moderados (21,4%), enquanto, entre aquelas com cinco ou mais gestações (17,0%; n = 31), seis manifestaram sintomas intensos (3,3%). Esse padrão indica redução proporcional da ocorrência de sintomas leves à medida que aumenta o número de gestações.
A autopercepção da saúde também apresentou associação estatisticamente significativa com a sintomatologia (p = 0,003). As mulheres que classificaram sua saúde como ruim (18,1%; n = 33) evidenciaram maior proporção de sintomas moderados (7,7%) e intensos (4,4%). Em contrapartida, aquelas que avaliaram sua condição como boa (76,9%; n = 140) concentraram a maior parte dos casos de sintomatologia leve (48,4%; n = 88).
Tabela 3. Antecedentes ginecológicos e associação com sintomatologia climatérica. Pindaré Mirim, Maranhão, Brasil, 2025
Sintomatologia | |||||||||
Leve |
| Moderado | Intenso | ||||||
Variável | n | % | n | % | N | % | n | % | p |
Idade da menarca (em anos) | 0,917 | ||||||||
9-11 | 31 | 17,0 | 16 | 8,8 | 11 | 6,0 | 4 | 2,2 | |
12-14 | 106 | 58,2 | 63 | 34,6 | 32 | 17,6 | 11 | 6,0 | |
15-17 | 45 | 24,7 | 25 | 13,7 | 16 | 8,8 | 4 | 2,2 | |
Nº de gestações | 0,041 | ||||||||
Nenhuma | 12 | 6,6 | 7 | 3,8 | 4 | 2,2 | 1 | 0,5 | |
1 a 2 | 65 | 35,7 | 42 | 23,1 | 14 | 7,7 | 9 | 4,9 | |
3 a 4 | 74 | 40,7 | 39 | 21,4 | 32 | 17,6 | 3 | 1,6 | |
5 ou mais | 31 | 17,0 | 16 | 8,8 | 9 | 4,9 | 6 | 3,3 | |
Nº de abortos | 0,177 | ||||||||
Nenhum | 120 | 65,9 | 73 | 40,1 | 37 | 20,3 | 10 | 5,5 | |
1-2 | 53 | 29,1 | 28 | 15,4 | 19 | 10,4 | 6 | 3,3 | |
3-4 | 9 | 4,9 | 3 | 1,6 | 3 | 1,6 | 3 | 1,6 | |
Nº de filhos | 0,699 | ||||||||
Nenhum | 12 | 6,6 | 7 | 3,8 | 4 | 2,2 | 1 | 0,5 | |
1-2 filhos | 85 | 46,7 | 51 | 28,0 | 24 | 13,2 | 10 | 5,5 | |
3-4 filhos | 66 | 36,3 | 34 | 18,7 | 24 | 13,2 | 8 | 4,4 | |
5 ou mais | 19 | 10,4 | 12 | 6,6 | 7 | 3,8 | 0 | 0,0 | |
Realizou histerectomia prévia | 0,104 | ||||||||
Não | 181 | 99,5 | 104 | 57,1 | 59 | 32,4 | 18 | 9,9 | |
Sim | 1 | 0,5 | 0,0 | 0,0 | 1 | 0,5 | |||
Perineoplastia prévia | 0,279 | ||||||||
Não | 177 | 97,3 | 99 | 54,4 | 59 | 32,4 | 19 | 10,4 | |
Sim | 5 | 2,7 | 5 | 2,7 | 0,0 | 0 | 0,0 | ||
Autopercepção da saúde | 0,003 | ||||||||
Ruim | 33 | 18,1 | 11 | 6,0 | 14 | 7,7 | 8 | 4,4 | |
Boa | 140 | 76,9 | 88 | 48,4 | 43 | 23,6 | 9 | 4,9 | |
Ótima | 9 | 4,9 | 5 | 2,7 | 2 | 1,1 | 2 | 1,1 | |
Total | 182 | 100,0 | 104 | 57,1 | 59 | 32,4 | 19 | 10,4 | |
Fonte: Elaboração da autora.
Os achados apresentados na Tabela 4 indicam que as características relacionadas à menopausa não apresentaram associação estatisticamente significativa com a sintomatologia climatérica. A maioria das participantes encontrava-se em menopausa (65,4%; n = 119). Entre essas mulheres, observaram-se dois padrões predominantes: parcela expressiva relatou estar nesse período há dez anos ou mais (30,8%; n = 56), e a faixa etária de início mais frequente situou-se entre 40 e 49 anos (37,9%; n = 69).
Tabela 4. Menopausa e associação com sintomatologia climatérica. Pindaré Mirim, Maranhão, Brasil, 2025
Sintomatologia | |||||||||
Leve | Moderado | Intenso | |||||||
Variável | n | % | n | % | n | % | n | % | p |
Está na menopausa? | 0,319 | ||||||||
Não | 63 | 34,6 | 37 | 20,3 | 17 | 9,3 | 9 | 4,9 | |
Sim | 119 | 65,4 | 67 | 36,8 | 42 | 23,1 | 10 | 5,5 | |
Se está, tem quanto tempo? | 0,379 | ||||||||
10 ou mais | 56 | 30,8 | 38 | 20,9 | 14 | 7,7 | 4 | 2,2 | |
1-5 anos | 41 | 22,5 | 20 | 11,0 | 18 | 9,9 | 3 | 1,6 | |
6-10 anos | 22 | 12,1 | 9 | 4,9 | 10 | 5,5 | 3 | 1,6 | |
Não se aplica | 63 | 34,6 | 37 | 20,3 | 17 | 9,3 | 9 | 4,9 | |
Idade do início da menopausa: | 1,000 | ||||||||
30-39 anos | 21 | 11,5 | 12 | 6,6 | 7 | 3,8 | 2 | 1,1 | |
40-49 anos | 69 | 37,9 | 38 | 20,9 | 25 | 13,7 | 6 | 3,3 | |
50-59 anos | 29 | 15,9 | 17 | 9,3 | 10 | 5,5 | 2 | 1,1 | |
Não se aplica | 63 | 34,6 | 37 | 20,3 | 17 | 9,3 | 9 | 4,9 | |
Total | 182 | 100,0 | 104 | 57,1 | 59 | 32,4 | 19 | 10,4 | |
Nota: Durante o teste estatístico, a categoria ‘Não se aplica’ foi desconsiderada.
Fonte: Elaboração da autora.
4. DISCUSSÃO
Durante a pesquisa, foram investigados os sintomas mais prevalentes associados ao climatério. As participantes relataram a ocorrência de pelo menos um dos sintomas avaliados, cuja intensidade apresentou variações conforme o tempo de manifestação, considerando-se o período de surgimento dos sintomas, bem como as alterações observadas com o avanço da idade.
No contexto brasileiro, estudo conduzido com o objetivo de avaliar a qualidade de vida no climatério de enfermeiras da Atenção Primária à Saúde, com idades entre 40 e 65 anos, no município de Recife-PE, identificou que as profissionais mais jovens, na faixa de 40 a 49 anos, apresentaram melhor qualidade de vida nos domínios psicológico, meio ambiente e geral. Tal resultado foi atribuído ao fato de que, nesse grupo, o processo de falência ovariana se encontra em fase inicial e, portanto, os níveis de estrogênio ainda não são acentuadamente reduzidos, o que pode explicar a menor sintomatologia climatérica em comparação às demais faixas etárias, especialmente entre 50 e 59 anos (Albuquerque et al., 2019).
Entretanto, mulheres autodeclaradas brancas apresentaram melhores resultados em quase todos os domínios avaliados, a saber, sociais, demográficos, econômicos e clínicos, sendo que, de modo geral, a diferença aproximou-se do nível de significância estatística (p = 0,05). No que se refere à cor da pele, as mulheres não brancas, pardas e negras, apresentaram pior qualidade de vida em todos os domínios, evidenciando tendência consistente de desigualdade nos respectivos indicadores. O trecho evidencia a presença de desigualdades raciais na qualidade de vida durante o climatério, ao destacar que mulheres autodeclaradas brancas obtiveram resultados superiores nos domínios econômicos, demográficos, sociais e clínicos. O estudo sugere que esse grupo apresenta, em média, condições estruturais mais favoráveis, como maior renda, melhor escolaridade, maior acesso aos serviços de saúde e melhores condições de moradia; tais fatores influenciam diretamente a percepção e o enfrentamento dos sintomas climatéricos (Albuquerque et al., 2019).
Nesse sentido, estudo realizado com 516 mulheres, com idades entre 41 e 60 anos, usuárias de serviços de saúde na Voivodia de Lubelskie, Polônia, teve como objetivo determinar se a autoeficácia atua como moderadora na relação entre a gravidade dos sintomas da menopausa e a satisfação com a vida. Diversos sintomas do climatério podem afetar significativamente o bem-estar das mulheres e o funcionamento do organismo. Consequentemente, a percepção de satisfação com a vida e a qualidade de vida sofrem alterações durante esse período. A melhora nos escores de sintomatologia no climatério pode ser atribuída a fatores como maior estabilidade financeira, aumento da renda e fortalecimento das redes de apoio social nessa fase, elementos que contribuem para percepção mais favorável por parte desse grupo (Bién et al., 2024).
Na sequência, pesquisa realizada com o objetivo de identificar os perfis sociodemográficos, obstétricos, ginecológicos, de saúde e os hábitos de vida de mulheres climatéricas atendidas na rede básica de saúde, residentes nas zonas Leste, Norte e Sul de um município do interior do estado de São Paulo, com idades entre 45 e 60 anos, apresentou resultados referentes à escolaridade. Observou-se que a maioria das participantes possuía ensino médio completo ou ensino fundamental incompleto, diferindo parcialmente da realidade brasileira, na qual predomina o ensino fundamental incompleto (29,6%) entre mulheres com 25 anos ou mais, enquanto apenas 3,8% das brasileiras nessa faixa etária apresentavam ensino médio incompleto em 2016. O estudo também identificou que o baixo nível de escolaridade associou-se a escores mais elevados de sintomas psicológicos, como ansiedade e depressão, sugerindo que fatores socioeducacionais podem influenciar significativamente a saúde mental no climatério. Assim, a escolaridade, enquanto determinante social da saúde, pode impactar as condições de trabalho, o acesso à informação, à renda e aos serviços de saúde, contribuindo para maior vulnerabilidade psicológica (Santos et al., 2022).
Santos et al. (2022) identificaram a predominância de participantes sem plano de saúde privado, achado que reflete a realidade brasileira descrita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cujos dados de 2013 apontam que apenas 31% das pessoas entre 40 e 59 anos possuíam plano de saúde médico ou odontológico. Esse resultado evidencia que a maior parte da população nessa faixa etária, correspondente ao período de transição climatérica, depende do sistema público de saúde para diagnóstico, acompanhamento e tratamento. No contexto do climatério, tal dependência do Sistema Único de Saúde (SUS) torna-se particularmente relevante, considerando que essa fase demanda acompanhamento longitudinal e integral para avaliação de sintomas vasomotores, alterações psicológicas, queixas urogenitais e rastreamento de doenças crônicas não transmissíveis, com destaque para hipertensão, diabetes e osteoporose. A predominância de usuárias do SUS no presente estudo reforça o papel estratégico da Atenção Primária à Saúde como porta de entrada para a identificação precoce dos sintomas climatéricos, orientação quanto a mudanças no estilo de vida e, quando necessário, encaminhamento para terapias específicas.
Cabe ressaltar que dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), referentes a 2013, demonstram que 78% das mulheres realizaram consulta médica nos últimos 12 meses na Atenção Primária à Saúde, com maior frequência na faixa etária de 40 a 59 anos (73,5%). Esses números indicam que mulheres em idade climatérica tendem a procurar mais os serviços de saúde, o que configura oportunidade para o rastreamento de fatores de risco, o desenvolvimento de ações educativas e a implementação de intervenções voltadas à promoção da qualidade de vida nessa fase. Assim, considerando que parcela expressiva das mulheres climatéricas depende do Sistema Único de Saúde (SUS), reforça-se a relevância dos princípios da universalidade, equidade e integralidade que orientam o sistema público brasileiro, especialmente para assegurar cuidado humanizado, contínuo e multiprofissional durante a transição climatérica (Santos et al., 2022).
No contexto brasileiro, estudo realizado em São Luís, no estado do Maranhão, Região Nordeste, teve como objetivo avaliar a prevalência da Síndrome Climatérica (SC) em mulheres do município, com amostra de 1.210 participantes entre 45 e 60 anos de idade. Observou-se prevalência de 77,8% de sintomas vasomotores, com ocorrência de fogachos em 56,4% e sudorese intensa em 50,4% das mulheres avaliadas, conforme descrito por Malheiros et al. (2014). Esses achados reafirmam a magnitude e a relevância clínica das manifestações vasomotoras no climatério, particularmente em contextos de maior vulnerabilidade social.
Além disso, estudo realizado por Yuksel et al. (2025) teve como objetivo avaliar a prevalência de sintomas vasomotores (SVM) pós-menopáusicos e o impacto desses sintomas, bem como dos padrões de tratamento a eles relacionados, em mulheres canadenses na perimenopausa e na pós-menopausa, com idades entre 40 e 65 anos. Os autores identificaram prevalência de SVM moderados a graves em 14,7% das mulheres na pós-menopausa, associada à redução da qualidade de vida, da produtividade no trabalho, das atividades diárias e do sono em mulheres na perimenopausa e na pós-menopausa. Tais manifestações impactam significativamente múltiplas dimensões da vida das mulheres climatéricas, incluindo alterações do humor, como depressão e ansiedade, prejuízos na qualidade do sono e redução da produtividade laboral, sobretudo na ausência de suporte terapêutico e de acompanhamento clínico adequado. Esses efeitos ressaltam a necessidade de reconhecimento precoce e de manejo integral dos sintomas climatéricos nos serviços de saúde, com vistas à mitigação de seus impactos funcionais, emocionais e sociais.
Estudo realizado por Yong et al. (2025) teve como objetivo investigar a prevalência e a gravidade dos sintomas da menopausa em mulheres chinesas de 40 a 60 anos, bem como fornecer evidências para o desenvolvimento de estratégias personalizadas de gestão da saúde. Entre os sintomas psicológicos mais citados no período do climatério destacaram-se dificuldade para dormir (M = 1,18), irritabilidade (M = 1,36) e sensação de cansaço e falta de energia (M = 1,46).
Esses achados podem ser compreendidos à luz das alterações neuroendócrinas características da transição climatérica, uma vez que o declínio progressivo dos níveis de estrogênio interfere na regulação de neurotransmissores, como serotonina e noradrenalina, diretamente relacionados ao sono, ao humor e à estabilidade emocional. A insônia, por exemplo, pode estar associada tanto às flutuações hormonais quanto à presença de sintomas vasomotores noturnos, como sudorese e ondas de calor, que fragmentam o sono e contribuem para a fadiga diurna. A irritabilidade e a sensação persistente de cansaço também podem relacionar-se a fatores biopsicossociais, incluindo demandas profissionais e familiares, estresse crônico e percepção negativa da imagem no processo de envelhecimento. Ademais, a fadiga pode resultar da má qualidade do sono, estabelecendo ciclo de retroalimentação entre insônia, exaustão e instabilidade emocional (Gombert et al., 2025).
De acordo com estudos recentes de Oliveira et al. (2024), referentes à Diretriz Brasileira sobre a Saúde Cardiovascular no Climatério e na Menopausa, o documento tem como objetivo discutir, consolidar e orientar práticas de prevenção e manejo da saúde cardiovascular em mulheres durante o climatério e a menopausa, com base em evidências científicas. O trabalho não descreve população primária examinada diretamente, como ocorre em estudos de campo; ao contrário, sistematiza evidências disponíveis na literatura acerca de mulheres em fase de climatério e pós-menopausa, com enfoque em aspectos cardiovasculares, incluindo sintomas vasomotores, alterações metabólicas, risco de doenças cardiovasculares e implicações clínicas.
Em relação ao climatério, fatores desencadeantes, como a conscientização do envelhecimento, dificuldades nos relacionamentos, conflitos conjugais, mudanças de carreira, transformações na aparência física, adoecimento pessoal e sobrecarga familiar, podem corroborar sentimentos de tristeza, menos-valia, medo, frustração e insuficiência, frequentemente associados a síndromes depressivas e ansiosas. Do ponto de vista fisiológico, a instabilidade hormonal associa-se à ativação do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal e do sistema nervoso autônomo, levando ao aumento dos níveis de cortisol e catecolaminas e a alterações da homeostase, que podem resultar em maior reatividade ao estresse e pior adaptação emocional. Esse mecanismo contribui para o agravamento de sintomas psicológicos, especialmente em mulheres com maior vulnerabilidade emocional (Oliveira et al., 2024).
No Departamento de Pneumologia do Hospital Charles Nicolle, na cidade de Túnis, desenvolveu-se investigação com mulheres entre 18 e 50 anos, com o propósito de avaliar as características clínicas e funcionais da asma em mulheres na pós-menopausa, comparando-as àquelas em idade reprodutiva, a fim de identificar particularidades relacionadas ao período menopausal. Entre os achados, verificou-se que a asma teve início após os 40 anos em 2,7% dos casos, sendo 1,1% classificados com sintomatologia moderada a grave. À luz da literatura, a asma configura-se como doença inflamatória crônica multifatorial dos brônquios, com prevalência crescente em âmbito mundial. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), aproximadamente 300 milhões de pessoas vivem com a doença no mundo e, na idade adulta, observa-se predominância no sexo feminino. Ademais, as alterações hormonais nas mulheres, especialmente durante o climatério, podem repercutir de forma significativa na função respiratória, aumentando o risco de doenças respiratórias crônicas ou exacerbando condição preexistente (Zaibi et al., 2020).
Os dados provenientes da pesquisa de Bjelland et al. (2018), realizada na Noruega com mulheres entre 48 e 71 anos, tiveram como objetivo investigar a associação entre a idade da menarca, definida como a primeira menstruação, e a idade da menopausa natural. No que se refere aos antecedentes ginecológicos, observou-se padrão heterogêneo em relação à sintomatologia climatérica, indicando que os sintomas não ocorreram de forma uniforme entre as participantes avaliadas. As evidências sugerem que a idade da menarca constitui forte indicador da duração do período reprodutivo feminino, embora apresente fraca associação direta com a idade da menopausa.
Os resultados indicaram que mulheres com três partos apresentaram a maior média de idade na menopausa, correspondente a 51,36 anos (IC 95%: 51,33–51,40), enquanto aquelas sem partos apresentaram a menor média, de 50,55 anos (IC 95%: 50,48–50,62). Ainda nesse contexto, mulheres nulíparas demonstraram maior razão de risco para atingir o climatério ou a menopausa quando comparadas às que tiveram três partos, evidenciando que a paridade pode exercer efeito protetor quanto ao momento de ocorrência do climatério ou da menopausa. Tal achado possivelmente se relaciona à menor exposição ovulatória cumulativa ao longo da vida, contribuindo para o retardo desse evento (Gottschalk et al., 2022).
Sánchez et al. (2022), avaliaram a qualidade de vida das participantes por meio da Escala Cervantes, instrumento específico para a mensuração da qualidade de vida relacionada à saúde em mulheres climatéricas. A escala é composta por 31 itens distribuídos em quatro domínios: menopausa e saúde, psicológico, sexualidade e relação de casal. O instrumento possibilita avaliação multidimensional do impacto das modificações hormonais e da sintomatologia climatérica sobre aspectos emocionais, físicos e relacionais da vida da mulher. O estudo confirmou que 45% das participantes apresentaram comprometimento leve da qualidade de vida em decorrência dos sintomas climatéricos. Destaca-se que 15% das mulheres apresentaram comprometimento grave, evidenciando que, mesmo diante de predominância de sintomas leves e moderados, parcela significativa vivência impactos relevantes em seu bem-estar.
Esses achados indicam que as repercussões da transição do climatério/menopausa ultrapassam os aspectos estritamente biológicos, alcançando dimensões conjugais e afetivas. As alterações hormonais, especialmente a redução do estrogênio, podem contribuir para sintomas como diminuição da libido e ressecamento vaginal, ocasionando desconforto nas relações sexuais, o que impacta diretamente a satisfação sexual e a dinâmica conjugal. Ademais, crenças e fatores culturais relacionados ao envelhecimento e à sexualidade feminina, bem como a qualidade prévia do relacionamento, podem intensificar tais percepções negativas. Desse modo, os resultados corroboram a literatura ao evidenciar que a fase do climatério/menopausa constitui um evento biopsicossocial no qual aspectos corporais, emocionais e relacionais se inter-relacionam, influenciando significativamente a qualidade de vida das mulheres nesse período do ciclo vital, conforme discutido por Sánchez et al. (2022).
Este estudo apresenta algumas limitações que devem ser consideradas na interpretação dos resultados. A coleta de dados baseada em autorrelato pode estar sujeita a vieses de memória ou interpretação das participantes. Outro aspecto refere-se ao delineamento transversal do estudo, que não permite estabelecer relações de causalidade entre os fatores analisados. Apesar dessas limitações, os resultados obtidos contribuem para a compreensão dos sinais e sintomas das mulheres no climatério no contexto da Atenção Primária à Saúde.
5. CONCLUSÃO
O presente estudo permitiu alcançar os objetivos propostos, uma vez que, observou-se sintomatologia climatérica em todas as mulheres estudadas, com predominância de sintomas leves, seguidos por moderados e intensos, evidenciando que, embora muitas mulheres apresentaram manifestações de menor intensidade, destaca-se uma parcela significativa que vivenciam sintomas que podem impactar sua qualidade de vida.
Os achados corroboram a literatura discutida, ao demonstrar que o climatério é uma fase marcada por alterações hormonais, física e psicossocial, importantes que requerem atenção dos serviços de saúde, especialmente no âmbito da Atenção Primária, onde o cuidado longitudinal e contínuo favorece a identificação precoce e o manejo adequado desses sintomas.
Por fim, destaca-se a importância da atuação da equipe de saúde, em especial da enfermagem, no acolhimento, acompanhamento e implementação de ações educativas voltadas às mulheres no climatério, contribuindo para a promoção da saúde e melhoria da qualidade de vida.
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1 Mestra em Saúde da Família pela Rede Nordeste de Formação em Saúde da Família (RENASF), Universidade Federal do Maranhão (UFMA). E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail
2 Doutorado em Enfermagem e Saúde Pública pela Universidade de São Paulo. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail
3 Doutorado em Enfermagem pela Universidade Federal do Ceará. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail
4 Doutorado em Enfermagem pela Universidade Federal do Maranhão. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail
5 Mestre em Enfermagem pela Universidade Federal do Maranhão. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail