PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DA SÍNDROME DE BURNOUT EM PROFISSIONAIS DA SAÚDE NO BRASIL ENTRE 2019 A 2024

EPIDEMIOLOGICAL PROFILE OF BURNOUT SYNDROME AMONG HEALTHCARE PROFESSIONALS IN BRAZIL FROM 2019 TO 2024

REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/782173641

RESUMO
A Síndrome de Burnout, também conhecida como Síndrome do Esgotamento Profissional, é um agravo relacionado ao trabalho caracterizado pela exaustão física e emocional decorrente do estresse ocupacional crônico. Profissionais da saúde estão entre os grupos mais vulneráveis devido à sobrecarga de trabalho, elevada responsabilidade, pressão psicológica e contato constante com situações de sofrimento humano. Este estudo teve como objetivo descrever o perfil epidemiológico da Síndrome de Burnout em profissionais da saúde no Brasil entre 2019 e 2024. Trata-se de uma pesquisa epidemiológica, quantitativa, descritiva e retrospectiva, realizada com dados secundários do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), disponibilizados pelo Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS). Complementarmente, foi realizada revisão bibliográfica nas bases SciELO, LILACS e PubMed, incluindo publicações em português, inglês e espanhol. Os resultados evidenciaram crescimento progressivo das notificações, principalmente após a pandemia de COVID-19. Foram registrados 1.304 casos no período analisado, com predominância do sexo feminino, representando 60% das notificações. A faixa etária de 30 a 49 anos foi a mais acometida, correspondendo ao período de maior atividade profissional. Em relação à distribuição regional, a região Sudeste concentrou cerca de 50% das notificações, enquanto a região Nordeste apresentou a segunda maior frequência de registros. Conclui-se que a Síndrome de Burnout representa importante problema de saúde ocupacional, reforçando a necessidade de estratégias de prevenção, suporte psicológico e fortalecimento das políticas públicas voltadas à promoção da saúde mental e à melhoria das condições de trabalho.
Palavras-chave: Síndrome de Burnout; Profissionais da Saúde; Epidemiologia.

ABSTRACT
Burnout Syndrome, also known as Occupational Burnout Syndrome, is a work-related condition characterized by physical and emotional exhaustion resulting from chronic occupational stress. Healthcare professionals are among the most vulnerable groups due to work overload, high levels of responsibility, psychological pressure, and constant exposure to situations involving human suffering. This study aimed to describe the epidemiological profile of Burnout Syndrome among healthcare professionals in Brazil between 2019 and 2024. This is a quantitative, descriptive, and retrospective epidemiological study conducted using secondary data obtained from the Notifiable Diseases Information System (SINAN), made available by the Department of Informatics of the Brazilian Unified Health System (DATASUS). Additionally, a literature review was carried out using the SciELO, LILACS, and PubMed databases, including publications in Portuguese, English, and Spanish. The results showed a progressive increase in notifications, especially after the COVID-19 pandemic. A total of 1,304 cases were recorded during the analyzed period, with a predominance of females, representing 60% of all notifications. The age group between 30 and 49 years was the most affected, corresponding to the period of greatest professional activity. Regarding regional distribution, the Southeast region accounted for approximately 50% of notifications, while the Northeast region presented the second highest frequency of records. It is concluded that Burnout Syndrome represents an important occupational health problem, reinforcing the need for prevention strategies, psychological support, and the strengthening of public policies aimed at promoting mental health and improving working conditions.
Keywords: Burnout Syndrome; Healthcare Professionals; Epidemiology.

1. INTRODUÇÃO

A Síndrome de Burnout, também conhecida como Síndrome do Esgotamento Profissional, caracteriza-se como um distúrbio emocional decorrente de estresse crônico no ambiente de trabalho, manifestando-se por exaustão extrema, esgotamento físico e mental, despersonalização e redução da realização profissional. Trata-se de uma condição cada vez mais reconhecida no campo da saúde ocupacional, especialmente em profissões que exigem contato direto e contínuo com o público, alta responsabilidade e intensa pressão psicológica. Na área da saúde, o Burnout apresenta elevada incidência, afetando significativamente a qualidade de vida dos trabalhadores e a assistência prestada aos pacientes (Tibola et al 2023).

No contexto hospitalar, diversos fatores ambientais contribuem para o desenvolvimento da síndrome, como a exposição constante a riscos físicos, químicos e biológicos, a complexidade dos processos administrativos, a sobrecarga quantitativa de trabalho e as longas jornadas. Soma-se a isso o elevado número de pacientes, a insuficiência de recursos humanos e materiais e a pressão por resultados, elementos que favorecem o desgaste físico e emocional dos profissionais (Pereira et al., 2022).

A Síndrome de Burnout acomete de forma expressiva técnicos de enfermagem, enfermeiros e médicos, categorias frequentemente expostas a ambientes insalubres e a níveis elevados de estresse ocupacional. Entre os principais fatores associados ao seu desenvolvimento destacam-se o ambiente organizacional desfavorável, a sobrecarga de trabalho, o excesso de controle sobre tarefas, a falta de autonomia e as condições individuais de enfrentamento do estresse (Arruche; Mucci, 2021). Esses aspectos impactam diretamente a qualidade da assistência, podendo comprometer a segurança do paciente e a eficiência dos serviços de saúde.

Diante desse cenário, torna-se relevante compreender o panorama epidemiológico da Síndrome de Burnout entre profissionais da saúde no Brasil no período de 2019 a 2024.

O presente estudo tem como objetivo geral descrever o perfil epidemiológico sobre a Síndrome de Burnout em profissionais da área da saúde no Brasil no período de 2019 a 2024. Como objetivos específicos, busca-se conceituar a Síndrome de Burnout, identificar os principais fatores de risco que desencadeiam a síndrome nos profissionais de saúde e citar de que forma é realizado o tratamento da Síndrome de Burnout, destacando estratégias de prevenção, acompanhamento psicológico e melhoria das condições de trabalho.

A escolha do tema justifica-se pela crescente incidência da Síndrome de Burnout entre profissionais da área da saúde, gerada pela sobrecarga de trabalho, desgaste físico e emocional e a problemas relacionados à saúde mental desses trabalhadores. Além disso, a relevância social e científica da temática está relacionada à necessidade de compreender os fatores associados ao adoecimento ocupacional e seus impactos na qualidade da assistência prestada aos pacientes. Apesar do crescente reconhecimento da Síndrome de Burnout como importante agravo relacionado ao trabalho, ainda são escassos estudos epidemiológicos nacionais que avaliem a distribuição temporal e sociodemográfica dos casos notificados entre profissionais da saúde após a pandemia de COVID-19.

Nesse cenário, investigar a Síndrome de Burnout entre profissionais da saúde no Brasil revela-se fundamental para o fortalecimento das políticas públicas voltadas à saúde do trabalhador. A produção de evidências científicas possibilita orientar gestores e instituições na implementação de estratégias de suporte psicológico, reorganização dos processos de trabalho, redução da carga horária excessiva e valorização profissional. Assim, o estudo adquire relevância não apenas acadêmica, mas também social, ao contribuir para a promoção de melhores condições laborais e qualidade de vida aos trabalhadores da linha de frente do cuidado.

2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

A Síndrome de Burnout é considerada um importante problema de saúde ocupacional, principalmente entre profissionais que exercem atividades sob intensa pressão emocional. O termo Burnout refere-se ao esgotamento físico e mental causado pelo estresse contínuo relacionado ao trabalho. Na área da saúde, essa condição tornou-se cada vez mais frequente devido às exigências profissionais e à elevada responsabilidade no cuidado aos pacientes. O problema afeta diretamente a saúde física, emocional e social dos trabalhadores. Além disso, pode comprometer a qualidade dos serviços prestados à população (Treml et al., 2025).

Os profissionais da saúde estão entre os grupos mais vulneráveis ao desenvolvimento da Síndrome de Burnout. Médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e outros trabalhadores convivem diariamente com situações de sofrimento, dor e pressão psicológica. As longas jornadas de trabalho e a sobrecarga de funções favorecem o desgaste emocional constante. Muitas vezes, esses profissionais também enfrentam ambientes inadequados e falta de recursos para executar suas atividades. Esses fatores aumentam significativamente os riscos de adoecimento mental (Maciel et al., 2024).

A pandemia da COVID-19 contribuiu de forma significativa para o aumento dos casos de Burnout entre profissionais da saúde no Brasil. Durante esse período, houve crescimento da demanda hospitalar, medo da contaminação e insegurança diante das condições de trabalho. Muitos profissionais precisaram lidar com perdas de pacientes, excesso de trabalho e afastamento familiar. O cenário provocou elevados níveis de ansiedade, estresse e exaustão emocional. Dessa forma, a pandemia evidenciou a importância da saúde mental no ambiente laboral (Garcia et al., 2024).

Entre os principais sintomas da Síndrome de Burnout destacam-se a fadiga intensa, irritabilidade, dificuldade de concentração e sensação constante de esgotamento. O profissional passa a apresentar desmotivação e perda do interesse pelas atividades laborais. Em muitos casos, também ocorre isolamento social e redução da produtividade no trabalho. Esses sintomas podem evoluir para quadros mais graves, como depressão e transtornos de ansiedade. Por isso, o diagnóstico precoce é fundamental para evitar maiores prejuízos à saúde do trabalhador (Jaruche; Mucci, 2021).

Diversos fatores estão associados ao desenvolvimento da Síndrome de Burnout nos serviços de saúde. A sobrecarga de trabalho é um dos elementos mais citados na literatura científica. Além disso, a falta de reconhecimento profissional e as condições inadequadas de trabalho contribuem para o desgaste emocional. O excesso de responsabilidade e a pressão por resultados também aumentam os níveis de estresse ocupacional. Esses aspectos afetam diretamente a qualidade de vida dos profissionais da saúde (Lacerda; Neves; Wilk, 2024).

Os ambientes hospitalares são considerados locais de grande risco para o surgimento do Burnout. Isso ocorre porque os profissionais estão constantemente expostos a situações de sofrimento humano, urgência e pressão emocional. O contato frequente com pacientes graves e familiares fragilizados exige elevado equilíbrio psicológico. Somado a isso, muitas instituições apresentam déficit de profissionais e recursos insuficientes. Esse cenário favorece o aumento do cansaço físico e mental dos trabalhadores (Moraes et al., 2024).

A Síndrome de Burnout não afeta apenas os profissionais da saúde, mas também a qualidade da assistência oferecida aos pacientes. Trabalhadores emocionalmente esgotados tendem a apresentar maior risco de erros durante o atendimento. A falta de concentração e o desgaste emocional comprometem a segurança do paciente e a eficiência dos serviços. Além disso, o adoecimento dos profissionais pode aumentar os índices de afastamento e absenteísmo. Isso gera impactos negativos tanto para os trabalhadores quanto para o sistema de saúde (Meira-Silva, 2022).

A identificação precoce dos sinais de Burnout é essencial para reduzir os impactos da síndrome. O acompanhamento psicológico e o suporte emocional são estratégias importantes para auxiliar os profissionais da saúde. Além disso, ações de prevenção no ambiente de trabalho contribuem para diminuir os níveis de estresse ocupacional. A valorização profissional e a melhoria das condições laborais também são fundamentais nesse processo. Essas medidas ajudam na promoção da saúde mental e da qualidade de vida dos trabalhadores (Veloso; Coutinho; Magalhães, 2023).

O tratamento da Síndrome de Burnout pode envolver acompanhamento psicológico, psicoterapia e, em alguns casos, uso de medicamentos. A adoção de hábitos saudáveis e momentos de descanso também contribui para a recuperação do profissional. O apoio familiar e institucional é importante para reduzir os impactos emocionais causados pela síndrome. Além disso, mudanças na organização do trabalho podem favorecer a prevenção de novos casos. O tratamento adequado permite melhor recuperação física e emocional do trabalhador (Andrade et al., 2024).

No Brasil, o reconhecimento da Síndrome de Burnout como problema relacionado ao trabalho fortaleceu a importância da saúde ocupacional. Nos últimos anos, houve maior discussão sobre a necessidade de políticas públicas voltadas à saúde mental dos trabalhadores da saúde. Programas de prevenção e promoção da qualidade de vida vêm sendo debatidos em diferentes instituições. Essas ações são importantes para reduzir o adoecimento ocupacional e melhorar o ambiente laboral. Assim, torna-se possível promover maior segurança e bem-estar aos profissionais (Pereira et al., 2022).

Marcelo et al. (2022) destacam que a Síndrome de Burnout apresenta maior incidência entre profissionais da enfermagem hospitalar submetidos a múltiplos vínculos empregatícios e jornadas extensas. Segundo os autores, essa realidade contribui para o aumento do desgaste físico e emocional, favorecendo o surgimento de sintomas de esgotamento profissional. Além disso, o acúmulo de funções e a pressão assistencial intensificam os riscos de adoecimento mental nesses trabalhadores.

Villagran et al. (2023) evidenciam que o sofrimento moral no ambiente hospitalar está diretamente associado ao desenvolvimento da Síndrome de Burnout em enfermeiros. Os autores destacam que conflitos éticos, limitações na tomada de decisão e dificuldades no cuidado ao paciente aumentam o desgaste psicológico. Dessa forma, o ambiente hospitalar pode se tornar um fator importante de risco para o esgotamento profissional.

Lima et al. (2023) apontam que a Síndrome de Burnout possui origem multifatorial, envolvendo aspectos organizacionais, sociais e individuais. Os autores ressaltam que ambientes com alta demanda de trabalho, baixa valorização profissional e carência de recursos favorecem o adoecimento dos trabalhadores da saúde. Assim, o Burnout deve ser compreendido como um fenômeno complexo que exige estratégias de prevenção integradas.

Rodrigues et al. (2022) afirmam que o período pós-pandemia intensificou significativamente os níveis de estresse ocupacional entre profissionais de enfermagem. Segundo os autores, o aumento da carga assistencial e as mudanças nas condições de trabalho contribuíram para maior vulnerabilidade ao Burnout. Esse cenário reforça os impactos duradouros da pandemia na saúde mental dos trabalhadores da saúde.

Soares et al. (2024) destacam que a Síndrome de Burnout impacta diretamente a qualidade da assistência prestada aos pacientes. Os autores ressaltam que o esgotamento profissional pode levar à redução da produtividade, aumento de erros assistenciais e comprometimento da segurança do paciente. Dessa forma, o Burnout representa não apenas um problema individual, mas também institucional e assistencial.

Diante desse contexto, observa-se a necessidade de ampliar os estudos epidemiológicos sobre a Síndrome de Burnout no Brasil. A análise dos casos entre os anos de 2019 e 2024 permite compreender os impactos da síndrome nos profissionais da saúde. O conhecimento sobre os fatores associados ao Burnout contribui para o desenvolvimento de estratégias preventivas mais eficazes. Além disso, auxilia na elaboração de políticas públicas direcionadas à saúde do trabalhador. Dessa forma, é possível promover melhores condições de trabalho e assistência em saúde.

3. METODOLOGIA

Trata-se de um estudo epidemiológico de abordagem quantitativa, com delineamento descritivo e retrospectivo, desenvolvido a partir da análise de dados secundários referentes à Síndrome de Burnout em profissionais da saúde no Brasil, no período de 2019 a 2024. A pesquisa teve como objetivo caracterizar o perfil epidemiológico dos casos notificados, considerando sua distribuição segundo variáveis sociodemográficas e geográficas disponíveis na base de dados consultada.

Os dados foram coletados em maio de 2026, diretamente da plataforma do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS/SINAN), por meio de registros de acesso público. Para a identificação dos casos de Síndrome de Burnout, foi utilizado o código Z73.0 da Classificação Internacional de Doenças – 10ª Revisão (CID-10), correspondente ao diagnóstico de estado de esgotamento (Burnout). Foram incluídos apenas registros completos e disponíveis na base de dados, sendo excluídas informações inconsistentes, incompletas ou não compatíveis com o código CID selecionado.

Além da análise epidemiológica, foi realizada uma revisão bibliográfica com o objetivo de subsidiar a discussão dos resultados. A busca foi conduzida nas bases de dados Scientific Electronic Library Online (SciELO), Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS) e PubMed. Foram utilizados os descritores “Síndrome de Burnout”, “profissionais da saúde” e “epidemiologia”, combinados por meio de operadores booleanos quando necessário. Inicialmente, foram identificados 35 artigos, dos quais 25 foram selecionados para compor a revisão.

Como critérios de inclusão, foram considerados artigos publicados entre 2020 e 2026, disponíveis na íntegra, nos idiomas português, inglês e espanhol, e que apresentassem relação direta com a temática estudada. Foram excluídos artigos duplicados, estudos incompletos, resumos de eventos científicos, cartas ao editor e publicações que não atendiam aos objetivos da pesquisa.

4. RESULTADOS E DISCUSSÕES

Os estudos selecionados e analisados, presentes na Tabela 1, demonstram que a Síndrome de Burnout representa um problema de saúde ocupacional entre os profissionais da saúde, estando associada a fatores como sobrecarga de trabalho, estresse crônico, longas jornadas laborais e elevada demanda emocional. De modo geral, os autores destacaram o aumento da ocorrência da síndrome, especialmente após o período da pandemia de COVID-19, além de seus impactos negativos na saúde física e mental dos trabalhadores e na qualidade da assistência prestada.

Tabela 1 – Estudos selecionados sobre a Síndrome de Burnout em profissionais da saúde.

Autor/Ano

Título do Trabalho

Objetivo

Metodologia

Fonte de Pesquisa

Andrade et al. (2024)

Síndrome de Burnout em profissionais da enfermagem: uma revisão de literatura.

 Avaliar, por meio de uma revisão da literatura, a prevalência da Síndrome de Burnout em profissionais da Enfermagem.

Revisão de literatura.

Revista Mato-grossense de Saúde.

Freitas; Freire (2021)

Síndrome de Burnout em enfermeiros trabalhadores de um hospital público de Natal, Rio Grande do Norte, Brasil.

Avaliar a prevalência da Síndrome de Burnout (SB) em enfermeiros do Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel de Natal/RN.

Estudo quantitativo, tranversal e analítico.

Revista Ciências em Saúde.

Lacerda; Neves; Wilk (2024)

Síndrome de Burnout em profissionais de saúde que atuam em unidades de terapia intensiva: uma revisão integrativa.

Identificar os fatores de risco que podem contribuir para o desenvolvimento da síndrome em profissionais de saúde que atuam em unidades de terapia intensiva.

Revisão integrativa de literatura.

Revista JRG de Estudos Acadêmicos.

Oliveira et al. (2022)

Saúde mental e Síndrome de Burnout nos profissionais de saúde: revisão de literatura.

Analisar a saúde mental e Síndrome de Burnout (SB) em profissionais da área da saúde.

Revisão integrativa

Revista Eletrônica Acervo Saúde.

Portella et al. (2026)

Ocorrência de casos de síndrome de burnout notificados de 2019 a 2025 no estado do Ceará.

Avaliar o perfil epidemiológico dos casos notificados Síndrome de Burnout no Ceará entre 2019 e 2025. 

Estudo epidemiológico com abordagem quantitativa.

Revista Tópicos.

Frota et al. (2021).

Síndrome de Burnout em profissionais de saúde atuantes na atenção básica: um estudo transversal.

Investigar a prevalência da SB em profissionais de saúde que atuam no NASF-AB de Teresina/PI, nos anos de 2018 e 2019.

Estudo Transversal e quantitativo.

Revista Pesquisa em Fisioterapia, Salvador.

Silva et al (2021).

Síndrome de Burnout em profissionais da área de saúde mental.

Caracterizar a prevalência de burnout em profissionais da área da saúde.

Pesquisa de caráter quantitativo e de corte transversal.

Arquivos de Ciências da Saúde da UNIPAR.

Santos et al (2022).

Síndrome de Burnout nos profissionais de saúde do âmbito hospitalar: uma revisão integrativa.

Identificar a frequência da SB nos profissionais de saúde

Revisão Integrativa.

Fisioterapia Brasil.

Fonte: Elaborado pelo autor (2026).

A análise dos estudos selecionados da tabela 1, evidenciou que a Síndrome de Burnout constitui um importante problema de saúde ocupacional entre os profissionais da saúde, especialmente aqueles que atuam em ambientes de elevada demanda assistencial. De acordo com Andrade et al. (2024), o esgotamento profissional resulta da exposição contínua ao estresse laboral, afetando principalmente enfermeiros e técnicos de enfermagem devido à intensa responsabilidade envolvida no cuidado aos pacientes. Essa condição compromete tanto a saúde dos trabalhadores quanto a qualidade da assistência prestada.

Os resultados encontrados por Freitas e Freire (2021) reforçam essa realidade ao demonstrarem elevada prevalência de Burnout entre enfermeiros de um hospital público. Os autores identificaram níveis elevados de esgotamento pessoal e níveis intermediários de Burnout relacionados ao trabalho e ao contato com pacientes. Além disso, verificaram associação entre carga horária excessiva e maior predisposição ao desenvolvimento da síndrome, destacando a influência das condições laborais sobre a saúde mental dos profissionais.

A sobrecarga de trabalho também foi apontada como um dos principais fatores desencadeantes da síndrome por Oliveira et al. (2022). Os autores destacam que jornadas prolongadas, acúmulo de funções e aumento das atividades administrativas contribuem para o desgaste físico e emocional dos trabalhadores. Esse cenário favorece o aparecimento de sintomas psicológicos que podem comprometer o desempenho profissional e aumentar a ocorrência de erros durante a assistência.

A saúde mental dos trabalhadores foi apontada como um dos elementos centrais para a manutenção da qualidade da assistência prestada aos pacientes. Oliveira et al. (2022) destacam que o desgaste emocional contínuo pode provocar ansiedade, irritabilidade, dificuldades de concentração e redução da capacidade de tomada de decisões. Esses fatores interferem diretamente no desempenho profissional e nas relações interpessoais dentro das equipes de saúde. Dessa forma, investir em ações de promoção da saúde mental torna-se uma estratégia essencial para prevenir o adoecimento ocupacional.

A pandemia da COVID-19 intensificou significativamente os fatores relacionados ao desenvolvimento da Síndrome de Burnout entre os profissionais da saúde. Segundo Oliveira et al. (2022), o aumento da demanda assistencial, associado ao medo da contaminação, à escassez de recursos e às longas jornadas de trabalho, contribuiu para o agravamento do sofrimento psicológico desses trabalhadores. Nesse contexto, profissionais que atuavam diretamente no cuidado de pacientes infectados estiveram mais expostos ao esgotamento físico e emocional. Esse cenário evidenciou a fragilidade da saúde mental dos trabalhadores diante de situações de crise sanitária.

Corroborando esses achados, Lacerda, Neves e Wilk (2024) observaram que profissionais atuantes em unidades de terapia intensiva apresentam elevada vulnerabilidade ao Burnout. Segundo os autores, a convivência frequente com situações de sofrimento, risco de morte e decisões complexas aumenta significativamente os níveis de estresse ocupacional. Tais fatores tornam esses ambientes especialmente propícios ao desenvolvimento do esgotamento profissional.

Outro aspecto relevante identificado nos estudos refere-se à predominância da síndrome entre profissionais do sexo feminino. Tanto Lacerda, Neves e Wilk (2024) quanto Portella et al. (2026) observaram maior frequência de casos entre mulheres. Essa situação pode estar relacionada à dupla jornada frequentemente desempenhada por muitas profissionais, conciliando responsabilidades familiares e atividades laborais, o que contribui para o aumento da sobrecarga física e emocional.

A influência da idade também foi observada nas pesquisas analisadas. Portella et al. (2026) verificaram maior concentração de notificações entre indivíduos de 35 a 49 anos, faixa etária correspondente ao período de maior atividade profissional. Nessa fase da vida, muitos trabalhadores assumem responsabilidades crescentes no ambiente de trabalho, o que pode favorecer o surgimento de quadros de exaustão relacionados às exigências ocupacionais.

Os fatores organizacionais foram amplamente discutidos pelos autores. Segundo Silva et al. (2021), condições inadequadas de trabalho, baixa remuneração, jornadas extensas e insuficiência de recursos humanos contribuem diretamente para o adoecimento dos profissionais da saúde. Esses fatores aumentam a pressão sobre os trabalhadores e dificultam a manutenção do equilíbrio entre vida profissional e pessoal.

Os resultados apresentados por Silva et al. (2021) demonstraram ainda que uma parcela significativa dos profissionais avaliados apresentou comprometimento nas dimensões relacionadas ao distanciamento emocional e à exaustão emocional. Esses achados indicam dificuldades para lidar com as demandas do trabalho e com o sofrimento dos pacientes, evidenciando impactos diretos sobre a saúde psicológica dos trabalhadores.

No contexto da Atenção Primária à Saúde, Frota et al. (2021) identificaram elevados níveis de demanda ocupacional e exaustão emocional entre profissionais dos Núcleos Ampliados de Apoio à Saúde da Família. Embora os autores não tenham confirmado a presença da síndrome em todos os participantes, os resultados demonstraram um risco significativo para seu desenvolvimento, indicando a necessidade de monitoramento contínuo desses trabalhadores.

A importância do apoio social no ambiente de trabalho também foi evidenciada por Frota et al. (2021). Os autores observaram que a presença de suporte entre colegas e gestores pode atuar como fator protetor diante das pressões ocupacionais. Esse aspecto demonstra que estratégias voltadas para o fortalecimento das relações interpessoais podem contribuir para a prevenção do Burnout.

Os estudos analisados revelaram que os impactos da síndrome ultrapassam os limites da saúde individual dos profissionais. Oliveira et al. (2022) destacam que o Burnout está associado à redução da produtividade, aumento dos erros assistenciais e prejuízos na qualidade do atendimento prestado aos pacientes. Dessa forma, o problema passa a representar também uma preocupação para os serviços de saúde e para a segurança dos usuários.

A revisão realizada por Santos et al. (2022) demonstrou que profissionais de diferentes especialidades médicas estão suscetíveis ao desenvolvimento da síndrome, especialmente aqueles que atuam em serviços de emergência e terapia intensiva. Os autores ressaltam que a elevada pressão por resultados, associada à responsabilidade sobre a vida dos pacientes, contribui para níveis elevados de desgaste emocional.

Outro ponto observado nos estudos refere-se ao crescimento da visibilidade da síndrome nos últimos anos. Portella et al. (2026) identificaram aumento expressivo das notificações entre 2019 e 2025, com destaque para o ano de 2024. Esse aumento pode estar relacionado tanto ao crescimento dos casos quanto à ampliação do reconhecimento da síndrome como um importante agravo à saúde do trabalhador. Além disso, a maior divulgação de informações sobre saúde mental nos ambientes de trabalho e o fortalecimento das políticas de vigilância em saúde ocupacional contribuíram para ampliar a identificação e a notificação dos casos.

Um avanço importante para a compreensão desse fenômeno ocorreu com a inclusão da Síndrome de Burnout na Classificação Internacional de Doenças (CID-11). Conforme discutido por Andrade et al. (2024), esse reconhecimento fortaleceu a compreensão do Burnout como um fenômeno relacionado ao contexto ocupacional, ampliando sua visibilidade entre gestores, pesquisadores e profissionais da saúde. Além disso, contribuiu para o fortalecimento de estratégias voltadas à vigilância, prevenção e promoção da saúde mental no ambiente de trabalho.

Apesar do aumento da visibilidade e do reconhecimento institucional da síndrome, a subnotificação ainda representa um desafio para a compreensão da real magnitude do problema. Portella et al. (2026) destacam que muitos trabalhadores não procuram atendimento especializado ou não recebem diagnóstico adequado, o que reduz o número de registros oficiais. Além disso, fatores como medo de estigmatização, insegurança profissional e desconhecimento sobre a síndrome podem dificultar a notificação dos casos, mascarando a verdadeira dimensão do agravo.

De forma geral, os estudos convergem ao apontar que a Síndrome de Burnout possui origem multifatorial. Aspectos individuais, organizacionais e sociais atuam conjuntamente para favorecer o surgimento do problema. Conforme destacam Andrade et al. (2024) e Lacerda, Neves e Wilk (2024), fatores como excesso de trabalho, pressão emocional, contato constante com sofrimento humano e condições inadequadas de trabalho estão entre os principais elementos associados ao desenvolvimento da síndrome.

Outro aspecto relevante identificado nos estudos refere-se à necessidade de estratégias institucionais voltadas à prevenção da Síndrome de Burnout no ambiente de trabalho. Andrade et al. (2024) destacam que intervenções organizacionais, como a melhoria das condições laborais, redistribuição adequada das cargas de trabalho e valorização profissional, são fundamentais para reduzir o impacto dos fatores estressores. Além disso, os autores ressaltam a importância da implementação de programas de apoio psicológico e de promoção da saúde mental voltados aos trabalhadores da saúde.

Diante desse cenário, torna-se fundamental a implementação de estratégias voltadas à promoção da saúde mental dos profissionais da saúde. Os estudos analisados ressaltam a necessidade de melhores condições de trabalho, redução da sobrecarga laboral, fortalecimento do apoio institucional e desenvolvimento de ações preventivas. Essas medidas podem contribuir para a redução dos índices de Burnout e para a melhoria da qualidade de vida dos trabalhadores e da assistência oferecida à população.

Além das evidências encontradas na literatura científica, torna-se importante analisar os dados epidemiológicos referentes às notificações da Síndrome de Burnout no Brasil. A avaliação dessas informações permite compreender a magnitude do agravo, identificar os grupos mais afetados e reconhecer padrões relacionados à distribuição temporal, demográfica e regional da síndrome. Nesse sentido, a tabela 2 apresenta os dados de incidência da Síndrome de Burnout em profissionais da saúde entre os anos de 2019 e 2024, segundo informações do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), possibilitando uma análise mais abrangente do perfil epidemiológico dos casos registrados no período.

Tabela 2 – Dados epidemiológicos sobre a Síndrome de Burnout em Profissionais da Saúde entre 2019 a 2024.

Variável

Categoria

n (%)

Ano de notificação

2019

60 (4,12%)

Ano de notificação

2020

44 (3,02%)

Ano de notificação

2021

151 (10,36%)

Ano de notificação

2022

227 (15,57%)

Ano de notificação

2023

408 (27,98%)

Ano de notificação

2024

414 (28,40%)

Sexo

Feminino

782 (60%)

Sexo

Masculino

522 (40%)

Faixa etária

30–49 anos

717 (55%)

Região

Sudeste

652 (50%)

Região

Nordeste

391 (30%)

Região

Sul

196 (15%)

Região

Centro-Oeste

39 (3%)

Região

Norte

26 (2%)

   

Fonte: DATASUS/SINAN (2026).

Os dados epidemiológicos da Tabela 2 evidenciam um crescimento progressivo dos casos de Síndrome de Burnout entre profissionais da saúde ao longo do período estudado, com aumento mais expressivo nos anos mais recentes. Esse cenário pode estar associado à intensificação das demandas ocupacionais, à sobrecarga de trabalho e aos impactos decorrentes das mudanças observadas nos serviços de saúde após a pandemia.

Observa-se a predominância de casos entre profissionais do sexo feminino, e quanto à faixa etária, os registros concentraram-se principalmente em adultos em idade produtiva, fase caracterizada por elevada exigência laboral e maior responsabilidade profissional. No que se refere à distribuição geográfica, a maior ocorrência foi observada nas regiões mais populosas e com maior concentração de serviços de saúde, destacando-se especialmente o Sudeste, seguido pelo Nordeste.

Com o objetivo de facilitar a visualização e a interpretação dos dados epidemiológicos apresentados na Tabela 2, as informações foram posteriormente representadas por meio de gráficos. Essa estratégia permite uma melhor compreensão da distribuição dos casos de Síndrome de Burnout segundo as variáveis analisadas, como ano de notificação, sexo, faixa etária e região de ocorrência. Contribuindo para uma análise mais detalhada do perfil epidemiológico dos profissionais da saúde acometidos pela síndrome.

No Gráfico 1, observou-se crescimento progressivo no número de notificações de Síndrome de Burnout entre os anos de 2019 e 2024. Em 2019 foram registrados 60 casos (4,12%), reduzindo para 44 casos (3,02%) em 2020. A partir de 2021, verificou-se aumento expressivo das notificações, com 151 casos (10,36%), seguido de 227 casos (15,57%) em 2022, 408 casos (27,98%) em 2023 e 414 casos (28,40%) em 2024. Os resultados evidenciam tendência crescente da identificação e notificação da síndrome nos últimos anos, representando mais da metade dos registros concentrados entre 2023 e 2024.

Gráfico 1 – Distribuição temporal de casos de Burnout entre profissionais de saúde (2019-2024)

Fonte: DATASUS/SINAN (2026).

Os achados observados corroboram os resultados descritos por Freitas e Freire (2021), que destacam o aumento dos transtornos relacionados ao trabalho em decorrência das transformações nas relações laborais, da intensificação das cobranças por produtividade e das condições ocupacionais adversas. Segundo os autores, fatores como sobrecarga de trabalho, pressão psicológica constante e dificuldades de adaptação às mudanças organizacionais contribuem significativamente para o desenvolvimento da Síndrome de Burnout, favorecendo o crescimento dos casos identificados nos serviços de saúde.

De maneira semelhante, Andrade et al. (2024) ressaltam que o aumento das notificações não está relacionado apenas à maior ocorrência da síndrome, mas também à ampliação do reconhecimento clínico da doença pelos profissionais de saúde. Os autores afirmam que campanhas de conscientização, avanços nos critérios diagnósticos e maior divulgação dos impactos da saúde mental no ambiente de trabalho têm contribuído para a identificação precoce dos casos, refletindo diretamente no aumento dos registros observados nos sistemas de notificação. Além disso, a crescente preocupação das instituições de saúde com o bem-estar dos trabalhadores favoreceu a implementação de estratégias de monitoramento e acompanhamento dos agravos relacionados ao trabalho. Esse cenário tem possibilitado maior rastreamento dos sintomas de exaustão ocupacional, contribuindo para uma compreensão mais abrangente da magnitude da Síndrome de Burnout no contexto brasileiro.

Além disso, os resultados encontrados estão em consonância com as observações de Lacerda, Neves e Wilk (2024), que apontam que o período pós-pandemia intensificou fatores de risco associados ao esgotamento profissional, especialmente entre trabalhadores submetidos a jornadas extensas, instabilidade ocupacional e elevados níveis de estresse emocional. Os autores enfatizam que o crescimento das notificações nos anos mais recentes pode representar tanto um agravamento das condições de trabalho quanto uma maior preocupação institucional com a vigilância e o monitoramento da saúde mental dos trabalhadores.

Nos dados apresentados no gráfico 2 em relação ao sexo dos profissionais acometidos, verificou-se predominância do sexo feminino, com 782 casos (60%), enquanto o sexo masculino apresentou 522 casos (40%). Esses resultados indicam maior frequência de notificações entre as mulheres no período analisado. A diferença observada entre os grupos corresponde a 260 casos, evidenciando que as notificações entre profissionais do sexo feminino ocorreram de forma mais expressiva ao longo da série histórica estudada.

Gráfico 2 – Distribuição temporal por sexo de casos de Burnout entre profissionais de saúde (2019-2024)

Fonte: DATASUS/SINAN (2026).

Os achados também encontram respaldo nos estudos de Santos et al. (2022), que identificaram os profissionais da saúde como um grupo particularmente vulnerável ao desenvolvimento da Síndrome de Burnout devido à intensa pressão ocupacional e às elevadas demandas emocionais presentes no ambiente de trabalho. Os autores destacam que a exaustão emocional e a sobrecarga laboral afetam de maneira significativa os trabalhadores da saúde, especialmente aqueles que acumulam múltiplas responsabilidades, situação frequentemente observada entre as mulheres.

De modo semelhante, Silva et al. (2021) verificaram que uma parcela expressiva dos profissionais avaliados apresentava comprometimento nas dimensões relacionadas ao distanciamento emocional e à exaustão emocional, fatores diretamente associados ao Burnout. Embora o estudo tenha analisado profissionais de ambos os sexos, os autores ressaltam que as condições de trabalho, aliadas às demandas pessoais e sociais, podem potencializar o adoecimento mental. Dessa forma, os resultados observados reforçam a compreensão de que fatores ocupacionais e psicossociais atuam conjuntamente no aumento da vulnerabilidade feminina ao desenvolvimento da síndrome.

Além disso, os resultados estão em consonância com as observações de Portella et al. (2026), que apontam maior procura das mulheres pelos serviços de saúde e maior adesão aos processos de diagnóstico e notificação de transtornos mentais relacionados ao trabalho. Os autores ressaltam que essa característica pode contribuir para o maior número de registros femininos nos sistemas de informação. Entretanto, também enfatizam que a predominância observada reflete fatores ocupacionais e sociais que tornam as mulheres mais suscetíveis ao desenvolvimento da Síndrome de Burnout, especialmente em contextos de elevada exigência emocional e profissional.

Adicionalmente, os resultados observados corroboram as evidências apresentadas por Freitas e Freire (2021), que identificaram maior ocorrência de sintomas relacionados à Síndrome de Burnout entre mulheres inseridas em profissões que exigem intenso envolvimento emocional e contato direto com o público. Os autores destacam que fatores como desgaste psicológico, cobranças constantes e necessidade de conciliar múltiplos papéis sociais aumentam a exposição feminina aos fatores desencadeantes da síndrome. Nesse contexto, a predominância de casos entre mulheres observada neste estudo reforça a importância da implementação de políticas de promoção da saúde mental e de condições de trabalho mais favoráveis para esse grupo.

Nos dados apresentados no Gráfico 3, a análise da distribuição regional evidenciou concentração dos casos na região Sudeste, responsável por 652 notificações (50%) do total registrado. A região Nordeste apresentou 391 casos (30%), seguida pela região Sul, com 196 casos (15%). As regiões Centro-Oeste e Norte registraram os menores percentuais, com 39 casos (3%) e 26 casos (2%), respectivamente. Observa-se que Sudeste e Nordeste concentraram, juntas, 80% de todas as notificações do período analisado, demonstrando elevada participação na composição dos casos. Em contrapartida, Centro-Oeste e Norte apresentaram frequências reduzidas, correspondendo conjuntamente a apenas 5% do total de notificações registradas entre 2019 e 2024.

Gráfico 3 – Distribuição regional dos casos de Burnout entre profissionais de saúde (2019-2024)

Fonte: DATASUS/SINAN (2026).

Os resultados encontrados corroboram os achados de Andrade et al. (2024), que identificaram maior concentração dos agravos relacionados à saúde mental em regiões com elevada densidade populacional e intensa atividade econômica. Segundo os autores, centros urbanos mais desenvolvidos apresentam ambientes laborais marcados por elevada competitividade, metas rigorosas e maior pressão profissional, fatores que favorecem o desenvolvimento da Síndrome de Burnout. Nesse contexto, a predominância observada na região Sudeste pode estar relacionada tanto ao número de trabalhadores quanto às características do mercado de trabalho local.

De maneira semelhante, Frota et al. (2021) observaram que profissionais atuantes na Atenção Primária à Saúde apresentavam elevados níveis de demanda ocupacional e exaustão emocional, mesmo em contextos distintos dos grandes centros urbanos. Os autores destacam que as dificuldades estruturais dos serviços de saúde, associadas à elevada carga de trabalho e às exigências assistenciais, aumentam o risco de adoecimento mental dos trabalhadores. Esses achados sugerem que, independentemente da região geográfica, fatores relacionados às condições de trabalho exercem papel determinante no desenvolvimento da Síndrome de Burnout, embora áreas com maior concentração populacional possam apresentar maior número de casos notificados.

Corroborando esses achados, Lacerda, Neves e Wilk (2024) afirmam que a urbanização acelerada e as transformações nas relações de trabalho têm contribuído para o aumento dos transtornos mentais ocupacionais. Os autores destacam que profissionais inseridos em grandes centros econômicos frequentemente enfrentam jornadas extensas, sobrecarga laboral e altos níveis de exigência emocional. Tais fatores podem explicar a concentração das notificações em regiões mais desenvolvidas economicamente, especialmente no Sudeste, onde se encontram importantes polos produtivos do país.

Segundo Oliveira et al. (2022), as desigualdades socioeconômicas e a distribuição desigual dos serviços especializados de saúde entre as regiões brasileiras influenciam diretamente os padrões de notificação das doenças relacionadas ao trabalho. Os autores destacam que regiões com menor cobertura assistencial podem apresentar subnotificação dos casos, reduzindo artificialmente os indicadores epidemiológicos. Esse cenário pode contribuir para os baixos percentuais observados nas regiões Norte e Centro-Oeste, que juntas representaram apenas 5% dos registros analisados.

Além disso, os resultados também são compatíveis com as observações de Portella et al. (2026), que apontam que a conscientização sobre saúde mental e a implementação de políticas de vigilância ocupacional tendem a ser mais frequentes em regiões com maior desenvolvimento econômico e institucional. Os autores enfatizam que campanhas educativas, acesso aos serviços especializados e programas de saúde do trabalhador favorecem a identificação precoce dos casos de Burnout. Assim, a maior concentração de notificações nas regiões Sudeste e Nordeste pode refletir tanto uma maior exposição aos fatores de risco quanto melhores condições para o reconhecimento e a notificação da síndrome.

Já referente a faixa etária que foi descrito na tabela 2, observou-se que os profissionais entre 30 e 49 anos representaram o grupo com maior número de registros, totalizando 717 casos (55%). Esse resultado demonstra que a maior parte das notificações ocorreu entre indivíduos em idade economicamente ativa e que correspondem a parcela expressiva da força de trabalho em saúde. A concentração dos casos nessa faixa etária evidencia sua relevância no perfil epidemiológico da Síndrome de Burnout, uma vez que mais da metade das notificações registradas no período analisado ocorreu nesse grupo.

Os resultados observados estão em consonância com a literatura científica, que aponta os profissionais entre 30 e 49 anos como um dos grupos mais vulneráveis ao desenvolvimento da Síndrome de Burnout. Segundo Andrade et al. (2024), essa fase da vida é marcada por intensa atividade profissional, acúmulo de responsabilidades ocupacionais e busca por estabilidade e crescimento na carreira, fatores que podem aumentar os níveis de estresse e desgaste emocional.

Além disso, muitos indivíduos nessa faixa etária conciliam as exigências do trabalho com responsabilidades familiares e sociais, potencializando a sobrecarga física e psicológica. Dessa forma, a predominância dos casos entre adultos em idade produtiva reforça a necessidade de estratégias de promoção da saúde mental, prevenção do esgotamento profissional e melhoria das condições de trabalho, especialmente entre os profissionais da saúde que atuam em ambientes de elevada demanda assistencial.

Os resultados obtidos evidenciam que a Síndrome de Burnout tem se consolidado como um preocupante problema de saúde ocupacional entre os profissionais da saúde no Brasil. O crescimento progressivo das notificações ao longo dos anos, a predominância dos casos entre mulheres, a maior concentração em indivíduos de 30 a 49 anos e a distribuição mais expressiva nas regiões Sudeste e Nordeste demonstram a influência de fatores demográficos, sociais e laborais no desenvolvimento da síndrome.

Nesse estudo foram analisados os registros da Síndrome de Burnout disponibilizados pelo DATASUS/SINAN. Embora os resultados permitam traçar um panorama epidemiológico da doença entre profissionais da saúde no Brasil, algumas limitações devem ser consideradas. Por tratar-se de um estudo baseado em dados secundários, existe a possibilidade de subnotificação dos casos, resultando em uma estimativa inferior à realidade. Além disso, inconsistências ou incompletudes no preenchimento das notificações podem comprometer a qualidade das informações analisadas. Adicionalmente, o delineamento descritivo e retrospectivo impossibilita o estabelecimento de relações causais entre as variáveis investigadas. Apesar dessas limitações, os achados fornecem evidências relevantes sobre a distribuição da Síndrome de Burnout no país e reforçam a importância de ações voltadas à vigilância, prevenção e promoção da saúde mental dos trabalhadores da saúde.

5. CONCLUSÃO

Os resultados deste estudo permitiram caracterizar o perfil epidemiológico da Síndrome de Burnout em profissionais da saúde no Brasil entre os anos de 2019 e 2024, evidenciando aumento progressivo das notificações ao longo do período analisado. Observou-se que os maiores percentuais de registros ocorreram nos anos de 2023 e 2024, demonstrando crescimento da identificação e notificação dos casos. Esses achados reforçam a relevância da síndrome como um importante problema relacionado à saúde ocupacional dos trabalhadores da área da saúde.

Em relação às características sociodemográficas, verificou-se predominância de notificações entre profissionais do sexo feminino e na faixa etária de 30 a 49 anos. Esses resultados indicam que a síndrome afeta principalmente trabalhadores em plena fase produtiva da vida profissional, grupo que representa parcela significativa da força de trabalho nos serviços de saúde. A maior frequência observada entre as mulheres também demonstra a necessidade de atenção especial a esse grupo no desenvolvimento de estratégias de prevenção e acompanhamento.

Quanto à distribuição geográfica, a região Sudeste concentrou metade das notificações registradas, seguida pela região Nordeste. A expressiva participação dessas regiões no total de casos evidencia a importância da vigilância epidemiológica e do monitoramento contínuo da síndrome em diferentes contextos regionais. Além disso, as diferenças observadas entre as regiões brasileiras demonstram a necessidade de ampliar o conhecimento sobre os fatores que influenciam a ocorrência e o registro dos casos em cada localidade.

Diante disso, conclui-se que os resultados reforçam a necessidade de monitoramento contínuo da saúde mental dos trabalhadores da saúde, especialmente em contextos de elevada demanda assistencial, onde a exposição constante a fatores estressores pode favorecer o desenvolvimento da Síndrome de Burnout. A identificação precoce dos sinais de esgotamento emocional, torna-se fundamental para a implementação de estratégias preventivas e de promoção da saúde ocupacional. Nesse contexto, é indispensável que as instituições de saúde invistam em políticas de apoio psicossocial, melhoria das condições de trabalho, dimensionamento adequado das equipes e programas de educação permanente voltados ao bem-estar dos profissionais.

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1 Discente do Curso Superior de Medicina da Faculdade Pitágoras Campus de Bacabal - Ma. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail.

2 Discente do Curso Superior de Medicina da Faculdade Pitágoras Campus de Bacabal - Ma. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail.

3 Docente do Curso Superior de Medicina da Faculdade Pitágoras Campus de Bacabal - Ma. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail.