O IMPACTO DA MUSICOTERAPIA NO CUIDADO DE PACIENTES COM DOENÇA DE ALZHEIMER E DEMÊNCIA

THE IMPACT OF MUSIC THERAPY IN THE CARE OF PATIENTS WITH ALZHEIMER'S DISEASE AND DEMENTIA

REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/781555889

RESUMO
A musicoterapia tem sido investigada como estratégia complementar no cuidado de pacientes com doença de Alzheimer e demência devido ao seu potencial impacto sobre aspectos cognitivos, comportamentais, emocionais, sociais e relacionados à qualidade de vida. O presente estudo teve como objetivo analisar os impactos da musicoterapia nesses pacientes por meio de uma revisão integrativa da literatura realizada nas bases PubMed/MEDLINE, Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) e EBSCO, incluindo estudos publicados entre 2021 e 2025, nos idiomas português e inglês. Após a aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, 20 artigos foram selecionados para análise, sendo 16 incluídos na síntese qualitativa final. Os estudos analisados demonstraram que a musicoterapia apresenta potencial terapêutico relevante, principalmente na redução de sintomas emocionais e comportamentais, promoção da interação social e possível benefício sobre cognição e qualidade de vida. Intervenções musicais ativas e personalizadas apresentaram resultados mais expressivos quando comparadas a abordagens receptivas ou não individualizadas. Entretanto, observou-se importante heterogeneidade metodológica entre os estudos incluídos, especialmente quanto aos protocolos de intervenção, duração das sessões e instrumentos de avaliação utilizados. Conclui-se que a musicoterapia se configura como uma estratégia complementar promissora no cuidado de pacientes com doença de Alzheimer e demência, sobretudo em relação aos aspectos emocionais, comportamentais e psicossociais, embora ainda sejam necessários estudos mais robustos e padronizados para fortalecimento das evidências científicas disponíveis.
Palavras-chave: Doença de Alzheimer; Demência; Musicoterapia; Cognição; Qualidade de vida.

ABSTRACT
Music therapy has been investigated as a complementary strategy in the care of patients with Alzheimer’s disease and dementia due to its potential impact on cognitive, behavioral, emotional, social, and quality-of-life outcomes. This study aimed to analyze the effects of music therapy in these patients through an integrative literature review conducted in the PubMed/MEDLINE, Virtual Health Library (VHL), and EBSCO databases, including studies published between 2021 and 2025 in Portuguese and English. After applying the inclusion and exclusion criteria, 20 articles were selected for analysis, of which 16 were included in the final qualitative synthesis. The analyzed studies demonstrated that music therapy has relevant therapeutic potential, particularly in reducing emotional and behavioral symptoms, promoting social interaction, and providing possible benefits for cognition and quality of life. Active and personalized musical interventions showed more expressive results when compared to receptive or non-individualized approaches. However, significant methodological heterogeneity was observed among the included studies, especially regarding intervention protocols, session duration, and assessment instruments. It is concluded that music therapy represents a promising complementary strategy in the care of patients with Alzheimer’s disease and dementia, particularly concerning emotional, behavioral, and psychosocial aspects, although more robust and standardized studies are still needed to strengthen the available scientific evidence.
Keywords: Alzheimer’s Disease; Dementia; Music Therapy; Cognition; Quality of Life.

1. INTRODUÇÃO

A doença de Alzheimer representa a principal causa de demência no mundo e constitui uma das condições neurodegenerativas de maior impacto clínico, funcional e social na população idosa. Caracteriza-se por um processo progressivo de degeneração neuronal associado principalmente ao comprometimento da memória, linguagem, funções executivas, orientação e capacidade funcional, culminando em perda gradual da autonomia e dependência crescente para realização das atividades de vida diária (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2024; ALZHEIMER’S ASSOCIATION, 2025). O aumento da expectativa de vida observado nas últimas décadas contribuiu significativamente para o crescimento da prevalência da doença, tornando a demência um importante desafio para os sistemas de saúde e para a organização do cuidado ao idoso (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2024).

Além do declínio cognitivo, pacientes com doença de Alzheimer frequentemente apresentam sintomas neuropsiquiátricos, como ansiedade, depressão, irritabilidade, apatia, alterações de humor, agitação e distúrbios comportamentais. Esses sintomas possuem impacto importante sobre a qualidade de vida do paciente e estão diretamente relacionados ao aumento da sobrecarga familiar, institucionalização precoce e maior complexidade no manejo clínico (DELFINO et al., 2021). Dessa forma, o cuidado em demência ultrapassa o tratamento das alterações cognitivas isoladas, exigindo estratégias terapêuticas capazes de contemplar dimensões emocionais, comportamentais, funcionais e sociais da pessoa.

Embora os tratamentos farmacológicos atualmente disponíveis possam contribuir para estabilização parcial de alguns sintomas cognitivos e comportamentais, seus efeitos ainda são limitados quanto à progressão da doença, especialmente em estágios moderados e avançados. Além disso, o uso prolongado de determinados medicamentos pode estar associado a efeitos adversos relevantes em idosos frágeis, reforçando a necessidade de intervenções complementares voltadas para um cuidado mais integral, individualizado e humanizado (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2024; ALZHEIMER’S ASSOCIATION, 2025).

Nesse contexto, as abordagens não farmacológicas vêm recebendo atenção crescente na literatura científica, especialmente aquelas relacionadas à estimulação cognitiva, ao suporte emocional e à promoção da qualidade de vida. Entre essas estratégias, a musicoterapia destaca-se como intervenção terapêutica promissora no cuidado de pessoas com doença de Alzheimer e demência. A música envolve múltiplos circuitos cerebrais relacionados à memória, emoção, atenção, linguagem, ritmo, coordenação motora e interação social, possibilitando ativação neural ampla mesmo em indivíduos com comprometimento cognitivo significativo (VAN DER STEEN et al., 2025; DORRIS et al., 2021).

Estudos sugerem que determinadas respostas musicais podem permanecer relativamente preservadas em pacientes com demência, permitindo que a música seja utilizada como recurso terapêutico para evocação de memórias autobiográficas, expressão emocional, comunicação não verbal e estímulo ao engajamento social (BLEIBEL et al., 2023; JIMÉNEZ-PALOMARES et al., 2024). As intervenções musicais podem ocorrer de diferentes formas, incluindo musicoterapia ativa, caracterizada pela participação do paciente por meio do canto, uso de instrumentos musicais, percussão e exercícios rítmicos, além de abordagens receptivas baseadas em escuta musical dirigida ou playlists personalizadas (GÓMEZ-GALLEGO; GÓMEZ-GARCÍA, 2021).

Intervenções musicais individualizadas também vêm sendo associadas à melhora do bem-estar emocional, redução de agitação e maior interação social em pacientes com demência moderada e grave (MINTZER et al., 2025; SISTI et al., 2024). Além disso, abordagens baseadas em canto terapêutico demonstraram potencial para promoção de benefícios psicossociais e emocionais relevantes em indivíduos institucionalizados (RESCHKE-HERNÁNDEZ et al., 2023; RESCHKE-HERNÁNDEZ et al., 2024).

Nos últimos anos, o número de estudos sobre musicoterapia em demência aumentou significativamente, refletindo maior interesse científico em estratégias complementares voltadas ao cuidado prolongado e à humanização da assistência (HOFBAUER et al., 2022; VAN DER STEEN et al., 2025). Entretanto, apesar dos resultados promissores, a literatura ainda apresenta importante heterogeneidade metodológica, incluindo diferenças relacionadas ao tipo de intervenção, frequência e duração das sessões, estágio da demência, tamanho amostral, delineamento metodológico e instrumentos utilizados para avaliação dos desfechos (BLEIBEL et al., 2023; JIMÉNEZ-PALOMARES et al., 2024). Essa diversidade dificulta a comparação direta entre os estudos e limita a consolidação de evidências mais consistentes sobre a efetividade da musicoterapia em pacientes com Alzheimer.

2. METODOLOGIA

Trata-se de uma pesquisa bibliográfica do tipo revisão integrativa da literatura, de caráter descritivo, exploratório e abordagem quantitativa, desenvolvida com o objetivo de analisar criticamente as evidências científicas relacionadas aos efeitos da musicoterapia em indivíduos com doença de Alzheimer e outras formas de demência. A revisão integrativa foi escolhida por possibilitar a síntese e integração de estudos com diferentes delineamentos metodológicos, permitindo compreensão ampliada e sistematizada do fenômeno investigado, além da identificação de tendências e lacunas na literatura científica (SOUZA; SILVA; CARVALHO, 2010).

A busca dos estudos foi realizada nas bases de dados PubMed/MEDLINE, Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) e EBSCO, selecionadas em função de sua relevância e abrangência na área das ciências da saúde. Foram utilizados descritores controlados provenientes dos vocabulários Medical Subject Headings (MeSH) e Descritores em Ciências da Saúde (DeCS), além de termos livres relacionados à temática investigada. Os descritores foram combinados por meio dos operadores booleanos AND e OR, buscando ampliar a sensibilidade e especificidade das estratégias de busca.

Foram incluídos estudos publicados entre 2021 e 2025, nos idiomas português e inglês, disponíveis na íntegra e que abordassem intervenções musicoterapêuticas aplicadas a indivíduos com doença de Alzheimer ou demência, apresentando desfechos relacionados à cognição, comportamento, humor, interação social ou qualidade de vida. Foram excluídos artigos duplicados, estudos sem descrição metodológica adequada, publicações que não respondiam à questão norteadora da pesquisa e trabalhos sem relação direta com os objetivos da revisão.

O processo de seleção ocorreu em etapas sucessivas, envolvendo leitura de títulos, resumos e análise dos textos completos potencialmente elegíveis. Ao final do processo, 20 estudos foram considerados elegíveis para revisão integrativa, sendo 16 incluídos na síntese qualitativa final após avaliação crítica da consistência metodológica e completude dos dados apresentados.

A extração dos dados foi realizada por meio de matriz estruturada em planilha eletrônica previamente elaborada para padronização das informações coletadas. Foram analisadas variáveis relacionadas à autoria, ano de publicação, país de origem, delineamento metodológico, tamanho amostral, tipo de intervenção musical, instrumentos de avaliação utilizados, desfechos investigados e nível de evidência científica.

Os dados foram organizados e submetidos à análise descritiva com auxílio do software jamovi, versão 2.6. Para variáveis contínuas utilizaram-se medidas de tendência central e dispersão, incluindo média, mediana e desvio-padrão. Para variáveis categóricas foram empregadas frequências absolutas e relativas. Também foram realizadas análises exploratórias de associação entre variáveis categóricas por meio do teste do qui-quadrado (χ²), considerando nível de significância de 5% (p < 0,05).

Os resultados foram sintetizados de forma integrada, combinando análise quantitativa descritiva e síntese narrativa dos achados, permitindo interpretação crítica dos efeitos da musicoterapia sobre cognição, sintomas emocionais e comportamentais, interação social e qualidade de vida em indivíduos com Alzheimer e demência.

Por se tratar de uma revisão integrativa da literatura, sem participação direta de seres humanos ou utilização de dados sigilosos identificáveis, não houve necessidade de submissão ao Comitê de Ética em Pesquisa, conforme preconizado pela Resolução nº 510/2016 do Conselho Nacional de Saúde.

3. RESULTADOS E DISCUSSÕES OU ANÁLISE DOS DADOS

3.1. Caracterização dos Estudos Incluídos

A busca realizada nas bases PubMed/MEDLINE, Biblioteca Virtual em Saúde (BVS/LILACS) e EBSCO resultou inicialmente em 7.016 registros potencialmente relacionados à temática da musicoterapia em pessoas com doença de Alzheimer e demência. Após a remoção de duplicatas e exclusão de estudos sem relação direta com o objetivo desta revisão, permaneceram 75 registros para análise preliminar. Posteriormente, realizou-se leitura dos títulos e resumos, resultando na exclusão de estudos que não abordavam intervenções musicais estruturadas, não avaliavam desfechos clínicos relevantes ou apresentavam inadequação metodológica. Ao final da etapa de elegibilidade, 20 estudos foram incluídos na revisão integrativa, dos quais 16 apresentaram dados completos e consistentes, compondo a síntese qualitativa final (Figura 1).

Figura 1 - Fluxograma do processo de seleção dos estudos incluídos na revisão integrativa.

Fonte: As autoras, 2026.

Os estudos incluídos foram publicados entre 2021 e 2025, com maior concentração nos anos mais recentes, especialmente em 2025 (37,5%) e 2024 (25%). A análise do tamanho amostral demonstrou expressiva heterogeneidade metodológica, com amostras variando entre 10 e 1.472 participantes. Em relação ao delineamento metodológico, observou-se predominância de revisões sistemáticas (37,5%) e ensaios clínicos randomizados (25%), evidenciando o fortalecimento metodológico das pesquisas sobre musicoterapia em demência. Esses achados corroboram a crescente produção científica voltada à avaliação de estratégias não farmacológicas para o cuidado de pessoas com comprometimento cognitivo progressivo (VAN DER STEEN et al., 2025; DORRIS et al., 2021). A distribuição temporal, metodológica e do nível de evidência dos estudos encontra-se apresentada nas Figuras 2, 3 e 4.

Figura 2 - Distribuição dos estudos incluídos segundo o ano de publicação.

Fonte: Dados da pesquisa, 2026.

Figura 3 - Distribuição dos estudos segundo o delineamento metodológico.

Fonte: Dados da pesquisa, 2026.

Figura 4 - Distribuição dos estudos segundo o nível de evidência científica.

Fonte: Dados da pesquisa, 2026.

3.2. Características das Intervenções Musicoterapêuticas e Formatos de Aplicação

As intervenções musicais analisadas apresentaram importante diversidade metodológica. As abordagens classificadas como mistas representaram 56,3% dos estudos incluídos, combinando diferentes estratégias musicais, como escuta receptiva, canto terapêutico, interação musical ativa e protocolos personalizados. A musicoterapia ativa correspondeu a 25% das intervenções analisadas. As características das intervenções encontram-se descritas na Tabela 1.

Tabela 1 - Distribuição dos estudos segundo o tipo de intervenção musical utilizada.

Tipo de intervenção musical

Contadores

% do Total

% acumulada

Mista

9

56.3%

56.3%

Musicoterapia ativa

4

25.0%

81.3%

Outro

2

12.5%

93.8%

Playlist personalizada

1

6.3%

100.0%

Fonte: As autoras, 2026.

Quanto ao formato de aplicação, observou-se predominância de intervenções mistas (43,8%) e em grupo (37,5%), sugerindo maior aplicabilidade da musicoterapia em contextos institucionais e coletivos, especialmente em serviços de cuidado prolongado e instituições de longa permanência para idosos. A diversidade de formatos observada demonstra que a musicoterapia pode ser adaptada às características clínicas e funcionais dos pacientes, favorecendo sua utilização em diferentes contextos assistenciais.

3.3. Efeitos da Musicoterapia Sobre Cognição

Os estudos incluídos concentraram-se predominantemente em desfechos cognitivos, identificados em 81,3% da amostra analisada. Os resultados sugerem que a musicoterapia pode contribuir para melhora ou manutenção de funções relacionadas à memória, orientação, linguagem e cognição global, especialmente quando são utilizadas intervenções ativas que estimulam a participação direta dos pacientes.

DORRIS et al. (2021), BLEIBEL et al. (2023) e JIMÉNEZ-PALOMARES et al. (2024) observaram benefícios cognitivos associados à participação ativa durante as sessões musicais. De forma semelhante, GÓMEZ-GALLEGO e GÓMEZ-GARCÍA (2021) demonstraram que intervenções musicais ativas apresentaram melhores resultados quando comparadas à escuta musical receptiva e aos grupos controle. Esses achados sugerem que atividades envolvendo canto, ritmo e interação musical podem estimular simultaneamente atenção, memória, linguagem e processamento emocional.

Entretanto, apesar dos resultados promissores, a literatura ainda apresenta heterogeneidade metodológica importante, dificultando a consolidação de evidências definitivas sobre a magnitude dos efeitos da musicoterapia sobre cognição.

3.4. Efeitos Emocionais, Comportamentais e Sociais

Além dos aspectos cognitivos, os estudos analisados demonstraram benefícios relevantes sobre sintomas emocionais e comportamentais frequentemente observados em pacientes com doença de Alzheimer e outras demências. Intervenções musicais mostraram potencial para reduzir ansiedade, irritabilidade, agitação e alterações de humor, além de favorecer a expressão emocional e a interação social.

RESCHKE-HERNÁNDEZ et al. (2023) demonstraram que intervenções baseadas em canto promoveram melhora significativa do bem-estar emocional e social em pessoas com demência. De forma semelhante, SISTI et al. (2024) observaram redução de agitação verbal e melhora momentânea do humor por meio de música personalizada. Esses resultados são particularmente relevantes diante da elevada prevalência de sintomas neuropsiquiátricos associados à progressão da doença.

Intervenções personalizadas também apresentaram benefícios sobre humor, estado de alerta e redução da agitação (MINTZER et al., 2025; SISTI et al., 2024), reforçando a importância da individualização terapêutica. Além disso, a musicoterapia em grupo mostrou-se capaz de estimular interação social, participação ativa e engajamento dos pacientes (RASING et al., 2025).

3.5. Qualidade de Vida e Perspectivas Clínicas

A melhora da qualidade de vida apareceu de forma recorrente entre os estudos analisados. SUKUMAR et al. (2024) e HOFBAUER et al. (2022) identificaram benefícios relacionados ao bem-estar psicológico, conforto emocional e participação social em idosos com demência submetidos a intervenções musicais.

Em doenças neurodegenerativas progressivas, nas quais a reversão completa do comprometimento cognitivo não é esperada, estratégias voltadas à promoção de conforto, dignidade e qualidade de vida assumem grande relevância clínica. Nesse contexto, a musicoterapia destaca-se como intervenção complementar de baixo custo, não invasiva e potencialmente capaz de ampliar a humanização do cuidado.

Apesar dos resultados favoráveis, os estudos analisados apresentaram importante heterogeneidade metodológica relacionada aos protocolos utilizados, duração das intervenções, instrumentos de avaliação, tamanho amostral e características das populações estudadas. Dessa forma, embora os achados reforcem o potencial terapêutico da musicoterapia em pacientes com doença de Alzheimer e demência, ainda são necessários estudos mais robustos, padronizados e com acompanhamento longitudinal para fortalecimento das evidências científicas disponíveis.

Quadro 1 - Principais conclusões dos estudos incluídos na revisão integrativa.

Autor, ano e país

Conclusões

Dorris et al., 2021, Estados Unidos 

A musicoterapia ativa melhora discretamente a cognição e pode beneficiar o bem-estar emocional e a qualidade de vida em pacientes com demência.

Jiménez-Palomares et al., 2024, Espanha 

A musicoterapia é eficaz para melhorar déficits cognitivos em pacientes com Alzheimer, promovendo também benefícios emocionais e sociais.

Van Der Steen et al., 2025, Holanda 

A musicoterapia melhora sintomas depressivos, podendo favorecer o comportamento e a interação social, embora não apresente efeito consistente sobre cognição ou qualidade de vida.

Gómez-Gallego et Al., 2021, Espanha 

A musicoterapia ativa apresenta maior eficácia quando comparada à receptiva e ao controle, promovendo melhora na cognição, comportamento e funcionalidade.

Mintzer et al., 2025, Estados Unidos 

A música personalizada constitui uma intervenção eficaz e não invasiva para melhorar o estado clínico e o nível de alerta em pacientes com Alzheimer moderado a grave.

Sukumar et al., 2024, Índia 

A musicoterapia mostra-se uma intervenção promissora para melhorar a qualidade de vida e o bem-estar psicológico em idosos, embora exista heterogeneidade entre os estudos.

Menczel Schrire et al., 2025, Austrália 

Ainda não há resultados disponíveis, sendo um estudo em andamento que busca gerar evidências mais robustas sobre a eficácia da musicoterapia.

Wang et al., 2025, China 

A musicoterapia é uma intervenção não farmacológica promissora em pacientes com Alzheimer, apresentando efeitos positivos em múltiplos domínios clínicos, embora mais estudos sejam necessários.

Bleibel et al., 2023, Líbano 

A musicoterapia demonstra potencial para melhorar funções cognitivas em pacientes com Alzheimer, especialmente em intervenções ativas, ainda que sejam necessários mais estudos.

Reschke-Hernández et al., 2023, Estados Unidos 

A musicoterapia baseada em canto promove melhora significativa no bem-estar emocional e social em pessoas com demência, sendo mais eficaz que atividades não musicais.

Reschke-Hernández et al., 2024, Estados Unidos 

Intervenções musicais baseadas em canto contribuem para melhora do bem-estar psicossocial, sendo a padronização dos protocolos importante para maior aplicabilidade clínica.

Rasing et al., 2025, Países Baixos 

A musicoterapia em grupo pode ser implementada de forma padronizada e adaptável, favorecendo interação social e engajamento em pacientes com demência.

Hofbauer et al., 2022, Alemanha 

Intervenções musicais apresentam resultados promissores em pacientes com demência na comunidade, embora a evidência ainda seja limitada e heterogênea.

Rasing et al., 2025, Alemanha 

Intervenções em grupo, incluindo musicoterapia, podem influenciar o estresse em pacientes com demência, porém os resultados são inconsistentes e dependem de múltiplos fatores.

Sisti et al., 2024, Estados Unidos 

A música personalizada pode reduzir agitação verbal e melhorar o humor momentâneo em pacientes com demência, embora os efeitos sejam limitados e não generalizáveis.

Lee et al., 2022, Austrália 

A maior gravidade da demência está associada a maior carga de sintomas comportamentais e pior qualidade de vida, indicando necessidade de cuidados individualizados.

Fonte: As autoras, 2026.

4. CONCLUSÃO/CONSIDERAÇÕES FINAIS

A presente revisão integrativa permitiu compreender os impactos da musicoterapia no cuidado de pessoas com doença de Alzheimer e demência, atendendo ao objetivo proposto de analisar seus efeitos sobre aspectos cognitivos, comportamentais, emocionais, sociais e relacionados à qualidade de vida. Os achados demonstraram que a musicoterapia constitui uma estratégia complementar promissora, capaz de favorecer o bem-estar emocional, reduzir sintomas comportamentais, estimular a interação social e contribuir para a manutenção de funções cognitivas em diferentes estágios da doença.

Observou-se que intervenções musicais ativas e personalizadas apresentaram resultados mais consistentes quando comparadas a abordagens exclusivamente receptivas, reforçando a importância da individualização do cuidado. Além disso, a utilização da música mostrou potencial para ampliar a humanização da assistência, promovendo maior conforto, participação e qualidade de vida para pacientes e cuidadores.

Como limitações, destaca-se a heterogeneidade metodológica dos estudos analisados, incluindo diferenças nos protocolos de intervenção, duração das sessões, instrumentos de avaliação e características das populações estudadas, fatores que dificultam comparações diretas entre os resultados disponíveis.

Dessa forma, conclui-se que a musicoterapia representa uma alternativa terapêutica relevante no contexto do cuidado integral às pessoas com doença de Alzheimer e demência. Recomenda-se o desenvolvimento de pesquisas futuras com amostras maiores, protocolos padronizados e acompanhamento longitudinal, visando fortalecer as evidências científicas e ampliar a incorporação dessa abordagem na prática clínica e nos serviços de saúde.

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1 Discente do Curso Superior de Medicina do Instituto Afya Centro Universitário SJ del-rei, MG. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

2 Discente do Curso Superior de Medicina do Instituto Afya Centro Universitário SJ del-rei, MG. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail