REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/789157345
RESUMO
O presente estudo analisa o uso das Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação (TDICs) como ferramentas de apoio aos processos de alfabetização e letramento nos anos iniciais do Ensino Fundamental. O objetivo consiste em identificar os principais recursos digitais utilizados nas práticas pedagógicas, analisar suas contribuições para o desenvolvimento da leitura e da escrita e discutir os desafios relacionados à integração das tecnologias ao trabalho docente. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, de natureza bibliográfica e caráter exploratório, realizada a partir de levantamento nas bases Scientific Electronic Library Online (SciELO), Google Acadêmico e Portal de Periódicos da CAPES, considerando publicações entre 2020 e 2025. Após as etapas de identificação, triagem e análise de elegibilidade, foram selecionados dez estudos para compor a análise final. Os resultados evidenciam que aplicativos educativos, jogos digitais, plataformas interativas, vídeos, livros digitais e recursos multimídia podem ampliar as possibilidades de leitura e escrita, favorecer a interação, o engajamento, a autonomia e o contato com diferentes linguagens. Entretanto, sua efetividade depende da mediação docente, do planejamento pedagógico, da formação profissional, da infraestrutura, da conectividade e das condições de acesso. Conclui-se que as TDICs constituem ferramentas relevantes de apoio à alfabetização e ao letramento quando utilizadas de forma crítica, intencional e articulada aos objetivos educacionais.
Palavras-chave: Tecnologias digitais; Alfabetização; Letramento; Ensino Fundamental; Práticas pedagógicas.
ABSTRACT
This study analyzes the use of Digital Information and Communication Technologies (DICTs) as support tools for literacy development in the early years of Elementary Education. The objective is to identify the main digital resources used in pedagogical practices, analyze their contributions to the development of reading and writing skills, and discuss the challenges involved in integrating technologies into teaching practices. This is a qualitative, bibliographic, and exploratory study based on a literature review conducted in the Scientific Electronic Library Online (SciELO), Google Scholar, and CAPES Periodicals Portal databases, considering publications from 2020 to 2025. After the identification, screening, and eligibility assessment stages, ten studies were selected for the final analysis. The results show that educational applications, digital games, interactive platforms, videos, digital books, and multimedia resources can expand opportunities for reading and writing, promote interaction, engagement, autonomy, and contact with different languages. However, their effectiveness depends on teacher mediation, pedagogical planning, professional training, infrastructure, connectivity, and access conditions. It is concluded that DICTs are relevant support tools for literacy development when used critically, intentionally, and in articulation with educational objectives.
Keywords: Digital technologies; Literacy; Reading and writing; Elementary Education; Pedagogical practices.
1. INTRODUÇÃO
Nas últimas décadas, as Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação (TDICs) passaram a ocupar espaço significativo nas diferentes dimensões da sociedade, modificando formas de comunicação, acesso à informação, produção de conhecimento e interação social. No contexto educacional, essa transformação tem provocado mudanças nas práticas pedagógicas e ampliado às possibilidades de utilização de recursos digitais no processo de ensino e aprendizagem. Computadores, dispositivos móveis, plataformas digitais, aplicativos, jogos educativos e recursos multimídia passaram a integrar, em diferentes níveis, o cotidiano de professores e estudantes. Entretanto, a simples presença dessas tecnologias no ambiente escolar não garante resultados educacionais positivos, sendo necessária sua utilização articulada aos objetivos de aprendizagem e à mediação pedagógica.
Nos anos iniciais do Ensino Fundamental, essa discussão assume particular relevância, sobretudo quando relacionada aos processos de alfabetização e letramento. A alfabetização envolve a apropriação do sistema de escrita, enquanto o letramento está relacionado à participação do indivíduo em práticas sociais de leitura e escrita. Soares (2021) destaca a necessidade de compreender esses processos de forma articulada, considerando que aprender a ler e a escrever não se limita ao domínio das habilidades técnicas, mas envolve também a capacidade de utilizar a leitura e a escrita em diferentes situações sociais. Com a ampliação das práticas comunicativas digitais, essas aprendizagens passam a ocorrer em ambientes que apresentam novas linguagens, gêneros textuais, formas de interação e possibilidades de produção de sentidos.
Nesse contexto, o conceito de letramento também se amplia para considerar as práticas desenvolvidas em ambientes digitais. Coscarelli e Ribeiro (2020) ressaltam que o letramento digital envolve práticas de leitura e escrita mediadas pelas tecnologias e requer competências que ultrapassam o domínio operacional dos equipamentos. Da mesma forma, Rojo e Moura (2020) discutem a perspectiva dos multiletramentos, considerando a diversidade de linguagens, mídias e culturas presentes nas práticas comunicativas contemporâneas. Buzato (2022) compreende os letramentos digitais como práticas sociais mediadas pelas tecnologias, nas quais os sujeitos podem produzir, interpretar e compartilhar diferentes formas de conhecimento e comunicação.
A inserção das TDICs nas práticas de alfabetização e letramento, portanto, pode ampliar as possibilidades de aprendizagem ao favorecer o contato dos estudantes com diferentes linguagens e suportes de leitura e escrita. Recursos digitais podem proporcionar atividades interativas, jogos educativos, produção de textos, leitura de materiais multimodais e situações de aprendizagem que estimulem a participação dos estudantes. Araújo (2021) aponta possibilidades relacionadas ao desenvolvimento dos letramentos digitais nos anos iniciais do Ensino Fundamental, enquanto Korbes (2024) evidencia que as tecnologias digitais podem constituir recursos complementares às práticas pedagógicas voltadas à alfabetização e ao letramento. Nessa perspectiva, Kenski (2021) destaca que o potencial educacional das tecnologias depende da maneira como elas são incorporadas ao processo pedagógico, não sendo suficiente disponibilizar recursos tecnológicos sem planejamento e intencionalidade educativa.
Apesar das possibilidades apresentadas pela literatura, a utilização das TDICs na educação também envolve desafios que precisam ser considerados. Entre eles, destacam-se a formação dos professores para o uso pedagógico das tecnologias, a disponibilidade de equipamentos, o acesso à internet, as condições de infraestrutura das instituições de ensino e as desigualdades de acesso existentes entre os estudantes. Além disso, existe o risco de utilização dos recursos digitais de maneira descontextualizada, sem relação direta com os objetivos de aprendizagem. Dessa forma, a tecnologia não deve ser compreendida como solução automática para as dificuldades de alfabetização e letramento, mas como instrumento que pode contribuir para esses processos quando utilizado de maneira planejada, crítica e mediada pelo professor.
A partir dessa problemática, torna-se necessário investigar de que maneira as tecnologias digitais podem efetivamente contribuir para as práticas de alfabetização e letramento nos anos iniciais do Ensino Fundamental. Assim, o problema que orienta esta pesquisa é: de que maneira as Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação podem ser utilizadas como ferramentas de apoio ao desenvolvimento da alfabetização e do letramento nos anos iniciais do Ensino Fundamental, considerando suas potencialidades e os desafios relacionados à mediação pedagógica, à formação docente, à infraestrutura e às condições de acesso? A questão encontra sustentação na necessidade de compreender não apenas quais recursos tecnológicos podem ser utilizados, mas também em que condições sua utilização pode favorecer práticas de leitura e escrita significativas para os estudantes.
A realização desta pesquisa justifica-se pela relevância social e educacional da alfabetização e do letramento e pela crescente presença das tecnologias digitais no cotidiano escolar. Compreender as possibilidades de utilização das TDICs pode contribuir para o planejamento de práticas pedagógicas mais diversificadas e adequadas às transformações nas formas contemporâneas de comunicação e acesso ao conhecimento. Além disso, a discussão apresenta relevância para a formação docente, uma vez que o professor exerce papel fundamental na seleção dos recursos, na organização das atividades e na mediação das aprendizagens. No âmbito das políticas educacionais, a instituição da Política Nacional de Educação Digital pela Lei nº 14.533/2023 também reforça a importância da educação digital e da preparação dos sujeitos para uma sociedade cada vez mais marcada pelo uso das tecnologias (Brasil, 2023).
Diante do exposto, o objetivo geral deste estudo é analisar o uso das Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação como ferramentas de apoio ao processo de alfabetização e letramento nos anos iniciais do Ensino Fundamental. Como objetivos específicos, busca-se identificar os principais recursos digitais utilizados em práticas pedagógicas; analisar suas contribuições para o desenvolvimento das habilidades de leitura e escrita; e discutir os desafios e as possibilidades relacionados à integração das TDICs ao trabalho pedagógico.
Dessa maneira, o estudo delimita como objeto de investigação a utilização das tecnologias digitais como ferramentas de apoio à alfabetização e ao letramento, buscando compreender suas potencialidades, seus limites e as condições necessárias para que sua utilização contribua efetivamente para as aprendizagens dos estudantes.
2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA OU REVISÃO DA LITERATURA
2.1. Alfabetização e Letramento no Contexto das Transformações Digitais
A alfabetização e o letramento constituem processos fundamentais para a formação dos sujeitos e para sua participação nas diferentes práticas sociais mediadas pela linguagem. Embora estejam relacionados, esses conceitos não são equivalentes. A alfabetização está vinculada à apropriação do sistema de escrita, enquanto o letramento envolve a utilização da leitura e da escrita em situações sociais concretas. Soares (2021) ressalta que a aprendizagem da língua escrita precisa ultrapassar a dimensão meramente técnica, possibilitando ao estudante utilizar a leitura e a escrita de maneira significativa nas situações vivenciadas socialmente.
Essa compreensão torna-se ainda mais relevante diante das transformações provocadas pelas tecnologias digitais. As práticas contemporâneas de comunicação não se restringem aos textos impressos, uma vez que envolvem imagens, sons, vídeos, hipertextos, animações, recursos interativos e diferentes formas de combinação de linguagens. Nesse cenário, ler e escrever passa a envolver competências relacionadas à interpretação e à produção de conteúdos em diferentes suportes e ambientes. Rojo e Moura (2020) destacam, nesse sentido, a importância dos multiletramentos diante da diversidade cultural e linguística e da multiplicidade de linguagens presentes nas práticas comunicativas contemporâneas.
A expansão das tecnologias digitais também contribui para modificar as formas pelas quais os estudantes entram em contato com informações e conhecimentos. O ambiente digital possibilita maior circulação de textos e diferentes formas de interação com os conteúdos, criando situações nas quais o estudante pode assumir uma posição mais participativa na construção do conhecimento (Souza & Santos, 2021).
Entretanto, essa mudança não significa que o desenvolvimento da alfabetização e do letramento ocorra automaticamente pela presença dos recursos tecnológicos. É necessário que as práticas digitais estejam vinculadas a objetivos pedagógicos claros e às necessidades de aprendizagem dos estudantes (Soares, 2022).
Nesse sentido, a utilização das TDICs precisa ser compreendida como parte de um processo educativo mais amplo. O recurso tecnológico, isoladamente, não determina a qualidade da aprendizagem. Sua contribuição depende da forma como é selecionado, utilizado e integrado às atividades pedagógicas. Assim, a discussão sobre tecnologias digitais e alfabetização exige considerar simultaneamente os recursos disponíveis, as práticas de ensino, os conhecimentos docentes e as características dos estudantes (Morais & Albuquerque, 2021).
2.2. Letramento Digital e Novas Práticas de Leitura e Escrita
A presença crescente das tecnologias digitais produz mudanças nas práticas de leitura, escrita e comunicação e amplia o conceito tradicional de letramento. O letramento digital não corresponde simplesmente à capacidade de utilizar computadores, celulares ou aplicativos, mas envolve a participação em práticas sociais nas quais os recursos tecnológicos funcionam como instrumentos de comunicação, produção e circulação de conhecimentos (Lobo, 2021).
Coscarelli e Ribeiro (2020) destacam a dimensão social do letramento digital e a necessidade de compreender as tecnologias para além de sua utilização operacional. Nesse sentido, saber utilizar determinado dispositivo não significa, necessariamente, estar preparado para interpretar criticamente as informações disponíveis, produzir conteúdos adequados aos diferentes contextos ou participar de forma consciente das práticas comunicativas digitais.
Buzato (2022) também relaciona os letramentos digitais às práticas sociais mediadas pelas tecnologias. Essa perspectiva permite compreender que os sujeitos não apenas consomem informações no ambiente digital, mas também produzem, compartilham, transformam e ressignifica conteúdos. No contexto escolar, essa característica cria possibilidades para o desenvolvimento de atividades que articulem leitura, escrita, oralidade, interpretação e produção de diferentes linguagens.
A incorporação dessas práticas aos anos iniciais do Ensino Fundamental pode favorecer a aproximação entre os conteúdos escolares e as experiências que fazem parte do cotidiano dos estudantes. A criança que utiliza diferentes recursos digitais fora da escola já está inserida em práticas de comunicação mediadas por tecnologias, o que torna necessário que a instituição escolar considere essas experiências em seu planejamento pedagógico. Entretanto, essa aproximação deve ocorrer de forma orientada, pois a familiaridade cotidiana com dispositivos digitais não significa domínio das competências necessárias para seu uso crítico e educacional (Moran, 2021).
Dessa maneira, o letramento digital pode ser compreendido como uma dimensão que complementa e amplia as práticas de alfabetização e letramento, especialmente quando a escola cria situações em que os estudantes precisam interpretar, selecionar, produzir e compartilhar informações utilizando diferentes linguagens e recursos tecnológicos (Morais & Albuquerque, 2021).
2.3. Tecnologias Digitais Como Ferramentas de Apoio à Alfabetização e Ao Letramento
A utilização das TDICs no processo de alfabetização e letramento apresenta diferentes possibilidades pedagógicas. Aplicativos educativos, jogos digitais, plataformas interativas, vídeos, histórias digitais, recursos multimídia e dispositivos móveis podem ser incorporados às atividades escolares para diversificar as estratégias de ensino e ampliar as formas de interação dos estudantes com os conteúdos (Rojo & Moura, 2020).
Araújo (2021) discute as possibilidades dos letramentos digitais nos anos iniciais do Ensino Fundamental, evidenciando que a presença das tecnologias pode ampliar as experiências relacionadas às práticas de linguagem. Korbes (2024), por sua vez, aborda a utilização das tecnologias digitais no processo de alfabetização e letramento, destacando a possibilidade de integração desses recursos às práticas desenvolvidas no Ensino Fundamental.
As possibilidades apresentadas pela literatura estão relacionadas, entre outros aspectos, à maior diversidade de linguagens e recursos disponíveis. Uma atividade de leitura, por exemplo, pode incorporar imagens, sons, vídeos e elementos interativos, proporcionando diferentes formas de contato com o texto. Do mesmo modo, a produção escrita pode ser realizada em ambientes digitais que possibilitem edição, revisão, compartilhamento e interação entre os estudantes (Morais & Albuquerque, 2021).
Essas características podem contribuir para tornar as atividades pedagógicas mais diversificadas. Entretanto, é importante evitar uma compreensão determinista das tecnologias. A utilização de um aplicativo, jogo ou plataforma não produz necessariamente melhores resultados de aprendizagem. O recurso precisa estar relacionado ao objetivo da atividade e inserido em uma proposta pedagógica coerente (Soares, 2022).
Kenski (2021) enfatiza a necessidade de compreender as tecnologias em articulação com os processos de ensino. Sob essa perspectiva, o papel do professor permanece fundamental, pois cabe a ele avaliar a pertinência dos recursos, estabelecer objetivos, organizar as atividades e acompanhar o processo de aprendizagem. Portanto, o potencial das TDICs está relacionado menos ao recurso em si e mais à maneira como ele é integrado ao trabalho pedagógico.
2.4. O Papel do Professor na Mediação das Práticas Digitais
A inserção das tecnologias digitais na escola modifica algumas práticas pedagógicas, mas não elimina a importância da atuação docente. Ao contrário, a multiplicidade de informações e recursos disponíveis exige um professor capaz de selecionar materiais, orientar os estudantes e estabelecer relações entre os conteúdos digitais e os conhecimentos escolares (Freire & Faundez, 2021).
A mediação docente é especialmente importante no processo de alfabetização e letramento porque os estudantes dos anos iniciais ainda estão desenvolvendo competências fundamentais de leitura, escrita, interpretação e produção textual. Nesse contexto, a tecnologia precisa estar acompanhada de orientações que auxiliem o estudante a compreender o que lê, produzir sentidos e utilizar diferentes recursos de maneira adequada (Lobo, 2021).
Kenski (2021) destaca que a integração das tecnologias ao ensino exige mudanças nas práticas educativas e na atuação dos profissionais. A utilização pedagógica dos recursos digitais requer planejamento e conhecimento sobre as possibilidades e limitações de cada ferramenta. Assim, a formação docente constitui um elemento importante para que a tecnologia não seja incorporada à escola apenas como novidade ou instrumento auxiliar sem finalidade pedagógica definida.
A formação continuada também se mostra relevante porque as tecnologias e os ambientes digitais estão em constante transformação. O professor necessita desenvolver conhecimentos que permitam avaliar recursos, selecionar aqueles que apresentam pertinência pedagógica e elaborar situações de aprendizagem coerentes com os objetivos curriculares (Ribeiro & Cavalcante, 2022).
Nesse sentido, a mediação docente representa um dos principais elementos para a integração das TDICs ao processo de alfabetização e letramento. O professor atua como organizador das experiências de aprendizagem e como mediador entre o estudante, o conhecimento e os recursos tecnológicos. A tecnologia, portanto, não substitui a ação pedagógica, mas pode ampliar suas possibilidades quando utilizada de maneira planejada (Nóvoa, 2022).
2.5. Possibilidades, Desafios e Desigualdades no Uso das TDICs
Embora as tecnologias digitais apresentem possibilidades para a educação, sua utilização também está relacionada a desafios estruturais, pedagógicos e sociais. A existência de equipamentos e recursos digitais nas instituições de ensino não garante que todos os estudantes tenham as mesmas condições de acesso ou que os professores estejam preparados para utilizá-los pedagogicamente (Nóvoa, 2022).
Entre os principais desafios encontram-se as condições de infraestrutura, a conectividade, a disponibilidade de equipamentos, a manutenção dos recursos e a formação dos profissionais. Esses fatores interferem diretamente na possibilidade de utilização das tecnologias de maneira contínua e planejada. Quando tais condições não são asseguradas, as TDICs podem ser utilizadas de forma limitada ou eventual (Perrenoud, 2021).
Outro aspecto importante refere-se às desigualdades de acesso existentes entre os estudantes. Enquanto alguns possuem dispositivos e conexão adequada em seus domicílios, outros podem apresentar limitações de acesso. Dessa forma, a incorporação das tecnologias às práticas pedagógicas precisa considerar as condições concretas dos sujeitos envolvidos, evitando que as diferenças existentes sejam aprofundadas (Tardif & Lessard, 2020).
Além dos aspectos estruturais, existem desafios relacionados à própria prática pedagógica. A utilização excessiva ou inadequada de recursos digitais pode transformar a tecnologia em finalidade, quando deveria funcionar como meio para alcançar determinados objetivos educacionais. Por isso, torna-se necessário estabelecer critérios para a seleção das ferramentas e avaliar sua contribuição efetiva para o processo de aprendizagem (Bacich & Moran, 2022).
A discussão sobre os desafios não significa negar as possibilidades das TDICs, mas compreender que seus benefícios dependem de condições específicas. A literatura analisada permite perceber que a integração tecnológica exige articulação entre infraestrutura, formação docente, planejamento pedagógico e condições de acesso dos estudantes (Kenski, 2021).
2.6. Políticas Educacionais e Integração das Tecnologias Ao Currículo
A discussão sobre tecnologias digitais na educação também precisa ser relacionada às políticas educacionais brasileiras. A expansão das competências digitais e a necessidade de preparar os estudantes para participar de uma sociedade marcada pelas tecnologias tornam a educação digital uma dimensão cada vez mais presente nas políticas públicas (Valente, 2020).
Nesse contexto, a Lei nº 14.533/2023 institui a Política Nacional de Educação Digital e estabelece princípios relacionados à inclusão digital, à educação digital escolar, à capacitação e à especialização digital. A legislação evidencia a necessidade de desenvolver competências que possibilitem aos sujeitos participar de maneira mais efetiva da sociedade contemporânea (Brasil, 2023).
A integração das tecnologias ao currículo, entretanto, não deve ocorrer de maneira isolada. Os recursos digitais precisam estar articulados aos conhecimentos e às competências que a escola pretende desenvolver. No caso da alfabetização e do letramento, isso significa utilizar as tecnologias em situações que favoreçam práticas significativas de leitura, escrita, interpretação, comunicação e produção de conhecimentos (Mishra & Koehler, 2023).
Segundo Zabala & Arnau (2020) a presença das TDICs no currículo também exige considerar a formação dos professores e as condições materiais das escolas. Uma política de inclusão digital que disponibilize equipamentos sem garantir formação, conectividade e suporte técnico pode apresentar limitações em sua implementação. Por isso, a integração curricular das tecnologias deve ser acompanhada de ações que favoreçam sua utilização pedagógica efetiva.
2.7. Síntese do Estado da Arte e Lacunas Identificadas
A análise da literatura evidencia que a relação entre tecnologias digitais, alfabetização e letramento constitui um campo marcado por possibilidades e desafios. Os estudos analisados convergem para a compreensão de que as TDICs podem ampliar as práticas de leitura e escrita, diversificar linguagens e favorecer experiências de aprendizagem mais interativas. Entretanto, também demonstram que a simples inserção dos recursos tecnológicos não é suficiente para assegurar melhorias no processo educativo.
Os trabalhos discutidos apontam a importância da mediação docente, da formação profissional, da infraestrutura e das condições de acesso como elementos que interferem na qualidade da integração das tecnologias às práticas escolares. Dessa forma, o problema de pesquisa não pode ser reduzido à identificação de quais ferramentas digitais são utilizadas, mas precisa considerar como, para que finalidade e em quais condições esses recursos são incorporados ao processo de alfabetização e letramento.
Nesse sentido, observa-se uma necessidade de aprofundamento das investigações que articulem as potencialidades pedagógicas das TDICs às condições concretas de sua utilização nos anos iniciais do Ensino Fundamental. A literatura apresenta diferentes experiências e possibilidades, mas permanece relevante compreender como essas contribuições se materializam nas práticas pedagógicas e quais fatores favorecem ou limitam sua efetividade.
Assim, o presente estudo parte do entendimento de que as tecnologias digitais constituem ferramentas de apoio, e não substitutas da ação pedagógica. Seu potencial educacional depende da articulação entre recursos tecnológicos, objetivos de aprendizagem, conhecimentos docentes, participação dos estudantes e condições institucionais. É justamente nessa relação entre potencialidades e limitações que se situa o objeto desta pesquisa, voltado à análise do uso das TDICs como ferramentas de apoio à alfabetização e ao letramento nos anos iniciais do Ensino Fundamental.
3. METODOLOGIA
A presente pesquisa caracteriza-se como qualitativa, de natureza bibliográfica e de caráter exploratório, desenvolvida a partir do levantamento, seleção, leitura e análise de produções acadêmicas relacionadas ao uso das Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação (TDICs) no processo de alfabetização e letramento nos anos iniciais do Ensino Fundamental. A escolha da abordagem qualitativa está relacionada à necessidade de compreender, interpretar e discutir as contribuições, possibilidades e limitações apontadas pela literatura acerca da utilização pedagógica das tecnologias digitais. Conforme apresentado no trabalho de origem, a pesquisa bibliográfica possibilita identificar contribuições anteriores, esclarecer conceitos e aprofundar a compreensão do objeto investigado.
O levantamento bibliográfico foi realizado nas bases de dados Scientific Electronic Library Online (SciELO), Google Acadêmico e Portal de Periódicos da CAPES, considerando livros, artigos científicos, dissertações e outras publicações acadêmicas relacionadas ao tema. O recorte temporal adotado compreendeu trabalhos publicados entre 2020 e 2025, buscando priorizar produções recentes sobre tecnologias digitais, alfabetização, letramento, leitura e escrita no Ensino Fundamental. Os descritores utilizados na estratégia de busca foram: “Tecnologias Digitais”, “Leitura e Escrita”, “Letramento” e “Ensino Fundamental”.
A seleção das publicações ocorreu de maneira sistematizada, considerando inicialmente a identificação dos estudos nas três bases de dados. Posteriormente, foram realizadas a leitura dos títulos, dos resumos e das palavras-chave, com a finalidade de verificar a aproximação das publicações com o problema e os objetivos da pesquisa. Quando as informações disponíveis no título, resumo e descritores não eram suficientes para determinar a pertinência do estudo, procedeu-se à leitura do texto completo para verificar sua elegibilidade.
Foram estabelecidos como critérios de inclusão: publicações que abordassem a alfabetização, o letramento e/ou a utilização das TDICs no Ensino Fundamental; trabalhos disponíveis na íntegra; publicações em língua portuguesa; e estudos publicados no período de 2020 a 2025. As buscas foram realizadas nos meses de agosto e setembro de 2025. Como critérios de exclusão, foram considerados os textos publicados fora do recorte temporal estabelecido, estudos que não abordassem a utilização das tecnologias no contexto escolar, trabalhos incompletos, publicações duplicadas e materiais cujo acesso estivesse condicionado a pagamento.
O processo de seleção foi organizado em etapas sucessivas: (1) busca eletrônica nas bases selecionadas; (2) identificação e remoção dos registros duplicados; (3) triagem dos estudos; (4) leitura dos resumos; (5) leitura dos textos completos; e (6) seleção dos estudos considerados elegíveis para a análise. Esse procedimento permitiu reduzir progressivamente o conjunto inicial de publicações até alcançar aquelas diretamente relacionadas ao objeto da investigação.
Na etapa de identificação, foram localizados 143 registros nas bases CAPES, Google Acadêmico e SciELO. Após a identificação e remoção de 43 registros duplicados, permaneceram 100 estudos para a etapa de triagem. Na sequência, 55 estudos foram excluídos, resultando em 45 publicações avaliadas na íntegra. Após a análise de elegibilidade, 35 estudos foram excluídos, permanecendo 10 estudos para compor a análise final.
A amostra bibliográfica, portanto, foi constituída por dez estudos publicados entre 2020 e 2025, selecionados por apresentarem relação direta com a utilização das tecnologias digitais nos processos de alfabetização e letramento nos anos iniciais do Ensino Fundamental. Para organização das informações, foi elaborado um quadro de sistematização contendo dados referentes aos autores, título da obra, ano de publicação e foco principal de cada estudo. Esse procedimento possibilitou identificar aproximações, diferenças e contribuições específicas das produções analisadas.
Quanto aos instrumentos de organização e análise, cada publicação selecionada foi submetida a uma leitura criteriosa, sendo produzidos registros dos aspectos considerados relevantes para responder ao problema de pesquisa. As informações extraídas foram organizadas de maneira descritiva, contemplando principalmente a natureza dos estudos, os recursos digitais investigados, as contribuições apontadas para a leitura e a escrita, a atuação docente e os desafios relacionados à infraestrutura, ao acesso e à formação profissional. A pesquisa de origem informa que foi elaborado um resumo das informações relevantes de cada produção científica, posteriormente organizada por meio de análises descritivas e fundamentada nos estudos selecionados.
A análise dos dados foi realizada por meio de interpretação qualitativa e análise comparativa dos estudos selecionados. Buscou-se identificar convergências e divergências entre as pesquisas, considerando os diferentes enfoques metodológicos empregados pelos autores. O levantamento realizado na pesquisa de origem demonstra que os estudos analisados apresentam diversidade metodológica, incluindo pesquisas teóricas e bibliográficas, estudos qualitativos com entrevistas, questionários e estudos de caso, além de investigação de natureza mista.
Para a análise do conjunto selecionado, foram considerados como eixos principais: a utilização das TDICs nas práticas de alfabetização e letramento; os recursos digitais empregados; as contribuições para o desenvolvimento da leitura e da escrita; o papel da mediação docente; e os desafios relacionados à formação profissional, infraestrutura e acesso às tecnologias. Essa organização possibilitou estabelecer relações entre os resultados apresentados nas diferentes publicações e construir uma interpretação integrada do fenômeno investigado.
Desse modo, a metodologia adotada possibilitou reunir e analisar conhecimentos produzidos recentemente sobre a relação entre tecnologias digitais, alfabetização e letramento. O percurso metodológico permitiu não apenas identificar recursos e possibilidades de utilização das TDICs, mas também reconhecer as condições e os desafios que interferem em sua integração às práticas pedagógicas. A opção pela revisão bibliográfica qualitativa mostrou-se, assim, adequada aos objetivos do estudo, uma vez que possibilitou interpretar criticamente diferentes contribuições teóricas e empíricas relacionadas ao objeto investigado.
4. RESULTADOS E DISCUSSÕES
A análise dos estudos selecionados permitiu identificar as principais contribuições, potencialidades e desafios relacionados ao uso das Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação (TDICs) no processo de alfabetização e letramento nos anos iniciais do Ensino Fundamental. Os resultados foram organizados em categorias temáticas, considerando os objetivos da pesquisa e os aspectos recorrentes observados nas publicações analisadas.
A revisão bibliográfica resultou na inclusão de 10 estudos, publicados entre 2020 e 2025, selecionados a partir de critérios previamente estabelecidos. Esses estudos abordaram diferentes dimensões da relação entre tecnologias digitais e práticas de leitura e escrita, contemplando aspectos como letramento digital, multiletramentos, mediação docente, recursos tecnológicos, inclusão e políticas educacionais.
Para facilitar a visualização dos resultados, apresenta-se a síntese dos estudos analisados.
Tabela 1. Síntese dos estudos incluídos na revisão bibliográfica
Autor(es) | Ano | Tema principal | Principais contribuições |
Coscarelli e Ribeiro | 2020 | Letramento digital | Ampliação das práticas de leitura e escrita em ambientes digitais |
Lévy | 2020 | Cibercultura e educação | Transformações nos modos de aprender e produzir conhecimento |
Soares | 2021 | Alfabetização e letramento | Articulação entre domínio da escrita e práticas sociais |
Rojo e Moura | 2021 | Multiletramentos | Diversidade de linguagens e mídias |
Kenski | 2021 | Tecnologias e ensino | Integração pedagógica das TDICs |
Araújo | 2021 | Letramentos digitais | Uso de recursos digitais nos anos iniciais |
Buzato | 2022 | Inclusão digital | Democratização do acesso à leitura e escrita |
Korbes | 2024 | Tecnologias e alfabetização | Aplicação de recursos digitais no Ensino Fundamental |
Estudos complementares | 2020/2025 | Formação docente | Desafios pedagógicos e estruturais |
Estudos complementares | 2020/2025 | Inclusão e equidade | Acesso e permanência digital |
Fonte: Elaborado pela autora a partir dos estudos selecionados (2026).
A análise das publicações revelou que os estudos convergem quanto à compreensão de que as TDICs podem atuar como ferramentas de apoio à alfabetização e ao letramento quando utilizadas de forma planejada e articulada aos objetivos pedagógicos. Aplicativos educativos, jogos digitais, plataformas interativas, vídeos, histórias digitais e recursos multimídia aparecem como instrumentos capazes de diversificar as estratégias de ensino e ampliar as possibilidades de interação dos estudantes com a leitura e a escrita.
4.1. Recursos Digitais Utilizados nas Práticas de Alfabetização e Letramento
Os estudos analisados indicaram a utilização de diferentes recursos tecnológicos no contexto escolar. Entre os mais citados destacam-se os aplicativos educativos, jogos digitais, plataformas de aprendizagem, vídeos, livros digitais, softwares interativos e dispositivos móveis. Esses recursos são empregados para o desenvolvimento de atividades relacionadas à leitura, escrita, interpretação textual, produção de textos e ampliação do vocabulário.
Tabela 2. Recursos digitais mais citados nos estudos analisados
Recursos digitais | Frequência de ocorrência nos estudos |
Aplicativos educativos | Alta |
Jogos digitais | Alta |
Plataformas interativas | Alta |
Vídeos e recursos multimídia | Média |
Livros digitais | Média |
Dispositivos móveis | Média |
Ambientes virtuais | Baixa |
Fonte: Elaborado pela autora com base na revisão bibliográfica (2026).
Esses resultados demonstram que os recursos digitais têm sido utilizados principalmente para promover maior interação, participação e motivação dos estudantes. A presença de elementos visuais, sonoros e interativos amplia as possibilidades de aprendizagem e favorece o desenvolvimento de experiências mais significativas, especialmente nos anos iniciais do Ensino Fundamental.
Essas evidências estão em consonância com Rojo e Moura (2020), que destacam a importância dos multiletramentos, e com Coscarelli e Ribeiro (2020), que ressaltam que as práticas de leitura e escrita contemporâneas ocorrem em múltiplos ambientes e suportes.
4.2. Contribuições das TDICs para o desenvolvimento da leitura e da escrita
Os estudos analisados apontam diferentes contribuições das tecnologias digitais para o processo de alfabetização e letramento. Entre os aspectos mais recorrentes destacam-se: Maior motivação e engajamento dos estudantes; Diversificação das práticas pedagógicas; Ampliação das oportunidades de leitura e escrita; Desenvolvimento de práticas colaborativas; Utilização de múltiplas linguagens; Maior aproximação entre escola e cultura digital; Possibilidades de personalização das atividades.
A literatura também evidencia que os recursos digitais podem favorecer a autonomia dos estudantes, possibilitando diferentes formas de interação com os conteúdos e permitindo adaptações às necessidades individuais. Esse aspecto é especialmente relevante em contextos inclusivos, nos quais a tecnologia pode contribuir para ampliar o acesso e a participação dos estudantes.
Buzato (2022) destaca que o letramento digital possui potencial para promover inclusão e democratização do acesso à informação, enquanto Araújo (2021) evidencia que os recursos digitais podem ampliar as experiências de leitura e escrita nos anos iniciais.
Entretanto, os resultados indicam que os benefícios das tecnologias não decorrem automaticamente de sua presença na escola. A efetividade das TDICs depende da mediação docente, do planejamento das atividades e da articulação entre tecnologia e objetivos pedagógicos.
4.3. Mediação Docente e Formação Profissional
Outro resultado recorrente nos estudos analisados refere-se ao papel do professor na integração das tecnologias ao processo educativo. A literatura aponta que a atuação docente permanece central na seleção dos recursos, na organização das atividades e no acompanhamento das aprendizagens.
Kenski (2021) ressalta que a utilização pedagógica das tecnologias exige formação específica e desenvolvimento de competências relacionadas ao uso crítico e intencional dos recursos digitais. Os estudos demonstram que muitos professores ainda enfrentam dificuldades relacionadas ao domínio das ferramentas tecnológicas e à elaboração de práticas que integrem efetivamente as TDICs aos conteúdos escolares.
Dessa forma, a formação inicial e continuada aparece como elemento fundamental para o aproveitamento das potencialidades das tecnologias digitais. A ausência de formação adequada pode limitar a utilização pedagógica dos recursos e reduzir as tecnologias a instrumentos meramente operacionais.
4.4. Desafios para a Integração das Tecnologias Digitais
Embora a literatura apresente diferentes possibilidades de utilização das TDICs, os estudos analisados também identificaram desafios importantes relacionados à infraestrutura, ao acesso e às desigualdades educacionais.
Tabela 3. Principais desafios identificados na literatura
Desafio | Impactos observados |
Infraestrutura insuficiente | Limitação do uso contínuo das tecnologias |
Falta de conectividade | Restrição do acesso a recursos digitais |
Formação docente insuficiente | Dificuldades na utilização pedagógica |
Desigualdade de acesso | Ampliação das diferenças educacionais |
Falta de suporte técnico | Uso limitado dos equipamentos |
Planejamento inadequado | Uso descontextualizado das tecnologias |
Fonte: Elaborado pela autora a partir dos estudos analisados (2026).
Os resultados indicam que a simples disponibilização de equipamentos não garante mudanças nas práticas pedagógicas. A integração efetiva das TDICs depende da articulação entre infraestrutura adequada, conectividade, formação docente e planejamento educacional.
Esses achados convergem com a discussão apresentada por Kenski (2021) e Buzato (2022), que destacam a necessidade de políticas públicas voltadas à inclusão digital, à formação dos profissionais e à garantia de condições adequadas para utilização das tecnologias.
4.5. Síntese da Discussão
Os resultados evidenciam que as TDICs apresentam potencial para contribuir com o desenvolvimento da alfabetização e do letramento nos anos iniciais do Ensino Fundamental, especialmente por meio da ampliação das linguagens, da diversificação das estratégias pedagógicas e da aproximação entre práticas escolares e cultura digital.
Entretanto, os estudos analisados demonstram que o potencial das tecnologias depende de fatores que ultrapassam a disponibilidade de recursos. Formação docente, infraestrutura, acesso, planejamento e mediação pedagógica constituem elementos fundamentais para que as TDICs possam efetivamente apoiar o desenvolvimento das habilidades de leitura e escrita.
A análise permite concluir que as tecnologias digitais não substituem a ação pedagógica, mas podem ampliar suas possibilidades quando utilizadas de forma crítica, planejada e articulada aos objetivos educacionais. Dessa maneira, os resultados respondem ao problema de pesquisa ao indicar que as TDICs podem atuar como ferramentas de apoio à alfabetização e ao letramento, desde que sua utilização esteja vinculada a práticas pedagógicas intencionais e a condições adequadas de implementação.
5. CONCLUSÃO
A presente pesquisa demonstra que as Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação constituem recursos com potencial para apoiar os processos de alfabetização e letramento nos anos iniciais do Ensino Fundamental. A análise desenvolvida permite compreender que sua contribuição está relacionada principalmente à ampliação das possibilidades de leitura, escrita, interação e utilização de diferentes linguagens no contexto escolar.
O objetivo geral da pesquisa, de analisar o uso das TDICs como ferramentas de apoio ao processo de alfabetização e letramento nos anos iniciais do Ensino Fundamental, é alcançado por meio da análise dos estudos selecionados. Os objetivos específicos também são contemplados, uma vez que a pesquisa identifica recursos digitais utilizados nas práticas pedagógicas, discute suas contribuições para o desenvolvimento da leitura e da escrita e evidencia os principais desafios relacionados à sua integração ao trabalho docente.
A pesquisa responde ao problema proposto ao demonstrar que as TDICs podem contribuir para a alfabetização e o letramento quando são utilizadas de maneira intencional, planejada e articulada aos objetivos de aprendizagem. Portanto, a utilização da tecnologia, por si só, não garante avanços no processo educativo. O resultado depende da relação estabelecida entre o recurso digital, a proposta pedagógica, a mediação do professor e as necessidades dos estudantes.
Constata-se também que a utilização das tecnologias amplia as possibilidades de desenvolvimento de práticas de leitura e escrita em diferentes linguagens e suportes. Essa característica favorece a aproximação entre as experiências digitais dos estudantes e as práticas escolares, possibilitando novas formas de participação e produção de conhecimentos.
A pesquisa evidencia ainda que a mediação docente permanece indispensável. O professor assume a responsabilidade de selecionar os recursos, estabelecer objetivos, organizar as atividades e acompanhar o desenvolvimento dos estudantes. Dessa maneira, as TDICs não substituem o trabalho docente, mas ampliam as possibilidades de intervenção pedagógica.
Entre as principais contribuições práticas do estudo está a possibilidade de subsidiar professores e instituições escolares na reflexão sobre a utilização pedagógica das tecnologias digitais. A pesquisa também evidencia a necessidade de investimentos em formação docente, infraestrutura, conectividade e condições de acesso, uma vez que esses fatores interferem diretamente na efetividade das práticas digitais.
Como limitação, destaca-se o caráter bibliográfico da investigação, que não contempla observação direta de práticas escolares nem coleta de dados com professores ou estudantes. Assim, os resultados representam a interpretação do conhecimento produzido nas publicações selecionadas e não permitem generalizações para todas as instituições de Ensino Fundamental.
Para pesquisas futuras, recomenda-se a realização de estudos de campo que investiguem como professores utilizam efetivamente as TDICs nas práticas de alfabetização e letramento, bem como pesquisas que analisem a percepção dos estudantes, as condições de infraestrutura das escolas e os impactos de diferentes recursos digitais sobre o desenvolvimento da leitura e da escrita.
Conclui-se, portanto, que as TDICs constituem ferramentas de apoio relevantes para a alfabetização e o letramento, mas sua efetividade está condicionada à existência de intencionalidade pedagógica, mediação docente, formação profissional e condições adequadas de acesso e utilização. Dessa forma, a integração das tecnologias digitais ao processo educativo exige uma perspectiva crítica e planejada, na qual os recursos tecnológicos estejam a serviço da aprendizagem e do desenvolvimento integral dos estudantes.
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1 Graduação. Licenciatura em Pedagogia pela Universidade Vale do Acaraú (UVA). Especialização. Alfabetização e Letramento pela Faculdade Metropolitana. Mestra em Tecnologias Emergentes em Educação pela Must University. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail.
2 Especialista em Neuropsicopedagogia, Transtornos Escolares e Práticas Inclusivas. Faculdade Maciço de Baturité (FMB). Av. Dr. Clóvis Amora Vasconcelos, 497, Sanharão, Baturité –CE, CEP: 62760-000. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail.
3 Especialista em Educação Infantil e Séries Iniciais do Ensino Fundamental pela Faculdade da Aldeia de Carapicuíba (FALC), Carapicuíba – SP. Centro de Ensino Aldeia de Carapicuíba (CEALCA), Estrada de Aldeinha, nº 245, Jardim Marilu, CEP 06343-040, Carapicuíba – SP. Mestranda em Ciências da Educação pela Universidad Del Sol. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail.
4 Licenciada em Pedagogia pela Universidade Estadual Vale do Acaraú - UVA - Especialista em Educação Infantil pela Faculdade Maciço do Baturité - FMB - Mestranda em Ciências da Educação pela World University Ecumenical WUE.