REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/776145380
RESUMO
Esse artigo tem como objetivo geral realizar um levantamento de artigos sobre o uso das metodologias ativas como práticas avaliativas, por meio de uma revisão sistemática (RS), identificando os desafios enfrentados pelos professores e investigando os desafios e possibilidades de sua aplicação na avaliação durante o processo de ensino e aprendizagem na educação Básica anos iniciais e anos finais. O processo avaliativo tem se destacado no âmbito educacional por ser importante na vida estudantil através de vivências pedagógicas que contrastam com a avaliação tradicional. Concomitantemente, as metodologias ativas surgem como alternativa de mudar o meio educacional trazendo o estudante para o centro, tornando–o protagonista no processo de ensino e aprendizagem. A RS foi desenvolvida a partir de critérios de inclusão e exclusão previamente definidos, resultando na seleção de artigos que abordem a temática citada dos últimos cinco anos. Os resultados obtidos indicam que integrar as metodologias ativas no processo avaliativo contribui de forma significativa para o desenvolvimento intelectual e social do estudante. Com isso, é possível perceber que essa junção representa uma possibilidade que contribui para a qualidade de ensino e aprendizagem.
Palavras-chave: Avaliação, Métodos ativos; Inovação educacional; Práticas pedagógicas.
ABSTRACT
This article aims to conduct a survey of articles on the use of active methodologies as assessment practices, through a systematic review (SR), identifying the challenges faced by teachers and investigating the challenges and possibilities of their application in assessment during the teaching and learning process in basic education (early and late years). The assessment process has become prominent in the educational field due to its importance in student life through pedagogical experiences that contrast with traditional assessment. Concomitantly, active methodologies emerge as an alternative to change the educational environment, bringing the student to the center and making them the protagonist in the teaching and learning process. The SR was developed based on previously defined inclusion and exclusion criteria, resulting in the selection of articles addressing the aforementioned theme from the last five years. The results obtained indicate that integrating active methodologies into the assessment process contributes significantly to the intellectual and social development of the student. Thus, it is possible to perceive that this combination represents a possibility that contributes to the quality of teaching and learning.
Keywords: Assessment, Active methods; Educational innovation; Pedagogical practices.
1. INTRODUÇÃO
A sociedade está em constante mudança e o meio educacional tem acompanhado essas transformações, sendo necessário repensar em métodos pedagógicos e avaliativos que serão vivenciados na educação. A avaliação escolar sempre trouxe modelos que focava em classificar com o objetivo de obter apenas resultados através de notas. No entanto, essas práticas mostram-se ultrapassadas diante das transformações que vem acontecendo no meio social em que o aluno está inserido. Sendo assim, é preciso repensar em avaliação como um processo contínuo objetivando o desenvolvimento integral dos estudantes.
Segundo Luckesi (2005), a avaliação da aprendizagem deve considerar o percurso de aprendizagem do educando, analisando o que ocorreu anteriormente, o que está acontecendo no momento e as possibilidades futuras de desenvolvimento intelectual. Para o autor, a avaliação precisa estar vinculada a um projeto pedagógico que compreende o ser humano como alguém em constante processo de formação e transformação. Nesse sentido, mais do que aprovar ou reprovar, a avaliação deve priorizar a efetiva aprendizagem do estudante no processo de ensino e aprendizagem.
Nos anos iniciais e finais do ensino fundamental, o processo avaliativo ainda apresenta práticas tradicionais. Apesar de existir críticas relacionadas a esse modelo avaliativo, ele ainda permanece fortemente presente nas escolas. Isso acontece em função da existência das avaliações externas em larga escala, que medem o desempenho dos estudantes com base em conteúdos explicitados nas séries anteriores que estão presentes no currículo escolar. Essas avaliações, além de produzirem indicadores de rendimento, muitas vezes estão vinculados ao repasse de recursos financeiros às redes e instituições de ensino. Nesse contexto, as escolas acabam se tornando dependentes desses resultados, o que leva muitos professores a reproduzirem, em suas práticas cotidianas, modelos avaliativos semelhantes aos exigidos externamente, como forma de preparar os estudantes e evitar prejuízos institucionais.
Diante disso, Luckesi (2005) problematizam esse modelo ao afirmar que a avaliação não deve se reduzir à verificação classificatória ou ao controle de resultados, mas assumir uma função diagnóstica e formativa, voltada à promoção da aprendizagem. Contudo, é importante ressaltar que as avaliações externas (modelo tradicional) cumprem um papel de levantamento do conhecimento trabalhado pelo docente ao longo do processo educativo, fornecendo dados quantitativos as instituições. Portanto, o principal desafio não está apenas em negar esse modelo, mas em ressignificá-lo, trazendo um equilíbrio entre as exigências externas com práticas avaliativas mais formativas objetivando o desenvolvimento integral do estudante.
Entretanto, é necessário considerar a diversidade dentro da sala de aula considerando os contextos sociais e o ritmo de aprendizagem individual. Dessa forma, o uso das metodologias ativas no processo avaliativo se torna importante pois é possível utilizar métodos ativos como a gamificação, aprendizagem baseada em problemas, autoavaliação, permitindo ao docente acompanhar a aprendizagem de forma contínua, considerando as dificuldades enfrentadas, os desafios e superação de cada estudantes. Para Moran & Bacich (2018) metodologias ativas são estratégias de ensino centradas na participação efetiva dos estudantes na construção do processo de aprendizagem, de forma flexível, interligada e híbrida.
Entretanto, a utilização das metodologias ativas como estratégias avaliativas no ensino fundamental enfrenta desafios pertinentes que precisam ser superados, deixando de ser um momento isolado durante a unidade e passando a ser um acompanhamento ao longo do ano letivo. A necessidade de formação continuada para os docentes, a reorganização planejamento pedagógico e o tempo para acompanhamento mais detalhado e individualizado precisa ser considerado. Conforme Freire (2007) diz que “Não há docência sem discência, as duas se explicam e seus sujeitos, apesar das diferenças que os conotam, não se reduzem à condição de objeto, um do outro. Quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender”. Logo, a docência não é algo conclusivo, mas sim um processo onde adquire conhecimentos e habilidades através da formação continuada.
Dessa forma, esse artigo traz a seguinte questão: quais os limites e possibilidades presentes no processo avaliativo utilizando as metodologias ativas? Buscando contribuir e refletir de forma crítica sobre o processo avaliativo na escola, ampliando o debate acerca de práticas avaliativas importantes que contribui para uma educação participativa, democrática e inclusiva. Diante disso, torna-se relevante investigar como as metodologias ativas estão sendo utilizadas durante o processo avaliativo e quais benefícios têm gerado durante o processo de ensino e aprendizagem. Sendo assim, esse artigo tem como objetivo geral realizar um levantamento de artigos sobre o uso das metodologias ativas como práticas avaliativas, por meio de uma revisão sistemática (RS), identificando os desafios enfrentados pelos professores e investigando os desafios e possibilidades de sua aplicação na avaliação durante o processo de ensino e aprendizagem na educação Básica anos iniciais e anos finais.
2. METODOLOGIA
Neste tópico apresenta-se o detalhamento das etapas de uma revisão sistemática (RS), de abordagem qualitativa, acerca do uso das metodologias ativas no processo avaliativo, considerando seus desafios e possibilidades na educação básica, tanto nos anos iniciais quanto nos anos finais do ensino fundamental, com o objetivo de atender à finalidade proposta nesta pesquisa, Sampaio & Mancini (2007) afirmam que as revisões sistemáticas desempenham papel fundamental ao reunir e integrar informações obtidas através de estudos realizados de forma independente sobre uma mesma temática.
Segundo os autores, esse tipo de revisão possibilita analisar resultados que podem ser semelhantes ou contraditórios, além de identificar lacunas de conhecimento que demandam novas direções de estudos, contribuindo para orientar pesquisas futuras. Com isso, a revisão sistemática apresenta relevância no campo científico e para isso, precisa seguir algumas etapas fundamentais para a obtenção das informações necessárias à sua conclusão. Logo, o estudo foi desenvolvido a partir da seleção de artigos científicos, tendo como fonte de dados o Google Acadêmico, escolhido por ser acessível à comunidade educacional e por reunir diversas revistas científicas indexadas nele.
Após a definição da base de dados, foram escolhidas as palavras-chave responsáveis por filtrar os artigos incluídos na pesquisa. Quanto ao tipo de estudo, foram considerados exclusivamente artigos científicos, redigidos no idioma português. Os critérios de inclusão contemplaram artigos que abordassem a verificação do processo avaliativo por meio das metodologias ativas, desenvolvidos no âmbito da educação básica do ensino fundamental — anos iniciais e finais — e publicados a partir de 2021, considerando os últimos cinco anos.
Em contrapartida, foram excluídos artigos duplicados, estudos que tratassem do uso das metodologias ativas no processo avaliativo fora do contexto educacional, textos publicados em anais de congressos, resumos de congressos, dissertações e teses, bem como artigos que não abordassem a temática voltada aos anos iniciais e finais do ensino fundamental ou que tratassem apenas das metodologias ativas sem a verificação de sua aplicabilidade no processo avaliativo.
No primeiro momento foi utilizado as palavras-chave “Processos avaliativos desafios e possibilidades”, “Metodologias ativas desafios e possibilidades”, “Avaliação na educação básica e as metodologias ativas” e “Processos avaliativos e as metodologias ativas”, mas não houve resultados para a seleção de artigos. Com isso, foi necessário mudar as palavras-chave para que pudesse surgir resultados suficiente para a inclusão de artigos na produção da revisão. Dessa forma, foi feita uma nova busca com as palavras-chave "práticas pedagógicas", "avaliação formativa", "metodologias ativas", "feedback", "personalização do ensino", "engajamento".
As buscas realizadas no Google Acadêmico resultaram inicialmente em 311 artigos, dos quais, após a análise dos títulos, resumos e aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, apenas quatro atenderam a todos os requisitos estabelecidos, sendo selecionados para obtenção dos dados da revisão sistemática. Na sequência, os estudos aprovados foram lidos na íntegra e, para cada um deles, foi realizado uma discussão, destacando as principais informações contidas nos trabalhos.
3. RESULTADOS E DISCUSSÕES
Após a seleção e a análise dos estudos (Quadro 1), foi possível identificar informações importantes em cada um deles, os quais merecem ser discutidos. Todos os trabalhos abordam a aplicação das metodologias ativas no processo de avaliação, apresentando resultados possíveis e reflexões relacionadas a essa temática. A seguir, será realizada uma síntese de cada um dos estudos escolhidos.
Quadro 1 – Lista de artigos selecionados para a revisão sistemática
LISTA DE ARTIGOS QUE ATENDERAM AOS CRITÉRIOS DE INCLUSÃO | |||
TÍTULO | OBJETIVO GERAL | ANO | AUTOR (ES) |
Avaliação de aprendizagem em metodologias ativas: adaptando as práticas pedagógicas. | Analisar as práticas de avaliação de aprendizagem em metodologias ativas em escolas de tempo integral no Brasil, destacando as adaptações necessárias e seus impactos no processo educativo. | 2024 | FERNANDES, et al. |
A importância da avaliação formativa com a utilização das metodologias ativas nas escolas. | analisar a relevância da implementação das metodologias ativas na educação contemporânea. | 2024 | GONÇALVES, et al. |
Avaliação formativa e metodologias ativas em escola de tempo integral: o papel das tecnologias no monitoramento do aprendizado. | Determinar como as tecnologias digitais podem potencializar a avaliação formativa e as metodologias ativas dentro do cenário da educação completa. | 2024 | MALTA, et al. |
Gamificação e avaliação formativa: uma nova perspectiva para o ensino da matemática. | Analisar como a gamificação, integra- da à avaliação formativa, pode oferecer uma nova perspectiva para o ensino de Matemática. | 2025 | STABILA, et al. |
Diante da busca, foi possível encontrar 4 artigos que falassem especificamente do uso das metodologias ativas no processo avaliativo. É importante ressaltar que mesmo diante do grande número de artigos obtidos a partir da busca, existe uma lacuna relacionada a temática. Com isso, foi necessário incluir trabalho de revisão de literatura afim de ampliar as discussões relacionada a avaliação com o uso das metodologias ativas, demonstrando a relevância desse tema.
Sobre isso, Camargo & Daros (2018) destaca que as metodologias ativas de aprendizagem constituem uma alternativa pedagógica que favorece o desenvolvimento da autonomia do estudante, possibilitando que ele transite de forma autônoma pela realidade. Para o autor, essas metodologias contribuem para que o aluno não apenas compreenda o contexto em que está inserido, mas também desenvolva competências para enfrentar e solucionar problemas e conflitos.
3.1. Avaliação de Aprendizagem em Metodologias Ativas: Adaptando as Práticas Pedagógicas
O artigo traz uma abordagem acerca da avaliação da aprendizagem utilizando as metodologias ativas em escolas de tempo integral, tema que apresenta relevância diante das mudanças que vem acontecendo no meio educacional. O artigo buscou analisar as práticas avaliativas através de uma revisão bibliográfica qualitativa objetivando entender a temática, considerando diferentes fundamentos teóricos presentes no campo educacional brasileiro.
O texto trata como importante o uso das metodologias ativas na educação integral, por oferecer um tempo maior do estudante na sala de aula, contribui para o uso de práticas avaliativas mais eficazes como a vivência de projetos e portfólio reflexivo, favorecendo a autoavaliação e feedbacks contínuos. O texto aborda a importância de transformar o estudante em protagonista no processo de aprendizagem, conduzindo ele a construir seu próprio conhecimento, desenvolvendo de forma cognitiva, emocional e socialmente.
Silva & Moura (2020) acrescentam que as metodologias ativas têm como finalidade desenvolver, no estudante, a capacidade de assumir o papel de protagonista na construção do próprio saber. Segundo os autores, essa perspectiva estimula o estudante a deixa de ser passivo para assumir uma postura participativa no processo de aprendizagem favorecendo o protagonismo estudantil, destacando a aprendizagem prática. Vale ressaltar que essa abordagem se mostra eficaz, pois facilita a compreensão de assuntos complexos por meio de atividades práticas e contextualizadas.
Como pontos positivos, o artigo apresenta citações de autores como Luckesi, Moran e Freire. A utilização de falas desses autores demonstra uma análise crítica, considerando a importância da avaliação formativa no meio educacional. Além disso, é possível identificar a necessidade de uma mudança no processo avaliativo, superando o modelo tradicional que tinha como objetivo classificar. Contudo, o autor defende a utilização de práticas avaliativas formativas, onde é possível avaliar o processo de ensino e aprendizagem de forma contínua.
Entretanto, é possível observar algumas limitações exposta no texto que merece destaque. A princípio é necessário citar a ausência de exemplos concretos acerca da aplicação de práticas avaliativas vivenciadas, dificultando visualizar os resultados obtidos através da aplicação desses recursos avaliativos. Além disso, é possível observar ao longo do texto desafios como a ausência de formação continuada para os docentes, a resistência dos docentes em relação a mudança no âmbito educacional, visto que exige uma preparação e tempo para se organizar, a reorganização do tempo e espaço escolar para que o estudante possa experenciar as práticas avaliativas.
Portanto, o artigo contribui significativamente acerca do processo avaliativo com o uso de metodologias ativas na educação integral. Vale ressaltar, a importância que o estudo traz abordando a necessidade de avaliar de forma humana e contínua. Contudo, seria importante a presença de exemplos práticos através da vivência de situações reais dentro do ambiente escolar e o impacto obtidos a partir de cada uma delas.
3.2. A Importância da Avaliação Formativa com a Utilização das Metodologias Ativas nas Escolas
Essa pesquisa traz uma reflexão importante voltada para demandas contemporâneas educacionais, onde aborda a utilização das metodologias ativas no processo avaliativo no contexto escolar. O estudo apresenta uma abordagem qualitativa, baseada em pesquisa bibliográfica objetivando analisar a importância das metodologias ativas, o uso da tecnologia, o processo de aprendizagem e a função da avaliação formativa. A pesquisa destaca pontos importantes defendendo a importância de superar o tradicionalismo no processo de ensino e avaliação, que foca apenas na transmissão de conhecimento e práticas avaliativas somatórias e classificatória. O artigo traz uma abordagem teórica de autores importante no meio educacional, como Moran & Bacich (2018), que abordam as metodologias ativas como meios de promover o protagonismo do estudante, a autonomia, a participação e o pensamento crítico.
Outro ponto importante citado no texto é a necessidade de valorizar a avaliação formativa como elemento importante nas metodologias ativas. O estudo aborda que a avaliação quando é compreendida como processo contínuo, contribui para uma aprendizagem eficiente, possibilitando intervenções importantes para a aprendizagem do aluno. Além disso, o uso de tecnologia através da personalização de aprendizagem é abordado no artigo como ponto forte a ser explorado. Ao longo do texto é destacado o uso de plataformas digitais, ambientes virtuais de aprendizagem, ensino híbrido e recursos interativos, reforçando a ideia de adequar práticas pedagógicas a realidade do meio social atual utilizando a tecnologia com recurso. A referência de Moran & Bacich (2018) aborda a importância de articular as metodologias ativas e o ensino híbrido, mostrando a potencialidade das tecnologias digitais como métodos no processo educativo.
Conforme Moran & Bacich (2018), dois conceitos se destacam no cenário educacional atual sendo a aprendizagem ativa e a aprendizagem híbrida. A autora explica que as metodologias ativas contribuem para a formação do protagonismo estudantil, promovendo a motivação, participação e reflexão em todas as etapas do processo de aprendizagem, no qual ele vivencia com a orientação do professor. Já a aprendizagem híbrida evidencia a flexibilidade e a integração de diferentes espaços, tempos, atividades e tecnologias, relacionando o físico com o digital por meio da mediação tecnológica, o que amplia as possibilidades de aprendizagem durante o processo estudantil.
Contudo, é possível identificar possíveis limitações expressas no texto. Um deles é a ausência de dados empíricos. Por ser uma pesquisa bibliográfica, o artigo não apresenta dados concretos obtidos a partir de experiências práticas utilizando métodos ativos e a avaliação formativa no dia a dia escolar. Isso limita a compreensão dos desafios presentes no meio educacional a partir da implementação dessas propostas, dificultando a obtenção de conclusões práticas e concretas acerca da temática. Outra limitação citada no texto é que apesar de falar de forma otimista das metodologias ativas, o autor traz de forma superficial problemáticas como a desigualdade de acesso as tecnologias, a formação docente, a sobrecarga de trabalho do docente e as condições estruturais da escola. Sendo assim, era importante uma abordagem mais aprofundada e crítica para assim ter dados concisos acerca dessa problemática.
Portanto, essa pesquisa apresenta uma contribuição significativa sobre a avaliação formativa e as metodologias ativas, afirmando a necessidade de vivências pedagógicas que foque na participação ativo do aluno colocando-o no centro do processo. O autor defende que a avaliação seja integrada ao processo de aprendizagem, seguida de feedbacks contínuo e a adaptação das vivências pedagógicas a partir das necessidades individuais dos estudantes.
3.3. Avaliação Formativa e Metodologias Ativas em Escola de Tempo Integral: O Papel das Tecnologias no Monitoramento do Aprendizado
O artigo traz uma abordagem sobre a junção das metodologias ativas, avaliação formativa e tecnologias educação no contexto das escolas de tempo integral. Essa temática se mostra importante a partir da expansão das políticas de educação integral no Brasil e da necessidade do uso de práticas avaliativas e pedagógicas que superem o ensino tradicional.
Entre os pontos positivos, destaca-se o referencial teórico que traz citações de autores importante no campo da educação integral, avaliação e inovação pedagógica. O artigo traz a avaliação formativa fundamentada a partir da visão de Gonçalves (2024), considerando com um processo contínuo, integrado ao cotidiano escolar e voltado ao acompanhamento do desenvolvimento intelectual e socioemocional dos estudantes.
Em escolas de tempo integral, a avaliação formativa pode ser compreendida como um processo contínuo, que tende a ocorrer ao longo de todo o percurso educativo, não se limitando a momentos específicos. Nessa perspectiva, há a possibilidade de que a avaliação envolva não apenas aspectos acadêmicos, mas também dimensões socioemocionais e competências práticas dos estudantes. Essa compreensão também sugere a necessidade de uma abordagem mais flexível e multidimensional, capaz de considerar os diferentes contextos e atividades que compõem o cotidiano escolar ao longo do dia.
O artigo traz uma abordagem sobre as metodologias ativas dialogando com Moran & Bacich (2018) defendendo vivências e práticas pedagógicas que promovem o protagonismo estudantil e a aprendizagem significativa. A associação entre metodologias ativas e educação integral se torna importante porque a ampliação do tempo favorece o desenvolvimento de projetos interdisciplinares, experiências práticas contextualizada ao cotidiano do estudante.
Porém, o artigo apresenta limitações que precisa ser citada. Uma delas é a ausência de investigações e resultados concretos. Por ser uma revisão de literatura, o estudo se limita a apresentação de dados, restringindo o alcance prático das vivências práticas dentro do contexto escolar. Além disso, o texto apresenta desafios como a desigualdade de acesso às tecnologias e a formação docente insuficiente, mas esses aspectos poderiam ser problematizados de forma mais aprofundada, especialmente considerando o contexto das escolas públicas brasileiras.
Portanto, o artigo apresenta contribuições significativamente no campo educacional, trazendo discussões importantes sobre avaliação formativa, metodologias ativas, e educação integral, articuladas ao uso de tecnologias educacionais. Contudo, para ampliar seu impacto científico e pedagógico, é importante citar obtenção de resultados concretos. Além disso, fazer análise crítica das condições concretas de implementação dessas propostas nos diferentes contextos educacionais.
3.4. Gamificação e Avaliação Formativa: Uma Nova Perspectiva para o Ensino da Matemática
O artigo apresenta uma discussão importante acerca da junção entre a gamificação e a avaliação formativa como uma nova perspectiva no ensino da matemática. Essa temática apresenta relevância em função dos inúmeros desafios enfrentados por docentes dessa área, apresentando baixo índice de aprendizagem e desmotivação dos discente em relação a matemática.
Essa pesquisa apresenta pontos positivos em função da visão dos autores escolhidos que defendem o uso da avaliação formativa, focando no acompanhamento contínuo e no incentivo ao protagonismo estudantil. É possível notar que o autor entende a avaliação formativa não como sendo um método classificatório, mas como um processo com orientações e sugestão de intervenção na construção do conhecimento matemático. Com isso, a gamificação se torna um recurso metodológico que visa potencializar a motivação, engajamento e participação ativa dos alunos durante as vivências sugeridas pelo docente.
É importante ressaltar que integrar jogos no processo avaliativo contribui para que o aluno tenha autonomia, sendo possível observar seus avanços e dificuldades durante o processo de aprendizagem. Segundo Gadelha Júnior (2021), a gamificação consiste na utilização de elementos característicos do design de jogos em contextos que não são propriamente jogos, com a finalidade de motivar e incentivar a participação dos alunos nas atividades didáticas desenvolvidas em sala de aula.
Outro aspecto positivo é referente ao erro fazer parte do processo de aprendizagem. O uso de métodos lúdicos e ativos trazendo desafios e feedbacks, acaba contribuindo para uma aprendizagem significativa e colaborativa através da socialização entre a turma. A junção da metodologia ativa ao ensino matemático contribui para o desenvolvimento cognitivo desenvolvendo habilidade como o pensamento lógico e resolução de problemas de forma autônoma, tornando o processo avaliativo eficaz.
Todavia, o artigo traz alguns desafios voltado para o ensino matemático. Um deles é a ausência de experiências empíricas, onde mensurem o impacto da aplicação da gamificação na aprendizagem dos conteúdos matemáticos. Além disso, é citado a ausência de formação docente voltada para essa temática, em função de muitos docentes não terem facilidade de manusear ferramentas digitais e utilizar métodos ativos que utilizem jogos voltados para o campo avaliativo. A ausência de suporte dentro da escola também é citada, visto que muitas delas não oferecem estrutura adequada.
Dessa forma, é possível observar que é preciso apresentar dados consistente acerca dessa metodologia ativa, mostrando os limites e possibilidades, evitando abordar de forma excessiva a positividade dela. É preciso ponderar que nem todos os conteúdos matemáticos se adaptam ao uso da gamificação, e nem todos os estudantes apresenta bom desempenho diante de propostas gamificadas. A ausência desses pontos pode contribuir para uma visão otimista considerando a gamificação como solução para os problemas voltados ao ensino do componente matemática.
3.5. Conquistas Obtidas a Partir do Uso das Metodologias Ativas no Processo Avaliativo
A análise dos quatro artigos selecionados nesta revisão sistemática evidencia pontos relevantes no que se refere à utilização das metodologias ativas no processo avaliativo, sobretudo no fortalecimento da avaliação formativa durante o processo de aprendizagem. De modo geral, os estudos reconhecem a avaliação como um processo contínuo, integrado ao ensino e à aprendizagem, superando a avaliação tradicional de caráter classificatório e somativo.
Nos artigos 3.1 e 3.4, observa-se destaque para o contexto das escolas de tempo integral, no qual a ampliação do tempo escolar favorece práticas avaliativas mais diversificadas, como projetos interdisciplinares, portfólios reflexivos, autoavaliação e uso de tecnologias para acompanhamento do progresso dos estudantes. Já os artigos 3.2 e 3.3 enfatizam o protagonismo estudantil por meio da gamificação e do uso de recursos tecnológicos aliados às metodologias ativas.
Outro ponto comum nos estudos refere-se à valorização do erro como parte constitutiva do processo de aprendizagem, bem como à importância dos feedbacks contínuos para orientar as intervenções pedagógicas. Segundo Salsa (2017), o erro do aluno deixa de ser entendido como algo negativo no processo de ensino-aprendizagem e passa a ser concebido como um elemento que oferece pistas valiosas sobre as dificuldades enfrentadas pelos estudantes, orientando, assim, as ações docentes ao longo do processo educativo. Autores como Luckesi, Moran, Bacich e Freire fundamentam teoricamente essas práticas, reforçando a compreensão da avaliação formativa como um instrumento pedagógico essencial para o desenvolvimento cognitivo, social e emocional dos estudantes.
Mesmo com abordagens distintas, os artigos analisados apontam que as metodologias ativas, quando articuladas ao processo avaliativo, contribuem para uma aprendizagem mais significativa, colaborativa e contextualizada, configurando-se como importantes avanços frente às demandas educacionais contemporâneas.
3.6. Dificuldades no Uso das Metodologias Ativas no Processo Avaliativo
Apesar das contribuições evidenciadas, os quatros artigos analisados também apresentam dificuldades e limites que merecem ser discutidos de forma crítica, especialmente considerando o número reduzido de estudos selecionados nesta revisão sistemática. Uma limitação comum aos quatros trabalhos é a ausência de dados empíricos, o que restringe a visualização de resultados concretos obtidos da aplicação das metodologias ativas no processo avaliativo.
Nos artigos 3.1 e 3.4, embora haja uma defesa consistente do uso das metodologias ativas na educação integral, observa-se a falta de exemplos práticos e vivências reais que demonstrem o impacto dessas práticas no cotidiano escolar. Já no artigo 3.2, voltado ao ensino da matemática, destaca-se a dificuldade de generalização da gamificação como estratégia avaliativa, uma vez que nem todos os conteúdos e nem todos os estudantes se adaptam a esse modelo, aspecto pouco problematizado pelo autor.
Outro desafio recorrente nos quatros estudos refere-se à formação docente insuficiente, à resistência dos professores frente às mudanças pedagógicas e à reorganização do tempo e do espaço escolar. Além disso, questões estruturais, como a desigualdade de acesso às tecnologias e a falta de suporte institucional são tratadas de maneira superficial, sem aprofundamento crítico.
Matos & Coutinho (2024) dizem que a resistência dos professores à adoção de novas tecnologias na educação é caracterizada como um fenômeno complexo, resultante de múltiplos fatores, entre os quais se destacam a falta de familiaridade com os recursos tecnológicos e dúvidas quanto ao alcance da objetividade. Tais barreiras acabam por limitar a exploração das tecnologias digitais, dificultando a melhoria da qualidade do ensino e a ampliação da participação dos alunos no processo de aprendizagem.
Dessa forma, a comparação entre os artigos revela que, embora exista consenso quanto ao potencial das metodologias ativas no processo avaliativo, ainda há fragilidades metodológicas e lacunas que precisam ser superadas, sobretudo por meio de pesquisas concretas que analisem a implementação dessas propostas em diferentes contextos educacionais.
3.7. A Importância da Avaliação nos Contextos Educacionais Atuais e a Necessidade de Práticas Inclusivas
A análise dos estudos permite refletir sobre a importância da avaliação no âmbito educacional e a necessidade de práticas avaliativas inclusivas. Segundo Santana (2024), a formação de professores voltada à avaliação inclusiva é fundamental no âmbito da educação básica, sobretudo no contexto contemporâneo, que tem como objetivo assegurar o acesso de todos os estudantes ao processo educacional, independentemente de suas condições. Nos quatros artigos, a avaliação é compreendida como um elemento fundamental para acompanhar o desenvolvimento do estudante, orientar o trabalho do docente e contribuir para uma aprendizagem significativa, rompendo com modelos excludentes.
As metodologias ativas, ao colocarem o estudante no centro do processo de aprendizagem, favorecem práticas avaliativas mais flexíveis, que respeitam a individualidade, ritmo, e necessidades de cada estudante. Isso se torna relevante no âmbito educacional atual. Os artigos 3.3 e 3.4, por exemplo, destacam o uso das tecnologias como ferramentas de personalização da aprendizagem e de monitoramento do progresso dos alunos, ampliando as possibilidades de inclusão.
Entretanto, a efetivação de uma avaliação verdadeiramente inclusiva exige mais do que a adoção de metodologias ativas. É necessário investimento em formação docente, adequação das condições estruturais das escolas e políticas públicas que garantam equidade no acesso aos recursos essenciais. A ausência de uma discussão mais aprofundada sobre inclusão, especialmente no que diz respeito a estudantes com necessidades educacionais específicas, configura-se como uma lacuna nos estudos analisados.
Assim, torna-se evidente que a avaliação, atualmente, deve ser compreendida como um processo pedagógico democrático e inclusivo, atrelado às metodologias ativas. Essa reflexão reforça a importância de ampliar o número de pesquisas e experiências práticas que investiguem a avaliação como instrumento de inclusão e transformação no contexto educacional.
4. CONSIDERAÇÕES FINAIS
A presente revisão sistemática permitiu verificar, de forma organizada, as produções científicas que abordam o uso das metodologias ativas no processo avaliativo, evidenciando desafios, possibilidades e contribuições dessas abordagens para a prática pedagógica. Os estudos analisados indicam que as metodologias ativas vêm sendo progressivamente utilizadas nos contextos educacionais como estratégias que favorecem uma avaliação mais formativa, participativa e alinhada ao desenvolvimento integral dos estudantes.
Os resultados apontam que o uso de metodologias ativas no processo avaliativo contribui para a promoção da autonomia discente, do protagonismo estudantil e de competências cognitivas e socioemocionais. Além disso, essas metodologias possibilitam uma avaliação contínua, contrariando métodos tradicionais que focam apenas em resultados no percurso de aprendizagem.
Entretanto, a revisão também evidencia desafios significativos, como a necessidade de formação continuada dos professores, a resistência a modelos avaliativos tradicionais, limitações estruturais das instituições e a dificuldade de adaptação dos instrumentos avaliativos às propostas metodológicas ativas. Com isso, esses desafios podem interferir na obtenção de resultados quando não há planejamento pedagógico organizado.
Dessa forma, conclui-se que as metodologias ativas apresentam grande potencial para modificar o processo avaliativo, tornando-o mais coerente com as demandas educacionais contemporâneas. Contudo, sua implementação exige mudanças na cultura escolar, investimento em formação docente e aprofundamento das pesquisas que tragam resultados concretos a partir de vivências desenvolvidas nos diferentes níveis da educação básica.
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1 Especializando em Metodologias Ativas pela Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF). Graduado em Pedagogia pela Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF). E-mail: [email protected]
2 Docente do Curso Superior de Engenharia Sanitária e Ambiental da Universidade do Estado da Bahia Campus XXIV Xique-Xique. Doutoranda do curso em Ecologia Humana e Gestão Socioambeintal da Universidade do Estado da Bahia. Graduada em Licenciatura em Ciências Biológicas. E-mail: [email protected]