ORGANIZAÇÃO DA ATENÇÃO PRIMÁRIA PARA CASOS SUSPEITOS DE MPOX, FLUXOS, CAPACITAÇÃO PROFISSIONAL E NOTIFICAÇÃO: UMA REFLEXÃO NA SAÚDE BRASILEIRA

PDF: Clique aqui


REGISTRO DOI: 10.5281/zenodo.18729357


Mateus Henrique Dias Guimarães1
Rozineide Iraci Pereira da Silva2
Diógenes José Gusmão Coutinho3


RESUMO
Introdução: A mpox, causada pelo vírus Clade IIb, apresenta lesões cutâneas, febre e linfadenopatia, tendo sido declarada Emergência de Saúde Pública de Interesse Internacional em 2022 e 2024 pela OMS. O rápido surgimento de novas variantes e a disseminação global, incluindo casos em crianças, reforçam a necessidade de atenção primária preparada para detecção precoce, notificação e manejo clínico adequado. Objetivo: Este estudo analisou os fluxos de atenção, capacitação profissional e processos de notificação para casos suspeitos de mpox na atenção primária brasileira. Metodologia: Realizou-se uma revisão da literatura, com abordagem qualitativa, consultando bases como PubMed, SciELO, Embase e documentos do Ministério da Saúde e OMS. Foram incluídos artigos originais, revisões e estudos observacionais ou qualitativos publicados entre 2020 e 2025, abordando organização dos serviços, vigilância, notificação e capacitação profissional. A seleção ocorreu por leitura de títulos, resumos e textos completos, organizando os dados em matriz analítica. Resultados: Os resultados indicam desafios na uniformização de protocolos, infraestrutura limitada e lacunas na qualificação de profissionais para rastreamento, diagnóstico e manejo de mpox. A detecção precoce depende de capacitação contínua, diferenciação de lesões cutâneas, uso de PCR para confirmação e implementação de fluxos de atendimento que incluem isolamento, coleta de amostras, encaminhamento e rastreamento de contatos, com notificação em até 24 horas. Conclusão: Conclui-se que fortalecer a atenção primária exige integração de fluxos assistenciais, capacitação profissional contínua, notificação ágil, estratégias de testagem, vacinação, proteção de profissionais, comunicação educativa e parcerias comunitárias. Essas medidas permitem contenção da transmissão, vigilância efetiva e preparo para futuras emergências sanitárias.
Palavras-chave: Mpox. Replicação Viral. Atenção Primária à Saúde. Brasil. Saúde Pública.

ABSTRACT
Mpox, caused by Clade IIb virus, presents with skin lesions, fever, and lymphadenopathy, having been declared a Public Health Emergency of International Concern in 2022 and 2024 by WHO. The rapid emergence of new variants and global spread, including cases in children, highlight the need for primary care prepared for early detection, reporting, and appropriate clinical management. This study analyzed care flows, professional training, and reporting processes for suspected mpox cases in Brazilian primary care. A literature review was conducted using a qualitative approach, consulting databases such as PubMed, SciELO, Embase, and documents from the Ministry of Health and WHO. Original articles, reviews, and observational or qualitative studies published between 2020 and 2025 addressing service organization, surveillance, reporting, and professional training were included. Selection occurred through reading titles, abstracts, and full texts, with data organized in an analytical matrix. Results indicate challenges in standardizing protocols, limited infrastructure, and gaps in professional qualification for tracking, diagnosing, and managing mpox. Early detection depends on continuous training, differentiation of skin lesions, use of PCR for confirmation, and implementation of care flows that include isolation, sample collection, referral, and contact tracing, with notification within 24 hours. Strengthening primary care requires integration of care flows, continuous professional training, rapid reporting, testing strategies, vaccination, protection of healthcare workers, educational communication, and community partnerships. These measures enable transmission containment, effective surveillance, and preparedness for future health emergencies.
Keywords: Mpox. Viral Replication. Primary Health Care. Brazil. Public Health.

1. INTRODUÇÃO

A emergência global da mpox, causada pelo vírus Clade IIb e caracterizada por lesões cutâneas predominantemente genitais, linfadenopatia e febre, demanda uma reflexão aprofundada sobre a capacidade de resposta dos sistemas de saúde primários (González-Díaz et al., 2023).

A declaração da mpox como Emergência de Saúde Pública de Interesse Internacional em 2022 e novamente em 2024 pela Organização Mundial da Saúde sublinha a necessidade premente de estratégias robustas e coordenadas para o seu manejo, particularmente em ambientes de atenção primária (Echevarría et al., 2025; İnkaya, 2024).

A recente identificação de uma nova variante, o Clad 2b, que tem se disseminado rapidamente e afeta desproporcionalmente crianças, intensifica a urgência em fortalecer a capacidade de detecção e resposta inicial em ambientes comunitários (Ngongo et al., 2025; Verma et al., 2024).

A compreensão da epidemiologia da mpox no Brasil é crucial para direcionar ações de saúde pública, dada a sua rápida disseminação global desde maio de 2022, resultando na declaração de Emergência de Saúde Pública de Interesse Internacional pela OMS (Laurenson‐Schafer et al., 2023; Liu et al., 2025).

Essa situação exige que a atenção primária à saúde esteja adequadamente preparada para identificar casos suspeitos, realizar a notificação epidemiológica de forma eficiente e garantir o encaminhamento adequado dos pacientes, minimizando a propagação da doença (Chamari et al., 2024; Fantini, 2025).

A atenção primária é crucial não apenas para a detecção precoce e manejo clínico, mas também para a implementação de medidas preventivas e a educação da comunidade sobre a doença, especialmente em grupos de alto risco como homens que fazem sexo com homens (Jena et al., 2024; Tsige & Ayele, 2025).

Diante do contexto do presente estudo, o objetivo é analisar criticamente os fluxos de atenção, a capacitação profissional e os processos de notificação para casos suspeitos de mpox na atenção primária brasileira.

2. LITERATURA

A mpox é uma doença viral zoonótica causada pelo vírus Monkeypox, que pertence ao gênero Orthopoxvirus, o mesmo gênero do vírus que causa a varíola humana (Branda et al., 2024).

Historicamente, a mpox era considerada endêmica em algumas nações africanas, como a República Democrática do Congo e a Nigéria, com transmissão limitada aos seres humanos, principalmente através de contato zoonótico (Martins‐Filho et al., 2022).

No entanto, a interrupção da vacinação contra a varíola levou a uma diminuição da imunidade populacional, alterando os padrões epidemiológicos da mpox e contribuindo para sua emergência em novas regiões e em contextos não endêmicos (McQuiston et al., 2024).

A emergência de surtos globais de mpox, em particular o de 2022, destacou a transmissão interpessoal e sexual como um fator significativo na disseminação rápida da doença, especialmente em comunidades de homens que fazem sexo com homens (Laidlaw et al., 2025).

Essa mudança no padrão de transmissão, de zoonótico para predominantemente interpessoal, incluindo via contato sexual, sublinha a necessidade de estratégias adaptadas de saúde pública que considerem essa dinâmica epidemiológica (Vives et al., 2024).

A mpox se transmite pelo contato direto com lesões cutâneas, fluidos corporais como pus e sangue, e secreções respiratórias de pessoas infectadas. Objetos contaminados com esses fluidos, como roupas de cama e toalhas, também podem ser fontes de infecção, bem como a transmissão vertical de mãe para feto (Hoang et al., 2024).

A pessoa pode transmitir o vírus desde o início dos sintomas até a cicatrização completa das lesões. O período de incubação da mpox varia de 7 a 21 dias após a exposição, com sintomas iniciais que incluem febre, dor de cabeça, mialgia, dor nas costas, calafrios e linfadenopatia, seguidos pelo desenvolvimento de uma erupção cutânea característica (León‐Figueroa et al., 2023).

Essa erupção, que geralmente surge de 1 a 5 dias após o início da febre, progride de máculas para pápulas, vesículas, pústulas e crostas que eventualmente caem, marcando o fim do período de transmissibilidade (Rallapalli et al., 2022).

As manifestações clínicas da mpox podem variar, apresentando-se com lesões cutâneas atípicas ou sintomas prodrômicos inespecíficos, o que pode dificultar o diagnóstico precoce em ambientes de atenção primária (Monte et al., 2023; Santos et al., 2024).

A notificação deve ocorrer em até 24 horas nos sistemas oficiais e as unidades básicas são indicadas como porta de entrada para avaliação e orientação de pacientes com sintomas. Apesar de a transmissão sexual não ter sido demonstrada, evidências sugerem que o contato íntimo, especialmente envolvendo lesões genitais durante o coito, contribui para altas taxas de transmissão, alterando o perfil da doença de zoonose para infecção sexualmente transmissível em surtos recentes (Coriat-Cruz et al., 2024; Souza et al., 2023; Zeyen et al., 2024).

A literatura recente sobre mpox cresceu após o surto global de 2022. O volume de estudos aumentou em virologia, vigilância, diagnóstico e resposta sanitária. Persistem áreas pouco exploradas. Por exemplo, a interação entre mpox e outras infecções sexualmente transmissíveis, bem como o impacto em populações vulneráveis, ainda requer investigação aprofundada (Adnyana, 2023).

Ainda aponta que a compreensão acerca do expressivo aumento de casos de mpox é complexa, englobando diversas manifestações clínicas e particularidades que dificultam o diagnóstico e o tratamento, potencializando a transmissão (Bueno et al., 2023).

Consequentemente, torna-se imperativo o desenvolvimento de novas estratégias para elucidar as lacunas existentes sobre as vias de transmissão da doença, o contexto epidemiológico e as particularidades do manejo clínico das lesões dermatológicas (Oliveira et al., 2023).

3. METODOLOGIA

Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, com abordagem qualitativa e caráter reflexivo, voltada à análise da organização da atenção primária frente a casos suspeitos de mpox no contexto brasileiro. A revisão integrativa permite reunir produções com diferentes delineamentos e ampliar a compreensão sobre fluxos assistenciais, qualificação profissional e práticas de vigilância.

A busca ocorreu nas bases PubMed, Biblioteca Virtual em Saúde, SciELO, Embase e Google Scholar. Também foram consultados documentos institucionais do Ministério da Saúde do Brasil e da Organização Mundial da Saúde, devido à relevância normativa para a atenção primária.

Foram utilizados descritores controlados e termos livres combinados por operadores booleanos. Entre eles: mpox, monkeypox, atenção primária à saúde, vigilância epidemiológica, notificação compulsória, capacitação profissional, organização dos serviços de saúde, fluxos assistenciais e saúde pública. Empregaram-se os correspondentes em inglês e espanhol para ampliar a recuperação dos estudos.

Como critérios de inclusão adotaram-se artigos originais, revisões, estudos observacionais, pesquisas qualitativas e documentos técnicos publicados entre 2020 e 2025, disponíveis na íntegra, que abordassem a organização dos serviços de saúde, a resposta da atenção primária, processos de notificação ou qualificação de profissionais diante da mpox.

Foram excluídos editoriais, cartas ao leitor, resumos de eventos, estudos com foco exclusivamente laboratorial ou experimental, pesquisas centradas em manejo hospitalar sem interface com a atenção primária e produções duplicadas nas bases.

A seleção ocorreu em duas etapas. Inicialmente realizou-se a leitura de títulos e resumos para verificação de aderência ao tema. Em seguida procedeu-se à leitura completa dos textos elegíveis. Os estudos selecionados foram organizados em matriz analítica contendo autores, ano, local, delineamento e principais achados, o que permitiu identificar convergências, limitações e lacunas relacionadas aos fluxos de cuidado, à capacitação das equipes e aos processos de notificação na realidade brasileira.

4. RESULTADOS

Os resultados revelam uma complexidade considerável na organização da atenção primária no Brasil para lidar com casos suspeitos de mpox, em consonância com as preocupações levantadas globalmente sobre a continuidade dos serviços essenciais de saúde durante epidemias (Nanyunja et al., 2025).

A análise dos dados aponta para desafios significativos na uniformização de protocolos, na adequação da infraestrutura e na garantia de recursos humanos qualificados para o rastreamento, diagnóstico e manejo da doença (Batisani & Ogunniyi, 2025; Jadhav et al., 2025).

4.1. Caracterização da Organização da Atenção Primária para Mpox

Apesar dos esforços em saúde pública, a rápida propagação da mpox em países não endêmicos sublinha a necessidade de estratégias diagnósticas mais robustas e eficientes na atenção primária, especialmente diante de apresentações clínicas atípicas que dificultam o reconhecimento da doença (Silva et al., 2023).

A ausência de conhecimento detalhado sobre a mpox entre os profissionais de saúde pode levar a diagnósticos tardios, o que reflete a urgência de programas de capacitação e educação continuada para a equipe da atenção primária (Monte et al., 2023).

A inércia na elaboração de planos coordenados e a falta de ação rápida frente à emergência sanitária em contextos como o brasileiro têm sido apontadas como barreiras significativas para a resposta eficaz (Polidoro et al., 2023).

A sobrecarga em serviços de saúde já fragilizados, decorrente da pandemia de COVID-19, por exemplo, demonstrou a vulnerabilidade do sistema em lidar com novas demandas epidemiológicas sem planejamento adequado (Fernandes et al., 2022; Passos et al., 2023).

A escassez de capacidade diagnóstica e a limitada disponibilidade de testes point-of-care para mpox na Atenção Primária à Saúde nos países mais afetados implicam que o diagnóstico frequentemente se baseie em critérios clínicos, um processo complicado pela semelhança entre as lesões de mpox e as de outras doenças virais como a varicela (Bourner et al., 2024).

Essa limitação diagnóstica pode resultar em subnotificação e atrasos na detecção e vacinação oportuna, particularmente em países de baixa e média renda (Bourner et al., 2024; Chika-Igwenyi et al., 2023; Liu & Yang, 2025).

A detecção do DNA viral do Mpox por Reação em Cadeia da Polimerase é considerada o padrão-ouro para o diagnóstico confirmatório, destacando a necessidade de acesso a laboratórios equipados para esta técnica de alta sensibilidade e especificidade (Yadav et al., 2025).

4.2. Fluxos de Atendimento e Encaminhamento

Apesar disso, a implementação de diagnósticos diferenciais na atenção primária é crucial, especialmente durante a fase prodrômica, onde os sintomas de mpox podem se sobrepor a outras condições (Cavuto et al., 2025).

A caracterização dos enfermeiros revela predominância feminina e presença de profissionais mais jovens, traço que acompanha a trajetória histórica da enfermagem no Brasil como uma ocupação majoritariamente exercida por mulheres.

A capacitação desses profissionais se torna, portanto, um pilar fundamental para a identificação precoce e o manejo adequado da mpox, considerando a necessidade de diferenciar esta patologia de outras dermatoses comuns na atenção primária.

Nesse sentido, a incorporação de técnicas diagnósticas avançadas, como as que utilizam inteligência artificial e aprendizado de máquina, pode aprimorar a precisão diagnóstica e auxiliar os profissionais de saúde na tomada de decisões terapêuticas mais eficazes (Saleh et al., 2025).

O fluxo de atendimento a um caso suspeito de mpox na atenção primária deve iniciar com a identificação clínica do paciente, priorizando o isolamento imediato e a coleta de amostras para diagnóstico laboratorial, preferencialmente por PCR, que é o método de referência (Jain et al., 2024).

Posteriormente, o encaminhamento do paciente para unidades de referência, se necessário, e o rastreamento de contatos devem ser implementados para conter a disseminação da doença, enfatizando a importância da notificação compulsória para vigilância epidemiológica (Rodríguez-Manzano et al., 2024; Santos et al., 2024; Silva et al., 2022).

Este processo é crítico para mitigar a transmissão e garantir a intervenção precoce, especialmente dado que muitos profissionais de saúde ainda manifestam preocupações sobre sua capacidade de identificar e tratar casos de mpox de forma precisa (Saied et al., 2023).

4.3. Capacitação dos Profissionais de Saúde

A capacitação contínua dos profissionais de saúde na atenção primária é imprescindível, dado que são frequentemente os primeiros a detectar a infecção por Mpox e, muitas vezes, não possuem experiência prévia com a doença (Álvarez et al., 2023; Panag et al., 2023).

A entrada recente no mercado de trabalho sugere formação alinhada a diretrizes atuais e maior proximidade com protocolos clínicos e ferramentas tecnológicas. Contudo, a rápida evolução do conhecimento sobre a mpox e a emergência de novas abordagens diagnósticas, como as baseadas em inteligência artificial para a diferenciação de lesões cutâneas, demandam uma atualização constante e direcionada para a equipe, a fim de garantir a acurácia no diagnóstico diferencial e a efetividade na resposta (Soe et al., 2024).

Observa-se também alta rotatividade nas equipes, fator que tende a dificultar a continuidade do cuidado e a construção de vínculos com a população adscrita. Esse cenário pode repercutir na vigilância e no acompanhamento dos usuários, sobretudo em contextos que demandam rápida suspeição e notificação.

A disseminação eficiente de informações e o treinamento contínuo são, portanto, essenciais para garantir que os profissionais estejam bem preparados para identificar e tratar casos de mpox de forma eficaz, mitigando os desafios impostos pela rotatividade e pela necessidade de atualização constante (Santos et al., 2024).

A combinação entre qualificação formal e experiência profissional limitada indica a necessidade de estratégias contínuas de capacitação para fortalecer a organização do cuidado. Esta formação deve abranger desde a detecção precoce e manejo clínico até a implementação de medidas de controle e prevenção, alinhadas às diretrizes mais recentes da Organização Mundial da Saúde (Santos et al., 2023).

4.4. Processo de Notificação de Casos Suspeitos

O processo de notificação de casos suspeitos de mpox é um pilar fundamental da vigilância epidemiológica, garantindo que as autoridades de saúde tenham dados em tempo real para monitorar a propagação da doença e implementar intervenções adequadas (Saied et al., 2023).

A agilidade e a precisão na notificação são cruciais para a contenção de surtos, especialmente em regiões onde a doença é emergente ou reemergente, e onde a infraestrutura de saúde pode ser limitada (Campana et al., 2024; Zhao et al., 2025).

A notificação de caso suspeito de mpox deve seguir protocolos estabelecidos pelas autoridades sanitárias locais e nacionais, contemplando a coleta de informações detalhadas sobre os sintomas do paciente, histórico de exposição e resultados laboratoriais e acontecer dentro de um prazo determinado para assegurar uma resposta rápida e eficaz, mitigando a disseminação da doença na comunidade (Faheem et al., 2025).

5. DISCUSSÃO

A integração de um sistema de vigilância epidemiológica robusto, que combine a notificação de casos com o monitoramento ambiental, como a vigilância de águas residuais, pode aprimorar a detecção precoce de surtos e facilitar uma resposta mais proativa (Saied et al., 2023).

A promoção de programas de educação permanente em saúde é vital para capacitar os profissionais da atenção primária, especialmente aqueles em unidades de saúde da família, a reconhecerem precocemente e gerenciarem adequadamente os casos de Mpox (Passos et al., 2023; Shaik et al., 2023).

5.1. Desafios na Organização da Atenção Primária

A despeito do avanço no conhecimento sobre a mpox, a notificação de casos suspeitos e confirmados pode apresentar desafios, especialmente em contextos de emergência, onde a padronização dos sistemas de coleta de dados pode ser inadequada (Rainey et al., 2024).

A organização da atenção primária diante de casos suspeitos de mpox deve priorizar detecção precoce, segurança assistencial e articulação com a vigilância. Protocolos indicam que a investigação comece com exame clínico e coleta segura de amostras para diagnóstico laboratorial. Quando houver suspeita, recomenda-se acomodar o paciente em sala individual e adotar medidas imediatas de precaução para reduzir o risco de transmissão no serviço (McCollum et al., 2023).

A notificação precisa ocorrer em até 24 horas por meio dos sistemas oficiais, medida que permite resposta rápida das autoridades sanitárias. Este fluxo de notificação é crucial para a contenção da disseminação da doença, especialmente considerando a observação de transmissão sustentada de pessoa para pessoa, que foi um fator predominante no surto global de 2022 (Cavuto et al., 2025).

O rastreamento de contatos deve ser iniciado prontamente, pois pessoas expostas apresentam risco de adoecimento e devem ser monitoradas por 21 dias após o último contato, incluindo a identificação de contatos de alto risco que podem necessitar de vacinação pós-exposição ou outras intervenções profiláticas, assim quando houver para aquela região (McQuiston et al., 2024).

5.2. Impacto da Capacitação Profissional

A qualificação contínua dos profissionais de saúde é um imperativo, dada a complexidade epidemiológica e a necessidade de atualização frente a novos desafios e abordagens diagnósticas, como a diferenciação de lesões cutâneas e a vigilância genômica (Rey-Benito et al., 2024).

É crucial que os programas de capacitação abordem não apenas os aspectos clínicos da mpox, mas também a importância do conhecimento sobre as sobreposições de sintomas com outras patologias, como as DSTs, para um diagnóstico diferencial preciso e para evitar diagnósticos equivocados (Santos et al., 2023).

A implementação de treinamentos abrangentes deve, ademais, focar em aspectos práticos da coleta de amostras, do uso adequado de equipamentos de proteção individual e da gestão de dados de pacientes, conforme diretrizes internacionais (Lisboa et al., 2022).

A falta de conhecimento dos profissionais da atenção primária sobre a mpox ainda é uma lacuna significativa que exige intervenções educacionais globais, focando na atualização sobre transmissão, sintomatologia e diagnóstico para o manejo eficaz de doenças infecciosas emergentes (Atadağ et al., 2024).

Seminários educativos e workshops são metodologias eficazes para capacitar os profissionais de saúde, especialmente porque a mpox é rara em muitos países afetados, exigindo que o pessoal médico reconheça sua apresentação clínica, vias de transmissão, diagnóstico diferencial e manejo (Farahat et al., 2022).

Uma pesquisa realizada em Lima, Peru, revelou que mais de 70% dos profissionais de saúde desconheciam aspectos básicos e importantes sobre a mpox, incluindo o agente etiológico, complicações, transmissão e incubação, o que sublinha a urgência de tais programas de capacitação (Mejía et al., 2022).

5.3. Implicações para a Saúde Pública

As implicações para a saúde pública decorrentes da mpox são vastas, exigindo uma abordagem coordenada que integre vigilância epidemiológica, capacitação profissional e políticas públicas eficazes para mitigar a disseminação da doença e proteger as comunidades. A declaração da mpox como emergência de saúde pública de importância internacional pela OMS ressalta a necessidade imperativa de aumentar a capacidade diagnóstica e o conhecimento público sobre a pandemia, bem como a formação de profissionais de saúde no cuidado clínico da doença e na prevenção e controle de infecções (Chandran et al., 2022).

É fundamental que os países tenham acesso a testes diagnósticos acessíveis, independentemente de sua capacidade econômica ou infraestrutura de saúde, para fortalecer a detecção precisa e a identificação de cepas virais circulantes, contribuindo para o controle e eventual erradicação da doença (Hajjo et al., 2025).

A capacitação dos profissionais de saúde é crucial para o reconhecimento da doença e a implementação de medidas preventivas, especialmente em ambientes de atenção primária, onde a identificação precoce pode evitar a propagação do vírus (Saied et al., 2023).

A percepção e o conhecimento sobre a doença entre os profissionais de saúde são vitais para a contenção de surtos, pois a má interpretação dos casos pode levar à disseminação do vírus (Awoyomi et al., 2023).

5.4. Propostas de Intervenção

As propostas de intervenção devem focar na implementação de estratégias multifacetadas que contemplem a educação continuada, a otimização dos fluxos de notificação e a integração de tecnologias inovadoras para a vigilância epidemiológica, visando aprimorar a resiliência dos sistemas de saúde frente a futuras emergências. É essencial que essas intervenções sejam adaptadas às realidades locais, garantindo a equidade no acesso aos recursos e o fortalecimento das capacidades regionais (Abdulrahim et al., 2025; Cynthia & Nchanji, 2025).

Uma abordagem One Health, que considera a interconexão entre a saúde humana, animal e ambiental, é fundamental para o desenvolvimento de estratégias preventivas e de resposta a surtos, como o de mpox, visando a redução de riscos de transbordamento e o fortalecimento da resiliência comunitária (Hayman et al., 2025; Tambo et al., 2025).

A colaboração internacional e a partilha de conhecimentos são vitais para enfrentar desafios globais de saúde, promovendo a harmonização regulatória e o investimento sustentável em capacidades de fabricação regionais para reduzir a dependência externa (Cynthia & Nchanji, 2025).

O bloqueio da transmissão do mpox na saúde pública começa com vigilância ativa e diagnóstico rápido. Serviços devem reconhecer sinais como febre e lesões cutâneas, registrar casos e rastrear contatos próximos para acompanhamento por alguns dias.

  1. Vigilância e rastreamento: identificar casos suspeitos rapidamente, registrar e monitorar contatos próximos por alguns dias para detecção precoce de sinais.

  2. Testagem acessível: ampliar a coleta de amostras em unidades de atenção primária e prontos atendimentos para diagnóstico rápido.

  3. Isolamento orientado: manter pessoas com lesões em casa até cicatrização, com cobertura das lesões e higiene das mãos.

  4. Proteção de profissionais de saúde: uso de luvas, máscaras, avental e proteção ocular durante atendimentos, com treinamento sobre manejo clínico e descarte de resíduos.

  5. Vacinação direcionada: oferecer imunização a contatos de alto risco e equipes expostas quando disponível.

  6. Comunicação educativa: fornecer informações claras sobre sinais, formas de transmissão e cuidados, reduzindo estigma e desinformação.

  7. Higienização ambiental: limpeza de superfícies frequentes, lavagem de roupas de cama e descarte seguro de resíduos.

  8. Parcerias comunitárias: envolver escolas, organizações locais e redes comunitárias na disseminação de informações confiáveis e na promoção de medidas preventivas.

Tais parcerias são cruciais para assegurar que as mensagens de saúde pública alcancem de forma eficaz as populações mais vulneráveis e os grupos de alto risco, como profissionais do sexo feminino e homens que fazem sexo com homens (Rwibasira et al., 2025).

6. CONCLUSÃO

Para concluir, a atenção primária à saúde no Brasil enfrenta desafios expressivos na gestão de casos suspeitos de mpox, exigindo ajustes nos fluxos de atendimento, capacitação contínua dos profissionais e processos ágeis de notificação. A complexidade decorre de fatores clínicos, epidemiológicos e estruturais, incluindo apresentações atípicas da doença, limitada experiência prévia das equipes e infraestrutura insuficiente para diagnóstico rápido, sobretudo em ambientes comunitários.

A capacitação profissional emerge como elemento central, englobando desde o reconhecimento precoce de sinais clínicos e diferenciação de lesões cutâneas até o manejo seguro de pacientes e contatos, com incorporação de protocolos atualizados e tecnologias de apoio, como inteligência artificial aplicada ao diagnóstico. A rotatividade nas equipes e o ritmo acelerado das mudanças no conhecimento científico sobre mpox reforçam a necessidade de programas de educação permanente e treinamento prático, garantindo consistência no cuidado e vigilância eficaz.

Os fluxos de atendimento devem priorizar isolamento inicial, coleta de amostras para diagnóstico laboratorial, encaminhamento para unidades de referência quando necessário e rastreamento de contatos, com notificação em até 24 horas para subsidiar decisões de saúde pública. A integração de estratégias como testagem acessível, vacinação direcionada, proteção de profissionais, higienização ambiental e comunicação educativa contribui para a contenção da transmissão e fortalecimento da resiliência comunitária.

Por fim, a mpox evidencia a importância de abordagens adaptadas às realidades locais, com integração intersetorial, parcerias comunitárias e alinhamento às diretrizes internacionais. A implementação dessas ações na atenção primária não apenas aprimora a resposta imediata a surtos, mas também consolida a base para enfrentar futuras emergências sanitárias de forma coordenada.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Abdulrahim, A., Gulumbe, B. H., Idris, I., Abubakar, T. M., Sobur, K. A., Lawal, A., & Shehu, A. (2025). Strengthening global health preparedness amid Mpox spread in Africa. Discover Public Health22(1). https://doi.org/10.1186/s12982-025-00392-1

Adnyana, I. M. D. M. (2023). Mpox, STIs, and HIV in the LGBTQIA2S+ Community: What can be learned from bibliometric analysis? Research Square (Research Square)https://doi.org/10.21203/rs.3.rs-3666062/v1

Ahmed, S. K., Dabou, E. A. R., Ibrahim, F. M., Mohammed, M. G., Chandran, D., Basit, J., Chakraborty, S., Emran, T. B., Islam, Md. R., & Dhama, K. (2024). Challenges and Counteracting Strategies Including Optimum Health Service Practices for Frontline Nurses During the Mpox Outbreak and Futuristic Vision. SAGE Open Nursing1010.1177/23779608241256209" target="_blank">https://doi.org/10.1177/23779608241256209

Álvarez, Á. M., Vélez-Cuervo, S. M., & Maya, W. D. C. (2023, March 29). Viruela símica: importancia en la salud sexual femenina. In Revista Colombiana de Obstetricia y Ginecología (Vol. 74, Issue 1, p. 87). Federacion Colombiana de Obstetricia y Ginecologia. https://doi.org/10.18597/rcog.3942

Atadağ, Y. B., Keten, H. S., & Şahin, A. (2024). How Ready is Primary Care for Mpox (Monkeypox)? Mpox Knowledge Level Among Family Physicians: A Prospective Cross-sectional Study. Istanbul Medical Journal, 250. https://doi.org/10.4274/imj.galenos.2024.17802

Awoyomi, O. J., Njoga, E. O., Jaja, I. F., Oyeleye, F. A., Awoyomi, P. O., Ibrahim, A., Saulawa, M. A., Galadima, H. B., Rowaiye, A. B., Olasoju, T., Idrisa, J. A., Olalere, F. D. H., Olasoju, M. I., Adisa, O. H., Adetunji, V. E., Idemudia, O. O., Ezenduka, E. V., & Oguttu, J. W. (2023). Mpox in Nigeria: Perceptions and knowledge of the disease among critical stakeholders—Global public health consequences. PLoS ONE18(3). https://doi.org/10.1371/journal.pone.0283571

Batisani, K., & Ogunniyi, T. J. (2025). Advancing Infectious Diseases Control in Africa: Lessons From the Mpox Re‐emergence. Health Science Reports8(12). https://doi.org/10.1002/hsr2.71630

Bourner, J., García-Gallo, E., Mbrenga, F., Boum, Y., Nakouné, E., Paterson, A., Jones, B., Olliaro, P., & Rojek, A. (2024). Challenges in clinical diagnosis of Clade I Mpox: Highlighting the need for enhanced diagnostic approaches. PLoS Neglected Tropical Diseases18(6). https://doi.org/10.1371/journal.pntd.0012087

Branda, F., Romano, C., Ciccozzi, M., Giovanetti, M., Scarpa, F., Ciccozzi, A., & Maruotti, A. (2024). Mpox: An Overview of Pathogenesis, Diagnosis, and Public Health Implications. Journal of Clinical Medicine13(8), 2234. https://doi.org/10.3390/jcm13082234

Bueno, R. G., Cervantes, V. A., & Miguel, S. R. de S. L. (2023). Inovação e participação: planejamento estratégico do Departamento de HIV/AIDS, Tuberculose, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis, do Ministério da Saúde. Jornal Brasileiro de Doenças Sexualmente Transmissíveishttps://doi.org/10.5327/dst-2177-8264-202335s1272

Campana, M. G., Colussi, M., Delmastro, F., Mascetti, S., & Pagani, E. (2024). A Transfer Learning and Explainable Solution to Detect mpox from Smartphones images. Pervasive and Mobile Computing98, 101874. https://doi.org/10.1016/j.pmcj.2023.101874

Cavuto, M. L., Malpartida-Cardenas, K., Pennisi, I., Pond, M., Mirza, S., Moser, N., Comer, M., Stokes, I., Eke, L., Lant, S., Szostak, K. M., Miglietta, L., Stringer, O. W., Mantikas, K.-T., Sumner, R. P., Bolt, F., Sriskandan, S., Holmes, A., Georgiou, P., … Rodríguez-Manzano, J. (2025). Portable molecular diagnostic platform for rapid point-of-care detection of mpox and other diseases. Nature Communications16(1). https://doi.org/10.1038/s41467-025-57647-3

Chamari, K., Saad, H. B., Dhahbi, W., Washif, J. A., Omri, A. E., Żmijewski, P., & Dergaa, I. (2024). Mpox in sports: A comprehensive framework for anticipatory planning and risk mitigation in football based on lessons from COVID-19 [Review of Mpox in sports: A comprehensive framework for anticipatory planning and risk mitigation in football based on lessons from COVID-19]. Biology of Sport41(4), 317. Termedia Publishing House. https://doi.org/10.5114/biolsport.2024.144014

Chandran, D., Hridya, P., Prasanth, D., Abernaa, D., Kaaviya, A. V., Menon, P. S. S., Vinodhini, D., Aslam, M., Pran, M., Savanth, V. V., Nainu, F., Yatoo, Mohd. I., Rehman, M. E. U., Chopra, H., Emran, T. B., Dey, A., Sharma, A. K., & Dhama, K. (2022). Changing Patterns in the Spread of Human Monkeypox: A Dangerous New Development in Disease Epidemiology. Journal of Pure and Applied Microbiology16, 3106. https://doi.org/10.22207/jpam.16.spl1.11

Chika-Igwenyi, N. M., Unigwe, U., Ajayi, N. A., Onwe, O. E., Ewa, R. L., Ojide, C. K., Una, A. F., Igwenyi, C., Chukwu, K. S., Okorie, G. M., Nnadozie, U. U., Ifebunandu, N. A., Ugwu, C. N., Emeka, S., Ibemesi, D., Nnaji, T., Primus, N. O., & Odianosen, E. (2023). Atypical Mpox in a Nigerian Tertiary Health Facility. The Journal of Infectious Diseases229https://doi.org/10.1093/infdis/jiad607

Coriat-Cruz, N., Moreno, F., & Cepeda-Londoño, S. (2024). Espectro de manejo farmacológico de la infección por viruela del mono durante el brote de 2022. Universitas Médica64(4). https://doi.org/10.11144/javeriana.umed64-4.vmon

Cynthia, A. N., & Nchanji, G. T. (2025). MPOX outbreak in Africa: the urgent need for local manufacturing of the vaccine and decolonized health systems. BMC Public Health25(1), 3838. https://doi.org/10.1186/s12889-025-25120-x

Echevarría, A. G., Blaya‐Imbernón, D., Finello, M., Zafrilla, E. P., García, Á. G., Leal, R. P., Hoyos, C. L., Magdaleno‐Tapial, J., Díez‐Recio, E., & Hernández‐Bel, P. (2025). Atypical mucocutaneous manifestations of MPOX: A systematic review [Review of Atypical mucocutaneous manifestations of MPOX: A systematic review]. The Journal of Dermatology. Wiley. https://doi.org/10.1111/1346-8138.17605

Faheem, M. S. B., Khan, A. A., Faheem, Q., Ain, H. Q. U., Imam, W., Aimen, Y., & Ahmed, R. (2025). The Role of Public Health Interventions and Control Measures During Mpox Outbreaks: Enhancing Strategies for Disease Prevention and Management. Public Health Challenges4(3). https://doi.org/10.1002/puh2.70103

Fantini, J. (2025). Advanced Strategies Against SARS-CoV-2 Variants and Future Emerging Virus Outbreaks. Viruses18(1), 1. https://doi.org/10.3390/v18010001

Farahat, R. A., Sah, R., El‐Sakka, A. A., Benmelouka, A. Y., Kundu, M., Labieb, F., Shaheen, R. S., Abdelaal, A., Abdelazeem, B., Bonilla‐Aldana, D. K., Franco‐Paredes, C., Henao‐Martínez, A. F., Garout, M., León‐Figueroa, D. A., Pachar, M., Suárez, J. A., Ramírez, J. D., Paniz‐Mondolfi, A., Rabaan, A. A., … Rodríguez‐Morales, A. J. (2022). Human monkeypox disease (MPX) [Review of Human monkeypox disease (MPX)]. Infezioni in Medicina30(3). https://doi.org/10.53854/liim-3003-6

Fernandes, M. N. da S., Boufleuer, E., Finckler, P. V. P. R., Trindade, L. de L., Tavares, J. P., & Pai, D. D. (2022). Implicações da pandemia da COVID-19 sobre a Atenção Primária à Saúde: revisão integrativa. Revista Eletrônica de Enfermagem24, 70085. https://doi.org/10.5216/ree.v24.70085

González-Díaz, E., Rodríguez-Lugo, C. E., Quintero-Luce, S., Esparza-Ahumada, S., Gómez, H. R. P., Morfín‐Otero, R., Kasten-Monges, M. de J., Aguirre-Díaz, S. A., Vázquez-León, M., & Rodríguez-Noriega, E. (2023). Mpox: Fifty-Nine Consecutive Cases from a Mexican Public Hospital; Just the Tip of the STIs Iceberg. Infectious Disease Reports15(3), 319. https://doi.org/10.3390/idr15030032

Hajjo, R., Abusara, O. H., Sabbah, D. A., & Bardaweel, S. K. (2025). Advancing the understanding and management of Mpox: insights into epidemiology, disease pathways, prevention, and therapeutic strategies. Carolina Digital Repository (University of North Carolina at Chapel Hill)https://doi.org/10.17615/4bmp-9a38

Hayman, D. T. S., Koopmans, M., Cunningham, A. A., Bukachi, S. A., Masirika, L. M., Markotter, W., & Mettenleiter, T. C. (2025). Mpox: A case study for a one health approach to infectious disease prevention [Review of Mpox: A case study for a one health approach to infectious disease prevention]. One Health20, 101059. Elsevier BV. https://doi.org/10.1016/j.onehlt.2025.101059

Hoang, C., Kim, W., Huynh, T. M., & Nguyen, H. D. (2024). The first two case reports of confirmed Mpox in patients with syphilis in a dense urban setting, Can Tho, Vietnam: From clinical presentation, treatment, and epidemiological surveillance to prevention. IJID Regions10, 159. https://doi.org/10.1016/j.ijregi.2024.01.003

İnkaya, A. Ç. (2024). Mpox: what sexual health physicians need to know? [Review of Mpox: what sexual health physicians need to know?]. International Journal of Impotence Research36(6), 556. Springer Nature. https://doi.org/10.1038/s41443-024-00964-w

Jadhav, V. B., Paul, A., Trivedi, V., Bhatnagar, R., Bhalsinge, R., & Jadhav, S. (2025). Global epidemiology, viral evolution, and public health responses: a systematic review on Mpox (1958–2024) [Review of Global epidemiology, viral evolution, and public health responses: a systematic review on Mpox (1958–2024)]. Journal of Global Health15, 4061. Edinburgh University Global Health Society. https://doi.org/10.7189/jogh.15.04061

Jain, N., Umar, T. P., Sayad, R., Mokresh, M. E., Tandarto, K., Siburian, R., Liana, P., Laivacuma, S., & Reinis, A. (2024). Monkeypox Diagnosis in Clinical Settings: A Comprehensive Review of Best Laboratory Practices [Review of Monkeypox Diagnosis in Clinical Settings: A Comprehensive Review of Best Laboratory Practices]. Advances in Experimental Medicine and Biology, 253. Springer Nature. https://doi.org/10.1007/978-3-031-57165-7_16

Jena, D., Soman, B., Tanti, A., Khan, A., Goyal, A. K., & Kumar, P. (2024). Global resurgence of monkeypox (mpox) virus: a review of current outbreaks and public health strategies. The Evidence2(3). https://doi.org/10.61505/evidence.2024.2.3.82

Laidlaw, S. M., Ulaeto, D., Lonsdale, S., Clark, G. C., Sumner, R. P., Edwards, T., Adams, E. R., Logist, A.-S., Holm, B. V., Motes, C. M. de, Horby, P., Maes, P., & Carroll, M. W. (2025). Detection of mpox and other orthopoxviruses using a lateral flow device as a point-of-care diagnostic. Microbiology Spectrumhttps://doi.org/10.1128/spectrum.02456-24

Laurenson‐Schafer, H., Sklenovská, N., Hoxha, A., Kerr, S. M., Ndumbi, P., Fitzner, J., Almirón, M., Sousa, L. A. de, Briand, S., Cenciarelli, O., Colombe, S., Doherty, M., Fall, I. S., García, C., Haussig, J. M., Kato, M., Mahamud, A. R., Morgan, O., Nabeth, P., … Biaukula, V. (2023). Description of the first global outbreak of mpox: an analysis of global surveillance data. The Lancet Global Health11(7). https://doi.org/10.1016/s2214-109x(23)00198-5

León‐Figueroa, D. A., Barboza, J. J., Siddiq, A., Sah, R., Valladares-Garrido, M. J., & Rodríguez‐Morales, A. J. (2023). Knowledge and Attitude towards Monkeypox: Systematic review and meta-analysis. Research Square (Research Square)https://doi.org/10.21203/rs.3.rs-3222524/v1

Lisboa, A. C. L. da C., Tukasan, B. C., Repik, C. F., & Gírio, R. J. S. (2022). Monkeypox: Uma zoonose de preocupação mundial. PubVet16(11), 1. https://doi.org/10.31533/pubvet.v16n11a1255.1-7

Liu, B., & Yang, Z. (2025). An urgent need for diagnostic tools to address global mpox public health emergencies [Review of An urgent need for diagnostic tools to address global mpox public health emergencies]. Journal of Clinical Microbiology. American Society for Microbiology. https://doi.org/10.1128/jcm.01321-24

Liu, Y., Zhang, J., & Cai, Y. (2025). Mpox-related stigma and healthcare-seeking behavior among men who have sex with men. Global Health Research and Policy10(1), 16. https://doi.org/10.1186/s41256-025-00418-w

Martins‐Filho, P. R., Nicolino, R. R., & Silva, K. da. (2022, December 6). Incidence, geographic distribution, clinical characteristics, and socioeconomic and demographic determinants of monkeypox in Brazil: A nationwide population-based ecological study. In Travel Medicine and Infectious Disease (Vol. 52, p. 102517). Elsevier BV. https://doi.org/10.1016/j.tmaid.2022.102517

McCollum, A. M., Shelus, V., Hill, A., Traore, T., Onoja, A. B., Nakazawa, Y., Doty, J. B., Yinka-Ogunleye, A., Petersen, B. W., Hutson, C. L., & Lewis, R. (2023). Epidemiology of Human Mpox — Worldwide, 2018–2021. MMWR Morbidity and Mortality Weekly Report72(3), 68. https://doi.org/10.15585/mmwr.mm7203a4

McQuiston, J. H., McCollum, A. M., Christie, A., Torres, F. A. G., Mermin, J., Jernigan, D. B., & Hutson, C. L. (2024). The Rise of Mpox in a Post-Smallpox World. Emerging Infectious Diseases31(1), 27. https://doi.org/10.3201/eid3101.241230

Mejía, P. J. N., Velasco-Guerrero, J. C., & Sullcahuaman-Valdiglesias, E. (2022). Conocimiento sobre viruela del mono en profesionales de la salud, Lima-Perú. Revista Del Cuerpo Médico Hospital Nacional Almanzor Aguinaga Asenjo15(2), 252. https://doi.org/10.35434/rcmhnaaa.2022.152.1547

Monte, G. S., Fernandes, G. S., Júnior⁩, J. H. F. das C., Palmeira, J. O. do V., Macêdo, L. C. B. de, Tomaz, S. B. de S., & Lima, T. L. C. (2023). Diagnóstico tardio dos casos de varíola dos macacos nos serviços de saúde do Brasil: reflexos e impactos. Research Society and Development12(2). https://doi.org/10.33448/rsd-v12i2.39718

Nanyunja, M., Ndoungué, V. F., Daniel, E. O., Okeibunor, J., Boland, S., Njenge, H. K., Bicaba, B. W., Ramadan, O. P. C., Woldetsadik, S. F., Chamla, D., Braka, F., & Guèye, A. S. (2025). Ensuring the continuity of essential health services during mpox response in the African region. Journal of Public Health in Africa16(1), 1227. https://doi.org/10.4102/jphia.v16i1.1227

Ngongo, N., Ndembi, N., Fallah, M., Mankoula, W., Tegegne, M. A., Foláyan, M. O., & Kaseya, J. (2025). The Unified Continental Approach to the Mpox Outbreak Preparedness and Response: A Model for Future Outbreaks in Africa. Journal of Public Health in Africa16(1), 877. https://doi.org/10.4102/jphia.v16i1.877

Oliveira, L. F. de, Araújo, M. A. L., Bernardo, A. K. S., Oliveira, A. C., Rocha, A. F. B., Oliveira, A. K. D. de, Guanabara, M. A. O., Barros, V. L. de, & Melo, S. P. de. (2023). Oferta de teste rápido de sífilis na praia de Fortaleza, Ceará. Jornal Brasileiro de Doenças Sexualmente Transmissíveis, 74. https://doi.org/10.5327/dst-2177-8264-202335s1295

Panag, D. S., Jain, N., Katagi, D., Flores, G. D. J. C., Macedo, G. D. S. D., Villa, G. R. D., Yèche, M., Mérida, S. Y. V., Kapparath, S., Sert, Z., & Reinis, A. (2023). Variations in national surveillance reporting for Mpox virus: A comparative analysis in 32 countries. Frontiers in Public Health11https://doi.org/10.3389/fpubh.2023.1178654

Passos, D. F. dos, Muniz, B. A. A., Novaes, R. C. C., & Aragão, T. A. P. (2023). Educação permanente na saúde sobre Monkeypox em Unidades de Saúde da Família. Revista de Educação Popular22(1), 334. https://doi.org/10.14393/rep-2023-67043

Polidoro, M., Oliveira, D. C. de, & Nogueira, P. R. R. (2023). Aspectos Espaciais e Epidemiológicos da Monkeypox (MPX) no Rio Grande do Sul. Sociedade & Natureza35(1). https://doi.org/10.14393/sn-v35-2023-68188

Rainey, J. J., Lin, X., Murphy, S., Velazquez‐Kronen, R., Do, T., Hughes, C. M., Harris, A. M., Maitland, A., & Gundlapalli, A. V. (2024). Deployment of the National Notifiable Diseases Surveillance System during the 2022–23 mpox outbreak in the United States—Opportunities and challenges with case notifications during public health emergencies. PLoS ONE19(4). https://doi.org/10.1371/journal.pone.0300175

Rallapalli, S., Razai, M. S., Majeed, A., & Drysdale, S. B. (2022). Diagnosis and management of monkeypox in primary care [Review of Diagnosis and management of monkeypox in primary care]. Journal of the Royal Society of Medicine115(10), 384. SAGE Publishing. 10.1177/01410768221131914" target="_blank">https://doi.org/10.1177/01410768221131914

Rey-Benito, G., Pastor, D., Whittembury, Á., Durón, R., Pacis-Tirso, C., Bravo‐Alcántara, P., Ortíz, C. P., & Andrus, J. K. (2024). Sustaining the Elimination of Measles, Rubella and Congenital Rubella Syndrome in the Americas, 2019–2023: From Challenges to Opportunities. Vaccines12(6), 690. https://doi.org/10.3390/vaccines12060690

Rodríguez-Manzano, J., Cavuto, M. L., Malpartida-Cardenas, K., Pennisi, I., Pond, M., Mirza, S., Moser, N., Comer, M., Stokes, I., Eke, L., Lant, S., Szostak, K. M., Miglietta, L., Stringer, O. W., Sumner, R. P., Bolt, F., Sriskan, S., Holmes, A., Georgiou, P., … Motes, C. M. de. (2024). Dragonfly: A Portable Molecular Diagnostic Platform for Rapid Point-of-Care Detection of Mpox and Other Diseases. Research Square (Research Square)https://doi.org/10.21203/rs.3.rs-4926828/v1

Rwibasira, G. N., Dzinamarira, T., Ngabonziza, J. C. S., Tuyishime, A., Ahmed, A., & Muvunyi, C. M. (2025). The Mpox Response Among Key Populations at High Risk of or Living with HIV in Rwanda: Leveraging the Successful National HIV Control Program for More Impactful Interventions. Vaccines13(3), 307. https://doi.org/10.3390/vaccines13030307

Saied, A. A., Chandran, D., Chakraborty, S., Emran, T. B., & Dhama, K. (2023). Mpox and healthcare workers — a minireview of our present knowledge. The Egyptian Journal of Internal Medicine35(1). https://doi.org/10.1186/s43162-023-00233-0

Saleh, A. I., Rabie, A. H., ElSayyad, S. E., Takieldeen, A. E., & Khalifa, F. (2025). An optimized ensemble grey wolf-based pipeline for monkeypox diagnosis. Scientific Reports15(1). https://doi.org/10.1038/s41598-025-87455-0

Santos, F. A. da C. dos, Costa, C. S., Silva, C. P. da, Silva, F. F. P. A. da, Sousa, G. D. F. de, Silva, L. M., Mendes, M. da C. R., Carvalho, R. B., Cardoso, T. J. S., & Cardoso, J. N. (2023). O ENSINO REMOTO EMERGENCIAL: FRAGILIDADES E POSSIBILIDADES DA FORMAÇÃO EM ENFERMAGEM NA PANDEMIA DO CORONAVÍRUS. In Paulo Sérgio da Paz Silva Filho eBooks (p. 65). https://doi.org/10.56161/sci.ed.20230304c6

Santos, J. P. R., Giménez, L., Magalhães, F. D., Coelho, T. M., & Cruz-Cunha, M. M. (2024). Monkeypox: uma abordagem dermatológica. Revista Eletrônica Acervo Saúde24(11). https://doi.org/10.25248/reas.e17098.2024

Shaik, R. A., Ahmed, M. S., Miraj, M., Mehta, V., Mathur, A., Obulareddy, V. T., Barboza, J. J., Sah, S., Rustagi, S., Sheran, H. A., Kishore, S., Mohanty, A., & Sah, R. (2023). Knowledge, Attitudes, and Practices Regarding Monkeypox Surveillance – A Systematic Review and Meta-Analysis [Review of Knowledge, Attitudes, and Practices Regarding Monkeypox Surveillance – A Systematic Review and Meta-Analysis]. Research Square (Research Square). Research Square (United States). https://doi.org/10.21203/rs.3.rs-3368057/v1

Silva, S. J. R. da, Kohl, A., Pena, L., & Pardee, K. (2023). Clinical and laboratory diagnosis of monkeypox (mpox): Current status and future directions [Review of Clinical and laboratory diagnosis of monkeypox (mpox): Current status and future directions]. iScience26(6), 106759. Cell Press. https://doi.org/10.1016/j.isci.2023.106759

Silva, M. S. T., Coutinho, C., Torres, T. S., Peixoto, E. M., Ismério, R., Lessa, F., Nunes, E. P., Hoagland, B., Guevara, A. D. E., Bastos, M. O., Tavares, I. C. F., Ribeiro, M. P. D., RAMOS, M. R. M. S., Andrade, H. B., Santana, A. P. L., Santini-Oliveira, M., Netto, J. B. S., Reges, P., Magalhães, M. A. F. M., … Pereira, S. A. (2022). Ambulatory and hospitalized patients with suspected and confirmed mpox: an observational cohort study from Brazil. The Lancet Regional Health - Americas17, 100406. https://doi.org/10.1016/j.lana.2022.100406

Soe, N. N., Yu, Z., Latt, P. M., Lee, D., Samra, R. S., Ge, Z., Rahman, R., Sun, J., Ong, J. J., Fairley, C. K., & Zhang, L. (2024). Using AI to Differentiate Mpox From Common Skin Lesions in a Sexual Health Clinic: Algorithm Development and Validation Study. Journal of Medical Internet Research2610.2196/52490" target="_blank">https://doi.org/10.2196/52490

Souza, É. M. M. de, Ribeiro, W. A., Neves, K. do C., Fassarella, B. P. A., Paula, E. de, & Alves, A. L. N. (2023). complicações atuais da varíola do macaco no cenário brasileiro e os aspectos epidemiológicos. Revista Pró-UniverSUS14(1), 50. https://doi.org/10.21727/rpu.v14i1.3481

Tambo, E., Djopmo, B. G., Djamfa, J. N., Temomo, L. D. Z., Djouka, O., Bitalabebo, F. A., & Assob, J. N. (2025). Harnessing community-based one health interventions implementation beyond Mpox outbreak management in Africa: insights and benefits. Infectious Diseases of Poverty14(1). https://doi.org/10.1186/s40249-025-01348-y

Tsige, A. W., & Ayele, S. G. (2025). Monkeypox: Prevention Strategies and Challenges: Updated Review. Health Science Reports8(4). https://doi.org/10.1002/hsr2.70640

Verma, A., Khatib, M. N., Sharma, G. A., Singh, M. P., Bushi, G., Ballal, S., Kumar, S., Bhat, M., Sharma, S., & Ndabashinze, R. (2024). Mpox 2024: New variant, new challenges, and the looming pandemic. Clinical Infection in Practice24, 100394. https://doi.org/10.1016/j.clinpr.2024.100394

Vives, Á., Muñoz, C., Alonso-Tarrés, C., & Cosentino, M. (2024, May 10). Coinfection of monkeypox, COVID-19 and syphilis in a PrEP using MSM: a case report from Barcelona. In Actas Urológicas Españolas (English Edition) (Vol. 48, Issue 8, p. 618). Elsevier BV. https://doi.org/10.1016/j.acuroe.2024.05.011

Yadav, R., Chaudhary, A. A., Srivastava, U., Gupta, S., Rustagi, S., Rudayni, H. A., Kashyap, V. K., & Kumar, S. (2025). Mpox 2022 to 2025 Update: A Comprehensive Review on Its Complications, Transmission, Diagnosis, and Treatment. Viruses17(6), 753. https://doi.org/10.3390/v17060753

Zeyen, C., Kinberger, M., Kriedemann, H., Pfäfflin, F., Tober‐Lau, P., Huang, L., Corman, V. M., Nast, A., Sander, L. E., Kurth, F., & Werner, R. N. (2024). Clinical spectrum and long-term outcomes of mpox: a cohort study spanning from acute infection to six-month follow-up. BMC Infectious Diseases24(1). https://doi.org/10.1186/s12879-024-09191-6

Zhao, X., Lyu, L., & Zhang, L. (2025). Can deep learning technology really recognize Mpox? A positive response from the EfficientNet model. Frontiers in Microbiology16https://doi.org/10.3389/fmicb.2025.1627311


1 Doutorando em Saúde (CBS). Mestre em Enfermagem em Atenção Primária à Saúde (UDESC). Membro da International Epidemiological Association (IEA), 2025-2031; Membro Trainee da International Society of Hypertension (ISH). ORCID: https://orcid.org/0009-0008-0206-0011.

2 PhD. e Doutora em Educação pela Christian Business School (CBS), com título reconhecido pela Universidade Federal de Alagoas (UFAL), Brasil. Mestre em Educação. Professora orientadora da Christian Business School (CBS). Especialista em Escrita Acadêmica Avançada. Professora do curso de pós-graduação em Neuropsicopedagogia e do curso de Aplicador ABA da Faculdade Luso Brasileira (FALUB). Tutora na Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), Brasil. ORCID: https://orcid.org/0009-0000-6863-7874.

3 PhD pela Universidade Federal de Pernambuco, UFPE, Brasil. Professor Docente e Orientador de programas de mestrado e doutorado. Membro do Laboratório de Ecologia Aplicada e Fitoquímica agregado ao Departamento de Botânica do Centro de Ciências Biológicas da UFPE. ORCID: https://orcid.org/0000-0002-9230-3409.