REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/780122114
RESUMO
Este texto desenvolve uma análise antropológica das práticas de cura mediadas pelo corpo em dois contextos religiosos distintos do campo religioso brasileiro: o Exu da Lira, entidade manifestada por meio da incorporação no corpo de Mãe Cacilda, liderança religiosa vinculada à Umbanda, e a atuação do padre Marcelo Rossi, sacerdote católico associado à Renovação Carismática Católica. A partir de um diálogo teórico com Marcel Mauss, Émile Durkheim e Thomas Csordas, o estudo compreende o corpo como fato social total, operador simbólico do ritual e lugar privilegiado da experiência religiosa da cura. Argumenta-se que, apesar das diferenças cosmológicas, institucionais e teológicas, ambas as práticas convergem na centralidade da corporeidade como tecnologia ritual de recomposição do sofrimento humano e de reconstrução simbólica da pessoa.
Palavras-chave: Corporeidade; Cura religiosa; Catolicismo carismático; Religiões afro-brasileiras; Ritual.
ABSTRACT
This text develops an anthropological analysis of body-mediated healing practices in two distinct religious contexts within the Brazilian religious field: Exu da Lira, an entity manifested through incorporation into the body of Mãe Cacilda, a religious leader linked to Umbanda, and the work of Father Marcelo Rossi, a Catholic priest associated with the Catholic Charismatic Renewal. Based on a theoretical dialogue with Marcel Mauss, Émile Durkheim, and Thomas Csordas, the study understands the body as a total social fact, a symbolic operator of ritual, and a privileged place for the religious experience of healing. It argues that, despite cosmological, institutional, and theological differences, both practices converge on the centrality of corporeality as a ritual technology for the recomposition of human suffering and the symbolic reconstruction of the person.
Keywords: Corporeality; Religious healing; Charismatic Catholicism; Afro-Brazilian religions; Ritual.
INTRODUÇÃO
Este artigo propõe uma reflexão fundamentada acerca do ritual enquanto prática simbólica e eficaz, mapeando sua centralidade na estruturação da vida religiosa e social. A partir de um mapeamento teórico que articula as contribuições de autores clássicos e contemporâneos da antropologia e das ciências sociais — tais como Marcel Mauss, Claude Lévi-Strauss, Stanley Tambiah, Thomas Csordas e Raymundo Heraldo Maués —, busca-se construir um argumento sólido sobre a agência e a eficácia dos rituais. Desse modo, o trabalho investiga como as práticas simbólicas operam tanto na manutenção da ordem social quanto na mediação da experiência vivida pelos sujeitos.
O texto Corpo/Significado/Cura, de Thomas Csordas, escrita por Carlos Alberto Steil e Luiz Felipe Rosado Murillo, ambos do programa de Pós-graduação em Antropologia Social da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, ligados a Universidade de San Diego na Califórnia, com projetos coordenados por Thomas Csordas: “fica evidente a relação entre religião e o paradigma da corporeidade, e a aposta de que a experiencia religiosa é um observatório privilegiado das relações entre corporeidade e significação”. (STEIL; MURILLO, p.10, 2008).
A Antropologia da Religião, por sua vez, tem demonstrado ao longo do século XX e início do XXI, que o corpo constitui uma categoria analítica central para a compreensão das práticas religiosas, especialmente quando estas se articulam em torno da cura. Longe de ser apenas suporte biológico da experiência espiritual, o corpo é compreendido como espaço de inscrição de valores sociais, campo de disputas simbólicas e meio privilegiado de mediação entre o humano e o sagrado.
No início da introdução do texto de Csordas 2008, o autor descreve que quando criança em 1950, ficava mesmerizado na frente da televisão vendo a primeira geração de curandeiros da TV. Descreve o autor:
Algo da musicalidade e da cadência de linguagem deles, algo da sua invocação do poder divino e da compaixão, algo da exaltação e da dor de seus auditórios ardentes, algo da diferença entre aquilo tudo e as coisas que eu conhecera em meu próprio ambiente de católico romano enchia-me de encantamento. A questão de o que estava realmente acontecendo nas experiências dos suplicantes de seus corpos devastados pela doença e o sofrimento me deixava constantemente intrigado. (CSORDAS, p.15, 2008)
No contexto brasileiro, marcado por pluralismo religioso, circulação de práticas e intensa performatividade ritual, o corpo assume papel ainda mais relevante. Diferentes tradições religiosas mobilizam o corpo como instrumento de acesso ao sagrado, produção de autoridade religiosa e reorganização do sofrimento. Este artigo propõe uma análise comparativa entre duas expressões religiosas frequentemente tratadas de forma dicotômica no senso comum: a Umbanda, por meio da atuação de Mãe Cacilda23e da incorporação do Exu da Lira, e o catolicismo carismático, representado pela atuação pública e ritual do padre Marcelo Rossi4
A comparação não busca homogeneizar tradições distintas nem reduzir suas especificidades cosmológicas. Ao contrário, parte do pressuposto antropológico de que a análise comparativa permite evidenciar estruturas simbólicas compartilhadas, sobretudo no modo como o corpo é mobilizado como tecnologia ritual de cura e como operador de sentido diante da dor, da doença e da fragilidade humana.
O CORPO COMO FATO SOCIAL TOTAL
A contribuição de Marcel Mauss é fundamental para qualquer análise antropológica do corpo. Ao formular o conceito de fato social total, Mauss demonstra que determinados fenômenos mobilizam simultaneamente dimensões econômicas, jurídicas, religiosas, morais e corporais da vida social (MAUSS, 2003). O corpo, nesse sentido, não é exterior à sociedade, mas um de seus principais veículos de expressão.
Em seu ensaio sobre as técnicas do corpo, Mauss demonstra que os modos de usar, sentir e disciplinar o corpo são socialmente aprendidos e historicamente situados. A incorporação espiritual, prática central na Umbanda, pode ser compreendida como uma técnica corporal altamente elaborada, transmitida por meio da iniciação religiosa e legitimada por uma coletividade ritual.
No caso do Exu da Lira, incorporado por Mãe Cacilda, o corpo da médium não é um receptáculo passivo da entidade, mas espaço ativo de mediação simbólica. Gestos, posturas, ritmos, entonações vocais e formas específicas de interação com os consulentes constituem uma gramática ritual reconhecível, que confere inteligibilidade e eficácia à prática de cura. A cura, nesse contexto, não se reduz à supressão de sintomas físicos, mas envolve aconselhamento moral, reorganização de vínculos sociais e redefinição da trajetória biográfica do sujeito.
Essa dimensão total da cura evidencia a atualidade da perspectiva maussiana: o corpo incorporado articula simultaneamente o individual e o coletivo, o físico e o simbólico, o visível e o invisível.
RITUAL, EFERVESCÊNCIA COLETIVA E COESÃO SOCIAL
Já a análise de Émile Durkheim sobre a religião oferece uma chave interpretativa indispensável para compreender a eficácia simbólica das práticas de cura. Para Durkheim, a religião é um sistema solidário de crenças e práticas relativas ao sagrado, cuja principal função é produzir e manter a coesão social (DURKHEIM, 1996).
Os rituais religiosos, segundo o autor, produzem momentos de efervescência coletiva, nos quais os indivíduos experimentam intensificação emocional e fortalecimento do sentimento de pertencimento ao grupo. Essa perspectiva permite compreender tanto os rituais de incorporação quanto as celebrações carismáticas como dispositivos sociais de produção de sentido e de recomposição da ordem simbólica.
As missas conduzidas pelo padre Marcelo Rossi caracterizam-se por intensa mobilização corporal: música, dança, gestos amplos, oração em voz alta, imposição de mãos e manifestações emocionais coletivas. O corpo do sacerdote funciona como polo de condensação simbólica da energia do grupo, catalisando a experiência coletiva do sagrado.
A cura, nesse contexto, emerge menos como evento individual e mais como efeito da participação no ritual coletivo. O sofrimento pessoal é ressignificado à luz da experiência compartilhada, e o corpo torna-se lugar de inscrição dessa transformação simbólica. No artigo intitulado como “Inovação e tradição no pensamento do Padre Marcelo Rossi”, publicado em 2006 na revista TOMO, o autor apresenta as estratégias bem sucedidas do padre midiático:
[...] a primeira estratégia de evangelização do Padre Marcelo foram as missas de libertação, o sucesso dessas celebrações foi fundamental na visibilidade midiática alcançada, à medida que seu carisma foi se instituindo. Suas missas de libertação poderiam torná-lo um padre entre os milhares que fazem celebrações orientadas pela renovação carismática. Entretanto seu porte atlético, promessas de cura milagrosas e a adoção de estratégias próximas dos pastores neopentecostais como cura e orações deram-lhe visibilidade. (ANDRADE, p.375 2006).
Thomas Csordas, propõe uma inflexão teórica decisiva ao deslocar o foco da análise do corpo como representação para o corpo como experiência vivida. O conceito de corporeidade (embodiment) refere-se ao corpo enquanto terreno existencial primário da cultura e da religião (CSORDAS, 1994a; 1994b).
Segundo Csordas, a cura religiosa não ocorre prioritariamente no plano discursivo ou doutrinário, mas na reorganização da experiência corporal do sujeito. Sensações físicas, emoções intensas, gestos e posturas antecedem a elaboração racional e produzem efeitos terapêuticos profundos.
Essa abordagem é particularmente fecunda para compreender tanto a incorporação do Exu da Lira quanto as celebrações carismáticas católicas do Padre Marcelo Rossi. Em ambos os casos, a cura se dá por meio de uma experiência corporal imediata, na qual o sujeito vivencia uma transformação de sua relação consigo mesmo, com o outro e com o sagrado.
CORPO, AUTORIDADE SIMBÓLICA E LEGITIMIDADE RELIGIOSA
O corpo incorporado de Mãe Cacilda e o corpo carismático do padre Marcelo Rossi são investidos de autoridade simbólica. Essa autoridade não se sustenta apenas na palavra ou na doutrina, mas na performance corporal, que produz confiança, reconhecimento e adesão.
No caso da Umbanda, a legitimidade religiosa de Mãe Cacilda deriva de sua trajetória iniciática, de seu reconhecimento comunitário e de sua relação mediada com o mundo espiritual. Já no catolicismo carismático, a autoridade do padre Marcelo Rossi articula-se à instituição eclesial, ao carisma pessoal e à capacidade de mobilização corporal das massas. Apesar das diferenças institucionais, ambos os casos evidenciam que o corpo é operador central do poder simbólico no campo religioso.
A cura religiosa, sob uma perspectiva antropológica, pode ser compreendida como processo de reconstrução simbólica da pessoa. O corpo atua como lugar privilegiado dessa reorganização, permitindo ao sujeito reinscrever sua dor em uma narrativa dotada de sentido social e religioso.
A análise acima demonstra que tanto a Mãe Cacilda em suas incorporações que promoviam a cura, quanto a atuação do padre Marcelo Rossi nas missas e shows carismáticos católicos, operam como dispositivos rituais de recomposição do sofrimento, articulando corpo, coletividade e transcendência.
CONSIDERAÇÕES
Este estudo demonstrou que, apesar das diferenças cosmológicas e institucionais, as práticas analisadas convergem na centralidade do corpo como mediador do sagrado e agente de cura. A articulação teórica entre Mauss, Durkheim e Csordas permite compreender essas práticas não como fenômenos marginais, mas como expressões socialmente estruturadas da experiência religiosa no Brasil contemporâneo, que atrelam vários aspectos ligados ao corpo e a cura, nas duas figuras apresentadas neste ensaio.
A investigação empreendida ao longo deste debate, demonstra que a análise das práticas de cura no cenário religioso brasileiro contemporâneo, exige a superação de binarismos clássicos, como sagrado/profano ou alma/corpo. A convergência entre as atuações de Mãe Cacilda, por meio do Exu Sete da Lira, e do Padre Marcelo Rossi, em suas missas de cura e libertação, aponta para uma gramática ritual comum – técnica ritual -, onde a centralidade do corpo opera como o fundamento de inteligibilidade do sagrado. Sob o rigor da articulação teórica proposta, as práticas de cura deixam de ser vistas como fenômenos periféricos para serem compreendidas como sistemas complexos de produção de sentido e restauração psicossocial.
Ao resgatarmos a noção de técnicas corporais de Marcel Mauss, compreendemos que o corpo do fiel e do oficiante não é um dado biológico bruto, mas um "objeto técnico" moldado pela cultura e pela tradição. No terreiro de Mãe Cacilda, a técnica da incorporação e o manejo do axé pressupõem uma educação do sensível que permite ao corpo tornar-se canal para a agência do Exu. Paralelamente, na estética carismática do Padre Marcelo, o corpo é submetido a uma disciplina de gestualidade, dança e oração efusiva. Em ambos os casos, a eficácia do rito depende da capacidade do corpo em performar a fé, transformando o invisível em visível através do tremor, do transe, do canto e do gesto.
A efervescência coletiva de Émile Durkheim fornece a base sociológica para entender como essa cura se torna socialmente validada. A cura não ocorre no isolamento; ela é um evento público que necessita da validação do grupo. A intensidade emocional gerada pela musicalidade e pela repetição rítmica cria um estado de consciência coletiva onde o indivíduo se sente imbuído de uma força “externa” que o transcende e o cura. Todavia, é na fenomenologia da incorporação de Thomas Csordas que encontramos o refinamento desta análise: a experiência religiosa é uma experiência de "ser-no-mundo" através do corpo. A cura, portanto, não é algo que o corpo "recebe", mas algo que o corpo "se torna" ao ser reconfigurado pelo rito. O corpo não apenas sente o sagrado; ele é a própria condição de possibilidade para que o sagrado se manifeste.
A expansão dessas práticas para além dos limites físicos dos templos, impulsionada pelos ritos midiáticos, reconfigura o conceito de espaço sagrado. A musicalidade, tratada aqui não apenas como estética, mas como tecnologia de mediação, atua como o fio condutor entre os líderes e o público que participa e atua de algum modo no ritual.
As figuras de Mãe Cacilda e Padre Marcelo Rossi, em suas respectivas singularidades, operam como mediadores de uma racionalidade alternativa, na qual a saúde é compreendida como o equilíbrio entre o biológico, o social e o espiritual. Esta conclusão reafirma que a religiosidade brasileira contemporânea é, fundamentalmente, uma religiosidade encarnada, que utiliza a performance e a musicalidade para inscrever na carne a possibilidade da libertação e a continuidade do sagrado na vida cotidiana.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ANDRADE, Péricles. Inovação e tradição no pensamento do padre Marcelo Rossi. Revista TOMO, São Cristóvão, n.9, 2006.
BROWN, Diana. Umbanda and politics in urban Brazil. New York: Columbia University Press, 1985.
CASTRO, Dionisio Alves de; COSTA, Fabio Antonio da; ASSUNÇÃO, Jorge Luiz Chaves de; QUINTARELLI, Natbalie G. R.; SCHAIDER, Yuri Reis. Exu Seu Sete da Lira: Disputas Midiáticas e institucionais sobre o normal, o anormal e o paranormal. Debates do NER, Porto Alegre, ano 19, n. 35, p. 369-403, jan./jul. 2019.
CSORDAS, Thomas J. Corpo/Significado/Cura. Porto Alegre: Editora UFRGS, 2008.
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DURKHEIM, Émile. As formas elementares da vida religiosa. São Paulo: Paulus, 1996.
MAUSS, Marcel. Sociologia e antropologia. São Paulo: Cosac Naify, 2003.
NEGRÃO, Lísias Nogueira. Entre a cruz e a encruzilhada. São Paulo: Edusp, 1996.
PRANDI, Reginaldo. Um sopro do Espírito. São Paulo: Edusp, 1997.
STEIL, Carlos Alberto. O sertão das romarias. Petrópolis: Vozes, 2001.
1 Doutorando em História pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP/SP). Mestre em Educação pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP/SP). Bacharel em Teologia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP). Licenciado em Filosofia pelo Centro Universitário Assunção de São Paulo (UNIFAI/SP). Atualmente se dedica às pesquisas sobre a missionação católica, realizada pelos frades capuchinhos na África Central - Congo e Angola nos séculos XVII e XVIII. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail
2 Mãe Cacilda de Assis foi uma importante liderança religiosa da Umbanda, nascida no estado do Rio de Janeiro, onde exerceu sua atuação religiosa, especialmente na cidade de Niterói. Fundadora do Centro Espírita São Jorge, destacou-se pela incorporação do Exu da Lira (também conhecido como Seu Sete da Lira), entidade associada à mediação, à justiça simbólica e à orientação espiritual. Sua trajetória é amplamente registrada em estudos sobre a Umbanda urbana e sobre lideranças femininas no campo religioso brasileiro (BROWN, 1985; NEGRÃO, 1996).
3 No artigo publicado na Revista Debates no NER em 2019, intitulado como “Exu Seu Sete da Lira: Disputas midiáticas e institucionais sobre o normal o anormal e o paranormal, os autores descrevem como acontecia as sessões com a entidade no programa televisivo transmitido na Globo. [...] por volta das dezenove horas, mãe Cacilda de Assis, reconhecida como sacerdotisa de umbanda e compositora musical, adentra ao vivo no programa de auditório Buzina do Chacrinha, televisionado pela emissora Globo. A médium chega perante o público já possuída pela entidade Exu Seu Sete da Lira, trajando capa, cartola, portando uma garrafa de cachaça e charuto; seguida por homens e mulheres que reproduziriam no palco algumas práticas religiosas típicas do seu terreiro, então localizado em Santíssimo. Durante a sessão de umbanda transmitida em tempo real, dançarinas do programa de auditório caíram em transe, assim como pessoas da plateia. Todos aqueles acometidos pela alteração da consciência eram imediatamente socorridos pelos auxiliares de mãe Cacilda. Quarenta minutos após a apresentação na TV Globo, mãe Cacilda de Assis aparece no programa Flávio Cavalcanti, transmitido pela TV Tupi. Mais uma vez, transcorrem transes entre aqueles que compunham a plateia do programa, igualmente televisionado ao vivo.
4 Padre Marcelo Mendonça Rossi, nascido em São Paulo em 1967, é sacerdote da Diocese de Santo Amaro, uma das figuras mais expressivas do catolicismo carismático brasileiro. Sua atuação se caracteriza pela forte dimensão corporal do ritual, pelo uso da música e pela mobilização emocional coletiva, configurando um fenômeno religioso de massas amplamente analisado pela sociologia e antropologia da religião (PRANDI, 1997; STEIL, 2001).