REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/781236288
RESUMO
O futsal de surdos configura-se como uma prática esportiva que ultrapassa a perspectiva da adaptação técnica, constituindo-se como um espaço de produção cultural, interação social e construção identitária da comunidade surda. Este estudo teve como objetivo identificar e descrever as nuances culturais, técnicas e comunicativas presentes nas estratégias visuais e atitudinais utilizadas por atletas surdos na organização do jogo de futsal. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, de caráter descritivo e comparativo, desenvolvida por meio de revisão bibliográfica, análise documental de materiais audiovisuais em Libras, observação participante em treinos e jogos, além de entrevistas semiestruturadas realizadas com atletas surdos vinculados à Associação dos Surdos de Goiânia. Os dados foram analisados de forma integrada, articulando contribuições teóricas e evidências empíricas. Os resultados evidenciam que a comunicação visual constitui o principal elemento organizador das ações coletivas, sendo operacionalizada por meio da Libras, de sinais convencionados, expressões corporais e estratégias visuais compartilhadas entre os jogadores. Verificou-se que esses sistemas comunicativos favorecem a coordenação tática, a antecipação de jogadas e a tomada de decisão durante as partidas, além de representarem um diferencial estratégico por serem construídos internamente pelas equipes. Observou-se, ainda, a relevância da articulação entre atletas, treinadores e intérpretes no processo de ensino-aprendizagem esportiva, destacando-se a contribuição de profissionais com conhecimento da cultura surda e das especificidades técnico-táticas da modalidade. Conclui-se que o futsal de surdos apresenta uma organização própria, baseada na comunicação visual e na cultura surda, influenciando a dinâmica do jogo e a construção de sua identidade esportiva.
Palavras-chave: Futsal; Estratégias comunicativas visuais; Cultura surda; Libras.
ABSTRACT
Deaf futsal is a sporting practice that extends beyond the perspective of technical adaptation, constituting a space for cultural production, social interaction, and identity construction within the Deaf community. This study aimed to identify and describe the cultural, technical, and communicative nuances present in the visual and attitudinal strategies employed by Deaf athletes in the organization of futsal gameplay. This qualitative, descriptive, and comparative study was conducted through a literature review, documentary analysis of audiovisual materials in Brazilian Sign Language (Libras), participant observation during training sessions and matches, and semi-structured interviews with Deaf athletes affiliated with the Association of the Deaf of Goiânia. Data were analyzed in an integrated manner, combining theoretical contributions and empirical evidence. The results indicate that visual communication constitutes the primary organizing element of collective actions, being operationalized through Libras, conventionalized signs, body expressions, and shared visual strategies among players. These communicative systems were found to enhance tactical coordination, anticipation of plays, and decision-making during matches. Furthermore, they represent a strategic advantage, as they are developed internally within the teams. The findings also highlight the importance of collaboration among athletes, coaches, and interpreters in the sports teaching-learning process, emphasizing the contribution of professionals with knowledge of Deaf culture and the technical-tactical specificities of the sport. It is concluded that Deaf futsal presents its own organizational structure, grounded in visual communication and Deaf culture, which influences both the dynamics of the game and the construction of its sporting identity.
Keywords: Futsal; Visual communication strategies; Deaf culture; Brasilian Sign Language (Libras).
1. INTRODUÇÃO
O futsal, derivado do futebol de campo, constitui-se como uma das modalidades esportivas mais praticadas no Brasil, ao lado do voleibol, handebol e basquetebol. Entretanto, quando observado no contexto dos atletas surdos, percebe-se que sua prática ultrapassa uma simples adaptação esportiva, configurando-se como uma reestruturação comunicacional, cultural e pedagógica da modalidade.
O interesse por esta temática surgiu a partir das vivências e observações da pesquisadora em contextos de práticas esportivas inclusivas, especialmente em espaços frequentados pela comunidade surda, como a Associação dos Surdos de Goiânia. Nesse ambiente, foi possível identificar que o futsal praticado por atletas surdos não apenas reproduz o modelo convencional da modalidade, mas o ressignifica por meio de estratégias visuais, acordos coletivos específicos e formas próprias de comunicação fundamentadas na Língua Brasileira de Sinais (Libras) e em sinais convencionados entre os participantes.
Diante dessa realidade, emerge o seguinte questionamento: como se estruturam as estratégias comunicativas, táticas e culturais utilizadas por atletas surdos no futsal e de que maneira elas contribuem para o desempenho coletivo das equipes?
Segundo Reis e Mezzadri (2017), o futsal de surdos constitui uma variação do futebol de salão adaptada às especificidades linguísticas e culturais da comunidade surda. Em Goiás, sua consolidação ocorreu a partir da organização coletiva de atletas surdos, inicialmente na década de 1970, com participação em competições regionais realizadas em Goiânia e Brasília. Posteriormente, a modalidade passou a se estruturar de forma mais organizada, ampliando sua participação em eventos esportivos e fortalecendo sua representatividade no cenário esportivo estadual.
Diferentemente do futsal convencional, a comunicação durante as partidas não ocorre por meio de comandos sonoros, mas por recursos visuais, expressões corporais, sinais previamente combinados e uma atenção espacial ampliada entre os jogadores. Além disso, a arbitragem também passa por adaptações, utilizando bandeiras e sinais visuais em substituição ao apito, garantindo a acessibilidade e a dinâmica do jogo (SALES, 2011).
Atualmente, o futsal de surdos é organizado pela Confederação Brasileira de Desportos de Surdos (CBDS), fundada em 1984, e praticado em diversas associações e federações estaduais. Em Goiás, a modalidade é fortalecida pela atuação da Associação dos Surdos de Goiânia, que promove treinamentos, campeonatos e ações voltadas à integração social e esportiva dos atletas.
Nesse contexto, este estudo tem como objetivo compreender como se estruturam as estratégias comunicativas e táticas utilizadas por atletas surdos no futsal, considerando suas especificidades linguísticas, culturais e visuais, bem como analisar sua contribuição para o desempenho coletivo das equipes e para a construção de uma identidade esportiva própria.
2. DESENVOLVIMENTO
2.1. Cultura Surda e Identidade Linguística
A compreensão do futsal praticado por atletas surdos requer, inicialmente, o reconhecimento da surdez para além de uma perspectiva estritamente biomédica (Emiliavaca; Pasqualotti; De Brum Palmeiras, 2023).
Durante décadas, a surdez foi predominantemente compreendida como uma deficiência associada à ausência ou à redução da capacidade auditiva (Abreu, 2020).
Entretanto, estudos desenvolvidos no campo da educação de surdos passaram a defender uma perspectiva sociocultural, reconhecendo a existência de uma comunidade linguística e culturalmente constituída (Araújo; Nascimento, 2024). Segundo Cue (2025), a cultura surda é composta por práticas, valores, costumes e formas específicas de interação social compartilhadas pelos sujeitos surdos.
Nesse contexto, a experiência visual assume papel central na construção do conhecimento e na organização das relações sociais (Mitchell, 2002). Para De Meulder et al. (2019), a identidade surda é produzida a partir das experiências coletivas da comunidade surda, especialmente por meio da língua de sinais e das formas visuais de comunicação.
Essa perspectiva permite compreender que a surdez não deve ser reduzida a uma condição biológica, mas entendida como uma experiência cultural marcada por modos particulares de perceber e interagir com o mundo (Witchs; Lopes, 2015). Tais características influenciam diretamente diferentes espaços de participação social, incluindo o contexto esportivo.
2.2. Esporte, Inclusão e Participação da Comunidade Surda
O esporte constitui um importante espaço de socialização, desenvolvimento humano e construção de pertencimento (Spaaij et al., 2023). Para a comunidade surda, sua prática assume ainda uma dimensão cultural relevante, uma vez que possibilita a valorização da identidade surda e o fortalecimento dos vínculos comunitários (Santana; Bergamo, 2005).
De acordo com Reis e Mezzadri (2017), o esporte para surdos ultrapassa a dimensão competitiva, configurando-se também como um espaço de reconhecimento social e de fortalecimento da participação coletiva. Nesse sentido, as modalidades esportivas adaptadas às especificidades comunicativas dos atletas surdos contribuem para a ampliação das oportunidades de inclusão e para a valorização de suas potencialidades (Albuquerque; De Paula; Amaral, 2024).
No Brasil, a organização esportiva da comunidade surda ocorre por meio da Confederação Brasileira de Desportos de Surdos (CBDS), responsável pela promoção de eventos esportivos e pela representação nacional em competições internacionais. Essa estrutura contribui para o fortalecimento das modalidades esportivas praticadas por pessoas surdas e para a ampliação de sua visibilidade social.
2.3. O Futsal de Surdos e Suas Especificidades
Entre as modalidades esportivas praticadas pela comunidade surda, o futsal destaca-se por sua ampla difusão e participação em competições regionais, nacionais e internacionais (Silva; Francis, 2020). Embora mantenha as características fundamentais do futsal convencional, sua prática apresenta adaptações relacionadas às especificidades linguísticas e comunicativas dos atletas (Corrêa et al., 2014).
Segundo Sales (2011), uma das principais adaptações refere-se à substituição de recursos sonoros por recursos visuais. Assim, bandeiras, sinalizações luminosas, cartões adaptados e gestos padronizados são utilizados para comunicar informações que, no futsal convencional, seriam transmitidas por meio do apito ou de comandos sonoros. Além das adaptações regulamentares, o futsal de surdos desenvolveu formas próprias de organização coletiva.
Logo, a necessidade de comunicação visual permanente favorece a construção de estratégias específicas de interação entre os jogadores, contribuindo para a coordenação das ações durante as partidas.
2.4. Comunicação Visual e Estratégias Táticas no Futsal
A comunicação constitui um dos elementos centrais para o desempenho em modalidades esportivas coletivas (Oh, 2023).
No futsal de surdos, esse processo ocorre predominantemente por meio da visualidade, característica fortemente presente na cultura surda. A observação constante do ambiente, a leitura dos movimentos corporais e a utilização de sinais convencionados entre os atletas possibilitam a organização das ações coletivas durante o jogo (Nascimento et al., 2021). Dessa forma, a comunicação visual torna-se um componente essencial para a tomada de decisão, a antecipação de jogadas e a coordenação das movimentações táticas (Passos et al., 2008).
Nesse contexto, os sinais previamente combinados entre os integrantes da equipe assumem papel estratégico (Converse; Cannon-Bowers; Salas, 1991). Esses códigos permitem a transmissão rápida de informações relacionadas a posicionamentos, jogadas ensaiadas e alterações táticas, favorecendo a eficiência da comunicação durante as partidas. Além disso, por serem construídos internamente pelas equipes, tais sinais frequentemente não são compreendidos pelos adversários, podendo representar uma vantagem competitiva.
Logo, os materiais audiovisuais produzidos pelo professor Zacaron evidenciam a importância desses recursos comunicativos ao demonstrar como os atletas utilizam sinais específicos para organizar diferentes situações de jogo. Os conteúdos analisados revelam que a comunicação visual ultrapassa o uso convencional da Libras, incorporando códigos próprios desenvolvidos no contexto esportivo.
2.5. O Papel do Treinador e do Intérprete no Processo Esportivo
Outro aspecto relevante para a compreensão do futsal de surdos refere-se à relação entre atletas, treinadores e intérpretes. A qualidade dessa interação influencia diretamente os processos de ensino, aprendizagem e desempenho esportivo (Lamas; Morales, 2022).
Quando o treinador pertence à comunidade surda, observa-se uma maior proximidade linguística e cultural com os atletas. Essa condição favorece a elaboração de estratégias pedagógicas mais adequadas às necessidades comunicativas da equipe e fortalece os processos de identificação e pertencimento (Franco, 2019).
Nos contextos em que há a participação de intérpretes de Libras, sua atuação torna-se fundamental para a mediação entre os diferentes sujeitos envolvidos no processo esportivo. Além da fluência linguística, conhecimentos específicos sobre Educação Física e futsal podem contribuir significativamente para a qualidade dessa mediação, permitindo maior precisão na tradução de conceitos técnicos e táticos.
Dessa forma, a atuação conjunta de treinadores, intérpretes e atletas constitui um elemento fundamental para o desenvolvimento das práticas esportivas no contexto da surdez.
3. METODOLOGIA
A presente pesquisa caracterizou-se por uma abordagem qualitativa, de natureza descritiva e comparativa, com o objetivo de compreender e analisar o fenômeno investigado a partir de múltiplas fontes de dados. O estudo foi desenvolvido por meio de uma revisão bibliográfica comparativa entre os discursos textuais que constituíram desde artigos científicos envolvendo o tem, teses, dissertações, vídeo – registros em Libras, mas todos retirados de plataformas/sites de acesso livre ao público.
A análise foi conduzida por meio de uma abordagem descritivo-comparativa, articulando, de forma integrada, os dados provenientes da revisão bibliográfica, das entrevistas e das observações de campo. Essa estratégia metodológica permitiu não apenas a descrição dos elementos empíricos, mas também a comparação sistemática entre diferentes fontes de evidência, favorecendo a identificação de convergências, divergências e complementaridades no interior do corpus analisado.
Com vistas à organização e à sistematização dos achados, foi elaborado um quadro-síntese destinado à apresentação dos principais estudos selecionados e de suas respectivas contribuições para a temática investigada, conforme apresentado na Tabela 1. Esse instrumento teve como finalidade facilitar a visualização comparativa das abordagens teóricas e empíricas, evidenciando os aportes centrais de cada produção científica para a construção do referencial analítico da pesquisa.
Tabela 1 – Síntese dos estudos e contribuições
Autor / Fonte | Tipo | Contribuição para o estudo |
Reis e Mezzadri (2017) | Artigo | Definição do futsal de surdos e contexto histórico |
Sales (2011) | Livro/artigo | Adaptações da arbitragem e comunicação visual |
CBDS (1984) | Institucional | Estrutura organizacional do esporte surdo no Brasil |
Zacaron (vídeos em Libras) | Audiovisual | Estratégias de jogo, sinais e comunicação tática |
Associação de Surdos de Goiânia | Campo | Observação prática e vivência esportiva |
Fonte: Próprios autores.
4. RESULTADOS E DISCUSSÕES OU ANÁLISE DOS DADOS
Os resultados desta investigação evidenciam que o futsal de surdos se estrutura a partir de um sistema comunicativo predominantemente visual. Mais do que, simplesmente, substituir a comunicação sonora e que está presente no futsal convencional, esse sistema é redefinido para se adequar à própria lógica organizacional e regras adaptadas para a efetivação do jogo, seguindo as descrições da Confederação de Paradesportos, com foco no Futsal para Surdos, como o exemplo vivenciado em eventos como nas ocorridas em Surdolimpíadas.
Em quadra, a comunicação ocorre de maneira integrada entre a Língua Brasileira de Sinais (Libras), sinais convencionados entre os atletas, expressões corporais e a leitura contextualizada visual funcional constante que ocorre no ambiente do jogo antes, durante e após a efetivação do mesmo, constituindo um sistema híbrido entre dinamicidade e interação comunicativa visual estratégica, com nuances de cada equipe, em sua coletividade.
Esse conjunto de estratégias comunicativas mostrou-se essencial para a coordenação tática, tais como: a antecipação de jogadas e as tomadas de decisões, em tempo real. A análise dos instrumentos bibliográficos investigados que evidenciavam, em alguns textos, entrevistas que foram feitas com jogadores do esporte, somada às descrições de observações participantes em tais artigos/teses etc. que foram utilizados para o levantamento de dados, revelaram que alguns dos atletas surdos, inclusive, podem desenvolver, para além do que já apresentam pelas suas nuances socioculturais do modo de ser surdo, um alto nível de atenção visual periférica e grande sensibilidade aos movimentos dos companheiros de equipe (Werneck, 2014). Essa característica favorece uma leitura de jogo mais contínua e descentralizada.
Tais nuances e estratégias comunicacionais, já comprovam diferenças marcantes quando comparadas às vivencias de jogadores profissionais, praticantes do futsal convencional, em que os comandos verbais, ou sonoros.
Logo, se nota, frequentemente, que os ajustes táticos orientam, a forma de organização estratégica dos jogadores no futsal de surdos e tais organizações das ações dependem da constante vigilância visual entre os jogadores e o contexto funcional durante todo o jogo em si. Esse aspecto reforça a ideia de que a comunicação não é apenas um instrumento auxiliar, mas o próprio eixo estruturante da prática esportiva. Outro achado relevante diz respeito ao uso de sinais específicos criados internamente pelas equipes. Esses códigos, muitas vezes desconhecidos pelos adversários, funcionam como recursos estratégicos que potencializam a eficácia das ações ofensivas e defensivas.
Tal resultado corrobora a literatura ao indicar que sistemas de comunicação compartilhados e construídos coletivamente tendem a melhorar o desempenho em esportes coletivos (Converse; Cannon-Bowers; Salas, 1991). No contexto investigado, esses sinais não apenas organizam o jogo, mas também produzem uma dimensão tática própria da cultura esportiva surda, evidenciando um diferencial competitivo fundamentado na linguagem. No que se refere à dimensão sociocultural, os dados reforçam que o futsal de surdos ultrapassa a lógica da adaptação esportiva, configurando-se como um espaço de afirmação identitária e cultural.
A centralidade da Libras e das práticas visuais de comunicação fortalece os vínculos comunitários e contribui para a consolidação de uma identidade esportiva surda. Nesse sentido, o jogo não é apenas um espaço de desempenho físico, mas também de produção cultural e de reconhecimento social, conforme discutido por autores que compreendem o esporte como lugar de pertencimento e interação social. A presença de treinadores surdos ou com fluência em Libras mostrou-se um fator relevante para a qualidade do processo de ensino-aprendizagem esportiva.
Observou-se que a proximidade linguística e cultural entre treinador e atletas favorece a clareza das instruções táticas, a construção de estratégias mais eficazes e o fortalecimento do vínculo coletivo da equipe. Nos casos em que há a atuação de intérpretes, sua mediação torna-se fundamental, embora dependa fortemente de conhecimentos técnicos específicos da modalidade para garantir a precisão das informações transmitidas. Assim, os dados apontam que a qualidade da comunicação técnica influencia diretamente o desempenho coletivo. As observações realizadas em treinos e jogos também indicaram que a organização espacial das equipes tende a ser mais responsiva e adaptativa, uma vez que os jogadores ajustam suas ações continuamente com base na leitura visual do comportamento dos colegas e adversários.
Esse padrão de jogo sugere uma dinâmica menos dependente de comandos centralizados e mais baseada em interações descentralizadas e contínuas, o que pode resultar em maior fluidez tática em determinadas situações de jogo. Em síntese, os resultados permitem afirmar que o futsal de surdos constitui uma modalidade esportiva com organização própria, na qual a comunicação visual assume papel estruturante e determina a forma como o jogo é pensado, executado e interpretado. Essa configuração não representa uma simples adaptação do futsal convencional, mas a construção de um modelo comunicativo e tático singular, profundamente articulado à cultura surda.
Dessa forma, confirma-se a hipótese de que as estratégias visuais e comunicativas utilizadas pelos atletas surdos não apenas viabilizam a prática esportiva, mas também constituem um diferencial estratégico e identitário dentro da modalidade.
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Em suma o estudo evidencia que o futsal de surdos não se restringe a uma simples adaptação do esporte convencional, configurando-se como uma prática esportiva culturalmente constituída, marcada pelo uso de estratégias visuais específicas, por sistemas comunicativos complexos e por uma forte organização coletiva.
Além disso, destaca-se a relevância da atuação de profissionais qualificados como mediadores do processo, especialmente Intérpretes de Língua de Sinais, na qual acompanham a equipe desde os treinos e refinam alinhamentos, fortalecendo uma relação e conexão confortável de confiança ética e profissional, se sentido parte da equipe em si, reconsidera e cria sinais com peculiaridades entre a equipe durante os treinos e, se preciso for os modificas segundo as demandas, até mesmo durante os jogos competitivos, mas em momentos propícios sem prejuízos no desempenho de cada integrante da equipe e de trabalho do intérprete sim si ( Sales, 2011) e treinadores com formação em Educação Física com conhecimentos sobre a cultura surda, de modo a favorecer uma prática esportiva mais eficiente, inclusiva e equitativa.
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1 Pós Doutora em Análise do Discurso. Docente na Universidade Federal de Goiás – UFG. Especialização em Esportes e Atividades de Físicas Inclusivas para pessoas com Deficiência. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. ORCID: https://orcid.org/0000-0002-9748-8772
2 Professor Doutor Associado da Faculdade de Educação Física e Desportos da Universidade Federal de Juiz de Fora (FAEFID-UFJF) e do Curso de Especialização Esportes e Atividades de Físicas Inclusivas para pessoas com Deficiência.