O INVESTIMENTO E SUAS DINÂMICAS COMPORTAMENTAIS: UMA ANÁLISE DO PERFIL DE INVESTIDOR ENTRE ESTUDANTES UNIVERSITÁRIOS

INVESTMENT AND ITS BEHAVIORAL DYNAMICS: AN ANALYSIS OF THE INVESTOR PROFILE AMONG UNIVERSITY STUDENTS

REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/781155710

RESUMO
O presente estudo analisa a relação entre conhecimento financeiro e comportamento de investimento entre estudantes universitários do curso de Administração da Universidade Estadual de Maringá. Utilizou-se abordagem quantitativa, por meio da aplicação de questionário estruturado do tipo survey junto a 61 acadêmicos. Os resultados indicam que os estudantes utilizam predominantemente vídeos e plataformas digitais como fontes de aprendizado financeiro, apresentam elevada participação em investimentos e predominância dos perfis moderado e conservador. Observou-se que o acesso ao conhecimento financeiro influencia práticas relacionadas ao planejamento financeiro, à escolha dos investimentos e à definição de objetivos financeiros de longo prazo. Os resultados reforçam a importância da educação financeira na formação de comportamentos de investimento entre jovens universitários e contribuem para a compreensão das relações entre conhecimento financeiro e tomada de decisão econômica.
Palavras-chave: Comportamento de investimento; Perfil de investidor; Planejamento financeiro; educação financeira; Estudantes universitários.

ABSTRACT
This study analyzes the relationship between financial knowledge and investment behavior among university students in the Business Administration course at the State University of Maringá. A quantitative approach was used, through the application of a structured survey questionnaire to 61 students. The results indicate that students predominantly use videos and digital platforms as sources of financial learning, show high participation in investments, and a predominance of moderate and conservative profiles. It was observed that access to financial knowledge influences practices related to financial planning, investment choices, and the definition of long-term financial goals. The results reinforce the importance of financial education in shaping investment behaviors among young university students and contribute to the understanding of the relationships between financial knowledge and economic decision-making.
Keywords: Investment behavior; Investor profile; Financial planning; Financial education; University students.

1. INTRODUÇÃO

As transformações observadas nas últimas décadas no sistema financeiro ampliaram significativamente as possibilidades de acesso a produtos de crédito, investimento e planejamento patrimonial. O desenvolvimento tecnológico, a digitalização dos serviços bancários, a expansão das fintechs e a crescente oferta de conteúdos financeiros em plataformas digitais alteraram a forma como os indivíduos se relacionam com o dinheiro, o consumo, a poupança e os investimentos. Nesse contexto, a gestão financeira pessoal deixa de ser compreendida apenas como uma prática associada ao controle de receitas e despesas, assumindo papel relevante na construção da estabilidade econômica, na formação patrimonial e na tomada de decisões ao longo da vida.

A literatura da área evidencia que o conhecimento financeiro exerce influência sobre a capacidade dos indivíduos de compreender riscos, avaliar oportunidades de investimento, planejar objetivos de longo prazo e administrar recursos de maneira mais eficiente (Lusardi; Mitchell, 2014; Potrich; Vieira; Kirch, 2015). Contudo, a simples disponibilidade de informações financeiras não implica, necessariamente, a adoção de comportamentos econômicos considerados adequados. A crescente circulação de conteúdos financeiros em redes sociais, plataformas digitais e meios de comunicação ampliou o acesso ao conhecimento, mas também produziu novas formas de consumo da informação financeira, muitas vezes marcadas pela superficialidade, pela busca de resultados imediatos e pela influência de agentes que não possuem formação técnica na área.

No contexto brasileiro, a discussão torna-se ainda mais relevante diante dos desafios relacionados ao endividamento, à baixa formação financeira da população e à necessidade crescente de planejamento econômico em um ambiente caracterizado por instabilidade econômica, transformações no mercado de trabalho e mudanças nos mecanismos tradicionais de proteção social. Dados recentes da Serasa Experian (2024) demonstram que milhões de brasileiros convivem com situações de inadimplência, incluindo parcela significativa de jovens adultos. Paralelamente, observa-se um aumento expressivo da participação de pequenos investidores no mercado financeiro nacional, impulsionado pela redução das barreiras de entrada, pela popularização de plataformas digitais de investimento e pela disseminação de conteúdos sobre finanças pessoais.

Nesse cenário, a educação financeira passa a ocupar posição estratégica não apenas como instrumento de gestão individual, mas também como mecanismo de desenvolvimento econômico e social. A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OECD, 2020) compreende a educação financeira como um processo capaz de promover conhecimentos, habilidades, atitudes e comportamentos que permitam aos indivíduos tomar decisões financeiras mais conscientes e sustentáveis. Sob essa perspectiva, a discussão desloca-se da mera capacidade técnica de realizar cálculos financeiros para uma compreensão mais ampla dos comportamentos econômicos, das escolhas de investimento e dos processos de construção da autonomia financeira.

Os estudantes universitários constituem um grupo particularmente relevante para a investigação desse fenômeno. Além de se encontrarem em uma fase marcada pela ampliação da autonomia econômica, pela inserção ou aproximação do mercado de trabalho e pela definição de projetos futuros, esses indivíduos passam a realizar escolhas financeiras que podem influenciar significativamente sua trajetória patrimonial. No caso dos estudantes de Administração, essa relação torna-se ainda mais relevante, considerando que sua formação acadêmica está diretamente vinculada à compreensão de processos econômicos, organizacionais e financeiros. Espera-se, portanto, que a exposição a conteúdos relacionados à gestão, planejamento e tomada de decisão contribua para o desenvolvimento de competências financeiras capazes de influenciar seus comportamentos econômicos.

Embora a literatura nacional tenha avançado na discussão sobre educação financeira, ainda são relativamente escassos os estudos que investigam, de forma articulada, a relação entre conhecimento financeiro e comportamento de investimento entre jovens universitários, especialmente em contextos específicos de formação acadêmica. Grande parte das pesquisas concentra-se na mensuração dos níveis de alfabetização financeira ou na descrição de práticas de consumo e endividamento, existindo espaço para compreender como o conhecimento adquirido se converte, ou não, em comportamentos efetivos relacionados ao planejamento financeiro e à realização de investimentos.

Diante desse contexto, o presente estudo tem como objetivo analisar a relação entre conhecimento financeiro e comportamento de investimento entre estudantes universitários do curso de Administração da Universidade Estadual de Maringá. Ao investigar essa relação, busca-se contribuir para a compreensão dos fatores que influenciam a formação de hábitos financeiros e práticas de investimento entre jovens em processo de formação profissional, ampliando as discussões sobre educação financeira, comportamento econômico e tomada de decisão no contexto universitário.

2. REVISÃO DE LITERATURA

Esta seção explora os conceitos fundamentais relacionados à administração financeira, a partir do aprofundamento sobre o gerenciamento e planejamento financeiro pessoal, destacando a importância de investir.

Assim, esta construção teórica auxilia na análise dos acadêmicos do curso de Administração da Universidade Estadual de Maringá para gerenciamento de finanças pessoais, assim como a necessidade da realização de investimentos; neste sentido, aborda: Educação Financeira e Endividamento; Comportamento e Hábitos Financeiros; Planejamento Financeiro e Investimentos. Cada um desses tópicos será discutido à luz da literatura existente, proporcionando uma base sólida para a análise empírica subsequente.

2.1. Educação Financeira e Endividamento

A educação financeira é um pilar fundamental para a gestão eficaz dos recursos financeiros pessoais, desempenhando um papel crucial na formação de indivíduos capazes de tomar decisões informadas e estratégicas sobre suas finanças. De acordo com Oliveira e Silva (2018), a educação financeira abrange o conhecimento e as habilidades necessárias para uma administração eficaz do orçamento pessoal, planejamento financeiro e tomada de decisões financeiras prudentes. Para os autores, a compreensão adequada dos conceitos financeiros, tais como poupança, investimento, crédito e gerenciamento de dívidas, é essencial para evitar problemas financeiros e garantir a estabilidade econômica a longo prazo (Oliveira; Silva, 2018)

Neste sentido, o impacto da falta de educação financeira na vida dos indivíduos é significativo. A ausência de conhecimento e habilidades financeiras pode levar a comportamentos prejudiciais, como o endividamento excessivo, o uso inadequado de crédito e a falta de planejamento para o futuro. Santos e Castro (2019) identificam o endividamento como um problema crescente no Brasil, frequentemente associado à falta de planejamento financeiro e ao desconhecimento das implicações econômicas das decisões cotidianas.

Este fenômeno é exacerbado pela baixa compreensão sobre como administrar eficientemente os recursos disponíveis e como lidar com imprevistos financeiros. Moraes (2017) revela que a falta de educação financeira leva ao uso excessivo de crédito e à ausência de controle sobre despesas, resultando em dificuldades financeiras e endividamento. O uso indiscriminado de crédito pode gerar um ciclo vicioso de dívida, onde os indivíduos constantemente recorrem ao crédito para cobrir despesas, exacerbando sua situação financeira.

Em relação a isso, diversos estudos mostram que a educação financeira deve começar desde cedo para ser eficaz, assim, Fernandes (2011) afirma que a inclusão de disciplinas de finanças nas escolas pode preparar os jovens para os desafios financeiros futuros e reduzir a probabilidade de endividamento. Ademais, Gitman; Juchau e Flanagan (2015) defendem o fato de que as escolas desempenham um papel crucial na formação de hábitos financeiros saudáveis, os quais são frequentemente moldados na infância e adolescência e formam um adulto consciente sobre as responsabilidades financeiras.

Contudo, além do papel das escolas, a tecnologia emergente também desempenha um papel significativo na educação financeira, dado o fato de que os aplicativos móveis e plataformas online oferecem acesso a ferramentas e informações financeiras que podem ajudar os indivíduos a gerenciarem melhor suas finanças, preenchendo as lacunas de conhecimento e promovendo práticas financeiras mais saudáveis (Souza et al., 2022)

Além disso, a literatura sugere que a educação financeira deve ser um processo contínuo e integrado ao longo da vida. A educação financeira não deve se restringir apenas ao ambiente escolar, mas deve ser promovida através de diversas mídias e plataformas ao longo da vida dos indivíduos. Segundo Lima e Almeida (2020), a educação financeira contínua e adaptada às diferentes fases da vida pode ajudar os indivíduos a se ajustarem às mudanças econômicas e a tomar decisões financeiras mais informadas.

Assim, a educação financeira é uma ferramenta vital para prevenir o endividamento e promover a saúde financeira.

2.2. Comportamento e Hábitos Financeiros

O comportamento financeiro e os hábitos financeiros desempenham um papel determinante na administração eficaz das finanças pessoais. Estes elementos são fundamentais para entender como os indivíduos lidam com suas finanças e como suas práticas diárias podem influenciar sua saúde financeira a longo prazo. De acordo com Almeida (2018), os hábitos financeiros não são inatos; ao contrário, eles são moldados ao longo do tempo por uma combinação de fatores culturais, sociais e individuais. A forma como os indivíduos gerenciam suas finanças, que inclui práticas como poupança, consumo e investimento, reflete esses hábitos e, por conseguinte, impacta diretamente sua saúde financeira.

Os hábitos financeiros positivos são aqueles que contribuem para uma gestão financeira saudável e sustentável. Costa e Oliveira (2020) destacam que hábitos financeiros positivos incluem a prática de poupança regular, a elaboração e adesão a um orçamento e a vigilância constante dos gastos. A poupança regular permite aos indivíduos criar uma reserva financeira para emergências e objetivos futuros, enquanto a criação de um orçamento ajuda a controlar as despesas e evitar dívidas. A vigilância dos gastos, por sua vez, garante que os indivíduos permaneçam dentro de suas limitações financeiras e ajustem seus comportamentos conforme necessário.

Em contraste, muitos indivíduos exibem hábitos financeiros negativos que podem comprometer sua saúde financeira. A falta de planejamento financeiro e a impulsividade nas compras são exemplos de comportamentos prejudiciais que frequentemente resultam em dificuldades financeiras. Almeida (2018) observam que a ausência de um plano financeiro estruturado e o impulso para comprar sem considerar as consequências financeiras podem levar a um ciclo de endividamento e instabilidade econômica.

A pesquisa de Andrade e Figueiredo (2022) sugere que a conscientização sobre a importância de hábitos financeiros saudáveis e a educação contínua são fundamentais para melhorar a gestão financeira pessoal. A educação financeira ajuda os indivíduos a reconhecerem e modificarem hábitos prejudiciais e a adotarem práticas mais eficazes. Programas educacionais que abordam a gestão financeira e promovem a literacia financeira têm mostrado resultados positivos na modificação de comportamentos financeiros e na promoção de práticas financeiras saudáveis.

Além disso, a influência de fatores culturais e sociais no comportamento financeiro é significativa. Estudos indicam que as normas culturais e as expectativas sociais podem moldar os hábitos financeiros dos indivíduos. Por exemplo, em algumas culturas, o consumismo e o status social associado ao gasto podem promover comportamentos financeiros impulsivos e não planejados. Por outro lado, culturas que valorizam a poupança e o planejamento financeiro tendem a apresentar hábitos financeiros mais saudáveis e uma menor propensão ao endividamento. (Oliveira e Silva, 2018)

A pesquisa de Oliveira e Silva (2018) também sugere que a intervenção em hábitos financeiros deve considerar o contexto cultural e social dos indivíduos. Programas de educação financeira que são culturalmente relevantes e que abordam as expectativas sociais podem ser mais eficazes em modificar comportamentos financeiros e promover uma gestão financeira responsável.

Neste sentido, o desenvolvimento de práticas financeiras e o contexto social contemplam meios para produção da estabilidade econômica na promoção da educação financeira abrangente (Oliveira e Silva, 2018)

2.3. Planejamento Financeiro e Investimentos

O planejamento financeiro é uma abordagem sistemática e estratégica que visa alcançar objetivos financeiros por meio da administração de recursos pessoais. De acordo com Gomes e Almeida (2019), este processo envolve a criação de um plano detalhado para gerenciar receitas, despesas, investimentos e riscos financeiros, com o objetivo de atingir metas de curto, médio e longo prazo. Assim, não se limita à organização das finanças, mas inclui a definição de metas financeiras e a implementação de estratégias para atingi-las, levando em consideração a variação de receitas e despesas e o gerenciamento de investimentos (Gomes e Almeida, 2019).

Uma parte crucial do planejamento financeiro é a elaboração de um orçamento. Simões e Teixeira (2020) sugerem que um orçamento detalhado permite controlar despesas, identificar áreas para economizar e garantir a alocação eficiente dos recursos. A criação de um orçamento é o primeiro passo para alcançar metas financeiras e ter uma visão clara da situação financeira atual. O gerenciamento de dívidas também é fundamental para o planejamento financeiro, partindo deste ponto, Assaf Neto e Lima (2017) argumentam que a acumulação de dívidas pode ser um obstáculo significativo para alcançar metas financeiras, dado o ponto que um planejamento adequado ajuda a priorizar o pagamento de dívidas de alto custo e a evitar a contração de novas dívidas desnecessárias.

Ademais, Carvalho e Silva (2020) argumentam que um planejamento financeiro bem estruturado pode ajudar os indivíduos a evitar dificuldades econômicas, proporcionando uma base sólida para enfrentar imprevistos e alcançar objetivos financeiros de longo prazo. É reconhecido por sua importância na prevenção de crises financeiras e na realização de objetivos de vida significativos, como a aquisição de imóveis, a educação dos filhos e a aposentadoria. Além disso, para os autores, o planejamento financeiro permite uma visão abrangente das finanças pessoais, facilitando a identificação de áreas para melhoria e ajustes necessários na gestão dos recursos (Carvalho e Silva, 2020).

Para Peixoto (2018), investir é outro componente essencial do planejamento financeiro. Pois, com esses investimentos pode-se fazer com que o dinheiro tenha um crescimento sugestivo ao longo do tempo, além de oferecer uma fonte adicional de renda, que ajudará à a alcançar objetivos financeiros mais rapidamente, diversificando os investimentos e assim, gerando uma estratégia na redução de riscos e maximização dos retornos.

Assim, Ferreira e Souza (2018) definem investimentos como uma forma de alocação de recursos financeiros em ativos com a expectativa de retorno futuro, que pode se manifestar na forma de renda ou valorização de capital. A escolha e a gestão de investimentos são essenciais para o crescimento do patrimônio e para a realização de objetivos financeiros de longo prazo, como a formação de um fundo de emergência, a compra de um imóvel ou a preparação para a aposentadoria.

Dessa forma, a compreensão e a utilização adequada dos diferentes tipos de investimentos são fundamentais para a construção de um portfólio financeiro sólido e eficaz. Oliveira e Castro (2021) destacam que os investidores devem estar familiarizados com uma variedade de opções de investimento, incluindo ações, títulos, fundos de investimento e imóveis. Cada tipo de investimento possui características distintas, níveis de risco e potencial de retorno, e a combinação adequada desses ativos pode otimizar o portfólio financeiro e ajudar a alcançar metas específicas.

A diversificação dos investimentos é uma estratégia fundamental para minimizar riscos e maximizar retornos, permitindo que os investidores se beneficiem de diferentes oportunidades de mercado e protejam seu portfólio contra flutuações econômicas adversas (Silva, 2019).

Segundo Cerbasi (2018) existem diversos tipos de investidores, como como o conservador, moderado e arrojado. Para o autor, o perfil do investidor é uma avaliação das características individuais em relação aos investimentos, levando em consideração a tolerância a riscos, objetivos financeiros, horizonte de tempo e outros fatores relevantes para a escolha dos investimentos mais adequados.

Assim, Saccol e Pieniz (2018) expõem que o perfil conservador é caracterizado por buscar tranquilidade e segurança com o seu dinheiro aplicado, optando por investimentos seguros e não se importam com a baixa rentabilidade. Geralmente, investidores com esse perfil possuem um nível reduzido de conhecimento e informação sobre investimentos e mercado financeiro.

Conforme Silva (2019), o perfil moderado é caracterizado por possuir um patrimônio em crescimento e um nível maior de conhecimento do mercado, o que permite a diversificação em diferentes prazos, visando equilibrar a rentabilidade e o risco dos investimentos, esse perfil de investidor investe parte de seus recursos em renda fixa, que oferece maior segurança, e outra parte em renda variável, com o objetivo de obter retornos acima da média do mercado.

Ademais, Graham (2003), descreve que o perfil arrojado é aquele que busca obter retornos acima da média do mercado, visando aumentar seu patrimônio líquido. Para isso, investe seus recursos em ações de empresas que oferecem maior potencial de retorno, assumindo riscos mais elevados. Esse tipo de investidor possui habilidades técnicas e emocionais para lidar com as flutuações do mercado e buscar acumular lucros acima da média.

Alinhado a cada um dos perfis de investidor temos as modalidades para investimento, as quais são divididas entre títulos de renda fixa e títulos de renda variável. De acordo com Securato (2017), a renda fixa representa uma alternativa de investimento que se destaca pela sua previsibilidade em termos de retorno financeiro. Essa categoria envolve a compra de títulos emitidos por corporações ou pelo governo, os quais garantem ao investidor um rendimento previamente estabelecido. Dentre os principais exemplos de títulos de renda fixa, encontram-se os títulos públicos, como o Tesouro Direto, e os títulos privados, incluindo as debêntures e os Certificados de Depósito Bancário (CDB). Por outro lado, o autor argumenta que a renda variável, embora apresente um grau maior de incerteza quanto ao retorno financeiro, também proporciona possibilidades de rendimento mais elevadas. Nesse tipo de investimento, caracteriza-se pela compra de ativos financeiros, como ações e fundos imobiliários, que são comercializados na bolsa de valores e estão sujeitos a flutuações de preço. O desempenho desses ativos pode ser afetado por diversos elementos, como a condição econômica, o desempenho das empresas e as dinâmicas de oferta e demanda do mercado.

3. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

Essa pesquisa decorreu a partir de uma abordagem quantitativa e interpretativa, de acordo com Gil (2010), a pesquisa quantitativa caracteriza-se pelo uso de métodos estatísticos para analisar os dados coletados e fornecer resultados numéricos objetivos, onde tal abordagem permitirá uma análise detalhada das respostas dos participantes, fornecendo informações corretas sobre a visão sobre o gerenciamento das finanças pessoais pelos estudantes de Administração, da Universidade Estadual de Maringá, bem como o seu vislumbre pela realização de investimentos. A população-alvo desta foi os acadêmicos do terceiro ao quinto ano do curso de Administração da Universidade Estadual de Maringá, e atingiu uma amostra composta por 61 acadêmicos respondentes, o que obteve enquanto definição da amostra estabelecida.

Ainda dentro desse cenário, Creswell (2010) ressalta que a análise interpretativa, visa produzir ou reformular conhecimento e criar formas para compreender os fenômenos explorados. Neste processo, os dados estatísticos devem ser mencionados, pois constituíram o objeto de pesquisa, mas, sozinhos não esclareceram nada. Sendo assim, foi necessário uma análise por parte do pesquisador, o qual, segundo Creswell (2010), conduz informações obtidas na coleta, extraindo sentido e significado aos dados, conduzindo-os para um processo de compreensão mais aprofundado; assim, para obtenção dos mesmo, a coleta de dados foi realizada por meio de um questionário estruturado do tipo survey, disponibilizado em uma plataforma online, Google Forms, o que permitirá construir uma análise estatística desses.

Os dados foram coletados através de um questionário survey estruturado e composto por 16 questões relacionadas a finanças pessoais e investimentos disponibilizado via Google Forms e distribuído aos acadêmicos por meio de grupos de WhatsApp e links. Essa abordagem foi escolhida, por facilitar o alcance e a participação dos acadêmicos, promovendo uma coleta de dados eficiente e abrangente. (GIL, 2010).

O questionário foi elaborado com base nos conhecimentos sobre finanças pessoais, os métodos e ferramentas utilizados para gerenciar finanças, desafios da gestão de finanças e na busca por examinar o perfil para o uso de investimentos aos acadêmicos. Sobre o método de pesquisa survey, Gil (2010) ressalta que essa abordagem é adequada para coletar dados diretamente dos participantes, de forma rápida e eficiente, dessa forma, a combinação dessas abordagens metodológicas, de acordo com as diretrizes propostas pelo autor, proporcionou uma análise abrangente sobre o a relação entre investimento e planejamento financeiro.

Neste sentido, Marconi e Lakatos (1996), estabelecem que o objetivo da análise estatística é apresentar as informações contidas em um conjunto de dados de forma clara e compreensível. Permitindo que ocorra o agrupamento dos dados através da criação de tabelas e diagramas e do cálculo de critérios ou indicadores que mostram as informações extraídas. Assim, essa pesquisa descreveu o comportamento desses acadêmicos quanto ao tema abordado, o que permitiu a interpretação dos conhecimentos sobre finanças pessoais e planejamento financeiro, através do questionário, o qual ofereceu uma maneira assertiva de coletar informações sobre os acadêmicos.

Os dados coletados foram analisados utilizando métodos estatísticos descritivos, com o auxílio de software de análise de dados como SPSS e Excel, além de serem calculadas as frequências, médias, medianas e desvio padrão para descrever o perfil dos respondentes e suas práticas de gestão financeira e investimentos, permitindo através da análise estatística propor padrões e tendências por meio dos dados coletados, fornecendo uma visão abrangente sobre o gerenciamento de finanças pessoais e investimentos entre os discentes. Segundo Triola (2013), a análise estatística é um processo que envolve a coleta, organização, análise, interpretação e apresentação de dados quantitativos, com o objetivo de identificar padrões e tendências que podem ser generalizados para a população estudada. Assim, a análise estatística nesta pesquisa permitiu uma compreensão mais profunda do comportamento financeiro dos acadêmicos, identificando padrões e tendências no gerenciamento de finanças pessoais e investimentos.

Assim, foi realizada análise dos dados obtidos por meio do questionário aplicado, bem como na realização de discussões sobre os resultados obtidos. Essa análise foi dividida em duas seções, sendo que na primeira será apresentado o perfil dos acadêmicos de administração e o seu conhecimento financeiro, na segunda é realizado uma análise de conteúdo sobre a categorização de perfis entre os estudantes de administração, sendo divididos em 3 categorias, investidores, conservadores e os que realizam nenhum tipo de aplicação.

Os resultados obtidos através do questionário estruturado aplicados aos acadêmicos do curso de Administração da Universidade Estadual de Maringá matriculados entre o terceiro ao quinto ano oferecem uma visão abrangente sobre os seus dados socioeconômicos, comportamento financeiro e o perfil de investimento e suas motivações.

4. RESULTADOS

4.1. Caracterização da Amostra

Inicialmente, procedeu-se à caracterização da amostra pesquisada, buscando identificar aspectos demográficos e socioeconômicos dos participantes. A amostra foi composta por 61 estudantes do curso de Administração da Universidade Estadual de Maringá, distribuídos entre os diferentes anos de formação. A análise dessas características permite compreender o contexto dos respondentes e auxilia na interpretação dos resultados relacionados ao conhecimento financeiro e ao comportamento de investimento.

A amostra deste estudo foi composta por 61 acadêmicos, distribuídos entre os anos de curso da seguinte forma: 26 estudantes do 4º ano (42,6%), 21 estudantes do 5º ano. No que diz respeito aos aspectos sociais, uma análise revelou que 36 participantes (59%) eram do sexo masculino, enquanto 25 (41%) eram do sexo feminino. Em relação à faixa etária, a maioria dos entrevistados, totalizando 57 (93,4%), está na faixa etária de 18 a 25 anos. Apenas 3 participantes (4,9%) têm entre 26 e 33 anos, e um único respondente (1,6%) possui mais de 40 anos. Esses dados demográficos evidenciam uma predominância de jovens acadêmicos na amostra, o que pode influenciar suas percepções e comportamentos em relação à gestão financeira.

Dos acadêmicos respondentes, 11(18%) residem sozinhos, o que pode indicar um perfil específico para a independência ou a necessidade de se mudar para se concentrar nos estudos. Além disso, 7 acadêmicos (11,5%) disseram viver com apenas uma outra pessoa. A segunda maior concentração de entrevistados é composta por 17 acadêmicos (27,9%) que residem com duas pessoas. Esse arranjo é comum entre estudantes que moram com familiares, como os pais. O maior grupo identificado é formado por pessoas que convivem com três outras pessoas, totalizando 18 indivíduos, o que representa 29,5% da amostra. Esse grupo pode incluir estudantes que habitam em casas familiares mais amplas. Além disso, 8 acadêmicos (13,1%) moram com quatro pessoas.

A análise da renda dos participantes fornece uma visão sobre a condição financeira dos acadêmicos. Entre os envolvidos na pesquisa, 13 acadêmicos (21,3%) têm uma renda de até 1 salário mínimo. Em contrapartida, 28 acadêmicos (45,9%) se situam na faixa de 1 a 2 intervalos mínimos, representando a maior parte do grupo. Na categoria de 2 a 3 níveis mínimos, há 14 acadêmicos (22,95%). Apenas 2 acadêmicos (3,28%) encontram-se na faixa de 3 a 4 níveis mínimos, diminuindo uma presença limitada nestes segmentos. A faixa de renda de 4 a 5 anos mínimos é composta por apenas 3 acadêmicos (4,92%), enquanto acima de 5 anos mínimos, há apenas um acadêmico, correspondendo 1,64% do total. Dessa forma, segue os dados de maneira sintética conforme quadro abaixo:

Quadro 1. Perfil dos entrevistados

Ano do Curso

Nº de Acadêmicos

Percentual (%)

Faixa de Renda Mensal

3º ano

6

9,84%

Até 1 salário mínimo

3º ano

7

11,48%

De 1 a 2 salários mínimos

3º ano

2

3,28%

De 2 a 3 salários mínimos

4º ano

13

21,31%

Até 1 salário mínimo

4º ano

11

18,03%

De 1 a 2 salários mínimos

4º ano

3

4,92%

De 4 a 5 salários mínimos

5º ano

1

1,64%

Até 1 salário mínimo

5º ano

7

11,48%

De 1 a 2 salários mínimos

5º ano

8

13,11%

De 2 a 3 salários mínimos

5º ano

2

3,28%

De 3 a 4 salários mínimos

5º ano

1

1,64%

Acima de 5 salários mínimos

Total

61

100%

 

Fonte: Autor 2024

O quadro 1 indica que aproximadamente 90,16% dos acadêmicos recebem até 3 salários mínimos, evidenciando uma concentração significativa nas faixas de renda mais baixas. A predominância de acadêmicos na faixa de 1 a 2 salários mínimos demonstra um perfil socioeconômico específico, sugerindo que a maioria enfrenta desafios financeiros que podem afetar seus estudos e acesso a recursos. Apenas 9,83% da população pesquisada possui rendas superiores a 3 salários mínimos, indicando uma disparidade significativa nas condições financeiras dentro desse grupo.

Ao realizarmos a análise da renda familiar desse grupo, podemos identificar que respondentes, 13 (21,31%) relatam uma renda familiar entre 1 e 3 salários mínimos, enquanto 12 acadêmicos (19,67%) informam que sua renda familiar está na faixa de 3 a 5 salários mínimos. A faixa de 5 a 7 salários mínimos é a mais significativa, representando 31,15% da amostra, com 19 participantes nessa categoria. Além disso, 10 acadêmicos (16,39%) declararam ter uma renda familiar entre 7 e 10 salários mínimos. Por fim, 7 respondentes (11,48%) estão na faixa de renda acima de 10 salários mínimos, conforme Quadro abaixo:

Fonte: Autor 2024

Quadro 2.

Nº de Acadêmicos

Percentual (%)

Faixa de Renda Familiar

13

21,31%

1 a 3 salários mínimos

12

19,67%

3 a 5 salários mínimos

19

31,15%

5 a 7 salários mínimos

10

16,39%

7 a 10 salários mínimos

7

11,48%

Acima de 10 salários mínimos

Total: 61

100,00%

 

Assim, a distribuição da renda familiar indica uma realidade socioeconômica heterogênea entre os acadêmicos, não ocorrendo concentração de classes sociais na universidade, mas existe uma concentração na parte mais alta da escala salarial, o que sugere a necessidade de políticas e ações que promovam a equidade no acesso à educação.

Dessa forma, o perfil dos respondentes é delineado com base na perspectiva de Lima et al. (2006), que afirmam que o perfil é individual e pode evoluir ao longo do tempo, influenciado por condições financeiras e necessidades específicas de cada pessoa, não havendo regras rígidas para sua definição. Assim, será caracterizado o perfil de investidor dos acadêmicos de administração, conforme Teixeira et al. (2020), que define o perfil de investidor como um conjunto de características que afetam as decisões financeiras, englobando fatores como conhecimento financeiro, experiências passadas e atitudes em relação ao risco.

De modo geral, os dados evidenciam uma amostra predominantemente jovem, com rendas individuais concentradas nas faixas mais baixas e renda familiar distribuída entre diferentes estratos socioeconômicos. Essas características constituem elementos relevantes para a compreensão das práticas financeiras e dos comportamentos de investimento analisados nas seções subsequentes.

4.1.1. Conhecimento Financeiro dos Respondentes

Segundo Macedo Junior (2010), a gestão financeira é o processo de administrar seus recursos financeiros com o objetivo de atingir a satisfação pessoal e a realização de sonhos. Isso envolve o planejamento, controle e monitoramento das finanças, permitindo que você tenha uma visão clara de sua situação financeira. No entanto, diversos desafios se sobrepõem à busca desse gerenciamento, afetando a capacidade de planejamento e a saúde financeira das pessoas. Assim, analisamos os principais desafios enfrentados na gestão financeira, os métodos de gerenciamento de contas e o nível do conhecimento financeiro sobre alguns termos, conforme respondido pelos acadêmicos de administração da Universidade Estadual de Maringá.

A análise dos principais desafios financeiros enfrentados pelos acadêmicos aponta para a dificuldade mais significativa em manter um orçamento equilibrado, com 46 acadêmicos (75,4%) reconhecendo essa situação. Em segundo lugar, o desafio relacionado ao controle de despesas se destaca, com 19 acadêmicos (31,1%) relatando dificuldades. Esse cenário é refletido no perfil financeiro dos estudantes, onde 17 acadêmicos (27,9%) indicam depender de auxílio financeiro de terceiros, o que pode impactar suas experiências no início da carreira profissional. Além desses desafios, a falta de conhecimento sobre investimentos e a impulsividade nas compras também são questões relevantes, enfrentadas por 14 acadêmicos (23%) e 13 acadêmicos (21,3%), respectivamente. Em contrapartida, a falta de tempo para gerenciar as finanças é vista como o menor desafio, com apenas 6 entrevistados (9,8%) considerando essa questão significativa.

Quadro 3. Desafios Financeiros

Desafios Financeiros

Nº de Acadêmicos

Percentual (%)

Manter um orçamento equilibrado

46

75,4%

Controle de despesas

19

31,1%

Dependência de auxílio financeiro

17

27,9%

Falta de conhecimento sobre investimentos

14

23%

Impulsividade nas compras

13

21,3%

Falta de tempo para gerenciar finanças

6

9,8%

Fonte: Autor 2024

Assim, conforme o quadro 3 sobre métodos para gerenciar suas finanças pessoais, dos 61 acadêmicos respondentes, 40 deles (65,6%) utilizam planilhas eletrônicas como sua principal ferramenta de controle financeiro. Essa preferência indica uma valorização por métodos que oferecem registros visuais e personalizados. Além disso, 21 acadêmicos (34,4%) relataram o uso de aplicativos de gerenciamento financeiro. Essa escolha é favorecida pela interatividade e dinamismo desses aplicativos, que frequentemente incluem funcionalidades como categorização de despesas, alertas e relatórios visuais, refletindo a crescente adoção de soluções digitais por jovens para otimizar suas finanças pessoais. Por outro lado, 12 participantes (19,7%) preferem realizar anotações manuais. Embora essa abordagem possa ser menos eficaz em termos de organização, ela proporciona uma conexão mais direta com a prática financeira, indicando que alguns ainda valorizam o método tradicional. A pesquisa também revelou que apenas 1 acadêmico (1,6%) busca consultoria financeira, um número que pode refletir uma percepção inadequada sobre a importância da orientação profissional ou barreiras de acesso a esses serviços. Adicionalmente, 4 acadêmicos (6,6%) admitiram não gerenciar suas finanças, sugerindo uma falta de conscientização sobre a gestão financeira, fator que é determinante na trajetória de uma administrador.

Quadro 4. Método de Gerenciamento Financeiro

Nº de Acadêmicos

Percentual (%)

Método de Gerenciamento Financeiro

40

65,60%

Planilhas eletrônicas

21

34,40%

Aplicativos financeiros

12

19,70%

Anotações manuais

1

1,60%

Consultoria financeira

4

6,60%

Não gerenciam

Fonte: Autor 2024

A análise sobre os meios que os acadêmicos utilizam para buscar conhecimento sobre finanças exposta no quadro 4 revela uma diversidade de fontes de aprendizado, evidenciando tanto a demanda por acessibilidade quanto os diferentes estilos de aprendizado dos participantes. Dentre as abordagens escolhidas, destaca-se a preferência pelo uso de vídeos e sites, com os vídeos sendo a ferramenta mais popular. De acordo com os dados coletados, 52 participantes (85,25%) afirmaram que utilizam vídeos como principal recurso de aprendizagem financeira. Essa alta taxa de adoção sugere que os vídeos, frequentemente disponíveis gratuitamente em plataformas como YouTube, oferecem uma experiência de aprendizagem envolvente e acessível para os acadêmicos. A segunda fonte mais mencionada para a busca de conhecimento foram os sites com 34 participantes (55,74%). A exploração de sites especializados pode refletir na busca por informações atualizadas, permitindo que os acadêmicos direcionem seu aprendizado de acordo com suas necessidades específicas. Além disso, 16 participantes (26,23%) relataram que cursos são uma opção viável para adquirir conhecimento em finanças. Essa preferência indica que um número significativo de acadêmicos buscam uma abordagem mais estruturada e detalhada, apesar de exigir maior investimento de tempo e, em alguns casos, recursos financeiros. A experiência prática também se mostrou uma fonte valiosa de aprendizado com 10 respondentes (16,39%) mencionando-a como estratégia para adquirir conhecimentos financeiros. Essa escolha ressalta a importância da aprendizagem através de experiências do mundo real, como gerenciar um orçamento pessoal ou investir, permitindo a aplicação concreta dos conhecimentos adquiridos, ademais, a resposta pode ser influenciada por acadêmicas que trabalham no setor financeiro.

Por outro lado, outras fontes de aprendizado, como livros e artigos, foram menos utilizadas, com apenas 6 participantes (9,84%) mencionando esses materiais. Isso sugere que um grupo menor de estudantes prefere abordagens teóricas, que geralmente requerem um nível maior de atenção e tempo de leitura. Por fim, apenas 1 entrevistado (1,64%) relatou utilizar aconselhamento financeiro como forma de adquirir conhecimento. A consultoria, apesar de ser uma opção potencialmente eficaz para orientação personalizada, parece ser menos acessível à maioria dos acadêmicos, possivelmente devido a restrições financeiras ou à crença de que outras fontes de informação podem suprir suas necessidades de aprendizado.

Quadro 5. Fonte de Aprendizado

Nº de Acadêmicos

Percentual (%)

Fonte de Aprendizado

52

85,25%

Vídeos

34

55,74%

Sites

16

26,23%

Cursos

10

16,39%

Experiência prática

6

9,84%

Livros e artigos

1

1,64%

Consultoria financeira

Fonte: Autor 2024

Assim, os dados do Quadro 5 indicam que os acadêmicos preferem recursos de aprendizagem financeira acessíveis e práticos, como vídeos e sites, e fazem menos uso de abordagens mais teóricas como livros . Portanto, a escolha das fontes de conhecimento financeiro parece estar intimamente relacionada à praticidade e facilidade de acesso, fatores essenciais para a maioria dos estudantes.

Dessa forma, a correlação entre os principais desafios financeiros, os métodos de gerenciamento adotados e as formas de busca por conhecimento revela um ciclo interativo. Os desafios financeiros identificados influenciam diretamente as escolhas de estratégias de gerenciamento, que por sua vez são moldadas pelo modo como os acadêmicos buscam ampliar o seu conhecimento para amenizar as suas dificuldades. À medida que os acadêmicos enfrentam problemas como falta de controle sobre as despesas e desequilíbrio orçamentário, optam por métodos que consideram mais eficientes, frequentemente aqueles que proporcionam registro visual e analítico de suas finanças, como planilhas eletrônicas.

Ademais, a maneira como buscam conhecimento, priorizando vídeos conforme 85,25% dos respondentes, pode ser vista como uma resposta estratégica às suas necessidades práticas, enfatizando a demanda por soluções acessíveis que compensem as lacunas do conhecimento acadêmico. Assim, a presente análise sugere a necessidade de um modelo de educação financeira que não apenas informa, mas que também se alinhe às realidades práticas e desafios enfrentados pelos acadêmicos.

Esses dados ressaltam a importância de que instituições de ensino desenvolvam estratégias que abordem diretamente os desafios identificados, de modo a aprimorar a eficácia dos métodos de gerenciamento financeiro adotados pelos estudantes. Essa abordagem não só promoverá uma maior conscientização sobre a gestão financeira, mas também facilitará um aprendizado mais significativo e aplicável à vida cotidiana dos acadêmicos.

4.2. Perfil de Investidor

Cerbasi (2018) argumenta que o perfil do investidor é uma avaliação das características individuais em relação aos investimentos, levando em consideração a tolerância a riscos, objetivos financeiros, horizonte de tempo e outros fatores relevantes para a escolha dos investimentos mais adequados, podemos ele ser dividido em conservador, moderado e arrojado. Assim, Saccol e Pieniz (2018) expõem que o perfil conservador é caracterizado por buscar tranquilidade e segurança com o seu dinheiro aplicado, optando por investimentos seguros e não se importam com a baixa rentabilidade. Silva (2019), expõe que o perfil moderado é caracterizado por possuir um patrimônio em crescimento e um nível maior de conhecimento do mercado, o que permite a diversificação em diferentes prazos, visando equilibrar a rentabilidade e o risco dos investimentos e Graham (2003), descreve que o perfil arrojado é aquele que busca obter retornos acima da média do mercado, visando aumentar seu patrimônio líquido.

Assim, dentre os acadêmicos respondentes 58 (95,1%) deles, informaram que estão realizando investimentos, no qual, desses, 52 acadêmicos investem mensalmente e 6 ocasionalmente. Assim, com base nas autoavaliações dos acadêmicos sobre o perfil de investimento, podemos determinar que 29 (47,5%) dos acadêmicos definem que possuem um perfil moderado, 24 (39,3%) um perfil conservador e 8 (13,1%) um perfil arrojado.

Dessa forma, buscando compreender os hábitos de investimento dos 61 entrevistados, foi-lhes questionado sobre os principais tipos de investimentos que eles realizam, no qual, 51 (83,6%) entrevistados utilizam aplicações em opções de renda fixa para reserva de valor como CBD/RDC/Caixinha do Nubank (provavelmente se referindo a contas de poupança digitais e produtos semelhantes) destaca a popularidade dessas opções facilmente administráveis ​​e de baixo risco. As ações também representam uma parcela significativa 34 (55,7%), indicando um certo nível de tolerância ao risco dentro do grupo, embora isso não indique o grau de diversificação. Os Fundos de investimento (32,8%) fornecem outra via para investimentos moderadamente diversificados.

As porcentagens mais baixas associadas a poupança (9,8%), previdencia (16,4%), imóveis (1,6%) e letras de crédito (6,6%) sugerem um foco potencial em investimentos de curto prazo ou mais líquidos, possivelmente refletindo a idade e as circunstâncias financeiras dos entrevistados. Criptomoedas, uma classe de ativos de maior risco, também são relativamente populares (29,5%), refletindo uma disposição de considerar investimentos de maior risco entre alguns participantes.

Quadro 6. Tipos de Investimentos

Número de Entrevistados

Percentual (%)

Tipos de Investimentos

51

83,60%

Renda Fixa (CBD/RDC/Caixinha do Nubank)

34

55,70%

Ações

20

32,80%

Fundos de Investimento

18

29,50%

Criptomoedas

10

16,40%

Previdência

6

9,80%

Poupança

4

6,60%

Letras de Crédito

1

1,60%

Imóveis

Fonte: Autor 2024

Assim, a análise sobre realização de investimentos por acadêmicos de nível de graduação obteve um resultado mais expressivo que aponta para a preparação para a aposentadoria como o objetivo predominante, representando 44 acadêmicos (72,13%). Esse objetivo traz ênfase no planejamento de longo prazo, indicando uma compreensão da importância da previdência e da necessidade de acumulação de recursos para o futuro. Este dado sugere, pelo menos parcialmente, a consciência dos acadêmicos sobre a necessidade de um planejamento previdenciário.

Paralelamente, observa-se que 12 acadêmicos (19,67%) têm objetivos de curto e médio prazo: a aquisição de bens imóveis e móveis, e a realização de viagens. Esses objetivos indicam um desejo de satisfazer as necessidades e desejos mais imediatos. No entanto, chama atenção a parcela de 5 acadêmicos (8%) que declararam não possuir um objetivo de investimento definido.

Quadro 7. Objetivo de Investimento

Número de Acadêmicos

Percentual (%)

Objetivo de Investimento

44

72,13%

Preparação para a aposentadoria

12

19,67%

Curto e médio prazo (bens/imóveis, viagens)

5

8,00%

Nenhum objetivo definido

Fonte: Autor 2024

Assim, o Quadro 7 destaca uma lacuna crucial no processo de gerenciamento financeiro e reforça a necessidade de intervenções mais robustas para promover o planejamento financeiro e a definição de metas claras e realistas para a produção de uma estratégia financeira e de investimento. A ausência de objetivos definidos pode ser indicativa de diversos fatores, incluindo baixo nível de conhecimento financeiro, ausência de planejamento, ou mesmo, de restrições financeiras que impedem a alocação de recursos em investimentos, ademais, por se tratarem de acadêmicos que estão próximos a conclusão do curso e deveriam entender a necessidade de definirem objetivos de investimentos a curto prazo.

Dessa forma, revelou-se que a complexidade do perfil de investimento de acadêmicos, desafiando a classificação simplista em perfis conservador, moderado e arrojado apresentados por Cerbasi (2018). Embora a autopercepção apontasse para uma predominância de perfis moderados, a análise dos investimentos efetivamente realizados mostrou uma combinação de aversão a risco com a busca por rentabilidade, influenciada por fatores como idade, situação financeira e objetivos de curto e longo prazo. Portanto, os objetivos financeiros corroboram essa complexidade. A preparação para a aposentadoria prevalece, demonstrando consciência sobre a necessidade e preocupação ao longo prazo, entretanto, a presença de objetivos de curto e médio prazo, em aquisição de bens e viagens, focada no desejo imediato, e a ausência de objetivos definidos da amostra ressalta uma necessidade de gerenciamento financeiro para esse público.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

O presente estudo teve como objetivo analisar a relação entre conhecimento financeiro e comportamento de investimento entre estudantes universitários do curso de Administração da Universidade Estadual de Maringá. A partir da aplicação de questionário estruturado junto a 61 acadêmicos, foi possível identificar aspectos relacionados ao perfil socioeconômico dos respondentes, às formas de busca por conhecimento financeiro, aos principais desafios na gestão das finanças pessoais e às práticas de investimento adotadas.

Os resultados demonstram que os estudantes apresentam elevada participação em investimentos, com predominância de aplicações em renda fixa, mas também com presença significativa de investimentos em ações, fundos e criptomoedas. Esse achado indica que o comportamento de investimento dos acadêmicos não se limita a práticas conservadoras, revelando uma composição híbrida entre segurança, busca por rentabilidade e experimentação de diferentes modalidades financeiras.

Também se observou que as principais fontes de conhecimento financeiro utilizadas pelos estudantes estão associadas a meios digitais, especialmente vídeos, sites e cursos online. Esse resultado evidencia que o conhecimento financeiro entre jovens universitários tem sido construído de forma cada vez mais conectada às plataformas digitais, o que amplia o acesso à informação, mas também exige maior capacidade crítica para avaliar a qualidade e a confiabilidade dos conteúdos consumidos.

Em relação ao perfil de investidor, verificou-se predominância dos perfis moderado e conservador, embora parte dos respondentes também demonstre abertura para ativos de maior risco. Essa combinação sugere que o comportamento de investimento dos acadêmicos é influenciado tanto por sua condição socioeconômica quanto pelo nível de conhecimento financeiro e pelas possibilidades de acesso às plataformas de investimento.

Dessa forma, os resultados indicam que o conhecimento financeiro exerce papel relevante na formação do comportamento de investimento dos estudantes, especialmente na definição de objetivos financeiros, na escolha dos produtos de investimento e na percepção sobre risco e retorno. Assim, a pesquisa contribui para o debate sobre educação financeira no ensino superior, ao demonstrar que a formação acadêmica em Administração pode ser um espaço importante para o desenvolvimento de práticas financeiras mais conscientes, planejadas e orientadas ao longo prazo.

Como limitação, destaca-se que a pesquisa foi realizada com estudantes de um único curso e de uma única instituição, com amostra composta majoritariamente por jovens entre 18 e 25 anos. Além disso, os dados foram obtidos por meio de questionário autorrespondido, o que pode refletir percepções subjetivas dos participantes sobre seus próprios conhecimentos e práticas financeiras.

Para pesquisas futuras, recomenda-se ampliar a amostra para estudantes de diferentes cursos, instituições e regiões, bem como realizar cruzamentos estatísticos entre conhecimento financeiro, renda, perfil de investidor e tipos de investimento realizados. Também se sugere investigar de forma mais aprofundada o papel das redes sociais, influenciadores digitais e plataformas financeiras na construção do conhecimento financeiro e das decisões de investimento entre jovens universitários.

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