REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/785203534
RESUMO
Este estudo analisa os desafios da adaptação sociocultural e sua influência na permanência de estudantes internacionais na Universidade Federal de Sergipe (UFS), considerando o contexto da internacionalização do ensino superior brasileiro. A pesquisa caracteriza-se como quantitativa descritiva e exploratória, tendo como público-alvo estudantes internacionais regularmente matriculados na UFS e membros da Associação dos Estudantes Internacionais. Os dados foram coletados por meio de questionários estruturados e analisados estatisticamente. Os resultados evidenciam que as principais dificuldades enfrentadas pelos estudantes estão relacionadas às barreiras linguísticas, diferenças culturais, limitada integração com colegas brasileiros, ausência de redes de apoio e experiências de discriminação, fatores que podem comprometer o desempenho acadêmico e aumentar a intenção de evasão. Embora a universidade desenvolva ações de acolhimento e integração, os participantes apontam a necessidade de fortalecer as políticas institucionais de inclusão, acompanhamento e apoio contínuo. Por tanto, a permanência dos estudantes internacionais na UFS depende não apenas das oportunidades de acesso ao ensino superior, mas também da implementação de estratégias institucionais que favoreçam a integração intercultural, o respeito à diversidade e a construção de um ambiente universitário mais inclusivo e acolhedor.
Palavras-chave: internacionalização do ensino superior; adaptação sociocultural; estudantes internacionais; permanência estudantil; Universidade Federal de Sergipe.
ABSTRACT
This study analyzes the challenges of sociocultural adaptation and their influence on the retention of international students at the Federal University of Sergipe (UFS), within the context of the internationalization of Brazilian higher education. The research is characterized as quantitative, descriptive, and exploratory, involving international students enrolled at UFS and members of the International Students' Association. Data were collected through structured questionnaires and analyzed using statistical procedures. The findings reveal that the main challenges faced by international students are related to language barriers, cultural differences, limited integration with Brazilian peers, lack of support networks, and experiences of discrimination, all of which may negatively affect academic performance and increase the likelihood of student dropout. Although the university has implemented welcoming and integration initiatives, participants emphasized the need to strengthen institutional policies aimed at inclusion, continuous support, and student assistance. The study concludes that the retention of international students depends not only on access to higher education but also on the implementation of institutional strategies that promote intercultural integration, respect for diversity, and the development of a more inclusive and welcoming academic environment.
Keywords: internationalization of higher education; sociocultural adaptation; international students; student retention; Federal University of Sergipe.
1. INTRODUÇÃO
A internacionalização do ensino superior tem impulsionado a mobilidade acadêmica, promovendo o intercâmbio de estudantes entre diferentes países e fortalecendo a cooperação científica e cultural entre as instituições de ensino. Nesse contexto, o Brasil tem recebido um número crescente de estudantes internacionais, especialmente oriundos de países africanos de língua oficial portuguesa, da América Latina e de outras regiões, que buscam formação acadêmica em universidades públicas brasileiras. Entretanto, a permanência desses estudantes nas instituições de ensino superior depende não apenas do acesso às vagas, mas também da capacidade de adaptação às novas condições sociais, culturais, linguísticas e acadêmicas que caracterizam o contexto de acolhimento (MOROSINI, 2018).
Na Universidade Federal de Sergipe (UFS), a presença de estudantes internacionais representa um importante elemento para a consolidação das políticas de internacionalização e para a promoção da diversidade cultural no ambiente universitário. Contudo, a experiência desses estudantes é frequentemente marcada por desafios relacionados às diferenças culturais, dificuldades de comunicação, adaptação ao sistema de ensino, questões econômicas, saudade da família, preconceito e construção de novas redes de apoio social. Esses fatores podem influenciar diretamente o desempenho acadêmico e a permanência na universidade, tornando necessária a investigação sobre os processos de adaptação sociocultural vivenciado por esse público (ANDRADE, 2019).
Assim, a relevância acadêmica desta pesquisa fundamenta-se na necessidade de ampliar a produção científica sobre a adaptação sociocultural e a permanência de estudantes internacionais nas instituições brasileiras de ensino superior, tema ainda pouco explorado em comparação com outras dimensões da internacionalização universitária. O estudo pretende contribuir para o aprofundamento das discussões sobre políticas institucionais de acolhimento, inclusão e permanência estudantil, fornecendo subsídios para futuras pesquisas e para o aperfeiçoamento das práticas institucionais.
No âmbito social, a pesquisa justifica-se pela importância de compreender os desafios enfrentados pelos estudantes internacionais durante sua trajetória acadêmica, favorecendo a construção de políticas públicas e institucionais voltadas para a promoção da inclusão, da igualdade de oportunidades e do respeito à diversidade cultural. Compreender essas experiências pode contribuir para a redução das dificuldades de integração e para o fortalecimento das relações interculturais dentro da universidade (UNESCO, 2021).
Sob a perspectiva pessoal, o interesse pelo tema decorre da vivência e da proximidade com estudantes internacionais, cujas experiências revelam dificuldades que vão além das questões acadêmicas, envolvendo processos de adaptação social, cultural e emocional. Essa realidade desperta o interesse em compreender os fatores que favorecem ou dificultam sua permanência na Universidade Federal de Sergipe, contribuindo para a valorização da diversidade cultural e para a melhoria das condições de acolhimento oferecidas pela instituição. Diante desse cenário, a presente pesquisa busca responder à seguinte pergunta de partida: Quais são os principais desafios da adaptação sociocultural enfrentados pelos estudantes internacionais da Universidade Federal de Sergipe e de que forma esses desafios influenciam sua permanência na instituição?
Para responder a essa questão, estabelecemos como objetivo geral analisar os desafios da adaptação sociocultural e sua influência na permanência dos estudantes internacionais na Universidade Federal de Sergipe. Como objetivos específicos, pretende-se: identificar os principais desafios socioculturais enfrentados pelos estudantes internacionais durante sua permanência na UFS; compreender como esses desafios interferem na integração acadêmica, social e cultural; avaliar as estratégias utilizadas pela associação de Estudantes Internacional da UFS na criação de politica institucional de acolhimento e permanência para o fortalecimento da inclusão desses estudantes.
Quanto aos procedimentos metodológicos, o estudo caracteriza-se como uma pesquisa quantitativa, de natureza descritiva e exploratória, destinada a analisar os fatores que influenciam a adaptação sociocultural e a permanência acadêmica dos estudantes internacionais na instituição. A pesquisa busca identificar, por meio de dados mensuráveis, as principais dificuldades enfrentadas pelos estudantes no processo de integração ao ambiente universitário, considerando aspetos culturais, sociais, acadêmico e institucional.
O público-alvo da investigação será composto por estudantes internacionais regularmente matriculados na Universidade Federal de Sergipe e membros da Associação dos Estudantes Internacionais. A técnica de coleta de dados será realizada mediante aplicação de questionário estruturado, contendo questões fechadas, permitindo a obtenção de informações quantitativas sobre experiências de adaptação, redes de apoio, desafios encontrados e perspectivas de permanência no ensino superior brasileiro. Os dados coletados serão organizados e analisados por meio de procedimentos estatísticos, possibilitando a interpretação dos resultados e a identificação de padrões relacionados à experiência dos estudantes internacionais no contexto universitário.
Assim, o presente artigo está estruturado em quatro seções, a saber: (i) introdução; (ii) referencial teórico sobre internacionalização do ensino superior, mobilidade acadêmica e adaptação sociocultural; (iii) discute os fatores que influenciam a permanência dos estudantes internacionais no contexto universitário brasileiro; (iv) e discussão dos resultados obtidos seguido das considerações finais.
2. O FENÔMENO DA INTERNACIONALIZAÇÃO DO ENSINO SUPERIOR NO BRASIL
A educação superior brasileira vem desembocar, na década de 1990, em um processo acelerado de privatização e de mercantilização. Isto é, não apenas aumentaram consideravelmente as matrículas nas instituições privadas, como também estas passaram a atender predominantemente aos interesses do mercado, constituindo-se no que denominou de "privado-mercantil", criando condições mínimas para incentivar discentes e docentes a estudarem no exterior, promovendo mobilidade para os professores e pessoal administrativo, visitas de professores e pesquisadores a outros países para participar de seminários internacionais, dentre outras ações. (BASTOS et al., 2017).
Na visão de internacionalização dos estudantes do ensino superior no Brasil, conforme abordado por é um fenômeno multifacetado que envolve a integração de uma dimensão internacional em todas as atividades e funções das instituições de Ensino Superior. Este processo visa aprimorar a qualidade do ensino e da aprendizagem, além de desenvolver competências desejadas, o autor propôs uma definição de internacionalização que, embora não contradiga suas definições anteriores, as explicita e refina com termos mais genéricos (KNIGHT, 2004).
Essa abordagem torna a definição generalizável a diferentes contextos educacionais nacionais, sem especificar as razões, benefícios, resultados, atores, atividades e patrocinadores, que podem variar em cada país. A internacionalização pode ser vista como um processo intencional que visa à transformação de uma instituição nacional em uma instituição internacional. E no contexto brasileiro e Global, A internacionalização do ensino superior tem sido uma pauta central nas políticas universitárias por décadas e tem se desenvolvido fortemente em todo o mundo. No BRASIL e no MERCOSUL, em particular, essa dimensão internacional tem sido cada vez mais incorporada ao cotidiano das instituições de ensino superior. A internacionalização não apenas transformou o ensino superior, mas também promoveu um processo de cooperação e mobilidade acadêmica sem precedentes.
Sobre o caso, existem múltiplas interpretações e usos do conceito de internacionalização, a ponto de ele abranger qualquer coisa internacional relacionada à educação superior. Para mensurar esse processo, Brandenburg et al. (2007) propuseram a organização de indicadores em três categorias principais: aspectos gerais, pesquisa acadêmica, e ensino e estudo. Uma abordagem focada em atividades busca aumentar a cooperação internacional para garantir maior segurança nacional e competitividade econômica.
Para Morosini (2011, p. 43), a internacionalização não é um fim em si mesmo, mas um processo de integração de uma dimensão intercultural, internacional ou global nas funções de ensino, pesquisa e extensão neste contexto, no Brasil, esse processo é marcado por uma transição de uma cooperação tradicional baseada no enviar e receber estudantes (muitas vezes vista como uma via de mão única para centros hegemônicos). Portanto é Uma internacionalização mais estratégica, focada na construção de redes de conhecimento e no fortalecimento institucional.
No estudo sobre a Internacionalização da educação superior: políticas e práticas no Brasil, trás como um dos pilares de análise o conceito de globalização que segundo o autor:
As universidades brasileiras precisam responder a padrões globais de qualidade e rankings internacionais. Ao mesmo tempo, o autor deixa um alerta às instituições de Ensino Superior no Brasil para não perderem a sua identidade e compromisso social com as demandas locais e regionais do país que vão se verificando nos últimos tempos fruto da globalização e da internacionalização do ensino. (MOROSINI, 2011, p. 33).
Para Morosini (2011) destaca que o fenômeno ocorre em diferentes frentes de mobilidade acadêmica. O envio de alunos (outbound) e a recepção de estrangeiros (inbound), permitindo a internacionalização, desenvolvimento de currículos com bibliografia internacional, ensino de línguas e eventos com convidados estrangeiros dentro do próprio campus. Já para a Cooperação Sul-Sul, um do movimento importante no Brasil para fortalecer parcerias com outros países da América Latina e África, fugindo da dependência exclusiva do "Eixo Norte" (EUA e Europa).
Morosini (2011, p. 41) aponta os principais desafios identificados para a consolidação desse processo no Brasil e que vão de acordo com os que foram identificados ao longo da realização desta pesquisa aos estudantes internacionais:
Barreira Linguística: o domínio insuficiente de línguas estrangeiras, especialmente o inglês, tanto por alunos quanto por docentes; fragmentação das ações: muitas vezes a internacionalização ocorre por iniciativas isoladas de professores e não como uma política institucional estruturada; assimetrias: o risco de o Brasil atuar apenas como "consumidor" de modelos educacionais externos em vez de ser um parceiro em igualdade de condições.
A internacionalização no Brasil, sob a ótica de Morosini (2011) é um movimento de qualificação. Este movimento defende que a universidade brasileira deve buscar a inserção global para ser competitiva, mas deve fazê-lo de forma ética e solidária, garantindo que o intercâmbio de saberes resulte no desenvolvimento do próprio país e da região latino-americana.
Já para Bastos et al. (2017) acredita que a internacionalização da educação superior não é um fenômeno recente, mas ganhou novas conotações a partir do final dos anos 90 do século XX, em função, sobretudo, do processo de globalização. Esse fenômeno trouxe no seu bojo a formulação de que estava se forjando uma sociedade na qual o conhecimento seria uma força produtiva importante, a mola mestra para o desenvolvimento dos países, passando a ser vista como uma ferramenta significativa para o alcance dessa nova sociedade.
A internacionalização do ensino no Brasil se constitui como a quarta missão da universidade, sendo o ensino, a pesquisa e a extensão as outras três. Essa posição assumida por esses autores leva em conta o que eles chamam de “capacidade de mobilizar a universidade para o cumprimento de quatro objetivos”, quais sejam: o reforço de projetos conjuntos e integradores; maior dimensão as atividade de formação, de pesquisa e de inovação; condução de uma agenda referente à diplomacia cultural e, por último, a consolidação de espaços integrados do conhecimento. (SANTOS et al., 2012, p. 145).
3. BARREIRAS CULTURAIS E LINGUÍSTICAS
Os estudos desenvolvidos por Hofstede (1997, p. 32) sobre dimensões culturais, apontam o individualismo versus coletivismo, distância do poder, e a orientação de longo ou curto prazo como elementos que podem afetar a forma como estudantes internacionais interagem com colegas, professores e a sociedade em geral. Por exemplo, estudantes de culturas mais coletivistas podem ter expectativas diferentes de apoio social e trabalho em grupo em comparação com aqueles de culturas mais individualistas. Assim para o autor, a distância do poder pode influenciar a forma como os estudantes percebem e interagem com figuras de autoridade acadêmica. Por outra, o autor chama atenção em situações de que:
As barreiras linguísticas é um dos desafios mais imediatos para estudantes internacionais, Mesmo que estude em português, a variante falada em Sergipe pode apresentar desafios, gírias, sotaques e a velocidade da fala podem dificultar a compreensão e dificuldade em se expressar pode gerar frustração e insegurança, tanto nas interações acadêmicas quanto no seu dia a dia e tanto no vocabulário técnico, no ambiente acadêmico a barreira pode ser ainda maior com o vocabulário especifico de cada área de estudo (SANTOS, 2017, p. 17).
O autor fundamenta que, a proficiência no idioma local é crucial para o sucesso acadêmico e a integração social. A falta de fluência pode levar a dificuldades na compreensão de aulas, na participação em discussões e na realização de tarefas, além de gerar isolamento e frustração. Além do idioma, as diferenças culturais podem manifestar-se em normas sociais, costumes, estilos de comunicação e valores. A adaptação a um novo ambiente cultural exige que os estudantes desenvolvam competências interculturais, aprendendo a navegar por essas diferenças e a evitar mal-entendidos. A diversidade cultural em ambientes educacionais, como mencionado em contextos de migração, pode apresentar desafios pedagógicos e demandar abordagens inclusivas (SANTOS, 2017, p. 19-20).
Santos (2017) fundamenta que, o programa de intercâmbio, como os promovidos pelo Governo de Sergipe, visa oferecer aos estudantes experiências internacionais e vivências culturais, com o objetivo de ampliar seus conhecimentos e fortalecer suas habilidades linguísticas e interculturais. Essas experiências, embora desafiadoras, são fundamentais para o desenvolvimento pessoal e acadêmico dos estudantes, ensinando lições valiosas sobre compromisso, companheirismo e compreensão do próximo. Assim para o CONSELHO DA EUROPA (2001, p. 23-24), descrevem que:
No que se refere ao conceito de multilinguíssimo e ampliando a discussão ao contrastá-lo com o termo plurilinguíssimo, o Quadro Comum Europeu define o multilinguíssimo como o conhecimento de certo número de línguas ou a coexistência de diferentes línguas numa dada sociedade. No entanto, o documento direciona a visão do conceito para a oferta de ensino de línguas no sistema educacional, como para a aprendizagem de línguas estrangeiras.
Já para Jacquemet (2000) na interpretação de Santos (2017) acredita que, antropologia linguística, o conflito é associado à relação entre língua e poder, conceitualizando assim que o fenômeno interrompe o curso normal das trocas sociais e pode levar a rupturas interacionais e, ainda assim, fornece uma força central para a constituição das relações sociais.
As discussões, segundo antropologia linguística, são base para a compreensão posterior do conflito linguístico, que recorrem, frequentemente, a elucidar sobre o uso da língua como manifestação de poder, isto é, indo além da dicotomia de conflitos entre sujeitos e comunidades de fala (Jacquemet, 2000, p. 42).
Santos (2017) acrescenta dizendo que os estudos dos antropólogos sobre conflitos, o teórico problematiza o negligenciamento da pesquisa do uso da linguagem como fator que é utilizado intencionalmente pelos participantes do conflito, a partir de um objetivo específico. Assim, até recentemente, a maioria dos antropólogos jurídicos tratava a fala como uma fonte de informação sobre o conflito, e não como um dispositivo tecno-político usado pelos participantes do conflito.
Em outros termos, para (Jacquemet, 2000) diz que a língua, mesmo sendo considerada como uma prática social, não era vista como uma potencialidade na ocorrência de situações conflituosas, sendo essa compreensão crucial para o entendimento macro do conflito.
No entender de Morosini (2011) ao apontar que, há dificuldades em entender o jeito de ser do sergipano, no entanto, na comunicação não verbal, os costumes locais, que coloca em choque os estudantes estrangeiros. Portanto, em valores e normas sociais de Sergipe sobre tudo a sua adaptação social, o autor descreve que existe uma dificuldade como:
O processo de fazer amigos, se integrar à comunidade local e lidar com a saudade de casa; enfrentamento de preconceitos ou foram alvo de estereótipos por serem estrangeiros e isso em algum momento, impacta a experiência académica e enquanto pessoa.
Por outra, Santos (2017) acredita que as barreiras culturais e linguísticas enfrentadas pelos estudantes internacionais no Estado de Sergipe são muito relevante e atuante na sua vida académica dentro da UFS é necessário que haja inclusão de modo que haja sucesso dos estudantes estrangeiros neste novo ambiente acadêmico e social.
Portanto, acrescenta-se que a adaptação de estudantes internacionais em um novo país envolve muito mais do que apenas o aprendizado de um novo idioma. As diferenças culturais, sociais e até mesmo a forma de ensinar podem representar obstáculos significativos.
Simões et al. (2019) no seu artigo sobre o ensino de português como língua de acolhimento e seu papel como facilitador do processo de integração de imigrantes venezuelanos aborda sobre as principais barreiras de comunicação, cultural e outras dificuldades que os emigrantes passam no processo de integração. Esta abordagem para nós constitui um caminho para o entendimento das principais dificuldades que os estudantes internacionais passam na (UFS) no processo de integração e adaptação:
Comunicação no dia a dia: a dificuldade em se expressar e compreender o português, mesmo em níveis básicos, impacta diretamente a interação social, a participação em aulas e a realização de tarefas cotidianas. Muitos estudantes chegam ao Brasil sem conhecimento prévio do idioma, o que gera isolamento e frustração. Linguagem acadêmica: além da comunicação geral, o vocabulário técnico e a estrutura de aulas universitárias podem ser um desafio adicional, mesmo para aqueles com algum conhecimento do idioma. Variações do português: O português falado no Brasil, e em particular em Sergipe, pode ter sotaques e expressões regionais que dificultam a compreensão para quem está aprendendo. (SIMÕES et al., 2019, p. 18).
Em relação ao choque cultural Simões (2019) acredita que: a diferenças em costumes, valores, normas sociais e até mesmo na percepção do tempo podem gerar estranhamento e dificuldade de adaptação; adaptação social: a integração com colegas brasileiros e a participação em atividades sociais podem ser desafiadoras devido à timidez, à dificuldade de comunicação e à falta de familiaridade com as práticas locais; preconceito e xenofobia: infelizmente, estudantes internacionais podem enfrentar preconceito, xenofobia e racismo, o que agrava o sentimento de exclusão e dificulta a adaptação sistema educacional: as metodologias de ensino, a relação professor-aluno e as formas de avaliação podem ser diferentes do que os estudantes estão acostumados em seus países de origem.
No que concerne às outras dificuldades, o autor fundamenta que, a burocracia: obtenção de documentos, regularização migratória e acesso a serviços essenciais podem ser processos complexos e demorados, busto de vida: em cidades maiores como Aracaju, o custo de vida, especialmente moradia, pode ser um obstáculo significativo, exigindo bolsas de estudo ou recursos financeiros substanciais; falta de apoio institucional: Algumas instituições podem não possuir programas específicos de acolhimento e apoio para estudantes internacionais, o que aumenta a vulnerabilidade desses alunos. (SIMÕES et al., 2019, p. 12-13).
4. POLÍTICAS PÚBLICAS DE ACOLHIMENTO INSTITUCIONAL DA UFS
A Universidade Federal de Sergipe (UFS) estabelece suas políticas de acolhimento institucional e metas de internacionalização por meio de seu Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI, 2021-2025), este documento orienta as ações da universidade para um futuro mais globalizado e inclusivo, onde a:
A Coordenação de Relações Internacionais (CORI) é o setor responsável por planejar e implementar essas diretrizes, com foco na recepção de estudantes e pesquisadores estrangeiros. O Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI) é um documento oficial da Universidade Federal de Sergipe que delineia as metas e estratégias da instituição para um período determinado, como o PDI 2016-2020 ou o PDI 2021-2025. Este plano é construído coletivamente, com a participação da comunidade acadêmica, buscando uma universidade mais democrática, inovadora e inclusiva.
Assim, a Coordenação de Relações Internacionais (CORI) da UFS é o setor encarregado de planejar, articular e executar ações que promovam a internacionalização do ensino, pesquisa, extensão e gestão universitária. Entre suas atribuições, a CORI busca consolidar a UFS como uma universidade internacionalmente conectada, valorizando a atuação em redes colaborativas para o desenvolvimento científico, tecnológico e social. (PDI-UFS, 2021-2025).
Nesta ordem, as políticas de acolhimento institucional para estudantes e pesquisadores estrangeiros são um componente central dessa estratégia. A CORI tem como objetivo fomentar o acolhimento institucional de estudantes e pesquisadores estrangeiros, desenvolvendo políticas de internacionalização que fortaleçam a inserção global da UFS. (Idem).
A atuação da CORI é orientada por valores como inclusão, equidade, respeito à diversidade e cooperação internacional solidária, alinhados aos objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU). Para alcançar esses objetivos, a CORI busca:
Estimular a oferta de disciplinas em línguas estrangeiras e a construção de convênios, cotutela e dupla titulação; promover cursos internacionais de extensão com foco intercultural e transdisciplinar; ampliar oportunidades de cooperação acadêmica e científica; estimular a vivência intercultural na comunidade universitária. (PDI UFS, 2021-2025).
Nesta conformidade, essas ações visam garantir que estudantes e pesquisadores internacionais sejam bem recebidos e integrados à comunidade acadêmica da UFS, facilitando sua adaptação e contribuindo para uma experiência enriquecedora e diversificada. As políticas de acolhimento institucional da Universidade Federal de Sergipe (UFS), coordenadas pela Coordenação de Relações Internacionais (CORI/UFS), visam promover a internacionalização da universidade e garantir a integração de estudantes e pesquisadores estrangeiros. Essas ações são detalhadas em relatórios de gestão e editais de mobilidade, disponíveis no site oficial da UFS. (PDI UFS, 2021-2025).
O PDI-UFS (2021-2025) atribui a Coordenação de Relações Internacionais, as seguintes responsabilidades de planejar, articular e programar ações que promovam a internacionalização do ensino, pesquisa, extensão e gestão universitária. Entre suas principais atribuições, destacam-se:
Atendimento à comunidade acadêmica: esclarecimento de dúvidas, gerenciamento de processos administrativos e apoio à formulação de editais; divulgação de oportunidades internacionais: informar e orientar a comunidade acadêmica sobre programas de intercâmbio, bolsas e parcerias internacionais1; promoção da internacionalização: fomentar o acolhimento institucional de estudantes e pesquisadores estrangeiros, incentivando a participação da UFS em redes e programas internacionais; poio à mobilidade acadêmica: Acompanhar a tramitação de programas de mobilidade para docentes, discentes e técnicos administrativos, tanto para quem sai quanto para quem chega à UFS (PDI-UFS, 2021-2025).
5. ADAPTAÇÃO E SUA IMPLICAÇÃO NA SAÚDE MENTAL DOS ESTUDANTES
A adaptação a novos ambientes, especialmente para estudantes internacionais, é um processo complexo que pode ter um impacto significativo na saúde mental e nos índices de abandono. A teoria de Adler (1975) sobre a experiência transicional e o conceito de choque cultural ajuda a compreender as fases emocionais envolvidas nesse processo. O autor propôs uma visão da adaptação como uma experiência transicional, caracterizada por diferentes fases emocionais que um indivíduo atravessa ao ser exposto a uma nova cultura ou ambiente. Essas fases, comumente associadas ao choque cultural, incluem:
Fase da Lua de Mel: inicialmente, o indivíduo sente entusiasmo, curiosidade e fascínio pelas novidades do novo ambiente. Há uma idealização da nova cultura, e as diferenças são vistas de forma positiva. Para o autor, o impacto emocional é predominantemente positivo; Fase da Crise: após a euforia inicial, as diferenças culturais começam a se tornar frustrantes e avassaladoras. O indivíduo pode experimentar sentimentos de ansiedade, confusão, irritabilidade, solidão, saudade de casa e até mesmo depressão. Dificuldades de comunicação, mal-entendidos e a sensação de não pertencimento são comuns, levando a um impacto emocional negativo e significativo. É nesta fase que a saúde mental é mais vulnerável; Fase de Recuperação: gradualmente, o indivíduo começa a desenvolver estratégias de enfrentamento e a compreender melhor a nova cultura. A frustração diminui, e a capacidade de resolver problemas e se comunicar melhoram. Há um aumento da autoconfiança e uma redução da ansiedade; Fase de Ajuste/Adaptação: nesta fase, o indivíduo já se sente confortável e funcional no novo ambiente. Há uma aceitação das diferenças culturais, e o indivíduo consegue operar eficazmente tanto na cultura de origem quanto na nova. O impacto emocional se estabiliza, e a saúde mental tende a se reequilibrar (ADLER, 1975, p. 54).
Segundo o DSM-5, o transtorno de adaptação pode ocorrer diante de mudanças significativas, como a inserção em um novo ambiente, quando surgem sintomas emocionais ou comportamentais desproporcionais ao estressor, iniciada em até três meses após o evento. Esses sintomas causam prejuízo no funcionamento social, acadêmico ou ocupacional e não persistem por mais de seis meses após o término do estressor (DSM-5, 2014).
Estudos apontam que a dificuldade de adaptação pode ter um impacto profundo na saúde mental das populações. Neste grupo de pessoas, a população universitária representa taxas mais elevadas de sintomas de ansiedade e depressão do que a população no geral, com um aumento desses indices nos últimos anos, assim como aponta (GAIA 2016, p. 54).
No nosso ponto de vista, a incapacidade de se adaptar ao novo ambiente acadêmico e cultural pode levar a um transtorno de adaptação, manifestada por sintomas como irritação, impaciência e dificuldade de concentração e raciocínio lógico. Nesta ordem de raciocinio, a qualidade de vida e a sensação de bem-estar também podem ser afetadas pelo estresse excessivo decorrente da não adaptação, isso pode levar ao abandono escolar conforme defende (Adler, 1975) de que:
A problemática do abandono no ensino superior está diretamente relacionada às dificuldades de adaptação do estudante à universidade, podendo se manifestar de diversas formas, como baixas classificações, absenteísmo e até a mudança de curso. Neste estudo o autor apresenta as consequências da não adaptação ao ensino superior, o abandono do curso é a categoria mais significativa, representando 52,2% dos casos, seguida pelo baixo desempenho acadêmico (34,8%). Isso sublinha a importância de políticas de acolhimento e apoio que auxiliem os estudantes na superação das barreiras culturais e linguísticas, mitigando o impacto negativo na saúde mental e reduzindo as taxas de abandono.
Já em relação aos estudantes internacionais, a adaptação tem um impacto significativo na saúde mental e nos índices de abandono, conforme explorado por (GAIA 2016). Para o autor, a adaptação à universidade é um processo complexo que envolve múltiplos desafios, e a forma como os estudantes lidam com esses desafios pode afetar tanto seu bem-estar psicológico quanto sua permanência na instituição.
O mesmo acrescenta ainda dizendo que, a entrada no ensino superior expõe os estudantes a novas tarefas e demandas complexas, incluindo padrões de relacionamento com a família, professores e colegas. Essas mudanças podem gerar dificuldades de adaptação e impactar a percepção da própria capacidade de se relacionar com os outros, reduzindo a autoeficácia. O processo de adaptação pode ser percebido como um estressor, impactando diretamente a saúde mental dos alunos. A população universitária é vulnerável ao desenvolvimento de transtornos mentais como depressão, ansiedade e estresse. Estudos apontam que a dificuldade de adaptação pode levar a um transtorno de adaptação, com sintomas como irritação, impaciência e dificuldade de concentração. (GAIA 2016, p. 65).
6. ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
É importante esclarecer que a amostra da pesquisa foi composta por dez (10) estudantes internacionais regularmente matriculados na Universidade Federal de Sergipe (UFS) e dois (02) membros da direção da Associação dos Estudantes Internacionais, que aceitaram participar voluntariamente da investigação. Ressalta-se que todos os estudantes participantes são oriundos de países do continente africano.
Os resultados revelam que a adaptação sociocultural dos estudantes internacionais constitui um processo complexo, influenciado por fatores linguísticos, culturais, sociais e institucionais, confirmando a literatura sobre internacionalização do ensino superior.
No primeiro indicador, verificou-se que 60% dos estudantes afirmaram ter encontrado dificuldades para adaptar-se à cultura brasileira. Esse resultado corrobora as reflexões de Adler (1975), segundo as quais a adaptação intercultural ocorre em diferentes fases, iniciando-se geralmente por um período de entusiasmo, seguido por uma fase de crise, caracterizada por sentimentos de insegurança, estranhamento e dificuldades de integração. Os dados também reforçam a análise de Morosini (2018) ao defender que a permanência do estudante internacional depende não apenas do acesso à universidade, mas também da capacidade institucional de favorecer sua inserção social e cultural.
A pesquisa evidenciou ainda que 70% dos participantes consideram que a língua portuguesa dificultou sua integração acadêmica. Esse resultado confirma as discussões de Santos (2017) e Simões e Tavares (2019), que identificam a barreira linguística como um dos principais obstáculos enfrentados por estudantes e imigrantes internacionais no Brasil. Mesmo quando os estudantes possuem conhecimentos básicos da língua portuguesa, aspectos como regionalismos, sotaques, vocabulário técnico e formas de interação acadêmica dificultam sua participação em sala de aula e sua integração social. Nessa perspectiva, o Quadro Europeu Comum de Referência para as Línguas (CONSELHO DA EUROPA, 2001) reforça que a competência linguística ultrapassa o domínio gramatical, envolvendo competências sociolinguísticas e interculturais indispensáveis para uma comunicação efetiva.
Quanto ao apoio institucional, 80% dos estudantes afirmaram ter recebido apoio da UFS durante o processo de adaptação. Esse dado demonstra que a universidade desenvolve ações compatíveis com as diretrizes estabelecidas em seu Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI 2021-2025) e executadas pela Coordenação de Relações Internacionais (CORI). Entretanto, quando analisado em conjunto com os demais resultados, percebe-se que esse apoio ainda não se traduz plenamente em integração social. Apenas 30% dos estudantes consideram que foram bem acolhidos pelos colegas brasileiros, indicando uma discrepância entre o acolhimento institucional e o acolhimento cotidiano no ambiente universitário. Esse resultado dialoga com Morosini (2011), ao afirmar que a internacionalização não deve restringir-se aos programas de mobilidade, mas incorporar uma dimensão intercultural capaz de transformar as relações acadêmicas.
Outro aspecto que merece destaque refere-se às experiências de preconceito e discriminação. Os dados revelam que 70% dos estudantes afirmaram ter vivenciado algum tipo de discriminação durante sua permanência na universidade. Esse resultado reforça as análises de Simões e Tavares (2019), segundo os quais estudantes internacionais frequentemente enfrentam preconceito, xenofobia e exclusão social, fatores que dificultam sua adaptação e comprometem seu sentimento de pertencimento. Da mesma forma, Jacquemet (2000) argumenta que a linguagem também representa relações de poder e pode produzir situações de conflito e exclusão, especialmente quando os estudantes apresentam dificuldades de comunicação em contextos multiculturais.
Em relação às atividades de integração promovidas pela universidade, 90% dos participantes afirmaram ter participado dessas ações. Esse resultado demonstra que a UFS possui iniciativas de acolhimento compatíveis com sua política de internacionalização. Contudo, a elevada participação não foi suficiente para reduzir significativamente as dificuldades de convivência relatadas pelos estudantes. Tal constatação reforça a perspectiva de Knight (2004), segundo a qual a internacionalização deve ser compreendida como um processo contínuo de integração das dimensões internacional, intercultural e global em todas as funções da universidade, e não apenas como realização de atividades pontuais.
Os resultados referentes ao impacto das diferenças culturais no desempenho acadêmico apresentaram equilíbrio: 50% afirmaram que tais diferenças influenciaram seu rendimento, enquanto os demais não identificaram esse impacto. Esse comportamento demonstra que a adaptação ocorre de maneira distinta entre os estudantes, dependendo das experiências individuais, das competências interculturais desenvolvidas e da existência de redes de apoio. Esse resultado confirma as contribuições de Hofstede (1997), segundo o qual fatores culturais, como distância do poder, individualismo, coletivismo e formas de comunicação, influencia diretamente a maneira como os estudantes interagem com professores, colegas e instituições acadêmicas.
Outro resultado relevante foi à constatação de que 60% dos estudantes declararam não possuir uma rede de apoio formada por colegas, professores ou amigos. A literatura demonstra que a construção dessas redes constitui um dos principais fatores de proteção durante o processo de adaptação internacional. Para Gaia (2016), a ausência de suporte social aumenta a vulnerabilidade emocional dos estudantes, favorecendo sentimentos de isolamento, ansiedade e dificuldades de permanência na universidade.
Apesar dessas dificuldades, 90% dos estudantes manifestaram intenção de concluir sua formação na UFS, evidenciando elevado comprometimento com seus objetivos acadêmicos. Entretanto, chama atenção o fato de que 70% afirmaram já ter pensado em desistir do curso devido às dificuldades de adaptação. Esse resultado confirma a relação estabelecida por Adler (1975) entre o choque cultural e os impactos emocionais decorrentes da adaptação, sobretudo durante a fase de crise. Além disso, aproximam-se das discussões apresentadas no DSM-5 (AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION, 2014) e por Gaia (2016), que associam dificuldades persistentes de adaptação ao surgimento de sintomas de ansiedade, estresse e redução do desempenho acadêmico, fatores que podem aumentar o risco de evasão.
Os dados obtidos junto à Associação dos Estudantes Internacionais complementam essa análise. Houve consenso de que a UFS possui ações de acolhimento e acompanhamento institucional, bem como de que é necessário ampliar as políticas voltadas aos estudantes internacionais. Esse resultado reforça a compreensão de Bastos e Maués (2017) de que a internacionalização somente se consolida quando acompanhada por políticas institucionais permanentes, capazes de integrar dimensões acadêmicas, sociais e culturais. Também converge com UNESCO (2021), ao defender que instituições de ensino superior devem promover ambientes inclusivos, democráticos e comprometidos com a diversidade cultural.
De modo geral, os resultados confirmam que a adaptação sociocultural não depende exclusivamente das características individuais dos estudantes, mas da articulação entre políticas institucionais, acolhimento intercultural, domínio linguístico e fortalecimento das redes de apoio. Assim, os achados desta pesquisa corroboram a literatura nacional e internacional sobre internacionalização do ensino superior, evidenciando que o sucesso das políticas de mobilidade acadêmica exige investimentos contínuos em inclusão, permanência e bem-estar dos estudantes internacionais.
Tabela 1. Questionário dirigido aos estudantes internacionais da Universidade Federal de Sergipe (UFS)
N. | Questões | Sim | Não | ||
Fr | % | Fr | % | ||
01 | Você encontrou dificuldades para adaptar-se à cultura brasileira quando chegou à UFS. | 6 | 60 | 4 | 40 |
02 | A língua portuguesa dificultou sua integração acadêmica. | 7 | 70 | 3 | 30 |
03 | Você recebeu apoio da universidade durante seu processo de adaptação. | 8 | 80 | 2 | 20 |
04 | Você considera que foi bem acolhido pelos colegas brasileiros. | 3 | 30 | 7 | 70 |
05 | Você já enfrentou algum tipo de discriminação ou preconceito na universidade. | 7 | 70 | 3 | 30 |
06 | Você participou de atividades promovidas pela UFS para facilitar sua integração. | 9 | 90 | 1 | 10 |
07 | As diferenças culturais afetaram seu desempenho acadêmico. | 5 | 50 | 5 | 50 |
08 | Você possui uma rede de apoio (amigos, colegas ou professores) na UFS. | 4 | 40 | 6 | 60 |
09 | Você pretende concluir sua formação na Universidade Federal de Sergipe. | 9 | 90 | 1 | 10 |
10 | Você já pensou em desistir do curso devido às dificuldades de adaptação. | 7 | 70 | 3 | 30 |
Fonte: Elaboração própria.
Tabela 2. Questionário dirigida associação dos Estudantes internacional da (UFS).
N. | Questões | Sim | Não | ||
Fr | % | Fr | % | ||
01 | A UFS possui ações voltadas para a integração de estudantes internacionais. | 2 | 100 | 0 | 0 |
02 | Os estudantes internacionais costumam apresentar dificuldades de adaptação sociocultural. | 2 | 100 | 0 | 0 |
03 | A barreira linguística interfere no desempenho acadêmico desses estudantes. | 1 | 50 | 1 | 50 |
04 | A universidade oferece apoio suficiente para atender às necessidades desses estudantes. | 1 | 50 | 1 | 50 |
05 | Os docentes recebem orientações para trabalhar com estudantes internacionais. | 1 | 50 | 1 | 50 |
06 | Os estudantes internacionais participam ativamente das atividades acadêmicas e sociais. | 2 | 100 | 0 | 0 |
07 | Você acredita que as diferenças culturais influenciam a permanência dos estudantes internacionais. | 1 | 50 | 1 | 50 |
08 | Há acompanhamento institucional dos estudantes internacionais durante o curso. | 2 | 100 | 0 | 0 |
09 | Você considera necessário ampliar as políticas de apoio aos estudantes internacionais. | 2 | 100 | 0 | 0 |
10 | Em sua opinião, a UFS oferece condições favoráveis para a permanência dos estudantes internacionais. | 2 | 100 | 0 | 0 |
Fonte: Elaboração própria.
7. CONSIDERAÇÕES FINAIS
A presente pesquisa teve como objetivo analisar os desafios da adaptação sociocultural e sua influência na permanência dos estudantes internacionais na Universidade Federal de Sergipe (UFS), considerando o contexto da internacionalização do ensino superior brasileiro. Os resultados obtidos permitiram compreender que a permanência desses estudantes está diretamente relacionada não apenas ao acesso à educação superior, mas também às condições de integração acadêmica, social, cultural e institucional oferecidas pela universidade.
Os dados evidenciaram que as principais dificuldades enfrentadas pelos estudantes internacionais concentram-se nas barreiras linguísticas, nas diferenças culturais, na limitada construção de redes de apoio, na integração com os colegas brasileiros e nas experiências de discriminação e preconceito. Tais fatores repercutem no processo de adaptação, influenciam o desempenho acadêmico e, em muitos casos, despertam a intenção de desistência do curso, ainda que a maioria dos participantes manifeste o desejo de concluir sua formação na UFS.
Os resultados também demonstraram que a Universidade Federal de Sergipe desenvolve iniciativas de acolhimento e integração por meio de sua política de internacionalização e da atuação da Coordenação de Relações Internacionais (CORI). Entretanto, as evidências da pesquisa indicam que essas ações, embora relevantes, ainda necessitam ser fortalecidas e ampliadas para responder de forma mais efetiva às necessidades dos estudantes internacionais, sobretudo no que se refere ao acompanhamento contínuo, ao apoio psicossocial, à mediação intercultural e à promoção de ambientes acadêmicos livres de discriminação.
Outro aspecto relevante identificado refere-se ao papel da Associação dos Estudantes Internacionais, que se configura como importante espaço de acolhimento, orientação e representação desse público. Nesse sentido, o fortalecimento da articulação entre a universidade, a associação estudantil e os diferentes setores acadêmicos poderá contribuir para a construção de políticas institucionais mais participativas, inclusivas e sensíveis à diversidade cultural.
Do ponto de vista científico, este estudo contribui para ampliar as discussões sobre a adaptação sociocultural e a permanência de estudantes internacionais nas instituições brasileiras de ensino superior, temática ainda pouco explorada na literatura nacional. Além disso, os resultados podem subsidiar a formulação e o aperfeiçoamento de políticas institucionais voltadas à internacionalização, à inclusão e à permanência estudantil, fortalecendo o compromisso da universidade com a equidade, a diversidade e a cooperação internacional.
Como limitação da pesquisa, destaca-se o reduzido número de participantes, o que restringe a possibilidade de generalização dos resultados para outros contextos institucionais. Dessa forma, recomenda-se que pesquisas futuras ampliem a amostra, incorporem abordagens qualitativas, como entrevistas e grupos focais, e realizem estudos comparativos entre diferentes universidades brasileiras, possibilitando uma compreensão mais abrangente das experiências dos estudantes internacionais.
Portanto, que o sucesso da internacionalização do ensino superior não depende exclusivamente da ampliação da mobilidade acadêmica, mas da capacidade das instituições de ensino em promover condições efetivas de acolhimento, inclusão e permanência. Investir em políticas institucionais que valorizem a diversidade cultural, fortaleçam as redes de apoio e favoreçam a integração intercultural representa um passo essencial para assegurar uma experiência acadêmica mais equitativa, enriquecedora e socialmente comprometida para os estudantes internacionais e para toda a comunidade universitária.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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1 Doutorando em Educação pela Universidade Federal de Sergipe; Mestrado em Psicologia Forense e Criminal Pela Universidade Independente de Angola; Licenciado em Ciências da Educação pela Universidade 11 de Novembro-Polo de Mbanza Kongo; Professores do Curso de Ciências da Educação do Instituto Superior Politécnico Ndunduma no Município do Cuito, província do Bié. Correio electrónico: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. ORCID: https://orcid.org/0009-0001-0120-9039.
2 Doutorando em Sociologia pela Universidade Federal de Sergipe; Mestrado em Psicopedagogia, pela Academia Militar em Moçambique, Graduado em Sociologia, pela Universidade Pedagógica de Moçambique. Docente da Universidade Lúrio-Faculdade de Ciências Sociais e Humanas. Moçambique. Correio eletrônico: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. ORCID: https://orcid.org/0009-0000-6854-1557.