PERFIL DOS ACADÊMICOS DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS: CONSIDERAÇÕES A PARTIR DO ENADE 2022

PROFILE OF ACCOUNTING STUDENTS: CONSIDERATIONS BASED ON THE 2022 ENADE

REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/793588766

RESUMO
O presente estudo tem como objetivo analisar comparativamente o desempenho acadêmico e o perfil demográfico e socioeconômico dos estudantes concluintes do curso de Ciências Contábeis nas edições do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (ENADE) de 2015, 2018 e 2022. A pesquisa caracteriza-se como descritiva, com abordagem quantitativa e qualitativa, fundamentada em procedimentos bibliográficos e documentais, utilizando dados secundários dos Relatórios Síntese de Área publicados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP). Os resultados evidenciam redução das médias nacionais, de 40,6 pontos em 2015 para 36,7 em 2018 e 29,5 em 2022, representando diminuição de 27,3% no período. Identificaram-se diferenças regionais, com predominância do Sudeste nas maiores médias, além de mudanças no perfil dos concluintes, caracterizadas pela predominância feminina, diferenças etárias entre as modalidades presencial e a distância e maior concentração de estudantes em faixas de renda familiar mais baixas. Observou-se, ainda, a relevância das responsabilidades financeiras dos estudantes para a compreensão de suas condições de permanência acadêmica. Conclui-se que as diferenças observadas no desempenho não podem ser atribuídas exclusivamente à qualidade do ensino, considerando as particularidades das avaliações e os fatores socioeconômicos, pedagógicos e institucionais. O estudo reforça a necessidade de avaliações contextualizadas e de estratégias institucionais voltadas ao aprimoramento da formação contábil. Os resultados evidenciaram uma redução sucessiva das médias nacionais do ENADE no período estudado e avaliação da qualidade do ensino superior deve ultrapassar a interpretação isolada das notas, incorporando uma perspectiva crítica, contextualizada e socialmente comprometida.
Palavras-chave: ENADE; Ciências Contábeis; Desempenho acadêmico; Perfil socioeconômico; Educação superior.

ABSTRACT
This study aims to provide a comparative analysis of the academic performance and the demographic and socioeconomic profiles of students graduating from Accounting programs, based on data from the 2015, 2018, and 2022 editions of the National Student Performance Exam (ENADE). The research is descriptive in nature, employing both quantitative and qualitative approaches, and is grounded in bibliographic and documentary analysis. It utilizes secondary data from the "Area Summary Reports" (Relatórios Síntese de Área) published by the National Institute for Educational Studies and Research Anísio Teixeira (INEP). The results show a decline in national average scores—from 40.6 points in 2015 to 36.7 in 2018 and 29.5 in 2022—representing a 27.3% decrease over the period. Regional disparities were identified, with the Southeast region consistently showing higher average scores. Furthermore, changes in the profile of graduating students were noted, including a female majority, age differences between students in in-person versus distance-learning programs, and a higher concentration of students from lower family income brackets. The study also highlights the significance of students' financial responsibilities in understanding the conditions that affect their ability to remain in their academic programs. It is concluded that the observed differences in performance cannot be attributed solely to the quality of instruction, as they are influenced by the specific nature of the assessments, as well as by various socioeconomic, pedagogical, and institutional factors. The study underscores the need for contextualized assessments and institutional strategies aimed at enhancing accounting education. The results revealed a successive decline in national ENADE averages over the period studied; the assessment of higher education quality must go beyond an isolated interpretation of scores, incorporating a critical, contextualized, and socially committed perspective.
Keywords: ENADE; Accounting; Academic performance; Socioeconomic profile; Higher education.

1. INTRODUÇÃO

A educação superior desempenha papel fundamental no desenvolvimento econômico e social, especialmente por sua contribuição para a formação de profissionais qualificados, capazes de atender às demandas de um mercado de trabalho em constante transformação. Nesse contexto, a avaliação da qualidade do ensino superior constitui um importante instrumento para o acompanhamento dos processos formativos, a identificação de fragilidades e o aprimoramento das políticas educacionais.

No Brasil, o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (SINAES), instituído pela Lei nº 10.861/2004, estabelece mecanismos de avaliação das instituições, dos cursos de graduação e do desempenho dos estudantes, destacando-se o Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (ENADE) como um dos principais instrumentos de análise dos resultados da formação acadêmica.

O ENADE tem como finalidade avaliar o desempenho dos estudantes em relação aos conteúdos programáticos previstos nas diretrizes curriculares dos cursos de graduação, bem como às competências e habilidades desenvolvidas ao longo da formação. Além de possibilitar a identificação de aspectos relacionados ao desempenho acadêmico, o exame fornece informações relevantes sobre o perfil demográfico, socioeconômico e educacional dos concluintes, permitindo compreender algumas das condições que caracterizam sua trajetória no ensino superior. Dessa maneira, seus resultados representam uma importante fonte de informações para as instituições de ensino, os órgãos reguladores e os pesquisadores interessados na qualidade da educação superior brasileira.

No âmbito das Ciências Contábeis, a avaliação do desempenho acadêmico assume especial relevância diante das transformações econômicas, tecnológicas, sociais e normativas que influenciam o exercício da profissão contábil. A formação do contador exige não apenas o domínio de conhecimentos técnicos relacionados ao patrimônio, à elaboração das demonstrações contábeis e à legislação tributária, mas também o desenvolvimento de competências analíticas, pensamento crítico, capacidade de interpretação das informações econômico-financeiras e habilidades para subsidiar os processos decisórios das organizações. Nesse sentido, a qualidade da formação acadêmica constitui um elemento essencial para a preparação de profissionais capazes de responder às exigências contemporâneas da sociedade e do mercado de trabalho.

Entretanto, a análise do desempenho dos estudantes não deve se limitar às notas obtidas nas avaliações nacionais, uma vez que os resultados acadêmicos podem estar associados a diferentes fatores individuais, socioeconômicos, pedagógicos e institucionais. Características como renda familiar, idade, sexo, condições de trabalho, modalidade de ensino, infraestrutura institucional e qualificação docente podem contribuir para a compreensão das diferenças observadas entre os estudantes e as instituições. Assim, a interpretação dos indicadores educacionais exige uma abordagem abrangente, que considere tanto os resultados das avaliações quanto as condições em que ocorre o processo de ensino-aprendizagem.

Nesse cenário, a análise comparativa dos resultados do ENADE nas edições de 2015, 2018 e 2022 apresenta relevância acadêmica e institucional, pois permite identificar diferenças no desempenho dos concluintes de Ciências Contábeis e examinar alterações em seu perfil ao longo do período. Paralelamente às alterações no desempenho acadêmico, os dados do ENADE permitem identificar mudanças nas características dos estudantes de Ciências Contábeis.

Diante dessa problemática, estabelece-se a seguinte questão de pesquisa: Quais diferenças podem ser identificadas no desempenho acadêmico e no perfil demográfico e socioeconômico dos estudantes concluintes de Ciências Contábeis, a partir dos resultados do ENADE de 2015, 2018 e 2022, e quais reflexões essas diferenças proporcionam sobre a formação contábil no Brasil?

Com o propósito de responder a essa questão, o presente estudo tem como objetivo geral analisar comparativamente os resultados do ENADE em Ciências Contábeis nas edições de 2015, 2018 e 2022, considerando as médias de desempenho acadêmico e as características demográficas e socioeconômicas dos estudantes concluintes. Especificamente, busca-se identificar as diferenças nas médias nacionais e regionais do exame; comparar o perfil dos estudantes quanto ao sexo, à idade e à modalidade de ensino; examinar as condições socioeconômicas relacionadas à renda familiar e à participação no sustento familiar; e discutir criticamente as possíveis relações entre as características dos estudantes, as condições de formação e os resultados acadêmicos, à luz de estudos antecedentes.

A pesquisa caracteriza-se como descritiva, com abordagem quantitativa e qualitativa, fundamentada em procedimentos bibliográficos e documentais. A análise utiliza dados secundários provenientes dos Relatórios Síntese de Área do ENADE de Ciências Contábeis, referentes aos anos de 2015, 2018 e 2022, publicados pelo INEP. Os indicadores são examinados por meio de comparação descritiva, considerando as médias nacionais, as diferenças regionais e as informações relativas ao perfil dos estudantes.

A justificativa do estudo fundamenta-se na importância de compreender o desempenho dos estudantes de Ciências Contábeis para além dos indicadores numéricos, reconhecendo que os resultados educacionais refletem um conjunto de condições acadêmicas, sociais e institucionais. A comparação entre diferentes ciclos avaliativos possibilita ampliar o debate sobre os desafios enfrentados pelos cursos de graduação, especialmente no que se refere à permanência estudantil, à diversidade do perfil discente, às modalidades de ensino e ao desenvolvimento das competências profissionais exigidas na área contábil. Além disso, os resultados podem contribuir para a reflexão sobre a necessidade de aprimoramento dos projetos pedagógicos, das metodologias de ensino e das estratégias institucionais de acompanhamento da aprendizagem.

Portanto, espera-se que esta pesquisa contribua para uma compreensão mais ampla e crítica dos resultados do ENADE em Ciências Contábeis, evidenciando que a avaliação da qualidade da educação superior deve considerar não apenas o desempenho apresentado pelos estudantes, mas também as características e condições que permeiam sua formação. Ao integrar a análise das notas com o perfil demográfico e socioeconômico dos concluintes, o estudo busca oferecer subsídios para discussões acadêmicas e institucionais voltadas ao fortalecimento da formação contábil, à promoção de oportunidades educacionais e ao aperfeiçoamento contínuo da qualidade do ensino superior brasileiro.

2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA OU REVISÃO DA LITERATURA

2.1. Curso de Ciências Contábeis

Acredita-se que as Ciências Contábeis seja antiga e tenha surgido juntamente com a origem do homem. "A partir do momento em que o homem passou a possuir bens, houve consequentemente a necessidade de controlar esses bens, surgindo assim o inventário."(FAVERO, LONARDONI, et al., 2011, p. 9). Dessa forma, buscando controlar e organizar, houve a necessidade de contabilizar seus bens.

"Os primeiros e mais importantes registros contábeis que se tem conhecimento são os da Suméria, da civilização egípcia e da civilização pré-helênica, que esclarecem que a Contabilidade já era vista como um poderoso instrumento de controle." (FAVERO, LONARDONI, et al., 2011, p. 9).

Conforme as operações econômicas se tornam mais complexas, o seu controle se refina. Assim, escritas governamentais da República Romana (200 a. C.) traziam receitas de caixa classificadas em rendas e lucros, e itens como salários, perdas e diversões eram compreendidas como despesas. (ZANLUCA,ZANLUCA, 2018). Dessa forma, a contabilidade começava a tomar molde e assim pode-se observar que a contabilidade está sempre em evolução, estando ligada com o desenvolvimento econômico, social e mercantil.

Segundo FAVERO, LONARDONI, et al., (2011):

"No século XIII ou XIV, Frei Luca Pacioli, divulga através da sua obra o método das partidas dobradas, revelando e impulsionando pela Europa a escola italiana. Na escola italiana houve o desenvolvimento de várias correntes de pensamentos contábeis: o Contismo, o Personalismo, o Neocontismo, o Controlismo, o Aziendalismo e o Patrimonialismo."

Por volta do final do século XIX e início do século XX, houve uma expansão da contabilidade, com o rápido crescimento do comércio e da indústria houve a necessidade de aperfeiçoamento da contabilidade, tornando-a mais complexa e segura. Com as discussões da Bolsa de Valores de Nova York, surgiu a escola Norte-America.

A atividade contábil surgiu no Brasil, no período do Brasil Colônia (1500-1808). Com as expedições marítimas portuguesas entre 1500 e 1530, e com a exploração de grande quantidade de matéria-prima brasileira. (CFC, 2025). Desta forma, Portugal adquiriu necessidades de controlar, organizar e de inserir tributos para as suas expedições e comercializações.

Segundo o CFC (2025), a Coroa Portuguesa, com propósito de instituir esses profissionais, em 1809, no Rio de Janeiro, surgiu a Aula de Comércio, com proficiência em práticas contábeis e mercantis, já que o rei exigia a formação para o desempenho na Contadoria do Reino no Brasil.

Segundo VALINI (2018), em 1905 foi criada a primeira escola de contabilidade no Brasil, em São Paulo/SP,a Fecap - Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado. Com curso superior de Ciências Contábeis e Atuariais, com duração de quatro anos, com título de Bacharel em Ciências Contábeis, através do Decreto 7.988, de 22 de Setembro de 1945, assinado pelo presidente Getúlio Vargas.

"Várias outras academias do país seguiram os mesmos currículos, mas foi em 1926 que o Decreto nº 17.329 instituiu os cursos profissionalizantes, ou de Ensino Técnico Comercial. O curso geral passou, então, a conferir o diploma de Contador." (CFC, 2025).

O curso de Bacharelado em Ciências Contábeis tem por objetivo a formação de profissionais capazes não só de gerar informações e tomar decisões estratégicas, visando conduzir a organização à buscar eficiência e eficácia, mas também de executar o processamento das informações nas organizações. (SENAC, 2025).

Segundo o CFC (2025), em uma pesquisa realizada em 2015 haviam cerca de 1.400 cursos de Ciências Contábeis em todo o Brasil e mais de 320 mil contadores registrados no Conselho Federal de Contabilidade - CFC. Para obter o registro profissional é preciso ter concluído o curso de Ciências Contábeis e ter sido aprovado no Exame de Suficiências, prova de certificação da categoria. Os números de profissionais registrados em 2015, que CFC (2025) cita, podem ter sofrido mudanças e ter aumentado com o passar dos anos, pois cada ano é uma nova remessa de acadêmicos sendo formados e dando início a carreira profissional.

2.2. O ENADE

O Ministério da Educação - MEC sendo um órgão público brasileiro responsável pela educação no país, examina periodicamente o ensino superior por intermédio do Sistema Nacional de Avaliação Superior - SINAES. O SINAES por sua vez, adota em 2004, o ENADE - Exame Nacional de Desempenho de Estudantes, como instrumento para avaliar o desempenho dos estudantes em cursos de ensino superior, em ligação aos conteúdos programáticos, seus desempenho e habilidades das instituições de ensino, com relação a formação de seus acadêmicos.

De acordo com o MEC (2025), "o Exame Nacional de Desempenho Dos Estudantes (ENADE) é obrigatório para os alunos selecionados e condição indispensável para a emissão do histórico escolar." Anteriormente ao exame, havia o chamado Provão em que apenas se realizava questões referentes a área de formação, com a criação do ENADE, as questões passaram a ser de formação e de conhecimentos gerais.

Conforme o INEP (2025) os resultados do ENADE, avaliados às respostas do Questionário do Estudante, constituem-se instrumentos fundamentais para o cálculo dos indicadores de qualidade da educação superior: Conceito ENADE, Índice Geral de Cursos Avaliados da Instituição (IGC) e Conceito Preliminar de Curso (CPC), normatizados pela Portaria nº 40, de 2007, republicada em 2010. Desta forma os indicadores estimam a qualidade dos cursos, assim usados para analisar o desenvolvimento de políticas públicas para a educação.

O Conceito Preliminar de Curso (CPC), segundo o INEP (2018):

"É um indicador de qualidade que avalia os cursos de graduação. Seu cálculo e divulgação ocorrem no ano seguinte ao da realização do ENADE, com base na avaliação de desempenho de estudantes, no valor agregado pelo processo formativo e em insumos referentes às condições de oferta – corpo docente, infraestrutura e recursos didáticos-pedagógicos.”

O Conceito Preliminar de Curso (CPC) é um indicador prévio da situação dos cursos de graduação no país, ele vai com uma nota de 1 a 5. O conceito é composto por diferentes variáveis, que caracterizam resultados da avaliação de desempenho de estudantes, dos recursos didático-pedagógicos, infraestrutura, instalações e corpo docente. (MEC, 2025)

O Índice Geral de Curso (IGC) é um indicador criado para auxiliar os estudantes na consulta para conhecimento do desempenho das instituições de ensino superior no país. O instrumento tem como base a média ponderada das notas dos cursos de graduação e pós-graduação de cada instituição. (MEC, 2025).

Segundo o MEC (2025), por utilizar como base a média ponderada o IGC, sintetiza num único indicador a qualidade de todos os cursos de graduação, mestrado e doutorado da mesma instituição de ensino. O IGC é divulgado pelo INEP/MEC anualmente, logo depois da divulgação dos resultados do ENADE.

O exame do ENADE, conforme o MEC (2025) é composto de questões objetivas e discursivas, sendo elas divididas em conhecimentos específicos e conhecimentos gerais. A avaliação é desenvolvida com um total de 40 questões, distribuídas em 30 questões de conhecimentos específicos, compondo-se de 27 questões de múltipla escolha e 3 discursivas. As outras 10 questões são de formação geral, constituindo-se de 8 de múltipla escolha e 2 discursivas.

Segundo o MEC (2025) o ENADE é aplicado no máximo de três em três anos, ou seja com periodicidade máxima trienal para cada curso superior.

2.3. ENADE em Ciências Contábeis

Em conformidade com o Conselho Federal de Contabilidade - CFC (2025), o curso superior de Ciências Contábeis e Atuariais foi reconhecido por meio do Decreto-Lei nº. 7.988, assinado pelo presidente Getúlio Vargas, em 22 de setembro de 1945. Porém, ao logo do tempo com a lei 1.401 ocorreu à separação do ensino contábil da atuarial, com a resolução nº 03/92.

Segundo o CFC (2025):

"No final dos anos 80 e início da década de 90, houve profundas alterações no Ensino Superior de Contabilidade, reforçando a necessidade de profissionais cada vez mais éticos e competentes perante o âmbito público e privado. Desde então, o curso de graduação em Ciências Contábeis vem abrangendo a inserção de indispensáveis atualizações, buscando a construção de currículos plenos, garantindo, assim, perfis profissionais altamente capacitados para atender às demandas econômicas, financeiras e sociais."

O Conselho Nacional de Educação por meio da resolução nº 10/04, declara que "a graduação deve proporcionar que o profissional contábil tenha capacidade de compreender questões técnicas e científicas, econômicas, sociais e financeiras, em âmbito nacional e internacional".

Havendo a necessidade de avaliar e analisar a qualidade do ensino dos diversos cursos espalhados no país, o governo instituiu o ENADE. Com a avaliação do ENADE, pode-se não apenas avaliar a qualidade do ensino, como também avaliar o perfil dos estudantes dos cursos e o desempenho em relação ao conteúdo instituído nas matrizes curriculares. O exame é aplicado para alunos que estão se formando e alunos que estão ingressando no curso.

O exame do ENADE é realizado de três em três anos, para todos os cursos do território brasileiro, dispondo que o exame é obrigatório para a conclusão do curso do acadêmico. O curso de Ciências contábeis fez o último ENADE em 2025, sendo o próximo em 2028.

O ENADE de 2022, avaliou segundo o INEP (2025), cerca de 8.121 cursos, sendo 26 áreas de avaliação, e um total de 447.056 participantes. O número de inscritos concluintes regulares no ENADE 2022 foi de 549.847, porém apenas são considerados nos indicadores aqueles participantes que fazem as provas e respondem o Questionário do Estudante. Foi calculado 2.109, número de IES que estiveram no IGC.

Os coordenadores dos cursos também responderam a um questionário (Questionário do Coordenador de Curso) com questões semelhantes às formuladas para os estudantes e que permitiram uma comparação. (INEP, 2025).

Os pesos atribuídos para as questões do exame, conforme o INEP (2025) foi de:

"No Componente de Formação Geral, as 8 (oito) questões objetivas de múltipla escolha e as 02 (duas) discursivas tiveram peso, respectivamente, iguais as 60% e 40%. As discursivas de Formação Geral foram corrigidas levando em consideração o conteúdo, com peso igual a 80%, e aspectos referentes à Língua Portuguesa (ortográficos, textuais, morfossintáticos e vocabulares), com peso igual a 20%. No Componente de Conhecimento Específico da Área de Ciências Contábeis, as 27 (vinte e sete) questões objetivas de múltipla escolha e as 3 (três) discursivas tiveram pesos iguais a, respectivamente, 85% e 15%. As notas dos dois Componentes, de Formação Geral e de Conhecimento Específico, foram então arredondadas à primeira casa decimal. Para a obtenção da nota final do estudante, as notas dos dois componentes foram ponderadas por pesos proporcionais ao número de questões: 25,0% para o Componente de Formação Geral e 75,0% para o Componente de Conhecimento Específico. Esta nota foi também arredondada a uma casa decimal."

De acordo com o INEP (2025), consta no relatório síntese do ENADE 2022, com a participação de 1.035 cursos. Em todo o Brasil, inscreveram-se no exame 65.283 estudantes, sendo que apenas 15,5% ausentes e 55.171 estavam presentes.

Dos 55.171 estudantes de Ciências Contábeis inscritos e presentes para o exame de 2022 em todo o Brasil, 25.878 (46,9%) estudavam em Universidades, 8.637 (15,7%), em Centros Universitários e 20.656 (37,4%) estavam vinculados a Faculdades. (INEP, 2025).

2.4. Estudos Antecedentes

A comparação de estudos publicados entre 2024 e 2026 permite identificar evidências de convergência e diferenças importantes na interpretação dos fatores associados ao desempenho dos estudantes.

Tabela 1. Estudos Antecedentes sobre ENADE em Ciências Contábeis

Autor

Estudo

Principais resultados

Correlação com outras pesquisas

MELO, G. C. V. NASCIMENTO. I. C. S

Fatores Determinantes do Desempenho Acadêmico dos Cursos de Ciências Contábeis das Universidades Federais Brasileiras à Luz do ENADE (2024)

Identifica fatores discentes, docentes e institucionais associados ao desempenho de 40 cursos de universidades federais.

Reforça a interpretação multidimensional do desempenho acadêmico.

ARAÚJO, E. F.; PEREIRA, A. G.; FÁVERO, L. P. L

Relação entre modalidade de ensino e desempenho acadêmico: análise multinível do ENADE em Ciências Contábeis (2024)

Encontram vantagem média do ensino presencial em 2015 e 2018, mas resultados conjuntos inconclusivos quanto ao efeito da modalidade.

Demonstra a necessidade de controlar características institucionais e socioeconômicas.

BANDEIRA, L. S. MEUER A. M.

Desempenho de Estudantes de Ciências Contábeis no Enade (2025)

Revisão integrativa de 15 estudos publicados entre 2013 e 2023, identificando variáveis individuais, institucionais e pedagógicas.

Consolida evidências sobre a multiplicidade de fatores relacionados às notas.

PEREIRA, A. G. NUNES T

Influência da Titulação Acadêmica Docente no Desempenho dos Estudantes de Ciências Contábeis no ENADE (2026)

Identifica associação estatisticamente significativa da proporção de mestres com as notas, sem encontrar o mesmo efeito para a proporção de doutores.

Questiona a utilização isolada da titulação docente como indicador de qualidade.

SOUZA, B. B. FERREIRA, L. V

Desempenho no Enade e Exame de Suficiência do CFC: Convergências e Divergências (2026)

Analisa 552 cursos e identifica a categoria administrativa e a região como fatores relevantes nos dois exames.

Evidencia que avaliações acadêmicas e profissionais captam dimensões diferentes da formação contábil.

Fontes: Revistas Unisinos, Dados da Pesquisa (2026)

Os estudos apresentam convergência quanto à importância das características socioeconômicas na explicação do desempenho dos estudantes de Ciências Contábeis. A revisão integrativa publicada em 2025 (BANDEIRA, L. S. MEUER A. M, 2025) identificou que renda familiar, escolaridade dos pais, situação de trabalho e tempo dedicado aos estudos estão associados aos resultados no ENADE.

Essas evidências são compatíveis com a pesquisa sobre universidades federais publicada em 2024 (Melo e Mascimento, 2024), que também identificou fatores relacionados ao perfil discente como relevantes para explicar as diferenças de desempenho. Essa convergência sugere que o desempenho acadêmico deve ser compreendido a partir das condições concretas de aprendizagem dos estudantes. Aqueles que precisam conciliar trabalho e graduação, por exemplo, podem apresentar condições de estudo distintas das observadas entre estudantes com maior disponibilidade de tempo.

Sob uma perspectiva crítica, a utilização isolada das notas do ENADE para classificar a qualidade dos cursos pode desconsiderar desigualdades sociais que antecedem o ingresso no ensino superior.

A relação entre qualificação docente e desempenho estudantil apresenta resultados que exigem interpretação cuidadosa. O estudo longitudinal sobre titulação docente (Pereira; Nunes, 2026) identificou associação estatisticamente significativa entre a proporção de professores mestres e as notas no ENADE, mas não encontrou efeito equivalente para a proporção de doutores. Por outro lado, a pesquisa de 2026, que compara ENADE e Exame de Suficiência do CFC, (Souza; Ferreira, 2026) identificou que a proporção de docentes pode ser relevante para explicar a aprovação no exame profissional.

Essa aparente divergência não significa que os estudos sejam contraditórios. As avaliações possuem finalidades distintas, utilizam indicadores diferentes e consideram recortes específicos.

Assim, pode-se argumentar que a qualidade da formação contábil não depende exclusivamente da titulação formal dos professores, mas também da articulação entre conhecimento científico, experiência profissional, metodologias de ensino e acompanhamento da aprendizagem.

A expansão da educação a distância introduziu novas questões na avaliação da qualidade dos cursos de Ciências Contábeis. Araújo, Pereira e Fávero (2024), utilizando dados das edições de 2012, 2015 e 2018, identificaram resultados distintos conforme o período analisado. Embora as edições de 2015 e 2018 tenham apresentado desempenho médio superior para estudantes presenciais, a análise conjunta não permitiu uma conclusão definitiva sobre a influência da modalidade. Esse resultado indica que comparações simples entre ensino presencial e educação a distância podem produzir interpretações incompletas.

É necessário considerar variáveis como perfil socioeconômico, características das instituições, apoio pedagógico e organização do processo de aprendizagem. Portanto, a modalidade de ensino, isoladamente, não constitui explicação suficiente para as diferenças de desempenho acadêmico.

Uma das principais convergências entre as pesquisas recentes está na relevância das condições institucionais. O estudo de Melo e Nascimento (2024) sobre universidades federais destaca recursos educacionais, instalações físicas, bibliotecas, monitorias e atividades extracurriculares. A revisão integrativa de Bandeira e Meuer (2025) também associa percepções positivas sobre organização didático-pedagógica, infraestrutura e oportunidades de formação a melhores resultados.

Complementarmente, a pesquisa de Souza e Ferreira (2026) identifica a categoria administrativa e a região de localização dos cursos como fatores relevantes tanto para o ENADE quanto para o Exame de Suficiência do CFC. Esses resultados reforçam a necessidade de compreender a qualidade do ensino superior como um fenômeno institucional e contextualizado, e não apenas como consequência do esforço individual dos estudantes. As principais convergências apontam para a influência do contexto socioeconômico e das condições institucionais sobre os resultados acadêmicos.

As divergências concentram-se especialmente na magnitude e na significância dos efeitos atribuídos à titulação docente e à modalidade de ensino.

Cabe destacar que a identificação de uma associação estatística não comprova, por si só, uma relação de causa e efeito. Diferenças metodológicas, recortes temporais e variáveis de controle podem explicar parte das divergências.

3. METODOLOGIA

A presente pesquisa caracteriza-se como descritiva, de abordagem quantitativa e qualitativa, desenvolvida por meio de procedimentos bibliográficos e documentais, tendo como objetivo analisar comparativamente o desempenho acadêmico e o perfil demográfico e socioeconômico dos estudantes concluintes do curso de Ciências Contábeis nas edições do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (ENADE) realizadas em 2015, 2018 e 2022.

Quanto aos objetivos, a pesquisa classifica-se como descritiva, que conforme Gil (2010) busca identificar, apresentar e comparar características relacionadas ao desempenho dos estudantes e às suas condições socioeconômicas, sem a intenção de estabelecer relações diretas de causalidade entre as variáveis investigadas.

A abordagem quantitativa fundamenta-se na utilização de indicadores estatísticos, como médias, medianas, desvios-padrão e distribuições percentuais (Gil, 2010), enquanto a abordagem qualitativa está relacionada à interpretação crítica dos resultados, considerando aspectos educacionais, sociais e institucionais que podem contribuir para a compreensão das diferenças identificadas (Minayio, 2001).

Em relação aos procedimentos técnicos, adotou-se a pesquisa documental, mediante a utilização de dados secundários disponibilizados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), especificamente nos Relatórios Síntese de Área do ENADE referentes ao curso de Ciências Contábeis nos anos de 2015, 2018 e 2022. Complementarmente, realizou-se pesquisa bibliográfica, fundamentada em estudos científicos relacionados à avaliação da educação superior, ao desempenho acadêmico, às características socioeconômicas dos estudantes e aos fatores associados à qualidade da formação contábil.

A delimitação temporal compreende três ciclos avaliativos do ENADE, selecionados por possibilitarem a comparação dos resultados do curso de Ciências Contábeis em diferentes períodos. A população de referência corresponde aos estudantes concluintes participantes do exame nas respectivas edições, considerando os resultados nacionais e regionais apresentados nos relatórios oficiais. A pesquisa utiliza informações agregadas, não envolvendo coleta direta de dados junto aos estudantes ou aplicação de instrumentos próprios de investigação.

Para a realização da análise, foram consideradas duas dimensões principais. A primeira corresponde ao desempenho acadêmico, contemplando as médias nacionais e regionais das notas do ENADE, as medianas, os desvios-padrão e as diferenças observadas entre os ciclos avaliativos. A segunda dimensão refere-se ao perfil demográfico e socioeconômico dos concluintes, abrangendo indicadores relacionados ao sexo, à idade, à modalidade de ensino, à renda familiar e à participação dos estudantes no sustento familiar.

O tratamento dos dados foi realizado por meio de estatística descritiva, utilizando comparações entre os indicadores apresentados nos relatórios. A interpretação dos resultados foi desenvolvida de maneira integrada, relacionando as diferenças identificadas no desempenho acadêmico às características demográficas e socioeconômicas dos concluintes. Essa análise foi complementada pela discussão de estudos antecedentes, buscando estabelecer aproximações e divergências entre os resultados da presente investigação e as evidências disponíveis na literatura científica sobre o ENADE em Ciências Contábeis.

Adotou-se uma perspectiva crítica na interpretação dos indicadores, reconhecendo que o desempenho acadêmico constitui um fenômeno multidimensional, que pode estar associado a fatores individuais, socioeconômicos, pedagógicos e institucionais. Nesse sentido, considerou-se que as diferenças nas médias do ENADE não representam, necessariamente, alterações proporcionais na qualidade da formação acadêmica, especialmente porque as edições do exame podem apresentar particularidades quanto à composição das provas, ao perfil dos participantes e às condições de realização da avaliação.

Também foi considerado o contexto educacional da edição de 2022, particularmente em relação aos possíveis reflexos da pandemia de Covid-19 sobre os processos de ensino-aprendizagem. Entretanto, essa circunstância foi abordada como elemento contextual de interpretação, sem estabelecer relação causal direta com as diferenças observadas nas notas, uma vez que a pesquisa não utiliza procedimentos estatísticos destinados à identificação de efeitos causais.

Como limitações metodológicas, destacam-se a utilização de dados secundários agregados, as diferenças na apresentação das informações entre os relatórios e a ausência de procedimentos estatísticos inferenciais ou multivariados. Essas condições restringem a identificação de associações individuais entre características socioeconômicas e desempenho acadêmico, bem como a generalização de interpretações causais. Além disso, a comparação das médias brutas de diferentes edições deve ser realizada com cautela, considerando que os instrumentos avaliativos não são necessariamente equivalentes em termos de dificuldade e composição.

Por fim, a metodologia adotada possibilita uma análise comparativa e contextualizada dos resultados do ENADE em Ciências Contábeis, contribuindo para a compreensão das diferenças de desempenho e das transformações no perfil dos concluintes. Ao integrar indicadores quantitativos e interpretação crítica fundamentada na literatura, a pesquisa busca oferecer subsídios para reflexões sobre a avaliação da educação superior, as condições de permanência estudantil e os desafios relacionados ao aprimoramento da formação profissional contábil no Brasil.

4. RESULTADOS E DISCUSSÕES OU ANÁLISE DOS DADOS

A análise dos Relatórios Síntese de Área do Enade, referentes aos anos de 2015, 2018 e 2022, permite identificar mudanças no desempenho acadêmico e nas características demográficas e socioeconômicas dos estudantes concluintes de Ciências Contábeis no Brasil.

4.1. Análise Comparativa das Notas do ENADE

Os resultados nacionais evidenciam uma redução sucessiva das médias das notas obtidas pelos estudantes nas três edições analisadas, conforme tabela 2.

Tabela 2. Variação da média nacional do ENADE em Ciências Contábeis nos anos 2015, 2018 e 2022.

Indicador

2015

2018

2022

Média nacional

40,6

36,7

29,5

Mediana

39,8

35,7

28,8

Desvio-padrão

13,0

12,5

9,5

Maior média regional

Sudeste

Sudeste

Sudeste

Menor média regional

Centro-Oeste

Norte

Centro-Oeste

Fonte: Inep, Relatórios Síntese de Área de Ciências Contábeis, 2015, 2018 e 2022.

Entre 2015 e 2018, a média nacional passou de 40,6 para 36,7 pontos, representando uma redução de 3,9 pontos. Entre 2018 e 2022, ocorreu uma redução adicional de 7,2 pontos. Considerando todo o período, a diferença foi de 11,1 pontos, equivalente a aproximadamente 27,3% da média registrada em 2015. Esse comportamento merece atenção, pois demonstra uma diminuição expressiva do desempenho médio nas provas. Entretanto, não é possível atribuir essa redução exclusivamente à piora da qualidade do ensino, uma vez que as edições apresentam diferenças de conteúdo, características dos participantes e condições de realização do exame.

A redução da mediana acompanha a trajetória das médias, enquanto a diminuição do desvio-padrão indica menor dispersão das notas em 2022. Esses resultados justificam uma investigação mais aprofundada sobre as competências avaliadas, os processos de ensino-aprendizagem e as condições de formação dos estudantes.

Embora esses resultados indiquem uma trajetória descendente das médias observadas, não é metodologicamente adequado interpretar essa diferença, isoladamente, como uma redução proporcional da aprendizagem dos estudantes. As provas de diferentes edições podem apresentar diferenças de dificuldade, composição dos itens e características dos participantes. Portanto, a comparação das médias brutas deve ser compreendida como um indicador descritivo, e não como uma medida direta e padronizada da evolução da qualidade do ensino.

Ainda assim, a trajetória identificada justifica uma investigação mais aprofundada sobre as condições de ensino-aprendizagem, a adequação dos projetos pedagógicos, o desenvolvimento das competências profissionais e a capacidade dos estudantes de aplicar os conhecimentos contábeis em situações que exigem interpretação e raciocínio.

A comparação das médias regionais permite identificar diferenças na distribuição dos resultados entre as grandes regiões brasileiras. Primeiramente, a região Sudeste apresentou as maiores médias nas três edições, alcançando 42,1 pontos em 2015, 38,2 em 2018 e 30,3 em 2022. Esse resultado demonstra uma posição relativamente favorável da região no conjunto nacional, embora não permita atribuir tal desempenho exclusivamente à qualidade das instituições, uma vez que fatores socioeconômicos, acadêmicos e institucionais também podem influenciar os resultados.

Em segundo lugar, todas as regiões apresentaram redução das médias entre 2015 e 2022. A maior diferença absoluta ocorreu no Sudeste, com 11,8 pontos, enquanto a menor foi registrada no Centro-Oeste, com 9,7 pontos.

Por fim, observa-se uma redução da amplitude entre a maior e a menor média regional. Em 2015, essa diferença era de 4,2 pontos; em 2018, de 3,6 pontos; e, em 2022, de 2,1 pontos. Esse comportamento sugere uma aproximação das médias regionais, mas essa convergência ocorreu em um contexto de redução generalizada dos resultados, não podendo ser interpretada automaticamente como melhoria da equidade educacional.

Um dos elementos que diferencia a edição de 2022 das anteriores é o contexto da pandemia de Covid-19, que provocou alterações significativas nas condições de funcionamento das instituições de ensino superior. O Relatório Síntese de Área de 2022 apresenta, inclusive, um capítulo específico dedicado aos aspectos do processo de aprendizagem impactados pela pandemia, contemplando as percepções dos estudantes e dos coordenadores de curso (Capítulo 8, páginas 205 a 277).

Essa inclusão representa um avanço na abordagem avaliativa, pois reconhece a necessidade de compreender o desempenho acadêmico considerando também as circunstâncias excepcionais que afetaram o processo formativo. A substituição temporária de atividades presenciais por atividades remotas, as dificuldades de acesso às tecnologias e as limitações na interação entre professores e estudantes constituem fatores que podem ter influenciado a aprendizagem durante o período.

No entanto, é necessário destacar que a queda da média em 2022 não pode ser atribuída diretamente à pandemia sem uma investigação específica. A redução já era observada entre 2015 e 2018, antes da crise sanitária. Assim, a pandemia deve ser considerada um possível fator adicional, e não uma explicação única para as diferenças verificadas entre os três ciclos avaliativos.

Sob uma perspectiva crítica, esses resultados suscitam uma reflexão sobre a capacidade dos cursos de Ciências Contábeis de promover uma formação que articule conhecimentos técnicos, competências analíticas e habilidades necessárias à resolução de problemas profissionais. A formação contábil contemporânea demanda mais do que o conhecimento das normas e dos procedimentos de registro. Exige interpretação de informações econômico-financeiras, pensamento crítico, utilização de tecnologias, compreensão das transformações regulatórias e capacidade de contribuir para o processo decisório das organizações.

Nesse sentido, os resultados do ENADE podem ser utilizados pelas instituições como instrumentos de diagnóstico e aperfeiçoamento dos projetos pedagógicos, desde que sejam interpretados em conjunto com outros indicadores acadêmicos. Também merece destaque a persistência das diferenças regionais, ainda que a distância entre as médias tenha diminuído. A manutenção do Sudeste na posição de maior média nas três edições aponta para a necessidade de investigar as características das instituições e dos estudantes que podem estar associadas a esse desempenho.

Entretanto, a aproximação das médias regionais não representa necessariamente uma redução das desigualdades educacionais. A convergência observada ocorreu simultaneamente à diminuição das médias em todas as regiões, o que reforça a importância de examinar não apenas as diferenças relativas, mas também os níveis de desempenho alcançados.

Outro ponto relevante é a necessidade de evitar interpretações simplificadas sobre os resultados de 2022. Embora a pandemia tenha produzido desafios importantes para a educação superior, a tendência de redução das médias já estava presente no ciclo anterior. Dessa forma, torna-se necessário considerar fatores estruturais e conjunturais, sem estabelecer relações causais que não tenham sido demonstradas.

Além disso, a comparação entre edições deve reconhecer as limitações metodológicas decorrentes da utilização de provas distintas, aplicadas a diferentes grupos de estudantes. Consequentemente, os resultados permitem identificar diferenças nas médias observadas, mas não demonstram, isoladamente, uma deterioração contínua da qualidade da formação contábil.

Diante desse cenário, a principal contribuição da análise comparativa consiste em evidenciar a necessidade de fortalecer os processos institucionais de acompanhamento da aprendizagem, ampliar a integração entre teoria e prática e desenvolver estratégias pedagógicas voltadas à formação crítica e profissional dos estudantes.

4.2. Análise Comparativa do Perfil dos Estudantes

Os relatórios demonstram a predominância feminina entre os concluintes de Ciências Contábeis nas três edições. Contudo, essa participação apresentou alterações ao longo do período, especialmente na modalidade presencial.

Quadro 1. Indicador percentual de homens e mulheres na modalidade Presencial e EAD

 

Indicador

2015

2018

2022

Mulheres

Mulheres — Presencial

61,0%

59,0%

55,2%

Mulheres — EaD

-

59,6%

60,7%

Homens

Homens — Presencial

39%

41%

44,8%

Homens — EAD

-

40,4%

39,3%

Homens e Mulheres

Idade média — Presencial

27,5

27,1

26,8

Idade média — EaD

-

32,5

33,0

Fonte: Inep, Relatórios Síntese de Área de Ciências Contábeis, 2015, 2018 e 2022.

Os dados revelam que, embora as mulheres continuem representando a maioria dos estudantes, houve diminuição de sua participação nos cursos presenciais entre 2015 e 2022. Em contrapartida, na educação a distância, a participação feminina aumentou ligeiramente de 59,6% para 60,7%. Em relação aos estudantes do sexo masculino, ao contrário das mulheres, na modalidade presencial houve sucessivo aumento de participantes no ENADE entre 2015 a 2022.

Quanto à idade, observa-se uma diferenciação importante entre as modalidades. Os estudantes presenciais apresentam perfil mais jovem, enquanto a educação a distância reúne proporção maior de concluintes com idade superior a 30 anos. Essa diferença sugere que as modalidades atendem públicos com trajetórias educacionais distintas. A análise integrada indica que as mudanças no perfil dos estudantes devem ser consideradas na interpretação do desempenho acadêmico. Entretanto, as estatísticas descritivas não permitem afirmar que idade ou sexo tenham causado as variações das notas.

Os dados de 2015 são apresentados de forma agregada, enquanto os de 2018 e 2022 distinguem presencial e educação a distância. Portanto, as comparações com 2015 exigem cautela.

4.3. Perfil Socioeconômico e Condições de Permanência

A análise da renda familiar evidencia mudanças relevantes na composição socioeconômica dos concluintes. Conforme aponta a tabela 3.

Tabela 3. Análise comparativa do perfil socioeconômico dos concluintes de Ciências Contábeis no Enade de 2015 a 2022

Indicadores socioeconômicos

2015 (%)

2018 (%)

2022 (%)

Renda familiar entre 1,5 e 3 salários mínimos

28,8

34,2

34,0

Renda familiar entre 3 a 6 salários mínimos

50,4

51,4

51,3

Renda familiar superior a 6 salários mínimos

20,8

14,4

14,7

Possui renda e contribui para o sustento familiar

—

28,6

35,6

Principal responsável pelo sustento familiar

—

8,1

17,4

Fonte: Inep, Relatórios Síntese de Área de Ciências Contábeis, 2015, 2018 e 2022.

Em 2015, 28,8% dos estudantes declararam renda familiar entre 1,5 e 3 salários mínimos. Em 2018 a maior parte dos estudantes (51,4%) apontaram possuir renda familiar entre 3 a 6 salários mínimos. Em 2022, 34,0% da renda familiar dos estudantes estava entre 1,5 e 3 salários mínimos e, a grande maioria (51,3%) entre 3 a 6 salários mínimos.

Outro aspecto importante é a redução da participação de estudantes com renda familiar superior a seis salários mínimos entre os anos de 2015 a 2018. Em 2015, esse grupo correspondia a 20,8% dos concluintes, em 2018 representava 14,4%. Em 2022 esse indicador aumento ligeiramente, apresentando 14,7%.

Essas diferenças apontam para uma maior concentração de estudantes nas faixas de renda familiar mais baixas. Contudo, é necessário considerar as diferenças de composição das amostras e de modalidade de ensino antes de estabelecer conclusões definitivas sobre a evolução socioeconômica.

As condições de trabalho também merecem destaque. Em 2022, 35,6% dos estudantes declararam possuir renda e contribuir para o sustento familiar, enquanto 17,4% afirmaram ser os principais responsáveis pelo sustento da família.

Esses resultados sugerem que em 2022 os estudantes apresentaram responsabilidades financeiras mais expressivas no contexto familiar que os anos anteriores, aspecto que pode influenciar a disponibilidade de tempo para estudos e a participação nas atividades acadêmicas.

5. CONCLUSÃO/CONSIDERAÇÕES FINAIS

O presente estudo teve como objetivo analisar comparativamente o desempenho acadêmico e o perfil demográfico e socioeconômico dos estudantes concluintes do curso de Ciências Contábeis nas edições do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (ENADE) de 2015, 2018 e 2022. A partir dos dados disponibilizados nos Relatórios Síntese de Área do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), foi possível identificar diferenças relevantes nos resultados das avaliações, bem como transformações nas características dos estudantes, proporcionando reflexões sobre os desafios e as perspectivas da formação contábil no ensino superior brasileiro.

Os resultados evidenciaram uma redução sucessiva das médias nacionais do ENADE, passando de 40,6 pontos em 2015 para 36,7 pontos em 2018 e 29,5 pontos em 2022, representando uma diminuição de aproximadamente 27,3% no período analisado. Embora essa trajetória indique diferenças expressivas no desempenho médio dos concluintes, sua interpretação exige cautela, considerando que as avaliações foram realizadas em contextos distintos, com possíveis alterações na dificuldade das provas, na composição dos participantes e nas condições de ensino-aprendizagem. Dessa forma, não é possível afirmar que a redução das médias represente, necessariamente, uma deterioração proporcional da qualidade da formação acadêmica.

No âmbito regional, constatou-se que a região Sudeste apresentou as maiores médias nas três edições analisadas, enquanto as demais regiões registraram resultados inferiores. Entretanto, verificou-se uma aproximação entre as médias regionais ao longo do período, acompanhada de uma redução generalizada do desempenho. Esse resultado permite refletir criticamente sobre as desigualdades educacionais brasileiras, uma vez que a diminuição das diferenças entre regiões não significa, obrigatoriamente, maior equidade ou melhoria das condições de aprendizagem. Pelo contrário, a convergência em um cenário de redução das médias reforça a necessidade de investigar os fatores estruturais, pedagógicos e institucionais que podem estar associados aos resultados acadêmicos.

A análise do perfil demográfico demonstrou a predominância feminina entre os concluintes de Ciências Contábeis, embora tenha ocorrido uma redução da participação das mulheres na modalidade presencial entre 2015 e 2022. Também foram identificadas diferenças etárias entre as modalidades de ensino, com estudantes mais jovens nos cursos presenciais e maior idade média entre os concluintes da educação a distância. Essas características evidenciam a diversidade do público atendido pelos cursos de Ciências Contábeis e indicam a importância de considerar as diferentes trajetórias educacionais na organização das práticas pedagógicas e das políticas institucionais.

Em relação ao perfil socioeconômico, os resultados apontaram uma maior concentração de estudantes em faixas de renda familiar mais baixas, acompanhada da redução da participação daqueles com rendimentos familiares superiores a seis salários mínimos. Além disso, os dados relativos às responsabilidades financeiras demonstraram que uma parcela expressiva dos concluintes contribui para o sustento familiar ou assume a condição de principal responsável financeiro. Essas circunstâncias podem representar desafios adicionais à permanência e ao desempenho acadêmico, especialmente diante da necessidade de conciliar atividades profissionais, responsabilidades familiares e exigências da graduação.

A análise integrada dos resultados permite compreender que o desempenho acadêmico constitui um fenômeno multidimensional, influenciado por fatores que ultrapassam o domínio individual dos conteúdos avaliados. As condições socioeconômicas, a organização institucional, a infraestrutura educacional, as metodologias de ensino, a qualificação docente e as oportunidades de aprendizagem representam elementos relevantes para a compreensão dos resultados. Nesse sentido, a utilização isolada das notas do ENADE como indicador da qualidade dos cursos pode produzir interpretações limitadas, desconsiderando as desigualdades e particularidades que caracterizam a educação superior brasileira.

Outro aspecto relevante refere-se ao contexto da pandemia de Covid-19, que afetou significativamente o funcionamento das instituições de ensino superior e exigiu adaptações nos processos educacionais. Embora essas circunstâncias possam ter influenciado as condições de aprendizagem dos estudantes avaliados em 2022, não é possível estabelecer uma relação causal direta entre a pandemia e a redução das médias, especialmente porque a diminuição do desempenho já havia sido observada entre 2015 e 2018. Assim, a compreensão dos resultados exige considerar simultaneamente fatores estruturais e conjunturais, evitando explicações simplificadas.

Ao relacionar os resultados desta pesquisa com os estudos antecedentes, observa-se uma convergência quanto à necessidade de compreender o desempenho acadêmico a partir de diferentes dimensões. As pesquisas analisadas destacam a relevância das características individuais, socioeconômicas, pedagógicas e institucionais, reforçando que a qualidade da formação contábil não pode ser avaliada exclusivamente por indicadores quantitativos. Essa perspectiva evidencia a importância de políticas educacionais que conciliem qualidade acadêmica, inclusão social e condições adequadas de permanência estudantil.

Do ponto de vista institucional, os resultados indicam a necessidade de fortalecer os mecanismos de acompanhamento da aprendizagem, promover a revisão contínua dos projetos pedagógicos e desenvolver metodologias que estimulem a integração entre conhecimentos teóricos e aplicações práticas. A formação do profissional contábil contemporâneo exige competências que ultrapassam o conhecimento técnico, abrangendo pensamento crítico, capacidade analítica, domínio de tecnologias, interpretação das informações econômico-financeiras e atuação ética diante das transformações econômicas e sociais.

Como contribuição acadêmica, o estudo amplia a compreensão dos resultados do ENADE em Ciências Contábeis ao integrar a análise do desempenho com as características demográficas e socioeconômicas dos concluintes. Essa abordagem possibilita uma interpretação mais contextualizada dos indicadores educacionais e oferece subsídios para gestores, docentes e pesquisadores refletirem sobre os desafios da formação superior, especialmente no que se refere à diversidade do perfil estudantil e à necessidade de aprimoramento contínuo dos processos de ensino-aprendizagem.

Entretanto, reconhecem-se algumas limitações da pesquisa, especialmente sua natureza descritiva e a utilização de dados secundários agregados, que não permitem estabelecer relações de causalidade entre as características dos estudantes e os resultados obtidos. Além disso, as diferenças entre as edições do exame, a composição das amostras e as formas de apresentação dos indicadores restringem a comparabilidade direta dos resultados.

Recomenda-se, portanto, que pesquisas futuras utilizem microdados do ENADE e métodos estatísticos multivariados, buscando investigar de maneira mais aprofundada as associações entre desempenho acadêmico, renda familiar, condições de trabalho, modalidade de ensino, características institucionais e desigualdades regionais.

Conclui-se, portanto, que a análise comparativa do ENADE de 2015, 2018 e 2022 revela não apenas diferenças no desempenho acadêmico dos concluintes de Ciências Contábeis, mas também importantes características e transformações no perfil dos estudantes. Os resultados reforçam que a avaliação da qualidade do ensino superior deve ultrapassar a interpretação isolada das notas, incorporando uma perspectiva crítica, contextualizada e socialmente comprometida.

Mais do que identificar diferenças de desempenho, o principal desafio consiste em transformar os resultados das avaliações em instrumentos efetivos de diagnóstico, planejamento e aperfeiçoamento da formação contábil, promovendo uma educação superior que articule excelência acadêmica, equidade de oportunidades, permanência estudantil e desenvolvimento das competências necessárias ao exercício profissional.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ARAÚJO, E. F.; PEREIRA, A. G.; FÁVERO, L. P. L. Relação entre modalidade de ensino e desempenho acadêmico: análise multinível do ENADE em Ciências Contábeis. 2024. DOI: 10.22561/cvr.v34i2.7639. Disponível em https://repositorio.usp.br/item/003212621?utm_source. Acesso: 05 mai 2026.

BANDEIRA, L. S. MEUER A. M. Desempenho de estudantes de Ciências Contábeis no ENADE. Estudos em Avaliação Educacional, 2025. Disponível em https://publicacoes.fcc.org.br/eae/article/view/11700?utm_source. Acesso: 05 mai 2026.

BRASIL. CFC. 70 Anos CFC. 2025. Disponível em: http://cfc.org.br/wp-content/uploads/2025/08/70anos-cfc.pdf. Acessado em: 27 Jun. 2026.

_______. CFCPR. Profissão Contábil É Uma Das Mais Promissoras no País. 2025. Disponível em: http://www.crcpr.org.br/new/content/diaDia/anterior.php?id=2086. Acessado em 23 Jun. 2026.

_______. CNE. Resolução CNE/CES 10, De Dezembro De 2004. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/cne/arquivos/pdf/rces10_04.pdf. Acessado em 27 Jun. 2026.

_______. INEP. Conceito Preliminar de Curso. 2018. Disponível em: http://portal.inep.gov.br/conceito-preliminar-de-curso-cpc-. Acessado em 17 Jul. 2026.

_______. INEP. Divulga Indicadores de Qualidade da Educação Superior. 2018. Disponível em: http://portal.inep.gov.br/artigo/-/asset_publisher/B4AQV9zFY7Bv/content/inep-divulga-indicadores-de-qualidade-da-educacao-superior-20-1/21206. Acessado em 27 Jun. 2026.

_______INEP. Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. Enade. 2025. Disponível em: http://portal.inep.gov.br/enade. Acessado em 28 Mai. 2026.

_______.MEC. Ministério da Educação e Cultura. IGC. 2025. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/igc. Acessado em 17 Jul. 2026.

_______. MEC. Ministério da Educação e Cultura. Enade. 2025. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/enade. Acessado em 28 Mai. 2026.

_______. MEC. O que é o Conceito Preliminar de Curso. 2025. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/component/content/article?id=13074:o-que-e-o-conceito-preliminar-de-curso Acessado em 17 Jul. 2026

_______. Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP). ENADE 2015: relatório síntese de área — Ciências Contábeis. Brasília, DF: INEP, 2016. Disponível em: https://riep.inep.gov.br/items/64d84a26-5585-49bc-9ac4-fd3e4fddb3a8/full Acessado em 17 Jul. 2026

_______. Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP). ENADE 2018: relatório síntese de área — Ciências Contábeis. Brasília, DF: INEP, 2019. Disponível em: https://download.inep.gov.br/educacao_superior/enade/relatorio_sintese/2018/Ciencias_Contabeis.pdf Acessado em 17 Jul. 2026.

_______. Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP). ENADE 2022: relatório síntese de área — Ciências Contábeis. Brasília, DF: INEP, 2023. Disponível em: https://riep.inep.gov.br/items/1c0dae75-7b06-486c-9370-fd9292e4ecbf Acessado em 17 Jul. 2026.

FAVERO, H. L. LONARDONI, M. SOUZA, C. TAKAKURA, M. Contabilidade Teoria e Prática. São Paulo. Ed. Atlas, 2011. 9 p.

GIL, A. C. Métodos e Técnicas de Pesquisa Social. São Paulo: Ed. Atlas. 2010. 91p. Disponível em: https://ayanrafael.files.wordpress.com/2011/08/gil-a-c-mc3a9todos-e-tc3a9cnicas-de-pesquisa-social-1989.pdf. Acessado em 27 Jul. 2026.

MELO, G. C. V. NASCIMENTO. I. C. S. Fatores determinantes do desempenho acadêmico dos cursos de Ciências Contábeis das universidades federais brasileiras à luz do ENADE. BASE – Revista de Administração e Contabilidade da Unisinos, 2024. Disponível em https://www.revistas.unisinos.br/index.php/base/article/view/25517. Acesso: 05 mai 2026.

MINAYO, Maria Cecília de Souza(org.). Pesquisa Social. Teoria, método e criatividade. 18 ed. Petrópolis: Vozes,2001. Disponível em: http://www.faed.udesc.br/arquivos/id_submenu/1428/minayo__2001.pdf. Acessado em 22 jun. 2026.

PEREIRA, A. G. NUNES T. Influência da titulação acadêmica docente no desempenho dos estudantes de Ciências Contábeis no ENADE: uma análise longitudinal. Revista de Gestão, Finanças e Contabilidade. 2026. Disponível em https://www.revistas.uneb.br/financ/article/view/11097?utm_source. Acesso: 05 mai 2026.

SENAC. Bacharelado em Ciências Contábeis. 2025. Disponível em: http://www.ead.senac.br/graduacao/bacharelado-em-ciencias-contabeis/. Acessado em 22 Jun. 2026.

SOUZA, B. B. FERREIRA, L. V. Desempenho no ENADE e Exame de Suficiência do CFC: convergências e divergências. Estudos em Avaliação Educacional, 2026. Disponível em https://publicacoesfcc.emnuvens.com.br/eae/article/view/12124. Acesso: 05 mai 2026.

VALINI, I. Evolução dos Cursos de Contabilidade. 2018. Disponível em: http://www.campoecidade.com.br/evolucao-dos-cursos-de-contabilidade/. Acessado em: 09 jun. 2026.

ZANLUCA, J. C.; ZANLUCA, J. S. História da Contabilidade. 2025. Disponível em: http://www.portaldecontabilidade.com.br/tematicas/historia.htm. Acessado em 20 Jun. 2026.


1 Docente do Curso Superior de Ciências Contábeis da Universidade Estadual do Paraná Campus de Campo Mourão. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail