PERCEPÇÕES E PRÁTICAS SOBRE O LETRAMENTO LITERÁRIO ATRELADO AO DIGITAL NO CONTEXTO DO ENSINO DE LITERATURA EM ESCOLAS SITUADAS NO BAIXO PARNAÍBA MARANHENSE

PERCEPTIONS AND PRACTICES REGARDING LITERARY LITERACY LINKED TO DIGITAL TECHNOLOGY IN THE CONTEXT OF LITERATURE TEACHING IN SCHOOLS LOCATED IN THE LOWER PARNAÍBA REGION OF MARANHÃO

REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/776019136

RESUMO
A presente pesquisa objetiva investigar o tratamento dado à prática de letramento literário sob a influência das tecnologias digitais no contexto do Baixo Parnaíba Maranhense, especificamente em escolas das cidades de Milagres–MA, Santa Quitéria–MA, São Bernardo–MA e Araioses–MA, com atenção às implicações pedagógicas situadas no âmbito do ensino de literatura. A metodologia da pesquisa inclui um estudo de campo e bibliográfico, cujos dados foram gerados a partir de questionários aplicados a quatro professoras, para a efetivação da análise de suas percepções. Este estudo dialoga com as propostas de: Cosson (2019), Kleiman (2005), Soares (2009), Souza e Cosson (2017), Zilberman (2009), dentre outros autores que se fizeram necessários. Os resultados indicaram informações significativas sobre desafios e dificuldades que ainda existem sobre as práticas pedagógicas de ensino e aprendizagem relacionados aos conhecimentos literários no âmbito do contexto digital, em que as professoras de língua portuguesa reconhecem a literatura por seu caráter humanizador na formação do indivíduo, mas custam incluir em suas atividades escolares. Assim, cabe concluir que, para o letramento literário e digital ser efetivo, é necessário conhecer a literatura, por meio das práticas de leitura, bem como o desenvolvimento de estratégias pedagógicas que propiciem um ensino significativo e sensível ao desenvolvimento do letramento dos alunos, tal como o que se propõe por meio de uma sequência básica.
Palavras-chave: Letramento literário e digital. Práticas de ensino. Percepção docente.

ABSTRACT
This research aims to investigate the treatment given to the practice of literary literacy under the influence of digital technologies in the context of the Lower Parnaíba region of Maranhão, specifically in schools in the cities of Milagres - MA, Santa Quitéria - MA, São Bernardo - MA and Araioses - MA, paying attention to the pedagogical implications situated within the scope of literature teaching. The research methodology includes a field and bibliographic study, whose data were generated from questionnaires applied to four teachers, for the effective analysis of their perceptions. This study engages with the proposals of: Cosson (2019), Kleiman (2005), Soares (2009), Souza and Cosson (2017), Zilberman (2009), among other authors that were deemed necessary. The results indicated significant information about challenges and difficulties that still exist regarding pedagogical teaching and learning practices related to literary knowledge within the digital context. Portuguese language teachers recognize literature for its humanizing character in the formation of the individual, but struggle to include it in their school activities. Thus, it can be concluded that, for literary and digital literacy to be effective, it is necessary to know literature through reading practices, as well as to develop pedagogical strategies that provide meaningful and sensitive teaching for the development of students' literacy, such as that proposed through a basic sequence.
Keywords: Literary and digital literacy. Teaching practices. Teacher perception.

1. INTRODUÇÃO

O letramento literário é uma das abordagens que, no mundo atual, deve ser discutida e explorada por promover o desenvolvimento de competências e habilidades de leitura e escrita no ser humano. Com isso, percebemos que os textos literários não permanecem apenas em materiais escritos, mas também no meio digital, sendo utilizados para agenciar diferentes práticas literárias inovadoras.

Ressaltamos que, embora tenhamos a literatura como herança histórica e de grande relevância para os estudos de língua portuguesa, ela segue sendo um discurso comum e quase sempre esquecido nas metodologias aplicadas nas escolas. Diante disso, percebemos que há grandes desafios no ensino de literatura a partir de novas práticas de letramento literário com a integração do letramento digital.

Tal constatação despertou-nos o interesse pela temática, sobre a qual lançamos mão investigativa. Para tanto, apresentamos o questionamento que se caracteriza como o ponto de partida desta pesquisa: como professores situados na região do Baixo Parnaíba Maranhense, especificamente em escolas das cidades de Milagres–MA, Santa Quitéria–MA, São Bernardo–MA e Araioses–MA, percebem o letramento literário e a sua relação com o letramento digital?

Diante disso, objetivamos investigar o tratamento dado à prática de letramento literário mediada pelo digital no contexto do Baixo Parnaíba Maranhense, especificamente nos municípios já mencionados, com atenção às implicações pedagógicas situadas no âmbito do ensino de literatura, bem como analisar como os professores percebem o impacto do letramento literário e digital no contexto educacional contemporâneo.

Com essa proposta de pesquisa, mostramos que o ensino de literatura, mesmo passando por certo preconceito institucional nos currículos escolares, tem o potencial de formar leitores e autores com pensamento crítico e moral, pois a literatura está para além dos muros da escola. De qualquer forma, é preciso começar na escola, para que o aluno, desde cedo, tenha conhecimento e formação de práticas sociais de leitura e escrita.

Metodologicamente, esta pesquisa caracteriza-se como um estudo de campo, tendo em vista que buscamos investigar a percepção de professores sobre o letramento literário e suas implicações pedagógicas com o digital, a partir de docentes situados em diferentes escolas do Baixo Parnaíba Maranhense.

Com o intuito de materializarmos a nossa investigação, estruturamos este trabalho a partir de uma discussão teoricamente pautada nos estudos que compreendem os termos letramento literário e letramento digital. Em seguida, apresentamos o percurso metodológico seguido para desenvolver a investigação. Posteriormente, apresentamos a análise decorrente da geração de dados no campo de pesquisa, a respeito da percepção dos professores. Por fim, apresentamos as considerações finais da pesquisa.

2. LETRAMENTO LITERÁRIO E LETRAMENTO DIGITAL EM DEBATE

É importante que os indivíduos tenham conhecimento do letramento literário para sua participação nas interações em sociedade, bem como apreciar a literatura como um fenômeno que contribui para sua formação social, cultural e histórica. A esse respeito, Cosson e Souza (2017, p. 106) argumentam que é essencial formar leitores, não qualquer leitor, mas sim um leitor capaz de “[...] manipular seus instrumentos culturais e construir com eles um sentido para si e para o mundo em que vive”. Dentro dessa moldura cultural, o leitor poderá mover-se e construir o mundo e, principalmente, a si mesmo.

Consideramos o letramento digital um recurso ímpar para novas estratégias e adequações de leitura e escrita literária, ao instigar possibilidades de criar conteúdo, investigar e avaliar diferentes produções textuais, uma vez que Sales e Lopes (2021, p. 7) destacam que, por meio do letramento digital, “[...] os indivíduos conseguem interagir, de maneira mais satisfatória, com as diversas tecnologias”. Assim, é possível promover conteúdos informativos, além de desenvolver posicionamentos críticos e morais no ambiente digital. Tal contexto admite uma interface significativa com o uso do texto literário.

Portanto, os estudos sobre letramento literário e letramento digital podem atuar no mesmo cenário ao promover um ensino contextualizado, próximo da realidade dos indivíduos, enriquecendo as práticas e experiências com obras literárias que poderão ser analisadas e interpretadas em qualquer situação de leitura e escrita.

Nessa perspectiva, a Base Nacional Comum Curricular (doravante, BNCC), documento que define os parâmetros que devem estar presentes na Educação Básica, preconiza que “[...] é preciso garantir que as juventudes se reconheçam em suas pertenças culturais, com valorização das práticas locais, e que seja garantido o direito de acesso às práticas dos letramentos valorizados” (Brasil, 2018, p. 523). Dessa forma, as práticas de letramentos, na vida cotidiana e na participação ativa dos indivíduos, têm a capacidade de desenvolver habilidades e competências de interpretar, interagir, criticar e avaliar, reflexivamente, informações verbais e não verbais em situações e experiências sociais, além de promover liberdade de expressão e desenvolvimento cognitivo sobre ocorrências oriundas da realidade, da qual, inclusive, o próprio aluno faz parte.

Nesse contexto, apreendemos a prática de letramento como “[...] um ‘estado’, uma ‘condição’: o estado ou a condição de quem interage com diferentes portadores de leitura e de escrita, com diferentes funções que a leitura e a escrita desempenham em nossa vida” (Soares, 2009, p. 44, grifos da autora). Isso posto, o letramento constitui-se como uma prática social, cultural e histórica, ao perpassar vivências coletivas e individuais associadas ao ato de compreensão da linguagem, em consonância com o que acontece em sociedade, a qual passa por transformações, exigindo que o indivíduo compreenda tais nuances da vida social para poder participar de múltiplos discursos.

É a partir do letramento que somos capazes de compreender o mundo que nos cerca, desenvolvendo nossas próprias condutas interpretativas e analíticas sobre aquilo que lemos e escrevemos em situações diárias. Por intermédio da escrita, conseguimos nos inserir no mundo e comunicar aquilo que desejamos ao outro, bem como compreender aquilo que nos é transmitido pela leitura. Outrossim, em tudo o que realizamos, necessitamos do uso da escrita para interagir, comunicar e participar da vida social.

Nessa perspectiva, Ribeiro e Coscarelli (2023, p. 51) destacam que:

O letramento, por sua vez, estaria relacionado às capacidades envolvidas no uso pessoal e social da escrita, ou seja, em perceber e manejar bem os usos e funções sociais da escrita, assim como em saber usar adequadamente os recursos linguísticos e textuais para atingir diversos objetivos (informar, divertir, comprar, argumentar, entre inúmeros outros), tanto na compreensão quanto na produção de diversos gêneros textuais, em variadas situações comunicativas.

Desse modo, o letramento propõe um comportamento discursivo dinâmico e interativo, diferente das práticas tradicionais ainda exercidas em alguns contextos escolares, em que se tem um ensino voltado mais para a decodificação de palavras e a apreensão de prescrições gramaticais. Por isso, Kleiman (2005, p. 18) defende a ideia de que seja importante “[...] ensinar as habilidades e competências necessárias para participar de eventos de letramento relevantes para a inserção e participação social”, para que os indivíduos reconheçam a diversidade dos multiletramentos e saibam lidar com diferentes proporções comunicativas.

Rojo e Moura (2019, p. 25) compreendem que os “[...] novos letramentos são múltiplos, multimodais e multifacetados”. À vista disso, consideramos que vivemos em um novo tempo em que, conforme Soares (2009), não basta saber ler e escrever; é preciso saber fazer uso dessas práticas e reconhecer as exigências da leitura e da escrita na sociedade. Essas práticas modificaram-se ao trazer uma visão inovadora aos conhecimentos e modos de comunicação e socialização, dentre os discursos que se estabilizam por meio do uso e entendimento dos letramentos, que abrangem um continuum de práticas e habilidades comunicativas.

Ademais, concordamos que as práticas de letramentos beneficiam o indivíduo por várias razões formativas. A leitura e a escrita ativam modos e formas comunicativas de interação partilhados no mundo. Dessa forma, vislumbramos que ser letrado nos torna mediadores e entendedores de qualquer situação informativa da linguagem em processo de comunicação, que precisa ser interpretada para produzir sentidos aos sujeitos.

2.1. O Letramento Literário no Âmbito das Tecnologias Digitais: Contribuições Ao Ensino de Língua Materna

Com base nos conhecimentos previstos sobre o letramento, tomamos, agora, a discussão sobre o letramento literário e suas novas adaptações no âmbito das tecnologias digitais, um discurso relevante, especialmente no que se refere ao ensino de língua materna e às suas habilidades linguísticas.

Acreditamos que a literatura tem o poder de transformar e contribuir para a formação do indivíduo, como contempla Cosson (2019, p. 17) ao afirmar que, nos textos literários, “[...] encontramos o senso de nós mesmos e da comunidade a que pertencemos. A literatura nos diz o que somos e nos incentiva a desejar e a expressar o mundo por nós mesmos”. Com isso, promove-se ao leitor um momento de autodescoberta por meio de diferentes vozes e narrativas conectadas ao mundo.

Reconhecemos, portanto, que o letramento literário é essencial para o desenvolvimento crítico e criativo, pois permite ao leitor interpretar e analisar diferentes situações narrativas. Consideramos o letramento literário um caminho eficaz para formar leitores, conforme Souza e Cosson (2017, p. 103):

[...] é importante compreender que o letramento literário é bem mais do que uma habilidade pronta e acabada de ler textos literários, pois requer uma atualização permanente do leitor em relação ao universo literário. Também não é apenas um saber que se adquire sobre a literatura, mas sim uma experiência de dar sentido ao mundo por meio de palavras que falam das palavras, transcendendo os limites de tempo e espaço.

Desse modo, consideramos que a literatura nos transforma e nos humaniza, pois, cada leitor manifesta suas próprias experiências, emoções e interpretações, a partir de diferentes pontos de vista. Devemos, portanto, reconhecer a literatura como parte riquíssima da história da humanidade, por seu valor formativo e humanizador.

Zilberman (2009, p. 17) destaca que:

[...] a literatura não deixa de ser realista, documentando seu tempo de modo lúdico e crítico; mas revela-se sempre original, não esgotando as possibilidades de criar, pois o imaginário impulsiona o artista à geração de formas e expressões inusitadas. A literatura provoca no leitor um efeito duplo: aciona sua fantasia e suscita um posicionamento intelectual.

Com isso, podemos repensar as práticas de letramento literário por intermédio do letramento digital, levando para a sala de aula conteúdos pertencentes à realidade do aluno, sem desconsiderar a essência histórica dos clássicos literários, que desenvolvem capacidades interpretativas e históricas da escrita.

O espaço digital oferece possibilidades amplas para a criação, compartilhamento e interação com diferentes gêneros textuais. A leitura e a escrita literária no digital permitem-nos navegar, conhecer e explorar uma rede de informações de forma rápida, exigindo estratégias pedagógicas que favoreçam a apropriação crítica dessas práticas.

Assim, o letramento literário e o letramento digital complementam-se quando trabalhados na mesma perspectiva: formar sujeitos capazes de compreender o sentido das produções discursivas e participar ativamente das práticas sociais de leitura e escrita.

Destacamos, porém, que a literatura enfrenta dificuldades nos currículos escolares. Conforme Cosson (2021, p. 79), “[...] a literatura passa a ser considerada um discurso entre os outros, não merecendo, muitas vezes, o lugar de destaque que lhe foi atribuído por uma tradição milenar”. Diante disso, entendemos que ainda há muito a ser feito para valorizar as práticas literárias nas escolas.

A BNCC reforça que devemos “[...] proporcionar aos estudantes experiências que contribuam para a ampliação dos letramentos [...]” (Brasil, 2018, p. 61). Assim, os alunos precisam compreender a riqueza histórica e social presente nas leituras e escritas literárias, lendo não apenas por obrigação, mas por interesse, imaginação e construção de sentidos.

Essa perspectiva requer da escola um aprimoramento nas formas de ensinar, compreender e envolver os alunos nos letramentos literários, tanto nos materiais impressos quanto no ambiente digital. Embora os alunos já realizem leituras e escritas nas telas virtuais, é necessário que a escola promova uma mediação planejada dessas práticas.

Ao discutirmos o letramento literário no âmbito das tecnologias digitais, percebemos o quanto essa abordagem pode contribuir para as metodologias de Língua Portuguesa, ao promover uma formação qualificada de leitura e escrita atrelada aos usos pedagógicos das tecnologias digitais.

3. METODOLOGIA

A presente pesquisa aconteceu com quatro professoras de língua portuguesa da rede pública na região do Baixo Parnaíba Maranhense, mais especificamente em escolas das cidades de Milagres–MA, Santa Quitéria–MA, São Bernardo–MA e Araioses–MA. Salientamos que cada interlocutora vem de uma realidade escolar diferente, as quais pertencem a distintas escolas e cidades. Assim sendo, as interlocutoras contribuíram significativamente para a realização deste trabalho. Por questões éticas da pesquisa, não tiveram a sua identidade revelada. 

Para uma visão mais ampla sobre o campo de pesquisa, apresentamos, abaixo, os nomes das escolas e suas respectivas cidades, em um quadro. 

Quadro 1 – Visão sobre o campo de pesquisa

Interlocutoras

Campo de pesquisa

Respectiva cidade

1 professora de língua portuguesa
P1

C. E. M. Cônego Nestor Cunha

Santa Quitéria

1 professora de língua portuguesa
P2

U. E. Sílvio Freitas Diniz

Araioses

1 professora de língua portuguesa
P3

C. E. Deputado Alexandre Costa

Milagres

1 professora de língua portuguesa
P4

C. E. Dr. Henrique Couto

São Bernardo

Fonte: Dados da pesquisa.

3.1. Geração e Análise de Dados

Os dados foram gerados por intermédio da técnica de aplicação de questionário que permite, de maneira eficiente e estruturada, obtermos informações a partir de uma série de perguntas, que foram organizadas por meio do aplicativo Word. O questionário foi constituído por 3 perguntas abertas, que foram enviadas às interlocutoras por e-mail ou pelo WhatsApp, com datas definidas para devolução. Os dados foram gerados no período referente ao mês de setembro do ano de 2023.

As perguntas tinham como finalidade fazer com que as professoras não somente falassem o que percebiam no contexto escolar, mas avaliassem suas próprias visões e percepções literárias realizadas no setor educativo. Era, pois, relevante que as professoras tivessem autoconhecimento sobre suas próprias práticas pedagógicas, partindo de uma visão pessoal equivalente às suas ações educativas, no contexto escolar, sobre o ensino de literatura, para que, então, identificassem aquilo que é mais propício ou não aos conhecimentos dos alunos, estabelecendo da melhor forma possível abordagens que suprem as necessidades dos estudantes.   

À vista disso, o instrumento de geração de dados foi estabelecido por meio das seguintes perguntas4: 1) Em sua opinião, o ensino de literatura acontece de maneira significativa dentro das práticas educativas? Justifique. 2) você concorda que os gêneros literários, diante das reformas curriculares, podem acabar afetando o pouco espaço destinado à literatura? Justifique. 3) O que você acha sobre as novas adaptações e possibilidades que se vem passando e ganhando os textos literários mediante as mídias digitais para disseminação dos conteúdos literários? Justifique.

4. ANÁLISE DOS DADOS

Por meio de perguntas explícitas no questionário, pudemos dialogar e discutir a evidência atribuída à literatura e às suas adequações de leitura e escrita sob uma perspectiva social e pessoal. Para melhor definirmos a importância da literatura na escola e sua capacidade formativa sobre o indivíduo, ressaltamos as considerações feitas pela BNCC sobre a necessidade de sabermos “valorizar e utilizar os conhecimentos historicamente construídos sobre o mundo físico, social, cultural e digital para entender e explicar a realidade” (Brasil, 2018, p. 8).

Percebemos, a partir de nossas experiências e vivências em sala de aula, que, nas escolas, não se utiliza a expressão letramento literário para se referir às práticas de ensino de literatura. Por isso, optamos, inicialmente, por analisar essa realidade, considerando que, por meio da literatura, o aluno pode reconhecer-se e autodefinir-se como sujeito letrado diante dos textos literários, contribuindo para sua formação social, cultural e histórica. Assim, a literatura constitui-se como ferramenta primordial para a formação integral dos estudantes, tornando-os pensadores críticos e participativos.

Cosson (2021, p. 82) considera que a literatura passa, muitas vezes, despercebida como elemento relevante nas aulas de Língua Portuguesa, mas destaca como primordial que “[...] a leitura de textos literários oferecida na escola funciona, inicialmente, como uma forma de incentivo para a aprendizagem da escrita [...]”. Dessa forma, abre-se espaço para uma abordagem que contempla emoções, reflexões e diferentes experiências humanas.

Com base nos dados, percebemos que as professoras compartilham opiniões semelhantes sobre a não inclusão efetiva da literatura como prática agregadora aos conhecimentos de Língua Portuguesa. A seguir, discutimos as respostas apresentadas pelas interlocutoras P1, P2, P3 e P4 à primeira pergunta: em sua opinião, o ensino de literatura acontece de maneira significativa dentro das práticas educativas? Justifique.

Quadro 2 – Respostas à primeira pergunta

P1

Não. Infelizmente contamos com poucos horários na disciplina de língua portuguesa, temos que dividi-los em conteúdos de gramática, literatura e redação, o que dificulta aprofundamento nos assuntos sobre literatura.

P2

Infelizmente, não, considerando minha realidade, a escola não conta com nenhum projeto voltado, especialmente, para leitura literária. Embora, tenha bastante livros disponíveis, mas ainda assim, a leitura literária não acontece de maneira significativa.

P3

Não acontece. É um ensino fragmentado, pois os alunos chegam ao Ensino Médio sem os conhecimentos do gênero literário ou hábito de leitura. Além disso, os livros didáticos, no Novo Ensino Médio, praticamente eliminaram os textos literários. Assim, é difícil inserir a literatura em 3 anos.

P4

Mais ou menos, pois muitas vezes a literatura é usada como pretexto para o ensino da gramática, ou até menos, muitas obras não são lidas e estudadas por completo, apenas em fragmentos.

Fonte: Dados da pesquisa.

As respostas indicam, de forma recorrente, a fragilização do ensino de literatura. P1 destaca a divisão do tempo entre gramática, redação e literatura, o que dificulta o aprofundamento nos conteúdos literários. Essa fragmentação evidencia que a literatura, muitas vezes, ocupa um espaço secundário, sendo utilizada apenas como suporte para o ensino de regras gramaticais ou para informações históricas sobre autores e obras, sem exploração dos sentidos do texto literário.

P2 aponta a ausência de projetos voltados especificamente para a leitura literária, mesmo havendo acervo disponível na escola. Essa fala nos permite inferir que a limitação não está apenas na falta de recursos materiais, mas também na ausência de iniciativas pedagógicas e formativas que incentivem práticas literárias significativas. Aspectos como currículos sobrecarregados, falta de incentivo institucional e carência de formação continuada podem contribuir para esse cenário.

P3 ressalta que o ensino de literatura ocorre de forma fragmentada desde os anos iniciais, refletindo no Ensino Médio, quando os alunos já chegam sem hábito de leitura literária. Além disso, menciona a redução da presença de textos literários nos livros didáticos do Novo Ensino Médio. Essa observação reforça a ideia de que a ausência de continuidade no trabalho com a literatura compromete a formação leitora ao longo da trajetória escolar.

P4 afirma que a literatura é frequentemente utilizada como pretexto para o ensino de gramática, o que desloca o foco da interpretação crítica e estética do texto para análises puramente estruturais.

Diante dessas falas, compreendemos que há uma ausência significativa de práticas consistentes de ensino de literatura, configurando-se como uma questão-problema. Conforme Cosson (2021, p. 81), a literatura atribui valores, como: “[...] humanização, exercício de liberdade, construção de subjetividade, desenvolvimento do raciocínio abstrato (higher reasoning), espaço de autorreflexão e empatia [...]”. Diante disso, ressaltamos a necessidade do letramento escolar no contexto escolar.

Nesse sentido, torna-se fundamental que o professor tenha consciência dos benefícios do ensino de literatura no contexto da Língua Portuguesa, favorecendo o desenvolvimento crítico, analítico e argumentativo dos estudantes. Para isso, reafirmamos a necessidade de formação inicial e continuada que possibilite aos docentes compreenderem o impacto da leitura literária em sua dimensão pessoal e social.

Ao analisarmos a segunda questão, você concorda que os gêneros literários, diante das reformas curriculares, podem acabar afetando o pouco espaço destinado à literatura?, observamos novamente posicionamentos relevantes.

Quadro 3 – Respostas à segunda pergunta

P1

Acredito que possa afetar sim, como dito anteriormente, os horários são poucos, comparados à quantidade de conteúdos que devem ser repassados, assim, o ensino de literatura pode ser comprometido. Acredito que o estudo literário requer tempo para que seja uma atividade prazerosa.

P2

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) ressalta a importância do texto literário para o desenvolvimento de habilidades de leitura e escrita, destaca a importância de formar um leitor que sinta prazer ao realizar a leitura de um texto literário, então diante disso, embora aconteça mudanças no âmbito escolar, ainda assim, nos currículos, os gêneros literários continuam ocupando seu espaço. O que precisa é, que cada escola, a partir da construção do seu currículo, possa dar mais espaço para que a literatura e os gêneros literários possam ser trabalhados.

P3

Acho que a BNCC deixou um espaço literário interessante na Educação Infantil e no Ensino Fundamental. No Ensino Médio, praticamente foram retirados. Nas provas do Enem, há cobranças dos gêneros literários. Então, penso que há um erro grotesco de quem elaborou e aprovou os componentes na área da Linguagem. Talvez com as mudanças no Ensino Médio no próximo ano (retirar Pré-If, Tutoria, eletiva etc,) os gêneros literários tenham mais espaço

P4

Sim, pois atualmente o ensino dos gêneros tem ganhado um espaço muito grande, e as obras literárias têm sido estudadas apenas em pequenos fragmentos.

Fonte: Dados da pesquisa.

Inicialmente, P1 ressalta que a limitação do tempo pedagógico pode comprometer o ensino de literatura, uma vez que o estudo literário exige dedicação para que se torne uma atividade prazerosa. Essa fala dialoga com Zilberman (2009), ao refletir que a literatura precisa ser apresentada de forma significativa ao aluno, ampliando seu repertório comunicativo e contribuindo para o desenvolvimento de habilidades linguísticas, empatia e interações sociais.

P2 retoma a orientação da BNCC ao afirmar que o documento reconhece a importância do texto literário na formação do leitor. Entretanto, destaca que cabe à escola, na organização de seu currículo, garantir maior espaço para que a literatura e os gêneros literários sejam efetivamente trabalhados. Essa observação evidencia que, embora haja respaldo documental, sua efetivação depende das escolhas pedagógicas realizadas no contexto escolar.

P3 observa que a presença dos gêneros literários é mais perceptível na Educação Infantil e no Ensino Fundamental, enquanto no Ensino Médio ocorre uma redução significativa desse espaço. Essa constatação revela um descompasso entre as orientações curriculares e a prática pedagógica, sobretudo quando se considera que avaliações externas, como o Enem, continuam exigindo competências relacionadas aos gêneros literários.

P4 reforça a ideia de fragmentação ao afirmar que as obras literárias têm sido estudadas apenas por meio de trechos, o que compromete a compreensão global do texto e sua experiência estética.

Essas falas evidenciam que a literatura enfrenta desafios para se manter de forma consistente nas práticas pedagógicas. Nesse sentido, Candido (2011) defende que a literatura é uma necessidade universal, pois humaniza o sujeito ao organizar sentimentos e visões de mundo. Negar sua fruição é, portanto, limitar a formação humana.

Do mesmo modo, Cosson (2019, p. 27) enfatiza que “é preciso estar aberto à multiplicidade do mundo e à capacidade da palavra de dizê-lo para que a atividade da leitura seja significativa”. Contudo, como apontado por P4, os gêneros literários aparecem, muitas vezes, de forma fragmentada, o que revela uma crise nas abordagens literárias nas metodologias escolares.

Diante disso, percebemos que os desafios não se restringem à presença dos textos literários no currículo, mas dizem respeito à forma como são trabalhados em sala de aula. Essa constatação nos conduz à próxima questão da pesquisa: O que você acha sobre as novas adaptações e possibilidades que se vem passando e ganhando os textos literários mediante as mídias digitais para disseminação dos conteúdos literários? A partir de tal questionamento, trataremos das adaptações dos textos literários nas mídias digitais e suas possibilidades para a disseminação dos gêneros literários.

Quadro 4 – Respostas à terceira pergunta

P1

Acredito que essas adaptações são importantes, pois permitem uma dinamicidade no processo de ensino, sendo um diferencial, entretanto, acredito que nada substitui o trabalho literário/ a leitura a partir do livro físico, pois nele é possível imergir no mundo literário sem distrações.

P2

Com a evolução tecnológica, essa mudança acaba acontecendo de forma natural, é mais uma possibilidade de trabalhar o texto literário, seja fazendo a leitura pelo celular ou no livro físico. Vejo como mais uma metodologia que pode ser primordial para inserção dos alunos no meio literário, existem inúmeros gêneros literários digitais que podem chamar atenção dos alunos, como os minicontos. Além de outras tecnologias que podem ser usadas para interpretação e compreensão dos gêneros literários. No entanto, é primordial também que os alunos tenham contato com os livros físicos, que haja um equilíbrio entre os gêneros literários no espaço digital e no meio impresso, todas as formas são válidas quando o objetivo é formar leitores por meio do texto literário

P3

Vejo de modo positivo, haja vista que temos que acompanhar as mudanças que estão acontecendo. É óbvio que precisamos manter a essência e o objetivo de cada gênero literário. O mundo digital chegou para ficar e não podemos ignorar suas potencialidades.

P4

Se usadas de maneira adequada e com objetividade, as mídias digitais podem abrir um leque de possibilidades em relação ao ensino de gêneros literários, pois tais ambientes proporcionam mais dinamicidade no processo de ensino e aprendizagem dos alunos.

Fonte: Dados da pesquisa.

A esse respeito, P1 considera que essas adaptações são importantes por proporcionarem dinamicidade ao processo de ensino. Observamos que, atualmente, as Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) promovem maneiras inovadoras de circulação de conteúdos. Nesse sentido, corroboramos com (Cosson, 2019, p. 38), uma vez que compreendemos “a leitura como um fenômeno simultaneamente cognitivo e social”. Os recursos digitais ampliam as possibilidades comunicativas, construídas pelos próprios usuários que leem e escrevem diariamente em diferentes esferas digitais, apresentando múltiplas formas de vivenciar a leitura e a escrita literária.

P2 destaca que a tecnologia pode ampliar as possibilidades de trabalho com os textos literários, ao afirmar que se trata de uma metodologia capaz de favorecer a inserção dos alunos no meio literário. Vivemos em uma era digital e, diante disso, é importante que a tecnologia seja integrada às metodologias em sala de aula, exigindo que os professores desenvolvam domínio sobre ferramentas digitais que favoreçam a inserção das práticas literárias de forma crítica e criativa.

Conforme Ribeiro (2018, p. 1), ainda é comum encontrar práticas de “[...] ensino do texto literário pautadas em abordagens tradicionais e tecnicistas, que supervalorizam a historiografia literária em detrimento do ato de ensinar a ler literatura”. Essa prática reducionista diminui o valor do texto literário, transformando-o em mero elemento ilustrativo e, muitas vezes, afastando o aluno da leitura.

Dessa forma, compreendemos que promover práticas de letramento literário exige uma organização pedagógica que contemple estratégias inclusivas e adaptadas às novas realidades. Além disso, é fundamental que os professores se reconheçam como leitores, pois somente assim poderão influenciar os alunos a apreciarem a leitura literária e a desenvolverem raciocínio crítico diante das ideias presentes nos textos.

Defendemos, ainda, a preservação da essência dos textos literários também no ambiente digital. Como destaca P3, é necessário que as adaptações não rompam com as ideias centrais das obras originais, para que possam servir como ferramentas significativas de disseminação literária.

P4 reforça que as mídias digitais ampliam as possibilidades metodológicas no ensino dos gêneros literários, ao proporcionarem maior dinamicidade ao processo de ensino e aprendizagem. A internet oferece diversos formatos de acesso aos textos, como vídeos, podcasts, redes sociais e blogs, favorecendo diferentes formas de interação com a literatura.

Segundo Paiva (2021, p. 62), é importante que os alunos aprendam a “[...] buscar, avaliar, compartilhar e criar conteúdos, realizando leituras hipertextuais e interagindo de forma ética no mundo virtual”. Assim, embora os alunos já utilizem frequentemente os meios digitais, é essencial que desenvolvam uma leitura crítica e responsável, reconhecendo a riqueza histórica, crítica e estética dos textos literários.

Diante dessas reflexões, percebemos que o ensino de literatura ainda se encontra fragilizado em muitas metodologias escolares, enfrentando obstáculos que dificultam sua efetivação no contexto educacional. Conforme evidenciado nas falas das professoras, essa fragilidade também está relacionada à desvalorização dos conteúdos literários nos currículos.

Por fim, compreendemos que a promoção de práticas de letramento literário não é responsabilidade exclusiva do professor, mas também da escola, que deve incentivar e viabilizar ações significativas voltadas à formação de leitores literários, em um trabalho conjunto que favoreça o processo de ensino e aprendizagem em suas diversas modalidades.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Retomando o objetivo desta pesquisa, investigar o tratamento dado à prática de letramento literário mediada pelo digital no contexto do Baixo Parnaíba Maranhense e analisar como os professores percebem o impacto do letramento literário e digital no contexto educacional contemporâneo, compreendemos que ele foi alcançado à medida que conseguimos identificar, a partir das vozes docentes, as percepções, os desafios e as possibilidades que atravessam o ensino de literatura nas escolas investigadas.

Em resposta à pergunta-problema que orientou este estudo, como os professores, situados em escolas das cidades de Milagres–MA, Santa Quitéria–MA, São Bernardo–MA e Araioses–MA, percebem o letramento literário e sua relação com o letramento digital, constatamos que os docentes reconhecem a relevância do letramento literário para a formação crítica e humana dos alunos, ao mesmo tempo em que percebem o letramento digital como uma possibilidade metodológica capaz de dinamizar o ensino de literatura. No entanto, também evidenciam limitações estruturais, curriculares e formativas que dificultam a efetivação dessas práticas no cotidiano escolar.

A partir das análises realizadas, destacamos como principais achados da pesquisa:

  1. A presença fragilizada do ensino de literatura nos currículos escolares, muitas vezes reduzido a fragmentos de obras ou utilizado como suporte para o ensino de gramática;

  2. A ausência ou insuficiência de projetos escolares voltados especificamente para a leitura literária, mesmo quando há disponibilidade de acervos físicos;

  3. A percepção de que o tempo pedagógico destinado à disciplina de língua portuguesa é insuficiente para contemplar, de forma significativa, o estudo literário;

  4. A constatação de que os alunos chegam ao ensino médio com pouco repertório literário e sem o hábito consolidado de leitura;

  5. O reconhecimento, por parte dos professores, de que as mídias digitais podem favorecer novas estratégias de abordagem dos gêneros literários, desde que utilizadas de forma planejada e crítica;

  6. A defesa de um equilíbrio entre o uso do livro físico e os recursos digitais no trabalho com a literatura;

  7. A compreensão de que a formação inicial e continuada dos professores é um fator essencial para a efetivação de práticas de letramento literário articuladas ao digital.

Dessa forma, entendemos que o letramento literário, atrelado ao digital, não deve ser visto como uma substituição do modelo tradicional de leitura, mas como uma ampliação de possibilidades que pode aproximar os alunos do texto literário, desde que haja intencionalidade pedagógica, planejamento e apoio institucional.

Por fim, indicamos como possibilidade para pesquisas futuras investigações que contemplem práticas pedagógicas concretas de letramento literário mediadas por recursos digitais, analisando intervenções didáticas em sala de aula, bem como estudos voltados à formação docente para o uso crítico das tecnologias no ensino de literatura, ampliando, assim, as discussões aqui iniciadas.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasil, 2018. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/. Acesso em: 22 fev. 2025.  

CANDIDO, Antonio. O Direito à Literatura. In: Vários Escritos. 5. ed. Rio de Janeiro: Ouro sobre azul, 2011. 

COSSON, Rildo. Letramento Literário: teoria e prática. 2. ed. São Paulo: Contexto, 2019.   

COSSON, Rildo. Ensino de literatura, leitura literária e letramento literário: uma desambiguação. Interdisciplinar: Revista de Estudos em Língua e Literatura. v. 35, p.73-92, jan./jun., 2021. Disponível em: https://periodicos.ufs.br/interdisciplinar/article/view/15690. Acesso em: 22 fev. 2025. 

KLEIMAN, Angela B. “Preciso ensinar” o letramento? Não basta ensinar a ler e a escrever? Ministério da Educação, 2005.  

PAIVA, Vera Lúcia Menezes de Oliveira. Letramento digital: problematizando o conceito. Revista da Abralin, v. 20, n. 3, p. 1161-1179, 2021. Disponível em: https://revista.abralin.org/index.php/abralin/article/view/1905. Acesso em: 22 fev. 2025. 

RIBEIRO, Esdras do Nascimento. Letramento literário: uma alternativa para a leitura em sala de aula. CONGRESSO NACIONAL DE EDUCAÇÃO. 5. 2018. Anais [...] Campina Grande: UFCG, 2018. Disponível em: https://editorarealize.com.br/editora/anais/conedu/2018/TRABALHO_EV117_MD1_SA8_ID7349_02092018174953.pdf. Acesso em: 22 fev. 2025.

RIBEIRO, Ana Elisa; COSCARELLI, Carla Viana. Linguística aplicada: ensino de português. São Paulo: Contexto, 2023. 

ROJO, Roxane; MOURA, Eduardo. Letramentos, mídias, linguagens. Parábola Editorial, São Paulo, 2019.

SALES, Jesica Carvalho; LOPES, Iveuta de Abreu. Letramento digital: origens e conceituação do termo a partir da perspectiva teórica. CONGRESSO INTERNACIONAL DE LÍNGUAS E LITERATURA. 10. 2021. Campina Grande: Realize Editora, 2021. Disponível em: https://editorarealize.com.br/artigo/visualizar/75832. Acesso em: 22 fev. 2025.

SOARES, Magda. Letramento: um tema em três gêneros.  3. ed. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2009.

SOUZA, Renata Junqueira; COSSON, Rildo. Letramento literário: uma proposta para sala de aula. São Paulo: UNESP, 2017. Disponível em: https://acervodigital.unesp.br/bitstream/123456789/40143/1/01d16t08.pdf. Acesso em: 11 fev. 2025. 

ZILBERMAN, Regina. O papel da Literatura na Escola, Via Atlântica, n. 14, 2009. Disponível em: https://www.revistas.usp.br/viaatlantica/article/view/50376. Acesso em: 22 fev. 2025. 


1 Graduada em Linguagens e Códigos Língua Portuguesa pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Centro de Ciências de São Bernardo (CCSB). E-mail: [email protected]

2 Doutor em Letras (área de concentração em Linguística) pela Universidade Federal do Piauí (UFPI). Professor do Curso de Linguagens e Códigos Língua Portuguesa da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Centro de Ciências de São Bernardo (CCSB). E-mail: [email protected]

3 Mestre em Letras (área de concentração em Literatura, Memória e Cultura) pela Universidade Estadual do Piauí (UESPI). Professor de Linguagens no Centro Universitário Maurício de Nassau Teresina. E-mail: [email protected].

4 Ressaltamos que, neste artigo, optamos por analisar apenas três das questões que compuseram o instrumento de geração de dados da pesquisa. Tal escolha deve-se ao fato de este trabalho constituir um recorte da monografia desenvolvida pela aluna, na qual o conjunto completo das questões foi examinado de forma mais ampla. Assim, para fins de delimitação temática e adequação ao formato do artigo científico, selecionamos as perguntas que dialogam mais diretamente com o objetivo aqui proposto, preservando a coerência analítica e a profundidade das discussões apresentadas.