O PAPEL DA ENFERMAGEM NO USO DO DISSULFIRAM PARA O TRATAMENTO DA DEPENDÊNCIA ALCOÓLICA

THE ROLE OF NURSING IN THE USE OF DISULFIRAM FOR THE TREATMENT OF ALCOHOL DEPENDENCE

REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/778643507

RESUMO
O consumo excessivo de álcool representa um importante desafio para a saúde pública, afetando de forma profunda não apenas a saúde física e mental das pessoas, mas também suas relações familiares, sociais e profissionais. Diante dessa realidade, torna-se essencial compreender e fortalecer estratégias terapêuticas que sejam eficazes, seguras e centradas no cuidado humano. Nesse sentido, este estudo teve como propósito analisar a eficácia do dissulfiram no tratamento da dependência alcoólica à luz da literatura científica atual, além de descrever seu mecanismo de ação, identificar riscos e limitações associados ao seu uso e refletir sobre o papel da enfermagem no acompanhamento dos pacientes. A pesquisa, de natureza básica, com abordagem qualitativa e caráter exploratório, foi desenvolvida por meio de revisão bibliográfica em bases de dados reconhecidas, priorizando publicações recentes. Os achados indicam que o dissulfiram atua ao provocar reações aversivas ao álcool, contribuindo para a manutenção da abstinência, especialmente quando o paciente está motivado e recebe acompanhamento profissional contínuo. No entanto, o uso do medicamento demanda atenção, uma vez que podem ocorrer efeitos adversos, contraindicações clínicas e dificuldades relacionadas à adesão ao tratamento. Nesse contexto, destaca-se a atuação fundamental da enfermagem, que assume papel central na orientação, no monitoramento clínico e laboratorial, na educação em saúde e no fortalecimento do vínculo terapêutico. Assim, conclui-se que o dissulfiram permanece como uma alternativa relevante no cuidado à pessoa com dependência alcoólica, desde que utilizado de forma responsável, segura e humanizada, com o apoio qualificado do profissional de enfermagem.
Palavras-chave: Dissulfiram; Alcoolismo; Farmacologia; Enfermagem.

ABSTRACT
Excessive alcohol consumption represents a major public health challenge, with significant impacts on physical and mental health, as well as on social, family, and professional relationships. In this context, understanding effective and safe therapeutic strategies becomes essential. This study aimed to analyze the effectiveness of disulfiram in the treatment of alcohol dependence according to current scientific literature, as well as to describe its mechanism of action, identify associated risks and limitations, and discuss the role of nursing in patient follow-up. This is a basic research study with a qualitative and exploratory approach, conducted through a bibliographic review of articles, books, and scientific documents published mainly within the last five years in recognized databases. The findings indicate that disulfiram acts by inhibiting the enzyme aldehyde dehydrogenase, leading to aversive reactions when alcohol is consumed, which contributes to the maintenance of abstinence, particularly among motivated patients receiving continuous professional support. However, its use presents limitations, including adverse effects, clinical contraindications, and challenges related to treatment adherence, requiring careful assessment and ongoing monitoring. In this scenario, nursing plays a fundamental role through health education, clinical and laboratory monitoring, guidance on risks, and support for therapeutic adherence. It is concluded that disulfiram remains a relevant pharmacological option in the treatment of alcohol dependence, provided that it is used responsibly, safely, and within a humanized and multidisciplinary care approach, highlighting the essential contribution of nursing practice.
Keywords: Disulfiram; Alcoholism; Pharmacology; Nursing.

1. INTRODUÇÃO

O consumo excessivo de álcool é uma questão que mexe bastante com a sociedade atual e é apontada como uma das maiores fontes de complicações na saúde pública. O vício em bebida é uma situação crônica, que insiste em retornar e é complicada de curar, estragando não só o bem estar físico e psicológico do indivíduo, mas também seus laços com amigos, família e o emprego. Trata se de um nó difícil, que tem a ver com muitas coisas e causa grandes prejuízos financeiros e sociais. Por isso, são necessárias saídas que olhem tanto para a parte da medicina quanto para os sentimentos da pessoa. (Organização Mundial Da Saúde, 2023).

Também de acordo com Figueira e Senna Junior (2021), beber álcool por um longo período causa mudanças sérias no corpo, sendo que perto de noventa por cento de todo o álcool ingerido é processado no fígado através de oxidações. A parte que o organismo não utiliza acaba saindo pela urina e também pela respiração.

Ponderando esse cenário, diversas estratégias terapêuticas têm sido utilizadas para auxiliar pessoas com transtornos relacionados ao uso de álcool, incluindo a aplicação de medicamentos como o dissulfiram. Evidências recentes demonstram que o dissulfiram pode ser eficaz como adjuvante no tratamento da dependência alcoólica, especialmente quando associado a intervenções focadas na adesão e no acompanhamento contínuo. No entanto, os estudos também apontam que seu sucesso está fortemente relacionado ao seguimento rigoroso do tratamento e ao suporte profissional sistemático, reforçando a necessidade de vigilância constante por parte da equipe de saúde (Schallenberg et al., 2025).

O dissulfiram não é para quem tem sensibilidade a ele ou a substâncias do grupo dos tiuranos, nem para quem reage mal a agrotóxicos, tratamentos contra fungos ou borracha. Ademais, ele não é recomendado a diabéticos, pessoas com epilepsia, problemas na tireoide, inflamação renal, cirrose ou complicações hepáticas, quadros cardíacos sérios, artérias bloqueadas, confusões mentais vindas de fora, pessoas mais velhas, e também aqueles alcoolizados ou sem noção do que está acontecendo. (Figueira e Senna Junior 2021)

Contudo, o dsf é um medicamento bem tolerado, embora a inflamação do fígado seja um efeito adverso incomum que pode surgir, sobretudo após dois meses de tratamento. Além disso, foi o primeiro remédio a obter aprovação da Food and Drug Administration (FDA) para auxiliar pessoas com alcoolismo (Lanz et al., 2023; Pavlovsky, 2019).

Este remédio faz com que a pessoa sinta nojo, pois impede a enzima chamada aldeído desidrogenase de trabalhar, fazendo com que o acetaldeído se junte no organismo sempre que houver consumo de álcool, gerando reações desagradáveis como mal estar, vontade de vomitar, vermelhidão no rosto e palpitações fortes. Essa maneira de operar não tira o desejo da pessoa pela bebida em si, mas busca força la a parar de beber por meio de uma retaliação, sendo mais eficaz em indivíduos que de fato desejam interromper e têm acompanhamento de um profissional constantemente. Ademais, o álcool, principal fator no vício, tranquiliza o sistema nervoso central ao alterar a função dos neurotransmissores conhecidos como GABA e glutamato, o que explica tanto a sensação relaxante imediata quanto as alterações cerebrais que mantêm a dependência. (Rang et al., 2016, p. 610–613).

A compreensão de que o consumo excessivo de álcool é um dos problemas mais comuns relacionados ao uso de drogas, necessitando de soluções que sejam eficazes e baseadas em pesquisas. Além de ser um assunto importante para a saúde pública e para a atuação dos profissionais de enfermagem, este estudo investiga como o dissulfiram pode ajudar no tratamento da dependência de álcool em várias idades e situações. A decisão de explorar esse tema se baseia na sua importância social e na necessidade de aumentar o entendimento sobre como o dissulfiram pode ser utilizado como uma forma de tratamento.

Além disso, busca - se refletir sobre os desafios relacionados aos efeitos adversos do dissulfiram, ja que não so a adesão ao tratamento mas principalmente o papel do profissional de enfermagem no acompanhamento desses pacientes é fundamental. A atuação do enfermeiro é essencial nesse contexto, pois envolve a orientação ao paciente, o monitoramento dos efeitos do tratamento e o incentivo à continuidade do cuidado.

O interesse pelo tema surgiu a partir de uma experiência vivenciada em sala de aula, durante um debate acadêmico sobre o consumo excessivo de álcool, o que despertou interesse pela temática e pela busca de alternativas terapêuticas eficazes, seguras e humanizadas.

2. OBJETIVO

O presente estudo tem como objetivo geral analisar a eficácia do dissulfiram no tratamento da dependência alcoólica segundo a literatura científica atual, de modo a contribuir para a prática clínica e para a ampliação da compreensão sobre o tema.

Para alcançar tal propósito, foram definidos objetivos específicos, que consistem em descrever o mecanismo de ação do dissulfiram no organismo e sua contribuição para a eficácia no tratamento da dependência alcoólica; evidenciar os riscos e limitações associados ao uso desse fármaco, considerando seus efeitos colaterais e contraindicações; e discutir o papel do profissional de enfermagem no acompanhamento de pacientes em tratamento com dissulfiram, com ênfase na educação em saúde e no monitoramento de possíveis efeitos adversos.

3. METODOLOGIA

A investigação proposta enquadra-se como uma pesquisa de natureza básica, uma vez que buscou ampliar o conhecimento científico sobre a utilização do dissulfiram no tratamento da dependência alcoólica, sem a pretensão de aplicação prática imediata. A abordagem adotada é qualitativa, pois se privilegia de uma análise interpretativa e crítica da literatura, considerando as evidências científicas disponíveis acerca da temática. O caráter da pesquisa é exploratório, na medida em que se pretende aprofundar a compreensão sobre a eficácia do dissulfiram, seus mecanismos de ação, riscos, limitações e o papel da enfermagem no acompanhamento terapêutico.

A investigação foi conduzida por meio de revisão bibliográfica, a qual se realizou a partir da seleção de artigos, livros e documentos acadêmicos publicados em bases de dados reconhecidas, como Scientific Electronic Library Online (SciELO), PubMed, Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) e Google Acadêmico. Foram priorizadas publicações em português e inglês, disponíveis integralmente e publicadas nos últimos cinco anos, com exceção de obras clássicas consideradas fundamentais para a fundamentação teórica.

O processo de busca utilizou os operadores booleanos AND, OR e NOT, além de palavras-chaves como: “dissulfiram”, “alcoolismo”, “farmacologia” e “enfermagem”. Após a identificação, os estudos foram analisados criticamente quanto à relevância, rigor metodológico e contribuição para o tema proposto.

Os resultados da pesquisa foram apresentados em forma de quadros e gráficos, elaborados de modo a sintetizar as principais informações sobre o mecanismo de ação do dissulfiram, seus riscos e limitações, bem como o papel da enfermagem no acompanhamento do tratamento. Essa forma de apresentação visa facilitar a compreensão e a comparação dos achados encontrados na literatura.

4. RESULTADOS

A partir dos critérios de inclusão e exclusão definidos, foram selecionados 10 estudos que atenderam aos objetivos desta revisão bibliográfica. Esses trabalhos abordam diferentes aspectos do uso do dissulfiram no tratamento da dependência alcoólica, incluindo seu mecanismo de ação, eficácia clínica, limitações, efeitos adversos e contraindicações. Além disso, destacam a importância da enfermagem no cuidado ao paciente, principalmente em relação à adesão ao tratamento, ao monitoramento e à educação em saúde.

Para facilitar a organização e a compreensão dos dados, os resultados foram apresentados em forma de quadro, reunindo os principais achados dos estudos selecionados e permitindo a comparação entre eles. De modo geral, as evidências encontradas contribuem para uma melhor compreensão do uso do dissulfiram em diferentes contextos, considerando fatores como idade, condições de saúde e suporte ao paciente, o que ajuda a formar uma visão mais completa sobre sua aplicação no tratamento da dependência alcoólica.

Quadro 1 – Síntese das Principais Contribuições da Literatura Científica sobre o Dissulfiram no Tratamento da Dependência Alcoólica.

Autor/Ano

Mecanismo de ação

Riscos e limitações

Papel da enfermagem

Figueira & Senna Junior (2021)

Inibe a aldeído desidrogenase, causando acúmulo de acetaldeído e reações aversivas ao álcool.

Pode apresentar baixa adesão e risco de reações adversas graves, como náuseas, vômitos, taquicardia, rubor, hipotensão e até colapso cardiovascular quando há ingestão de álcool durante o tratamento.

Ressalta a importância da supervisão profissional para adesão.

Oliveira, Cabral & Sousa (2022)

Atua como reforço negativo, dificultando a ingestão de álcool.

Efeitos adversos frequentes, como náuseas, vômitos e palpitações; contraindicado em certas condições clínicas.

Destaca a necessidade de monitoramento contínuo dos pacientes durante o tratamento.

Rang et al. (2016)

Explica a base farmacológica da inibição da aldeído desidrogenase.

Limitações no controle da compulsão pelo álcool e a necessidade de motivação do paciente.

Enfatiza a atuação multiprofissional no suporte ao tratamento.

Santos & Andrade (2022)

Eficaz quando associado a suporte psicossocial.

Requer acompanhamento devido à possibilidade de abandono terapêutico.

O papel da enfermagem é fundamental na educação em saúde e no acompanhamento dos pacientes.

Antônio & Moreira (2024)

Uso crônico de álcool altera marcadores hepáticos, impactando tratamento com dissulfiram.

Alterações hepáticas elevam o risco de hepatotoxicidade, exigindo avaliação laboratorial prévia e acompanhamento.

Reforçam a necessidade de monitoramento clínico e laboratorial pela equipe de enfermagem.

Trentin, Schoeninger & Borsatto (2024)

Mostra os impactos metabólicos do álcool, prejudicando a síntese proteica e a saúde muscular.

Evidencia malefícios do álcool na hipertrofia e nos sistemas fisiológicos, exigindo a interrupção do consumo.

Subsidia ações educativas do enfermeiro sobre os danos do álcool à saúde geral e funcional.

Da Silva. (2024)

Aborda diferentes fármacos no tratamento, incluindo Acamprosato, Naltrexona e o dissulfiram como terapia aversiva.

Destaca efeitos colaterais e contraindicações, além do risco de abandono do tratamento.

Reforça a relevância do acompanhamento de enfermagem no monitoramento e incentivo à adesão ao tratamento.

Pavlovsky (2019)

Reforça o mecanismo aversivo do dissulfiram e sua relevância clínica.

Aponta controvérsias sobre adesão, segurança do uso prolongado e seleção adequada de pacientes.

Destaca a importância do acompanhamento próximo, considerando debates e limitações atuais.

Lanz et al. (2023)

Discute mecanismos atualizados do dissulfiram e potenciais usos além do alcoolismo.

Aponta desafios como efeitos adversos, baixa adesão e necessidade de personalização terapêutica.

Reforça o monitoramento contínuo, orientação ao paciente e integração multiprofissional.

Costa et al. (2020)

Reforça o uso do dissulfiram como adjuvante na manutenção da abstinência.

Dificuldades de adesão relacionadas ao desconhecimento dos pacientes sobre o tratamento.

Evidencia a importância da educação em saúde e do acompanhamento contínuo pelo enfermeiro.

Fonte: Elaborado pela autora (2025), com base em Figueira & Senna Junior (2021); Oliveira, Cabral & Sousa (2022); Rang et al. (2016); Santos & Andrade (2022); Antônio & Moreira (2024); Trentin, Schoeninger & Borsatto (2024); Da Silva et al. (2024); Pavlovsky (2019); Lanz et al. (2023); Costa et al. (2020).

5. DISCUSSÃO

A discussão dos resultados desta revisão foi construída a partir do objetivo principal de analisar a eficácia do dissulfiram no tratamento da dependência alcoólica, considerando o que a literatura científica mais recente apresenta sobre o tema. Para isso, os achados foram organizados com base em três pontos centrais: o mecanismo de ação do medicamento, seus riscos e limitações e o papel do enfermeiro no acompanhamento dos pacientes em tratamento.

A partir dessa organização, os estudos selecionados foram analisados de forma comparativa, buscando entender como diferentes autores abordam esses aspectos. Isso permite não só compreender melhor a eficácia do dissulfiram, mas também refletir sobre sua aplicação na prática e sobre a importância da enfermagem no cuidado a pessoas com dependência alcoólica.

5.1. Mecanismo de Ação do Dissulfiram

Embora os autores reconheçam a eficácia do dissulfiram, a literatura também aponta suas limitações e riscos. Pavlovsky (2019) e Candido et al. (2024) destacam que o sucesso do tratamento depende bastante da adesão do paciente, sendo comum a interrupção quando não há acompanhamento adequado.

Além disso, Lanz et al. (2023) e Antônio e Moreira (2024) chamam atenção para a possibilidade de efeitos adversos, especialmente a hepatotoxicidade, que apesar de ser considerada rara, pode ter relevância clínica, principalmente em pacientes que já apresentam alterações hepáticas relacionadas ao uso crônico de álcool.

Esses pontos mostram que, mesmo sendo útil, o dissulfiram não deve ser utilizado sem critério. É importante realizar uma avaliação clínica cuidadosa, solicitar exames laboratoriais antes do início do tratamento e manter o acompanhamento ao longo do uso do medicamento.

Figura 1 – Metabolismo do etanol e mecanismo de ação do dissulfiram

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Fonte: CASTRO, (2004).

5.2. Riscos e Limitações do Uso do Dissulfiram

Mesmo sendo reconhecido como uma opção eficaz no tratamento da dependência alcoólica, o dissulfiram apresenta algumas limitações importantes. Diversos estudos apontam que o sucesso do tratamento depende muito do comprometimento do paciente, sendo comum a interrupção do uso quando não há acompanhamento adequado.

Além disso, alguns autores chamam atenção para os possíveis efeitos adversos do medicamento. Embora nem sempre ocorram, podem surgir reações relevantes, como alterações hepáticas, especialmente em pessoas que já apresentam danos no fígado devido ao uso prolongado de álcool. Por isso, esse é um ponto que exige cuidado e atenção durante todo o tratamento.

Diante disso, fica claro que o dissulfiram não deve ser utilizado de forma indiscriminada. É fundamental que haja uma avaliação clínica cuidadosa antes do início da terapia, além da realização de exames e de um acompanhamento contínuo, garantindo mais segurança e melhores resultados ao paciente.

5.3. Intervenção da Enfermagem no Acompanhamento Terapêutico

A atuação do enfermeiro é muito importante na identificação e no cuidado de problemas relacionados ao uso de álcool em pacientes que estão em tratamento com dissulfiram. A partir do que foi observado na literatura e dos principais riscos envolvidos nesse tipo de tratamento, foi organizada a assistência de enfermagem apresentada a seguir.

O quadro reúne os diagnósticos mais comuns, os resultados esperados e as principais ações de cuidado, seguindo o Processo de Enfermagem, que ajuda a organizar melhor a prática profissional e garantir um atendimento mais seguro e individualizado (COFEN, 2009).

A ideia é mostrar, de forma clara e prática, como o trabalho do enfermeiro contribui para a segurança do paciente, para a continuidade do tratamento e para melhores resultados ao longo do processo.

Além do acompanhamento clínico, o enfermeiro também tem um papel importante no apoio emocional e na orientação do paciente, ajudando a tornar o cuidado mais humano e reduzindo possíveis complicações durante o uso do dissulfiram.

Quadro 2 – Síntese dos principais diagnósticos de enfermagem.

Diagnóstico de Enfermagem (NANDA)

Resultados Esperados (NOC)

Intervenções de Enfermagem (NIC)

Conhecimento deficiente relacionado ao uso do dissulfiram

Paciente demonstra compreensão sobre o medicamento, riscos e cuidados necessários

Realizar educação em saúde; orientar sobre mecanismo de ação, reações adversas e produtos que contenham álcool; fornecer material educativo

Risco de adesão ineficaz ao tratamento

Manutenção da adesão terapêutica; comparecimento às consultas

Estabelecer vínculo terapêutico; reforçar importância da continuidade; envolver família; monitorar uso correto do medicamento

Risco de lesão hepática relacionado ao uso de dissulfiram e histórico de etilismo

Manutenção de exames hepáticos dentro de parâmetros seguros

Monitorar exames laboratoriais (TGO, TGP, bilirrubinas); observar sinais de hepatotoxicidade; comunicar alterações à equipe médica

Risco de reação adversa ao álcool (interação dissulfiram-etanol)

Ausência de ingestão alcoólica durante o tratamento

Orientar sobre abstinência total; alertar sobre alimentos, medicamentos e produtos com álcool; supervisionar quando necessário

Ansiedade relacionada ao processo de abstinência

Redução dos níveis de ansiedade; melhor enfrentamento da abstinência

Oferecer escuta qualificada; incentivar participação em grupos de apoio; aplicar técnicas de relaxamento; encaminhar para suporte psicológico

Processos familiares interrompidos relacionados à dependência alcoólica

Melhora no apoio familiar ao tratamento

Promover inclusão da família no cuidado; realizar orientações conjuntas; estimular comunicação familiar saudável

Fonte: Autoral

No que diz respeito à atuação da enfermagem, os estudos deixam claro o quanto ela é importante para que o tratamento com dissulfiram realmente funcione. Costa et al. (2021) mostram que a educação em saúde feita pelo enfermeiro ajuda o paciente a entender melhor como o medicamento age, quais são os riscos e por que é tão importante evitar o consumo de álcool durante o uso. Já Santos e Andrade (2022), junto com Trentin et al. (2024), destacam que o acompanhamento próximo no dia a dia faz diferença na adesão ao tratamento e permite identificar possíveis efeitos adversos mais cedo.

Na prática, isso mostra que o cuidado contínuo e organizado da enfermagem não só melhora os resultados do tratamento, como também torna o processo mais seguro e mais humano para o paciente.

Considerando esses pontos, ao analisar os estudos de forma conjunta, é possível perceber que, embora o dissulfiram apresente resultados positivos no tratamento da dependência alcoólica, sua eficácia está muito ligada a fatores que vão além do próprio medicamento. Aspectos como adesão ao tratamento, acompanhamento profissional e apoio ao paciente aparecem de forma recorrente como determinantes para o sucesso terapêutico.

Nesse ponto, vale uma reflexão importante: o tratamento da dependência alcoólica não se resume ao uso de um fármaco. O dissulfiram pode contribuir, mas não atua sozinho. Cada paciente traz consigo uma história, um contexto social e emocional, além de diferentes níveis de motivação, o que influencia diretamente no andamento do tratamento. Na prática, isso mostra que não basta apenas indicar o medicamento é fundamental orientar, acompanhar e, principalmente, criar um vínculo com esse paciente.

É justamente nesse cenário que o papel da enfermagem se torna ainda mais relevante. Por estar mais próxima do paciente no dia a dia, a equipe de enfermagem consegue identificar dificuldades precocemente, oferecer apoio e contribuir para que o paciente se sinta mais seguro e acolhido durante o processo. Esse cuidado mais próximo muitas vezes faz diferença na continuidade do tratamento e na prevenção de complicações.

Por outro lado, também é importante considerar algumas limitações nos estudos analisados. Muitos trabalhos apresentam diferenças nos métodos utilizados, nos perfis dos pacientes e nos contextos em que foram realizados, o que pode dificultar comparações mais amplas. Além disso, a maioria das pesquisas destaca a adesão como fator central, mas nem sempre aprofunda como ela pode ser melhor trabalhada na prática. Esses pontos mostram que ainda há espaço para novos estudos, principalmente aqueles que considerem a realidade do cuidado no dia a dia e a atuação da enfermagem de forma mais aplicada.

Dessa forma, ao mesmo tempo em que os resultados reforçam a utilidade do dissulfiram, também evidenciam a necessidade de um olhar mais amplo sobre o cuidado, valorizando não apenas o tratamento medicamentoso, mas também o acompanhamento contínuo e humanizado.

6. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Este trabalho buscou compreender o papel da enfermagem no uso do dissulfiram no tratamento da dependência alcoólica, um tema relevante diante dos impactos que o alcoolismo provoca na saúde e na vida social dos indivíduos. A análise da literatura permitiu perceber que se trata de uma condição crônica, que exige acompanhamento contínuo e abordagens integradas, nas quais o dissulfiram ainda tem seu espaço como estratégia terapêutica.

Ao observar o funcionamento do medicamento, fica claro que sua ação está ligada ao bloqueio da enzima aldeído desidrogenase, levando ao acúmulo de acetaldeído quando há ingestão de álcool. Isso provoca reações desagradáveis, que acabam funcionando como um desestímulo ao consumo. No entanto, sua efetividade não depende apenas desse mecanismo, mas também da adesão ao tratamento e do acompanhamento adequado.

Em relação aos riscos, a literatura mostra que o uso do dissulfiram requer atenção. As reações adversas podem variar e tendem a ser mais intensas quando há consumo de álcool durante o tratamento. Além disso, questões como alterações hepáticas e dificuldades de adesão aparecem com frequência, o que reforça a necessidade de monitoramento contínuo.

Nesse contexto, o papel da enfermagem se destaca. O enfermeiro acompanha de perto o paciente, orienta sobre o uso correto do medicamento, esclarece dúvidas e observa possíveis efeitos adversos. Esse cuidado mais próximo contribui não só para a segurança, mas também para a continuidade do tratamento.

Quanto à eficácia em diferentes faixas etárias, os estudos não apontam a idade como fator determinante. Aspectos como motivação, condições clínicas e apoio familiar parecem influenciar mais diretamente os resultados.

Como limitação, vale considerar que este estudo se baseia em revisão bibliográfica, o que restringe as conclusões ao que já foi publicado. Ainda assim, reforça a importância de novos estudos, principalmente na prática clínica, para ampliar o conhecimento sobre o tema.

De modo geral, o dissulfiram segue sendo uma alternativa relevante no tratamento da dependência alcoólica, desde que utilizado com acompanhamento adequado. Nesse processo, a atuação da enfermagem faz diferença, especialmente na orientação, no monitoramento e no apoio ao paciente ao longo do tratamento.

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1 Aluno do Curso de Graduação Enfermagem da Faculdade De Ciências da Saúde Igesp. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

2 Orientador – Professor Doutor em: Tecnologia Químico - Farmacêutica pela Universidade de São Paulo.  E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

3  Coorientador – Enf. Especialista. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail