O PROFESSOR COMO AGENTE DA TRANSFORMAÇÃO SOCIAL: UMA REVISÃO BIBLIOGRÁFICA.

THE TEACHER AS AN AGENT OF SOCIAL TRANSFORMATION: A LITERATURE REVIEW.

REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/792267383

RESUMO
O presente artigo constitui uma revisão bibliográfica qualitativa que traz uma abordagem acerca do papel do professor como agente da transformação social. Não obstante a educação começar no meio familiar, ela também é um fenômeno social, ou seja, é de lá que emerge e evolui, assim como as sociedades evoluem a educação deve seguir o mesmo ritmo. A escola, onde o professor é um dos principais agentes de transformação social, é chamada a se afirmar e assumir esta função de modo que haja uma transmissão de conhecimentos, valores, hábitos e cultura, necessárias para uma convivência social saudável e evolutiva das gerações. Por tanto, o professor é uma figura que merece uma atenção especial desde a sua integração social e a sua remuneração, para que ele exerça a sua função devidamente. Hoje em dia se assiste uma completa desvalorização do professor, submetendo a miséria, a política partidária, e desprestigiando a sua grande contribuição, na educação começada em casa, como agente de transformação social.
Palavras-chave: Agente; Professor; Transformação social.

ABSTRACT
This article presents a qualitative literature review addressing the role of the teacher as an agent of social transformation. Although education begins within the family, it is also a social phenomenon, emerging and evolving alongside society, as societies evolve, education must keep pace. The school, where the teacher acts as a key agent of social transformation, is called upon to assert itself and embrace this role, facilitating the transmission of the knowledge, values, habits, and culture necessary for healthy social coexistence and generational progress. Therefore, the teacher is a figure deserving of special attention regarding both social integration and remuneration, ensuring they can effectively perform their duties. Nowadays, we are witnesssing a complete devaluation of teachers, subjecting them to poverty, partisan politics, and discrediting their great contribution to education, which begins at home, as agents of social transformation.
Keywords: Agent; Social transformation; Teacher.

A missão do professor desde os tempos, sempre exigiu maior responsabilidade social, pois, há um grau elevado de confiança dos pais em enviar seus filhos sob cuidado do professor, para que este continue com a educação que já começa no seio da família, e, para além disso, colocar a matriz científica e académica, necessárias para o indivíduo transformar positivamente o seu entorno social.

É certo que, a educação é um fenômeno social, por esta começar no seio da família e por ter a imperativa missão de acompanhar a evolução social, ou seja, a maneira como evolui a sociedade, a educação deve acompanhá-la, de modo a fazer face a realidade contextual de momento, para não correr o risco de ser ultrapassada. Nesta missão de educar, o professor tem uma responsabilidade grande para a transformação da sociedade, por ser modelo de referência na transmissão de conhecimentos, valores, hábitos e cultura, necessários para uma convivência social saudável e evolutiva.

O presente artigo foi desenvolvido por meio de uma revisão bibliográfica de caráter qualitativo e descritivo, cujo objetivo consistiu em descrever a função social do professor como agente da transformação. A pesquisa analisou produções acadêmicas publicadas no período entre 1984 a 2026, de modo a buscar um pouco do antigo e contextuá-lo com a actualidade. Sendo algumas informações clássicas.

1. DEFINIÇÃO DE TERMOS

  • Professor: Professor é o mediador entre o indivíduo em formação e os conhecimentos prévios de uma matéria. Tem como função planejar, orientar a direcção dos conteúdos visando à assimilação constante pelos alunos e o desenvolvimento das suas capacidades e habilidades (Libâneo, 1994).

  • Transformação social: é uma mudança na sociedade e no seu modo de organização. O termo pode incluir alterações na natureza, nas instituições sociais, nos comportamentos e nas relações2.

2. VALÊNCIAS DO PROFESSOR

Para Manuel, Kinhama e Nascimento (2023), o professor ganha destaque por se transformar é um modelo de referência para as várias faixas etárias da sociedade, tal como eles anunciam, dizendo que:

O professor é um modelo de referência para as crianças, adolescentes, jovens e adultos. Como tal, é necessário que haja um equilíbrio entre a função de transmitir o conhecimento com a função de ser uma referência de valores e atitudes para as crianças e jovens adolescentes na sociedade (p. 24).

Nesta mesma visão, Voli (2002) apud Manuel et al (2023), anuncia que,

O professor desde a educação infantil até a Universidade, representa um dos elementos-chave na formação e no desenvolvimento de gerações mais abertas, livres, seguras, competentes e, sobretudo, mais felizes e eficientes em suas vivências e resultados. Sua influência não se limita à formação académica, pois intervém de forma direita e determinante na formação do carácter e da personalidade da criança e, consequentemente, do futuro adulto (p. 24).

Do ponto de vista remuneratório, Voli (2002) apud Manuel et al, 2023), deixa claro que:

O professor é um elemento chave do sucesso de um país (...), há que se ter uma atenção especial na sua integração social, sua valorização em termo do seu ordenado e enquadramento nas suas categorias de acordo o seu nível profissional para que cumpra com o seu papel social como agente educador (p. 42).

3. O QUE É SER PROFESSOR?

Na visão de Libáneo (1994) apud Manuel et al (2023):

  • “Ser professor é certamente preparar os alunos para se tornarem cidadãos ativos e participantes na família, no trabalho e na vida cultural e política” (p. 44).

  • Ser professor, enquanto um profissional humano, social e político, é uma busca da transformação dos indivíduos e possibilitar que pessoas sejam transformadas através de seu fazer pedagógico, ou seja, a educação como fonte inspiradora e transformadora de indivíduos (Gadotti, 2008, apud Meloti, 2023).

  • É estar preparado para os desafios que lhe são impostos, bem como para a formação e contribuição para uma sociedade mais justa e igualitária, transformando seu fazer pedagógico em um momento de restaurar seres humanos que necessitam e buscam na educação um caminho para o seu pleno desenvolvimento (Meloti, 2022). Nestes desafios, vale afirmar que é necessário que se aposte na formação continuada, trazendo mais ferramentas para a sua actuação tendo em conta a evolução dos tempos.

Na mesma visão, agora virada para o ensinar, Meloti (2022) menciona que:

Ensinar é uma prática social, que necessita uma formação específica do educador e que ele seja capaz de compreender a importância de transmitir conhecimentos significativos para seus alunos, contribuindo para a formação do ser humano, valorizando e aprimorando cada vez mais seus conhecimentos, levando em conta sempre o conhecimento prévio do aluno (p. 19).

4. INSTITUCIONALIZAÇÃO DO TRABALHO DO PROFESSOR

No caso do Estado de Pará (Brasil), e como em vários países, o trabalho do professor ganhou relevância no seio social não por esforços do Governo, mas sim, foi como uma conquista social, tal como demonstrado Wachowicz (1984) apud Miguel (2000):

A escola e a institucionalização do trabalho do professor foram se efetivando, não tanto pelo esforço do governo, mas conquistada pela população, de tal forma que no Paraná, nas primeiras décadas do século já se constatavam em alguns centros urbanos escolas superlotadas pelos alunos e inúmeros abaixo-assinados de pais que pediam professores para seus filhos (p. 2).

Neste pensamento, Miguel (2000) explica que: “a população via no trabalho do professor uma função social: a função de servir de mediação para a participação do indivíduo na sociedade que se complexificava”.

E, há uma particularidade interessante nessas populações, conforme Miguel (2000), “o professor era escolhido pela comunidade e pago por ela; tinha a função de manter vivos os valores da cultura de origem” (p. 2).

Miguel (2000), ainda reforça que:

Há que se distinguir então (e ainda hoje), entre a função social da escola e do trabalho do professor proclamada nos discursos oficiais e a função social reconhecida e demandada pela população.

Nos discursos oficiais, a educação escolar e o trabalho do professor ainda agora são proclamados como prioridades mas não são assim contemplados na distribuição de verbas e na garantia das condições estruturais para o trabalho educacional. Tal fato significa que a verdadeira função social da escola e do professor: a de transmitir as técnicas elementares de acesso ao código escrito, os conhecimentos científicos fundamentais e os valores e atitudes básicos para a formação da cidadania não encontram por parte daqueles que deveriam garantí-los, as condições mínimas que assegurem a sua transmissão para todos. Ou seja, historicamente por parte dos governantes, a real função social do professor tem sido obstaculizada, quer nas condições de trabalho, quer na sua formação, quer no reconhecimento social sob a forma de salário, plano de carreira, etc... (p. 2).

5. O PAPEL DO PROFESSOR NA TRANSFORMAÇÃO SOCIAL

Compreender o professor como agente de transformação social implica reconhecer que sua atuação ultrapassa os limites da sala de aula e se insere em processos mais amplos de intervenção social. A prática docente não é neutra, pois envolve escolhas pedagógicas, valores éticos e posicionamentos políticos que influenciam diretamente a formação dos estudantes. Nesse sentido, o professor contribui para a construção de visões de mundo, para o desenvolvimento do pensamento crítico e para a ampliação da consciência social dos educandos (Nóvoa, 2022 apud Silva, Prates & Theodoridis, 2026).

Estudos recentes apontam que a docência contemporânea está diretamente relacionada à capacidade de promover experiências educativas que dialoguem com a realidade dos estudantes, problematizando questões sociais, culturais e econômicas. O professor, ao assumir esse papel, favorece a formação de sujeitos capazes de compreender criticamente o mundo e de atuar de forma responsável e solidária na sociedade (Candau & Ivenicki, 2024 apud Silva et al, 2026).

Para Miguel (2000), a real função social do professor é:

Ensinar os alunos a compreender a realidade através dos conhecimentos que ele aprende na escola e formar sua consciência crítica e sua cidadania é hoje a função social do professor. Mas, para isso ele precisa necessariamente, estar atualizado nos conhecimentos da sua área de ensino e, em permanente contato com os fatos que o cercam. Precisa também atuar junto com seus pares, na organização da sua categoria, procurando dessa forma, garantir as condições que assegurem a realização da sua função na sociedade: a de formar cidadãos. A escola não realizará sua função social sozinha; necessitará da interação com outras instituições assim como de uma legislação orgânica que a ampare (p. 6).

Na óptica de Kuenzer (2008) apud Meloti (2022), há um conjunto de especificações que estão vinculados ao trabalho do professor enquanto agente de transformação social, dentre eles, estão a:

  • Capacitação para compreender a nova realidade, apoiando-se nas distintas áreas do conhecimento, para produzir ciência pedagógica;

  • Que tenha competência para identificar os processos pedagógicos que ocorrem no nível das relações sociais mais amplas, e não apenas nos espaços escolares institucionalizados: nos movimentos sociais, na rua, no trabalho, sindicatos, ONGs, entre outros;

  • Que tenha competência para dialogar com o governo em suas diferentes instâncias e com a sociedade civil (implementação ou enfrentamento);

  • Que seja capaz de transformar a teoria pedagógica em prática pedagógica, sabendo selecionar e organizar conteúdos superando a organização curricular de disciplinas entanques, através da construção coletiva;

  • Que seja capaz de buscar a articulação entre a escola e o mundo das relações sociais e produtivas através de procedimentos metodológicos apoiados em bases epistemológicas adequadas;

  • Que saiba organizar e gerir o espaço escolar de forma democrática, internamente e em suas articulações com a sociedade;

  • Enfim, que seja o organizador de experiências pedagógicas escolares e não escolares, cujo significado seja definidor pelos fins da educação como expressão do desejo coletivo da sociedade que se pretende ter (p. 20).

O professor na sua actuação pedagógica, é um ente que consegue juntar dois actos necessários para transformar homens evidenciando que a conscientização não pode existir fora da práxis, ou melhor, sem o ato ação– reflexão, e, é esta unidade dialética que constitui, de maneira permanente, o modo de ser ou de transformar o mundo que caracteriza os homens (Freire, 1979 apud Araújo, Soares, Santos, Ferreira & Domingos, 2024).

Diante do exposto acima, Araújo et al. (2024) explica que “o ato educativo é transformador quando integra reflexão e ação em um movimento contínuo de recriação da realidade” (p. 224).

O professor desempenha um papel muito importante na transformação das sociedades através dos seus actos educativos, pois a educação pode ser um caminho de enfrentamento das estruturas de dominação, desde que organizada como um processo contínuo, inacabado e emancipador (Libâneo, 2012).

O professor antes de mais nada, deve saber disponibilizar seu tempo para o aluno, possibilitando assim a comunicação, manifestando afeto e interesse, elogiar e demonstrar prazer de interagir, deve passar que o mesmo é livre, e que pode aprender com seus erros, sem se sentir constrangido, dessa maneira, em um ambiente de paz, pode desenvolver o processo cognitivo em sua forma plena (Morales, 2003 apud Albuquerque, 2004).

6. IMPORTÂNCIA DA VALORIZAÇÃO DO PROFESSOR

A função do professor nem sempre foi a mesma, ela foi modificando em função do tempo, tal como descrito por Morgado (2016) apud Santos e Givigi (2020), que:

O professor foi modificando sua função conforme as exigências de cada momento histórico. Uma marca disto é que apesar de ainda conservarmos uma visão ortodoxa de currículo, há também a necessidade articular os saberes das diversas áreas de conhecimento. Mas para que isso aconteça é preciso uma mudança do professor, em sua dinâmica de aula, em suas práticas educativas (p. 8).

O professor é uma figura muito importante do processo de ensino e aprendizagem, pois, sua função quando é bem-sucedida, quando domina a gestão de uma aula, considerando que não é somente atingir a meta de passar conteúdos, mas também fazer com que esses alunos despertem em si uma motivação para construir novos conhecimentos (Silva, Menezes, Silva & Rodrigues, 2017).

Ainda neste ponto, os autores supracitados reforçam que:

A profissionalidade do professor não se concentra apenas em passar conteúdos, ou mesmo no domínio que apresenta em relação a eles. Tampouco se resume no conhecimento das capacidades e limitações cognitivas dos alunos. Logo, o trabalho do docente não se constitui como uma atividade mecânica, a atividade de ensinar é essencialmente interativa. Como mediador do conhecimento o professor cria espaços, ambientes, métodos para que possam ocorrer transformações ao meio social de seu aluno (Silva et al., 2017, p. 3).

7. NECESSIDADE DE APRENDIZAGEM CONTÍNUA PARA O APERFEIÇOAMENTO DAS PRÁTICAS DO PROFESSOR

Tratando-se duma era tecnológica, onde a mídia tornou-se o foco de todos, a actividade docente-educativo também emigrou para essa era, assim sendo para Araújo et al (2024), “o profissional da educação precisa ampliar seu repertório e suas práticas a fim de compreender o papel das tecnologias e dos meios de comunicação na formação dos estudantes, especialmente no enfrentamento das exclusões culturais e educacionais” (p. 227).

Deste jeito, a formação contínua é uma necessidade que consiste em blindar a actuação do professor trazendo mais ferramentas na sua actuação e acima de tudo, redefinindo o seu papel na sala de aula, confirmando cada vez mais o seu papel social de educador, tal como reforça Silva Júnior (2004) apud Meloti (2022):

[…] Na reflexão sobre a prática, tendo em vista a qualidade do ensino, o professor terá a oportunidade de redefinir seus papéis revertendo o fluxo, colocando o fluxo a serviço da escola, impedindo que ela continue “tarefeira” do sistema, desviando-se cada vez mais de sua função social. (p. 18)

No quesito formação inicial e formação continuada, muitos são os autores que reforçam essa necessidade devido os desafios que são enfrentados na transmissão de conhecimentos, tal como ressaltam Silva et al (2017):

Os desafios são muitos a serem enfrentados pelos docentes, mas um dos maiores talvez seja na formação tanto inicial quanto continuada, uma boa preparação para o futuro em relação a adaptação aos ampliadores de ensino. Um dos requisitos para que um professor se supere e constitua um método, é colocar em prática materiais e técnicas didáticas disponíveis em seu meio social. Assim, o aluno interage suas práticas sociais e desenvolve suas habilidades conforme sua realidade social (p. 2).

Diante das várias mudanças impostas pela evolução, em todos os domínios, os houve e ainda há uma necessidade da assunção de novos papéis sociais, desde o contexto familiar e até a escola, dentro deste último, o professor também foi atingido, conduzindo-o a assumir um papel mais actuadora e transformador das novas gerações, como descrito por Ferreira (2024):

Vivemos num período que exige a redefinição de alguns papéis em nossa sociedade, entre eles, o do professor. O mundo contemporâneo está marcado por mudanças a cada dia colocando a profissão do professor em constantes desafios, questionando sua identidade no cenário atual, ora rompendo modelos ora impondo novas demandas. Dentre os elementos que marcam a contemporaneidade e trazem consequências para a profissão docente, destacamos: globalização e neoliberalismo, novas tecnologias de comunicação e informação, reestruturação produtiva e diversidade cultural (p. 4).

Ressaltando a importância da educação continuada, Meloti (2022) ainda ressalta que não vale prender-se ao chamado vocação para definir a actuação do professor, mas sim, vale potenciar o professor de modo a torna-lo mais competente, mais actualizado ou conectado com a realidade actual e comprometidos com a causa social, pois se não se fizer isso a prática do professor fica obsoleta, tal como ele explica que:

O educador ou a educadora devem ser reavaliadas e aprimoradas, bem como se aperfeiçoar, uma vez que na atualidade isso torna-se essencial em sua vida profissional, para que educadores se tornem mais competentes e também comprometidos com o seu trabalho e principalmente com os resultados obtidos através da sua atuação educativa. Quando o educador não busca o aperfeiçoamento não sabe como realizar na prática de forma eficaz. (p. 5).

Justamente na sua função social activa, o autor supracitado ainda acrescenta que “o educador deve ter em mente que sua formação é importante para que o educando receba informações necessárias e precisas, contribuindo para a formação de uma sociedade mais justa e igualitária”. (p. 5).

Naturalmente a educação é um fenômeno social, ela deve evoluir com a evolução da sociedade, sendo assim, a formação contínua do professor encaixa na ideia supra, pois, com a evolução dos tempos, hoje com tecnologias, especificamente a Inteligência Artificial entre outros, urge a necessidade de cada vez mais disponibilizar ferramentas essenciais ao professor para a prática docente, pois muitas mudanças e transformações ocorrem na sociedade atual que necessitam de atenção para compreender o novo paradigma do conhecimento, da tecnologia, da revolução científica que por vezes conduz à exclusão social (Luck, 2007apud Meloti, 2022).

Nisso, o foco é virado para a capacitação contínua do professor, pois, a dinâmica do desenvolvimento humano está na ênfase das competências do ser, fazer e ter conhecimento quando tratamos de uma concepção diferenciada de organização para uma gestão educacional e promoção do desenvolvimento humano (Meloti, 2022).

No campo da formação contínua, a aprendizagem possibilita trabalhar as teorias implícitas recorrendo à dialética de forma reflexiva e crítica na construção do conhecimento contínuo. Alcança o conhecimento para a transmissão de saberes, se estrutura para o saber-fazer que estabelece meios para os benefícios sociais, econômicos e culturais no contexto do desenvolvimento da sociedade. A capacidade de reflexão, o desenvolvimento das habilidades de pensar e saber, são o indicativo para o desenvolvimento humano (Meloti, 2022).

Conforme Meloti (2022), são unânimes os pesquisadores que afirmam na profissão de professor, necessário se faz, como em outras profissões, que as pessoas que a exercem tenham o domínio da ciência, técnica e arte, daí que se pode claramente entender que o exercício do professorado é uma tarefa que exige muita preparação e formação contínua, visando o desenvolvimento social com as dinâmicas evolutivas do mundo.

Nos dias actuais, o avanço rápido das tecnologias tem trazido novos paradigmas no Processo de Ensino e Aprendizagem, o que muitas vezes causa um pouco de medo por parte dos professores que correm o risco de serem ultrapassados, num sistema onde os alunos já manejam os instrumentos e a tecnologia, havendo por tanto muita informação disponível por aí, daí que, se confirma em Ferreira (2024) que:

Vivemos num mundo rápido e veloz, as informações voam num segundo, em grandes quantidades. Muitos professores sentem-se preocupados quando utilizam as tecnologias digitais em sala de aula, outros sentem medo de perder o emprego em face aos meios de comunicação, outros ficam desconcertados quando os alunos sabem manusear o computador. O desenvolvimento das tecnologias da informação e das comunicações tem trazido questionamentos para escola e para o professor (p. 5).

Com essas ideias, de Ferreira, nota-se a grande importância que se tem em promover a Formação Contínua na actividade docente-educativa, de modo que se inovem as práticas pedagógicas, consistindo em orientar os alunos de modo a se tornarem seres úteis para si e para os outros.

Para este autor, a formação contínua acaba sendo um meio de renovação prática, como ele explica:

Quanto à formação, é importante dizer ainda que se faz necessária uma qualificação dos profissionais de ensino e é fundamental que a equipe docente esteja bem-preparada, por este motivo é extremamente importante que, além da formação inicial seja oportunizado também a formação continuada, onde todos tenham a oportunidade de repensar a sua prática. Pois, a formação continuada é um processo possível para a melhoria da qualidade do ensino, dentro do contexto educacional da atualidade (Ferreira, 2024, p. 9).

No final de tudo, olhar para o professor como agente de transformação social é reconhecer que a prática pedagógica é uma prática social, uma prática política, pois não se pode conceber a educação sem um vínculo sócio histórico (Ferreira, 2024).

8. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Como verificado neste resumo, o professor é uma figura indispensável na transformação social, pois com o conhecimento que dispõe e partilha com os alunos, através de vários métodos e estratégias, sendo um motivador, mediador e facilitador, mantém a transmissão e permanência dos valores, hábitos e atitudes de um povo e cumpre com o grande requisito, a formação do homem útil para si e para a sociedade. Por isso, é importante que se dê uma atenção particular para o professor e sua actividade docente, como também, todo o processo de ensino e aprendizagem, para que realmente as vivências escolares sejam uma prática positiva na vida social, proporcionando desenvolvimento. Ainda assim, como formas de que ele esteja bem preparado e cumpra bem o seu papel social, deve se reforçar a sua formação inicial e também garantir que tenha a sua formação contínua, garantindo cada vez mais capacitações adequadas com a actualidade, construindo indivíduos cada vez mais atuantes e intervenientes numa sociedade em constantes mudanças.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Albuquerque, I.L. (2004). O professor e seu papel social. Revista Brasileira em Promoção da Saúde, vol. 17, núm. 4. pp. 206-210

Araújo, J.M., Soares, L.N.V., Santos, D., Ferreira, E.J.C. & Domingos, M.A.C. (2024). educação como agente de transformação social: desafios e possibilidades/Education as an agent of social transformation: challenges and possibilities.

Ferreira, F. P. M. (2024). Saberes docentes e a importância do professor como agente de formação.

Libâneo, J. C. (2012). Formação de professores: identidade e saberes da docência. Educação e Sociedade, v. 33, n. 120, p. 1095–1114.

Manuel, F. A., Kinhama, V.C. e Nascimento, M. A. L. (2023). Papel social do professor como agente educador. Waku-Kungo-Angola.

Meloti, S. F. P. (2022). O professor como agente transformador no século XXI.

Miguel, M. E. B. (2000). A função social do professor: aspectos históricos.

Santos, C.S. e Givigi, R.C.N. (2020). Contribuições das funções sociais do professor na construção do ser profissional.

Silva, M. I. C., Menezes, E. C.Q., Silva, M. S. & Rodrigues, C. M. S. (2017). O professor como transformador social: agente mediador de conhecimentos e inspirador de sonhos.

Silva, R.T., Prates, C.R., e Theodoridis, N. (2026). O professor contemporâneo como agente de transformação social: desafios, motivações e práticas pedagógicas no contexto educacional atual.


1 Autor: Professor graduado em Ciências de Educação pela Universidade 11 de Novembro, 2016; Especialista em Psicologia e Psicopatologia da Nutrição, 2025 e Mestre em Intervenção Psicológica no Desenvolvimento e na Educação, ambos pela Universidad Europea del Atlàntico, em 2020. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail.

2 https://alana.org.br/glossario/transformacao-social/. Acesso aos 26 de agosto de 2025.