REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/784816070
RESUMO
Este artigo investiga as relações entre o terceiro domínio da ontologia histórica de Michel Foucault — o domínio ético — e os processos de subjetivação no cenário contemporâneo da educação brasileira, tensionado pela racionalidade neoliberal. De cunho qualitativo e com amparo em pesquisa bibliográfica, o trabalho propõe a "curadoria de si" como uma provocação pedagógica emancipatória e um vetor de resistência ativa. Para tanto, articula-se a tríade conceitual foucaultiana composta pelo cuidado de si (epimeleia heautou), pela psicagogia e pela parresía. Frente aos perigos da contemporaneidade, marcados pelo esgotamento psíquico e pela redução do educando à figura mercantil do "empresário de si mesmo", o estudo ressignifica a metodologia digital do "Segundo Cérebro" (SC), operada por meio do software Obsidian. Longe de figurar como uma engrenagem de produtividade utilitarista ou de colonialismo de dados, o Segundo Cérebro é reposicionado como uma autêntica tecnologia do eu contemporânea e um equipamento de verdades (paraskeué) digitalmente estruturado. Em diálogo com a pedagogia libertadora de Paulo Freire e a pedagogia histórico-crítica de Dermeval Saviani, conclui-se que o Segundo Cérebro, ao instrumentalizar cartografias de saberes coletivos e autorais nos laboratórios de aprendizagem, funciona como um arquivo de resistência cognitiva e ética no chão da escola pública. O trabalho convida educadores, pesquisadores e leitores à urgente tarefa da curadoria de si, visando desestabilizar as práticas de exame e converter a trajetória de vida em uma singular obra de arte.
Palavras-chave: Michel Foucault; Curadoria de si; Segundo Cérebro; Tecnologia do eu; Educação brasileira.
ABSTRACT
This article investigates the relationships between the third domain of Michel Foucault’s historical ontology—the ethical domain—and the processes of subjectivation in the contemporary landscape of Brazilian education, which is currently strained by neoliberal rationality. Qualitative in nature and grounded in bibliographical research, this study proposes "self-curation" as an emancipatory pedagogical provocation and a vector of active resistance. To this end, it articulates the Foucaultian conceptual triad consisting of the care of the self (epimeleia heautou), psychagogy, and parrhesia. Facing contemporary dangers marked by mental exhaustion and the reduction of the learner to the mercantile figure of the "entrepreneur of the self," this study reframes the "Second Brain" (SB) digital methodology, operated through the Obsidian software. Far from serving as a mechanism of utilitarian productivity or data colonialism, the Second Brain is repositioned as an authentic contemporary technology of the self and a digitally structured equipment of truths (paraskeué). In dialogue with Paulo Freire's liberating pedagogy and Dermeval Saviani’s historical-critical pedagogy, we conclude that the Second Brain, by instrumentalizing cartographies of collective and authorial knowledge within learning laboratories, functions as an archive of cognitive and ethical resistance on the public school floor. This study invites educators, researchers, and readers to the urgent task of self-curation, aiming to destabilize examination practices and convert one’s life trajectory into a singular work of art.
Keywords: Michel Foucault; Self-curation; Second Brain; Technology of the self; Brazilian education.
1. INTRODUÇÃO
A educação, quando compreendida em seu sentido mais profundo de formação humana, transcende a mera transmissão de conhecimentos técnicos ou o acúmulo de informações para se consolidar como uma ferramenta de intervenção na relação do sujeito consigo mesmo e com o mundo. Nesse contexto, a curadoria de si emerge como uma prática ética e estética fundamental, sustentada pelo que Michel Foucault denomina o terceiro domínio ou domínio ético, cuja investigação se debruça sobre como o indivíduo se constitui como sujeito moral de suas próprias ações.
Para fundamentar essa discussão, é imprescindível resgatar a tríade conceitual foucaultiana composta pela psicagogia, pela parresía e pelo cuidado de si. A psicagogia, definida como a "condução das almas", apresenta-se como a dimensão filosófica da pedagogia, visando não apenas dotar o sujeito de aptidões, mas provocar uma transformação real em seu modo de ser para que ele possa acessar a verdade. Complementarmente, a parresía, ou a "coragem da verdade", atua como o ato de falar franco que permite ao educando e ao educador romperem com máscaras institucionais e conformismos sociais, vinculando seu discurso à sua própria vida de maneira autêntica. Por fim, o cuidado de si (epimeleia heautou) não deve ser confundido com um narcisismo isolado, mas entendido como uma "armadura ética" e um exercício de liberdade indispensável para que o indivíduo resista aos processos de docilização e normalização impostos pelas instituições.
Sob a lente da hermenêutica de si, a subjetividade humana deixa de ser um dado estático para tornar-se um devir biográfico, um projeto inacabado de interpretação constante da própria experiência vivida. Nessa perspectiva, o sujeito utiliza as "tecnologias do eu" para reinterpretar sua trajetória e exercer autonomia frente aos dispositivos de poder.
A proposta desta investigação decorre de uma jornada de doutoramento na área da Filosofia da Educação (2022-2026), intitulada "Por uma filosofia do eu: o terceiro domínio foucaultiano e a hermenêutica de si", sob orientação do Professor Dr. Walter Matias Lima. Este artigo, de cunho qualitativo, desenvolve uma pesquisa bibliográfica sobre as relações entre o terceiro domínio foucaultiano e os processos de subjetivação. Para além das hipóteses iniciais da pesquisa, o percurso propiciou a abertura de novas indagações e questionamentos. Para tanto, as referências centrais do texto são as obras de Michel Foucault, notadamente os livros: A Hermenêutica do Sujeito (1985b); O Governo de si e dos outros (2010); A Coragem da verdade (2011); História da Sexualidade I: a vontade de saber (2009a); História da Sexualidade II: o uso dos prazeres (2009b); e História da Sexualidade III: o cuidado de si (1985a), além de interlocuções com autores como Santos (2022; 2026), Veiga-Neto (2016; 2018) e Castro (2018).
A presente discussão organiza-se em três eixos analíticos profundamente interligados, configurando um convite transdisciplinar. No primeiro momento, sob o título "A educação brasileira em evidência: reflexões sobre o presente", delineia-se um itinerário crítico sobre as complexas configurações e os tensionamentos do cenário educacional contemporâneo no país. Em seguida, na seção "Michel Foucault e o terceiro domínio", a investigação debruça-se sobre o domínio ético e a coerência conceitual da tríade constituída pela psicagogia, pela parresía e pelo cuidado de si.
Por fim, em "A curadoria de si como provocação pedagógica", essas discussões convergem para propor novas possibilidades de ação e resistência, culminando em uma reflexão que visa subverter a racionalidade mercadológica e resgatar a emancipação do sujeito. Nesse sentido, a tessitura do texto convida à reflexão sobre os processos da curadoria de si como provocação e intervenção pedagógica. As demandas urgentes impostas pela sociedade contemporânea carecem de reflexões que auxiliem a questionar as relações do presente e, sobretudo, a criar novos fazeres pedagógicos rumo a uma educação integral. Nela, o sujeito é considerado em sua totalidade — uma espécie de obra de arte em constante (trans)formação e (re)construção.
Na contemporaneidade, a prática da curadoria de si encontra novos suportes em ferramentas como o Segundo Cérebro (SC). O SC funciona como um "laboratório de si" e um repositório dinâmico onde o sujeito, ao organizar e interligar seus conhecimentos de forma estruturada, assume o papel de curador de sua própria base de conhecimento e de sua subjetividade. Assim, a educação mediada por uma Filosofia do Eu propõe um viés humanizador para a tecnologia, transformando o que seria um instrumento de vigilância em um suporte reflexivo para o fortalecimento da autonomia e da autoria de si mesmo.
2. A EDUCAÇÃO BRASILEIRA EM EVIDÊNCIA: REFLEXÕES SOBRE O PRESENTE
A história da educação brasileira não se desenha como uma linha reta de progresso, mas como um processo marcado por profundas descontinuidades e tensões dialéticas entre projetos de sociedade antagônicos. Desde a gênese da organização escolar no século XVI, pautada pela catequese e pelo autoritarismo pedagógico da vertente tradicional religiosa, a educação serviu como instrumento de aculturação e disciplina. Somente no século XX, com o Manifesto dos Pioneiros da Escola Nova em 1932, ocorreu uma ruptura paradigmática que defendeu a laicidade e a gratuidade como pilares da democratização, embora ainda vinculada às exigências de desenvolvimento do sistema capitalista. Essa trajetória democrática sofreu uma interrupção drástica com o Golpe Civil-Militar de 1964, que reconfigurou a escola como um dispositivo de biopoder voltado à docilização de corpos e ao controle social rigoroso, deixando marcas autoritárias que ainda ecoam na contemporaneidade.
A redemocratização e a Constituição de 1988 abriram caminho para pedagogias críticas que visavam romper com a "educação bancária", mas o decênio iniciado em 2016 revelou a fragilidade dessas conquistas frente ao avanço do neoconservadorismo e do neoliberalismo. O período pós-impeachment de 2016, marcado pela Emenda Constitucional nº 95 e pela Reforma do Ensino Médio, instaurou uma racionalidade governamental tecnocrática que submete o direito social à educação às métricas de eficiência do mercado financeiro. Sob essa ótica, as reformas contemporâneas, como a implementação do "Projeto de vida", operam como tecnologias de governo que buscam produzir o "empresário de si mesmo". Nesse cenário, o estudante é induzido a gerir seus próprios riscos e precariedades sob o rótulo da resiliência, desonerando o Estado de suas obrigações estruturais, enquanto cortes orçamentários severos comprometem áreas estratégicas como a pesquisa e a educação básica.
Atualmente, a educação enfrenta os "perigos da contemporaneidade" em uma sociedade do desempenho que substituiu a coerção externa pelo imperativo interno de autoexploração e performance ilimitada. Fenômenos como a plataformização da educação e a militarização de escolas civis aprofundam esse cenário de controle algorítmico e disciplinamento ostensivo, reduzindo o espaço da alteridade e do debate crítico. Essa engrenagem de produtividade ininterrupta, aliada ao esvaziamento de investimentos, culmina em uma crise de saúde mental sem precedentes entre docentes e discentes, manifestada em patologias como o burnout, fruto de uma racionalidade que colonizou o desejo e o tempo. A escola, muitas vezes, acaba mimetizando a lógica mercantil de concorrência, distanciando-se de sua função social e emancipatória.
Diante dessa barbárie mercadológica, o pensamento de Paulo Freire ressurge com o conceito de "esperançar", compreendido não como espera passiva, mas como uma atitude ética e política de resistência ativa. Articulando a pedagogia histórico-crítica de Saviani à ética do último Foucault, o esperançar materializa-se na parresía pedagógica - a coragem de dizer a verdade frente ao anti-intelectualismo - e no cuidado de si. O cuidado de si, longe de ser um narcisismo, constitui-se como um ato político de recusar-se a ser governado por artifícios de dominação, promovendo a autoconstituição de comunidades de acolhimento e escuta. Assim, a escola pública deve ser reafirmada como um território de suspensão do tempo produtivo, onde o encontro entre mestre e discípulo arme o sujeito com o pensamento crítico necessário para a reinvenção de si e a transformação emancipatória da realidade social.
3. MICHEL FOUCAULT E O TERCEIRO DOMÍNIO
O terceiro domínio da ontologia histórica de Michel Foucault delineia o campo da ética, compreendida aqui não como a submissão a códigos prescritivos ou a formulação de juízos normativos sobre o comportamento, mas sim como a investigação minuciosa de como o sujeito se constitui e se modifica como sujeito moral de suas próprias ações (Foucault, 1983; Veiga-Neto, 2016). Trata-se, fundamentalmente, da ética pensada como a relação do sujeito para consigo mesmo. Inspirada nessa premissa, a análise das práticas pedagógicas contemporâneas ganha inteligibilidade ao investigar os regimes que as constituem e que, dialeticamente, são constituídos por elas (Veiga-Neto, 2016). Ao perscrutar as práticas discursivas e não discursivas "de fora", desvelam-se os mecanismos de poder, os saberes e os processos de subjetivação que estruturam o campo educacional. Esse olhar afasta a busca por verdades absolutas e respostas definitivas, propondo, em contrapartida, uma postura crítica diante das contingências históricas, sociais e culturais que dão contorno e viabilidade às práticas educativas.
Sob esse prisma, o sujeito moderno não se apresenta como um dado natural ou um receptor passivo de injunções externas, mas como um constructo tridimensional erguido no entrelaçamento dinâmico entre os domínios do ser-saber, do ser-poder e do ser-consigo (Veiga-Neto, 2016). No âmbito específico do terceiro domínio, o indivíduo constitui-se ativamente por meio de um conjunto de tecnologias que Foucault (2008b) sistematiza em quatro matrizes fundamentais: as tecnologias de produção, destinadas a produzir, transformar ou manipular as coisas; as tecnologias de sistemas de signos, que viabilizam o uso de sentidos, símbolos e significações; as tecnologias de poder, que determinam a conduta dos indivíduos e os submetem a determinados fins ou à dominação, operando uma objetivação do sujeito; e, por fim, as tecnologias do eu, que permitem aos indivíduos efetuar, por conta própria ou com o auxílio de terceiros, operações sobre seus corpos, almas, pensamentos e condutas, transformando-se a fim de alcançar um determinado estado de equilíbrio, sabedoria ou autonomia.
A articulação direta entre a filosofia foucaultiana e a práxis pedagógica reside justamente no limiar dessas tecnologias do eu, cujo propósito central é permitir que o sujeito realize, por vias próprias ou mediadas, um processo de autotransformação ativa. No entanto, as práticas de si não se resumem à aquisição utilitária de aptidões instrumentais, demandando, de forma mais ampla, a modificação de atitudes e de disposições éticas frente à própria existência (Foucault, 2008b). Essa premissa confronta diretamente os biopoderes e as biopolíticas que operam sobre os corpos individuais e coletivos no cenário educacional, em especial quando a legislação e as diretrizes curriculares nacionais parecem reduzir o desenvolvimento de competências a um mero adestramento adaptativo. Conforme adverte Santos (2022), a pedagogia na contemporaneidade brasileira tem se dissociado progressivamente do compromisso ético com a formação humana ampla para converter-se em um aparato de conformação e de adaptação do sujeito aos modelos institucionais e mercadológicos vigentes.
Para resistir a essa instrumentalização, faz-se imperioso resgatar a coerência estrutural da tríade conceitual constituída pelo cuidado de si (epimeleia heautou), pela psicagogia e pela parresía (parrhesia). Longe de operarem como categorias isoladas, esses constructos funcionam como engrenagens integradas de um mesmo dispositivo de subjetivação ética e de resistência à governamentalidade neoliberal (Castro, 2018). O ponto de partida dessa engrenagem é o cuidado de si, conceito que Foucault (1985b) distancia de qualquer reducionismo individualista ou recolhimento narcisista em suas lições sobre a hermenêutica do sujeito. O cuidado de si consiste em uma atitude de atenção ativa voltada para si mesmo, traduzida em exercícios diários de autotransformação e na decisão soberana de não se submeter passivamente às verdades impostas exteriormente, erguendo o que se pode denominar como uma armadura ética frente aos processos de docilização institucional (Foucault, 1985a).
Todavia, essa soberania sobre si não se realiza no isolamento solipsista. O sujeito é ontologicamente incapaz de ingressar na via do cuidado de si de forma absolutamente isolada, necessitando da presença mediadora do outro para operar a conversão de si (Foucault, 1985b). É nessa dimensão essencialmente relacional que a psicagogia se inscreve como o método prático de operacionalização do cuidado de si. Compreendida como a pedagogia ou a condução das almas (Castro, 2018), a psicagogia designa uma relação mestre-discípulo cujo objetivo é a alteração ontológica do próprio modo de ser do sujeito que aprende. Diferente da mathesis, caracterizada pela mera transmissão cumulativa de conteúdos intelectuais, a psicagogia exige uma ascese, na qual o mestre atua como um facilitador ético que provê o educando com o equipamento de verdades (paraskeué) indispensável para o autogoverno e para a resistência às paixões e pressões externas.
Essa condução das almas, contudo, só adquire legitimidade ética quando mediada pela parresía, a coragem da verdade (Foucault, 2010; 2011). A parresía constitui um ato verbal de compromisso absoluto e de risco pessoal com a verdade enunciada, vinculando indissociavelmente o logos (o discurso) ao bios (a vida). Na relação pedagógica, ela opera em dupla via: manifesta-se no dever ético do docente de abdicar da demagogia e dos artifícios retóricos para proferir uma verdade corajosa ao educando, e ergue-se como o horizonte de liberdade do estudante que, ao se apropriar das verdades éticas, torna-se capaz de pronunciar sua própria palavra contra os saberes e poderes estabelecidos. Delineia-se, assim, um ciclo dinâmico em que o cuidado de si configura a atitude e o objetivo ético-político de converter-se a si mesmo; a psicagogia apresenta-se como o arranjo pedagógico e relacional intersubjetivo que viabiliza esse processo; e a parresía ergue-se como o modo de expressão verbal e de coragem que valida a relação pedagógica e coroa o sujeito ético, habilitando-o a intervir ativamente no espaço público.
Ao transpor essa tríade para a realidade da educação brasileira contemporânea, marcada pelas pressões de uma racionalidade neoliberal que reduz o educando a um empreendedor de si mesmo e desvirtua o autocuidado em mero imperativo de produtividade, abrem-se caminhos para o que se pode denominar como subjetivações ético-políticas. Essa transposição desdobra-se em dimensões fundamentais de resistência que redefinem o cotidiano escolar. A primeira delas é a resistência à normalização, na qual a psicagogia contrapõe-se à padronização das subjetividades promovida pelas avaliações em larga escala, propondo uma pedagogia voltada à singularidade do sujeito. Paralelamente, delineia-se a figura do professor como parresiasta: diante de cenários de patrulhamento ideológico e censura velada no cotidiano escolar, a parresía emerge como um ato de resistência docente em que o professor mantém a coragem de sustentar a verdade científica e ética, mesmo sob riscos profissionais institucionais. Por fim, a ética afirma-se como política na medida em que o cuidado de si, especialmente nas escolas que atendem a sujeitos historicamente subalternizados, é compreendido como um ato de sobrevivência e resistência, constituindo o primeiro passo indispensável para o governo da pólis.
Como assinala Foucault (2014, p. 53), a parresía constitui sempre uma crítica que visa à melhora ética do sujeito político. Nesse sentido, ao correlacionar a robustez conceitual dessa tríade com a pedagogia do esperançar freireano, o ato educativo redefine-se em sua radicalidade. Contra o utilitarismo mercadológico, o educador assume o papel de mediador crítico que acolhe a exaustão do estudante e o mune com um equipamento teórico-crítico. O resultado de tal articulação pedagógica não se reduz à produção de um trabalhador dócil e adaptado, mas sim à emergência de sujeitos capazes de cuidar de si, de resistir ativamente e de construir coletivamente novas formas de existência orientadas pela justiça social e pela emancipação humana.
4. A CURADORIA DE SI COMO PROVOCAÇÃO PEDAGÓGICA
A educação, quando compreendida em seu sentido mais profundo de formação humana, transcende a mera transmissão de conhecimentos técnicos ou o acúmulo de informações para se consolidar como uma ferramenta de intervenção na relação do sujeito consigo mesmo e com o mundo. Nesse contexto, a curadoria de si emerge como uma prática ética e estética fundamental (Costa, 2023), sustentada pelo que Michel Foucault (2014) denomina o terceiro domínio ou domínio ético, no qual a investigação se debruça sobre como o indivíduo se constitui como sujeito moral de suas próprias ações. Esta prática não se limita ao campo individualista, mas representa uma chave analítica inovadora para repensar os dilemas da formação humana no presente, permitindo aos educadores delinearem formas de resistência crítica e criativa frente aos desafios éticos e políticos contemporâneos.
Para fundamentar teoricamente essa discussão, é imprescindível resgatar a tríade conceitual foucaultiana composta pela psicagogia, pela parresía e pelo cuidado de si. A psicagogia, definida etimologicamente como a "condução das almas", apresenta-se como a dimensão filosófica da pedagogia, visando não apenas dotar o sujeito de aptidões ou competências, mas provocar uma transformação real em seu modo de ser para que ele possa acessar a verdade. Complementarmente, a parresía, ou a "coragem da verdade", atua como o ato de falar franco que permite ao educando e ao educador romperem com máscaras institucionais e conformismos sociais, vinculando o discurso (logos) à própria vida (bios) de maneira autêntica.
Por fim, o cuidado de si (epimeleia heautou) não deve ser confundido com um narcisismo isolado ou um autocuidado mercantilizado; ele é entendido como uma "armadura ética" e um exercício de liberdade indispensável para que o indivíduo resista aos processos de docilização, normalização e governamentalidade neoliberal impostos pelas instituições.
Sob a lente da hermenêutica de si, a subjetividade humana deixa de ser uma substância metafísica estática para tornar-se um devir biográfico, um projeto inacabado de interpretação constante da própria experiência vivida. Nessa perspectiva, o sujeito utiliza as "tecnologias do eu" para reinterpretar sua trajetória e exercer autonomia frente aos dispositivos de poder que buscam homogeneizar o pensamento. A filosofia e a educação atuam, portanto, como instrumentos de curadoria das questões constitutivas da existência, transformando o ato de refletir em um cuidado com o próprio tempo e com as questões que nos afetam. No cenário atual, essa formação subjetiva é frequentemente deslocada para a "extimidade", onde a vida interior é espetacularizada pelas redes digitais, exigindo uma vigilância reflexiva ainda maior para que o sujeito não se torne apenas um produto descartável do capitalismo de vigilância.
Na contemporaneidade, a prática da curadoria de si encontra novos suportes em ferramentas tecnológicas (Chagas, 2019; Costa, 2023), como a metodologia do Segundo Cérebro (SC). O SC funciona como um "laboratório de si" e um repositório dinâmico onde o sujeito, ao organizar, selecionar e interligar seus conhecimentos de forma estruturada, assume o papel de curador de sua própria base de conhecimento e, consequentemente, de sua subjetividade.
Assim, a educação mediada por uma "Filosofia do Eu" propõe um viés humanizador para a tecnologia, transformando o que seria um instrumento de vigilância algorítmica em um suporte de reflexão e um suporte para o fortalecimento da autonomia e da autoria de si mesmo. Ao integrar a alta tecnologia (high-tech) com a sensibilidade humana (high-touch), o sujeito pode converter a Inteligência Artificial de um aparato de controle biopolítico em um dispositivo de libertação, no qual se aprende a autorrefletir e a fazer da própria vida uma singular obra de arte.
A prática da escrita reflexiva, associada ao conceito de 'Segundo Cérebro' (Forte, 2022), constitui um caminho fecundo para estruturar o pensamento crítico e a organização existencial. Ao transmutar pensamentos dispersos em registros tangíveis, o sujeito resgata a tradição histórica dos cadernos de notas (Commonplace books), ressignificados no ecossistema digital contemporâneo (Bretas, 2023). Esse exercício de alimentação contínua implica uma curadoria ativa na qual as informações, as aprendizagens e os insights cotidianos são dialeticamente tensionados e relacionados. Sob essa ótica, a arquitetura de um Segundo Cérebro funcional requer rigor metodológico, estruturando-se em etapas operacionais e formativas que conduzem o fluxo de dados à expressão autoral. Esse itinerário metodológico pressupõe a nomeação precisa das informações por meio de termos-chave, a organização espacial por proximidades temáticas, a filtragem crítica para a extração ativa de significados, a padronização das formas de expressão para otimizar o resgate cognitivo, e, por fim, a modelagem de um layout personalizado que se adapte às demandas reflexivas de cada sujeito.
Embora plataformas proprietárias como OneNote, Evernote, Trello ou Things ofereçam soluções para a sistematização informacional, a consolidação de um Segundo Cérebro verdadeiramente emancipatório exige uma escolha técnica politicamente situada. Nesse horizonte, o software Obsidian destaca-se como o ecossistema ideal para essa construção . A arquitetura local do Obsidian, baseada em arquivos de texto sob o formato universal de Markdown, assegura a custódia total dos dados pelo próprio sujeito, preservando a soberania e a privacidade cognitiva diante do avanço do colonialismo de dados.
Ao criar um cofre local, o usuário institui um território seguro para o armazenamento e livre processamento de seus saberes. A interface da ferramenta (Imagem 1 e 2)) oferece recursos avançados que transcendem o mero arquivamento instrumental; ferramentas como a divisão de telas, buscas indexadas, marcadores e metadados configuram-se como catalisadores de um fazer reflexivo personalizado e autônomo.
A partir de uma estrutura de escrita singela que articula títulos, subtítulos temáticos e referências científicas fundamentais (Imagem 2), o sujeito desenha um mapa material de sua própria memória intelectual. A grande potência ética dessa metodologia revela-se quando o encadeamento dinâmico de notas produz uma teia tridimensional de conceitos interligados: a visualização em gráfico do conhecimento (Imagem 3). Essa teia atua de forma análoga a uma rede neural configurada dinamicamente pela interação do sujeito com sua própria base existencial (Imagem 4). Para além dessa visualização, a integração do Obsidian com modelos de Inteligência Artificial e outras interfaces digitais permite maximizar esse sistema de conhecimento pessoal.
Contudo, embora essa automação seja tecnicamente viável, defende-se aqui a ampliação das capacidades cognitivas humanas em detrimento de uma simples delegação de agência à máquina. Trata-se de preservar o protagonismo do sujeito e sua capacidade reflexiva frente às potencialidades automatizadas, garantindo que a tecnologia atue como um vetor de emancipação e não de passividade cognitiva.
Essa articulação tecnológica ganha contornos pedagógicos profundos ao compreendermos o conceito de Segundo Cérebro não apenas como um repositório pessoal, mas como uma abordagem metodológica e epistemológica inovadora para o desenvolvimento humano integral. Ao utilizar ferramentas digitais para organizar, armazenar e acessar informações de maneira estratégica, essa metodologia expande capacidades fundamentais como a memória, a intuição e a criatividade. Ao integrar tais recursos ao cotidiano, promove-se um aprendizado contínuo que enriquece os processos de subjetivação e oferece novos caminhos para a práxis educativa, facilitando a tomada de decisões éticas e a resolução de problemas complexos na contemporaneidade.
No cenário educativo brasileiro, no entanto, a inserção e a discussão dessas ferramentas tecnológicas frequentemente oscilam entre a adesão instrumental tecnocrática e a recusa defensiva de cunho neoludita. No horizonte dos perigos contemporâneos - caracterizados pelo adoecimento psíquico, pela aceleração algorítmica e pela exaustão mental que acometem os sujeitos escolares -, a apropriação do conceito de Segundo Cérebro exige um deslocamento epistemológico radical.
Sem essa vigilância crítica, corre-se o risco de converter a ferramenta em mais um dispositivo de autoexploração subjetiva sob o prisma do capitalismo cognitivo, onde o sistema é estruturado como uma metodologia de eficiência individual voltada à otimização do rendimento que mimetiza a figura do "empresário de si mesmo" identificada por Castro (2018) na racionalidade governamental neoliberal. A subversão crítica desse aparato ocorre ao submetê-lo à herança das pedagogias críticas e à analítica foucaultiana do poder, ressignificando-o como uma tecnologia existencial de subjetivação, isto é, como um suporte material indispensável para o cuidado de si, para a autonomia e para a emancipação no chão da escola pública.
Esse tensionamento inicia-se ao confrontarmos a própria natureza do armazenamento cognitivo digital com o conceito de educação bancária proposto por Paulo Freire (1996). Se o Segundo Cérebro for reduzido a uma mera "caixa-forte" ou a um arquivo passivo onde o estudante apenas deposita conteúdos fragmentados para posterior reprodução performática, reproduz-se estritamente a lógica da opressão denunciada pelo educador pernambucano. A ruptura com essa dinâmica se dá quando o dispositivo passa a ser operado como um território de codificação e decodificação do mundo, no qual a informação arquivada é dialeticamente tensionada com a realidade social do educando. Desse modo, o Segundo Cérebro transmuta-se de um instrumento de acumulação de dados individuais para configurar-se como aquele "equipamento de verdades" (paraskeué) a que Foucault (1985b) se refere, essencial para que o sujeito possa governar a si mesmo, exercer a parresía pedagógica e resistir aos discursos de dominação e silenciamento.
Essa transição da instrumentalização para a emancipação ganha densidade teórica quando integrada à pedagogia histórico-crítica de Dermeval Saviani (2013). Para o autor, o papel social da escola reside na socialização do saber sistematizado, garantindo que as classes subalternas se apropriem do patrimônio cultural e científico historicamente acumulado pela humanidade para utilizá-lo como instrumento de luta política. Sob essa lente, o Segundo Cérebro pode ser concretamente reconfigurado como uma infraestrutura cognitiva de apropriação e curadoria crítica de conhecimentos.
Em vez de uma navegação errática e passiva pelas redes digitais ou do consumo dócil de plataformas que, como adverte Veiga-Neto (2018), modulam continuamente a atenção e o desejo dos estudantes para o mercado de capitais, o aluno assume o papel de curador, arquivista e autor de sua própria memória intelectual. O Segundo Cérebro converte-se, assim, em um arquivo de resistência que abriga os conceitos científicos, as memórias históricas de luta e as categorias analíticas indispensáveis para que o sujeito interprete as desigualdades de sua época e aja coletivamente sobre elas.
Do ponto de vista prático e metodológico, esse modelo se materializa no sistema educacional brasileiro por meio da proposição de laboratórios de aprendizagem inovadores e descolonizados. Afastando-se dos tradicionais laboratórios de informática escolares - frequentemente marcados pela obsolescência técnica e pelo mero adestramento para o uso de softwares proprietários -, esses laboratórios configuram-se como espaços de práxis coletiva e investigação-ação. A ferramenta utilizada para construir o SC, em nossa discussão, foi o software "Obsidian", pois é a interface mais robusta e gratuita para os usuários.
Imagem 1 — Ferramentas do Obsidian
Nesses territórios, os estudantes utilizam sistemas de notas interconectadas e ferramentas de escrita hipertextual não para resolver tarefas repetitivas, mas para construir cartografias de problemas locais, organizar pesquisas de campo e articular saberes interdisciplinares.
Imagem 2 — Estrutura do conhecimento para o Segundo Cérebro
A construção de um Segundo Cérebro coletivo e partilhado no âmbito escolar promove um modelo pedagógico de coautoria e inteligência comunitária, rompendo com o isolamento meritocrático. Como postula Veiga-Neto (2016), resistir aos mecanismos de controle exige a invenção de contracondutas que subvertam a ordem espacial e temporal das salas de aula tradicionais; os laboratórios de aprendizagem atuam exatamente como zonas de suspensão desse tempo produtivo capitalista, transformando o registro digital em um diário ético de autotransformação e reflexão hermenêutica.
Imagem 3 — Teias do conhecimento
Portanto, pensar o Segundo Cérebro frente à realidade educacional brasileira de forma concreta implica recusar o utilitarismo das competências socioemocionais mercadológicas e ousar instituir uma pedagogia do "esperançar" que seja tecnologicamente sustentada e humanamente sensível.
Imagem 4 — Rede neural do SC
Trata-se da produção de novos modos pedagógicos em que a tecnologia digital não atua como vigilante panóptico da atenção docente ou discente, mas sim como suporte cognitivo que liberta a mente humana do fardo do mero armazenamento burocrático para devolvê-la ao exercício da crítica, do debate público e da criação estética da existência. Ao armar o educando da escola pública com um equipamento digitalmente articulado e politicamente situado, a pedagogia crítica contemporânea viabiliza a formação humana integral, resgatando a união inalienável entre o trabalho intelectual rigoroso, o diálogo transformador, o governo ético de si e a emancipação social.
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Ao depararmo-nos com os tensionamentos históricos e contemporâneos que cruzam a educação brasileira, esta investigação demonstrou que o terceiro domínio da ontologia histórica de Michel Foucault - o domínio ético - não se traduz em um recuo abstrato ou individualista, mas em uma potente ferramenta teórico-prática de resistência ativa. A partir da articulação indissociável da tríade composta pelo cuidado de si (epimeleia heautou), pela psicagogia e pela parresía, foi possível diagnosticar e contestar as tentativas de docilização e assujeitamento engendradas pela governamentalidade neoliberal contemporânea. Frente à exaustão psíquica e à redução do educando à figura mercantilizada do "empresário de si mesmo", a ética foucaultiana oferece as bases para uma pedagogia da resistência e da singularidade, capaz de devolver à escola pública seu caráter de espaço de suspensão e de emancipação social.
Nessa tessitura, o principal divisor de águas desta reflexão reside na reconfiguração política e pedagógica das tecnologias digitais, com destaque para a metodologia do Segundo Cérebro. Longe de ser assimilado como mais uma engrenagem de produtividade utilitarista sob a égide do capitalismo de vigilância, o Segundo Cérebro, operado por meio de plataformas hipertextuais como o Obsidian, foi aqui ressignificado como uma possível tecnologia do eu (possibilita o agir sobre si) contemporânea. Ele transmuta-se em um "equipamento de verdades" (paraskeué) digitalmente articulado, um território hermenêutico onde o registro da memória e a interconexão de saberes deixam de mimetizar o mero arquivo passivo da educação bancária para se tornarem suportes de autoria, autonomia e reflexão crítica. Ao aliar a alta tecnologia à sensibilidade humana, o sujeito reconquista seu protagonismo cognitivo e existencial diante dos automatismos algorítmicos.
Por conseguinte, a discussão aqui levantada está longe de se esgotar nas páginas deste artigo; ao contrário, ela abre caminhos profícuos para novos questionamentos que nos impulsionam a desestabilizar as práticas de exame e a construir novos fazeres pedagógicos - fazeres esses que sejam essencialmente criativos, críticos e emancipatórios. Trata-se, em última instância, de um convite aberto aos educadores, pesquisadores e leitores para que se aventurem na fascinante, complexa e urgente tarefa da curadoria de si. Que possamos, munidos desses suportes de reflexividade e armaduras éticas, resistir à passividade cognitiva de nossa época e ousar transformar nossas próprias existências, trajetórias intelectuais e práticas educativas em uma constante e singular obra de arte.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BRETAS, Alex. O Seu Segundo Cérebro. São Paulo: O futuro das coisas. E-book, 2023. 69 p. Disponível em: https://cursos.ofuturodascoisas.com/e-book-o-seu-segundo-cerebro-por-alex-bretas/.
CASTRO, Edgardo. Vocabulário de Foucault: um percurso pelos seus conceitos, temas e autores. 2. ed. 2. reimp. Belo Horizonte: Autêntica, 2018.
CHAGAS, Alexandre Meneses; Linhares, Ronaldo Nunes; Mota, Marlton Fontes. A curadoria de conteúdo digital enquanto proposta metodológica e multirreferencial. RISTI - Revista Ibérica de Sistemas e Tecnologias de Informação, n. 33, p. 32-47, set. 2019.
COSTA, Carlos Henrique Nunes. Arte relacional hiperconectada: individualismo e solidão na cultura digital. 2023. 120 f. Dissertação (Mestrado em Artes Visuais) – Escola de Comunicações e Artes, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2023.
FORTE, Tiago. Criando um Segundo Cérebro: um método comprovado para organizar sua vida digital e turbinar seu potencial criativo. Rio de Janeiro: Sextante, 2022.
FOUCAULT, Michel Tecnologias del yo - Y otros textos afines. Tradução de Mercedes Allendesalazar. 1a. ed. Barcelona: Paidós Ibérica, 1990. 150p. (Coleção Pensamiento Contemporáneo, 7).
FOUCAULT, Michel. A Coragem da verdade: o governo de si e dos outros II: curso no Collège de France (1983-1984). 1. ed. Tradução de Eduardo Brandão. São Paulo: Editora WMF Martins Fontes, 2011.
FOUCAULT, Michel. A ética do cuidado de si como prática da liberdade. In: Ética, sexualidade, política (Ditos e Escritos, v. 5). Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2004.
FOUCAULT, Michel. A hermenêutica do Sujeito. Rio de Janeiro: Graal, 1985b.
FOUCAULT, Michel. As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas. Trad. Salma Tannus Muchail. São Paulo: Martins Fontes, 1999.
FOUCAULT, Michel. Deux essais sur le sujet et le pouvoir. In: DREYFUS, H; RABINOW, P. Michel Foucault: um parcours philosophique. Paris: Gallimard, 1983.
FOUCAULT, Michel. Discurso e Verdade. Tradução de Cláudio Oliveira. Belo Horizonte: Autêntica, 2014.
FOUCAULT, Michel. História da Sexualidade: a vontade de saber. Rio de Janeiro: Graal, 2009a. v. 1.
FOUCAULT, Michel. História da sexualidade: o cuidado de si. 10 ed. Rio de Janeiro: Graal, 1985a.
FOUCAULT, Michel. História da Sexualidade: o uso dos prazeres. Rio de Janeiro: Graal, 2009b. v. 2.
FOUCAULT, Michel. O governo de si e dos outros. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2010.
FOUCAULT, Michel. Tecnologías del yo. 1a ed. Buenos Aires: Paidós, 2008.
FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.
SANTOS, Priscila Gomes dos. Por uma filosofia do eu: o terceiro domínio foucaultiano e a hermenêutica de si. 2026. 152 f. Tese (Doutorado em Educação) – Centro de Educação, Universidade Federal de Alagoas, Maceió, 2026.
SANTOS, Priscila Gomes dos. Psicagogia e educação contemporânea brasileira: investigação filosófico-pedagógica. 2022. 80 f. Dissertação (Mestrado em Educação Brasileira) - Centro de Educação, Programa de Pós-Graduação em Educação, Universidade Federal de Alagoas, Maceió, 2021.
SAVIANI, Dermeval. História das ideias pedagógicas no Brasil. 4 ed. Campinas, São Paulo: Autores Associados, 2013 (Coleção Memória da educação).
VEIGA-NETO, Alfredo. Foucault & Educação. 3ª edição, 2. Reimp. – Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2016.
VEIGA-NETO, Alfredo. Mais uma lição: de como a virada neoliberal transformou a educação em uma mercadoria qualquer. In: LEHER, Roberto (org.). Giro à direita e a educação. São Paulo: Expressão Popular, 2018. p. 85-104.
1 Graduada em Pedagogia pela Universidade Federal de Alagoas (2018), especialista em Gestão Pública pela Universidade Estadual de Alagoas (2021) e especialista em Educação Especial e Inclusiva pela Faculdade Futura (2022), mestra em Filosofia da Educação pela Universidade Federal de Alagoas (2021) e doutora em Educação pela Universidade Federal de Alagoas (2026). Tem experiência na área de Educação, com ênfase em Filosofia da Educação, Educação Infantil e Educação Especial. Atua na Educação Infantil, na Rede Municipal de Maceió e também na Educação Especial na Rede Estadual de Alagoas. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail.
2 Graduado em Filosofia pela Universidade Federal de Pernambuco (1988), Mestrado em Filosofia pela Universidade Federal de Pernambuco (1995) e Doutorado em Educação (Filosofia e Educação) pela Universidade Estadual de Campinas (2003). Fez Estágio Pós-Doutorado na Université Rennes II: Centre de recherche sur l'éducation, les apprentissages et la didactique (CREAD). Professor Titular da Universidade Federal de Alagoas, no Centro de Educação. Tem experiência na área de Educação, com ênfase em Filosofia e Educação, atuando principalmente nos seguintes temas: ensino de filosofia, filosofia francesa contemporânea, culturas e corpo, e formação docente. Professor nos seguintes programas de Pós-Graduação: PPGE/UFAL e PPGAU/UFAL. Atualmente Coordenador Geral das Pós-Graduações: CPG/PROPEP/UFAL.
3 Graduado em Filosofia e Pedagogia pela Universidade Federal de Alagoas, mestre em Educação pela Universidade Federal de Alagoas, doutor em Educação pela Universidade Federal de Alagoas. E-mail. [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail