REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/791968578
RESUMO
Introdução: A obesidade é uma doença crônica de causas múltiplas e um dos principais problemas de saúde pública do mundo, associada ao diabetes, à hipertensão, às doenças cardiovasculares e a outros agravos. Sua prevenção exige ações que ultrapassam o cuidado individual e alcançam o ambiente alimentar, as escolas, as famílias e as políticas públicas. Objetivo: Sintetizar as evidências científicas sobre os desafios e as estratégias para a prevenção e o enfrentamento do excesso de peso na população. Metodologia: Revisão sistemática conduzida conforme as recomendações PRISMA 2020, com busca na base PubMed/MEDLINE por meio de estratégia booleana que combinou descritores MeSH e termos livres relacionados à obesidade, à saúde pública e à prevenção. A busca foi limitada ao período de 2016 a 2026 e às metanálises, revisões e revisões sistemáticas. Dos 10.116 registros identificados, 67 estudos foram incluídos. Resultados: Os estudos foram agrupados em quatro eixos: prevenção da obesidade infantil em ambientes escolares, comunitários e familiares; políticas públicas, ambiente alimentar e regulação; nutrição, ciclo de vida e fatores dietéticos; e manejo clínico da obesidade e de suas comorbidades na atenção primária. Destacaram-se as intervenções escolares de múltiplos componentes, a tributação de bebidas açucaradas, a rotulagem nutricional, a reformulação de alimentos, a abordagem sistêmica da obesidade, o combate ao estigma do peso e as novas terapias farmacológicas. Conclusão: O enfrentamento do excesso de peso depende da combinação de políticas sobre o ambiente alimentar, de ações intersetoriais desde a gestação e a infância e de cuidado contínuo na atenção primária, com atenção às desigualdades sociais e sem estigmatizar as pessoas que vivem com obesidade.
Palavras-chave: Obesidade; Sobrepeso; Saúde Pública; Política de Saúde; Prevenção Primária.
ABSTRACT
Introduction: Obesity is a chronic disease with multiple causes and one of the main public health problems worldwide, associated with diabetes, hypertension, cardiovascular diseases and other conditions. Its prevention requires actions that go beyond individual care and reach the food environment, schools, families and public policies. Objective: To synthesize the scientific evidence on the challenges and strategies for preventing and tackling excess weight in the population. Methods: Systematic review conducted according to PRISMA 2020 guidelines, with a search in PubMed/MEDLINE using a Boolean strategy that combined MeSH descriptors and free-text terms related to obesity, public health and prevention. The search was limited to 2016–2026 and to meta-analyses, reviews and systematic reviews. Of the 10,116 records identified, 67 studies were included. Results: Studies were grouped into four axes: prevention of childhood obesity in school, community and family settings; public policies, food environment and regulation; nutrition, life course and dietary factors; and clinical management of obesity and its comorbidities in primary care. Multicomponent school interventions, taxation of sugar-sweetened beverages, nutrition labeling, food reformulation, the systems approach to obesity, efforts against weight stigma and new pharmacological therapies stood out. Conclusion: Tackling excess weight depends on combining policies on the food environment, intersectoral actions from pregnancy and childhood onward, and continuous care in primary health care, with attention to social inequalities and without stigmatizing people living with obesity.
Keywords: Obesity; Overweight; Public Health; Health Policy; Primary Prevention.
1. INTRODUÇÃO
A obesidade é uma doença crônica, multifatorial e recidivante, caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura corporal, e está entre os maiores desafios de saúde pública do século XXI. Seu aumento em escala global acompanha a transição nutricional, marcada pela substituição de alimentos in natura por produtos ultraprocessados e pela redução da atividade física, e avança em estágios distintos conforme o nível de desenvolvimento dos países (Jaacks et al., 2019; Poti; Braga; Qin, 2017).
O excesso de peso está associado ao diabetes tipo 2, à hipertensão arterial, à insuficiência cardíaca e à doença hepática gordurosa, o que amplia a carga sobre os sistemas de saúde (Lingvay et al., 2022; Carey et al., 2018; Aggarwal et al., 2018). Na infância e na adolescência, a obesidade traz consequências psicológicas e metabólicas que tendem a persistir na vida adulta (Smith; Fu; Kobayashi, 2020; Stabouli et al., 2021).
Por ter determinantes econômicos, ambientais e culturais, a obesidade não se resolve apenas com orientações individuais. A literatura defende uma abordagem sistêmica, que combine políticas de saúde, regulação do ambiente alimentar e ações nos espaços onde as pessoas vivem, estudam e trabalham (Lee et al., 2017; Peeters; Backholer, 2017; Greenberg, 2022). Ao mesmo tempo, o surgimento de terapias farmacológicas mais eficazes e o reconhecimento do estigma do peso como barreira ao cuidado renovaram o debate sobre como tratar a doença (Celletti; Farrar; De Regil, 2026; Nutter et al., 2024).
No Brasil, o enfrentamento da obesidade envolve o Sistema Único de Saúde (SUS), a Atenção Primária à Saúde e políticas intersetoriais de alimentação e nutrição, nas quais escolas, associações e organizações comunitárias também têm papel. Diante desse contexto, esta revisão sistemática teve como objetivo sintetizar as evidências científicas sobre os desafios e as estratégias para a prevenção e o enfrentamento do excesso de peso na população.
2. METODOLOGIA
Trata-se de uma revisão sistemática da literatura, elaborada de acordo com as diretrizes do Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses (PRISMA 2020). A pergunta norteadora foi: quais são os desafios e as estratégias para a prevenção e o enfrentamento do excesso de peso na população, segundo as evidências científicas disponíveis?
A busca foi realizada na base PubMed/MEDLINE, com a seguinte estratégia booleana, combinando descritores do Medical Subject Headings (MeSH) e termos livres:
("Obesity"[MeSH] OR "Overweight"[MeSH] OR obes*[tiab] OR overweight[tiab] OR "excess weight"[tiab]) AND ("Public Health"[MeSH] OR "Health Policy"[MeSH] OR "Public Policy"[MeSH] OR "public health"[tiab]) AND ("Primary Prevention"[MeSH] OR "Health Promotion"[MeSH] OR "Obesity/prevention and control"[MeSH] OR prevent*[tiab])
Foram adotados como critérios de inclusão: artigos publicados entre 2016 e 2026; publicações classificadas no PubMed como metanálise, revisão ou revisão sistemática; e abordagem da prevenção, do controle ou do manejo do sobrepeso e da obesidade, ou de seus determinantes, em perspectiva populacional ou de saúde pública. Foram excluídos estudos duplicados, publicações fora do recorte temporal e trabalhos sem relação com o excesso de peso.
A seleção ocorreu em duas etapas: leitura de títulos e resumos, seguida da leitura na íntegra dos textos elegíveis. A busca, aplicada ao período de 2016 a 2026 e filtrada pelos tipos de publicação metanálise, revisão e revisão sistemática, identificou 10.116 registros. Após a remoção de duplicatas e a aplicação dos critérios de elegibilidade, 10.049 registros foram excluídos, e 67 estudos (0,7% do total identificado) compuseram a amostra final, conforme a Figura 1.
Figura 1. Fluxograma de seleção dos estudos, adaptado do PRISMA 2020
De cada estudo, foram extraídos autoria, ano, periódico, país ou contexto, delineamento e principais achados. Os resultados foram organizados em quatro eixos temáticos por análise de conteúdo: (1) prevenção da obesidade infantil em ambientes escolares, comunitários e familiares; (2) políticas públicas, ambiente alimentar e regulação; (3) nutrição, ciclo de vida e fatores dietéticos; e (4) manejo clínico da obesidade e de suas comorbidades na atenção primária. Por se tratar de pesquisa com dados secundários de domínio público, não houve necessidade de apreciação por Comitê de Ética em Pesquisa.
3. RESULTADOS
Os 67 estudos incluídos foram publicados entre 2016 e 2026, com maior concentração em 2018 (n = 18) e 2017 (n = 15); nenhum estudo de 2023 integrou a amostra. O eixo com mais publicações foi o de prevenção da obesidade infantil em ambientes escolares, comunitários e familiares (n = 22), seguido pelo de políticas públicas, ambiente alimentar e regulação (n = 20). Por força dos filtros aplicados, a amostra foi composta por revisões narrativas, revisões sistemáticas e metanálises, além de revisões que assumem a forma de documentos de posicionamento de sociedades científicas.
Tabela 1. Distribuição dos estudos incluídos por ano de publicação
Ano | Número de estudos | % |
2016 | 5 | 7,5 |
2017 | 15 | 22,4 |
2018 | 18 | 26,9 |
2019 | 8 | 11,9 |
2020 | 6 | 9,0 |
2021 | 5 | 7,5 |
2022 | 3 | 4,5 |
2024 | 4 | 6,0 |
2025 | 2 | 3,0 |
2026 | 1 | 1,5 |
Total | 67 | 100 |
Fonte: Elaborada pelos autores (2026).
Tabela 2. Distribuição dos estudos por eixo temático
Eixo temático | Número de estudos | % |
Prevenção da obesidade infantil em ambientes escolares, comunitários e familiares | 22 | 32,8 |
Políticas públicas, ambiente alimentar e regulação | 20 | 29,9 |
Nutrição, ciclo de vida e fatores dietéticos | 15 | 22,4 |
Manejo clínico da obesidade e de suas comorbidades na atenção primária | 10 | 14,9 |
Total | 67 | 100 |
Fonte: Elaborada pelos autores (2026).
3.1. Prevenção da Obesidade Infantil em Ambientes Escolares, Comunitários e Familiares
A obesidade infantil foi apresentada como problema com repercussões psicológicas e de saúde que exige prevenção precoce e manejo integrado, incluindo atenção à relação bidirecional entre obesidade e transtornos alimentares (Smith; Fu; Kobayashi, 2020; Stabouli et al., 2021). A prevenção primordial do risco cardiometabólico desde a infância e as estratégias voltadas ao crescimento e à nutrição saudáveis na adolescência foram consideradas investimentos de longo prazo (Tanrikulu; Agirbasli; Berenson, 2017; Hargreaves et al., 2022).
A escola foi o cenário mais estudado. Programas escolares que combinam atividade física, educação alimentar e mudanças no ambiente mostraram efeitos sobre o peso e a aptidão física, ainda que modestos e variáveis entre os estudos (Yuksel et al., 2020; Goldthorpe et al., 2020; Nikooyeh et al., 2025). Políticas para o ambiente alimentar escolar e intervenções nas cantinas melhoraram as escolhas alimentares das crianças (Micha et al., 2018; Gordon; Dynan; Siegel, 2018), e programas de letramento alimentar com uso de tecnologia foram testados com adolescentes (Wickham; Carbone, 2018).
As intervenções de modificação do estilo de vida para crianças e adolescentes reduziram de forma discreta os indicadores de adiposidade, e sua efetividade dependeu de componentes como o envolvimento da família e a intensidade do acompanhamento (Salam et al., 2020; Burchett et al., 2018). Programas para mães e filhas, ações conduzidas por enfermeiros e o controle do tempo de tela em crianças menores de cinco anos foram apontados como estratégias complementares (Barnes et al., 2018; Cheng et al., 2021; Kaur et al., 2019).
No campo alimentar, recomendou-se limitar o consumo de açúcares livres por crianças e adolescentes e estimular o consumo de frutas e hortaliças (Fidler Mis et al., 2017; Folkvord et al., 2021), com propostas como uma pirâmide de estilo de vida mediterrâneo adaptada a esse público (Casas et al., 2025). Outros ambientes também foram considerados: o período de férias escolares, as instituições religiosas, as forças armadas e os modelos nacionais de prevenção da Suécia (Bohnert et al., 2017; Maynard, 2017; Shams-White; Deuster, 2017; Flodmark, 2018).
3.2. Políticas Públicas, Ambiente Alimentar e Regulação
A obesidade foi descrita como epidemia global em transição, cujo padrão varia com o desenvolvimento econômico e sofre influência de fatores como o crescimento econômico e as mudanças climáticas (Jaacks et al., 2019; Minos et al., 2016). A abordagem sistêmica foi defendida como alternativa às ações isoladas, inclusive na avaliação econômica das intervenções (Lee et al., 2017; Sonntag et al., 2018), e a saúde pública global foi considerada em ponto de inflexão diante do crescimento das doenças crônicas (Greenberg, 2022).
Entre as medidas regulatórias, a tributação de bebidas açucaradas reduziu as compras e o consumo desses produtos em diferentes países (Redondo; Hernández-Aguado; Lumbreras, 2018; Ortún; López-Valcárcel; Pinilla, 2016), e a taxação de alimentos e bebidas não saudáveis foi discutida como instrumento de política (Smith et al., 2018). A rotulagem nutricional alterou o comportamento dos consumidores e as práticas da indústria, embora a compreensão das porções declaradas nos rótulos ainda seja limitada (Shangguan et al., 2019; Van der Horst et al., 2019).
A reformulação de produtos, as campanhas publicitárias de alimentação saudável e outras intervenções para acelerar a mudança da dieta compuseram o repertório de ações sobre o ambiente alimentar (Estruch et al., 2020; Abril; Dempsey, 2019; Jebb, 2018). O consumo de alimentos ultraprocessados foi associado à obesidade, com debate sobre o peso relativo do grau de processamento e do conteúdo de nutrientes (Poti; Braga; Qin, 2017). Parcerias com o setor privado e políticas nacionais de atividade física também foram analisadas (Simon; Kocot; Dietz, 2017; Chalkley; Milton, 2021).
A experiência chinesa mostrou que intervenções de saúde pública articuladas em escolas, famílias e comunidades, apoiadas por políticas nacionais, podem conter o avanço da obesidade infantil (Yuan et al., 2024; Dong et al., 2024). Os estudos reforçam que as políticas de saúde influenciam o cenário da obesidade quando atuam sobre os determinantes do ambiente, e não apenas sobre o comportamento individual (Peeters; Backholer, 2017). Por fim, a Federação Mundial de Obesidade propôs mudar a narrativa global sobre a doença para reconhecer e reduzir o estigma do peso (Nutter et al., 2024).
3.3. Nutrição, Ciclo de Vida e Fatores Dietéticos
A gestação, a lactação e os primeiros anos de vida foram identificados como janelas para prevenir o excesso de peso materno e infantil (Kominiarek; Rajan, 2016; Koletzko et al., 2019). A obesidade na gestação exige cuidado para reduzir desfechos adversos para a mãe e o bebê, e o período pós-parto foi apontado como oportunidade para intervenções de perda de peso (Dutton et al., 2018; McKinley et al., 2018; Berger; Nicholson, 2017).
Diretrizes nutricionais para adolescentes em países de renda baixa e média e o uso de redes sociais para melhorar a alimentação de adultos jovens foram descritos como estratégias para grupos com necessidades específicas (Lassi et al., 2017; Klassen et al., 2018). Pessoas com transtorno mental grave enfrentam desafios nutricionais que justificam a atuação de nutricionistas para reduzir as lacunas em sua saúde física (Teasdale et al., 2017).
Quanto aos fatores dietéticos, o consumo de açúcar foi relacionado ao diabetes tipo 2 (Lean; Te Morenga, 2016), e mudanças isocalóricas na composição da dieta mostraram efeito sobre a doença hepática gordurosa em pessoas com alto risco cardiometabólico (Della Pepa et al., 2017). O consumo de café, de água e de frutas vermelhas foi associado a desfechos metabólicos favoráveis, ainda que com evidências majoritariamente observacionais (Gökcen; Şanlier, 2019; Armstrong; Muñoz; Armstrong, 2020; Kowalska; Olejnik, 2016).
A nutrição personalizada com base em informações genéticas foi apresentada como campo promissor, mas ainda distante da aplicação em larga escala (Singar et al., 2024). Já as dietas da moda, apesar de populares, não demonstraram vantagem sustentada sobre abordagens alimentares equilibradas e podem dificultar a adesão de longo prazo (Kuchkuntla et al., 2018).
3.4. Manejo Clínico da Obesidade e de Suas Comorbidades na Atenção Primária
As diretrizes internacionais para o manejo do sobrepeso e da obesidade na atenção primária convergem quanto à avaliação clínica, às metas de perda de peso e à combinação de dieta, atividade física e mudança de comportamento (Semlitsch et al., 2019; Wiechert; Holzapfel, 2021). As consultas com nutricionistas na atenção primária melhoraram desfechos de peso e metabólicos (Mitchell et al., 2017), e técnicas específicas de mudança de comportamento, como o automonitoramento, foram associadas a melhores resultados em adultos com excesso de peso (Samdal et al., 2017).
A Organização Mundial da Saúde publicou diretriz sobre o uso e as indicações das terapias com agonistas do receptor de GLP-1 para adultos com obesidade (Celletti; Farrar; De Regil, 2026). No diabetes tipo 2, propôs-se que o controle do peso passe a ser meta terapêutica primária, e não apenas um objetivo secundário do tratamento (Lingvay et al., 2022).
A perda de peso e a mudança do estilo de vida também foram centrais na prevenção e no controle da hipertensão e da insuficiência cardíaca (Carey et al., 2018; Aggarwal et al., 2018), e as recomendações de estilo de vida para a atenção primária foram atualizadas na Espanha (Córdoba García et al., 2018). O controle dos fatores de risco cardiovascular, incluindo a obesidade, foi relacionado até mesmo a desfechos oftalmológicos, como o glaucoma (Hacke; Erb; Weisser, 2018).
4. DISCUSSÃO
Os achados desta revisão mostram que a prevenção e o enfrentamento do excesso de peso exigem respostas em vários níveis. A predominância de estudos sobre escolas, famílias e políticas públicas indica que a literatura passou a tratar a obesidade como problema coletivo, determinado pelo ambiente, e não apenas como resultado de escolhas individuais (Lee et al., 2017; Peeters; Backholer, 2017).
As medidas regulatórias, como a tributação de bebidas açucaradas, a rotulagem nutricional e a reformulação de produtos, alcançam grande parte da população com custo relativamente baixo (Redondo; Hernández-Aguado; Lumbreras, 2018; Shangguan et al., 2019; Estruch et al., 2020). Essas experiências dialogam com o contexto brasileiro, que já adota a rotulagem nutricional frontal e debate a tributação de produtos não saudáveis. O desafio é sustentar essas políticas diante da pressão da indústria e avaliar seus efeitos a longo prazo (Smith et al., 2018; Sonntag et al., 2018).
A escola mostrou-se espaço privilegiado para a prevenção, mas os efeitos das intervenções foram modestos e heterogêneos, o que sugere que ações isoladas no ambiente escolar não bastam quando o entorno familiar e comunitário favorece o ganho de peso (Goldthorpe et al., 2020; Nikooyeh et al., 2025). A experiência chinesa reforça que resultados mais consistentes surgem quando escola, família, comunidade e políticas nacionais atuam de forma articulada (Yuan et al., 2024; Dong et al., 2024).
O ciclo de vida apareceu como eixo transversal. Gestação, lactação, primeira infância e adolescência são períodos em que as intervenções podem ter efeito duradouro (Koletzko et al., 2019; Hargreaves et al., 2022). Para o SUS, isso reforça a importância do pré-natal, da puericultura e do Programa Saúde na Escola como pontos de contato para ações de prevenção. Organizações comunitárias, como associações, cooperativas e instituições religiosas, também podem ampliar o alcance dessas ações (Maynard, 2017).
No cuidado individual, as novas terapias farmacológicas ampliam as possibilidades de tratamento, mas não substituem a mudança do estilo de vida nem o acompanhamento contínuo na atenção primária (Celletti; Farrar; De Regil, 2026; Semlitsch et al., 2019). O estigma do peso, presente inclusive entre profissionais de saúde, permanece como barreira ao cuidado e precisa ser enfrentado nas políticas e na formação das equipes (Nutter et al., 2024).
Esta revisão apresenta limitações. A busca restringiu-se a uma única base de dados, e a maior parte dos estudos foi produzida em países de alta renda, o que limita a generalização para o contexto brasileiro. Por incluir apenas revisões e metanálises, a amostra reflete evidências já sintetizadas, sem estudos primários recentes; além disso, concentrou-se em 2017 e 2018, com menor número de publicações nos últimos anos. Os estudos são heterogêneos em escopo e população, e não foi realizada avaliação formal do risco de viés nem síntese quantitativa. A elevada proporção de registros excluídos (10.049 de 10.116) reflete a sensibilidade ampla da estratégia de busca, que recuperou muitos estudos fora do escopo desta revisão.
5. CONCLUSÃO
As evidências reunidas nesta revisão confirmam que a obesidade é um desafio de saúde pública que não se resolve apenas com orientações individuais. Seu enfrentamento depende da combinação de políticas sobre o ambiente alimentar, ações intersetoriais nas escolas, famílias e comunidades e cuidado contínuo na atenção primária.
Entre as estratégias com maior respaldo destacam-se a tributação de bebidas açucaradas, a rotulagem nutricional, a reformulação de alimentos, as intervenções escolares de múltiplos componentes e a atenção nutricional desde a gestação e a primeira infância. No cuidado clínico, as novas terapias farmacológicas devem ser incorporadas sem abandonar a mudança do estilo de vida e com o combate ao estigma do peso.
Para o SUS, os resultados reforçam a importância de fortalecer as políticas de alimentação e nutrição, a articulação entre saúde e educação e a participação de organizações comunitárias nas ações de prevenção, com atenção às desigualdades sociais. Recomenda-se que estudos futuros incluam múltiplas bases de dados, avaliação do risco de viés e maior produção de evidências nacionais.
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1 Mestrando em Agroecologia, Ambiente, Sociedade e Amazônia. Universidade Estadual de Roraima - UERR. Boa vista/Roraima/Brasil. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. ORCID: https://orcid.org/0000-0001-7156-2244
2 Especialização em Odontologia para Pacientes com Necessidades Especiais Faculdade Unibf. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail.
3 Graduada em Medicina. Universidade Federal de Roraima - UFRR. Boa Vista/Roraima/Brasil. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail
4 Doutorando em Biodiversidade e Biotecnologia. Rede BIONORTE/UFRR. Boa Vista/Roraima/Brasil. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. ORCID: https://orcid.org/0009-0006-9003-773X
5 Mestra em Saúde e Biodiversidade pela Universidade Federal de Roraima – UFRR. Boa Vista/Roraima/Brasil. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. ORCID: https://orcid.org/0009-0002-2061-3106
6 Graduada em Enfermagem. Centro Universitário de Barra mansa – UBM. Volta Redonda/Rio Janeiro/Brasil. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail.
7 Pós-Graduada em Especialização em Gestão e Qualidade em Saúde Pública. Centro Universitário Unifatecie. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail
8 Mestranda em Gestão de Cuidados da Saúde. Must University. Santa Helena/Paraná/Brasil. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail.
9 Mestra em Saúde e Biodiversidade pela Universidade Federal de Roraima – UFRR. Boa Vista/Roraima/Brasil. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail