REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/779214444
RESUMO
Introdução: A polimedicação caracteriza-se pelo uso simultâneo de múltiplos medicamentos e apresenta elevada prevalência entre a população idosa, principalmente devido ao aumento das doenças crônicas associadas ao envelhecimento populacional. O uso excessivo de medicamentos pode ocasionar interações medicamentosas, reações adversas, quedas, hospitalizações e redução da adesão terapêutica, comprometendo a qualidade de vida e a segurança do paciente idoso. Objetivo geral: O presente estudo teve como objetivo analisar as evidências científicas sobre as principais implicações da polimedicação na saúde da população idosa. Método: Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, de abordagem qualitativa e caráter descritivo, realizada nas bases de dados Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), PubMed, SciELO e LILACS. Foram incluídos artigos completos publicados entre 2016 e 2026, nos idiomas português, inglês e espanhol.Resultados:Os resultados evidenciaram associação entre polimedicação, multimorbidade e aumento de eventos adversos, principalmente em idosos com hipertensão arterial, diabetes mellitus e doenças cardiovasculares. Além disso, intervenções multiprofissionais demonstraram impacto positivo na promoção do uso racional de medicamentos. Discussão: A polimedicação em idosos está frequentemente associada a multimorbidades e doenças crônicas, como hipertensão e diabetes. Esse uso simultâneo de vários medicamentos aumenta o risco de interações medicamentosas, reações adversas, hospitalizações e piora da qualidade de vida. Também é comum o uso de fármacos potencialmente inapropriados, o que eleva a vulnerabilidade dessa população. Nesse contexto, intervenções multiprofissionais são importantes para reduzir riscos e promover maior segurança no uso de medicamentos. Conclusão: Conclui-se que a polimedicação em idosos exige acompanhamento contínuo e atuação interdisciplinar, visando à segurança medicamentosa e à melhoria da qualidade de vida.
Palavras-chave: Polifarmácia; Saúde do Idoso; Segurança do Paciente; Enfermagem; Uso Racional de Medicamentos.
ABSTRACT
Introduction: Polypharmacy is characterized by the simultaneous use of multiple medications and has a high prevalence among the elderly population, mainly due to the increase in chronic diseases associated with population aging. Excessive medication use may lead to drug interactions, adverse reactions, falls, hospitalizations, and reduced treatment adherence, compromising the quality of life and safety of elderly patients. General objective: This study aimed to analyze the scientific evidence regarding the main implications of polypharmacy on the health of the elderly population. Method: This is an integrative literature review with a qualitative and descriptive approach, conducted in the databases Virtual Health Library (VHL), PubMed, SciELO, and LILACS. Full-text articles published between 2016 and 2026 in Portuguese, English, and Spanish were included. Results: The findings showed an association between polypharmacy, multimorbidity, and an increase in adverse events, especially among elderly individuals with hypertension, diabetes mellitus, and cardiovascular diseases. In addition, multidisciplinary interventions demonstrated a positive impact on promoting the rational use of medications. Discussion: Polypharmacy in older adults is frequently associated with multimorbidity and chronic diseases such as hypertension and diabetes. The simultaneous use of several medications increases the risk of drug interactions, adverse reactions, hospitalizations, and worsening quality of life. The use of potentially inappropriate medications is also common, increasing the vulnerability of this population. In this context, multidisciplinary interventions are important to reduce risks and promote greater safety in medication use. Conclusion: It is concluded that polypharmacy in older adults requires continuous monitoring and interdisciplinary care, aiming at medication safety and improvement in quality of life.
Keywords: Polypharmacy; Health of the Elderly; Patient Safety; Nursing; Rational Use of Medicines.
1. INTRODUÇÃO
O envelhecimento populacional vem crescendo de forma significativa nas últimas décadas, tornando-se um importante desafio para os serviços de saúde. Com o avanço da idade, ocorre um aumento na prevalência de doenças crônicas, como hipertensão arterial, diabetes mellitus e doenças cardiovasculares, favorecendo a utilização contínua de medicamentos pela população idosa. Nesse contexto, a polimedicação, geralmente caracterizada pelo uso simultâneo de quatro ou mais medicamentos, tornou-se uma prática frequente entre idosos (SILVA et al., 2020).
A escolha do tema justifica-se pela relevância da polimedicação como um problema crescente de saúde pública, devido aos impactos negativos que pode ocasionar na saúde da população idosa. Além disso, a temática desperta interesse científico e profissional, especialmente na área da Enfermagem, considerando a necessidade de promoção do uso racional de medicamentos e da segurança do paciente.
Estudos recentes apontam que a polimedicação está associada a importantes consequências clínicas, como interações medicamentosas, reações adversas, internações hospitalares e redução da adesão terapêutica. Tais fatores comprometem diretamente a qualidade de vida, a autonomia e a funcionalidade da pessoa idosa, tornando-a mais vulnerável a complicações em saúde (SANTOS et al., 2021).
Além disso, observa-se que a utilização excessiva de medicamentos pode dificultar o seguimento correto do tratamento, principalmente devido à complexidade dos esquemas terapêuticos. A grande quantidade de medicamentos prescritos diariamente favorece erros na administração e uso inadequado dos fármacos, comprometendo os resultados terapêuticos e agravando as condições clínicas já existentes (COSTA et al., 2023).
Apesar da relevância da temática, ainda existem lacunas na literatura relacionadas à compreensão ampla dos impactos da polimedicação na saúde da população idosa e das estratégias voltadas à redução dos riscos associados ao uso excessivo de medicamentos. Dessa forma, torna-se necessário aprofundar as discussões acerca das implicações clínicas, funcionais e sociais decorrentes da polimedicação, visando contribuir para uma assistência mais segura e qualificada.
Diante desse cenário, surge a seguinte pergunta norteadora: “Quais são as principais implicações da polimedicação na saúde da população idosa segundo a literatura científica?”
Assim, o presente estudo tem como objetivo geral analisar as evidências científicas disponíveis sobre as principais implicações da polimedicação na saúde da população idosa.
2. METODOLOGIA
Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, de abordagem qualitativa e caráter descritivo, desenvolvida com o objetivo de analisar as evidências científicas disponíveis sobre as implicações da polimedicação na saúde da população idosa.
A revisão integrativa permite a inclusão de estudos com diferentes delineamentos metodológicos, possibilitando uma análise ampla e sistemática do conhecimento produzido sobre a temática.
Para garantir rigor metodológico, a seleção dos estudos foi conduzida com base nas recomendações adaptadas do PRISMA (Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses), especialmente nas etapas de identificação, triagem, elegibilidade e inclusão dos artigos.
2.1. Identificação do Tema e Formulação da Questão Norteadora
Inicialmente, realizou-se a definição do tema da pesquisa, considerando a relevância da polimedicação como um problema crescente de saúde pública relacionado ao envelhecimento populacional. Para a construção da questão norteadora, utilizou-se a estratégia PICo:
Tabela 01: Estratégia PICo utilizada na elaboração da pergunta norteadora
P | Idosos |
I | Polimedicação |
Co | Implicações na saúde da população idosa |
Fonte: Elaborada pelas autoras, 2026
Em seguida, foi elaborada a seguinte questão norteadora do estudo: “Quais são as principais implicações da polimedicação na saúde da população idosa segundo a literatura científica?”
2.2. Critérios de Inclusão e Exclusão
Foram definidos critérios de inclusão e exclusão para a seleção dos estudos. Serão incluídos artigos completos, originais, disponíveis gratuitamente nos idiomas português, inglês e espanhol, publicados entre os anos de 2016 e 2026, que abordem a temática da polimedicação em idosos. Serão considerados estudos disponíveis na íntegra e relacionados diretamente ao objetivo da pesquisa.
Serão excluídos artigos, duplicados, estudos incompletos, dissertações, teses e pesquisas que não estejam relacionadas diretamente à temática proposta.
2.3. Identificação e Seleção dos Estudos
A busca dos artigos foi realizada nas bases de dados Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), Scientific Electronic Library Online (SciELO), Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS) e PubMed. Para a estratégia de busca, foram utilizados os Descritores em Ciências da Saúde (DesCS): “Polimedicação, Saúde do idosos, Segurança do Paciente”, “Enfermagem” e “Uso Racional de Medicamentos”. Para ampliacção da busca nas bases internacionais, também foram utilizados os correspondentes em inglês no Medical Subject Headings (MeSH): “Polypharmacy, Health of the Elderly, Patient Safety”, “Nursing” e “Rational Use of Medicines”. Os descritores foram combinados utilizando os operadores booleano AND: “Polimedicação AND Saúde do idosos AND Segurança do Paciente AND Enfermagem AND Uso Racional de Medicamentos”.
Para garantir rigor metodológico e transparência no processo de seleção dos estudos, esta revisão integrativa seguiu as recomendações do método PRISMA (Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses). Esse método permite organizar de forma sistemática as etapas de identificação, triagem, elegibilidade e inclusão dos estudos, assegurando maior clareza e reprodutibilidade do processo de busca e seleção da literatura científica.
Dessa forma, o fluxograma (figura01) a seguir apresenta de maneira detalhada todas as etapas percorridas na seleção dos estudos incluídos nesta revisão, desde a identificação inicial nas bases de dados até a composição da amostra final analisada.
Figura 01: Fluxograma do processo de seleção dos estudos segundo o método PRISMA
Nota: Inicialmente, foram identificados 83 artigos na base de dados Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) e 5.320 na base de dados PubMed. Desses, 51 (BVS) e 5.116 (PubMed) foram excluídos por não atenderem ao recorte temporal estabelecido de 10 anos, resultando em 32 estudos na BVS e 204 na PubMed para a etapa de triagem. Não foram identificados artigos duplicados. Na fase de triagem, após leitura de títulos e resumos, foram excluídos 16 estudos da BVS e 202 da PubMed, restando 16 estudos da BVS e 2 da PubMed para avaliação de elegibilidade. Na etapa de leitura na íntegra, os 18 estudos selecionados foram analisados, sendo excluídos 5 por não apresentarem texto completo disponível e 1 por não responder à pergunta norteadora da pesquisa. Durante a etapa de elegibilidade, alguns estudos selecionados na base BVS tiveram acesso ao texto completo realizado por meio de redirecionamento para as plataformas PubMed (n = 06) e SciELO (n = 04), uma vez que essas bases disponibilizam a versão integral dos artigos. Como busca complementar, foram incluídos ainda 5 artigos provenientes do Google Acadêmico e 1 documento da Organização Mundial da Saúde (OMS), selecionados por sua relevância para a temática. Ao final do processo, foram incluídos 15 estudos na revisão integrativa, os quais compuseram a amostra final desta pesquisa.
2.4. Categorização dos Estudos Selecionados
Após a seleção dos artigos, foi utilizada a organização e categorização dos estudos por meio de uma matriz de síntese, contendo informações como autor, ano de publicação, objetivo, método, principais resultados e Nível de Evidência (Oxford Centre for Evidence-Based Medicine - OCEBM). Essa etapa possibilitará melhor visualização e comparação das evidências encontradas
2.5. Análise e Interpretação dos Resultados
Os dados extraídos foram analisados de forma descritiva e interpretativa, buscando identificar as principais implicações da polimedicação na saúde da pessoa idosa, incluindo reações adversas, interações medicamentosas, hospitalização, quedas e impactos na qualidade de vida. Os resultados foram discutidos com base na literatura científica selecionada.
2.6. Apresentação da Revisão Integrativa
Por fim, os resultados obtidos foram organizados e apresentados de forma sistematizada, permitindo a síntese do conhecimento produzido acerca da temática. Espera-se que o estudo contribua para a ampliação das discussões sobre a segurança medicamentosa e o uso racional de medicamentos na população idosa, subsidiando práticas assistenciais mais seguras e qualificadas.
3. RESULTADOS
Tabela 02: Caracterização dos estudos em relação ao Nível de evidencia, método, título, autor, ano, objetivo e principais resultados.
NÍVEL DE EVIDÊNCIA/MÉTODOD/TÍTULO/AUTOR/ANO | OBJETIVO | PRINCIPAIS RESULTADOS |
A1: Revisão Sistemática / Prevalence of multimorbidity and polypharmacy among adults and older adults: a systematic review / Nicholson K, Liu W, Fitzpatrick D, Hardacre KA, Roberts S, Salerno J, Stranges S, Fortin M, Mangin D, 2024. | Analisar a prevalência de multimorbidade e polifarmácia em adultos e idosos, além de avaliar a relação entre múltiplas doenças e o uso excessivo de medicamentos. | A revisão sistemática mostrou alta prevalência de multimorbidade e polifarmácia em adultos e idosos, principalmente na população acima de 65 anos. Os estudos apresentaram grande variação nos resultados, destacando a necessidade de critérios mais padronizados para avaliar doenças múltiplas e uso excessivo de medicamentos |
A2: Estudo experimental do tipo ensaio clínico randomizado controlado multicêntrico e pragmático / Individualized versus standardized risk assessment in patients at high risk for adverse drug reactions (IDrug) – study protocol for a pragmatic randomized controlled trial / Stingl, Julia Carolin; Kaumanns, Katharina Luise, et al., 2016 | O objetivo do estudo IDrug é investigar mais a fundo os fatores de risco de RAH individuais de pacientes de forma randomizada e controlada, em um ambiente clínico real, com pacientes idosos de | O estudo analisou o uso de medicamentos em idosos e encontrou alta prevalência de medicamentos potencialmente inapropriados e polifarmácia, associadas a maior risco de eventos adversos e pior desfecho clínico. Também destacou que fatores como idade avançada, múltiplas doenças e maior número de medicamentos aumentam a ocorrência desses problemas, reforçando a necessidade de intervenções para melhorar a segurança da prescrição em idosos. |
A3: Estudo intervencionista, longitudinal e prospectivo / Clinical impact of an interdisciplinary patient safety program for managing drug-related problems in a long-term care hospital / Ruiz-Millo, Oreto; Climente-Martí, Mónica; Galbis-Bernácer, Ana María; Navarro-Sanz, José Ramón, 2017. | Avaliar o impacto clínico de um programa interdisciplinar de melhoria da qualidade da farmacoterapia e segurança do paciente em pacientes idosos com polifarmácia admitidos em um hospitail de cuidados de longa duração (LTCH) | Foram identificados 740 problemas relacionados a medicamentos, sendo mais frequentes em idosos que recebiam cuidados domiciliares do que em casas de repouso. |
A4: Estudo observacional transversal, com abordagem quantitativa, realizado em hospital público de ensino. / Factors associated with the use of potentially inappropriate medication by elderly patients prescribed at hospital discharge / MAGALHÃES, Mariana S.; SANTOS, Fabiana S.; REIS, Adriano M. M, 2020. | Analisar a frequência de medicamentos potencialmente inadequados prescritos a pacientes idosos na alta hospitalar em um hospital público e identificar fatores associados. | Entre 255 idosos avaliados, 58,4% receberam medicamentos potencialmente inapropriados na alta hospitalar. O uso foi mais frequente em idosos com depressão e polifarmácia, enquanto pacientes internados em unidade geriátrica apresentaram menor risco dessas prescrições. |
A4: Estudo descritivo transversal / Relationship between medication safety‐related processes and medication use in residential aged care facilities / Poudel, Ramesh Sharma; Williams, Kylie A; Pont, Lisa G, 2024. | Analisar a relação entre a segurança no uso de medicamentos e a utilização de medicamentos em instituições de cuidados para idosos. | O estudo com 2.986 idosos mostrou que instituições com melhores práticas de segurança medicamentosa apresentaram menor ocorrência de polifarmácia e menor uso de benzodiazepínicos. Também houve redução no número médio de medicamentos e no uso de anticonvulsivantes e opióides entre os residentes. |
A4: Estudo transversal usando estatística descritiva e inferencial / Variations in drug-related problems detected by multidisciplinary teams in Norwegian nursing homes and home nursing care / Devik, Siri A; Olsen, Rose Mari; Fiskvik, Inger Lise; Halbostad, Terje; Lassen, Tone; Kuzina, Natalia; Enmarker, Ingela, 2018. | Descrever e comparar problemas relacionados a medicamentos (DRPs) em pessoas idosas em dois ambientes de cuidado: casas de repouso e cuidados domiciliares. | Foram identificados 740 problemas relacionados a medicamentos, sendo mais frequentes em idosos que recebiam cuidados domiciliares do que em casas de repouso. Nos cuidados domiciliares houve mais falhas na documentação e reações adversas, enquanto em asilos destacou-se a necessidade de medicamentos adicionais. |
A4: Observacional transversal. / Potenciando la seguridad clínica de nuestros mayores / Promoting clinical safety in our elderly people / Arroyo Aniés, M Pilar; Remirez Simón, Leyre; Logroño Aguinaga, Marta,2017. | Avaliar a aplicabilidade da lista MARC (Medicamentos de Alto Risco em Pacientes Crônicos) em uma população idosa para aumentar sua segurança clínica. | Entre os 237 idosos avaliados, 25% apresentaram alteração funcional e 71% utilizavam medicamentos potencialmente inadequados. O uso desses medicamentos foi maior entre os idosos com comprometimento funcional, destacando-se benzodiazepínicos, antiplaquetários e diuréticos. |
A4: Estudo descritivo e observacional transversal usando prontuários médicos / Aplicación del listado MARC a pacientes polimedicados en un Centro de Salud / Application of the HAMC list to patients with polypharmacy in a primary healthcare center / Domínguez Sánchez-Migallón, Pedro, 2017. | Saber o uso de medicamentos incluídos na Lista HAMC (Medicamentos de Alto Alerta para Pacientes com Doenças Crônicas) em pacientes de polifarmácia de um Centro de Saúde | O estudo com 266 idosos identificou alta frequência de múltiplas patologias e uso de medicamentos de risco, principalmente entre homens e pacientes multipatológicos. Os medicamentos mais utilizados foram antiplaquetários, benzodiazepínicos e hipoglicemiantes, sendo observado maior consumo de benzodiazepínicos e opioides entre as mulheres. |
A4: Estudo transversal, exploratório, de natureza avaliativa / Polypharmacy: a challenge for the primary health care of the Brazilian Unified Health System / Polifarmácia: uma realidade na atenção primária do Sistema Único de Saúde / Nascimento, Renata Cristina Rezende Macedo do; et al., 2017. | Caracterizar a polifarmácia em usuários da atenção primária e identificar fatores a ela associados | A polifarmácia foi mais frequente em idosos acima de 65 anos e esteve associada à idade avançada, presença de doenças crônicas e pior autopercepção de saúde. Os medicamentos cardiovasculares foram os mais utilizados, com maior ocorrência de polifarmácia |
A4: Estudo observacional transversal descritivo/analítico / Clinical medication reviews in elderly patients with polypharmacy: a cross-sectional study on drug-related problems in the Netherlands. Chau, Sek Hung; Jansen, Aaltje P D,et al., 2016. | Avaliar a prevalência de problemas relacionados a medicamentos em idosos com polifarmácia e a taxa de implementação das intervenções propostas, analisando como a revisão clínica de medicamentos em farmácias comunitárias contribui para identificar e resolver esses problemas na prática diária. | O estudo identificou uma mediana de dois problemas relacionados a medicamentos por paciente em idosos com polifarmácia, sendo mais frequentes o excesso de tratamento e o subtratamento. As intervenções propostas pelos farmacêuticos foram parcialmente implementadas, indicando a necessidade de critérios mais claros para melhorar a resolução desses problemas na prática clínica. |
A5: Revisão narrativa da literatura / Medication use quality and safety in older adults: 2020 update / Eshetie, Tesfahun C; Marcum, Zachary A; Schmader, Kenneth E; Gray, Shelly L, 2022. | O objetivo deste artigo foi identificar quatro artigos exemplares com esse foco em 2020. | O estudo identificou riscos relacionados à polimedicação em idosos.Também reforçou a importância de melhorar a segurança no uso de medicamentos. |
Fonte: Elaborado pelas autoras, 2026.
Após a aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, foram selecionados 11 estudos para compor a revisão integrativa, publicados entre 2016 e 2024. A maioria dos estudos apresentou delineamento observacional transversal (n=6), seguido por revisões (n=2), ensaio clínico randomizado (n=1) e estudos de intervenção ou longitudinais (n=2).
Quanto ao nível de evidência, observou-se predominância de estudos de nível IV (estudos transversais), o que demonstra que a produção científica sobre polimedicação em idosos ainda é majoritariamente observacional. Apenas um estudo apresentou nível I de evidência, correspondente a revisão sistemática, e um estudo foi classificado como nível II, representado por ensaio clínico randomizado.
A análise dos estudos evidenciou que a polimedicação em idosos está amplamente associada à multimorbidade, principalmente doenças crônicas como hipertensão arterial, diabetes mellitus e doenças cardiovasculares. A maior parte dos estudos apontou prevalência elevada de uso de múltiplos medicamentos em indivíduos acima de 65 anos.
Observou-se que os medicamentos mais frequentemente envolvidos em polimedicação pertencem às classes dos antiagregantes plaquetários, benzodiazepínicos, anti-inflamatórios não esteroides, opioides e fármacos cardiovasculares. Essas classes estão frequentemente associadas a eventos adversos e aumento do risco de hospitalização.
Além disso, os estudos demonstraram que a polimedicação está relacionada ao aumento de problemas como interações medicamentosas, reações adversas, quedas e redução da adesão ao tratamento. Em idosos com maior número de medicamentos, observou-se pior percepção de saúde e maior utilização de serviços de saúde.
Outro achado relevante foi a eficácia de intervenções multiprofissionais, como revisão de medicamentos e programas de segurança do paciente, que demonstraram potencial para reduzir problemas relacionados à farmacoterapia e melhorar a segurança do uso de medicamentos.
Por fim, os estudos reforçam que a polimedicação em idosos é um fenômeno multifatorial, que exige abordagem interdisciplinar e estratégias de monitoramento contínuo para reduzir riscos e promover o uso racional de medicamentos.
4. DISCUSSÃO
Os achados desta revisão integrativa evidenciam que a polimedicação em idosos é um fenômeno altamente prevalente e associado a importantes riscos clínicos, como interações medicamentosas, reações adversas a medicamentos, hospitalizações e redução da qualidade de vida. Esses resultados estão em consonância com a Organização Mundial da Saúde, que destaca a polimedicação como um dos principais desafios para a segurança do paciente idoso, especialmente devido ao uso simultâneo de múltiplos fármacos e ao aumento da vulnerabilidade clínica (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2019).
Observou-se que a maioria dos idosos em polimedicação apresenta multimorbidades, principalmente doenças crônicas como hipertensão arterial, diabetes mellitus e doenças cardiovasculares. Esse achado é consistente com Nicholson et al. (2024), que apontam forte associação entre multimorbidade e uso excessivo de medicamentos em indivíduos acima de 65 anos, reforçando que o aumento das doenças crônicas é um dos principais fatores determinantes da polimedicação.
Além disso, os estudos incluídos demonstraram predominância de medicamentos pertencentes a classes de maior risco, como benzodiazepínicos, antiagregantes plaquetários, opioides e anti-inflamatórios não esteroides. Segundo Magalhães et al. (2020), o uso de medicamentos potencialmente inapropriados em idosos é frequente, especialmente em contextos hospitalares, contribuindo para o aumento de eventos adversos e complicações clínicas.
Outro aspecto relevante identificado foi a associação entre polimedicação e pior estado de saúde autorreferido, maior número de internações e redução da adesão ao tratamento medicamentoso. Santos et al. (2021) destacam que esquemas terapêuticos complexos dificultam o seguimento correto da prescrição, aumentando o risco de erros de administração e comprometendo a efetividade do tratamento.
Os estudos também evidenciam que intervenções multiprofissionais, como revisão da farmacoterapia e programas de segurança do paciente, podem reduzir significativamente problemas relacionados ao uso de medicamentos. Ruiz-Millo et al. (2017) reforçam que a atuação interdisciplinar entre médicos, enfermeiros e farmacêuticos contribui para a identificação e resolução de problemas relacionados a medicamentos, promovendo maior segurança terapêutica.
Entretanto, apesar das evidências sobre a eficácia dessas intervenções, ainda há dificuldades na sua implementação de forma sistemática na prática clínica. Isso reforça a necessidade de fortalecimento das estratégias de cuidado interdisciplinar e da educação permanente dos profissionais de saúde, com foco no uso racional de medicamentos.
Dessa forma, a polimedicação em idosos deve ser compreendida como um fenômeno multifatorial, influenciado por condições clínicas, sociais e organizacionais. O enfrentamento desse problema exige estratégias integradas de cuidado, revisão periódica da farmacoterapia e fortalecimento da atenção multiprofissional, visando à redução de riscos e à promoção da segurança do paciente idoso.
5. CONCLUSÃO/CONSIDERAÇÕES FINAIS
A presente revisão integrativa permitiu compreender que a polimedicação em idosos representa um dos principais desafios contemporâneos para os serviços de saúde, devido à sua elevada prevalência e às importantes repercussões clínicas associadas ao uso simultâneo de múltiplos medicamentos. Os achados evidenciaram que esse fenômeno está intimamente relacionado à multimorbidade, especialmente à presença de doenças crônicas não transmissíveis, como hipertensão arterial sistêmica, diabetes mellitus e doenças cardiovasculares, condições frequentes no processo de envelhecimento populacional.
Os estudos analisados demonstraram que a utilização excessiva e, muitas vezes, inadequada de medicamentos aumenta significativamente o risco de interações medicamentosas, reações adversas, quedas, internações hospitalares, declínio funcional e redução da adesão terapêutica, comprometendo diretamente a qualidade de vida da população idosa. Além disso, verificou-se elevada frequência de medicamentos potencialmente inapropriados, sobretudo benzodiazepínicos, antiagregantes plaquetários, opioides e anti-inflamatórios não esteroides, classes farmacológicas fortemente associadas ao aumento da morbimortalidade em idosos.
Outro aspecto relevante identificado nesta revisão refere-se à importância das intervenções multiprofissionais no enfrentamento da polimedicação. Estratégias como revisão periódica da farmacoterapia, acompanhamento clínico sistematizado e implementação de programas de segurança do paciente demonstraram impacto positivo na redução de problemas relacionados aos medicamentos e na promoção do uso racional de fármacos. Nesse contexto, destaca-se a atuação da equipe de enfermagem, especialmente no monitoramento de sinais de reações adversas, orientação quanto ao uso correto das medicações, incentivo à adesão terapêutica e educação em saúde voltada ao idoso e seus familiares.
Ademais, os resultados reforçam a necessidade de fortalecimento das políticas públicas e das práticas assistenciais direcionadas à saúde da pessoa idosa, com foco na integralidade do cuidado e na segurança medicamentosa. Torna-se indispensável a implementação de estratégias interdisciplinares capazes de promover avaliação contínua da prescrição, prevenção de eventos adversos e individualização da terapêutica, considerando as particularidades fisiológicas e clínicas do envelhecimento.
Dessa forma, conclui-se que a polimedicação em idosos deve ser compreendida como um fenômeno multifatorial e complexo, que exige atenção permanente dos profissionais e gestores de saúde. A adoção de medidas preventivas, associada ao acompanhamento multiprofissional qualificado, mostra-se essencial para minimizar riscos, promover maior segurança terapêutica e garantir melhor qualidade de vida à população idosa.
Por fim, destaca-se a necessidade de ampliação de estudos com níveis de evidência mais robustos, capazes de subsidiar intervenções clínicas mais efetivas e fortalecer a construção de práticas assistenciais voltadas ao uso seguro e racional de medicamentos em idosos.
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1 Discente do Curso Superior Enfermagem do Centro Universitário Cesmac. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail
2 Discente do Curso Superior de Enfermagem do Centro Universitário Cesmac. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail
3 Doscente Mestra do Curso Superior de Enfermagem do Centro Universitário Cesmac. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail
4 Doscente Mestre do Curso Superior de Enfermagem do Centro Universitário Cesmac. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail